00:00Vou aproveitar aqui a presença do Cacá Boino, inclusive, para cumprimentá-lo, não é todo dia que a gente, né, encontra um corredor assim.
00:10Cacá, claro que Copa do Mundo está movimentando cifras gigantes, a gente tem, não vou dizer que pela primeira vez,
00:19mas nós temos uma Copa do Mundo diferente, três países e, obviamente, que isso vai mexer com muitas cifras.
00:27O Cacá fez um levantamento e mandou uns números para a gente, que nós transformamos aqui numa linguagem gráfica, vamos ver, o que vai gerar de cifras, de empregos, vamos lá.
00:39Público estimado, seis milhões e meio de pessoas nos estádios.
00:43Nos estádios, isso sem contar, obviamente, muita gente que vai para os Estados Unidos, para o México, para o Canadá, que não vai nem para o estádio, vai para a FanFest, vai ficar ali curtindo, tem um impacto realmente muito grande.
00:54Daqui a pouco a gente chega, tem um recorte também dos telespectadores em torno do mundo.
01:00Vamos arredondar, 41 bilhões de dólares de um impacto no PIB dos países envolvidos.
01:06Dos países envolvidos?
01:07Tudo isso, cara, envolvido.
01:08Num PIB global até 80 bilhões de dólares, porque tem impacto em PIB global, porque o investimento...
01:14É óbvio.
01:14Assim, a gente está vindo num assunto sério e a gente foi para um assunto que é sério para os brasileiros também, apesar de ser mais leve o assunto, mas a gente respira, vive futebol e Copa do Mundo.
01:26Então o nosso PIB também é impactado pelas ações, obviamente, da Copa do Mundo e isso acaba acontecendo globalmente, mas 40 bilhões é realmente um número impactante.
01:35Cacá, isso tem degraus, a gente pensa, ah, público, entendi o quanto que isso vai gerar em venda de ingressos, de produtos, o trânsito dos turistas, claro, mas tem benefícios, benefícios sociais na casa também dos 8,3 bilhões de dólares.
01:54A grande parte disso vem no próprio investimento, que está num quadro posterior, é no investimento da própria FIFA em projetos sociais também nos países envolvidos, mas você tem muito benefício social, porque dentro dos encargos da Copa do Mundo, você não precisa só construir estádio, mas você tem outras melhorias das cidades-sedes no entorno, então você traz um benefício social muito grande e também com receitas dos impostos da grande movimentação desse PIB, você acaba indo muito para a área social.
02:22Então, o impacto foi feito, um estudo pela própria FIFA, num impacto que daria social e a mais de 8 bilhões globalmente no impacto social.
02:30E aí, claro, nesses impactos de benefício, empregos, estamos falando de mais de 820 mil empregos, isso vai além da indústria do esporte?
02:41Vai além da indústria do esporte, isso é globalmente também, mas localmente nos países de sede, acho que 180 mil empregos fixos, não é só...
02:51Fixo, digamos assim, é um temporário por um ano, é quase um emprego fixo, não é aquele emprego temporário só para você ser ali ajudando na gestão da entrada do estádio, no cafezinho, na cerveja, não é só nesse emprego ali dos marshals, que os americanos gostam de falar, mas num emprego realmente temporário, porque tem um impacto logístico muito sério e principalmente na área de turismo.
03:13Então, Kaká, não é a primeira vez que a gente tem uma Copa multinacional, a gente já teve Coreia e Japão, Coreia do Sul e Japão, mas agora é trinacional, Estados Unidos, México e Canadá.
03:25Os Estados Unidos, vou colocar o Canadá nessa ponta também, uma coisa um ponto fora da curva, o soccer não é o esporte principal, o México é, os mexicanos super apaixonados pelo futebol, ok, a gente entende.
03:38Este fator, vamos colocar nesse combo, porque vai ser a maior e mais lucrativa Copa de todos os tempos, faz sentido? Tudo bem, Estados Unidos, um país de tamanho continental, o Canadá maior ainda, mas uma população muito menor, apaixonados por outros esportes.
03:59Ainda dá para colocar que vai ser um dos grandes eventos, um dos maiores eventos esportivos de toda a história?
