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NotíciasTranscrição
00:00Quando cada minuto conta, quando cada ação pode salvar uma vida.
00:07Check-up hoje fala sobre ABC, derrame.
00:11Os episódios de ABC são relatados desde o segundo milênio antes de Cristo.
00:17O médico grego Hipócrates foi o primeiro a descrever o fenômeno como paralisia repentina,
00:23posteriormente associada à apoplexia, termo grego que significa violentamente atingido.
00:29Com o passar dos anos e o avanço da tecnologia, estudiosos começaram a avaliar as alterações fisiopatológicas
00:38observadas por médicos que as levaram a intervenções médicas.
00:42Johan Jacob Webfer, patologista suíço, identificou a causa do ABC hemorrágico
00:48quando sugeriu que pessoas que haviam morrido por apoplexia possuíam hemorragias em seus cérebros.
00:54O farmacologista ainda identificou as principais artérias que irrigam o cérebro
01:01e constatou a causa do ABC, sugerindo que poderia ser causado por um bloqueio nas artérias.
01:08Com reconhecimento e a crescente conscientização das teorias vasculares,
01:13o termo AVC passou a ser utilizado, enfim, em 1927.
01:17Popularmente chamado de derrame, o acidente vascular cerebral tem como principal característica
01:24a interrupção do fluxo de sangue para o cérebro, provocando então uma paralisia na área afetada.
01:32Além do enfraquecimento ou paralisação da face, braço e até perna de um lado do corpo,
01:38a doença também gera alterações na visão e dificuldade para se comunicar.
01:43No check-up de hoje, o doutor Cláudio Lutenberg recebe a professora e neurologista do Hospital Israelita Albert Einstein,
01:50Gisele Sampaio.
01:51Quais são as causas que o levam ao AVC?
01:54Diagnóstico, tratamento e fatores de risco.
01:57Tudo isso e muito mais, o check-up já está no ar.
02:05Check-up Jovem Pan, com o doutor Cláudio Lutenberg.
02:09Gisele, por que o AVC é tão perigoso?
02:14Bom, Cláudio, o AVC, as pessoas não têm essa noção, mas durante muito tempo, a epidemiologia
02:20dessa doença no país fala que ela é uma das principais causas de óbito, tendo em muitos
02:24anos sido a principal causa de óbito no país.
02:28Então, a gente falou muito de Covid, fala de infarto, mas o AVC tem essa característica
02:32de, além de matar muitos indivíduos, deixar muitos indivíduos incapacitados.
02:37Então, é uma doença frequente, grave e que incapacita.
02:41Por isso, é tão importante.
02:42E quais são os sintomas que as pessoas apresentam quando estão tendo um acidente vascular cerebral?
02:48Uma das coisas mais importantes em AVC, e você usou o nome derrame, né?
02:53A gente educar a população a respeito dos sinais e sintomas dessa doença.
02:57O nome leigo para o acidente vascular cerebral, o mais conhecido de fato é o derrame, e ele
03:02tem uma característica clínica muito interessante, que ele é súbito, é de uma hora para outra.
03:07O paciente está bem, no momento seguinte ele apresenta quais são os principais sintomas.
03:11Uma perda de força de um lado do corpo, uma dificuldade súbita para falar, uma dificuldade
03:16súbita para sentir um lado do corpo, pode haver problema de visão, principalmente no campo
03:22visual, uma dor de cabeça súbita também pode ser sinal de AVC, e isso deve levar um
03:28indivíduo de maneira rápida a um serviço que consiga tratar o acidente vascular cerebral.
03:32Quer dizer, em casa não tem muito o que fazer, exceto a identificação e a remoção rápida
03:37para um serviço que vá atender de maneira imediata.
03:41E o tempo, ele tem um impacto importante no desfecho?
03:44O tempo é fundamental, Cláudio.
03:46Em casa não há nada para fazer para um acidente vascular cerebral que acabou de acontecer.
