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No Visão Crítica, o economista André Perfeito analisa a situação atual do Brasil e comenta as expectativas para 2026.

O especialista afirma que o cenário atual é positivo, resumido pela frase “a notícia ruim é que está bom”, mas destaca que o país ainda deve enfrentar desafios nos próximos anos. A análise trata do contexto econômico e das perspectivas para o período.

Confira o programa na íntegra em: https://youtube.com/live/4U40WWrYV0c

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Transcrição
00:00A economia é uma questão complexa, tem uma série de variáveis que ninguém em janeiro vai saber o que possa ocorrer durante o ano.
00:05Mas deixando essa introdução de lado, André Perfeito, olhando esses dados, eu citei alguns de forma muito simples, deve ter outros.
00:16Essa visão mais geral da macroeconomia brasileira significa que o ano de 2026 vai ser um ano difícil para a economia,
00:22porque nós temos eleições de outubro, tem Copa do Mundo, que de certa forma vai haver uma certa paralisia do país,
00:30durante um certo período, por causa, especialmente quando você tem, e a cada quatro anos nós temos isso,
00:36Copa do Mundo, o Brasil jogou todas as Copas desde 1930, e é impossível não se classificar agora com 48 seleções,
00:43e temos sempre eleições de outubro, tal qual determina a Constituição.
00:47Como é que você vê o que pode ser esse ano com esses dados macroeconômicos?
00:52Primeira coisa, obrigado pelo convite de estar aqui mais uma vez, com o Márcio, o Manfred, sempre um prazer aqui.
00:57Você estava falando no início das projeções dos economistas, me lembrei uma frase que até não tem nada a ver com a economia,
01:04mas faz sentido, falando dos dramaturgos, dos novelistas, o problema de você escrever ficção é que ela precisa fazer sentido,
01:11a realidade não precisa fazer sentido.
01:14Então isso para dizer que a gente está numa situação onde eventualmente vai ter elementos que vão sair completamente
01:20de qualquer discurso ou fala bem educada a mim.
01:23Então eu vou falar um monte de coisa para vocês aqui agora, que muito provavelmente não vai se cumprir.
01:28Bem, primeira coisa falando do Estado-Geral da economia brasileira.
01:31Como você bem apresentou, os dados não são exatamente ruins, né?
01:34Estamos com o desemprego no menor patamar da série histórica,
01:37a massa salarial num patamar também maior, em termos reais, a maior da série histórica.
01:42Estamos com uma inflação que tudo bem, ela está dentro da meta, mas vamos combinar que está no sótão, né?
01:48Não está no teto, mas está lá batendo ali em cima.
01:51O que sem dúvida nenhuma conspira aí ainda em cuidados pelo Banco Central, que vai ter a taxa de juros elevada.
01:57Então, a gente está num momento, eu acho que ele é complicado na seguinte dinâmica.
02:03Olha, a notícia ruim é que está bom, o que eu quero dizer com isso é o seguinte,
02:07o fato do desemprego estar baixo fez que o salário médio real subisse e a massa salarial subisse.
02:13Isso subindo é bom, aumentou a demanda.
02:16Mas na hora que aumenta a demanda, se gera uma pressão a curto prazo por uma série de recursos,
02:20que fica uma discussão no mercado, que é meio que chotesca, mas faz sentido em alguma medida,
02:26mas que gera contradições com o governo.
02:27Então, só para colocar a discussão, se você é o ministro da Fazenda hoje, se você é o Haddad,
02:34você vai falar, poxa, tem um problema fiscal no Brasil, vamos ser francos,
02:36o nosso déficit primário é menor do que a média dos emergentes, do que outros, né?
02:42E é até verdade, se você olhar em relação aos outros, até tem essa perspectiva.
02:46Mas no caso do Brasil, como o consumo das famílias subiu muito forte,
02:50necessitaria, na minha opinião, um controle maior da parte fiscal,
02:54ou seja, do gasto do governo, para abrir espaço para outras coisas.
02:58E administrar essas tensões é difícil.
03:00Agora, a situação atual, corrente está boa.
03:03Eu acho que, dado que o Banco Central deve cortar a taxa de juros,
03:06eu não sei a opinião dos colegas aqui, mas tudo indica que sim, né?
03:10Que deve cortar a taxa de juros.
03:11Isso tudo conspira aí para uma demanda ainda aquecida,
03:15com uma perspectiva de juros mais baixo.
03:17Se é verdade que o empresário quer demanda e juros um pouco mais baixos,
03:21talvez ainda dê um ano.
03:23Você conta a parte certa, que a gente vai falar bastante ainda no nosso programa de hoje, né?
03:28Márcio, Rolando, essa é a história.
03:29Nós estamos no paraíso, no inferno ou no purgatório na economia brasileira?
03:36Eu acho que a gente está meio que no purgatório.
03:38A gente está um pé no paraíso, como o André falou muito bem.
03:41Mercado de trabalho muito bom, muito dinâmico.
03:44A economia até cresceu bastante nos últimos anos, né?
03:49Três, três e pouco por cento.
03:52Passou no processo de acomodação agora um pouco mais,
03:55entre outras questões.
03:58Mas tem aí o chamado inferno nessa história.
04:01O inferno é a questão fiscal e a incerteza colocada sobre a economia brasileira
04:06do que fazer com isso ao longo de um debate eleitoral que a gente sabe muito polarizado no Brasil
04:12e que acaba indo para um campo muito populista.
04:16Então, hoje, eu diria que o ponto de atenção para 2026 é a questão fiscal brasileira.
04:23A economia brasileira está se acomodando como deveria ser, como ela precisava acomodar,
04:27até porque a inflação estava fora do teto, fora do sótão, como diz o André.
04:34A inflação estava fora do sótão, precisava acomodar.
04:37O Banco Central deu um choque muito significativo de juros,
04:40em torno de 10% para 15% de taxa selic de aumento.
04:45Implicou em um aumento de juros real muito relevante.
04:47A gente está operando com juros real que é 9% para 10% e por aí vai,
04:53na média dos últimos tempos.
04:55Mas a gente está sem saber o que fazer com a questão fiscal para 2027.
05:00Por quê?
05:01A gente não tem uma regra fiscal consistente, sólida no Brasil.
05:05O Brasil está navegando sem regra fiscal.
05:08Isso é muito sério, a dívida pública brasileira batendo 80% no conceito do Banco Central,
05:13dívida de curto prazo e essa dificuldade que o Brasil tem a gerar superávit primário.
05:20Isso me preocupa muito, vai jogar tensão e muita volatilidade neste ano.
05:25O Brasil tem a gerar superávit primário.
05:30O Brasil tem a gerar superávit primário.
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