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Leonardo Trevisan, economista e professor de relações internacionais da ESPM, analisou a expectativa para o encontro entre Lula e Donald Trump na Malásia, marcado por tensões comerciais, interesses estratégicos e o papel do Brasil nas negociações sobre a Venezuela.

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Transcrição
00:00Sobre a expectativa para o encontro entre Lula e Donald Trump, eu converso agora com o Leonardo Trevisan,
00:05economista e professor de Relações Internacionais da ESPM.
00:09Boa noite, professor. Seja muito bem-vindo.
00:13Boa noite, boa noite, Marcelo. Boa noite a todos que não se escutam.
00:17Professor, todos os sinais que a gente tem até agora é de que o encontro deve de fato acontecer.
00:22Eu queria ouvir a sua análise sobre em que pé cada presidente chega para esse dia de negociação cara a cara.
00:27Porque parece que aquilo que estava sob a mesa no começo do tarifácio talvez não continue valendo.
00:34Exatamente. Eu acho que é bem isso.
00:37Eu acho que se nós olharmos com os dados que temos agora, nesse momento, a gente percebe uma realidade que é o seguinte.
00:46Há uma espécie de caminho de boa vontade, de caminho de sensatez entre as duas partes, por razões diferentes.
00:56Os fatos estão mostrando que o presidente Trump está enfrentando sérias resistências internas ao tarifácio.
01:06Não é apenas o setor agrário americano que reclama. Não é só isso.
01:12Claro que o setor agrário perdeu fregueses, enfrentou sério de problemas, mas não é só isso.
01:18O presidente Trump vai sentar na preneza com o presidente brasileiro pensando nos seus interesses, nos interesses dos Estados Unidos.
01:28E quais são esses interesses?
01:30Na prática, será retomar cadeias de produção interligadas.
01:36Há uma forte pressão nos ouvidos do presidente Trump de que as perdas são muito sensíveis para os empresários americanos.
01:49Isso tem significado.
01:51Marcelo, são seis mil empresas americanas que têm cadeia de produção interligada com o Brasil.
01:59O que isso quer dizer?
01:59A mercadoria começa a ser feita nos Estados Unidos e é mandada para completar aqui no Brasil.
02:07Às vezes, o contrário, ela começa aqui e completar lá.
02:10Por que é que tem questão de produção?
02:11São décadas dessa interligação.
02:14São negócios interessantes e vantajosos para os empresários, tanto brasileiros, mas americanos também.
02:20Fora isso, nós temos, é claro, produtos brasileiros que têm impacto forte na inflação.
02:27A primeira é a carne, evidente, todos sabem disso, uma inflação de quase 12% na carne.
02:33E o Brasil é o grande fornecedor.
02:35Café idem, mas não para por aí.
02:38Tem uma série de outros produtos brasileiros, até mesmo frutas, como todos lembram,
02:43mas uma série de outros produtos brasileiros que têm interesse direto para os americanos.
02:47Trump sentará na mesa com Lula, pressionado por esta realidade.
02:53Caminho de bom senso sempre acontece por pressão da realidade.
02:56E a realidade mesmo, para Trump, está de alguma forma sinalizando isso.
03:01Para o Brasil, também é um caminho de sensatez, por quê?
03:05O Brasil sentou nessa mesa sem retaliação.
03:09O presidente Lula conseguiu conter esse processo.
03:13A diplomacia brasileira foi muito eficiente em explicar aos americanos quais eram os nossos interesses.
03:22Eu repito, eu insisto.
03:24De alguma forma, o contato do nosso chanceler, Mauro Vieira, com o chanceler americano, Marco Rubio,
03:33em duas oportunidades, ele foi bastante eficaz.
03:38Mas, nessa segunda oportunidade, agora, dez dias atrás, houve uma reunião, uma porta fechada,
03:45só entre os dois líderes, entre os dois chanceleres.
03:49E, nessa reunião, ficou muito claro.
03:51Quando eles saíram para a reunião com os devidos ministros, com os secretários,
03:56o clima estava desanuviado.
03:58Você vai me perguntar o que Mauro Vieira disse.
04:01Aquilo que os americanos mais queriam ouvir.
