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  • há 3 meses

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Transcrição
00:12Esmeralda
00:30Esmeralda
00:32Flor del campo
00:35Me ves
00:37Con la luz
00:39Del corazón
00:44Esmeralda
00:48Esmeralda
00:49Esmeralda
00:51Esmeralda
00:54Esmeralda
00:58Esmeralda
00:59Esmeralda
01:04Esmeralda
01:08Esmeralda
01:09Esmeralda
01:14Esmeralda
01:16Esmeralda
01:17Esmeralda
01:22Esmeralda
01:23Esmeralda
01:25Esmeralda
01:27Esmeralda
01:28Esmeralda
01:28Esmeralda
01:29Esmeralda
01:39Há uns vinte e poucos anos, enterraram aqui uma criança recém-nascida.
01:45Era uma menina.
01:47E a senhora sabe o nome?
01:50Bom, não, eu não sei.
01:54Não chegou a ter, porque nasceu sem vida.
01:58Ah, sempre se batiza e se dá um nome?
02:03É que...
02:06Sinceramente, eu não sei.
02:08Mas posso lhe dizer a data exata em que a menina nasceu.
02:13Tudo o que eu quero saber é...
02:17Onde está sepultada?
02:19Escuta, eu acho que deve estar havendo algum engano.
02:23Por quê?
02:24Aqui só tem duas meninas recém-nascidas sepultadas.
02:28E tem mais de trinta anos enterradas.
02:35Você não tem nada, menina.
02:37Levanta e pega essa laranja.
02:38Deixa ela.
02:40Será que não percebeu?
02:42Ela é cega.
02:47Mas o senhor tem certeza?
02:50Olha, minha senhora.
02:52Desde que eu era menino, eu vim aqui com meu pai para arrumar o cemitério.
02:57Toda a minha vida eu trabalhei aqui.
03:00Conheço a gente que vive na cidade e a gente que descansa aqui.
03:05Mas são muitos anos.
03:07É impossível que tenha todas na cabeça.
03:10Talvez o senhor não lembre.
03:12Mas esse túmulo tem que existir.
03:14Está bem, está bem.
03:15Então vamos conferir.
03:17Não quero que a senhora fique pensando que Fermino está velho...
03:21E que está com a cabeça ficando ruim.
03:24Além disso, vamos acabar com essa dúvida.
03:28Venha.
03:29Vem comigo.
03:30Vamos consultar os leitos.
03:32Sim, senhor.
03:42Coisa ruim.
03:44Ruim.
03:47Acabou o tempo em que Dominga ganhava com suas curas o pão para você e para mim.
03:52Olha só.
03:53Um pouco de pão duro.
03:55Com isto não tem quem possa viver.
04:00Eu trouxe laranjas, Dominga.
04:03Laranjas?
04:04Me dê uma faca.
04:10Esta laranja parece saborosa.
04:13Não é quente por dentro, mas a doça boca.
04:17Quem te deu?
04:19Joana.
04:20Mas por pouco eu não chego com elas.
04:23Por quê?
04:24Elas caíram no caminho...
04:27Quando ele estava me perseguindo.
04:30Quem a perseguiu?
04:31O filho do dono da casa grande.
04:37O que houve?
04:39O que ele fez?
04:41Eu...
04:42Estava voltando da casa do Lúcio.
04:45De repente...
04:47Eu ouvi os cascos do cavalo que vinha na minha direção.
04:50E saí correndo.
04:52E depois?
04:54Eu tropecei...
04:55E caí.
04:59Essa gente está de olho em você.
05:03Florzinha esteve aqui para avisar para você não se aproximar da casa grande.
05:07Pensam que você é ladra e vão prendê-la.
05:10Você, ninguém menos.
05:13Que não me façam falar.
05:15Que não me façam soltar a língua.
05:18Adra me disse que ele é como um outro homem qualquer.
05:23Mas tem alguma coisa dentro de mim que me faz sentir medo.
05:27Pobre dele.
05:28Se te fizer mal.
05:31Não sabe que o orgulho dele pode ser castigado.
05:39Pode ver.
05:40É como eu estou dizendo.
05:42Não aparece.