03:50O indivíduo tem que acionar o sistema de saúde de maneira rápida, porque somente depois
03:55da realização de uma tomografia de crânio, a gente pode desencadear os tratamentos que
03:59podem salvar uma vida e evitar incapacidade.
04:03A gente tem, no acidente vascular cerebral, dois grandes tipos, o isquêmico e o hemorrágico.
04:08Quando a gente tem o isquêmico, que é a oclusão de uma artéria, a formação de um coágulo
04:12dentro de um vaso sanguíneo do cérebro, a gente tem a morte de mais ou menos 2 bilhões
04:18de neurônios por minuto.
04:20Então, o tempo conta e cada minuto pode fazer a diferença para a vida daquele paciente
04:24mais para frente.
04:25E quais são os fatores de risco para que as pessoas possam desenvolver o AVC?
04:30E o que fazer para evitar?
04:31Que, evidentemente, a gente tem uma tendência, lógico, sem o fator genético.
04:35O acidente vascular cerebral é evitável em até 80% dos casos.
04:40Então, se a gente conhecer fatores de risco, como hipertensão, diabetes, colesterol alto,
04:46sedentarismo e problemas cardiológicos, como as arritmias, a gente consegue evitar até
04:5280% dos casos.
04:53Então, conhecer os fatores de risco, tratar os fatores de risco é fundamental, porque,
04:58claro, a gente fala muito em reconhecimento, a gente fala muito em procurar rápido um serviço
05:02de saúde, mas o que vai mudar o ônus da doença no nosso país é evitar que aconteça.
05:07Então, a prevenção primária é fundamental, o tratar esses fatores de risco.
05:11E em relação às mulheres, uso de pílula anticoncepcional, que é uma curiosidade que
05:16muitas delas nos perguntam.
05:18E, infelizmente, a gente fez uma publicação agora, numa das principais revistas do mundo,
05:23a Lancet, revisando os fatores de risco para o acidente vascular cerebral na América Latina,
05:27Cláudio, e o Brasil está entre os países onde a incidência e a prevalência.
05:33Então, o número de novos casos e de casos existentes não está diminuindo.
05:37E a gente tem visto um aumento dessa incidência em indivíduos mais jovens.
05:41Então, em indivíduos mais jovens, além da hipertensão, do diabetes, do problema cardíaco,
05:46o uso da pílula anticoncepcional pode ser um fator contribuinte, sim, principalmente em mulheres
05:52que têm enxaqueca.
05:53Então, a associação enxaqueca, o uso de pílula anticoncepcional é muito grave.
05:57E se essa mulher tem fatores de risco.
06:00Então, se um indivíduo tem, a mulher tem hipertensão, tem história de enxaqueca,
06:04ela deve evitar o uso do anticoncepcional hormonal, porque ele pode triplicar o risco de eventos
06:10nessa paciente.
06:12Agora, a gente fala muito de AVC hemorrágico, AVC esquêmico.
06:17Como é que você diferencia o que é mais grave e o que é menos grave?
06:21O AVC esquêmico é o mais comum.
06:2380% dos casos, em todas as séries mundiais, são de casos de AVC, acidente vascular cerebral
06:29esquêmico, quando a gente tem a oclusão de uma artéria intracraniana.
06:3320% a 30% são hemorrágicos, quando extravasa sangue para dentro do cérebro.
06:37E esses casos são, infelizmente, são felizmente menos frequentes, mas infelizmente mais graves.
06:43São casos que muitas vezes requerem procedimentos cirúrgicos e que podem matar um indivíduo
06:48até no primeiro dia da ocorrência do evento.
06:50E a gente também ouve muito o mini-AVC, o famoso TIA, Transient Ischemic Attack.
06:57O que é isso?
06:58O TIA, o ataque isquêmico transitório, ele é um sinal de que aquele paciente está
07:03em grande risco de ter um acidente vascular cerebral isquêmico.
07:06Então, ele é um sintoma semelhante a um AVC.
07:08Então, quando o indivíduo tem uma paralisia do corpo, ou então uma perda de sensibilidade
07:12do lado do corpo súbita, e aquilo se reveste de maneira espontânea.
