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O especialista em sustentabilidade Carlo Pereira analisa as contradições do mercado global de energia em 2026. O debate aborda a saída oficial dos Estados Unidos do Acordo de Paris e a estratégia "drill, baby, drill" de Donald Trump, que foca na exploração de petróleo na Venezuela enquanto a China estoca reservas estratégicas.

No Brasil, o cenário é de desperdício: 25% da energia solar produzida é descartada pelo fenômeno do curtailment (corte de geração) por falta de linhas de transmissão. Carlo explica ainda o "Efeito Robin Hood Invertido", onde os subsídios para painéis solares acabam encarecendo a conta de luz para a população de menor renda, resultando em aumentos que podem dobrar a inflação este ano.

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Transcrição
00:06Quarta-feira, você já sabe, dia de capital sustentável com o nosso notável especialista
00:11em sustentabilidade, Carlo Pereira.
00:14Hoje a gente vai falar sobre o mercado global de energia, com os Estados Unidos fora do
00:20Acordo de Paris e querendo assumir o petróleo da Venezuela.
00:23A Europa com energia renovável sobrando e o Brasil com a conta de luz podendo subir
00:29quase duas vezes a inflação.
00:31Carlo, boa noite para você, é sempre bom conversar com você.
00:35Como é que é possível que a transição energética esteja avançando e ao mesmo tempo
00:40enfrentando tantos obstáculos assim?
00:43A minha sensação é que os sinais parecem completamente contraditórios.
00:48Oi, Cris, boa noite, boa noite a todo mundo.
00:51Você sabe, Cris, eu já trabalhei no setor elétrico e eu sempre achei que seria uma coisa muito
00:57simples, mas era um grau de complexidade gigantesco, desde a composição de preço até a operação
01:04em si.
01:05Cris, o que a gente tem?
01:07Com relação aos Estados Unidos, eu achei bom a gente pontuar, porque falamos tanto
01:12na saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris e isso se deu de fato agora no final de
01:18janeiro.
01:19Então foi bem agora que eles saíram de fato do acordo e vão sair de várias outras organizações
01:24da ONU relacionadas ao clima.
01:26E como a gente sabe na política do Drill Baby Drill do presidente Trump, e ele está
01:33querendo, então, claro, fortalecer ali a energia fóssil.
01:38Mas, Cris, o trem das energias renováveis já saiu da estação há muito tempo.
01:46Então, isso não vai acontecer da gente ter um revés na geração de energia renovável,
01:53porque a energia renovável já é mais barata na maior parte dos países do mundo.
02:0090% dos países já têm energia renovável com a energia mais barata.
02:05Então, por isso, a gente não vai ter esse revés.
02:09A questão do petróleo, claro, sem dúvida nenhuma, continua sendo muito importante.
02:14E o que está acontecendo é que os países como a China, por exemplo, eles estão, e
02:19Estados Unidos também, eles estão aumentando as suas reservas.
02:24Então, no sentido de, não as suas reservas naturais, mas no sentido de comprar o petróleo
02:29e reservar, estocar esse petróleo por questões geopolíticas.
02:36Então, isso que está acontecendo.
02:38Mas, de novo, na maior parte dos países, 90% deles, energia renovável já é mais barata
02:46que a energia fóssil, principalmente na produção de eletricidade.
02:51Agora, vamos falar dos Estados Unidos, né?
02:54Como a gente já disse aqui, Estados Unidos saíram do Acordo de Paris,
02:58estão apostando em petróleo na Venezuela.
03:01Isso é um retrocesso ou é uma estratégia diferente, Carlo?
03:06É uma estratégia, Cris.
03:08A gente sabe que, por exemplo, né?
03:10E é uma estratégia meio estranha, porque isso é, certamente, no mínimo de médio prazo, né?
03:18A gente já vê as grandes petroleiras do mundo falando, olha só, eu sei que você me quer aqui,
03:25mas não é tão simples, né?
03:27Por várias questões.
03:27A Venezuela passou por vários processos de estatização de empresas petroleiras, né?
03:35Então, nem todo mundo quer se arriscar.
03:38Esse é um primeiro ponto.
03:39Segundo ponto, a gente sabe que o parque de produção,
03:44o parque industrial relacionado à produção de petróleo na Venezuela,
03:48ele está bastante desgatado.