05:44Aqui não tem a mortinha que a senhora procura.
05:47Mas não pode ser.
05:48Eu sei que essa criança morreu.
05:50Eu tenho certeza.
05:52Escuta.
05:52Será que não se enganou de data?
05:55Não, não, não.
05:56Não.
05:57É o ano e o mês.
05:58Eu tenho certeza.
05:59Eu tenho certeza absoluta.
06:02Não, senhora.
06:03Eu já disse que há muitos anos que não se enterra aqui uma menina recém-nascida.
06:10Meu Deus.
06:11Eu não entendo.
06:13Talvez tenham levado para outra cidade.
06:16Mas para onde?
06:18Para onde?
06:34Pobre Esmeralda.
06:37Só tinha sua liberdade.
06:40E até isso perdeu.
06:43Você podia estar naquela casa.
06:46Ter tudo.
06:47E viver como uma rainha.
06:49Ao invés de estar passando necessidade.
06:52Mas como você pode voltar para trás?
06:57Como?
07:02Como?
07:03Cada vez que vejo salir o sol, como foi, nada mais puedo pensar em mim.
07:19O que aconteceu, Branca?
07:21Nada.
07:23Por quê?
07:24Parece preocupada.
07:26Levanta.
07:27Senta e volta a levantar.
07:29É que...
07:30A Crisanta foi à cidade e está demorando.
07:32Ela deve ter aproveitado para passar pela igreja.
07:37Oi, José Armando, onde está?
07:40No quarto, estudando.
07:44Eu estava pensando, acho que devíamos organizar uma festa em homenagem a ele.
07:48O que você acha?
07:49Muito bom.
07:51Eu vou pedir ao Dionísio que se encarregue de tudo.
07:54Eu quero que venham todos aqui das redondezas.
08:00Essas festas são muito alegres.
08:02E depois o baile.
08:03Eu quero que tragam o melhor grupo e o cantor mais conhecido.
08:08Eu gosto de ver você sorrindo e tão animado.
08:16Branca estava esperando você.
08:17Por que demorou tanto?
08:19Tive que ir a vários lugares, seu Rodolfo.
08:22Bom, vou procurar o José Armando.
08:24Para contar a ele sobre a festa.
08:27E eu vou me deitar, porque foi um dia muito puxado.
08:41O que descobriu?
08:42Nada.
08:44Como?
08:45Tentei encontrar o lugar onde estava sepultada a sua pobre filhinha.
08:49Mas não consegui achar.
08:50E por quê?
08:52Porque...
08:52Porque não existe.
08:56Isso não é possível.
08:58Tem que estar lá.
08:59Não está, Branca.
08:59O homem que cuida do cemitério me disse...
09:02Talvez não se lembre ou você não deu dados suficientes.
09:06Ele conhece aquilo como...
09:07Como a palma da mão.
09:09Ele sabe de memória os nomes, as datas.
09:11Mas...
09:12Eu também não queria aceitar, Branca.
09:15Ele me mostrou os livros para que eu me convencesse.
09:19Quer dizer que...
09:20Que os restos da sua filha não foram levados para lá.
09:41Aonde você vai?
09:43Pegar as pílulas.
09:45Deixei o vidro na sala.
09:46Eu vou buscar.
09:58Crisanta?
10:04Não.
10:06Sou Dominga.
10:30A mulher que recebeu a sua filha na noite da tempestade.
10:49Crisanta.
10:50Crisanta.
10:51O que foi?
10:52Você a viu.
10:54Ela está lá.
10:55Quem?
10:56A mulher.
10:57A mulher que me atendeu aquela noite, Crisanta.
11:00Meu Deus.
11:02É horrível.
11:03Ela me disse que era ela.
11:06Fica aqui.
11:08Eu vou ver.
11:09Não venha.
11:11Não.
11:29Meu Deus.
11:55Calma, não tinha ninguém.
11:57Não é possível.
11:58Não foi imaginação sua?
12:00Não, não.
12:00Ela falou comigo.
12:01Ouvi a voz dela.
12:02Eu a vi.
12:03Você está muito nervosa.
12:05Isso é consequência de ficar se atormentando e se angustiando.