04:06Ah, vai ser sim, sem dúvida nenhuma, até porque a gente tem não só a questão tradicional dos direitos de transmissão das TVs abertas, mas o mundo digital está cada vez maior, está mais forte.
04:16Então, você tem uma Copa um pouco mais global, principalmente agora que a gente tem mais países envolvidos.
04:22Esportivamente, tem gente que critica, porque vai ter jogo que, teoricamente, para o Brasil, que sempre é um dos favoritos a ganhar a Copa.
04:29Tem gente que vai discordar de mim, mas sempre é um dos favoritos a ganhar a Copa, vai criticar um jogo de países menores, não tão tradicionais no futebol, mas você envolve o mundo inteiro dentro do mesmo campeonato.
04:42Então, aquele país que ficava de fora, que talvez não respirasse tanto e talvez também não fosse o principal esporte daquele país, passa a viver a Copa de uma outra maneira.
04:52E isso afeta no público e no turismo.
04:54É um grande desafio logístico para Canadá e Estados Unidos.
04:57São países do tamanho do Brasil, e dois países muito grandes.
05:00A Copa começa pelo México, mas depois ela se encaminha principalmente para os Estados Unidos.
05:05Mas ali você tem um desafio que tem jogo no país inteiro.
05:09Exatamente.
05:09De leste a oeste, como aqui seria de norte a sul, lá de leste a oeste.
05:14E você tem que levar esse pessoal.
05:16Então, tem um impacto aí no turismo muito forte, porque eles vão se deslocar.
05:21Quem vai acompanhar só um ou dois países, quem vai torcer só para o Brasil, por exemplo, vai acabar andando em várias cidades dentro dos Estados Unidos.
05:29Então, vai ter que alugar carro, andar de trem, ficar em hotéis, comer em restaurantes diferentes, muito avião.
05:35E lá a Malha Aérea, ela suporta.
05:37No Mundial de Clubes, que foi o primeiro experimento, funcionou super bem.
05:40Eu tive o privilégio de estar lá presencialmente.
05:43Eu fui a várias cidades, eu fui a Charlotte, eu fui a Atlanta, eu fui a Nova York, eu fui a Miami.
05:48E você tem, sim, que são deslocamentos que eles falam que são simples.
05:51Porque você não vai para outra costa, mas não é tão simples assim.
05:53Não é tão simples.
05:54São viagens mais longas, mas funcionou super bem.
05:57Dia de jogo para Nova York, tinha dezenas de voos para Nova York, saindo de todas as outras cidades.
06:02Então, você consegue se deslocar muito bem, até mesmo no próprio dia de jogo.
06:06Então, essa foi uma grande preocupação americana de como resolver isso na parte logística.
06:10Mas, óbvio, que o grande impacto é na área de turismo e também, obviamente, nessa área de geração de emprego.
06:16Claro.
06:17Aqui a gente olhou, chamado copo meio cheio, os números positivos, mas tem outros gastos, custos.
06:24Tem uma outra arte aqui para a gente entender os outros impactos.
06:28Vamos lá.
06:29Distribuição de gastos.
06:31Isso.
06:32Quase 14 bilhões de dólares.
06:35No total, turismo aqui, isso os turistas vão gastar 7,5 bilhões, um aumento de 54%.
06:43Vamos fazer esse recorte aqui primeiro, cara.
06:44É, como eu falei, vai ter um turistas mais do mundo inteiro.
06:47Estados Unidos é um ponto que tem um certo conflito agora com algumas regiões.
06:52Isso pode afetar na questão de visto.
06:54Mas, o turista esportivo, o turista cultural, ele é visto de uma outra maneira.
06:59Ele, né, Olimpíada e Copa do Mundo param guerras.
07:02Claro.
07:03Então, a gente tem um outro tipo de impacto.
07:06Então, os gastos em turismo é o principal gasto que vai acontecer nos Estados Unidos.
07:10Então, muita gente vai para lá e ficar o mês inteiro, 40 dias.
07:14Perfeito.
07:15A FIFA faz um investimento muito alto, que grande parte dela é na parte social, mas também ajuda em infraestrutura.
