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#JovemPan

Categoria

Pessoas
Transcrição
00:00Você faz dieta e perde peso. Para e ganha tudo de novo.
00:04Aí você fica mal e começa uma nova dieta.
00:07Aí perde e ganha, perde e ganha.
00:09E esse comportamento cíclico é que não faz nada bem para a sua saúde.
00:14É o chamado efeito sanfona, que é o nosso assunto de hoje no Viva Bem.
00:25Jovem Pan Viva Bem, com Márcio Atala.
00:28Para falar sobre esse assunto, sobre o mal que o efeito sanfona pode proporcionar para a gente,
00:34eu tenho o prazer de receber o endocrinologista doutor Cristiano Barcelos.
00:39Obrigado pela sua presença.
00:41Eu que agradeço o convite, Márcio.
00:43Bom, vamos lá. Muitas pessoas, né, durante... Desde que eu nasci.
00:50Desde que eu nasci, eu vejo elas faz dieta, perde peso e ganha peso.
00:56Tem um casamento, faz dieta, faz exercício, reganha peso.
01:03Mais recentemente, alguns tratamentos, né?
01:07Então a pessoa acaba tomando medicamento, baixa o peso, ganha peso.
01:12Qual o problema para a nossa saúde do efeito sanfona?
01:16Puxa vida, Márcio. Essa pergunta é muito importante, né?
01:19Na verdade, essa ciclicidade do peso, Márcio, que a gente chama de efeito sanfona,
01:25tem uns que chamam de efeito ioiô, é uma característica de defesa do nosso corpo.
01:31Vamos lá, vamos explicar melhor para todo mundo entender bem, né?
01:35Quando a gente ganha peso e atinge um máximo de peso, por exemplo, na vida da gente,
01:40vou dar exemplo aqui, a pessoa pesava 70 quilos, ela passa a pesar 95 quilos.
01:46Um homem, por exemplo, de meia idade.
01:49Ele vai perder o peso, porque aquilo não faz bem a saúde para ele.
01:54E à medida que ele vai emagrecendo, o nosso corpo, especificamente o nosso cérebro,
02:00o nosso hipotálamo, né?
02:02Ele vai fazer um esforço danado, Márcio, para fazer a gente reganhar esse peso.
02:07Tem um set point, como a gente fala, que vai propiciar um reganho desse peso,
02:13aumentando muito a fome.
02:15É isso mesmo, à medida que a gente perde peso, aumenta a fome.
02:19E a gente também, sem querer, é um mecanismo involuntário do nosso corpo autônomo,
02:26faz com que a gente queime menos calorias ao longo do dia.
02:30E é por isso que existe essa tendência do reganho de peso.
02:33Bom, colocado isso como um processo natural, e a gente sabe que a obesidade, o sobrepeso,
02:40fazem muito mal à saúde, levam até doenças oncológicas, além de doenças cardiovasculares,
02:46dentre outras, as pessoas começam a fazer o tratamento para a obesidade.
02:52E você viu que eu não falei emagrecer.
02:54Vai fazer tratamento para a obesidade.
02:56Porque o tratamento para a obesidade, ele inclui a perda e o não reganho desse peso.
03:02Ou seja, esse peso perdido, ele precisa ser mantido, e por isso o tratamento precisa ser mantido.
03:08A obesidade é uma doença crônica, como a gente fala.
03:11Ela ainda não tem uma cura.
03:13Ela é recidivante.
03:15Entendi.
03:15O problema de saúde associado a isso, é que a obesidade é inflamatória.
03:21Para todo mundo entender bem, porque a gente acha que inflamação causa dor.
03:26E sim, causa.
03:27Mas no caso da obesidade, é uma inflamação que a gente não vê e a gente não sente,
03:32mas que causa vários estúdios no nosso corpo, especificamente entupimento das artérias,
03:39doenças cardiovasculares, até alguns tipos de câncer, por exemplo.
03:43E quando a gente tem essa perda para o tratamento, como você falou, e reganha o peso,
03:50aumenta até esse processo inflamatório.
03:53Sem falar que quando a gente emagrece, a gente não perde só gordura.
03:56A pessoa vai perder também um músculo, um melho de massa óssea.