12:08Você pensa que vê coisas.
12:10Deve fazer um esforço para se tranquilizar.
12:12Por favor, Crisanta.
12:14Por favor, Crisanta.
12:14Eu ouvi claramente.
12:16Eu perguntei quem era e respondeu, sou Dominga, a mulher que recebeu sua filha naquela noite
12:21da tempestade.
12:24E você ainda diz para eu não me angustiar.
12:26Não são apenas as lembranças.
12:29É o remorso por eu ter negado a existência daquela pobre criancinha.
12:34Agora, agora também tenho o terror dessa visão terrível.
12:40Não vou dormir.
12:42A todo momento vou sentir medo de que ela volte a aparecer.
12:46Crisanta, você tem certeza de que ela morreu?
12:50Como você descobriu quem disse isso?
12:52Me perdoe, dona Branca.
12:54Eu te enganei.
12:57Dominga ainda está viva.
13:24A água já está fervendo, tia Tula.
13:26Vou botar o feijão na panela.
13:29Ai, eu estou muito preocupada com a dona Branca.
13:32Ela não comeu quase nada no café da manhã.
13:34Você sabe que ela não come muito.
13:36Eu pensei que com o ar do campo ia abrir o apetite.
13:40Não acha que ela anda meio triste?
13:42Acha?
13:43Eu acho que sim.
13:44Mas não tem porquê.
13:47Depois de tantos anos, volta para cá com o marido e com o filho, que agora já é um doutor.
13:54Se fosse comigo, eu ficaria orgulhosa.
13:57Não é?
13:58Chega de falar e termina de descascar as ervilhas e as cenouras para o arroz.
14:02Já vou, já vou.
14:07Bom dia, doutor.
14:09Bom dia, Dionísio.
14:10O senhor estava me procurando?
14:12É.
14:13Eu achei que você estava na urdeira.
14:14Não, não, doutor.
14:15Eu estava nos currais.
14:17Mas o que deseja?
14:19É que meu pai está pensando em organizar uma festa.
14:21Ah, olha, quem é muito bom nisso é o Adrian.
14:25É melhor deixar tudo com ele.
14:26É que o Adrian está aborrecido comigo.
14:30E por quê?
14:32É por causa de uma jovem.
14:34Uma menina cega que anda por aí.
14:39E o que aconteceu?
14:41Eu, bom, eu não sabia que era cega.
14:43Eu a persegui.
14:45Ela caiu.
14:47Pediu desculpas, mas ele ficou sentido comigo.
14:51Eu acho que ele se aborreceu muito com o que aconteceu com essa jovem do campo.
14:55Como se tivesse um interesse especial nela.
15:00Caramba.
15:01Olha o que eu já disse para esse rapaz controlar o gênio dele.
15:05Seu filho não gosta de mim.
15:08Mas não se preocupe.
15:09Eu estou disposto a conquistá-lo como amigo.
15:11E vou conseguir.
15:13Não liga para ele.
15:15É que o Adrian é muito estabanado, mas não é mal.
15:18Não tem que defendê-lo, Dionísio.
15:20Não é necessário.
15:21Parece que ele está muito interessado nessa menina.
15:24Não, não.
15:26Nesse caso, é natural a reação dele.
15:29Não, não, não.
15:30Não tem nada do que o senhor imagina.
15:32O que o Adrian sente por essa menina é carinho.
15:34Apenas carinho.
15:36É mesmo?
15:38Carinho de irmão.
15:39Nada mais.
15:41Pode ter certeza.
16:00Meleze.
16:04Meleze, é você.
16:05Eu sei.
16:08Por que não se aproxima?
16:15Minha rainha não está mais brava comigo.
16:20Não, Meleze.
16:21É claro que não.
16:22Vem, chega aqui.
16:24Senta aqui do meu lado.
16:26Que bom que você está aqui.
16:28Eu sinto falta da sua companhia.
16:32Olha.
16:33Olha o que eu trouxe.
16:35Olha o que eu peguei para minha rainha.
16:39O que é?
16:40Um pássaro lindo.
16:43Um pássaro lindo.
16:49Onde ele está?
16:51Deixa eu tocá-lo.
16:53Não.
