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Em entrevista exclusiva ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Graziano Messana, presidente da Câmara de Comércio Italiana em São Paulo, detalhou como o acordo Mercosul-UE deve beneficiar as exportações brasileiras, impulsionar a tecnologia e a indústria, e comentou os impactos para o setor agrícola.

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Transcrição
00:00E com o apoio da Itália, que antes demonstrava preocupação com os impactos no setor agrícola,
00:05a União Europeia conquistou maioria para aprovar o acordo com o Mercosul após quase 26 anos de negociações.
00:13O aval italiano foi decisivo para destravar o avanço do pacto.
00:17A assinatura oficial será no próximo sábado, em Assunção, no Paraguai, pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
00:25E sobre o tema, nosso correspondente na Europa, Diego Mezzogiorno, entrevistou com exclusividade Graziano Mezzana,
00:32presidente da Câmara de Comércio e Indústria Italiana em São Paulo. Vamos acompanhar.
00:38Essa é uma entrevista exclusiva para o Times Brasil, licenciado exclusivo CNBC, aqui dos estúdios da Class CNBC, na cidade de Milão, na Itália.
00:48E eu recebo o Graziano Mezzana, que é o presidente da Italkan, que é a Câmara de Comércio e Indústria Italiana em São Paulo.
00:57Bem-vindo e obrigado por me receber aqui.
00:59Boa tarde. Obrigado pelo convite.
01:02A gente vai partir falando, obviamente, do acordo União Europeia-Mercosul,
01:08que a partir desse final de semana temos a perspectiva de Ursula von der Leyen, que vai para a Assunção, no Paraguai, para assinar.
01:15E, a partir dali, a posição da Itália é uma posição bastante importante.
01:20Como é que está essa posição agora, Mezzano?
01:22Olha, a posição era basicamente igual antes de Natália.
01:25O presidente Meloni ligava o Lula, que teria gostado muito de assinar o acordo antes de, obviamente, sair do papel de presidente do Mercosul,
01:36que passou no Paraguai, e simplesmente falou para o presidente Lula.
01:41Agora, nós temos que alinhar com o interesse dos agricultores, e estamos a favor do acordo.
01:46Então, logo depois das festas, tudo indica que vamos conseguir.
01:51E o que aconteceu realmente foi isso.
01:53Aqui, o Mercosul e em Milão, parece assunto de futebol.
01:56Se fala mais de Mercosul e dos efeitos desse acordo que realmente do futebol.
02:01Porque é um mercado, é um bloco, a União Europeia, que, contando com as importações futuras do Brasil e da União Europeia,
02:12pode incrementar, graças a esse acordo, de 40% as exportações nos próximos 10 anos.
02:20Isso significa que o Brasil tem um apetite para renovar o parque industrial, precisa de tecnologia, por exemplo,
02:26e a Europa vai conseguir poder transferir essa tecnologia, evitando os impostos de importações.
02:34Esse é um efeito.
02:35Do ponto de vista agrícola, por exemplo, a Itália, a França e os países europeus vendem vino, vendem azeite, vendem comida, vendem queijos.
02:46Tudo isso será muito menos tributado.
02:51Então, nesse momento, é muito complicado comprar essas comidas italianas, por exemplo, no Brasil.
02:56E, do outro lado, o Brasil vai incrementar as exportações agrícolas para um mercado de 450, 480 milhões de pessoas.
03:03Então, é um acordo que antes era uma oportunidade e agora virou uma necessidade.
03:09Quais os setores, além da agricultura, hoje estão ainda reclamando bastante?
03:17E, falando da agricultura, o europeu tem que ficar com medo da agricultura brasileira?
03:22É esse bicho-papão todo ou tão exagerado?
03:24Estão exagerando.
03:25As quotas, por exemplo, as preocupações dos agricultores franceses a respeito da carne,
03:30eles estão preocupados com a entrecote de Paris.
03:32Porém, existe uma quota que é 99 mil toneladas, que é já o limite que se pode importar de carne.
03:40Então, tudo isso é mais guerra mediática, é mais o trator que o agricultor francês estaciona em Paris.
03:48E faz muito mais barulho de Saint-Gobain, de Michelin, de Dupont, das próprias indústrias agrícolas multinacionais,
03:57porque todo mundo quer o acordo.
03:58O que conseguiu articular o governo italiano é algo que o governo francês não conseguiu articular,
04:04porque realmente, nesse mês de dezembro, conseguiu ter tirado, por exemplo, os impostos de importações
04:12dos produtos químicos, fertilizantes que entram, isso ajuda a agricultura.