04:00E quando ela reganha o peso, esse músculo que ela até reganha um pouquinho,
04:06vai estar com muito mais gordura dentro dele.
04:08É a miosteatose.
04:09E pode até ser, alguns estudos estão sugerindo, que a gente não ganhe massa óssea
04:14quando a gente reganha o peso.
04:17E se você vai emagrecer outra vez, você vai ter esse processo de novo
04:21e vai ficando com músculo de cada vez menos qualidade.
04:24Pior qualidade.
04:25E a parte óssea também pode ficar bem prejudicada.
04:29Tá.
04:29Eu quero explorar dentro dessa sua resposta duas situações, né?
04:33Pegar uma situação bem comum de ex-atleta.
04:36O cara ali dos 12 até os 40 anos fez muita atividade física, se alimentou bem.
04:45Isso também, para quem não é atleta e que teve ali uma infância ativa,
04:51uma adolescência na faculdade, mas aí entrou na vida profissional.
04:55Quer dizer, ele passou ali 25, 30 anos magro, com peso bacana, fazendo atividade física,
05:03com estilo ok.
05:05E aí, por uma demanda profissional, ou o inverso, no caso do atleta, né,
05:10que não é mais obrigado a fazer atividade física, controlar a alimentação,
05:14ele acaba num período de dois, três anos ganhando 10 quilos.
05:17E aí, essa pessoa, ela resolve que, poxa, eu preciso fazer alguma coisa.
05:26Eu entendi que você falou que a gente tem um set point, que o corpo regula ali um peso,
05:32mas, pô, num cara de 40 anos, que durante 35 teve um peso normal,
05:37ele meio que sabe o caminho das pedras ali para voltar.
05:42E aí, a gente tem duas situações, e é essa que eu quero explorar.
05:47O cara vai cuidar desse excesso de peso, da obesidade, sem medicamento, com estilo de vida.
05:56Então, ele vai, peria, né, fazer atividade física e cuidar da alimentação.
06:03O que a gente vê é que, por uma crença que 80% é alimentação e só 20% é atividade física,
06:13e como é mais fácil restringir a alimentação, é mais fácil restringir 700 calorias, mil calorias,
06:19do que gastar mil calorias.
06:21Gastar mil calorias, eu vou cansar, vai ficar doído.
06:25As pessoas partem para uma manobra de restrição alimentar,
06:29é grande, num curto espaço, que leva a essa perda de peso.
06:35Isso é um convite para o reganho?
06:37Talvez a estratégia para cuidar da obesidade tenha sido equivocada,
06:43porque ignorou a atividade física e porque teve uma grande variação no consumo de caloria?
06:49Então, Márcio, o que a gente hoje tem com base científica
06:53é que, quando nós estamos na fase de perda de peso,
06:59que seria a primeira fase do tratamento da obesidade,
07:03vamos lá, em 4, 6 meses, esse ex-atleta dos 10 quilos,
07:08ele conseguiu perder os 10 quilos dele.
07:10A gente sabe, para perder peso,
07:13a restrição calórica, ela manda mais do que exercício físico.
07:19Só que, como eu falei, emagrecer é diferente de tratar obesidade, entendeu?
07:24Porque se ele leva 4 meses para perder os 10 quilos,
07:28ele vai ter que passar a vida inteira dele mantendo uma forma de tratamento
07:33para a manutenção desse peso.
07:34E aí que está o X da questão, e vou entrar no que você falou.
07:38Gente, a manutenção de peso, ela depende quase que essencialmente do exercício,
07:44se a gente comparar com a dieta.
07:46Por quê? Os estudos, Márcio, têm mostrado que essas dietas que restringem muito caloria
07:52ou restringem algum macronutriente, como carboidrato, por exemplo,
07:57ou restringem o tempo de consumo alimentar, como popular jejum intermitente,
08:02essas dietas, na verdade, eu vou abrir um parênteses aqui,
08:05elas levam à perda de peso, não porque você restringiu horário ou carboidrato,
08:09é porque você come menos caloria.
08:12É por isso, né? Elas emagrecem, mas a explicação é que você não tem nenhuma mágica,
08:18é isso que eu quero dizer.
08:19Acontece que você restringiu alguma coisa do ser humano, os estudos mostram o quê?
