Pular para o playerIr para o conteúdo principal
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, confirmou que o bloco dará seguimento à aplicação provisória do acordo de livre comércio com o Mercosul, após intensos debates com o Parlamento Europeu. A decisão enfrenta forte resistência do presidente da França, Emmanuel Macron, que critica a medida por considerá-la um desrespeito aos representantes e agricultores europeus.

O diretor de comércio internacional da BMJ, José Pimenta, analisa os impactos para o Brasil, destacando que a eliminação de tarifas em mais de 90% do comércio deve impulsionar cadeias produtivas do agronegócio, químicos e automotivos.

Segundo o especialista, o tratado oferece maior previsibilidade jurídica, atrai investimentos estrangeiros diretos e consolida o acesso do Brasil a um mercado consumidor premium, reduzindo a dependência de potências como China e Estados Unidos.

🚨Inscreva-se no canal e ative o sininho para receber todo o nosso conteúdo!

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC nas redes sociais: @otimesbrasil

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:

🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: https://timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings

#CNBCNoBrasil
#JornalismoDeNegócios
#TimesBrasilCNBC

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:00Estou de volta. A União Europeia vai aplicar provisoriamente o acordo de livre comércio com o Mercosul.
00:06Esse anúncio foi feito pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen,
00:10e foi criticado pelo presidente da França, país que lidera a resistência ao pacto
00:16por achar que os agricultores europeus podem ser prejudicados.
00:21A União Europeia anunciou que vai aplicar provisoriamente o acordo comercial com o Mercosul.
00:27A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que discutiu intensamente o assunto
00:34com os integrantes do Parlamento Europeu.
00:37Com base nisso, a comissão vai dar seguimento ao pedido provisório.
00:42O acordo só poderá ser totalmente concluído depois do Parlamento Europeu dar o seu consentimento.
00:50Já a França continua resistente ao tratado.
00:53O presidente Emmanuel Macron disse que é uma grande responsabilidade com os cidadãos europeus
00:59e seus representantes que não foram devidamente respeitados.
01:04Ele ainda afirmou que o governo francês vai permanecer vigilante
01:09para garantir que seja respeitado o que foi negociado nos últimos meses.
01:14A resistência de Macron é pelo potencial impacto que a gigantesca zona de livre comércio
01:21entre europeus e sul-americanos pode ter para a agricultura e para a pecuária da França.
01:28O acordo vai eliminar tarifas para mais de 90% do comércio entre países da União Europeia
01:35e os fundadores do Mercosul, Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.
01:40Os dois blocos têm 30% do PIB mundial e mais de 700 milhões de consumidores.
01:50E quais as perspectivas para o Brasil com esse acordo de livre comércio?
01:55Sobre o tratado Mercosul-União Europeia, eu vou conversar agora com José Pimenta.
01:59Ele é diretor de Comércio Internacional da BMJ.
02:03Pimenta, boa noite. Obrigada por ter aceitado o nosso convite.
02:06Queria começar entendendo que setores exportadores brasileiros mais ganham com uma tarifa reduzida.
02:14Boa noite, Cristiane. Um prazer estar aqui com vocês novamente.
02:18Cristiane, adicionar o acordo de uma maneira geral, quando eu falo geral, de maneira ampla,
02:25porque a relação bilateral e comercial entre Mercosul e, sobretudo, Brasil e União Europeia,
02:31ela já não é de hoje, né? É uma relação comercial bilateral que data aí de décadas.
02:37E tudo isso fez com que cadeias produtivas, diversas cadeias produtivas, se integrassem muito.
02:42Quais cadeias? Cadeia do agro, cadeia de alimentos, cadeia de químicos,
02:47cadeia de automotivos e autopeças, cadeia de farmacêuticos, enfim.
