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NotíciasTranscrição
00:00Jovem Pan Saúde
00:05Olá, está começando mais um
00:08Jovem Pan Saúde. Estima-se que
00:11cerca de trinta por cento dos
00:12brasileiros tenham esteatose
00:14hepática, que é popularmente
00:16chamada de gordura no fígado. A
00:19condição deixa o órgão
00:20inflamado e mais vulnerável a
00:22doenças graves. E muitas pessoas
00:24só descobrem o problema quando
00:26ele já está mais avançado. Mas
00:28apesar de ser silenciosa, a
00:30gordura no fígado tem
00:32tratamento. Pra essa conversa
00:34recebemos a doutora Bianca
00:36Delaguardia, que é coordenadora de
00:38hepatologia da Rede Dora em São
00:39Paulo, e também o doutor Rodrigo
00:42Barbosa, que é cirurgião do
00:43aparelho digestivo. Sejam muito
00:46bem-vindos. Bom, doutora, pra
00:48gente começar essa conversa e
00:50entender um pouco o que que é
00:51essa gordura no fígado, tem
00:53níveis de gordura, diferença e
00:56como que essa doença, né, ela se
00:59manifesta. É, quando a gente fala
01:02em gordura no fígado, a gente, pra
01:04dar o diagnóstico, a gente tem que
01:05ter mais de 5% de gordura no
01:07fígado, associado a um fator
01:10metabólico que a gente fala. Esses
01:13fatores metabólicos são pressão
01:15alta, alguma alteração de colesterol,
01:18triglicéride, sobrepeso, obesidade e o
01:22diabetes tipo 2. Então, quando a gente
01:24tem esse aumento da gordura no
01:26fígado e um fator metabólico, a
01:29gente, associado, a gente faz o
01:31diagnóstico de gordura no fígado. E
01:33você bem falou, né, ela é, ela é
01:35chamada até de uma epidemia
01:37silenciosa, porque realmente a gente
01:39tem 30% da população, não só no
01:41Brasil, no mundo, com gordura no
01:43fígado e o fígado não dá sintoma,
01:46ele vai dar sintoma numa fase
01:47avançada de doença. E, e assim, a
01:50gente não faz exame toda hora pra
01:53descobrir que se tem gordura no
01:55fígado, né? E aí tem esse problema,
01:57né, doutor, de você diagnosticar
01:59quando já tá num estágio muito
02:01avançado. E não só isso, né? Aliás,
02:04primeiramente, muito obrigado por
02:05receber aqui uma honra de estar do
02:07lado da Bianca, uma das maiores
02:08hepatologistas do país. Eu acho que é
02:12muito pra além disso, né? Muitas
02:14vezes a gente tem diagnósticos, né?
02:16Muitas pessoas, principalmente
02:18mulheres, fazem muitos exames de
02:20rotina, ultrassom de abdômen e
02:22chegam ao médico que vem ali,
02:24esteratose hepática leve,
02:26moderada e aquele achado, ele é
02:28menosprezado. Ah, você tem um
02:31pouquinho de gordura no fígado, vai
02:33fazer exercício, reduz a dieta. É
02:35tudo muito simplificado quando o
02:37assunto é gordura no fígado, quando
02:39hoje é uma das principais causas de
02:41cirrose no mundo, né? Então a gente
02:43tem que começar a mudar a visão de
02:45como tratar a esteratose hepática,
02:48encarar ela como uma doença mais
02:49séria, assim como outras doenças que
02:52hoje também são subestimadas como a
02:53própria obesidade. E do ponto de
02:56vista do aparelho digestivo também tem
02:58que ter essa atenção, né? O que que
03:01acontece com o fígado ao longo do
03:03tempo? Bom, basicamente a gordura
03:07inflama, inflama todos os órgãos do
03:08corpo, né Bianca? E essa inflamação
03:11crônica, todas as inflamações crônicas
03:13são negativas e vão causar algum tipo
03:17de problema no órgão. No caso do
03:18fígado vai levar fibrose, a fibrose vai
03:20levar cirrose. É muito importante isso
03:23que o Rodrigo falou, a gente, toda vez
03:25que a gente recebe, a gente tem isso, né?
