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PessoasTranscrição
00:00O olho, uma extensão do cérebro, a maneira com a qual a gente consegue se comunicar
00:07através do entendimento daquilo que acontece.
00:11E dentro do olho, a córnea e transplante de córneas, algo que me é muito familiar.
00:18O olho é um dos órgãos mais importantes do corpo humano.
00:21Ele funciona como se fosse uma máquina fotográfica.
00:24A córnea é a lente da câmera, que permite a entrada de luz no órgão.
00:28E a retina seria o filme fotográfico, responsável pela reprodução de cada imagem.
00:35Uma vez não cuidada, ela pode apresentar problemas e deixar de funcionar.
00:40Assim funciona a saúde do olho.
00:42Quando não cuidado ou por conta da hereditariedade, ele pode apresentar diversos problemas.
00:48No check-up de hoje, o doutor Cláudio Lutenberg recebe a oftalmologista Aline Moriama.
00:53Entenda quais os problemas de olho, os tratamentos e cirurgias.
00:57Fique ligado, o check-up está no ar.
01:07Aline, seja muito bem-vinda.
01:12Cláudio, obrigada.
01:14Estou super honrada de estar aqui, ainda mais, para falar com você de uma coisa que a gente gosta tanto, que é córnea.
01:20Vamos tentar explicar primeiro o que é a córnea e para que ela serve.
01:24Cláudio, durante muito tempo a gente usou a analogia de um relógio, né?
01:30Para falar sobre a córnea.
01:32Agora os relógios são digitais, não fica mais tão factível.
01:36Mas a córnea, ela é uma estrutura transparente que funciona como uma lente natural do olho
01:41e fica bem na parte da frente.
01:44Fica na frente, inclusive, da íris, que é o que dá coloração para os olhos.
01:48E é uma lente que ajuda a gente a enxergar com definição e que se tiver qualquer tipo de alteração, vai impactar também na nossa visão.
01:58A gente ouve muito sobre a questão de transplante de córneos, né?
02:01E eu, que sou mais velho que você, lembre que quando eu comecei a trabalhar com o médico oftalmologista e a fazer transplantes,
02:10um grande fator limitante era a obtenção da córnea doadora.
02:16Por que a gente não consegue criar um sistema no nosso país capaz de vencer essa limitação tão óbvia?
02:24Então, Cláudio, sabe que isso realmente é um problema que a gente, enquanto sociedade, tem que trabalhar para vencer.
02:32Já tivemos situações melhores em questão de fila de espera para transplante de córnea.
02:38Mas atualmente a gente tem mais de 30 mil pessoas esperando por um transplante.
02:43É um número que impacta.
02:45A gente sabe que essas pessoas que estão aguardando um transplante, elas estão vivendo com dificuldade no dia a dia.
02:50E, por outro lado, a gente sabe que muitas pessoas poderiam ser doadores e acabam não evoluindo dessa forma.
03:00Então, a gente imagina que se a gente conseguir estruturar melhor, organizar melhor o sistema,
03:06a gente consiga também realmente diminuir muito o número de pacientes em fila e o tempo de fila de espera também.
03:16Agora, muita coisa surge em termos de tecnologia.
03:19E a gente sabe que a córnea é um local onde você pode ter doenças, mas você pode modificá-la.
03:26Explica para a gente o que você faz para tratar a miopia através da cirurgia de laser na córnea.
03:33Então, como a gente falou antes, a córnea é uma lente natural do nosso olho.
03:38E o que vai determinar o poder que essa lente tem para funcionar no nosso sistema óptico?
03:45A curvatura dela e a espessura e a transparência.
03:50Basicamente, esses três fatores.
03:52E na cirurgia mais comum que é feito para a correção de miopia, a gente usa um laser para estar esculpindo a córnea
04:00e mudando a curvatura e, assim, corrigindo também o poder da lente, corrigindo o grau da pessoa.
04:06Basicamente, tem duas técnicas que são mais frequentes que a gente usa com o laser.
04:12Uma é chamada lasique, em que a gente faz um flap, um corte estromal na córnea,
04:21levanta-se, a gente fala assim, esse flap, incide o laser e depois reposiciona o flap.
04:27E na outra técnica, o laser é aplicado na superfície da córnea mesmo.
04:33Os resultados são bastante parecidos, excelentes, mas tem alguns casos em que a gente tem a contraindicação.