07:17Por que é tão importante?
07:18Porque nesse momento a gente tem a possibilidade de evitar que o acidente vascular cerebral aconteça.
07:24Infelizmente, muitos indivíduos não identificam o ataque isquêmico transitório como urgência,
07:28não procuram o hospital.
07:30Então, foi só um braço que ficou paralisado, eu dormi em cima do braço,
07:33e a gente perde a chance de detectar a causa, de tratar e evitar o AVC.
07:37A gente, neurologista, gosta de dizer que o IT, o ataque isquêmico transitório, ele é a angina do cérebro.
07:44Então, o vaso teve a oclusão, abriu espontaneamente, a gente tem a chance de tratar esse paciente.
07:50Entre 2019 e 2023, mais de 174 mil óbitos por AVC foram registrados aqui no Brasil.
08:01E de acordo com os dados do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde,
08:06a região do país mais afetada foi a Sudeste, com aproximadamente 40% dos casos, seguida do Nordeste.
08:14E a taxa de mortalidade da doença aumenta consideravelmente com a idade.
08:19E isso é refletido nos números do levantamento.
08:22A maior taxa foi encontrada em idosos, com 80 anos ou mais, com um número superior a 74 mil mortes,
08:31seguidos ainda pela faixa de 70 a 79 anos de idade.
08:35E de acordo com o estudo, é possível observar que a diferença no que diz respeito ao sexo dos pacientes é pequena.
08:42O número de óbitos no sexo masculino representa 51,3% dos casos, enquanto o feminino, 48,69%.
08:52Mapeamentos de características epidemiológicas são fundamentais para a criação e a adoção de estratégias
08:59que buscam reduzir a taxa de mortalidade no Brasil.
09:03Você foi uma das grandes patrocinadoras de um projeto chamado Mapa da Saúde,
09:09que mostrava a incidência do AVC em diferentes regiões do Brasil.
09:14Por que muda tanto estando dentro do mesmo país e provavelmente com uma característica epidemiológica que deveria ser a mesma?
09:21Bom, e você também foi. Você sabe que você está em todas as publicações da gente do Mapa,
09:25que foi um programa lindíssimo, onde a gente começou mapeando os AVCs na cidade de São Paulo.
09:32E isso deu para a gente um dado muito interessante de que o AVC é uma doença social.
09:37Durante oito anos nesse projeto feito só em São Paulo, a gente verificou que a incidência do AVC,
09:43ela estava caindo nos distritos com nível socioeconômico mais alto,
09:47mas ela continuava exatamente a mesma nos distritos socioeconômicos mais baixos.
09:52A gente usou aquele índice do IDH para avaliar isso.
09:55Isso nos deu uma visão muito clara de que a gente tinha que realmente procurar o sistema de saúde.
10:00Então, o AVC é uma doença que a gente não trata sozinho.
10:03Então, a gente precisa dos gestores de saúde identificando
10:06por que eu tenho um triplo de AVC na região periférica de São Paulo e não na região central.
10:12Então, depois disso, a gente expandiu esse projeto,
10:15fizemos um grande projeto em Fortaleza, mapeando os casos de acidente vascular cerebral no Nordeste,
10:20então uma cidade com características completamente diferentes de São Paulo.
10:24E verificamos dados contundentes de que naquela época não existiam unidades
10:29para tratar acidente vascular cerebral na cidade de Fortaleza.
10:32Uma frequência muito baixa de pacientes conseguia o tratamento,
10:37que a gente vai falar um pouquinho mais para frente,
10:38que existe para o acidente vascular cerebral isquêmico, menos de 1%.
10:42E o mais bonito desse projeto é que, além de entender essa conotação social do AVC,
10:47a gente conseguiu sair da ciência e passar para a implementação.
10:51Depois do nosso projeto em Fortaleza, Cláudio,
10:53o Fortaleza hoje é um exemplo para o tratamento do acidente vascular cerebral.