02:51Uma série de cadeias que, de alguma forma, produzem e exportam produtos finais
02:57ou insumos de um lado para o outro. Então, há de se ver que, de alguma forma,
03:02todas essas cadeias que hoje comercializam de maneira inter e de maneira bilateral,
03:08Brasil e União Europeia principalmente, vão ser, de alguma forma, beneficiadas,
03:12um, por maior previsibilidade nas regras, dois, maior possibilidade de negociação,
03:17de remissão de conflitos que esse acordo dá, né?
03:20E falar de previsibilidade em regras hoje no mundo comercial, como a gente vive,
03:24é extremamente importante e, é claro, por meio da diminuição tarifária.
03:29Cada produto, cada setor vai ter uma diminuição tarifária dentro de um cronograma.
03:34Mas, de maneira geral, são esses que eu te falei.
03:36Tanto a cadeia de alimentos, quanto a cadeia de indústria ampla, né?
03:40De alguma forma, vai ser beneficiado em uma maior escala, a outra em menor escala.
03:44Mas, no decorrer aí de 15, 20 anos de desgravação, como a reportagem disse,
03:48mais de 90% das tarifas vão ser liberalizadas.
03:50Sim, e qual é a previsão de crescimento com esse aumento das exportações?
03:55O que a gente pode esperar aí para os próximos anos em relação a isso, a crescimento?
04:00Há alguns estudos que indicam, né, de cara, que pelo menos 5, 4 bilhões em termos de tarifas,
04:07vão ser, pagamentos de tarifas da União Europeia para cá, vão ser abolidas no bloco,
04:11que vai dar muita competitividade para o produto europeu aqui.
04:14E, de maneira geral, também, as tarifas de lá, né, quando entrar em vigor o acordo,
04:19também vão ser diminuídas para os produtos brasileiros.
04:22Você tem estudos que indicam crescimento aí, de menos de 1% no PIB,
04:26são análises econométricas que, de alguma forma, tentam estimar esse impacto.
04:30Mas o que se pode dizer é que a corrente de comércio,
04:33quando se faz um acordo dessa magnitude, ela tende a aumentar.
04:36Ela não tende a diminuir, muito pelo contrário, ela tende a aumentar.
04:39Ela tende, inclusive, a puxar investimento.
04:42Esse é o grande efeito de acordos comerciais.
04:45Há uma correlação muito forte entre aumento de comércio e aumento de investimento,
04:49como a gente está vendo.
04:50Por exemplo, a União Europeia com o apetite em investir na cadeia de terras raras
04:55e minerais críticos aqui no Brasil.
04:56Isso já está acontecendo, já é uma realidade.
04:59A de alimentos, várias empresas europeias que também estão aqui já, não é de hoje.
05:04Algumas multinacionais brasileiras, algumas empresas brasileiras
05:06que já estão na União Europeia também não é de hoje.
05:08Então, note que junto com o comércio também tende a vir investimento, Cristiane.
05:14Como é que o acordo, Pimenta, pode diversificar parceiros comerciais
05:18e, de certa forma, reduzir a nossa dependência de mercados como China e Estados Unidos?
05:25E, sobretudo, no mercado premium, no mercado que, para o Brasil, que é a União Europeia,
05:32já o exportador brasileiro é muito ávido por exportar para a União Europeia,
05:37setor de proteína animal, setor de alimentos, setor de indústria ampla.
05:42Por quê?
05:43Porque se trata também de um mercado importante para você adotar padrões que são aceitos mundialmente.
05:48Então, quando você adentra, chama-se efeito de demonstração, quando você adentra o continente europeu com o seu produto,
05:54é porque ele já passou por uma série de padrões ali, criticidades, que fazem com que esse produto seja valorizado,
06:01não só na União Europeia, mas também no mundo.
06:03Isso é pouco comentado, é mais quem é do mercado mesmo, mas esse é um ponto importante
06:06quando você consegue acessar um mercado a essa magnitude.
06:08De maneira geral, o que acontece?
06:11Quando você tem a liberalização imediata ali, o acordo firmado, e você começa a liberalizar os produtos,
