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O acordo entre o Mercosul e a União Europeia segue em revisão jurídica e mantém o mercado atento. Em entrevista ao Radar, o especialista em finanças e investimentos, Hulisses Dias, analisou as oportunidades para o agronegócio brasileiro, os riscos para setores como vinhos, queijos e indústria automobilística e o prazo de até 15 anos para a redução total de tarifas. Ele também comenta a concorrência com a Índia, as vantagens do Brasil em commodities e a possibilidade de avanço nas relações comerciais com a China.

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Transcrição
00:00Estamos de volta e vamos falar agora sobre o acordo entre Mercosul e União Europeia.
00:05Enquanto o tratado passa por uma revisão jurídica pedido do Parlamento Europeu,
00:09os setores econômicos mais interessados ficam na expectativa dos próximos passos.
00:13Para falar sobre esse tema, eu converso agora com o Ulisses Dias,
00:16que é especialista em finanças e investimentos.
00:19Seja muito bem-vindo, Ulisses.
00:22Muito boa tarde para vocês todos.
00:24Esse é um tema muito relevante para a indústria e para o agronegócio brasileiro,
00:28uma vez que abre um mercado para mais de 700 milhões de pessoas
00:31em conjunto entre Mercosul e União Europeia.
00:34E acho que a gente pode também entender que é uma grande oportunidade
00:38para o produto brasileiro chegar a gôndolas,
00:41onde as pessoas têm uma moeda forte para comprar.
00:44E a partir disso construir marca.
00:46Ou seja, é uma grande oportunidade para o Brasil.
00:48E essa oportunidade, eu acredito que ela veio devido a essa reorganização geopolítica
00:53que as tarifas do Donald Trump impuseram no mundo.
00:56Então, se sentindo um pouco pressionados por esse comércio internacional dos Estados Unidos,
01:02os europeus aceleraram esse processo de se integrar a outros blocos econômicos.
01:06Bom, como tudo tratado, isso é uma via de mão dupla.
01:09Tanto tem empresário aqui feliz, porque tem expectativa de vender mais para a Europa,
01:14quanto também tem empresário que está preocupado com a concorrência do produto europeu
01:18aqui dentro do Brasil.
01:20Nesse caso, você acredita que tipo de setor aqui da economia, por exemplo,
01:24pode estar celebrando, entre aspas, essa demora aí,
01:27para ganhar mais tempo para se preparar para essa concorrência?
01:32Acredito que os produtores de bebidas alcoólicas ali do sul do Brasil,
01:36da região do vinho, elas podem estar um pouco preocupadas, né?
01:41Mas acredito que os argentinos lá devem estar muito mais preocupados com isso.
01:44Mas o Brasil, ele vai ter também uma maneira e uma pressão
01:49para que ele possa crescer em termos de qualidade
01:52e também alcançar um nível de excelência de maior nível, né?
01:56A gente também pode falar ali dos mineiros em relação aos queijos que vêm da Europa.
02:01Então, esses dois produtos aí, queijos e vinhos,
02:04eles são de bastante incômodo para esses estados,
02:08mas acho que não vai ser algo que vai acabar com essas indústrias, não.
02:12É, a gente está falando de produtos que a gente sabe que a Europa faz muito bem, né?
02:16Queijos e vinhos.
02:17Mas eles também têm uma indústria automobilística forte.
02:20Acho que talvez esse seja um setor que pode causar até mais preocupação aí, né?
02:25Porque, por exemplo, quando vencerem todos os prazos, né?
02:28Que vão permitir um comércio com zero tarifas.
02:32Isso vai demorar um pouco ainda, mas eu fico imaginando, né?
02:35Por que que o Brasil teria para atrair, por exemplo,
02:39indústrias automobilísticas da Europa para evitar de comprar o carro feito por eles, né?
02:45O que o Brasil pode fazer, e eu acredito que é o que vai acontecer,
02:48ele vai colocar legislações aonde ele vai exigir que uma parcela da produção
02:54ela seja feita no Brasil, e isso é uma forma de driblar esse tipo de avanço aí da indústria,
03:00principalmente francesa e italiana de automóveis.
03:04A gente também pode pensar que o Brasil, ele vai continuar atraindo
03:08a indústria automobilística de todo o mundo.
