00:00Bom, gente, vamos trazer agora mais detalhes, porque uma pesquisa da Datafolha apontou que 9% dos eleitores citam a
00:07corrupção como o principal problema do Brasil atualmente.
00:10Em comparação a setembro de 2023, esse índice subiu 3 pontos percentuais.
00:16E no último levantamento, em dezembro do ano passado, estava na casa dos 8%.
00:21Esses dados se mantiveram ali estáveis mesmo com o surgimento dos casos do Banco Master.
00:27E nessa pesquisa a gente consegue ver que a saúde é a principal preocupação dos brasileiros, segundo essa pesquisa da
00:34Datafolha com 21%.
00:35Logo em seguida vem a segurança pública com 19%, a economia logo atrás 11%.
00:41A corrupção que a gente apontou aqui, que teve esse aumento de 3% de uma pesquisa para outra, 9%,
00:47empatado aqui com a educação.
00:50Então, pelo menos aí os 5 assuntos prioritários que traz aí uma preocupação muito grande para o eleitor brasileiro.
00:58Alangani, você que falou ao longo aqui do programa também sobre a corrupção.
01:01A corrupção aparece ali de forma estável, teve um acréscimo.
01:05E é claro que a gente sabe que é um assunto que vai ser muito discutido, vai ser levado para
01:10debates e pode ser sim um instrumento eleitoral que pode tanto salvar como até mesmo naufragar algumas candidaturas.
01:17Exatamente, né? Em 2018 foi um fator decisivo, né?
01:21O Jair Bolsonaro colocando-se como o candidato anticorrupção, antissistema, conseguiu capitalizar muito bem ali aquele sentimento da população, principalmente
01:37por conta das revelações da operação Lava Jato.
01:41O tema ficou adormecido, né? E agora volta com tudo.
01:46Isso porque a gente tem dois escândalos andando paralelamente e que são, de certa forma, até conectados.
01:53Que é o escândalo do desvio, né? Do roubo dos aposentados com o escândalo do Banco Master.
02:02E a diferença aí é que esses escândalos, talvez diferentemente lá da operação Lava Jato, principalmente o do Banco Master,
02:12acaba pegando todo mundo, né?
02:14Pega da esquerda, direita e os três poderes.
02:17Aliás, é interessante isso, o Eduardo Gianetti, economista, uma pessoa bastante equilibrada, inclusive até um crítico, né?
02:28Do Jair Bolsonaro, acredita que houve golpe e tudo mais.
02:31Mas ele diz o seguinte, que esses escândalos agora, o do Banco Master, diferentemente de lá de trás, pega também
02:42o poder judiciário.
02:43E isso é inédito, né? Pegando o poder judiciário, fala até impeachment, né?
02:49Ele acha que haveria até espaço para impeachment de ministros, enfim, uma entrevista que ele deu no jornal Estado de
02:56São Paulo.
02:56Agora, resta saber quem é que vai conseguir se salvar aí.
03:02Mas uma coisa é fato, corrupção costuma atingir o governo de turno, justa ou injustamente.
03:09Zé, como é que você vê também essa pesquisa?
03:11De certa forma, a pauta corrupção estava ali um pouco adermecida, ganhou tração e pode, de certa forma, definir uma
03:18eleição?
03:20Pois é, eu analisei essa pesquisa e, primeiro, pessoalmente, eu fiquei decepcionado.
03:25Porque isso aí é a percepção popular e o respeito e pesquisa vai mesmo no cerne do problema, porque as
03:35pessoas espontaneamente falam das suas preocupações.
03:38Mas eu colocaria a educação e não é nenhum proselitismo em primeiro lugar.
03:43Acho que nenhum país se desenvolve senão pela educação.
03:47Acho que não há mobilidade social senão pela educação.
03:50Ou seja, se você está ganhando mal, se você não conseguiu vencer na vida, porque a educação é o único
04:00caminho para o crescimento pessoal, familiar e de um país.
04:04Todos os países que desenvolveram, hoje que estão desenvolvidos, passaram por um processo de educação e dão uma importância fundamental
04:13na educação.
04:14A educação do Brasil está na UTI.
04:17O último ato bom de educação foi de Paulo Renato, ex-ministro da Educação, que colocou todos na escola.
04:24Projeto fantástico.
04:26Obrigou a todos a colocar na escola.
04:27E ficou faltando o principal, que é a qualidade.
04:30Então, hoje, nossas crianças, nossos filhos estão na escola, obrigatoriamente, mas falta qualidade.
04:35Então, eu colocaria a educação como principal.
04:39Não vejo nenhum candidato defendendo a educação, o investimento total em educação.
04:44Isso é uma falha, pensando em futuro.
04:47Agora, esse quadro é isso aí.
04:48É saúde, porque o SUS é muito bom, mas ele é caro demais, impossível atender.
04:55Todos os estados estão com problema.
04:58Os municípios estão sobrecarregados.
05:00A gente vê aqui em Brasília, o coração do poder, aqui para fazer uma cirurgia, esperando oito meses, nove meses.
05:07Os planos de saúde ganham muito dinheiro, porque se não tiver um plano de saúde hoje, você não consegue ser
05:13atendido nas UPAs, né?
05:15E, enfim, há um quadro caótico de saúde.