08:24Estudos.
08:25Depois de um ano, ninguém está mais seguindo essas dietas.
08:28E eu acho que esses estudos são até muito bonzinhos,
08:31porque na minha experiência, agora é experiência de consultório,
08:34é um número bem menor de pessoas do que os estudos clínicos.
08:37Depois de três meses, a pessoa não segue.
08:40E o paciente, mesmo quando avisado e bem orientado pelo médico,
08:44ele ainda tem aquela ideia de que, poxa, eu perdi os 10 quilos como esse atleta,
08:49agora eu dei a bandeirada do final e agora eu posso comer o que eu quiser e fazer o que eu quiser.
08:55Não, porque como a gente já conversou aqui agora,
08:58a obesidade é crônica, né?
09:00É uma coisa recidivante.
09:02Então, o exercício tem que ser feito obrigatoriamente,
09:06senão o reganho de peso é regra.
09:09Por isso que eu sempre falo para uma pessoa que está, sei lá, 8, 10 quilos acima e quer perder,
09:15para ele não ter essa pressa.
09:18Para ele optar por aquela alimentação,
09:20que ele vai conseguir seguir como estilo de vida.
09:23Para ele incorporar um movimento,
09:25que ele vai conseguir manter de uma maneira sustentável na vida.
09:29Porque é para a vida.
09:31Eu não, não existe método que você vai fazer 3 meses,
09:36parar e garantiu isso por causa da vida.
09:39Você vai voltar a ganhar.
09:40Isso é, isso é, isso é, é correto esse pensamento?
09:43Na hora de eu optar, nesse momento,
09:46em vez de uma estratégia igual você falou,
09:48ah, vou comer só durante 6 horas por dia.
09:50Pô, mas isso eu não vou conseguir manter na minha vida.
09:53Mesmo que o processo seja bem mais lento,
09:56é melhor eu optar por uma coisa que é sustentável?
09:58Não só é melhor, como é confirmado cientificamente
10:04e é o posicionamento atual da Associação Brasileira
10:07por Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica,
10:10que é a ABES, o Departamento de Nutrição dessa sociedade,
10:13que é daqui do Brasil, em 2022,
10:16publicou uma cartilha para todos os médicos,
10:19nutricionistas, profissionais da saúde, enfim.
10:21E assim, vários tipos de dieta foram analisados.
10:25Aqui, realmente, com todas as deficiências que tem,
10:30porque muita gente acaba parando de seguir, como eu falei,
10:32mas a que dura mais tempo e a que tem mais chance até de dar certo
10:36é a restrição calórica, é a low calorie diet.
10:40Você restringe, como você falou, 500 a 750 quilocaloria só,
10:45porque a pessoa não vai ficar, entre aspas,
10:48morta de um homem, não vai ficar com aquele desejo de comer.
10:52Você vê, às vezes, pacientes com o que eu converso, né?
10:54Dando exemplo, eu acho que é muito importante,
10:57porque ilustra mais a situação.
10:59Pessoas que perderam 8 quilos em menos de um mês,
11:03restringindo tudo que é caloria,
11:05mas você vê que a pessoa, além de correr o risco de ficar doente,
11:08essa pessoa, ela fica com um déficit energético tão grande,
11:12o corpo sente isso.
11:13E se defende, né?
11:14A pessoa depois vai, é igual o cara que vem da guerra,
11:17é igual o Tom Hanks naquele filme do Náufra,
11:19quando ele vê a comida ali, a pessoa quer comer tudo e mais um pouco.
11:23Ela fala, doutor, eu comi duas caixas de bombom,
11:26que eu sou louca por chocolate e tal.
11:29Então, assim, isso tem tempo, tem prazo de validade.
11:33Tem que ter uma coisa regrada e, de preferência,
11:36com os hábitos que aquele indivíduo já tem, né?
11:40Por isso que tem um nutricionista para adequar esse cardápio
11:43para aquela pessoa, a dieta que serve para você,
11:47não necessariamente vai servir para mim.
11:49O profissional vai te colocar na estrada certa.
11:51Bom, e esse é um tema que está cheio de mito e verdade.
11:56E será que é melhor você comer um chocolate
12:00ou a melancia para evitar o pico da glicemia?