04:03O Brasil continua a pertencer ao Ocidente.
04:06Nós temos negócios com a China, mas isso não significa que nós nos agarramos à geopolítica chinesa.
04:13Isso aí abriu portas, isso aí facilitou o caminho.
04:18É nesse tom que o presidente Trump falou, de forma inesperada, no avião presidencial,
04:26em circunstâncias certas.
04:27E o presidente Lula falou claramente, pode estar certo que haverá solução.
04:33Não há dúvida que estamos em algum caminho de entendimento e não de confronto.
04:39Professor, tem um outro tema espinhoso na mesa, que é o tema Venezuela,
04:42que acaba resvalando um pouco ali para a Colômbia também, né?
04:45Que é essa ação militar dos Estados Unidos aí, a pretexto de combater o tráfico de drogas,
04:50mas que está ameaçando dois países que são limítrofes aqui com o Brasil.
04:55O Brasil sempre foi muito ansioso disso, né?
04:57De não querer conflitos na América do Sul.
04:59Como é que deve ser a conversa em relação a esse tema?
05:02Olha, esse tema é mais delicado ainda do que as tarifas, né?
05:06Porque a tarifa tem um interesse direto americano.
05:10Aqui também tem, né?
05:11De algum modo, o Brasil vai representar uma espécie de intérprete da voz da América do Sul.
05:20Sabe, Marcelo, eu ousaria dizer que a nenhum país da América do Sul, eu repito, nenhum, nem mesmo a Argentina,
05:29interessaria, que é toda amiga com o Milley e o Trump, tudo isso,
05:34interessaria uma invasão americana militar no continente sul-americano.
05:39Não é só porque guerras, isso aí é desde que o mundo é mundo,
05:44todo mundo sabe como começa, não sabe como termina.
05:48Portanto, cautela é pouco.
05:50Toda cautela é pouco.
05:52Mas não é só isso.
05:53Como é que nós, de fato, se os Estados Unidos estabelecerem alguma invasão
05:58e alguma posse na América do Sul, como é que você tira eles daqui?
06:03Essa pergunta é uma pergunta que qualquer chanceleria faz na América do Sul.
06:08Então, isso não interessa a ninguém na América do Sul.
06:12O Brasil, talvez, com a posição de seu maior país, levaria isso a Trump.
06:18Para Trump interessa um confronto direto com a América do Sul?
06:22Também não.
06:23Trump está colocando um poder militar exagerado, desproporcional.
06:28Mandar o maior porta-aviões americano, o Gerald Ford, para as águas do Caribe,
06:36para um possível ataque à Venezuela, é desproporcional.
06:41A Venezuela, preciso lembrar, tem uma força militar muito frágil em relação à dos Estados Unidos.
06:47Sabe, Marcelo, a Venezuela tem duas fragatas, nada mais.
06:51Então, quando nós olhamos para isso, há um desequilíbrio total.
06:55Para que isso?
06:57Talvez a gente precise lembrar que essas ameaças todas à Venezuela têm um alvo interno e não externo,
07:05que é acalmar setores do Departamento de Estado e uma opinião pública americana
07:12que é muito raivosa em relação a regimes como o de Maduro.
07:18Acalma essas opiniões e, de certa forma, preserva interesses americanos.
07:24Ah, então o senhor tem certeza que não acontecerá uma invasão americana?
07:29Certeza, ninguém tem.
07:30Mas, de alguma forma, os fatos não conduzem a essa realidade.
07:34E talvez o presidente Lula seja o porta-voz dessa vontade comum na América do Sul
07:41de que as coisas têm um final pacífico.
07:44A CNN americana antecipou hoje de que há uma possibilidade, sim,
07:51de um entendimento diplomático.
07:54Talvez a gente tenha que esperar por essa solução.
07:57Leonardo Trevisan, economista e professor de Relações Internacionais da SPM,
08:02muito obrigado por essa participação aqui no Jornal Times Brasil e boa noite.
08:06Eu é que agradeço o convite de vocês, Marcelo.
08:09Boa noite.
08:10E aí
08:13E aí
08:15E aí
08:16E aí
08:18E aí
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