16:54Não.
16:55Por que?
16:55O que foi?
16:57Ele fugiu.
17:01Ele escapou.
17:02Escapou.
17:03Meleze.
17:04Tem certeza?
17:05Sim.
17:06Será que não apertou muito ele?
17:07Não, não, não, minha rainha.
17:09Não, não.
17:10Não, eu...
17:11Você não percebe a força que você tem.
17:13Não.
17:13Vai sem querer.
17:15Não, não.
17:16O pássaro fugiu.
17:18Ele fugiu.
17:19Fugiu.
17:20Fugiu voando.
17:22Eu abri a mão assim...
17:24Um pouquinho.
17:26E ele...
17:27Fugiu voando, voando, e voando, e voando, e voando.
17:35Era lindo.
17:37Ele era lindo.
17:41E aí, por que você não vai passear?
17:46O bobo Melésio esperou você na gruta da cascata e procurou você por todas as trilhas da montanha.
17:57Não tive coragem de sair.
17:59O caçador acha que eu sou uma ladra e me persegue.
18:03Tenho medo de me encontrar com ele.
18:05Eu vi ele na casa grande.
18:11Não é mal.
18:14Ele me deu uma moeda.
18:17Olha, está aqui.
18:19Olha a moeda.
18:21Quer a moeda, minha rainha?
18:22Toma, toma, toma.
18:25Não, Melésio.
18:27Ele te deu.
18:28Não.
18:30Não está mais brava comigo?
18:33Não está?
18:35Não estou mais.
18:37Compreendo que você teve medo.
18:41Eu também tive.
18:53Boa tarde.
18:56Boa tarde.
18:57Boa tarde, doutor Malaver.
18:58Pensei que a Esmeralda pudesse estar aqui.
19:01Não está.
19:01Não veio hoje.
19:03Eu esperava.
19:04Prometeu que não faltaria.
19:06Também estive esperando por ela.
19:08Quase todas as noites vem colocar flores silvestres em algumas das sepulturas mais humildes e mais esquecidas.
19:16Ela sabe que tem que ir à minha casa.
19:18Eu disse a ela, não pode deixar de ir.
19:21Aconteceu alguma coisa?
19:25Ela tem que ir.
19:28Quando chegar a noite.
19:32Quando cair a escuridão.
19:39Só uns pedaços de pão duro.
19:44E agora vai chover.
19:57Aonde vai?
19:59Deite-se.
20:00Se eu trouxer alguma coisa boa, eu te acordo.
20:03Vou apagar a vela para economizar.
20:06Você não precisa de luxo.
20:19Ai.
20:23Deixe-se.
21:14Vicky, calma, calma, meu amor,所有
21:18Lucio
21:21Quem você pensou que era?
21:22Não sei, eu estou assustada
21:26Achei que era um monstro, como esse que o Firmino disse que vive no escuro
21:32Por que você se afastou?
21:35Eu me sinto bem deitada em seu peito
21:37Enquanto você me acaricia com tanta tosura
21:42E Dominga?
21:44Saiu para buscar alguma comida
21:50Por que não foi me encontrar hoje?
21:52É que eu não tenho coragem de sair
21:54Os donos da casa grande dizem que eu sou uma ladra
21:57E se me virem andando por lá, vão me mandar para a cadeia
22:00Por quê?
22:01Melésio roubou uns morangos da fazenda
22:03E pensam que fui eu
22:05Diga a verdade
22:06Não, não posso
22:07Por que não?
22:08Eu iria acusar o Melésio
22:10E ele roubou para mim
22:15Eu acho tudo isso uma bobagem
22:18Não tem que ficar trancada aqui
22:21Mas procure não se aproximar da casa grande
22:24Eu tenho medo
22:25E se o caçador quiser me perseguir outra vez?
22:29O caçador?
22:30É
22:31O filho do dono
22:33Você sabe o que é se sentir encurralada
22:35E tentar fugir
22:36E sentir que correm atrás de você
22:38E que te alcançam
22:40Ele não tem nenhum direito
22:41E como posso ficar aqui sentada
22:44Sabendo que tem um perigo ali
22:45Esperando para assaltar sobre mim?