03:10A gente viu aí que no recente período dos últimos cinco anos,
03:14a indústria chinesa de automóveis, ela cresceu muito aqui no Brasil.
03:18Então, a gente tem que entender quais são as reais ameaças para esse segmento aí no Brasil.
03:25É claro, a legislação, ela não vai ficar parada no tempo.
03:28E esse processo de diminuição de tarifas, ele vai levar entre 12 e 15 anos.
03:34Então, 91% dos bens europeus vão ter 15 anos para zerar as tarifas,
03:39enquanto os do Mercosul vão ter 12 anos para zerar as tarifas em 95% dos produtos.
03:45É muito claro que esses 5%, esses 9% que estão de fora aí dessas estatísticas,
03:53na verdade, devem ser as indústrias que têm maior lobby na Europa,
03:56que vão acabar sendo protegidas aí dentro desse nível de comércio.
04:01Bom, a gente está falando de competição entre o Mercosul e a União Europeia,
04:04mas também tem uma outra competição aí que é com a Índia,
04:07que acaba de assinar um contrato com a União Europeia,
04:09e o Brasil e a Índia podem ter alguns produtos similares para vender para os europeus.
04:14Você acredita que o Brasil consegue competir com a Índia?
04:19Se a gente estiver falando do agronegócio, sim.
04:21Se a gente estiver falando de tecnologia da informação, não.
04:25Isso é muito claro pelo próprio histórico que a Índia tem
04:28em produzir pessoas que pelo menos falam inglês,
04:32que também têm um bom nível de matemática,
04:35e isso é super importante para essa indústria.
04:37Mas as vantagens que o Brasil tem no agronegócio,
04:40em relação a recursos naturais, elas são imbatíveis,
04:44e o agronegócio brasileiro também é muito equipado
04:48com tecnologia para ser competitivo.
04:51Então, eu acredito que essa exportação de carne vermelha,
04:54de frango, tudo isso vai ser muito importante.
04:57Infelizmente, por quê?
04:59Porque os produtos que a Índia exporta,
05:02de tecnologia da informação,
05:03são de muito maior valor agregado
05:05e geram empregos de maior qualidade.
05:09Diferentemente do Brasil aqui,
05:11onde o agronegócio está cada vez mais mecanizado
05:14e não exige uma educação que a gente não tem.
05:17A gente tem ouvido recentemente até conversas
05:20sobre um possível acordo entre o Mercosul e a China,
05:23algo que o Brasil, durante muito tempo,
05:25ponderou que não seria uma boa,
05:26como é que a gente vai competir com produtos chineses aqui dentro.
05:29Mas já vem se falando agora, recentemente,
05:31nas últimas semanas,
05:32sobre a possibilidade de um acordo parcial com a China.
05:35Obviamente, não abrir setores da economia brasileira
05:37que seriam vulneráveis demais,
05:39mas permitir uma intensificação do comércio com o Pequim.
05:42Você acredita que esse pode ser um caminho interessante
05:45também para o Mercosul?
05:47Com certeza.
05:48Qualquer tipo de acordo comercial que diminua tarifas
05:51vai acabar impactando positivamente a economia
05:54porque o livre comércio vai aquecer
05:56esse processo de produção, de importação também.
06:00Então, do ponto de vista de geração de empregos,
06:02a gente vai ter mais demanda,
06:04mas também do ponto de vista do consumo,
06:07a gente vai ter uma inflação menor marginalmente
06:10porque os produtos chineses tendem a chegar aqui
06:13de uma forma mais barata.
06:14Então, é muito importante que o Brasil conheça
06:16as suas vantagens competitivas e isso, mais uma vez,
06:19aponta para o agronegócio, para as indústrias extrativistas
06:23de recursos minerais, como minério de ferro, também petróleo,
06:28porque a demanda por essas commodities vai ser infinita
06:33devido ao crescimento da China nos próximos anos
06:36e também da mudança de política deles,
06:38que antes era de exportar para o mundo
06:41e agora eles querem alimentar o comércio interno.
06:45Polícia Dias, especialista em finanças e investimentos,
06:48muito obrigado pela participação hoje no Radar.
06:52Obrigado a vocês.
06:53Obrigado.
06:53Obrigado.
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