12:04Bom, se a gente vai saber no nosso mito e verdade,
12:07o que as pessoas acham na rua.
12:12É mito ou verdade?
12:16E aí, Márcio, bora desvendar o mito ou verdade de hoje?
12:19Melancia ou chocolate?
12:21O que é melhor para evitar o pico de glicemia?
12:23Bora para as ruas ver o pessoal, Chajilça.
12:25Melancia.
12:26Chocolate deve ter muito açúcar perto da melancia, né?
12:29Para evitar o chocolate, a melancia é bem melhor.
12:31Ah, eu acho que é a melancia, né? Por quê? Mais saudável.
12:34Ah, uma melancia, né?
12:36Por que você acha isso?
12:37Ah, é mais saudável, né?
12:39Melancia, tem frutose.
12:40Maria responde chocolate que associa direto com açúcar, né?
12:42Sim, e a gordura saturada que muitas vezes vem, né?
12:46Por conta dos produtos industrializados,
12:48acabam prejudicando um pouco a saúde das pessoas.
12:51Obrigada, Júlio.
12:51Tchau, tchau.
12:52Tchau, tchau.
12:52É verdade, por incrível que pareça, é verdade.
12:57Se você comer um chocolatinho, você vai ter um pico glicêmico menor do que se comer,
13:01por exemplo, a melancia.
13:03Mas isso não significa que é melhor ou pior, né, Cristiano?
13:07Sem dúvida nenhuma.
13:09Claro que se a gente pensar numa pessoa que tem diabetes, por exemplo,
13:14o índice glicêmico faz diferença.
13:16Porque aquela pessoa não vai ter, pelo pâncreas dela, Marcio,
13:19uma produção de um hormônio chamado insulina
13:22para conseguir tirar esse excesso de glicemia, né?
13:26De açúcar e do sangue.
13:28Agora, para o resto das pessoas, as pessoas que não têm diabetes,
13:32isso não vai mudar nada.
13:35É, eu fico pensando assim, né?
13:38Década de 80, por exemplo,
13:40diabetes, quando você falava que uma pessoa era diabética,
13:44era quase que uma exceção.
13:45As pessoas eram fisicamente ativas pelo simples fato
13:50que a gente tinha tão pouca tecnologia
13:52que as pessoas atingiam 10, 12 mil passos
13:56simplesmente pelo meio ambiente que a gente vivia.
14:00Hoje, quando a gente fala assim,
14:03diabetes, pré-diabetes,
14:05se eu colocar pré-diabetes no pacote de diabetes,
14:09eu acho que a gente deve ter mais de 20 milhões de brasileiros.
14:12Estou dando um chute aqui.
14:14Que não atinge o mínimo de movimento recomendado pela MS,
14:1875% da população brasileira.
14:22Como que funciona falar dessa questão da glicemia
14:27quando você tem 75% da população sedentária?
14:33O sedentarismo é uma doença, né?
14:35Só ilustrar uma coisa para quem não sabe,
14:37o médico, quando ele preenche algum documento,
14:40ele tem lá o CID, o Código Internacional da Doença.
14:42E para quem não sabe, o sedentarismo tem CID.
14:46Portanto, é uma doença e causa muitas outras doenças,
14:50inclusive o aumento da glicose, o diabetes, o pré-diabetes.
14:54E, Márcio, você acertou os 20 milhões,
14:57mas só de pessoas com diabetes.
14:59Só com diabetes.
15:00Lembrando que 90% dessas pessoas têm o diabetes tipo 2.
15:05Seria 18 milhões, aí, aproximadamente,
15:08é uma estimativa que está ligada à obesidade, ao sobrepeso.
15:12Para você ter uma ideia, e para quem está acompanhando,
15:1690% até das pessoas que têm o diabetes tipo 2
15:19estão acima do peso.
15:2190% das pessoas que têm diabetes tipo 2 estão acima do peso.
15:26E tem fatores genéticos que levam ao diabetes,
15:29mas quando a gente tira a genética de fora
15:32e coloca outros fatores de risco
15:34para levar alguém a ter diabetes,
15:37a obesidade acaba sendo o grande,
15:39talvez o maior dos fatores de risco.
