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O déficit acumulado das estatais brasileiras, que somou pouco mais de R$ 6 bilhões até outubro, expõe um problema estrutural de adaptação das empresas públicas a um ambiente econômico em rápida transformação, segundo avaliação do economista Roberto Troster. No caso dos Correios, segundo ele, a solução passa longe apenas de privatização ou redução de despesas e exige uma reinvenção profunda do modelo de negócios.

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Transcrição
00:00E ainda nesse assunto, puxado pelos Correios, o rombo nas estatais brasileiras somou até outubro pouco mais de 6 bilhões de reais.
00:09A crise nas companhias públicas expõe, além de prejuízos bilionários, pressão por reformas urgentes e má gestão.
00:17E para analisar esta situação, nós vamos conversar agora com o economista Roberto Luiz Troster.
00:22Oi, seu Troster, muito bom dia para o senhor. Que prazer revê-lo e falar contigo. Tudo bem?
00:30Tudo bem, seu prazer é recíproco. Também bom falar com você. Apesar que eu te assisto às vezes, então a saudade minha é menor do que a tua, com certeza.
00:41Que gentileza. Obrigado pelo prestígio, viu? Sempre bom tê-lo aqui conosco.
00:46E a nossa analista Mariana Almeida também vai participar deste nosso bate-papo, viu, seu Troster?
00:51Mas eu queria começar com o senhor. A gente está vendo, e muito se discute, sobre uma privatização ou não dessas estatais.
01:03Por que não é de hoje que, por exemplo, os Correios vêm apresentando resultados ruins, né?
01:09Já tem um alerta ligado lá de trás.
01:11Como fazer para salvar essa situação? Onde achar o equilíbrio entre privatizar ou ter ainda essa função pública, por exemplo, dos Correios,
01:20que precisam levar, por exemplo, encomendas nos rincões, onde talvez algumas empresas privadas não querem alcançar?
01:28Como tentar solucionar essa situação, seu Troster?
01:31Bom, primeiro, a gente tem que separar, e eu estou gostando da entrevista, estava assistindo inteira.
01:38O que é um bem público e o que é um bem privado?
01:42Quem está destruindo os Correios, quem está fazendo muito mal para os Correios, é a Lalamove, é o e-mail, é o WhatsApp.
01:51O que acontece com essas inovações e outras, o Federal Express, o DEA?
01:57O que acontece? Parte do volume de transações que iam pelos Correios agora vão por esses outros canais.
02:06Em vez de mandar um livro aqui na cidade de São Paulo pelo Correio, o Lalamove bem, pega na minha casa e entrega no destino.
02:16Quer dizer, então, uma encomenda que seria do Correio vai para a Lalamove.
02:21Eu uso os dois, né?
02:24Então, o que acontece com isso?
02:28A parte mais esquentada do Correio foi, assim, vamos dizer, entre aspas, roubado por essas inovações tecnológicas.
02:38Então, o que acontece?
02:41O Correio fica com a parte menos esquentada.
02:43Por exemplo, distribuição de cartas em cidades pequenas, onde tem o custo de distribuir as cartas, distribuir os encomendas, mas não tem a receita.
02:53Eu não sei como é alocado, quando eu faço uma encomenda, vamos supor, uma encomenda daqui para uma cidadezinha pequena lá no Acre.
03:03Eu não sei se parte do que eu pago aqui é alocado para o Correio de lá, mas o ponto é que você perdeu receita e perdeu a receita melhor.
03:15E é um bem público, quer dizer, você não pode deixar aquela cidadezinha pequena no Acre ou em Rondônia ou mesmo no interior sem serviços postais, né?
03:25Então, vai ter que, assim, enquanto não tiver outro jeito de transportar.
03:32Esse é o primeiro ponto.
03:33O segundo ponto é que o Correio é dificilário, às vezes, em outros países grandes, como a Inglaterra está com déficit, nos Estados Unidos estava com déficit, né?
03:43Então, você não pode privatizar tudo, quer dizer, todo mundo vai querer pegar o filé mignon do Correio.
03:50E aí, o terceiro ponto, o Correio tem que se reinventar, né?
03:54Tem uma expressão em inglês que se diz, sabe, sem mais last year, mesmo jeito do ano passado.
04:02Quer dizer, o Correio, do jeito que funciona, não vai funcionar, pode mandar embora todo mundo, não vai continuar.
04:09Não é um problema de redução de custos, é um problema de se adaptar.
04:14Num mundo em transformação, se você não se adapta, você está ansiando.
04:18Então, tem várias coisas que o Correio pode fazer.
04:22Um é mais ativo, né? Assim, parte de ter o Lalamove dos Correios, não sei, mas pensar um pouquinho mais, ocupar o espaço dos concorrentes.
04:32A segunda coisa que o Correio pode fazer é parcerias.
04:37Se tem uma rede nacional, talvez fazer uma parceria com a Caixa, com o Banco do Brasil, com o Banco, para também ser correspondente bancário.
04:45Quer dizer, então, eu acho que baixar custos só não vai resolver, por dinheiro só não.
04:53Quer dizer, o Correio tem que se adaptar.
04:55E um pouquinho o problema de todos os estatais.