04:41O paciente fez uma cirurgia refrativa, operou a miopia e a família decide, e ele manifesta em vida,
04:49que gostaria de ser um doador da sua córnea.
04:52Impeditivos ou não?
04:54Não, de forma alguma. Pacientes que já fizeram cirurgia de miopia, de astigmatismo, hipermetropia,
05:01podem ser doadores de córnea. Pacientes que já fizeram cirurgia de catarata também.
05:08Então, muitas vezes, se a córnea tem alguma das camadas alteradas, por exemplo, por conta de uma cirurgia de miopia,
05:15essa córnea pode ser usada para outros tipos de transplantes que vão usar outras camadas da córnea,
05:21como, por exemplo, a camada mais interna, o endotélio.
05:24Então, de forma alguma, eles seriam contraindicações para a doação de córnea.
05:30Quer dizer que a mensagem é clara.
05:32Seja um doador e deixe o destino e a maneira como a córnea vai ser aproveitada por conta do profissional oftalmologista.
05:41Nós estamos falando de córneas e você, aos poucos, também, com o Passan, falou a respeito da catarata.
05:47Qual é a diferença de uma abordagem da cirurgia de córnea e o que é a catarata?
05:53São sítios diferentes, são locais distintos?
05:56Explica para a gente qual é a natureza da formação de uma catarata.
06:01Então, no olho, além da gente ter a córnea como uma lente natural, a gente tem uma segunda lente natural intraocular, que é o cristalino.
06:12Então, para a gente enxergar bem, tanto a córnea quanto essa segunda lente natural, que é o cristalino, tem que estar cristalinas.
06:19Mas, e aí é um processo realmente que vai acontecer em todas as pessoas com o tempo, o cristalino vai sofrendo alterações ao longo da vida.
06:31E uma delas é a opacificação, que é o que a gente chama catarata, a opacificação dessa lente natural que a gente tem dentro do olho.
06:39A cirurgia de catarata é bastante evoluída e a gente consegue resultados excelentes para tratamento dessa opacificação.
06:47Agora, quando você fala de catarata, a gente tem observado, primeiro, expectativa de vida aumentando.
06:53Logicamente, que as pessoas vão ter mais chance de desenvolver a catarata.
06:58Por outro lado, as pessoas também querendo deixar de usar óculos numa fase também não tão jovem, com mais de 55, 56 anos.
07:10E que fazem a cirurgia de catarata até mais precocemente do que se fazia no passado.
07:14Como é que você interpreta essa visão nova da abordagem da catarata com aquilo que a gente chama de uma cirurgia de catarata refrativa?
07:25Então, essa abordagem, a gente estaria trocando essa lente natural do olho por uma lente artificial.
07:34Então, numa cirurgia de catarata, a gente faz isso para remover a opacidade.
07:39Mas, ao mesmo tempo, no pré-operatório, a gente já faz vários exames com cálculos específicos
07:45para tentar, com todas as diferentes lentes intraoculares, de diferentes tecnologias que a gente tem hoje,
07:52colocar uma lente com um grau adequado para a pessoa não precisar usar óculos depois da cirurgia de catarata.
07:59Como realmente a gente tem resultados excelentes com a cirurgia de catarata,
08:05a gente consegue também hoje, com esses mesmos exames,
08:09estabelecer no olho que o cristalino ainda não tem opacidade,
08:14qual a lente deveria substituir aquela para também deixar um paciente sem óculos no pós-operatório.
08:20Então, é uma cirurgia que também tem resultados excelentes,
08:25mas é uma cirurgia intraocular, com pouco mais de riscos, por exemplo,
08:30do que a cirurgia laser que a gente comentou.
08:32Então, realmente o pré-operatório tem que ser feito com bastante cuidado,
08:37avaliando se o paciente tem outros riscos que aumentem a chance de insucesso da cirurgia,
08:45mas eu diria que é uma cirurgia que tem sido usada cada vez com mais frequência,
08:51regulamentada, inclusive, pelo Conselho Federal de Medicina,
08:56para que a gente possa também estar resolvendo o problema de óculos de um número maior de pessoas.
09:03É, porque você cita a questão do óculos, e aí eu acho que tem duas observações.
09:08Primeiro, uma coisa que talvez poucos brasileiros saibam,
09:12que ainda a principal causa de cegueira no nosso meio seja justamente a falta de óculos.
