00:00Vamos falar um pouquinho sobre fundo de olho.
00:03Por quê? Porque nós somos cirurgiões de segmento anterior.
00:07Mas o fundo de olho é revelador na vida das pessoas.
00:11Você faz exame de fundo de olho, normalmente a gente vinha utilizando isso
00:15para descartar algumas doenças, hoje a gente percebe a inserção do fundo de olho
00:20numa perspectiva de médio e longo prazo, até na inteligência artificial.
00:24Quem vê o fundo de olho? Vê os vasos do corpo? Como é que é isso?
00:28No exame de fundo de olho, a gente consegue ver as estruturas que estão lá atrás,
00:35atrás da córnea, atrás do cristalino.
00:38Então a gente vê o nervo, vê a vasculatura e a retina.
00:44E realmente a gente consegue, lógico, detectar alterações oculares,
00:51como por exemplo, glaucoma, doenças da retina,
00:55a designação macular relacionada à idade, outros tipos de doença.
01:00Mas a gente também, por meio de alterações que a gente pode ver nos vasos e no fundo de olho,
01:07a gente pode, inclusive, detectar alterações secundárias a doenças sistêmicas,
01:14como por exemplo, diabetes, hipertensão e até outras doenças autoimunes.
01:20Então, para a gente que é cirurgião de segmento anterior,
01:26é claro que a gente não pode deixar de avaliar o segmento posterior, que é o fundo de olho.
01:32Porque, inclusive, a capacidade do olho enxergar depende também das estruturas do fundo de olho.
01:40É, quer dizer, a visão do olho é uma visão do todo, mas é uma visão não só dentro da natureza do enxergar,
01:47senão algo que relaciona com doenças sistêmicas e que se expressam através de achados de fundo de olho ou não.
01:57Quer dizer, nós sabemos que temos os uveítios, por exemplo,
01:59que são alterações que podem ser também do fundo de olho,
02:03mas podem ser também só na frente do olho e muitas vezes relacionadas às doenças reumáticas.
02:10Você entende que existe uma interação precisa entre as diversas especialidades,
02:18enxergando o papel do médico oftalmologista como sendo alguém que pode ser um bom coadjuvante
02:23no tratamento dessas doenças, ou ainda os clínicos gerais não conseguem estabelecer esse vínculo de maneira real?
02:29Eu acho que quando a gente está falando de cuidado personalizado, com uma equipe multidisciplinar,
02:37fica muito claro a importância de toda a equipe.
02:41E, claro, a gente sabe que muitas doenças, inclusive sistêmicas, como, por exemplo, diabetes,
02:47podem ter repercussão oculares que podem até mesmo levar à cegueira.
02:51Então, faz parte do tratamento da pessoa a avaliação oftalmológica de fundo de olho, o eventual tratamento.
02:59Agora, infelizmente, na saúde pública, muitas vezes não é tão claro isso.
03:04E até o acesso ao oftalmologista pode ser mais difícil também.
03:09Nas nossas conversas, eu acho que a gente tem comentado também um pouco
03:13da possibilidade de usar mecanismos tecnológicos, inteligência artificial,
03:19até, eventualmente, para aumentar eficácia, com segurança e qualidade desse tipo de situação,
03:28de patologias, inclusive, da retina, do segmento posterior.
03:33Nós dois nos conhecemos, eu e o doutor Aline, justamente porque conversávamos
03:37a respeito dos desafios que a oftalmologia traria em termos de prioridades públicas.
03:45E falávamos muito sobre políticas públicas de oftalmologia em saúde mais ampla.
03:51E, por vezes, você falou comigo a questão dos transplantes, falamos sobre óculos,
03:55falamos sobre telemedicina.
03:57Vamos imaginar, e eu acho que você tem talento para isso,
04:00que te foi dado a oportunidade de pensar grande no nosso país.
04:05um plano que você colocasse algumas prioridades.
04:09Três ações para a gente tomar como pontos decisivos,
04:13para depois de quatro anos, Aline, quem sabe você vire ministra,
04:16e a gente pudesse mudar a realidade da saúde visual do Brasil.
04:22Eu acho que a gente precisa trabalhar no acesso à oftalmologia,
04:28e aí eu estou falando ao médico oftalmologista,
04:31mas, sem dúvida nenhuma, Cláudio, vai precisar incorporação de tecnologias.
04:37Então, a gente sabe hoje que já existem softwares de inteligência artificial
04:41que podem melhorar, inclusive, a produtividade do atendimento.
04:49Então, acho que o acesso com inclusão de tecnologias
04:53é uma questão que precisaria ser revisitada, né?
04:59E acredito também que a gente teria que pensar em formas de atuar
05:05nas principais causas de baixa visão que a gente tem no país.
05:10Então, que é um pouco do que a gente já conversou, né?
05:13A questão de óculos, né?
