00:00o caminho e maturidade, penso aqui eu, para que nós possamos alcançar realmente esse objetivo.
00:06Hoje, nós já vimos e estamos aqui trabalhar, via negociação coletiva, muitos setores da economia,
00:13parte do empresariado, que em alguma medida já adota escalas diferentes, que é o sistema tradicional de 6x1,
00:18para que nós tenhamos uma redução de jornada que, pelo menos pela média, pode chegar a 40 horas semanais
00:24e, sim, algumas situações até específicas, até 36 horas semanais, que é até a proposta da emenda constitucional aqui,
00:31que se procura aprovar. Então, sim, eu acho que nós estamos maduros, temos realmente já experiências
00:36do âmbito da negociação coletiva e, agora, realmente, é poder discutir isso com a sociedade para que nós chegamos aí
00:43no meio termo.
00:44Doutor Marcos Zoroni, a mesma questão, é possível diminuir a jornada de trabalho sem a diminuição da remuneração salarial?
00:52Perfeitamente possível. Aliás, a história comprova isso.
00:57O processo de redução da jornada na Constituição, de 48 para 44, e agora essa propositura para tentar chegar a
01:0636,
01:07demonstra que, quando nós fizemos a migração de 48 antes da Constituição para 44,
01:12nós conseguimos manter os salários e fazer a redução perfeitamente.
01:17Aliás, tem um livro que você conhece muito bem, que é um livro chamado Das Kapital,
01:24que é o livro 1, né, por Ein, que tem um capítulo 8, que é chamado Der Arbeitstag,
01:38que é a jornada de trabalho, e que demonstra claramente que a luta da classe trabalhadora foi,
01:44no século XIX, foi por redução da jornada sem a redução do salário.
01:52Isso foi perfeitamente historiado nesse livro e é demonstrado claramente que é uma hipótese vencida.
02:00Vencida, vencida.
02:01Eu acho que essa é uma discussão importantíssima, vocês nos acompanham,
02:04porque hoje eu vi até uma pesquisa que tratava, daqui a pouco se for o caso eu entro a ela,
02:08uma pesquisa que foi feita, mas as pessoas não têm, daí a importância, eu acho,
02:12do nosso programa e dos nossos convidados aqui, explicar no que consiste essa proposta.
02:17Eu acho que isso é essencial, a questão pedagógica, né, que é a essência do nosso programa.
02:22Ministro Reis de Paulo, pergunto ao senhor, vamos fazer, as pessoas dizem o seguinte,
02:28eu vou verbalizar um discurso, não sei se é contrário, mas que questiona isso.
02:32Diz o seguinte, não é possível a redução da jornada de trabalho sem a redução do salário,
02:39porque o trabalhador brasileiro tem uma baixa produtividade e, consequentemente,
02:44isso levaria ao encarecimento dos produtos de uma empresa X em que ele trabalhasse.
02:50Portanto, isso poderia ter um efeito extremamente negativo na economia,
02:53inclusive na taxa de desemprego, que hoje é a mais baixa da série histórica desde 2012.
02:59O senhor acha que isso sustenta essa crítica ou não?
03:03Essa crítica, a meu ver, ela carece de alguns fundamentos,
03:08porque efetivamente, como bem assentado, é possível haver a redução.
03:13Agora, dizer que isso vai importar necessariamente em aumento do custo, depende.
03:22Nós estamos num mundo em que o trabalho em si tem sofrido várias alterações,
03:28nós bem o sabemos, mas sobretudo, o mundo da economia mais fortemente.
03:35Hoje, nós vivemos um momento até de inteligência artificial e nós até interrogamos qual vai ser o papel do homem
03:44em face da presença da inteligência artificial.
03:48Mas os vários recursos que surgem, hoje, a presença do computador,
03:54é perfeitamente possível que resultados até maiores do que os obtidos hoje
04:01sejam alcançados com a redução do horário, da jornada de trabalho do empregado.
04:08Eu acho isso, a meu ver, é um raciocínio que é simplista, como se o mundo tivesse apenas um lado.
04:19Sempre foi assim, sempre foi assim.
04:22A economia mudou muito, a presença do trabalho, do trabalhador, foi diferenciada ao longo da história.
04:30Eu me recordo a esse respeito, meu caro professor Vila, do nosso querido Bauman,
04:35quando ele fala no mundo líquido e ele fala da perda de centralidade do trabalho.
04:43Eu confesso a ele, em relação a esse pensamento dele, que eu faço minhas observações.
04:51O trabalho não pode perder sua centralidade no dever.
04:56Porque o trabalho é uma forma do homem se encontrar e se realizar também.
05:00Agora ele deve ter o trabalho com a mais possível dignidade ao desenvolvê-lo.
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