03:27Gordura no fígado às vezes faz o
03:29ultrassom, vê lá que tem gordura, a
03:31deixar pra lá, né? Porque não dá
03:32sintoma, isso é um problema. Mas sim, a
03:35doença pode evoluir pra esse quadro que
03:37ele falou de inflamação, de uma
03:39hepatite por gordura e se nada for
03:42feito com o tempo, isso pode evoluir
03:43pra essa fibrose, que é essa
03:45cicatrização do fígado, que é esse
03:47desarranjo da arquitetura do fígado e a
03:49fase final, que é uma cirrose, né? Então
03:52a gente, toda vez que recebe um
03:54paciente com esteatose, a gente precisa
03:55entender todos esses fatores de risco
03:59que ele tem e tentar estadiar,
04:01entender qual o momento da doença no
04:04fígado. Tá só acumulando gordura, ou tem
04:07gordura e já tem fibrose, já tem cirrose,
04:09isso vai determinar também o tratamento
04:11e o acompanhamento a partir daí.
04:13Essa ausência de sintoma, ela só se dá
04:16no começo, mas à medida que vai
04:19aumentando essa gordura, o paciente
04:21pode sentir alguma coisa ou não?
04:24Então, em geral, as doenças do fígado
04:26crônicas, elas não dão muito sintoma,
04:29esse que é o problema. Então, o paciente
04:31geralmente, na gordura do fígado também,
04:33ele vai ter sintoma quando ele já tá numa
04:35fase de cirrose e essa cirrose já
04:38começa a descompensar, que a gente fala.
04:40Ele pode ficar amarelo, né? A barriga pode
04:42inchar e pode ter essas complicações da
04:45cirrose. Normalmente, até lá, as sintomas
04:47são muito frustros. E uma coisa que acho
04:50que é interessante de salientar é que os
04:54danos muitas vezes são sobrepostos. Aqui no
04:57Brasil, por exemplo, as pessoas têm muito
04:59hábito de tomar sua cervejinha e essa própria
05:02pessoa que tá ali com a esteatose, ela
05:05acrescenta um fator inflamatório, que é o
05:07álcool pro fígado e esses danos se
05:09sobrepõem, se somam e acabam fazendo um
05:12mal que vem muitas vezes mais precoce. E
05:14até levam na brincadeira, né, doutora? Ah,
05:17nossa, coitado do meu fígado, né? Vou
05:19beber demais ou comi de uma forma
05:22exagerada, comida muito gordurosa. Ai, meu
05:25fígado, preciso de um fígado novo, mas não é.
05:28Vou tomar um sachezinho. Um sachezinho. É, é.