22:48Esmeralda
22:56Você tem que aprender a dominar esses medos
22:59Você cresceu como uma criatura selvagem da montanha
23:03Mas sua vida não pode continuar assim
23:06Você tem que se comportar como uma pessoa civilizada
23:10Entende, Esmeralda?
23:12Sim
23:12Eu entendo
23:15Essas superstições que Domingo ensinou a você
23:17São péssimas
23:19Não passam de histórias que ela inventou
23:21Eu sei
23:24Às vezes você deixa que influencie em você
23:27Eu não consigo evitar, Lúcio
23:29É como se a minha cabeça lutasse contra o meu coração
23:35Eu cultivei o seu espírito
23:38Para que você soubesse desfrutar da felicidade que terá quando estivermos juntos
23:45Você sabe, não é?
23:48Sabe que algum dia estaremos juntos?
23:51Sim, Lúcio
23:54Esmeralda
23:57Você será o complemento da minha vida
24:01Sua beleza
24:04Sua beleza divina me faz falta
24:14E juntos vamos compartilhar nossas vidas
24:17Com o lucho
24:18Eu não consigo dizer...
24:44Acesse o nosso site www.mesmerism.info.com
24:53Quem é você?
24:54Quem deu permissão para entrar?
24:57A porta estava aberta.
24:59Isso não quer dizer que qualquer um possa entrar.
25:02Sai daqui!
25:03Sai daqui agora mesmo!
25:05Eu mandei você sair!
25:07Sai daqui! Fora!
25:08Mas que escândalo é esse?
25:10O que está acontecendo?
25:15Dominga?
25:17Bom, finalmente.
25:19É muito chato ter que examinar a contabilidade.
25:25Você chegou a falar com Graciela?
25:28Não.
25:29Amanhã, antes de ir à cidade, vou passar um fax.
25:32Você vai à cidade?
25:36Será que você ainda lembra como é?
25:38Claro que eu lembro.
25:40Lembro principalmente dos sorvetes que tinham na praça.
25:43Ah, ainda estão lá.
25:44Que bom, eram deliciosos.
25:46Por que não vai comigo para se distrair?
25:48Não, não, filho.
25:52Vá, você.
25:54Eu tenho muitas coisas para fazer.
25:57Que pena.
26:00E...
26:01Mamãe?
26:02Já se deitou.
26:05Não se sentia muito bem.
26:07Bom, e nós também.
26:09Temos que dormir, não é?
26:11Mas...
26:11O que há com a mamãe?
26:14Desde que chegamos, ela está...
26:17Abatida.
26:20Muitos anos se passaram, Crisanta.
26:23Tem boa memória?
26:24Me reconheceu?
26:25O que você quer?
26:27Comida.
26:29Traga alguma coisa da despensa, Jacinta.
26:35Por que veio?
26:38O que veio?
26:39Onde assustou minha patroa?
26:41Saiu correndo como se fugisse do diabo.
26:49O que fez com a filhinha da minha patroa?
26:53Fui ao cemitério e me disseram que não estava sepultada lá.
26:57Sobre isso, Dominga não sabe de nada.
27:05Sua mãe não quis mais voltar aqui desde que você nasceu.
27:09E antes de eu nascer, sempre gostou de vir, não é verdade?
27:15Ela adorava.
27:18Gostava muito desse lugar.
27:22Bom, tentarei descobrir o que aconteceu.
27:29Tem comida suficiente, agora saia daqui correndo.
27:32Vai e não volte nunca mais.
27:33Mas por que é pressa?
27:35Quando os meus amigos virem você, vai ver a surpresa que eles vão ter.
27:39Espera.
27:42O seu rosto me é familiar.
27:45Onde já nos vimos?
27:47Aqui em sua casa, senhor.
27:49Não há noite de tempestade há muitos anos.
27:52E qual é o seu nome?
27:54Sou Dominga.
27:56Mas é claro.
27:58Olha, José Armando, esta mulher foi quem fez o parto quando você nasceu.
28:04É mesmo?
28:04Nós já te contamos.
28:06Faltavam dois meses para o seu nascimento e a sua mãe se sentiu mal.
28:11Era uma tarde de tempestade e o médico não podia chegar.