09:18Então, um instrumento que é relativamente simples e que a rigor poderia ser feito,
09:23a alguns é inacessível por falta de recursos econômicos.
09:27E outros, na realidade, muitas vezes usam de maneira imprópria ou até não usam,
09:33por uma questão de comodidade.
09:35No momento que você aborda cirurgicamente, você estaria resolvendo o problema,
09:39lógico, talvez não dentro da perspectiva de uma política pública de saúde,
09:44mas que tenha um impacto junto à sociedade.
09:47E a segunda questão é justamente essa visão da abordagem cirúrgica mais precoce.
09:53Algo que é regulamentado pelo Conselho Federal de Medicina.
09:57Quando eu comecei a minha atividade enquanto médico,
09:59operar catarata era realmente quando a pessoa praticamente não enxergava.
10:03E hoje a gente sabe que isso leva a prejuízo.
10:06Por quê?
10:07Porque, inclusive, a visão teria um impacto em desenvolvimentos de doenças degenerativas,
10:13como é o caso do Alzheimer.
10:14Quero aproveitar para você, que é uma expert em termos de inserção de novas tecnologias.
10:19Nas nossas conversas pessoais, nós sempre falamos sobre isso,
10:23novos recursos de eventual surgimento de terapia celular,
10:29enfim, condições que ainda estão em fase de pesquisa,
10:33mas que provavelmente poderiam até substituir o transplante como um todo
10:37e a necessidade de tecido.
10:39Mas essa semana, justamente, muita notícia a respeito de córnea artificial,
10:45córnea que está sendo imprimida, impressa.
10:47Como é que isso aqui funciona?
10:49Você acredita que isso aqui tem um espaço?
10:51Eu acho que, no futuro, a gente vai estar usando muito mais córnea artificial
10:57do que a gente usa hoje.
10:59Já existem alternativas que a gente chama de ceratoprótese,
11:03que são córneas artificiais.
11:05No momento, o que tem mais disponível, a gente não tem regulamentação pela Anvisa,
11:12então, são casos excepcionais e usa como uma última alternativa.
11:18Mas, com certeza, a gente está vendo uma evolução muito grande na área da bioengenharia,
11:24com possibilidades cada vez mais animadoras de que a gente possa usar com resultados
11:31iguais ou melhores até do que uma córnea humana.
11:34Uma córnea artificial, ela, por exemplo, elimina o risco de rejeição.
11:40Então, são alternativas muito interessantes e tem muita pesquisa nisso.
11:44Com certeza, a gente vai ter coisas novas.
11:46Você falou o papel da bioengenharia.
11:48E, evidentemente, quando começaram as próprias lentes intraoculares,
11:51é bom lembrar que a percepção de que a lente intraocular poderia ser inserida no olho
11:57foi justamente da observação dos acidentes aéreos que aconteceram no período da Segunda Grande Guerra Mundial,
12:04no qual, nesses períodos, caco de vidro que entrava dentro do olho percebia-se ser um material inerte.
12:12E daí, hoje, com conhecimento muito mais profundo de imunologia, da natureza dos biomateriais,
12:19tudo isso leva a uma capacidade de incorporação tecnológica para as questões muito inovadoras,
12:25como é o caso da córnea artificial, que será uma realidade, eu concordo com você.
12:31Agora, quando você fala sobre cirurgia refrativa, que é aquela que é feita na córnea,
12:39você costuma adotar limites de idade?
12:42Qual é a fase que você acha que o grau do paciente está estável e que ele pode operar?
12:47E com que idade você já começa a olhar?
12:50Bom, espera um pouquinho só.
12:52É verdade, eu poderia corrigir pela córnea, mas eu tenho que olhar o cristalino,
12:56porque a partir dessa idade, talvez, a melhor opção, quem sabe, não seja a abordagem da córnea,
13:02sim a abordagem do cristalino.
13:04Então, a cirurgia refrativa laser na córnea, ela vai tratar muito bem a maioria dos casos de miopia,
13:13de astigmatismo e, inclusive, hipermetropia.
13:16Tem os seus limites, inclusive os graus mais altos, a gente não consegue tratar,
13:23porque vai consumir muito da córnea também.
13:25Mas, de forma geral, a gente aguarda até esse grau estar estável,
13:29senão a gente vai tratar um grau e depois ele ia mudar, então o grau vai voltar.