05:30Um detox do fígado. Faz um detox, toma um suco verde no dia
05:34seguinte, mas não, né? Gente, essas coisas são
05:36mito, tá? Eles não funcionam de fato. E que fatores
05:41principais levam uma pessoa a desenvolver essa gordura no
05:45físico? É basicamente, do fígado, é basicamente
05:47alimentação? É, é, na verdade, geralmente é uma
05:51combinação, é isso. A pessoa tem, às vezes, um
05:54diabetes, então ele tem uma resistência à ação da
05:56insulina, aí junta isso uma dieta hipercalórica, um
06:00sobrepeso, uma obesidade. Tem alguns pacientes que
06:03tem alguma predisposição genética que favorece a ter mais
06:07inflamação, mais fibrose, né? Então, é um conjunto de
06:11fatores. Então, tem essa inflamação crônica que o
06:14Rodrigo falou, isso acontece no nosso organismo todo, mas
06:17também no fígado, então isso vai gerando uma bola de
06:20neve, né? Ou seja, doutor, não é só pra quem está acima do
06:24peso. Pessoas magras, por exemplo, também podem ter gordura no
06:28fígado. Podem, podem. Hoje a gente chama, inclusive, de
06:30esteratose metabólica, né? A gente vai juntar alguns
06:35critérios pra dar aquele diagnóstico, não só da
06:39esteratose metabólica, como da obesidade, obesidade como
06:42doença, né? Porque não é só IMC, então a gente tem que
06:46entender o perfil corporal daquela pessoa, como se
06:48distribui. Tem muitas pessoas que as pessoas gostam, eu gosto
06:51muito de chamar do falso magro, né? Do paciente que a gente
06:55leva ele pra uma bioimpedância, ele tem lá um IMC, um IMC de
06:5926, 27, 25. Você olha pra ele, tá super bem, mas quando a gente
07:05joga pra análise corporal, a pessoa tem 52, 53% de gordura
07:09corporal. Vamos pra menos, 35, 36 são faixas de anormalidade que
07:14muitas vezes vão causando aqueles danos silenciosos. Ou seja, o
07:18estilo de vida acaba sendo determinante pra essa... É um
07:23fator muito importante, tanto que quando a gente fala em
07:25tratamento, a gente sempre vai falar em estilo de vida, né?
07:30Mais saudável. E esse é o tratamento, então? Já vamos
07:33entrar na fase do tratamento? É, a pessoa tem que mudar estilo
07:37de vida, então, exercício, alimentação? É, eu costumo até
07:42falar pros meus pacientes, né? A gente acabou de ter agora uma
07:45droga aprovada pela Anvisa pra o tratamento, pra aliada de
07:49tratamento na esteratose, que essa é uma glutida, mas eu sempre
07:53falo com meus pacientes, né? Que a gente tem que pensar,
07:56independente do que, de ter esse tratamento e de outros que
07:59virão, nesse combo de dieta saudável e atividade física. Isso
08:04vai ter que fazer parte da rotina dali em diante, né? Isso vai,
08:09vai, vai atuar na esteratose, mas vai atuar de maneira geral,
08:13né? Diminindo o risco de diabetes, de obesidade, de fatores e de
08:17complicações cardiovasculares, né? Então, a gente dieta e atividade
08:20física estão sempre na prescrição. É, nunca é ruim, né?
08:25Nunca é ruim, nunca é ruim, sempre faz bem, né? E eu acho que
08:28acrescentando aí o que a Bianca disse, inclusive falando sobre a
08:33liberação da semaglutida pra o tratamento da esteratose, não só
08:38pra esteratose, como hoje pra apneia do sono, as pessoas têm que
08:42começar a entender que certas doenças crônicas silenciosas, elas
08:46devem ser tratadas precocemente e não tardiamente. Isso vale pra
08:51tudo, pra tudo mesmo, porque são doenças crônicas e elas não são
08:57tão simples assim quanto elas parecem. Então, toda doença crônica
09:01vão trazer danos a longo prazo, porque pra ser doença tem que
09:05trazer dano, né? Então, senão não seria doença, seria só apenas uma
09:09gordura no fígado, seria apenas um ronco, seria apenas estar
09:13gordinho, mas as coisas não são tão simples assim. Então, como
09:17que minha cabeça funciona hoje quando eu pego um paciente com
09:20doenças precoces, que podem estar ou não relacionadas à minha
09:25área de atuação, eu coloco ele dentro de uma rede de acolhimento
09:28pra que ele consiga entender que ele precisa fazer um tratamento
09:31imediato. E a melhor forma da pessoa entender que ela está doente,
09:35que ela está doente, a meu ver, é sempre trazer pra ela, primeiro,
09:40medidas de mudança de estilo de vida, porque estão ali no basal,
09:44mas também trazer tratamentos. Porque, veja só, quando você pega
09:47hoje um paciente com diabetes, mesmo que seja um diabetes bem
09:52bobo, o paciente sai com uma prescrição de metformina, por exemplo,
09:57do consultório. E a gente tem que começar a trazer essa visão pra
10:00outras doenças que vão trazer danos mais tardiamente também.