10:56Tem a maior unidade de AVC, uma das maiores unidades de AVC públicas no país,
11:01no Hospital Geral de Fortaleza,
11:03um sistema muito organizado de pré-hospitalar.
11:05Então, esse projeto devia ser espelho para outros, em outras doenças,
11:10para que a gente entenda as diferenças e consiga resolver e tratar o nosso paciente
11:14de maneira mais adequada.
11:16Você falou que pouco para fazer em casa ou quase nada.
11:19Suspeita de AVC entrou no hospital, plantonista atendeu.
11:23Qual é o protocolo? Ele medica, ele faz algum exame de imagem?
11:26Então, no AVC, a gente gosta de usar essa frase que o hospital tem que perder as paredes.
11:31Então, a gente não pode, se a gente começar a demorar para atender o paciente,
11:36o paciente não passar de um setor para o outro,
11:38esses dois bilhões de neurônios que morrem por minuto se vão.
11:43Então, o paciente chega, é rapidamente avaliado.
11:45A gente tem as métricas de qualidade hoje, por exemplo,
11:48hoje no AIS tem um tempo para um indivíduo ser visto,
11:51quando ele chega com sinais e sintomas de AVC,
11:53é de menos de 10 minutos pelo time de AVC.
11:55Então, a gente aciona, através de um BIP, a existência de um possível AVC.
12:00Existem escalas que identificam aí a possibilidade do AVC.
12:04Então, o neurologista avalia na fase aguda.
12:06Nos locais onde não há neurologista, a gente faz telemedicina.
12:09Hoje, no Einstein, a gente faz mais tromboles e tratamento de AVC por telemedicina do que em loco,
12:15tanto para as nossas unidades externas quanto para os hospitais públicos.
12:19A gente avalia que é um possível AVC, faz uma tomografia de crânio,
12:22identifica-se em um AVC isquêmico ou um AVC morrágico e já institui o tratamento da melhor forma possível.
12:29Entre o momento que o paciente fez a tomografia e entrou na porta e ele recebeu o tratamento,
12:36Cláudio, hoje a gente preconiza que se passe em menos de 45 minutos.
12:39É uma corrida contra o tempo.
12:40Quer dizer, é uma batalha em que o tempo faz toda a diferença.
12:44E você falou em trombólise.
12:45Qual a diferença entre trombólise, trombectomia e angioplastia?
12:50Então, assim como no coração, a gente tem algumas maneiras de tentar dissolver aquele coágulo
12:54que está ocluindo a artéria intracraniana e causando sintomas.
12:58A primeira delas é com remédio.
13:00Então, é rápido, está disponível, é incorporado no nosso sistema único de saúde,
13:04depois de uma grande luta de vários colegas aí das sociedades médicas.
13:09E a gente pode dissolver esse coágulo e o paciente sai bem.
13:12Mas, infelizmente, Cláudio, quando o coágulo é muito grande, o remédio não é suficiente.
13:17Então, a gente precisa fazer um procedimento que se chama trombectomia mecânica,
13:21que é ir lá fazer um cateterismo e tirar aquele coágulo que está ocluindo a artéria intracraniana.
13:27E essa é uma história muito interessante porque a gente não tinha esse procedimento do sistema único de saúde no Brasil.
13:32Quando a gente pleteou como sociedade que esse procedimento fosse incorporado pelo SUS,
13:38o Ministério da Saúde exigiu que nós fizéssemos um estudo clínico brasileiro
13:42comprovando o benefício da trombectomia no Brasil.
13:46E nós fizemos esse estudo, envolveu 20 centros no Brasil como um todo.
13:50Conseguimos publicar esse estudo no melhor jornal médico do mundo, que é o New England Journal of Medicine.
13:55E o próximo passo foi a incorporação desse procedimento no sistema único de saúde,
14:00que ainda está sendo lento, na nossa opinião.
14:02Então, esse estudo foi publicado, a publicação do New England foi de 2020.
