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Uma megaoperação policial no Rio de Janeiro deixou mais de 60 mortos e 80 presos, provocando prejuízos bilionários e paralisando o turismo e o comércio. O analista Vinicius Torres Freire avalia o impacto econômico e social da violência urbana sobre o mercado e o desenvolvimento da cidade.

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Transcrição
00:00O Rio de Janeiro vive um dia de caos, com uma mega operação conjunta das polícias civil e militar
00:06e toda a retaliação dos criminosos.
00:09Tudo isso já resultou na morte de mais de 60 pessoas e na prisão de mais de 80 suspeitos.
00:16Além das vidas perdidas, o cenário de guerra paralisa a economia da cidade.
00:20Ruas estão desertas em vários bairros, com lojas de portas fechadas e um clima de insegurança
00:25até mesmo em bairros distantes do conflito.
00:27Comerciantes relatam que o medo impede o funcionamento normal das atividades.
00:33A maioria ainda não teve tempo de calcular o tamanho do prejuízo.
00:36Em relação ao turismo vital para a economia carioca, as imagens dos confrontos já estão circulando pelo mundo,
00:43criando uma sensação de medo que pode afastar visitantes.
00:46Várias vias importantes do Rio também estão fechadas, linhas de ônibus precisaram ser alteradas,
00:53enfim, um cenário de caos completo na cidade.
00:55Há dois anos, um estudo da Confederação Nacional do Comércio apontou que a violência urbana no Rio de Janeiro
01:01gerava um prejuízo anual de 11 bilhões de reais para a economia da cidade.
01:07E para comentar isso que o Rio está enfrentando hoje, nosso analista Vinícius Torres Freire está aqui de volta.
01:13O que dá para falar sobre o tamanho do impacto, Vinícius?
01:17Claro, não vamos nem entrar aqui na questão das vidas, porque isso não dá para medir.
01:20Mas o tamanho do impacto disso que está acontecendo, que é a operação e toda a retaliação dos criminosos,
01:24fortemente armados, para o Rio de Janeiro.
01:27Olha, Fábio, eu estava até pensando em escrever uma coisa, eu estava até escrevendo uma coisa sobre isso,
01:33pensando sobre o assunto.
01:34E aí a gente se pergunta, como é que a gente se acomoda a esse tipo de coisa,
01:40que às vezes se rompe no morticínio, que acontece em vários lugares na região do Rio.
01:45É bom lembrar que uma vez, em 2006, a gente teve centenas de mortes aqui em São Paulo,
01:49em 2006, com o levante do PCC.
01:51Mas a gente sabe que as pessoas, nós, os humanos, nos acomodamos à epidemia,
01:56que a gente viu, à guerra e um monte de coisa.
01:58O problema é, como a gente reverte isso?
02:01Porque a gente sabe, como é que a gente sai da acomodação,
02:04porque a acomodação é o padrão.
02:06Como é que a gente sai disso?
02:07Porque a gente está convivendo com isso e a gente está cada vez mais informado sobre o que acontece.
02:12Faz umas semanas, uns dois meses, teve grandes operações da Polícia Federal
02:17e com o apoio de alguns estados, para acabar com o mercado financeiro do crime,
02:21com a importação de cabana, para combater a importação em massa de combustível do crime,
02:27que tem um monte de posto de gasolina,
02:29que é um negócio gigantesco, que está estabelecido e enraizado,
02:32especialmente na cidade de São Paulo.
02:36A gente tem estudos empresariais sobre as perdas que o crime pode causar para a economia dos lugares.
02:43Esses estudos são precisos, mas, assim, tem um problema estrutural aí.
02:47A gente tem centenas de milhares de pessoas trabalhando em segurança no Brasil.
02:52Tem mais gente trabalhando em segurança do que nas polícias.
02:55É uma loucura, é um trabalho totalmente improdutivo.
02:58Os gastos com segurança, as perdas de vida, se a gente vai...
03:01Parece horrível, mas as perdas de vida têm até custo econômico.
03:04As pessoas que ficam incapacitadas ou traumatizadas...
03:09Famílias perdem os seus arrimos financeiros.
03:11Tudo isso é um desastre humano gigantesco e também econômico.
03:15E isso é contínuo.
03:18De um encontro, estoura e a gente fala, meu Deus, 60, 70 mortes?
03:22Porque eu já cobri um pouco de coisa disso ou trabalhei jornalisticamente com isso.
03:26E a gente não sabe quantas pessoas morrem.
03:28Tem umas pessoas desaparecidas nessas mortes.
03:31Dos dois lados, elas desaparecem com pessoas.
03:33Acontece.
03:33Então morre um monte de gente, a gente fala, e daqui a três semanas vai passar...
03:37E a gente vai lembrar com o PCC em 2006 em São Paulo.
03:40Ah, mas o PCC não faz mais levante em São Paulo.