28:15Felizmente, graças a essa mulher, tudo acabou bem.
28:20Quer dizer que você é o filho do dono da casa grande.
28:24Então, é o menino que nasceu naquela noite.
28:28Olha só em que homem ele se tornou.
28:31Assim como eu tinha sonhado.
28:37O pai tem razão em sentir orgulho, não é?
28:44Por que isso você traz de herança?
28:50Toma, Dominga.
28:52Isto é para retribuir pelo serviço que você fez naquela noite atendendo a minha esposa.
28:59Se não fosse por você, talvez não tivesse agora o meu filho junto a mim.
29:06Disso pode ter certeza, patrão.
29:10Sempre que precisar de alguma coisa, venha aqui.
29:13Já sabe, Crisanta.
29:15Quero que a atenda como se deve.
29:18Que as portas da minha casa sempre estejam abertas para essa mulher.
29:23Você ouviu?
29:24Sim, sim, senhor.
29:26Eu voltarei.
29:28Com certeza voltarei.
29:40Esmeralda
29:41Esmeralda
29:41Esmeralda
29:42Esmeralda
29:45Tienes los ojos del amor
29:52Esmeralda
29:53Son tus ojos
30:00Estrellas que alumbran
30:03Mi canción
30:07Esmeralda
30:09Esmeralda
30:11Flor del campo
30:17Quisiera que vieras como yo
30:25Esmeralda
30:33Esmeralda
30:34Crisanta, o que houve?
30:35Por que não me diz logo de uma vez?
30:38Ontem aquela mulher esteve novamente aqui.
30:41Ai, meu Deus.
30:43O que ela queria?
30:45Falou com ela?
30:46Ela disse que veio porque estava com fome.
30:48Eu dei algumas coisas da dispensa.
30:50E você perguntou pela minha filha?
30:52Ela disse que não sabia de nada.
30:54Então o que vamos fazer, Crisanta?
30:58Menina
31:00Essa mulher também falou com seu marido.
31:05O Lúcio veio aqui ontem.
31:07Ele me fez companhia um pouco e depois foi embora.
31:10Eu quis te esperar, mas você demorou muito.
31:13Onde você estava, Dominga?
31:15Por aí, por aí.
31:18Anda porque eu quero que vá à cidade comprar umas coisas.
31:21Mas eu já disse que eu não posso sair.
31:23E se a gente da casa grande me vir?
31:25Esqueça isso, filha.
31:26Você anda por onde quiser, porque com você ninguém vai se meter.
31:31Não, mas é que...
31:32Não se preocupe.
31:34Não acontecerá nada.
31:38Conosco, ninguém pode se meter.
31:42A sorte mudou.
31:44Não vê?
31:46Pegue.
31:48Para entender que é verdade.
31:55Dinheiro.
31:57Muito dinheiro.
32:04Ai, Crisanta.
32:06O que vai acontecer se essa mulher disser toda a verdade?
32:09Eu já vinha pressentindo.
32:11Desde que chegamos aqui, eu sinto medo de que aconteça alguma coisa.
32:15Seu marido deu dinheiro a ela.
32:16Ele disse que se não fosse por ela, ele não teria o filho ao lado dele.
32:22E que poderia vir a esta casa sempre que quisesse.
32:25Porque as portas desta casa sempre estariam abertas para ela.
32:30Eu não estou gostando nada, menina.
32:34Faço o possível para voltarmos o quanto antes para a cidade.
32:40Onde você conseguiu?
32:41Estavam me devendo.
32:43Me pagaram.
32:44Uma mulher que atendi há algum tempo.
32:46É mesmo?
32:48Isso é verdade?
32:50Eu juro por tudo que é mais sagrado que é verdade, sim.
32:54Por isso eu quero que vá à cidade.
32:56Toma.
32:57Compre coisas.
32:58Sabe do que precisamos.
32:59E compre um vestido porque os que você tem estão caindo de tão velhas.
33:03Que bom, que bom.
33:05Eu vou à cidade e vou comprar coisas, muitas.
33:07E vou comprar um vestido novo.
33:10Ai, que bom.
33:11E sabe o que eu vou fazer?