14:05E a gente vem lutando muito para conseguir implementar esse tipo de procedimento,
14:10que pode salvar muitas vidas quando o coágulo é um coágulo maior.
14:14E a angioplastia, por fim, seria quando a gente precisa fazer uma espécie de procedimento
14:18para deixar um stent, que no AVC é muito mais raro.
14:21Então, no infarto a gente usa muito, mas no AVC, normalmente, a gente tira o coágulo
14:25e não precisa deixar a stent.
14:27E o que surgiu de mais recente na abordagem do paciente com AVC?
14:32E alguém que tem AVC uma vez pode voltar a ter?
14:35Então, AVC, eu sou suspeita para falar, porque sou pesquisadora nessa área,
14:39mas eu acho que foi uma das áreas que mais mudou, eu diria, nos últimos 5 a 10 anos.
14:43A gente teve essa incorporação da trombectomia.
14:46Inicialmente, a gente tinha, Cláudio, janelas terapêuticas muito curtas para tratar esses doentes.
14:52Hoje, utilizando neuroimagem avançada, a gente consegue ver qual é o tecido cerebral que está viável ainda.
14:58Se hoje chegar um paciente no Einstein, agora eu consigo ver a imagem dele no meu celular.
15:03Então, isso acelerou os processos de decisão.
15:07Vários hospitais públicos também têm essa possibilidade, por exemplo,
15:09no Hospital São Paulo, Escola Paulista de Medicina, eu também tenho acesso às imagens.
15:13Então, antes a gente tratava pacientes só até 6 horas,
15:16o paciente tinha que ter uma oclusão de um vaso na circulação anterior do cérebro.
15:20Hoje, a gente trata até 24 horas, com base nesses exames de imagem avançado.
15:26A gente trata outras artérias, como as artérias da circulação posterior.
15:30Isso realmente permitiu com que a gente tratasse muitos pacientes que antes não eram tratados.
15:35Um avanço recente, eu diria, nos últimos 2 anos, foi no tratamento do AVC hemorrágico,
15:39que ainda é uma doença extremamente grave e que não tem um tratamento tão bem definido,
15:43quanto no AVC isquêmico.
15:45Mas hoje, no AVC hemorrágico, a gente tem a definição de que procedimentos cirúrgicos
15:49minimamente invasivos, se feitos de maneira muito rápida,
15:53podem também mudar o prognóstico desses pacientes.
15:56E existem também bundles ou protocolos de atendimento para fazer coisas simples com o nosso doente do AVC hemorrágico,
16:02como tratar a pressão na fase aguda, tratar a glicemia, evitar que aquele paciente que está anticoagulado
16:09expanda aquele hematoma.
16:11Então, existe um estudo grande também, australiano, mas do qual o Brasil participou,
16:15randomizando os centros para esses bundles de atendimento.
16:18Então, fazer o que a gente já sabe que funciona, implementar, pode mudar o prognóstico do acidente vascular cerebral hemorrágico também.
16:24Como é a recuperação do paciente que teve AVC?
16:27A reabilitação, ela é sempre possível?
16:30Qual é o tempo que você pode imaginar que uma pessoa ainda pode se recuperar
16:35para, no fundo, ter as suas atividades, conseguir andar, mexer as mãos?
16:40Então, como a gente falou, o pior do AVC, às vezes, nem é o óbito, é a incapacidade.
16:46Então, o indivíduo que era totalmente funcional,
16:48num país como o nosso, muitas vezes era um indivíduo que sustentava a sua família
16:52e, além de não poder sustentar, uma pessoa precisa parar para cuidar daquele paciente que fica incapacitado.
16:58Então, a reabilitação é fundamental, ela pode ser feita para todos, pode e deve ser feita para todos os pacientes,
17:05desde o início.
17:06Então, na internação já faz diferença posicionar aquele paciente de maneira adequada,
17:11então, usar quando indicado o órteses, fazer uma programação de reabilitação de fala,
17:16quando aquele indivíduo tem problema de fala.
17:18E eu tenho um paciente que fala assim, que faz cinco anos que ele teve AVC e ele continua melhorando.