10:04Então, por exemplo, um paciente com esteatose, que tem sobrepeso,
10:07esse paciente que ele tem que ser orientado pra além da mudança do
10:11estilo de vida. Tem que trazer uma semaglutida, tem que trazer
10:15um nutricionista, tem que trazer um hepatologista e fazer um
10:19seguimento daquilo, bem como as outras doenças crônicas que estão
10:22em alta e são metabólicas, né?
10:23É o que a gente sempre fala, né? Da prevenção, né? O quanto é importante
10:27prevenir pra depois não chegar nessa fase e ter que tratar e ter que
10:31realmente mudar de uma vez só um hábito que é difícil às vezes mudar,
10:36principalmente quando se fala de alimentação e exercício, né?
10:39Você mudar completamente e a pessoa entender que isso vai te ajudar de
10:43alguma forma.
10:44Sim, eu acho que é importante, é isso. A gente até fala, esteatose é um
10:49problema que não tá só no fígado, normalmente, porque você tem todos
10:52esses fatores que vêm junto. Então, se você tiver uma equipe, um
10:56acolhimento e uma equipe multidisciplinar, é muito mais fácil você
11:01tratar esse paciente e acompanhar esse paciente. E eu acho que é muito
11:04importante também você empoderar o paciente. Ele tem que entender que não é
11:08só uma gordurinha e que isso pode trazer outros problemas e a gente sabe
11:13que a evolução por uma cirrose é tudo que a gente não quer. A gente quer
11:19prevenir porque a cirrose descompensa e aí a gente fica sem opção de
11:23tratamento. O tratamento vai ser o transplante de fígado e a gente precisa
11:28agir mais cedo, né? Como o Rodrigo falou, mais cedo.
11:31Tem estudos novos e até recentes que falam que a dieta mediterrânea seria uma
11:37saída pra evitar, né? Que a gordura se alastre ou fique muito ou também o uso de
11:44magnésio ou até mesmo jejum intermitente. Existem mesmo comprovações de que pode
11:49funcionar?
11:50É, existem alguns estudos com algumas dietas. A dieta mais estudada é a dieta
11:56mediterrânea porque é uma dieta que prioriza carnes magras, verdura, legume,
12:03muito azeite de oliva e pouco ultraprocessado. Acho que isso é a grande
12:08questão, mas eu acho que é maior do que você dar uma dieta específica. Eu costumo
12:12falar pros meus pacientes também que você tem que adequar ao hábito daquele
12:16paciente, aonde ele vive, ao que ele tem recurso. Não adianta dar uma dieta
12:22mediterrânea se ele falar pra mim que não consigo comer. Então assim, você tem que
12:26adequar ao dia a dia daquele paciente. O jejum intermitente é uma dieta muito
12:32complicada de você manter a média e a longo prazo.
12:35É dificílimo, né, doutor? Pode complementar.
12:39E mais do que isso, né, é muito fácil você dizer assim, faça uma dieta do
12:47mediterrâneo. Nada é tão simples assim. Primeiro que a gente não tá no
12:51mediterrâneo, né? As pessoas falam muito na dieta do mediterrâneo porque são um dos
12:56lugares que existe mais longevidade, né? Associada aos países asiáticos
13:01desenvolvidos. Mas a gente tem que entender e fazer caber dentro do paciente a
13:07visão sobre o que ele come. Trazer a visão sobre o que ele come é melhor do que dar
13:12uma receita de bolo. Porque essa receita de bolo é muito bonita na
13:17teoria, né? O papel é lindo. É até bonito de ouvir. Vamos fazer a dieta do
13:23mediterrâneo. Não, nas primeiras semanas pode até funcionar, mas ele a longo prazo
13:27não vai conseguir, né? Tem que ser uma mudança de estilo de vida que dure, né?