03:50Então, necessita-se muito investimento e um bom tempo para que a Venezuela volte a operar
03:58como já operou no passado, né?
04:00Então, tem essas várias questões.
04:02E, de novo, Cris, eu entendo que, assim, o petróleo,
04:08as pesquisas, elas mostram que em 2050 ainda vamos usar muito petróleo, tá?
04:14Então, assim, a gente vai ter uma convivência entre fontes renováveis com fontes fósseis, tá?
04:23E isso vai acontecer por muito tempo ainda.
04:27Então, por isso que eu vejo como sendo uma estratégia geopolítica, né?
04:33De dominação das suas regiões, aí falando principalmente Estados Unidos e China,
04:38mais do que uma questão relacionada simplesmente à questão energética
04:45e muito menos à questão climática, que essa o presidente Trump, de fato, já descartou.
04:52Trazendo aqui para o Brasil, Carlo, a conta de luz vai subir o dobro da inflação,
04:57mesmo com toda essa energia renovável.
04:59Isso faz sentido?
05:02Olha, sentido faz, né?
05:04É muito contraintuitivo, eu diria, né?
05:08Vamos lembrar, Cris, que a gente tem o problema do curtainment, né?
05:12E essa palavra em inglês significa o quê?
05:14A necessidade de cotar a produção de energia, né?
05:19Ou cotar a energia que seria injetada na rede.
05:23Isso está acontecendo com praticamente, isso em 2025,
05:26aconteceu com praticamente 25% da energia solar
05:31e quase 20% da energia eólica.
05:34O C1 está despediçando essa energia, tá?
05:38E por que isso está acontecendo, Cris?
05:41Isso acontece, a questão do curtainment, essa palavra em inglês,
05:45acontece porque a gente não tem uma estrutura suficiente
05:49de distribuição e transmissão dessa energia.
05:51Transmissão.
05:52Então, a gente precisaria de uma rede mais potente.
05:56Isso está acontecendo em vários lugares,
05:58como na Europa, que você falou dos preços baixos
06:02até negativos de energia, dependendo do horário ali, tá?
06:07Então, e por que o preço vai subir, né?
06:11E mais se a inflação?
06:13Em algumas distribuidoras, o preço de energia,
06:16ele é negociado distribuidora a distribuidora.
06:20Então, a gente tem aumento de 3%,
06:23aumento que vai chegar a 13% esse ano,
06:27contra uma inflação ali, aproximadamente, de uns 4%, né?
06:32E por que isso acontece?
06:33Porque os custos, né?
06:36Para transmissão e distribuição dessa energia, né?
06:40E tudo que vai ali, custos operacionais, impostos, etc.,
06:44esses custos têm aumentado, né?
06:46E outra questão que a gente tem bastante importante,
06:50que afeta também a questão do curtainment,
06:52que a gente vinha dizendo,
06:53é o que a gente está chamando de efeito Robin Hood invertido, Cris.
06:58Que é o quê?
06:59Significa que, no afã de trazer energia renovável,
07:04a energia distribuída, ou seja,
07:07aquele painel solar no perto da casa, né?
07:10Isso aí foi muito estimulado, né?
07:13E até hoje se tem ainda vários benefícios,
07:16inclusive os fiscais, né?
07:18Então, isso fez com que isso tivesse uma escalada muito grande,
07:22hoje chegando a 40% de geração distribuída, né?
07:26Isso fez o quê?
07:28Com que quem tem esse painel solar no teto da casa,
07:34reduza muito o seu custo com energia,
07:37ou até zere, certo?
07:39E se essa pessoa não estiver conectada à rede,
07:42esse preço para manutenção da rede,
07:45dos cabos que a gente vê aí nas ruas,
07:47esse custo é redistribuído.
07:51Então, por que o Robin Hood invertido?
07:53Porque quem tem condições de botar o painel solar no seu teto,
07:57que é uma pessoa que tem que ter uma condição melhor de vida,
08:00certo?
08:01Ela deixa o custo da operação do sistema
08:05para as pessoas que não têm essa condição, tá?
08:07Então, por isso que o preço também acaba subindo aqui no Brasil.
08:13Carlo, muito obrigada.
08:15Sempre bom conversar com você.
08:16Boa noite.
08:18Obrigado, boa noite.
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