05:19Aqui no Distrito Federal é um sintoma disso, só em qualquer hospital.
05:23Então, as pessoas estão sentindo na pele, quando um filho queima de febre, que chega na UPA, ganha uma pulseira
05:30vermelha, que é de emergência, e não é atendido.
05:32Então, assim, isso é um reflexo do dia a dia.
05:34E, em segundo lugar, a segurança pública, que apavora a todos.
05:39Há uma dificuldade de telefonar em certas cidades, como São Paulo, por exemplo.
05:45Você tem um telefone de celular, não pode usar.
05:47Você tem uma moto, não pode andar com ela.
05:49Quer dizer, isso provoca uma instabilidade muito grande.
05:52Então, eu entendo essas duas grandes preocupações, que é saúde e segurança pública, mas entendo que corrupção é a raiz
06:03de tudo.
06:03Um país corrupto não desenvolve, não é só o dinheiro que é roubado.
06:08É porque, quando algo passa por corrupção, a qualidade daquilo não presta.
06:13É por isso que as nossas estradas têm buracos constantes, porque não tem profundidade, porque não tem profundidade.
06:18A corrupção impede a fiscalização também.
06:21Além de roubar o dinheiro, não permite que o Estado seja exigente ao receber o produto.
06:28Então, eu colocaria educação em primeiro lugar e depois a corrupção, sim.
06:33Mas, enfim, é a ideia de todos, é esse quadro que nós temos.
06:37E, olha, gente, nessa mesma pesquisa, os brasileiros citam que a situação econômica do país piorou nesses últimos meses.
06:44Olha só, o percentual daqueles que avaliam que a situação econômica do país piorou subiu de 41% para 46
06:53% na comparação entre as pesquisas realizadas em dezembro do ano passado e março deste ano.
06:59Olha, a gente consegue fazer essa comparação.
07:01Piorou 41% há três meses e aqui 46%.
07:06Então, a percepção que tivemos uma piora na economia brasileira acabou aumentando.
07:11Em relação também, se melhorou ou não, 29% em dezembro do ano passado, 24% em março de 2026.
07:19E, além disso, gente, é importante a gente frisar que tem uma outra tela também sobre isso ou não, gente?
07:25Não? Só isso, então?
07:26Tem? Então, tá. Vamos para a segunda tela, então.
07:28Porque aqui traz a situação econômica do país, se vai mudar ou não.
07:32Também foi perguntado para os eleitores em relação à percepção econômica.
07:36E falaram em dezembro de 2025, 46% acredita que sim, que melhorou.
07:41Já em março de 2026, para 30% acredita que melhoraram a economia.
07:46Então, a gente vê também um decréscimo muito grande sobre a percepção da economia brasileira.
07:52Agora, Fábio Piper, não quero te ouvir em relação a isso,
07:54porque há pouco a gente estava discutindo o futuro do ministro da Fazenda, Fernando Haddad,
07:59os impactos, os efeitos que essa guerra no Oriente Médio pode trazer.
08:03E, de certa forma, essa questão da percepção da economia, que não anda tão bem assim ou não,
08:08isso pode também se tornar um elemento eleitoral muito preocupante?
08:13E isso acende um sinal de alerta lá no governo Lula?
08:15É claro que é evidente que a economia é determinante.
08:18Você vê que os números em dezembro são muito bons, 45 a 21,
08:21entre o melhorou e piorou e, de repente, três meses depois, isso muda,
08:25sem que tenha havido qualquer tipo de mudança real.
08:29Aliás, se houve alguma mudança, foi, por exemplo, a maior isenção de imposto de renda.
08:35Mas, por enquanto, isso não se refletiu em qualquer tipo de apoio adicional ao governo.
08:40Por quê?
08:41Porque eu acho, e aí é uma opinião,
08:44que é óbvio que essas opiniões também passam a ser, de certa forma,
08:48contaminadas pela percepção de aumento da corrupção com esses escândalos que estão toda hora.
08:53Então, não é que o sujeito, de fato, ele entenda que a vida dele piorou e tal,
08:58mas quando ele olha pra um monte de absurdos acontecendo,
09:02aí ele tem a preocupação de que isso possa respingar nele.
09:07Fora que, também, eu acho que o ambiente de guerra contribui,
09:12porque ele ouve notícia, eu achei televisão,
09:14ah, ah, ah, vai ver, bom, provavelmente a gasolina vai aumentar,
09:18a comida vai ficar mais cara, por conta dos efeitos da guerra.
09:22Então, ele vai se tornando, naturalmente, mais otimista.
09:26E aí, eu não tô só falando, não tô apenas me referindo
09:29à parcela mais pobre e carente da sociedade.
09:32Mas mesmo, por exemplo, o pequeno e médio empresário,
09:36ele começa a sentir um pouco de preocupação em relação a isso.
09:40Falou, opa, será que a minha mercadoria vai ficar mais cara?
09:44Como é que eu vou repassar preço?
09:46E aí, e os combustíveis, e o transporte?
09:50Então, é claro que isso vai se tornando um ambiente
09:55muito mais pessimista do que era.
09:58E veja, a gente tá falando em apenas três meses de diferença
10:02de um momento pro outro.
10:04E aí, a percepção muda muito rápido.
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