13:31Sim. Que dure, né? Que nem a história da perder peso. Você vai orientar a perder peso, vai
13:36melhorar a fibrose, vai melhorar a inflamação no fígado? Vai. Mas isso tem que ser
13:39mantido, né? Se de repente daqui a um tempo tudo é deixado pra lá pra gente
13:43reganha peso, ele volta pra aquele status inicial. Exato. É aquela lógica que eu
13:48falei sobre o tratamento da doença crônica. Se a gente ali pega um paciente
13:53com uma obesidade leve, uma obesidade grau 1, que você percebe que tem perda de
13:57metabolismo basal, aquele paciente tem que começar um medicamento
14:01precocemente. Ele tem que receber um medicamento precocemente e aquele
14:06medicamento só deve ser abandonado após um teste terapêutico de 3, 6 meses
14:11onde ele não teve um reganho, né? Porque é uma doença crônica, ele tem que mudar
14:14o estilo de vida. Isso vale pra esteratose. Porque senão, o que que acontece?
14:19Esse paciente vai chegar num ponto onde o remédio, ele vai ajudar, vai fazer um
14:24controle parcial do peso, né? A gente sabe aí dos melhores estudos, estão rodando na
14:28casa de 20, 22, 23% de perda de peso global. Mas tem pacientes que, e a grande
14:34maioria desses pacientes que sofrem de esteratose grave são os pacientes que
14:37têm uma obesidade mais severa, uma obesidade grau 2, grau 3 ou até maior que
14:41isso. Esses pacientes vão precisar de uma cirurgia bariátrica, por exemplo, pra ter
14:45uma perda de gordura de fígado sustentada dentro de uma esfera de
14:49acompanhamento ao longo prazo. E se a gente fizer o tratamento mais
14:53precocemente, esse paciente vai evitar uma cirurgia bariátrica, que ainda é o
14:57melhor tratamento pra obesidade, diga-se de passagem. Tanto a curto, quanto a médio,
15:02quanto a longo prazo, com maiores índices de perda de peso, com maior
15:08emagrecimento sustentado e menor reganho. Porque, por exemplo, vou trazer dados
15:12estatísticos da própria semaglutida. A gente teve um estudo agora de 2023 que
15:18fez uma comparação de perda de peso do paciente que usou semaglutida por um
15:23ano e como esses pacientes estavam depois de um ano sem semaglutida.
15:29Então, esse estudo em específico mostrou aí 18,5% de média global de perda de peso,
15:34então foi uma perda bem importante, muito bacana. Mas, após um ano sem o remédio,
15:42vou até convidar aqui você pra me responder. Quantos por cento você acha
15:47de pacientes que reganharam plenamente o peso perdido sem remédio?
15:52Todos. Quase todos. 96%.
15:56É, muita coisa, né?
15:58É uma doença crônica. O remédio, muitas vezes, ele é preciso ser mantido.
16:02É, é muito difícil. E aí, essa gordura no fígado pode evoluir pra outras doenças graves, é isso?
16:10É, essa gordura no fígado é isso. Ela pode evoluir pra uma hepatite, por gordura no fígado.
16:14E essa inflamação crônica pode evoluir pra essa cicatrização do fígado, que é a fibrose.
16:20E a fase final é a cirrose. E isso pode levar ao aparecimento de câncer de fígado, inclusive.
16:26Isso em alguns países já da Europa, hoje em dia, a primeira indicação pra transplante de fígado
16:32é a gordura no fígado.
16:34E aí, aqui no Brasil, a gente ainda tem questão da cirrose por álcool e por vírus,
16:40mas isso é um problema, porque é isso que a gente tem que entender.
16:44É a doença crônica. Então, o paciente transplanta, mas depois a gente vai ter que cuidar do órgão novo, né?
16:50E hoje a gente tem discussão, inclusive, de bariátrica naquele paciente que chega pra transplante
16:55com uma cirrose por gordura no fígado, mas é um obeso.