06:17aqueles setores que já exportam tendem a se beneficiar mais, e aí é feita uma conta.
06:22Quer dizer, vou direcionar o meu produto agora, que eu tenho um acordo porque a tarifa diminuiu para aquele mercado,
06:28ou sigo exportando para aquele mercado XYZ que eu já exportava.
06:32Isso depende de várias variáveis.
06:33Custo, frete, mercado consumidor, a própria questão de demanda, mas de maneira geral,
06:39a União Europeia é um bloco que, sobretudo para alguns produtos, tem tarifas elevadas.
06:45Para outros não, mas para outros tem tarifas elevadas, barreiras tarifárias, cotas.
06:50Hoje, com o acordo, você tende a dimensionar isso melhor, eventualmente levar para a mesma discussão,
06:56e até diminuir isso, tornando mais previsível.
06:59Então, o exportador ganha mais opções.
07:01Acho que esse é o ponto principal, ele ganha mais uma opção importante,
07:05uma opção de mercado consumidor premium, que já recebe bem o produto brasileiro, Cristiane.
07:09A abertura do mercado europeu pode acabar impulsionando a competitividade da indústria nacional?
07:16Com certeza.
07:18Isso, inclusive, é fruto de estudos de vários acordos comerciais.
07:21Hoje o mundo tem quase 500 acordos comerciais, desde que a febre dos acordos começou,
07:25numa terceira onda, lá na década de 90, anos 2000.
07:29De maneira geral, o que você tem, quando você começa a exportar para um mercado premium como na União Europeia,
07:36você começa a exportar um produto, às vezes com pouca, vamos dizer assim, capilaridade,
07:42um produto com pouca diversificação tecnológica, mas ele adentra a um continente que tem um padrão de exigência elevado.
07:48Então, gradualmente, esse produtor começa a refinar o seu produto, ele começa a ter um novo portfólio,
07:54ele começa a entender que é interessante, sim, você avançar ainda mais naquele mercado.
07:59É como se fosse uma escadinha ao processo de internacionalização, né?
08:02Em teoria de internacionalização, a gente fala muito disso, né?
08:05Você exporta um produto, de repente você está abrindo um centro de distribuição,
08:10um escritório comercial,
08:11e, eventualmente, você está até investindo, fazendo investimento estrangeiro direto naquele país para o qual você exportava.
08:17Então, isso, inclusive, já está acontecendo.
08:19Esse interesse de exportadores brasileiros e até exportadores da União Europeia
08:24em conhecer melhor a outra parte, já está conhecendo.
08:28Porque se antes você tinha só uma rota,
08:30hoje você começa a abrir várias rotas, várias perspectivas para esses produtos, Cristiane.
08:36Rapidamente, para a gente encerrar, Pimenta, quais os efeitos para os preços no mercado doméstico?
08:42Vai depender muito de como a demanda lá, de certa forma, né?
08:46Estou falando no eixo Brasil e União Europeia, né?
08:49Então, quando você exporta para um país e a demanda aumenta para um determinado produto,
08:54obviamente que o exportador, hoje, ele faz uma conta muito forte, né?
08:57O exportador, o produtor, onde tem mais rentabilidade, deixar no mercado interno ou exportar.
09:02Não necessariamente você vai exportar, você vai ter mais rentabilidade.
09:05Você pode até ter mais volume, mas não rentabilidade.
09:08Então, vai depender muito do setor, vai depender muito da demanda, né?
09:11E a partir daí você pode ter oscilações.
09:14Mas, de novo, para ter oscilações é algo muito volumoso.
09:17Não é algo que impacte, assim, sobremaneira nenhum tipo de mercado,
09:21como é o mercado brasileiro, na qual o produtor já tem um mercado cativo aqui,
09:25continental praticamente, né?
09:27Mas, obviamente, para produtos específicos você pode ter uma oscilação ou outra,
09:31para depender do momento, quando você exporta num volume elevado para um outro país.
09:36José Pimenta, muito obrigada.
09:38Prazer sempre conversar com você.
09:39Bom fim de semana.
09:41Bom final de semana.
09:42Até a próxima.
09:43Até a próxima.
Comentários

Recomendado