Pular para o playerIr para o conteúdo principal
O debate sobre a redução da jornada de trabalho passa também por uma comparação internacional. Afinal, como o Brasil se posiciona em relação a outros países?
No Visão Crítica, especialistas analisam as diferenças nas cargas horárias ao redor do mundo, os modelos adotados em economias desenvolvidas e emergentes e o que essas experiências podem indicar para o cenário brasileiro.

Confira o programa na íntegra em: https://youtube.com/live/QvpJ_4wzo9A

Siga o canal "Jovem Pan News" no WhatsApp: https://whatsapp.com/channel/0029VaAxUvrGJP8Fz9QZH93S

Baixe o app Panflix: https://www.panflix.com.br/

Inscreva-se no nosso canal:
https://www.youtube.com/c/jovempannews

Entre no nosso site:
http://jovempan.com.br/

Facebook:
https://www.facebook.com/jovempannews

Siga no Twitter:
https://twitter.com/JovemPanNews

Instagram:
https://www.instagram.com/jovempannews/

TikTok:
https://www.tiktok.com/@jovempannews

Kwai:
https://www.kwai.com/@jovempannews

#JovemPan
#VisãoCrítica

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:00Fazendo o papel de meio de advogado do diabo, falava antigamente, essa expressão parece que caiu em desuso.
00:06Havia até um romance do Morris West, chamava o advogado do diabo, isso faz tempo.
00:10E teve um personagem dos anos 60, o Paul Deitora, isso eu tirei do fundo do baú,
00:15que era chamado pelos jornais populares de advogado do diabo.
00:18É uma história dos ossos lidando em TFA, isso entra no site de busca e veja que isso aqui surgiu
00:24agora de improviso aqui.
00:25Mas eu dando uma, trabalhando com um elemento questionador, ao doutor Ricardo Calcini.
00:32Como é que está o mundo do trabalho, pegando a expressão do ministro Reis de Paulo,
00:38como é que está o mundo do trabalho, por exemplo, na Europa?
00:42E vamos pegar três, Europa, Estados Unidos, eu sei que é uma coisa muito ampla, mas só China e Índia.
00:50Por quê? Nós estamos falando dos maiores PIBs do mundo.
00:52Podia ter tirado o Japão, claro.
00:54A Índia tem um progresso, ultimamente já é o quinto, daqui a pouco é o quarto PIB no mundo.
00:58A jornada de trabalho desses países é muito diferente.
01:00Enquanto na Europa provavelmente tem uma jornada mais baixa, o da China tudo indica que não.
01:06Eu não sei qual é a média, sinceramente.
01:08Então, comparado, eu pergunto ao senhor, eu sei que é uma questão econômica,
01:11mas que passa pelo mundo jurídico, não seria uma ousadia de um país ainda com tantos...
01:17Porque as pessoas falam isso para mim, daí que eu estou reproduzindo.
01:19Um país com tantos problemas com o nosso, com uma massa fora da economia formal,
01:24sem contratos de trabalho, diminuir a jornada de trabalho, quando hoje o mundo, certos países,
01:29até para a ausência de sindicatos combativos ou pela proibição de greves,
01:34a jornada de trabalho é muito mais extensa que a brasileira.
01:37Então, portanto, nós estaríamos dando, grosso modo, um passo maior que a perna.
01:41Olha, Vila, o questionamento é provocação, realmente é bastante válido.
01:47Por certo, nosso país tem algumas outras prioridades que não seja realmente a redução da jornada.
01:52Nós sabemos, as pesquisas estão sendo aqui divulgadas, a imprensa está aqui fazendo o papel dela
01:57de trazer os impactos econômicos, que não são poucos,
02:00porque vai aumentar o valor hora desse trabalhador, vai aumentar o custo da produção.
02:04Naturalmente, nós teremos um corte bastante acentuado de empregos formais.
02:09Há uma tendência de uma crescente informalidade.
02:12Essas pessoas, na medida em que tiverem, em alguma medida, novas contratações,
02:16essas contratações provavelmente virão com salários menores,
02:19não aqueles que estejam hoje nos seus respectivos postos.
02:22Enfim, é claro que o cenário para um país que precisa realmente, em termos de negócio,
02:27é priorizar infraestrutura, procurar trabalhar com mais a parte de tecnologia.
02:32O ministro aqui comentou a questão da inteligência artificial.
02:34Eu vim para cá, no estúdio, estava ouvindo realmente também aqui um outro comentário
02:38sobre a questão da produtividade.
02:40Hoje, o trabalhador brasileiro frente, por exemplo, como você colocou,
02:44ao trabalhador americano, ele produz praticamente 25% menos.
02:49E é isso se nós compararmos, por exemplo, com a Europa,
02:52com a renda per capita de cada trabalhador, dependendo do PIB do país,
02:56nós temos aí uma redução de um terço, podendo chegar a 50% ou mais.
03:01Então, sim, o impacto é bastante significativo.
03:05Mas, ainda assim, a gente não pode fechar os olhos, porque há uma tendência mundial