16:59E aí, o que a gente faz? Nesse momento, talvez, não consiga fazer a bariátrica,
17:03porque ele tá muito grave do fígado, e a gente começa a discutir fazer bariátrica junto com o transplante,
17:08depois no transplante. Então, assim, não tem como fugir, né?
17:11O paciente tem que entender que é uma doença crônica e que ele vai ter que tratar disso.
17:16É, pra sempre.
17:17E pior, né? Pior do que isso, até esse paciente que ele está obeso no pré-transplante
17:26é um paciente de um risco cirúrgico infinitamente superior ao paciente que está trófico, né?
17:32Do ponto de vista de obesidade.
17:35O que pode acontecer?
17:37Todas as complicações do transplante, porque a cirurgia fica muito mais difícil,
17:42o corpo do indivíduo é muito mais inflamado, porque a gordura inflama,
17:45a resposta ao trauma cirúrgico é muito mais exacerbada,
17:49e as possíveis complicações respiratórias, cardíacas que vêm no pós-transplante são muito mais graves.
17:57E a gente tem hoje o obeso sarcopênico, né?
18:00Infelizmente, ele chega obeso, mas ele chega sem massa muscular, né?
18:03E isso pro transplante também aumenta o risco dele no pós-operatório.
18:07Mais tempo, dependendo do aparelho, pra respirar, a recuperação é mais lenta,
18:13a cicatrização é mais lenta.
18:14Então, isso gera uma série de problemas, como o Rodrigo falou.
18:17É uma grande bola de neve, né?
18:19Porque dentro da esfera da obesidade, né?
18:23A grande maioria dos obesos que têm uma obesidade mais severa,
18:27eles têm uma sarcopenia associada.
18:28Sarcopenia, gente, é falta de músculo, né?
18:31E essa falta de músculo advém de diversas coisas.
18:35Sedentarismo, distúrbios hormonais,
18:37porque a obesidade ajuda a fazer uma coisa que a gente chama de aromatização dos hormônios masculinos.
18:43Então, a pessoa tem queda do hormônio masculino.
18:45Então, veja só, se a gente deixa chegar num estágio de problemas hepáticos mais graves,
18:53muitas vezes, alguns dos recursos que a gente precisa fazer pra esse paciente com sarcopenia grave,
18:59como, por exemplo, tem pacientes que se beneficiam de suplementação de testosterona,
19:03pra que ele consiga ganhar um pouco de massa muscular.
19:06Isso ali vai muito particular de caso a caso.
19:08Mas, num paciente com uma doença hepática grave,
19:12pensar em usar um hormônio exógeno, nem pensar.
19:16E o fígado, ele se regenera?
19:18Regenera.
19:19O fígado regenera.
19:20Tanto que a gente faz transplante intervivo,
19:22você doa uma parte do fígado e vai regenerar em quem doou, em quem recebeu.
19:25Mas é isso.
19:26Quando você agride o fígado, a célula morre,
19:29e o fígado tenta regenerar a célula nova.
19:33É esse processo continuamente que acaba levando a essa fibrose,
19:37a essa cicatrização e, na fase final, a cirrose.
19:40A gente falou no começo que não tem sintomas, né?
19:42Mas tem algum tipo de sinal de alerta?
19:45Porque a gente sabe que, às vezes, as pessoas vão deixando, né?
19:48Não vai no médico, aí vai passando o ano, também não vai, não faz exame, enfim.
19:53É, assim, pode ter um cansaço, que a gente fala, uma astenia,
19:58e é uma coisa que o paciente tem que prestar atenção se ele começa a ficar amarelo.
20:01Então, o olho é amarelo, né?
20:02As mucosas amarelas.
20:04Isso pode no seu fígado, mas na grande maioria das vezes tem uma relação com o fígado.
20:08Então, são sinais de alerta importantes.
20:11Começou a ficar inchado também, é outro sinal de alerta, né?