15:42E a obesidade e o diabetes tipo 2,
15:45ambas estão bem associadas,
15:46a gente até chama isso de diabetes,
15:49tanta intimidade que uma doença tem com a outra,
15:52e o sedentarismo é um fator de risco importantíssimo
15:55para ambas.
15:57A gente tem ali um dado de que
16:00as pessoas que têm sedentarismo,
16:02elas têm 52% mais chance de desenvolver obesidade.
16:08Agora, para não confundir as coisas,
16:10quem tem sedentarismo é quem tem uma vida ativa,
16:14dorme pior, portanto, tende a ganhar mais peso,
16:17tá?
16:18Fica um sono, faz piores escolhas para se alimentar.
16:22Quer dizer, tudo isso culminando,
16:25trabalhando para gerar obesidade,
16:27e claro, uma pitadinha de fator genético ali na pessoa com obesidade,
16:32ela vai ter o diabetes tipo 2.
16:34E no meio do caminho tem o pré-diabetes.
16:37Você sabe quantas pessoas no Brasil convivem com pré-diabetes?
16:41Vou dar um chute,
16:42se tem 20 milhões de diabéticos,
16:44eu diria que deve ter uns 15 milhões de pré-diabéticos.
16:4640 milhões de pessoas com pré-diabetes,
16:51e o pré-diabetes pode causar sequelas e doenças,
16:55complicações já do próprio diabetes.
16:58Por isso, talvez o termo mais adequado para o pré-diabetes
17:02seja diabetes inicial,
17:03porque as pessoas acham que ter pré-doença não precisa tratar.
17:07E o pré-diabetes pode, inclusive, aumentar o risco cardiovascular.
17:11A pessoa pode ter um infarto mais facilmente
17:13só por ter o pré-diabetes.
17:15E você sabe quantas pessoas,
17:16esse é um dado mundial, não é brasileiro,
17:19quantas pessoas no mundo que tem o pré-diabetes
17:22sabem que tem o pré-diabetes?
17:2510%.
17:2610%.
17:27Uma em cada 10.
17:28Uma em cada 10.
17:29É impressionante a falta de realização de exames,
17:34a comunicação, ela está ruim.
17:36Nós temos que melhorar muito esse cenário.
17:39É, a questão da atividade física, né?
17:42Muita gente pensa assim,
17:43ah, é só para eu ficar magro.
17:45E não.
17:45O sedentarismo, ele vai ser fator de risco para muitas doenças.
17:50Por isso, chegou a hora do nosso Saia do Sofá,
17:52que com certeza a Joana vai ter alguma dica bacana aí
17:56para a gente ajudar nesse controle da glicemia.
17:59Saia do sofá para baixar a sua glicemia após almoço, após refeição.
18:11Coisas bem simples você pode fazer para diminuir o pico de glicemia que você tem
18:16após uma refeição.
18:17Na verdade, esse pico, ele depende muito, ele varia muito de pessoa para pessoa.
18:21Nem sempre é um pico, ah, entendeu?
18:23É uma subidinha.
18:24Mas ok, se a gente pode fazer alguma coisa para dar uma diminuída nisso, por que não?
18:28E uma caminhada já resolve.
18:30De 5 a 10 minutos já ajuda muito.
18:33Vamos imaginar que você almoça no seu ambiente de trabalho.
18:37Então tem um refeitório, você almoçou,
18:38depois você volta para o local de trabalho e você nem sai para caminhar.
18:41E aí, como é que resolve essa história?
18:44Existe uma outra forma de você fazer isso sim.
18:47Fazer esse pico de glicose, dá uma diminuída.
18:51E isso são o quê?
18:52Exercícios de contração muscular para panturrilha.
18:55E você pode fazer sentado, se você quiser, sentadinho aqui.
18:58Eu só vou levantar e subir os meus pés.
19:02Eu posso fazer com o pé de cada vez, posso fazer com os dois pés juntos.
19:06E fazer essa brincadeira aí entre 5 e 10 minutos aqui, batendo papo e tal, tomando já
19:11meu cafezinho.
19:12E ó, estou mexendo o pé.
19:14Estou mexendo um, estou mexendo o outro, estou tomando meu cafezinho.
19:16E por que isso acontece?