17:25Então, a gente nunca deve desistir.
17:27O processo de melhora, ele acontece mais rapidamente no primeiro ano.
17:31Então, depois que acontecer o AVC, dentro do primeiro ano,
17:34é onde a gente vai ver uma melhora progressiva mais importante,
17:38mas ela pode continuar acontecendo e a reabilitação faz parte dessa busca da melhora.
17:42Quer dizer, essa melhora é uma melhora que pode, claro, ser mais íntida nos primeiros dias,
17:47mas ela pode até em um ano apresentar sinais de progressão.
17:52Sim, do que é isso.
17:52E essa recuperação, ela não é feita só por médicos, né?
17:56Qual é a equipe que trabalha a recuperação do paciente que teve AVC?
18:00Então, acho que é por isso que eu gosto de trabalhar com AVC, porque AVC é um trabalho de time.
18:03Nunca, você nunca está sozinho.
18:05Então, desde o início, a equipe multiprofissional é fundamental.
18:10Os nossos protocolos de indicadores de qualidade no Einstein e no mundo todo
18:14requerem que esse paciente seja avaliado por fisioterapeutas, por fonoaudiólogos,
18:19para a gente saber se há problemas de disfagia e que podem levar à aspiração.
18:25Então, esses pacientes podem necessitar de outras terapias, como terapia ocupacional.
18:30A gente trabalha muito de perto com os médicos fisiatras para orquestrar essa reabilitação.
18:35Então, eles todos são super importantes e o trabalho é sempre um trabalho de time.
18:47Quando o paciente tem a suspeita de um assistente tascular cerebral,
18:50uma das coisas mais importantes é a realização da neuroimagem de maneira muito rápida.
18:54A gente tem que saber se, de fato, é um AVC, se é um AVC do tipo isquêmico ou hemorrágico.
18:59E é super importante também a mensuração dos tempos, né, Ana?
19:02Para a gente conseguir atender rapidamente esse paciente.
19:05Exatamente. E o tempo é primordial no tratamento do paciente.
19:09O tempo ideal é de 25 minutos entre a chegada do paciente e a realização da imagem.
19:13E isso vai impactar no desfecho e na melhora dele.
19:16Nós usamos imagens de tomografia e ressonância magnética para detectar o AVC e também quantificá-lo,
19:26detectando hemorragia e parâmetros de perfusão que vão auxiliar na conduta.
19:30Usamos também algoritmo de inteligência artificial para detecção e quantificação automática desse AVC,
19:36auxiliando assim na tomada de decisão clínica.
19:38Nossa equipe de neurohospitalistas funciona 24 horas, 7 dias por semana.
19:49E nós atendemos presencialmente os pacientes que dão entrada pelo pronto-atendimento do Morumbi.
19:54E, através da telemedicina, a gente consegue dar esse mesmo suporte para os pacientes das unidades satélites
20:01e dos hospitais públicos, dos quais a gente é encarregado,
20:06mantendo o atendimento do AVC com o tempo, janelas adequadas e dando esse suporte imediatamente
20:13e encurtando o tempo entre a chegada do paciente e o início do tratamento.
20:24Quando o paciente chega e o coágulo não é dissolvido por uma medicação,
20:29a gente tem a possibilidade de tratar esse paciente com uma terapia que a gente chama trombectomia mecânica.
20:35Então, a gente consegue sacar o coágulo dentro de uma mesa de hemodinâmica
20:39e é muito importante, assim como na medicação, que isso seja feito de maneira muito rápido.
20:43E para garantir essa agilidade, a gente tem o código AVC,
20:46um código sonoro que alerta todas as unidades do hospital,
20:50trazendo o paciente com mais rapidez para o procedimento.
20:53O protocolo AVC completa agora em outubro 21 anos
20:59e desde a sua criação, ele foi pensado para garantir a segurança,
21:03o melhor tratamento e o melhor desfecho para o paciente.