04:57Antes, vocês estavam falando da Casa da Moeda, tem mais de 200 anos.
05:02Também tem que se reinventar um pouco, fazer outras coisas, pensar um pouquinho mais fora da Caixa.
05:09Professor Irmã, pegando um pouquinho essa questão da reinvenção mesmo e da necessidade de a gente estar sempre trabalhando com uma economia que está sempre em movimento,
05:20queria te perguntar, esse debate sobre quando que é melhor uma empresa pública, quando que é melhor uma empresa privada,
05:27qual que é a natureza do serviço, qual que é o modelo de gestão, ele acaba sendo bastante interditado, na minha opinião,
05:32muito ainda baseado quase em critérios alto do século XX, numa economia que tem acirrado, inclusive, as novidades em termos até de modelos de negócio.
05:42Você acha que tem alguma possibilidade da gente conversar isso de maneira um pouco mais distensionada?
05:49E pegando, inclusive, agora o Carlos Correios, porque agora ele chega, chega com essa proposta de corte de gastos,
05:54um empréstimo significativo demandado aí com o Tesouro entrando, que sempre fica com aquela sensação de, olha só, mais uma perda.
06:03É o momento para discutir de maneira mais aberta? Dá para fazer isso distensionado?
06:08Ou exatamente porque a gente só conversa na hora que está ruim, a gente vai continuar cometendo os mesmos erros do passado?
06:14Como é que você vê essa questão?
06:16Bom, vou te dizer, Mariana. Então, três coisas, de novo, três coincidências, né?
06:21A primeira, esse empréstimo é só postergar a hora da verdade, né?
06:27Se não fizer nada, daqui a dois anos nós vamos estar conversando aqui de novo sobre um novo empréstimo.
06:34Então, Correio tem que mudar. Só baixar custos, não fechar custos, baixar custos, fechar agência.
06:42Isso não resolve o problema. Você tem que se reinventar.
06:45E você tem que ver o que é o bem público, quer dizer, é uma função do Estado, coisas que o setor privado não pode fazer.
06:54O exemplo que eu dei é distribuir cartas numa cidadezinha para moradores quebeirinhos no meio do Pará.
07:03Então, para isso, tem que ser feito. E é um custo.
07:06E talvez uma maneira contábil de fazer isso é por um orçamento.
07:11Nós estamos subsidiando para essas cidades pequenas.
07:15O segundo, eu acho que esse debate de se modernizar é muito importante.
07:20Charles Darwin dizia, e vale para a economia, mas ele falava para as espécies,
07:25que não eram nem as espécies mais fortes, nem as mais rápidas que sobreviviam,
07:30mas as que sabiam se adaptar melhor às mudanças.
07:33Correio tem que se adaptar às mudanças.
07:36Vale para a Casa da Moeda, vale para o Infraero, vale para tudo.
07:41Quer dizer, você não pode só fazer uma análise quantitativa, você tem que fazer uma análise qualitativa.
07:47Acho que esse debate, o que o Correio pode fazer, tem um debate interessantíssimo.
07:52Acho que é muito bom ver o que outros países fizeram, ver o que a gente pode fazer,
07:58ver que tipo de parcerias, ver que tipo de outros serviços.
08:02talvez não só o empréstimo, mas às vezes fazer um investimento para realmente mudar.
08:09Correio, do jeito que está, não está.
08:10Você entra numa agência do Correio hoje, dos Correios hoje,
08:14é a mesma agência que você entrava há 20 anos atrás.
08:17Tem que mudar.
08:18Ou muda ou põe no orçamento.
08:21Não quer mudar.
08:22E terceiro ponto é que o setor público como um todo tem normas muito rígidas,
08:27tem pouca flexibilidade para mudar.
08:30Quer dizer, é fácil falar de fora, mas se você quer mudar uma coisa,
08:33você tem funcionários consulsados, não sei se é verdade ou não,
08:38mas só ouvi falar que a cada seis horas está tendo um processo trabalhista, os Correios.
08:44Quer dizer, você tem que mudar isso, tem que mudar a maneira.
08:48Se não, vamos voltar para trás.
08:51Quer dizer, o Estado tem que ter mais flexibilidade para as empresas estatais.
08:56Isso aqui é muito amarrado, fazem regras muito rígidas, então não dá muito espaço para mudança.
09:03Seu Troster, queria muito agradecer a sua participação aqui conosco no Agora
09:07e fazer até um agradecimento ao vivo, porque o senhor Roberto Luiz Troster
09:12foi quem me ensinou lá atrás, no início da carreira,
09:15muita coisa sobre economia, mercado financeiro.
09:18Então, assim, meu agradecimento, porque muito do que eu sei
09:22veio do nosso, do grande professor, não professor extra-oficial,
09:26mas do grande professor Roberto Luiz Troster.
09:28Um grande abraço para o senhor, uma ótima terça-feira,
09:31e sempre bom falar contigo.
09:33Muito obrigado, e muito obrigado pela mensagem.
09:36Você é muito querido, e como dizem em inglês,
09:39um break by day.
09:40Você fez contigo.
09:41Obrigado, viu?
09:42Um grande abraço para o senhor.
09:44Até mais.
09:44Tchau, tchau.
09:44Tchau, tchau.
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