20:15Perna, barriga.
20:16Aí a gente está falando de uma fase avançada da doença já.
20:19Sim.
20:20Falando.
20:21Acrescentando um pouco ao que a Bianca falou,
20:24tem um, e não é exclusivamente para a esteatose hepática,
20:30mas sim para doenças metabólicas, né?
20:33Existe um índice que dá para o paciente fazer em casa,
20:36que é um excelente precursor, né?
20:40De doenças metabólicas, que é o índice cintura quadril.
20:44Então, o paciente mede ali.
20:46Uma continha mesmo.
20:47É uma continha, com uma fitinha aqui.
20:48Você põe ele na altura do umbigo, divide pelo quadril,
20:52você vai fazer aquilo ali, aquilo ali tem um índice.
20:55Hoje é muito fácil achar esse índice, os valores normais na internet, né?
20:59Você joga.
21:00Se estiver fora daquilo, você é um paciente que tem risco metabólico aumentado.
21:03Então, você precisa fazer um acompanhamento mais rigoroso.
21:06Exato.
21:07Pode falar do...
21:08Não, e é isso, né?
21:09Se você tem esse perfil, então você sabe que é diabético, tipo 2,
21:14você está acima do peso, tem que pensar nisso.
21:18Embora, às vezes, não tenha sintoma,
21:19pense na possibilidade de ter gordura no fígado, né?
21:24Conversa com o seu médico.
21:26Mulher acaba indo mais no médico, porque a mulher tem esse perfil, né?
21:29Mais preocupada, né?
21:30Mais preocupada, mas eu acho que aí é também um alerta, né?
21:35Por isso que é importante se empoderar o paciente, né?
21:37Entender que a doença, 30%, é muita gente.
21:41Muito.
21:42Se a gente vai falar de obesidade, então,
21:44a gente tem índices elevadíssimos aí no Brasil e no mundo todo.
21:47Então, vamos pensar, será que ela não tem gordura no fígado?
21:51Essa seria a tua dica para quem está nos acompanhando
21:54e percebeu aqui na nossa conversa, né?
21:56Que tem fatores de risco, que tem alguma característica
22:00que pode, no futuro, de repente, descobrir?
22:03Eu acho que essa é a principal dica, né?
22:07Pode fazer essa medida, mas eu acho que é perceber isso, né?
22:10Normalmente, o homem tem mais gordura no fígado
22:13até a mulher entrar na menopausa.
22:16Depois que a mulher entra na menopausa,
22:17por conta da queda hormonal e da mudança da composição corporal,
22:21ela se iguala ao homem no risco de...
22:24Então, eu acho que se você tem esses fatores de risco
22:26que a gente conversou aqui, né?
22:28Eu acho que tem que pensar na possibilidade,
22:30tem que tentar ir atrás para ver se tem gordura no fígado
22:33para prevenir, porque tudo que a gente quer
22:35é que não chegue nessa fase final,
22:38que a gente tem essas opções aí de discutir o tratamento,
22:41colocar na mesa e discutir com o paciente
22:42a melhor opção de tratamento.
22:44E o tratamento não é basicamente só alimentação
22:47e exercício físico.
22:49Tem remédio envolvido também.
22:50Muitas vezes, sim.
22:51Muitas vezes, sim.
22:53A semaglutida acabou de ser aprovada para a estetose,
22:56então a gente sabe dos benefícios para a obesidade,
22:59para o diabetes, para prevenir doença cardiovascular,
23:01mas hoje em dia ela é uma opção de tratamento
23:03para quem tem gordura no fígado também.
23:06Aqui são as canetinhas famosas, né?
23:08E não vamos esquecer também dos métodos com procedimento
23:12que podem ajudar em casos específicos, né?
23:14Temos aí balão gástrico, temos gastroplastia endoscópica,
23:20temos cirurgia bariátrica, né?
23:23Que é uma dos principais...