07:21E você tem, obviamente, aí depois somado, são investimentos mais na cidade-sede e investimentos para poder suportar que não é só na cidade-sede, mas no país inteiro.
07:31A gente vai para 2,7 bi em infraestrutura mesmo, em aeroporto, em rodoviária, em infraestrutura, em saneamento básico, em tudo que vai aumentar a população naquelas cidades durante um período bem longo.
07:44E a gente precisa de um investimento maior.
07:46Então, a gente tem 14 bi.
07:47Fora o impacto do PIB dos países, fora o impacto do PIB global, você tem um investimento muito grande nesses três países que vão ser de água.
07:57Quando a gente fala de infraestrutura, você gera emprego na hora, principalmente de uma população menos treinada, ou seja, você dá um impacto nas classes menos favorecidas.
08:07É uma tremenda alavanca de crescimento.
08:10E nisso gera oportunidade de negócio, que é sempre o nosso assunto que a gente tenta trazer aqui.
08:14Ótimo.
08:14Porque se a gente está falando de 7,5 bi em turismo...
08:18Tem muito dinheiro na mesa, né?
08:20O brasileiro não vai participar disso?
08:21Então, tem muito brasileiro querendo estar na Copa do Mundo, querendo estar em loco.
08:25Muitas empresas que patrocinam o futebol no Brasil e que têm uma associação muito forte com o mundo do futebol e o mundo do esporte vão fazer campanhas de incentivo, de relacionamento com distribuidores.
08:38Então, a gente tem ali um...
08:40A gente falou um pouco dessa questão do desafio logístico, mas o patrocínio e investimento é grande e não é só o americano.
08:46O Brasil vai participar muito sério disso.
08:49Então, qual é a empresa que não quer levar seus representantes, seus clientes, seus distribuidores em loco fazer uma campanha na Copa do Mundo?
08:57Então, ela acaba participando e precisando também dessas agências de turismo no Brasil e lá, as pessoas especializadas, desde a compra do ticket até da reserva do restaurante.
09:05Agora, claro, né, Cacá? Quando você pensa em Copa do Mundo, esse planejamento começa há décadas, anos antes, porque a gente já sabe quais são as sequências dos próximos mundiais.
09:17Onde que eu quero chegar? Nessa linha do tempo, às vezes, aparece o imponderável. O negócio estava fora da curva e você não esperava, né?
09:24O governo Trump, com algumas questões políticas, criou sanções e exclusões. Quer dizer, esse aí é o chamado Copo Meio Vazio.
09:32Como é que você está analisando isso? Isso pode colocar ali um pouco de, vou repetir uma expressão que eu já usei aqui no jornal, um pouco de água no chope, não?
09:39Dá um pouquinho, né? Você tem a exclusão, por exemplo, da Rússia, que são de grande parte da Copa do Mundo, então é uma seleção que não vai, é um país importante globalmente.
09:47E você tem outros motivos aí, como com guerras, com dificuldades, com sanções, com um clima meio tenso.
09:54Mas isso, às vezes, é benéfico para uma Copa do Mundo. E eu explico o porquê.
09:59Quando você tem conflitos globais maiores, as empresas tendem a migrar os seus patrocínios, os seus eventos, para eventos esportivos.
10:08Porque elas vão mais no coração das pessoas. Como eu falei, o evento esportivo, uma Olimpíada, uma Copa do Mundo, paralisa a guerra.
10:14Então, neste momento, você pegar a sua empresa e investir no futebol, é um pouco, vou deixar esse confronto aí político, de sanção, de guerra, mais para o lado.
10:26Eu não vou me meter nisso. Eu vou aqui falar de esporte. Eu vou falar de cultura. Eu vou falar de turismo.
10:31Eu vou falar da paixão do meu cliente com a nossa seleção ou com mesmo a Copa do Mundo numa questão um pouco mais global.
10:40Então, no final das contas, os patrocinadores olham com muito carinho como oportunidade, fugir da polêmica, investindo no esporte.
10:47Mas, Cacá, você que já esteve nos dois polos, dentro do cockpit, dirigindo e atrás da mesa, fazendo o negócio com o patrocinador.