33:12Também vou à igreja agradecer a virgenzinha de Guadalupe.
33:17E vou pôr outros sapatos porque estes estão com furinho embaixo e ficam entrando pedrinhas.
33:23Então anda logo.
33:25Tomara que não dedicara com alguém da casa grande.
33:28Muito menos com o filho do dono, que me dá muito medo.
33:32Se ele disser algo, manda falar comigo.
33:37Eu sabia que quando quisesse ia me respeitar.
33:41Agora estou com o Coringa na manga.
33:43E não vou permitir que pisem nem em você, nem em mim.
33:46Por que está dizendo essas coisas, Dominga?
33:49Eu não estou entendendo.
33:51E nem precisa.
33:53Eu entendo.
33:55Tudo o que posso dizer é que a gente da casa grande
33:59está metida no meu bolso.
34:03Igual a todo este dinheiro.
34:09Bom dia, doutor.
34:11Já é de saída?
34:12É, vou dar uma volta na cidade.
34:15O senhor já conhece a minha irmã?
34:17Não tive o prazer.
34:18Como se chama?
34:19Florzinha, as suas ordens.
34:21Meu pai me mandou levá-la à casa grande.
34:24A dona Branca simpatizou com ela e quer que vá visitá-la de vez em quando.
34:28Que bom.
34:28Vai lhe fazer muito bem a sua companhia.
34:30Fala sobre a festa.
34:34Meu pai disse que o senhor quer que ajude a preparar a festa.
34:38A partir de hoje, eu cuido disso pessoalmente.
34:40Obrigado, Adriana.
34:42Vá ver a patroa, anda.
34:44Com licença.
34:47É muito simpática a sua irmã.
34:49E muito bonita.
34:51Obrigado pelo elogio.
34:52Fico feliz que não tenha ressentimento comigo.
34:55O ressentimento não é como moeda de ouro que a gente guarda.
34:59É melhor botar pra fora.
35:01Eu pensava que sou raiva era porque você estava apaixonado por essa menina que anda pela montanha.
35:05Mas seu pai me garantiu que entre vocês não há nada.
35:08É verdade.
35:10Vou responder com outra pergunta, doutor.
35:13Por que tem tanto interesse nessa pobre moça?
35:16A beleza dela me impressionou.
35:18E isso é tudo.
35:20Tem certeza de que é só isso?
35:21Acho que também é porque foi a primeira menina que encontrei ao chegar.
35:25Faz tempo que a conhece?
35:27Desde pequeno.
35:28Ela cresceu com a minha irmã.
35:30E em muitas coisas é igual a ela.
35:33Inocente, bonita e muito boa.
35:36Mas com uma diferença.
35:38Ela não pode ver.
35:41E mesmo assim, anda pela montanha cantando com o vento.
35:45Conversa com o rio.
35:46E aprecia as flores pelo cheiro.
35:49Sim.
35:50Eu tenho que reconhecer que mais do que carinho de um irmão, sinto por ela a admiração.
35:54É tão bonita.
35:56Parece uma flor exótica.
35:58Uma dessas frutas que crescem na montanha ao alcance da mão sem ninguém para cuidar.
36:03Mas tenha cuidado.
36:05Às vezes, essas frutas tentadoras também têm espinhos para se defender.
36:09Não basta apenas esticar a mão para pegá-las.
36:16Papai disse que temos que convidar todo mundo da região.
36:19Claro que sim.
36:21E principalmente as meninas, florzinha.
36:24Que levam tanta alegria aonde quer que vão.
36:27Imagino que tenha muitas amigas.
36:29Algumas, senhora.
36:30Mas a que eu gosto mais, não sei se poderá ver.
36:33E por que não?
36:34É porque...
36:36tem um problema muito sério.
36:39Mas que problema é esse?
36:41Ela é cega.
36:42Ah, tem razão.
36:44Deve ser uma tristeza muito grande para uma mocinha.
36:47Mas não pense que ela vive triste.
36:49Ao contrário.
36:50Ela é muito alegre.
36:51Sempre está brincando e saltando pela montanha.
36:53E como pode?
36:54Tem alguém que a guie?
36:56Olha, nem precisa disso.