23:24Esse balão seria parecido com a bariátrica?
23:27O balão é basicamente um balão que você coloca no estômago
23:30que vai inibir ali o paciente de comer pelo volume
23:33que ele está ocupando dentro, está ocupando o espaço da comida.
23:36Tem também bons resultados para a perda de peso, assim como os remédios.
23:42Inclusive, hoje, se você for fazer uma comparação de custo em seis meses,
23:48um ano de duração que é que dura o balão, por exemplo,
23:50ele é bem mais barato do que as canetinhas.
23:54E a cirurgia bariátrica que dá uma remissão sustentada ali,
23:58muito maior do que qualquer outro desses tratamentos para o paciente obeso
24:02que tem indicação de cirurgia bariátrica.
24:03É, tem que ter a indicação, né?
24:05Claro.
24:05Não é simplesmente só para perder peso e, claro, também ajudar em outros quesitos.
24:12E de falar em alimentação,
24:15o que seria essa alimentação saudável para, por exemplo,
24:18alguém que fez o exame e detectou que tem um pouco de gordura,
24:22porque tem graus, né?
24:24Os níveis ali.
24:26Identificou até mesmo...
24:28É o ultrassom que identifica?
24:29O ultrassom, geralmente, é o exame mais simples,
24:31é o exame mais difundido.
24:33Então, ele vai falar se eu tenho pouca gordura,
24:36gordura moderada, gordura intensa.
24:38Mas é isso, a gente, quando recebe paciente assim,
24:40a gente vai tentar estadiar.
24:41Então, hoje, a gente...
24:43Claro, a biópsia é o padrão ouro,
24:45mas a gente, hoje em dia, tem exames não invasivos,
24:48como as elastografias, que vão medir
24:50o quanto de gordura esse paciente tem,
24:53vai dar um número,
24:54e o quanto de fibrose que esse paciente tem,
24:57porque é a fibrose que vai trazer
24:58o maior risco para esse paciente
25:01a médio e a longo prazo.
25:03Então, você tem que fazer isso,
25:04entender em que momento da doença está
25:06até para as opções terapêuticas.
25:09Mas, sim, a gente pensar em dieta já,
25:11não falando na...
25:12Vamos entrar na dieta.
25:14Pensar numa dieta com hipocalórica,
25:16Então, a redução de peso,
25:18mesmo para o paciente que está no peso ideal,
25:20ela é interessante para diminuir gordura
25:22no fígado e inflamação.
25:24Fugir dos ultraprocessados,
25:26dessas bebidas açucaradas artificialmente,
25:29isso também é um problema.
25:32E priorizar carnes magras, legumes, verduras.
25:37Acho que o recado final que fica é isso.
25:39Apesar das doenças algumas não terem os sintomas,
25:42o corpo sempre dá um sinal.
25:44É importante que a gente procure ajuda médica
25:47de um profissional adequado
25:49e cuide da nossa saúde sempre, né?
25:51Com alimentação, com exercício físico,
25:54que vai ajudar de uma forma geral o corpo todo, né?
25:58A nossa saúde.
25:59É isso?
26:00Exatamente.
26:01Eu quero agradecer mais uma vez
26:03a participação da doutora Bianca,
26:04também do doutor Rodrigo.
26:06E a você que nos acompanhou,
26:08obrigada também.
26:09Se você tiver alguma sugestão de tema,
26:11alguma dúvida, mande um e-mail pra nós,
26:13saúde.com.br.
26:16Pra rever essa e outras entrevistas,
26:18é só acessar o canal Jovem Pan News na internet
26:20ou o aplicativo da Panflix,
26:22pra Android ou iOS.
26:24E a gente se encontra na semana que vem.
26:25Tchau, tchau.
26:30Jovem Pan Saúde.
26:31A opinião dos nossos comentaristas
26:35não reflete necessariamente
26:37a opinião do Grupo Jovem Pan de Comunicação.
26:44Realização Jovem Pan
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