05:15A gente sabe também que o óculos, no momento,
05:17ele não é fornecido pelo SUS,
05:19então, para algumas pessoas isso pode fazer diferença.
05:24Então, além de ter a prescrição,
05:25ter o acesso também ao tratamento.
05:28E as cirurgias de catarata,
05:30a gente vê iniciativas mais,
05:34acredito que até pontuais,
05:35de, eventualmente, mutirões,
05:37mas também precisaria ser algo
05:39mais incorporado ao dia a dia mesmo do SUS, né?
05:45Porque são, patologias são as principais causas
05:48de baixa divisão que a gente tem no país.
05:51Então, teria que estar coberto realmente
05:54para todo cidadão.
05:56E mais gente apta a operar a cirurgia de catarata,
05:59que será um problema com o aumento da expectativa de vida.
06:02Aliás, já é e será ainda maior.
06:04Agora, indo um pouquinho mais em termos de medicamentos,
06:09que mudam a realidade,
06:11principalmente no tratamento das doenças da retina, né?
06:14Algo revolucionário, a gente tem visto aí
06:17não só novas drogas
06:19para evitar a progressão da degeneração macular,
06:22até implantes de transdutores,
06:25questões aí que podem fazer
06:26determinadas pessoas que não estão enxergando
06:28praticamente nada, voltar a enxergar.
06:30O que você tem a dizer sobre isso?
06:32Perspectiva boa de verdade?
06:34Cláudia, eu sou muito entusiasmada
06:37com esse desenvolvimento de tecnologias
06:40que a gente está vendo, né?
06:42Acho que, como você comentou,
06:44o que a gente está ouvindo falar
06:47do chip de retina, né?
06:49Desses implantes que podem realmente melhorar
06:51a visão de alguém que é caracterizado como cego,
06:55até, vieram para ficar...
06:59Não tem como a tecnologia regredir.
07:01Ainda não fornecem uma visão
07:04como de uma pessoa normal, né?
07:07E está limitado para alguns casos.
07:10Tem que ter condições oculares também
07:12para que possa ser feito um implante.
07:17Mas, eu acho que isso vai evoluir
07:20e acredito que a gente realmente vai ter
07:23cada vez mais oportunidades
07:25de oferecer reabilitação visual para as pessoas.
07:29Estou falando isso,
07:30mas está um pouco fora da nossa área, né?
07:32Então, a gente vê também
07:34o desenvolvimento de novas medicações
07:38para a degeneração macular relacionada à idade,
07:40que também é uma causa muito importante
07:43de baixa visual e até de cegueira.
07:46Então, com a expectativa de vida aumentando,
07:49a gente vê também o desenvolvimento de tecnologias
07:51para as doenças que são mais prevalentes também com a idade.
07:55Com a tua vivência, a tua experiência
07:57como alguém que atuou
07:58e atua em serviços públicos,
08:00o que é possível ensinar para um clínico geral
08:03e até onde ele pode ir
08:05para tratar alguma questão oftalmológica
08:09e onde isso passa a ser perigoso
08:10a ponto de afetar a qualidade e a segurança do paciente?
08:13Eu acho que a gente precisaria ter
08:16mais ensino oftalmológico
08:18nas faculdades de medicina de forma geral.
08:22Acho que dá muitas coisas.
08:23a gente poderia implantar,
08:26tanto para o clínico geral,
08:28talvez não para ele mesmo saber e tomar decisões,
08:32mas eu acho que em questão de ensino
08:34a gente poderia melhorar
08:36e em questão de tecnologias também.
08:38Então, talvez, por exemplo,
08:40estabelecer um sistema em que pacientes com diabetes
08:43possam fazer um registro do fundo de olho fotográfico
08:48e por telemedicina isso ser avaliado
08:50e já passar para o clínico
08:51a perspectiva do oftalmologista,
08:54de qual seria a conduta,
08:55se seria só uma reavaliação
08:57ou se teria realmente que ser encaminhado para tratamento.
09:00Então, eu acho que tem os dois lados,
09:03tanto a gente pode melhorar o ensino
09:04quanto a gente pode ajudar o clínico
09:06agregando tecnologia
09:08para ter um contato melhor com o oftalmologista.
09:11Então, eu acho que a gente pode melhorar o ensino
09:13que a gente pode melhorar o ensino
09:13que a gente pode melhorar o ensino
09:15que a gente pode melhorar o ensino
09:15que a gente pode melhorar o ensino
09:17que a gente pode melhorar o ensino
09:17que a gente pode melhorar o ensino
09:19que a gente pode melhorar o ensino
09:20que a gente pode melhorar o ensino
09:21que a gente pode melhorar o ensino
09:22que a gente pode melhorar o ensino
09:23que a gente pode melhorar o ensino
09:24que a gente pode melhorar o ensino
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09:25que a gente pode melhorar o ensino
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09:27que a gente pode melhorar o ensino
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