00:00Estou de volta. Apesar do ambiente geopolítico ainda cercado de incertezas, os mercados financeiros sinalizam um movimento diferente.
00:09Nessa semana, o ouro avançou, ultrapassou 4.900 dólares por onça, enquanto o investidor estrangeiro direcionou 12,3 bilhões de reais a B3 em janeiro,
00:22montante equivalente a quase metade de todo o volume registrado em 2025.
00:29Sobre esse assunto, eu converso agora com o André Mirski, economista e consultor financeiro.
00:33André, boa noite. Obrigada por ter aceitado o nosso convite.
00:37André, vamos começar falando do ouro. O que explica essa disparada do ouro, exatamente no momento em que alguns indicadores de confiança estão melhorando até?
00:47Boa noite, Cristiane. Boa noite, Times Brasil. O que explica o ouro? O ouro é um ativo de refúgio por sistema.
00:56Então, o que nós estamos nesse momento vendo, ao contrário do que aconteceu no passado, que o que era o refúgio seria os fregios americanos, o próprio dólar, isso está mudando.
01:05Então, a necessidade que os bancos centrais todos têm em ter reservas de ouro aumenta.
01:12E o ouro é um metálogo escasso. Então, maior demanda, maior o preço do ouro tem acontecido.
01:23Voltou a aportar de forma mais intensa na B3?
01:26E aí eu me refiro especialmente ao investidor estrangeiro.
01:29O que aconteceu em relação à B3 essa semana foi muito interessante.
01:36O mercado americano está mais seletivo.
01:39E com a questão em vista dos juros americanos caírem versus uma renda fixa brasileira com o segundo maior juro mundial,
01:50a Bolsa brasileira tornou-se bastante... já era no passado e agora tem se reforçado nisso.
01:55Então, esse volume de dinheiro que foi transportado para o Brasil, ele foi um volume seletivo
02:01e que foi, de fato, por questões de garantia e maior rentabilidade naquilo que eles preveem nesse momento no mercado.
02:09Agora, como é que a gente pode interpretar esse movimento de busca por ativos de proteção
02:14e, ao mesmo tempo, esse retorno a mercados emergentes como o Brasil?
02:19Os ativos de proteção que a gente fala aqui especificamente no ouro,
02:23ele é uma demanda muito feita por bancos centrais.
02:27O banco central não tem necessariamente necessidade de ativos de risco.
02:31Ele tem ativos de proteção.
02:32E aí, no caso, o ouro entra substituindo o dólar, que era o ativo de proteção no passado.
02:38Isso é um movimento que tem vindo a acontecer e você vê que o dólar tem caído,
02:42não só em relação ao real, mas em relação a todas as moedas do mundo.
02:45Então, há uma substituição desse ativo de refúgio para quem tem necessidade de ter reservas.
02:51No caso do investimento, estamos falando de investidores.
02:55E aí, temos investidores pequenos, médios e grandes, mas principalmente quem tem vontade de arriscar.
03:01E aí, o Brasil, com alguma segurança, ele transmite um retorno a esse investimento
03:09já sujeito a quem realmente, de fato, quer ganhar mais com isso.
03:14André, semana que vem tem Super Quarta. Qual é a sua expectativa?
03:18A minha expectativa, acredito, de boa parte dos economistas, é que a gente vai ter uma manutenção
03:25tanto da taxa de juros americana como da taxa de juros brasileira.
03:28O cupom já vem sinalizando sobre isso, que precisa de mais dados concretos de estabilização da economia
03:34para poder, de fato, começar as baixas da taxa de juros.
03:39Isso ainda não aconteceu.
03:40E, portanto, todo mundo acredita que seja mais para março que vem acontecer.
03:44No caso americano, nós estamos numa situação muito...
03:48Não se espera, de fato, que os juros venham a diminuir na próxima semana,
03:53até por causa dos indicadores que têm acontecido e várias incertezas que ainda temos.
03:58Mas, tem-se uma expectativa, sim, por aquilo que o Jerome Powell vai falar nas entrelinhas,
04:05o que vem a seguir.
04:06Quais as nossas expectativas para os próximos meses?
04:08A expectativa é mais para as atas depois, o que eles vão dizer, o que eles vão escrever depois.