10:56Vou fazer, porque eu não entendo nada disso, vou fazer uma pergunta muito baseada num inconsciente coletivo.
11:01Uma grande marca vê aí um jogador, um esportista de diferentes categorias.
11:06Opa, vamos trazê-lo para a nossa marca, para ele usar aqui o nosso material esportivo, o nosso relógio.
11:14Tem uma cláusula de risco, né? Vai que eles se metem em alguma confusão, né?
11:20Como é que essas cláusulas de risco hoje estão?
11:23Quando a gente olha para um evento global, se o governo daquele país que eu estou patrocinando
11:31tem o símbolo da minha marca, junto com o brasão do país dele, como é que essa análise de risco existe hoje?
11:40São famosos embaixadores de marca também.
11:42Ah, exatamente.
11:44A gente vai muito atrás disso.
11:45É um momento sempre delicado para tudo, tá?
11:48Então, obviamente, eu trabalho também muito com automobilismo, até porque, como piloto,
11:52a gente acaba tendo, lá na nossa área corporativa, mais trabalhando com patrocínios esportivos da área de automobilismo.
11:59E é um ano que o automobilismo sofre muito, porque o investimento vai muito para o futebol.
12:03Ah, claro.
12:04Tem um esvaziamento.
12:06A cada quatro anos, o automobilismo sofre um pouco, porque os patrocinadores migram para o mundo da bola,
12:11para a compra de direitos, de televisão, que não são baratos, as transmissões que vão...
12:15Todos os jogos aonde serão transmitidos, essas cotas de TV.
12:19Mas a gente viu, sim, que eles estão reduzindo um pouco a questão dos embaixadores de marca.
12:25Não tanto preocupação com a bandeira ou com quem você faz negócio, mas quem fala por você.
12:31Então, eles têm um pouco de medo e receio de que, ao você trazer um embaixador de marca,
12:36que seja um ex-atleta, mas que não teve muito esse tato de falar com a imprensa, de falar com o público,
12:41ou que nem teve esse cuidado de fazer postagens nas redes sociais,
12:46acabe falando alguma besteira ou se envolvendo em alguma polêmica e a sua marca vai junto.
12:50Então, as marcas, geralmente, têm medo da polêmica. Elas não gostam muito do hater.
12:55Ela pode fazer um sucesso com 95% das pessoas.
12:58Desagradou 5%, as pessoas entram e comentam.
13:01No mundo como é hoje, todo mundo quer deixar sua opinião na rede social.
13:05E, por isso, esse mercado de ser embaixador de uma grande marca na Copa do Mundo,
13:09isso, sim, está em baixa.
13:11O que está em alta são as ações de experiência e relacionamento,
13:14principalmente porque há pouco tempo atrás, não faz tanto tempo assim,
13:17a gente viveu uma pandemia.
13:19Então, a gente teve uma última Copa muito afetada pela questão da pandemia
13:23e agora todo mundo quer estar em loco ou numa fanfest.
13:28Se você não tem verba para encaminhar o seu cliente até os Estados Unidos,
13:33você vai botar um telão na sua cidade, você vai fazer uma campanha,
13:36você vai fazer uma grande festa para que todo mundo possa ver a Copa do Mundo junto.
13:40Então, esse é a alta hoje do mercado, experiência e relacionamento.
13:46Olha, a Copa nem começou, olha quanto a gente já debateu.
13:52Cacá Bueno vai estar aqui, muito ao longo da nossa programação.
13:56Tem Fórmula 1, tem Copa do Mundo.
13:58Daqui a pouco a gente já começa, pós-Copa do Mundo, olhar para a Olimpíada.
14:02Tem muita coisa para falar e certeza que não vai ser a última vez que a gente falou de Copa do Mundo.
14:06Daqui a pouco a gente vai falar de alguns desafios da seleção brasileira,
14:09mas a gente vai falar de todos os esportes ao longo do ano.
14:12O ano está começando ainda e tomara que a gente tenha, todos nós, um grande ano.
14:15Obrigado.
14:16Obrigado, Cacá. Até semana que vem.
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