36:58Ela anda sozinha.
36:59E se a senhora não sabe, nem percebe que ela não pode ver.
37:02Olha, até de noite.
37:04Anda por todos os lados.
37:06No meio da maior escuridão.
37:08E nem tem medo de entrar no cemitério.
37:11E para que vai ao cemitério?
37:13Para conversar com o Firmino.
37:14Ele é o coveiro.
37:15Porque ela é muito amiga dele e gosta de levar flores para os mortos.
37:20Deve ser para algum familiar.
37:22É.
37:23Para os pais e para os mortos esquecidos.
37:26Ela é muito boa.
37:27Muito boa.
37:29Por isso gosta de quem os outros desprezam.
37:31Firmino, o coveiro, o bobo melésio e até o doutor Malavé.
37:35De quem todo mundo foge.
37:37Esmeralda também protege os animaizinhos da montanha.
37:40Os passarinhos, os grilos.
37:42Como disse que se chama?
37:44Esmeralda.
37:47Esmeralda.
37:49Não é um nome muito comum neste lugar.
37:52Por que batizaram assim?
37:54Ah, isso eu não sei, dona Branca.
37:56Uma vez ela me disse que tem uma pedra que se chama assim.
38:22Oi, mamãe.
38:23Oi, filha.
38:24Como foi?
38:25Olha, chegou esse fax da Casa Grande.
38:28É do José Armando.
38:31Que saudade dele.
38:35Bom, o que ele diz?
38:40Nada de importante.
38:43Saiu para caçar e conheceu uma moça.
38:46Toma, Lê.
38:53O engraçado de tudo...
38:56Quando me aproximei dela, parece que ela se assustou e partiu para cima de mim, me mordendo, quando eu tentava
39:02segurá-la.
39:05Tudo o que eu posso dizer é que a beleza dela era impressionante.
39:10E que ali, naquele lugar, parecia uma orquídea que crescia bem no meio da selva.
39:18Mas o que pensa fazer?
39:20Fazer?
39:21Em que sentido?
39:23Você não se dá conta.
39:24O que, mamãe?
39:25Disto, disto.
39:27Mamãe, por favor.
39:28Graziella, nós vamos imediatamente para a Casa Grande.
39:44Mamãe, você ficou maluca?
39:46O que nós vamos fazer na Casa Grande?
39:49Mas será possível que fique tão tranquila depois que seu nuivo confessou que acabou de conhecer uma menina lindíssima?
39:55Se ele confessou, eu não tenho motivos para me preocupar.
39:59Se fosse interessante, ele esconderia.
40:03José Armando é apaixonado por mim e não vai me trocar por outra.
40:07Uma mulher nunca deve ser tão confiante.
40:11Além disso, quem pode ser essa menina?
40:13Alguma caipira insignificante?
40:16Eu já disse que vamos para a Casa Grande e ponto.
40:19Mamãe, seja razoável.
40:21Filha, o interesse é nosso.
40:23Por isso, vamos arrumar as malas e vamos aparecer lá hoje mesmo.
40:27Assim, sem nem avisar?
40:29E para quê?
40:31Afinal de contas, somos da família.
40:34Eu sempre disse para você não deixar o José Armando ir sozinho.
40:38Agora veja o resultado.
40:40Tá, mamãe.
40:41E como eu vou ficar?
40:43Você está achando que por causa de uma simples caipira eu tenho que sair correndo?
40:47Eu não vou me rebaixar.
40:49Você faz o que eu mando.
40:52Tenho mais experiência na vida.
40:54E não vou dar a menor oportunidade para perder o que já ganhamos.
41:01Você será o que eu não fui.
41:04E você verei realizado o meu sonho quando consegui vê-la casada com José Armando Penha Real.
41:11Está bem, mamãe?
41:13Será assim.
41:14Porque senão você vai ficar insuportável.
41:18Mas está muito claro o amor que José Armando sente por mim.
41:25Agradeço outra vez, virgenzinha linda.
41:33Agradeço outra vez, virgenzinha linda.
42:16Quem é você?
42:19Quem é você?
42:21Quem é você?
42:32Quem é você?
42:34Quem é você?
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