00:00Agora, Sr. Fábio Piper, eu quero também a sua avaliação, porque parece que os Estados Unidos medem a intensidade ou não do seu poderio agora no governo venezuelano,
00:11até o que foi prometido como a transição anunciada pelo presidente Donald Trump, de acordo com como vai sendo aceito perante a comunidade internacional.
00:22Porque o que separaria uma ação super ilegítima de uma ação só ilegítima dos Estados Unidos na incursão que fez no território venezuelano,
00:32seria entrar lá para dar cumprimento ao mandado da justiça americana e ponto, o que eles tratam de ação pontual, direta,
00:43do que tirar o que está no poder e continuar governando o lugar, que seria uma invasão, que seria menos aceito internacionalmente.
00:50E essas duas possibilidades foram ditas na entrevista concedida pelo Donald Trump,
00:56quando o Marco Rubio fala que ele só foi lá, pegou, deu cumprimento à ordem do Nicolás Maduro e pronto,
01:00mas na sequência o presidente vem e fala que agora eles é quem governam por lá.
01:05Como que você vê, Piper Nô?
01:07Nosso senhor, primeiro que já houve também um certo recuo no próprio discurso das autoridades americanas
01:13em relação a esse princípio de que, bom, a partir de agora nós governaremos.
01:19Já não tem sido bem assim nas últimas horas, né?
01:23Já falam, por exemplo, em colaboração com a nova presidente,
01:27o que abre também uma série de suspeitas em relação a isso que o Alangani falou,
01:31de um certo colaboracionismo dela, inclusive.
01:34Então, essa é a primeira suspeita.
01:36A segunda, em relação às reações da comunidade internacional,
01:41no primeiro momento, por exemplo, vários líderes europeus apoiaram a ação.
01:45vinte e quatro horas depois, também houve algum recuo por parte de certos líderes,
01:53como, por exemplo, o presidente Macron, um enfático defensor da ação,
01:57horas após o seu anúncio, e agora já alguém naquele meio tempo.
02:02Bom, Maduro realmente era um personagem deletério, mas a Venezuela é um Estado soberano.
02:08E aí me chamou a atenção, no sábado, um duro pronunciamento da líder da direita radical francesa,
02:19Marine Le Pen.
02:20Marine Le Pen, do ponto de vista ideológico, é óbvio que ela é quase que uma irmã se amesa de Trump
02:26e está em oposição frontal ao que é Maduro.
02:31E o que foi que ela disse?
02:33Bom, Nicolás Maduro é um personagem perverso, um ditador autoritário, comunista.
02:41Ela usa essa palavra, comunista, tá?
02:43E que, nos últimos tempos, empobreceu o seu povo, governou com espada na mão e tudo mais.
02:50Porém, existe um princípio da soberania dos Estados que não pode ser, de forma alguma, agredido.
03:01A Venezuela é um Estado soberano e continua ela.
03:04Hoje é a Venezuela.
03:06Amanhã, esse tipo de ação pode ser contra qualquer um de nós.
03:11Nós não podemos concordar com esse tipo de ação como a tomada pelos Estados Unidos.
03:17Vejam, quem falou foi uma das principais lideranças da direita radical europeia.
03:24Uma personagem que tem batido na trave em relação à possibilidade de governar a França.
03:30Não é uma pessoa banal.
03:32É uma voz importante em relação a esse espectro.
03:36Então, é claro que o governo americano também sabe que,
03:43embora, aqui na América do Sul, a direita vassala vá apoiar,
03:48mas isso vai dar margem a outros desdobramentos e outras reações.
03:54Por exemplo, como é que deve ter dormido o habitante lá de Taiwan?
03:59Porque o taiwanês hoje deve estar muito preocupado.
04:01Ou seja, se os Estados Unidos
04:03servaram o direito de invadir um país que está no seu continente
04:09por razões meramente ideológicas e econômicas.
04:14E o presidente Trump falou isso.
04:15Que o petróleo era o objetivo.
04:17Ele falou.
04:18Isso não é invenção minha.
04:19Ele falou isso no sábado.
04:20Naquele pronunciamento desastroso para muitos analistas.
04:24Quando ele assume que o petróleo foi uma das principais causas dessa ação.
04:29Então, o cidadão do taiwan fala.
04:31Bom, se ele invadiu lá por conta de petróleo,
04:34imagina o que o chinês vai fazer aqui,
04:37considerando-se que a ONU, até hoje, reconhece apenas uma China
04:41e Taiwan seria a província rebelde.
04:44E o ucraniano?
04:45Ora, se até sábado a Ucrânia tinha, no mínimo,
04:51o direito moral de lutar contra o Estado invasor,
04:55esse direito moral, ele acaba também se esvaindo
05:00à medida que a Rússia, em tese, teria até mais razões
05:05para uma ação contra a Ucrânia do que os Estados Unidos contra a Venezuela,
05:09até porque a Ucrânia é vizinha da Rússia
05:11e, historicamente, há regiões em litígio.
05:16Então, do ponto de vista do direito,
05:20eu considero a Rússia um Estado invasor.
05:22Quero deixar isso muito bem claro.
05:23Mas, uma ação da Rússia até mais sustentável e defensável
05:28do que a dos Estados Unidos em relação à Venezuela.
05:30Então, agora, essa ação americana dá margem a um liberou geral.
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