13:35Existem aí divergências com relação com a idade mínima em que esse grau,
13:40para a gente estar seguro, não só aguardar um ano, dois anos do grau estar estável,
13:44mas até em questão de idade.
13:46Eu uso o parâmetro de 21 anos e eu acho que, além disso, a gente tem que ter esse acompanhamento clínico
13:54de que o grau realmente está se mantendo estável, pelo menos ao longo do último ano.
13:59E você já foi tendencioso na pergunta, porque a gente sabe que depois de uns 40 anos,
14:05querendo ou não, a gente começa a ter a presbiopia.
14:10Então, quem não tinha nada de grau de óculos, começa a ter aquela dificuldade para perto.
14:17E quem já usava algum tipo de óculos, muitas vezes começa a usar o multifocal,
14:22porque o grau de longe é diferente do grau de perto.
14:25A cirurgia, a laser, existem plataformas que corrigem presbiopia também,
14:32mas o que é mais consagrado é o tratamento mais para a visão de longe.
14:37Então, para o tratamento, tanto com essa multifocalidade, para longe e para perto,
14:46aí tem um questionamento se as lentes intraoculares, com a cirurgia de catarata facorrefrativa,
14:55ou seja, a cirurgia sem o paciente ter catarata, mas com a troca do cristalino,
14:59não traria resultados melhores por conta da evolução das lentes que dão essa multifocalidade,
15:05lentes intraoculares.
15:07De forma geral, a partir de uns 50 anos, a gente já fica olhando com mais atenção ao cristalino,
15:18se de fato não tem nenhum tipo de opacidade.
15:22E aí a gente estaria já pensando, eventualmente, numa cirurgia de catarata mesmo.
15:27Mas é importante a gente lembrar disso dos 40 anos da presbiopia,
15:31porque muitas vezes um paciente que está se aproximando dos 40 anos
15:36ainda não tem essa dificuldade para perto,
15:40mas quando a gente for corrigir, eventualmente, até mesmo com laser,
15:44é importante a gente pensar nisso, qual que vai ser a estratégia
15:48para ele não precisar tão próximo de um óculos também, que é o que ele quer deixar de lado.
15:53Quer dizer, você considera a estabilidade de grau, que normalmente acontece a partir dos 21 anos,
16:00e, logicamente, a partir dos 40 já o cristalino começa a mudar,
16:05mas a partir dos 50, aí quem sabe já seja o caso de trazer e explicar para o paciente,
16:11porque tudo isso depende de um diálogo franco,
16:14onde a gente primeiro coloca para o paciente que a ideia nem sempre é chegar no grau zero,
16:19e sim dar uma qualidade de vida para a pessoa não precisar usar o recurso dos óculos
16:26para a sua atividade no cotidiano.
16:28Vamos falar um pouquinho sobre fundo de olho.
16:31Por quê? Porque nós somos cirurgiões de segmento anterior,
16:34mas o fundo de olho é revelador na vida das pessoas.
16:38Você faz exame de fundo de olho, normalmente a gente vinha utilizando isso
16:43para descartar algumas doenças, hoje a gente percebe a inserção do fundo de olho
16:47numa perspectiva de médio e longo prazo, até na inteligência artificial.
16:52Quem vê o fundo de olho? Vê os vasos do corpo? Como é que é isso?
16:56No exame de fundo de olho, a gente consegue ver as estruturas que estão lá atrás,
17:02atrás da córnea, atrás do cristalino.
17:05Então a gente vê o nervo, vê a vasculatura e a retina.
17:11E realmente a gente consegue, lógico, detectar alterações oculares,
17:19como por exemplo, glaucoma, doenças da retina,
17:23designação macular relacionada à idade, outros tipos de doença.
17:27Mas a gente também, por meio de alterações que a gente pode ver nos vasos e no fundo de olho,
17:34a gente pode, inclusive, detectar alterações secundárias a doenças sistêmicas,
17:41como por exemplo, diabetes, hipertensão e até outras doenças autoimunes.
17:48Então, para a gente que é cirurgião de segmento anterior,
17:53é claro que a gente não pode deixar de avaliar o segmento posterior, que é o fundo de olho.
17:59Porque, inclusive, a capacidade do olho enxergar depende também das estruturas do fundo de olho.