04:16Eu vou passar para a pergunta...
04:17O mercado já sabe, mais ou menos, que não vai ter juros, não vai ter corte de juros,
04:21se tiver uma coisa muito pequena, mas o que vem a seguir é o que é o mais importante.
04:25A sinalização, né?
04:27Eu vou passar para o Vinícius.
04:28Vinícius, por favor, pode fazer sua pergunta.
04:30André, boa noite.
04:32A gente está vendo aí que o grosso da entrada de dinheiro na Bolsa é de estrangeiro, na verdade,
04:37para ser mais preciso, de não-residente.
04:40Agora, em tese, com a possível campanha de corte da Selic, do Juro, do Banco Central,
04:49a gente pode ter menos perspectiva para a renda fixa.
04:53Por outro lado, a Bolsa já vai estar, não cara, mas vai estar mais alta.
04:56Você acha que vai ter uma migração grande, suficiente, para dar do investidor institucional
05:02e do varejo doméstico, para dar mais um impulso para a Bolsa?
05:08Vinícius, boa noite.
05:09O que que eu...
05:10Em relação à Bolsa brasileira, ela está alta, mas ela tem uma...
05:14Os seus princípios, eles são sólidos.
05:18O Brasil, como boa parte dos países da América Latina, nós trabalhamos em cima de commodities.
05:24Então, não é na tecnologia que a gente faz diferença na nossa Bolsa.
05:28É, sim, no petróleo, no minério, enfim, aquilo que continua consistente em termos de valorização.
05:33E você vê, por exemplo, a questão da Petrobras tem tido solidificação em relação à sua posição no mercado,
05:40com o seu caixa.
05:41Tudo isso mostra que a Bolsa brasileira ainda tem para onde crescer.
05:46O valuation da Bolsa brasileira ainda pode ser maior.
05:49Isso independente da questão dos juros.
05:51Então, o Brasil, ele é, sim, juntando um dólar caindo, juntando uma estabilidade brasileira
05:58e, principalmente, a Bolsa ainda com possibilidade de crescimento e os juros da usenda fixa,
06:03para o investidor estrangeiro, tanto com um certo risco ou com menos risco,
06:08continua sendo um mercado interessante e rentável para retornos deles,
06:14principalmente comparado com o americano, que a tendência ainda é de baixar os juros.
06:19A Bolsa americana já está sobrevalorizada, já começa a ver, você vê que já começa a ter uma correção da Bolsa americana.
06:28Então, de fato, é uma coisa que continuará ainda nos próximos tempos,
06:32para quem já está dentro continuar essa aposta no Brasil.
06:38Mas o doméstico, o pessoal daqui de dentro, vai entrar em quantidade suficiente para até empurrar mais a Bolsa ou não?
06:43Não, eu não acredito que sim e é uma situação que eu acho extremamente arriscada.
06:50Por quê?
06:50Porque, de fato, nós estamos em um momento de euforia na Bolsa brasileira.
06:55E o que acontece com qualquer euforia?
06:57Em algum momento, ela vai ter uma correção.
07:00E nessa correção, se não tiver um cuidado muito grande,
07:03todo aquele pequeno investidor que resolver investir na questão da euforia,
07:10ele pode ter uma surpresa muito grande.
07:12Porque quando houver uma correção, e que vai haver, é uma questão de dias, semanas,
07:16ou num curto espaço de tempo, essa correção vai ser grande.
07:21Grande no sentido de 30%, 20%, mas que para um pequeno investidor faz muita diferença
07:26comparado com aquilo que ele já tem na renda fixa.
07:28Então, o conselho que se dá, entra sim, não perde o barco, mas entra pequeno.
07:34Vai aportando aos poucos, se preparando para uma eventual, ou aguarda, de fato, uma correção
07:39e entra nessa correção.
07:41Porque a Bolsa brasileira tem uma visão de crescimento de médio e longo prazo sólida.
07:46Enquanto que, no curto prazo, tudo é especulação.
07:50André, muito obrigada.
07:51Prazer conversar com você.
07:52Bom fim de semana.
07:53Até a próxima.
07:54Igualmente, obrigado.
07:55Boa noite para todos.
07:56Obrigada, Vitor.
Comentários