21:06Os pacientes que são hipertensos, usuários de álcool,
21:13algo que acrescente e aumente o risco disto, também ao lado da obesidade?
21:18Então, o uso de álcool é um dos fatores de risco,
21:21tanto para o acidente vascular cerebral isquêmico, quanto para o hemorrágico,
21:25principalmente, se em grande quantidade.
21:27E a hipertensão, Cláudio, é o grande vilão.
21:29Então, a hipertensão, só para a gente pensar num dado,
21:3250% das pessoas que têm hipertensão não sabem que têm hipertensão.
21:37E 50% das pessoas que sabem que têm hipertensão não estão bem controladas da sua hipertensão.
21:43Então, isso é um gargalo enorme, ele é o principal fator de risco para o AVC,
21:48está lá na primeira linha dos estudos epidemiológicos.
21:50Então, a associação de fatores de risco é importante também.
21:54Quando o indivíduo tem um ou dois, o aumento não é linear, ele é exponencial.
21:58Então, a gente tem que cuidar de todos.
22:00Quer dizer que as pessoas que têm doenças sistêmicas e, particularmente, hipertensão,
22:05seria o ponto focal no sentido de você trabalhar e evitar uma verdadeira epidemia de AVC,
22:12tem que ser de cerca de 400 mil casos por ano.
22:14400 mil casos por ano, é isso.
22:17Gisele, o nosso programa tem uma sessão chamada Mitos e Verdades.
22:22Eu pergunto e você responde telegraficamente.
22:26Ok? Vamos lá?
22:27Vamos lá.
22:29Mitos e Verdades
22:31Terapias alternativas, elas podem substituir a reabilitação convencional?
22:38Mito ou verdade?
22:39Mito.
22:40Na realidade, o que vale é a reabilitação?
22:43É isso.
22:43Quem teve AVC deve evitar esforço físico?
22:46Mito também.
22:47Quem teve AVC deve fazer esforço físico orientado, obviamente.
22:51Agora, mais uma.
22:54Neuroplasticidade permite avanços na recuperação?
22:56Verdade.
22:57A neuroplasticidade existe e é por isso que os pacientes melhoram.
23:01E o AVC, ele pode causar sequelas que são invisíveis?
23:04Podem, principalmente do ponto de vista cognitivo.
23:07Então, essa é uma verdade.
23:08São as sequelas que a gente não valoriza, não são motoras,
23:12mas que a gente precisa ir atrás.
23:13Gisele, é um prazer.
23:16Nós ouvirmos, primeiro, uma pessoa muito capacitada num tema tão importante e de relevo dentro
23:24da perspectiva de uma saúde de qualidade para o nosso país.
23:27Eu queria agradecer muito pela tua participação.
23:29Eu que agradeço.
23:30Check-up hoje trouxe Gisele Sampaio.
23:34Falamos a respeito do acidente vascular cerebral, algo que tem uma implicação importante no dia
23:40a dia com forte correlação para as questões de hipertensão, principalmente.
23:46Saber tratar, saber prevenir e, sobretudo, agir no tempo adequado.
23:51Isso pode ter um impacto muito grande para você em termos de saúde pública.
23:57Check-up fica por aqui.
23:59Nós voltamos na semana que vem com um tema também de interesse de todos vocês.
24:06Para você que tem alguma dúvida, tem alguma sugestão ou quer simplesmente comentar,
24:12por favor, escreva para drclaudio.com.br.
24:19E no check-up de hoje você viu por que o AVC é tão perigoso, como os sintomas se manifestam,
24:27quais são os fatores de risco e qual a diferença entre AVC isquêmico e hemorrágico.
24:33A importância de chegar o quanto antes no atendimento especializado após os primeiros sinais,
24:39o risco do uso de pílula anticoncepcional e o avanço nos tratamentos graças à evolução da tecnologia e da medicina.
24:48Até o próximo check-up.
24:49A opinião dos nossos comentaristas não reflete necessariamente a opinião do Grupo Jovem Pan de Comunicação.
25:12Realização Jovem Pan
25:142 minutos
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