03:10de redução de jornada.
03:12Aqui no nosso país, muitas empresas fizeram uma adoção por liberalidade
03:16e conseguiram identificar resultados positivos,
03:20inclusive com a própria questão da produtividade.
03:23Isso vai reduzir o professor Marcos Orione, melhor do que eu aqui, certamente,
03:26para poder comentar a redução do índice de absteceísmo,
03:30as ausências do trabalho, principalmente focadas na questão psicossocial.
03:36Nós temos um grande número hoje de afastamentos previdenciários.
03:39O Brasil bateu recorde o ano passado por conta, realmente, desse patamar.
03:43Então, todo esse cenário aqui que nós estamos a enfrentar hoje
03:47é um cenário propício para poder, como disse o presidente da Câmara,
03:51seguir a tendência mundial de redução dessa jornada de trabalho.
03:55É a mesma questão, doutor Marcos Orione.
03:57Será que se sustenta essa leitura crítica a essa proposta?
04:01Qual é a sua opinião?
04:01Não se sustenta e, assim, as evidências são claras.
04:05Não seria factível que o mundo inteiro estivesse fazendo um caminho,
04:10e a Europa já tem esse caminho consolidado na Alemanha, na Itália, na França,
04:18fora, no mundo árabe, nós temos os Emirados Árabes,
04:22que também já fizeram essa opção.
04:24Na América Latina, nós temos países que tinham jornadas muito extensivas,
04:30mas muito, como a Colômbia e o México, estão reduzindo significativamente.
04:34Então, não tem sentido.
04:36Porque você não pode pensar em perda de produtividade numa empresa.
04:41Você tem que pensar a produtividade numa dinâmica global da economia.
04:44E a perspectiva global, ela é alviçareira.
04:48Vejamos.
04:49As pessoas confundem...
04:53Claro, capital sempre explora do trabalhador e tira uma vantagem,
04:58que a gente chama de mais valor.
05:00Eles confundem o que a gente chama de mais valor absoluto com mais valor relativo,
05:04ou seja, jornada de trabalho e produtividade.
05:07Jornada de trabalho não necessariamente impacta produtividade na globalidade.
05:13A produtividade é impactada, em geral, por metodologia, tecnologias,
05:18por dinâmicas de administração que aumentam a possibilidade de extrair do trabalhador
05:25um trabalho excedente.
05:27Porque a jornada de trabalho, ela não deve ser considerada por empresa.
05:30Ela tem que ser considerada globalmente.
05:32E globalmente, isso aí me parece muito simples.
05:34Se a pessoa tem uma jornada, porque o que vai acontecer na prática é o seguinte,
05:38nós vamos sair de uma jornada de 44 horas para uma jornada de 36,
05:43e que é a PEC, depois a gente pode até conversar sobre isso,
05:46mas a PEC indica de forma escalonada nos próximos 10 anos,
05:51uma das PECs possíveis.
05:54O que ocorre é o seguinte, você vai ter trabalhadores
05:58que deixarão de fazer aquela jornada que vai até o sábado,
06:03ficarão, dependendo de como for a composição do negócio,
06:08a negociação coletiva, a formatação do negócio,
06:11trabalharão menos, uns quatro dias, e os outros três dias estarão livres.
06:15Vocês acham que o trabalhador brasileiro, sinceramente,
06:18eles vão pegar esse tempo para lazer?
06:21Isso não existe.
06:22Eles vão voltar para o mercado de trabalho.
06:24Quando eles voltarem para o mercado de trabalho,
06:26eles voltarão na forma de uberizados,
06:28enfim, nessas formas todas precarizadas,
06:31mas estarão de novo girando a economia.
06:33A economia, de uma forma geral, ela aumentará a produtividade,
06:36porque você terá aqueles postos que serão reocupados
06:40quando a Constituição de 88 mudou de 48 para 44,
06:45foram criados, de imediato, 600 mil postos de trabalho,
06:50segundo estudos realizados à época.
06:52Hoje, a estimativa, se fizer essa passagem,
06:54será uma criação, em curto prazo, de 6 milhões de postos de trabalho.
06:59É inimaginável que a criação de 6 milhões de postos de trabalho,
07:02sem considerar o tempo que será alocado pelo trabalhador e pela trabalhadora
07:06nesse período ocioso para outra atividade,
07:10que isso não aumente a produtividade geral da economia.
07:13Você não pode pensar numa empresa especificamente.
07:15Não é assim que você pensa a dinâmica do capital.
07:19Você não pode pensar individualmente, sem individualismo metodológico.
07:23Você tem que pensar de forma totalitária.
07:25De forma totalitária, a indicação é de aumento de produtividade.
07:28Por isso, todos os países estão fazendo esse movimento.
07:31Senão, eles não fariam esse movimento.
07:32É óbvio.
07:33Não se pode confundir jornada de trabalho e produtividade.
07:37Mais valia absoluta e mais valia relativa.
07:39As duas coisas são distintas.
Comentários

Recomendado