18:08É, quer dizer, a visão do olho é uma visão do todo,
18:11mas é uma visão não só dentro da natureza do enxergar,
18:15senão algo que relaciona com doenças sistêmicas
18:19e que se expressam através de achados de fundo de olho ou não.
18:24Quer dizer, nós sabemos que temos os uveítios, por exemplo,
18:27que são alterações que podem ser também do fundo de olho,
18:31mas podem ser também só na frente do olho,
18:34e muitas vezes relacionadas às doenças reumáticas.
18:37Você entende que existe uma interação precisa entre as diversas especialidades,
18:45enxergando o papel do médico oftalmologista,
18:48como sendo alguém que pode ser um bom coadjuvante no tratamento dessas doenças,
18:52ou ainda os clínicos gerais não conseguem estabelecer esse vínculo de maneira real?
18:57Eu acho que quando a gente está falando de um cuidado personalizado,
19:03com uma equipe multidisciplinar,
19:05fica muito claro a importância de toda a equipe.
19:09E, claro, a gente sabe que muitas doenças, inclusive sistêmicas,
19:13como, por exemplo, diabetes,
19:15podem ter repercussão oculares,
19:17que podem até mesmo levar à cegueira.
19:19Então, faz parte do tratamento da pessoa
19:22a avaliação oftalmológica de fundo de olho,
19:25o eventual tratamento.
19:27Agora, infelizmente, na saúde pública,
19:30muitas vezes não é tão claro isso.
19:32E até o acesso ao oftalmologista pode ser mais difícil também.
19:37Nas nossas conversas, eu acho que a gente tem comentado também um pouco
19:40da possibilidade de usar mecanismos tecnológicos,
19:45inteligência artificial, até eventualmente para aumentar eficácia,
19:52com segurança e qualidade desse tipo de situação,
19:56de patologias, inclusive da retina, do segmento posterior.
20:01Nós dois nos conhecemos, eu e o doutor Aline,
20:03justamente porque conversávamos a respeito dos desafios
20:07que oftalmologia traria em termos de prioridades públicas.
20:12E falávamos muito sobre políticas públicas de oftalmologia
20:16em saúde mais ampla.
20:18E por vezes, você falou comigo a questão dos transplantes,
20:21falamos sobre óculos, falamos sobre telemedicina.
20:25Vamos imaginar, e eu acho que você tem talento para isso,
20:28que te foi dado a oportunidade de pensar grande no nosso país.
20:33Um plano que você colocasse algumas prioridades.
20:36três ações para a gente tomar como pontos decisivos
20:40para depois de quatro anos, Aline, quem sabe você vire ministra,
20:43e a gente pudesse mudar a realidade da saúde visual do Brasil.
20:49Eu acho que a gente precisa trabalhar no acesso à oftalmologia,
20:56e aí eu estou falando ao médico oftalmologista,
20:59mas sem dúvida nenhuma, Cláudio, vai precisar incorporação de tecnologias.
21:03Então, a gente sabe hoje que já existem softwares de inteligência artificial
21:09que podem melhorar, inclusive, a produtividade do atendimento.
21:17Então, acho que o acesso com inclusão de tecnologias
21:21é uma questão que precisaria ser revisitada.
21:25E acredito também que a gente teria que pensar em formas de atuar
21:33nas principais causas de baixa visão que a gente tem no país.
21:38Então, que é um pouco do que a gente já conversou,
21:41a questão de óculos.
21:42A gente sabe também que o óculos, no momento,
21:45ele não é fornecido pelo SUS,
21:47então, para algumas pessoas isso pode fazer diferença.
21:51Então, além de ter a prescrição, ter o acesso também ao tratamento.
21:55E as cirurgias de catarata, a gente vê iniciativas mais,
22:01acredito que até pontuais, de eventualmente mutirões,
22:05mas também precisaria ser algo mais incorporado ao dia a dia mesmo do SUS.
22:12Porque são patologias, são as principais causas de baixa divisão
22:17que a gente tem no país.
22:18Então, teria que estar coberto realmente para todo cidadão.
22:24E mais gente apta a operar a cirurgia de catarata,
22:26que será um problema com o aumento da expectativa de vida.
22:29Aliás, já é e será ainda maior.
22:32Agora, indo um pouquinho mais em termos de medicamentos
22:36que mudam a realidade, principalmente no tratamento das doenças da retina.