03:42Não.
03:43Agora ele está no mercado financeiro.
03:45Agora ele importa combustível.
03:47Agora ele tem redes de lojas de conveniência, hotel, imóveis.
03:51O PCC, talvez ele seja...
03:53Ele tem um padrão empresarial paulista.
03:55Ele está tão organizado que não faz mais morticínio e organiza os lugares.
03:59E a gente tem que pensar nisso, organizar os lugares, porque o crime ocupa os bairros, especialmente
04:06de pessoas pobres, que vivem sob terror constante.
04:09E ainda por cima, drenam a economia porque eles vendem serviços de luz, vendem serviços
04:16de internet.
04:17Transporte.
04:18Transporte.
04:18Casa.
04:19Casa.
04:20Fazem condomínios, como lá na Zona Oeste, que motivou, aliás, foi um dos motivos que
04:25levou ao assassinato da vereadora Mandela e Franco.
04:28Então a gente tem uma estrutura gigantesca e a gente está acomodada nela.
04:34E a gente pensa nesses momentos, que é um horror absoluto, é guerra.
04:38O governador disse que não pôde trabalhar melhor porque não tinha tanque de guerra blindado.
04:43Bom, talvez até precise em algum momento você usar blindado, tamanha a deterioração
04:47da situação.
04:48Mas se a gente está discutindo se o problema é levar tanque de guerra, o negócio já foi.
04:53E agora tem drone do tráfico jogando granada em carro da polícia.
05:01É a guerra da Ucrânia.
05:04Então o problema é, esse horror é para a gente meditar e a gente lembrar, mas lembrar
05:09principalmente que nós estamos acomodados numa rede gigantesca que inferniza especialmente
05:16a vida das pessoas mais pobres e que está chegando a política, que chegou ao mercado financeiro
05:21e tem o nível empresarial e tem que estar chegando ao nível de empresa multinacional.
05:27E a gente vai ter coisas dessa espécie.
05:29Ou o tráfico, o crime cada vez mais enfiado na economia e na política, ou morticínios
05:36dessa espécie que ocorrem, como você pode ver, em bairro onde vivem as pessoas mais
05:40pobres.
05:41Então, o principal é, causa prejuízo?
05:44Causa.
05:45A gente pode fazer umas contas, mas é sistemático, é muito grande e a gente vive dentro disso.
05:52Inclusive, tem muita tese respeitável, de pesquisador respeitável, economista, sociólogo,
05:57antropólogo, etc., que diz que São Paulo está mais tranquila porque o PCC organizou a
06:03violência.
06:04não vamos matar mais, que isso causa confusão, e vamos ganhar dinheiro de maneira mais tranquila.
06:12Então, isso é um sintoma de uma coisa horrorosa na qual a gente está vivendo.
06:18Acostumados, e a gente se acostuma, os humanos se acostumam a horrores.
06:22Você pode ler relatos de guerras cumpridas, epidemias, como a gente teve a experiência, e a
06:27gente se acostumou com isso.
06:28Agora, como é que a gente vai fazer para desacostumar?
06:30Esse é o problema, porque segurança é sempre uma palavra que a gente ouve vagamente
06:35falar em campanha, e a gente ouve falar de polícia, a gente precisa de polícia para
06:40segurança e tal, mas a gente fala de combater, de guerra, de atirar, mas só que é um trabalho
06:46muito mais amplo e não é uma das políticas que a gente discute sistematicamente, como
06:51não é saúde, por exemplo.
06:53E, de vez em quando, a gente vê isso, que é um sintoma da nossa acomodação.
06:57É isso, e lembrando nesse contexto que, de novo, falei isso alguns dias atrás, as
07:03principais pesquisas mostram que violência é a preocupação número um do brasileiro.
07:08Entra a campanha, sai a campanha.
07:10O que a gente vê são promessas fáceis e simples, como o Vinícius apontou, nada de
07:14longo prazo, nada olhando o fato de tantas comunidades estarem desassistidas e, portanto,
07:22favorecendo a entrada de jovens para o crime, e aí a gente vê, você citou do PCC, bom,
07:28o PCC apavorou São Paulo há quase 20 anos.
07:312006.
07:31Quer dizer, 19 anos atrás, uma organização criminosa teve condições, teve articulação
07:38e estrutura para fazer o que fez com a maior cidade do Brasil.
07:41E parou a cidade inteira.
07:42Muito mais do que isso aqui.
07:44Em duas décadas atrás, e hoje a gente está vendo isso acontecer, quer dizer, o que aconteceu
07:49desde então, desde o PCC em 2006, para mudar alguma coisa?
07:53Nada.
07:54Qualquer que fosse o partido, qualquer que fosse o governante, federal, estadual, municipal,
07:58não mudou, o caminho continua exatamente o mesmo.
08:02Obrigado, Vinícius.
08:03Obrigado, Vinícius.
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