04:17Conseguiu antecipar os subsídios aos agricultores que já estavam no budget da União Europeia até 2035,
04:25conseguiu adiantar a 2028.
04:27Então, conseguiu ter benefício ao mundo agrícola, foi bem legal a negociação e o acordo saiu.
04:34Se assinou no Conselho da União Europeia, agora só falta a Ursula von der Leyen voar, assinar,
04:41e depois cada parlamento deverá ratificar e, enfim, o parlamento europeu ratificará.
04:47Para a indústria europeia, especialmente a automobilística que vem sofrendo a concorrência da China,
04:53e vai também sofrer a concorrência da China lá no Brasil, parece ser uma boa,
04:57até porque há transferência de tecnologia, há também um parque industrial que pode trabalhar conjuntamente
05:03com o parque industrial europeu, para todas as marcas, inclusive para as marcas italianas.
05:08Você vê um aumento no PIB industrial brasileiro nos próximos anos?
05:13É o efeito secundário.
05:15O Brasil vai ter mais parcerias, vai ter mais tecnologia, investimentos,
05:20vai conseguir fazer mais investimento industrial, vai aumentar a capacidade de produção, vai exportar mais.
05:26Então, em dois, três anos, o efeito no PIB vai ser muito claro, muito evidente.
05:31E o Brasil hoje é, se nesse momento a União Europeia está exportando 7,7 bilhões de euros para o Mercosul,
05:40só o Brasil está praticamente com 90% disso.
05:44Então, o Brasil é o país que mais se beneficia de toda a América Latina.
05:49Então, foi um acordo realmente game changer.
05:52Hoje em dia, com essa geopolítica que muda, e os Estados Unidos fazendo um certo unilateralismo,
05:59ter esse bilateralismo entre dois blocos tão grandes, só favorece o Brasil, só favorece a Itália e a Europa.
06:06Os seus associados da Itaucan estão dispostos agora planejando mais investimentos no Brasil?
06:11Esse vai ser um ano recorde, até de M&A, até de investimento de parceria,
06:15muitas coisas que estavam em cima do muro, vai e não vai.
06:19Só com essa notícia está indo, nós estruturamos dentro da Câmara um departamento só para isso agora.
06:25Começou o ano já com essa ideia, porque já estamos sentindo as demandas,
06:29já estamos sentindo esse tipo de apetite para um mercado que compra, é comprador, entende o Brasil.
06:35A Itália consegue ter uma tecnologia de ponta, mas a maioria das empresas italianas exporta.
06:40O mercado doméstico italiano é muito pequeno.
06:43Você anda hoje em Milau a pé, a cidade toda, você não anda em São Paulo, a cidade toda, é a mesma coisa.
06:50Então, aqui tem tecnologia, mas se não tem para onde vender, para onde construir fora da Itália,
06:56não cresce a Itália. Então, é win-win, eu gosto de dizer.
06:59Para a gente terminar, se vê, por exemplo, o ministro Tajani, que já esteve duas vezes na Índia,
07:06a economia do BRICS parece ser uma solução para a taxação vinda de Washington,
07:11esse novo mundo maluco criado sobre insegurança, inclusive jurídica, de como a gente faz.
07:17Uma economia como a Itália, que é uma economia que praticamente 50% dela é baseada em exportação,
07:23os BRICS são o futuro para a Itália?
07:25Olha, a gente fez essa análise recentemente.
07:28Mais que BRICS, eu gosto de dizer, é comparar o G7 com o E7.
07:35Os países emergentes que vão além dos BRICS, porque vai juntar mais dois, três países
07:40que estão crescendo os muitos, e esses países, com certeza, nos próximos 25 anos,
07:45vão dobrar o PIB, a paridade de poder de compra, dos veios continentes, dos veios continentes,
07:52do G7. Então, isso é fato.
07:56A quantidade de comida que a Ásia, que os BRICS, que os E7s precisam nos próximos anos,
08:04é infinitamente maior da quantidade de comida que os países do meio-mundo precisam.
08:11Então, é aí que um país como a Itália, como a Europa, tem que olhar para poder crescer junto,
08:17pegar essa carona.
08:18Eu falei com o Graziano Messano, aqui direto dos estúdios da classe CNBC, na cidade de Milão,
08:24para o Times Brasil.
08:25Licenciado exclusivo, CNBC.
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