22:42Algo revolucionário, a gente tem visto aí não só novas drogas
22:46para evitar a progressão da degeneração macular,
22:49até implantes de transdutores,
22:53questões aí que podem fazer determinadas pessoas
22:55que não estão enxergando praticamente nada, voltar a enxergar.
22:58O que você tem a dizer sobre isso?
23:00Perspectiva boa de verdade?
23:02Cláudia, eu sou muito entusiasmada com esse desenvolvimento
23:06de tecnologias que a gente está vendo.
23:09Acho que, como você comentou,
23:13o que a gente está ouvindo falar do chip de retina,
23:16desses implantes que podem realmente melhorar a visão
23:19de alguém que é caracterizado como cego até,
23:24vieram para ficar...
23:27Ainda não fornecem uma visão como de uma pessoa normal.
23:35E está limitado para alguns casos.
23:37Tem que ter condições oculares também
23:40para que possa ser feito o implante.
23:45Mas eu acho que isso vai evoluir
23:47e acredito que a gente realmente vai ter cada vez mais oportunidades
23:53de oferecer reabilitação visual para as pessoas.
23:56Estou falando isso, mas está um pouco fora da nossa área.
24:00Então, a gente vê também
24:01o desenvolvimento de novas medicações
24:05para a degeneração macular relacionada à idade,
24:08que também é uma causa muito importante de baixa visual
24:11e até de cegueira.
24:13Então, com a expectativa de vida aumentando,
24:16a gente vê também o desenvolvimento de tecnologias
24:19para as doenças que são mais prevalentes também com a idade.
24:23Com a tua vivência, a tua experiência como alguém que atuou
24:25e atua em serviços públicos,
24:28o que é possível ensinar para um clínico geral
24:31e até onde ele pode ir
24:33para tratar alguma questão oftalmológica
24:36e onde isso passa a ser perigoso
24:38a ponto de afetar a qualidade e a segurança do paciente?
24:41Eu acho que a gente precisaria ter mais ensino oftalmológico
24:46nas faculdades de medicina de forma geral.
24:49Acho que dá muitas coisas que a gente poderia implantar,
24:53tanto para o clínico geral,
24:55talvez não para ele mesmo saber e tomar decisões,
24:59mas eu acho que em questão de ensino a gente poderia melhorar
25:03e em questão de tecnologias também.
25:06Então, talvez, por exemplo,
25:07estabelecer um sistema em que pacientes com diabetes
25:11possam fazer um registro do fundo de olho fotográfico
25:15e por telemedicina isso ser avaliado
25:17e já passar para o clínico a perspectiva do oftalmologista,
25:21de qual seria a conduta,
25:23se seria só uma reavaliação,
25:25ou se teria realmente que ser encaminhado para tratamento.
25:27Então, eu acho que tem os dois lados,
25:30tanto a gente pode melhorar o ensino,
25:32quanto a gente pode ajudar o clínico
25:34agregando tecnologia
25:36para ter um contato melhor com o oftalmologista.
25:39Aline, foi um prazer.
25:41Às vezes é difícil para a gente entrevistar alguém brilhante
25:43e a gente também tirar suas próprias dúvidas,
25:47embora quisesse participar respondendo.
25:50Então, quer dizer que fiquei muito feliz
25:51de receber você aqui no nosso Checkup.
25:54Eu que agradeço, Cláudia. Fiquei honrada.
25:56Checkup fica por aqui.
25:59Hoje nós recebemos doutora Aline Moriano.
26:02Ela que é médica oftalmologista e cirurgiã de olhos
26:05do Hospital Israelita Albertansi.
26:08Se você tem alguma dúvida, quer sugerir,
26:11quer escrever alguma coisa, por favor, registre.
26:14doutorcláudio.com.br
26:18No Checkup de hoje você viu
26:21quais as principais doenças de olho,
26:24como funciona a doação de córnea,
26:26quem pode ser doador de córnea.
26:29O uso de óculos e lentes para problemas de visão.
26:31CECAP Jovem Pan
26:38Condutor Cláudio Lotenberg
26:40A opinião dos nossos comentaristas
26:44não reflete necessariamente
26:46a opinião do Grupo Jovem Pan
26:48de Comunicação.
26:53Realização Jovem Pan News
26:55No Just著
26:57Oito
26:57Maricor
26:58Tony
26:58Co-viem Pan
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