19:19Porque a contração muscular, ela estimula que esse receptor de açúcar que fica ali
19:25no nosso sangue, ele pegue esse açúcar e leve para dentro do músculo, sem depender
19:31tanto da insulina, por exemplo.
19:32Então você faz o trabalho que talvez o pâncreas precisasse fazer, liberando a insulina para tirar
19:37o açúcar da corrente sanguínea.
19:39A contração muscular, ela faz isso.
19:40E aí se você estiver batendo um papinho em pé no seu escritório, melhor ainda, porque
19:46aí você vai fazer o exercício da panturrilha em pé.
19:49Dá mais pressão ainda na sua panturrilha, a contração muscular é mais ainda, é mais
19:55forte ainda e você pode fazer um pé de cada vez, de novo, ou você pode fazer os dois
20:00juntos.
20:01Não é maravilhoso?
20:03É isso.
20:03Saia do sofá, vai ficando por aqui.
20:05É com você, Marcia Tala.
20:06Bom, a atividade física, sem dúvida nenhuma, ela pode ajudar muito nesse controle ali
20:12da glicemia.
20:13Só que a gente gosta muito de terceirizar a nossa saúde, né?
20:18Se eu puder terceirizar alguma tarefa, eu vou terceirizar.
20:22E agora, a pessoa quer emagrecer, precisa emagrecer, ela fala assim, cara, para que eu vou
20:29fazer exercício se eu posso fazer o uso de um medicamento que vai restringir o meu consumo
20:36de calorias em 30%, 50% e eu não vou precisar transpirar.
20:42E aí?
20:43A pessoa, ela acaba optando pelo que ela acha que é mais fácil, mais rápido e a gente
20:51sabe que não é o melhor para a saúde, né?
20:54Porque, pensando no contexto da perda, da manutenção do peso, é óbvio que está usando
21:01medicamento, se bem indicado, uma pessoa que tem realmente obesidade e não está com
21:07a dieta, o exercício conseguindo resolver esse problema, Márcio, o medicamento, ele
21:12pode ser indicado.
21:13A questão é, existe um tripé ali, né?
21:18E todos são importantes.
21:21É a dieta, o exercício e o remédio.
21:24Se faltar um dos três, cai.
21:27Essa pessoa não vai ter êxito, seja para perder ou até para a manutenção desse peso.
21:33E quando não se faz exercício, primeiro ponto, a pessoa restringe caloria, está comendo
21:39menos por causa do remédio, ela vai perder bastante peso, mas ela não perde só gordura,
21:45a gente já falou isso, ela vai perder muita massa magra, massa óssea, massa muscular e
21:50ela pode vir a desenvolver um problema chamado sarcopenia, que é a falta de massa muscular,
21:58a falta de força muscular.
21:59Tem a osteoporose também, né?
22:01Pode, embora a sarcopenia seja muito associada à população mais idosa, isso pode
22:09acontecer também numa camada de faixa etária mais jovem, né?
22:14E eu te fiz essa pergunta porque a gente está falando de efeito sanfona.
22:17E hoje é um clássico de todos os estudos em relação a esses medicamentos que vieram
22:22agora de última geração para auxiliar no tratamento da obesidade, que quando essas
22:27pessoas interrompem o uso do medicamento, um ano após, 100% tiveram o reganho de peso.
22:34Quer dizer, parece que só fazer o uso do medicamento e interromper é como você entrar num projeto
22:41de atividade física, alimentação e abandonar tudo e começar a comer mais e ser sedentário.
22:46Você vai reganhar.
22:47É isso mesmo?
22:49Existe esse reganho de peso por parte de quem faz o uso e para de tomar?
22:54Exatamente o que acontece, visto que a obesidade, ela não tem cura, ela é recidivante.
23:01A gente vê isso com muita gente que faz cirurgia bariátrica, chega a perder 40, 60 quilos
23:07e depois de alguns anos tendem a ter um reganho de peso.
23:11Demora mais do que um ano, no caso da bariátrica, é claro.
23:15Mas essas pessoas podem e reganham até um pouco de peso, sendo que algumas, Márcio,
23:21reganham totalmente o peso que elas tinham antes da cirurgia ou ficam com um peso até
23:25maior, tá?
23:27Então, assim, todo tratamento para doença crônica, como obesidade, como diabetes, como
23:34epilepsia, hipertensão, essência cardíaca, você não interrompe, você não suspende o
23:40tratamento, né?
23:41Tem muita gente, eu sei, até pode ser o motivo da sua pergunta, que se automedica com esse
23:48tipo de remédio, né?
23:51O que está completamente errado, visto que todo remédio, por mais seguro que seja comparado
23:56aos outros, pode levar e tende a levar efeitos colaterais.
24:00Essas pessoas podem passar muito mal em função disso, mas não é só isso.
24:05Essas pessoas, elas não vão saber manejar o controle da obesidade.
24:09É como se você comprasse um helicóptero, mas não tivesse um piloto para pilotar.
24:15Você sabe pilotar?
24:16Não.
24:16Você precisa de um piloto.
24:18Então, assim, a pessoa precisa de uma equipe multiprofissional de saúde, de preferência,
24:24com o médico, com o nutricionista, com o professor de educação física, com o psicólogo.
24:29Eu sei que isso é o mundo ideal, mas seria realmente o melhor para aquela pessoa ter as orientações
24:35quanto à dieta, exercício, uso da medicação, que, em tese, tende a ser para a vida inteira também.
24:43É, e é interessante isso que você colocou, né?
24:46Porque a obesidade é uma doença crônica, como o doutor Cristiano falou.
24:52Então, você precisa tratar aí por, enfim, a vida inteira.
24:57A questão do estilo de vida, ela é muito interessante.
25:00Porque o estilo de vida, quando a gente fala de ter uma melhor alimentação,
25:04de fazer uma atividade física regular, de cuidar do seu sono,
25:09obviamente você tem um impacto no tratamento da obesidade.
25:12Mas você vai ter um impacto em várias outras áreas da vida, né?
25:16Quando você é uma pessoa fisicamente ativa, você tem benefícios na sua saúde emocional,
25:20na sua saúde cognitiva.
25:22Quando você dorme melhor, você também colhe enormes benefícios em outras áreas da vida.
25:27Quando você tem uma alimentação com muito mais nutrientes, menos calorias, mais fibras.
25:31Então, assim, investir no estilo de vida é uma boa?
25:35É uma boa, não. É uma ótima opção, tá, Márcio?
25:39Só pra complementar algumas coisas, hoje a gente vê no exercício um adjuvante potentíssimo
25:46até pra tratamento de câncer.
25:50Claro, se a pessoa fez aquele tratamento de quimioterapia hoje,
25:54ela tá meio enjoada, tá indisposta, não vai treinar hoje.
25:57Mas amanhã já pode treinar, ela vai fazer a químio daqui a uma semana, duas de novo.
26:02O treinamento ajuda a prevenir várias doenças, inclusive essas doenças oncológicas,
26:08e é um auxiliar no tratamento dessas doenças.
26:12Só pra ter uma ideia, você ajuda até a cuidar melhor de quem tem câncer e imagina de outras doenças.
26:19Doutor Cristiano, muito obrigado. Foi um prazer recebê-lo aqui.
26:22Espero que você aceite convite pra novas participações.
26:26Prazer foi meu, obrigado pela oportunidade.
26:29Obrigado você.
26:30Bom, hoje o nosso Viva Bem vai ficando por aqui e com um recado importante.
26:35Se você já caiu no efeito sanfona, já tentou alguma dieta mais restritiva,
26:40não teve sucesso, agora tá usando medicamento, ganha peso, perde peso,
26:45você ouviu o doutor Cristiano, tem que investir também no estilo de vida.
26:49Claro, procurar uma orientação profissional.
26:52E você já sabe, esse programa você pode assistir, assistir novamente,
26:57compartilhar com quem você quiser, porque tá lá na plataforma do YouTube da Jovem Pan News
27:03e também no Spotify.
27:05Semana que vem, a gente tem um novo encontro marcado aqui no Viva Bem.
27:08Jovem Pan, Viva Bem, com Márcio Atala.
27:18A opinião dos nossos comentaristas não reflete necessariamente a opinião do Grupo Jovem Pan de Comunicação.
27:25Realização Jovem Pan.
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