00:00...diz, o Supremo está em um mau momento, mas isso não começou agora, né?
00:05Porque um ministro foi citado, relação com Daniel Vorcaro, a história do resort,
00:10o outro tem a esposa, é proprietária de um escritório de advocacia, tem um contrato firmado.
00:15Não é disso que se trata.
00:17Eu acho que a gente vem tratando disso, né, Wilson, ao longo dos últimos anos.
00:20Eu acho que tem pelo menos uns cinco, seis, dez episódios que nós poderíamos elencar.
00:26Isso contribuiu para a perda de credibilidade do Supremo.
00:30Ok, quando a gente observa um movimento no sentido contrário, poxa, eles atenderam ao pedido da defesa do ex-presidente,
00:37quer dizer, há um movimento de tentar mudar essa percepção da população, mas eu te pergunto, ainda dá tempo?
00:46Tem que tentar.
00:48Se dá tempo, é difícil dizer.
00:50Mas eles estão montando, hoje a gente vive um momento de narrativas.
00:54A gente está aqui discutindo justamente uma narrativa que eles estão tentando construir de recuperação de imagem.
01:02Eu acredito que o Supremo começou a perder prestígio a partir do momento que as audiências ou as sessões passaram
01:15a ser transmitidas pela TV.
01:17É, entendi.
01:17Então, a TV e a justiça é a culpada.
01:19É, porque as pessoas acabaram conhecendo quem era quem, identificando...
01:25Eles ficaram mais descidos.
01:27É isso, é confusão.
01:29E não é...
01:30E aí começou as confusões institucionais.
01:35Que no fim, sempre o Supremo, que na maioria das vezes, toma a decisão final.
01:40E aí, com o advento da TV, com o advento das redes sociais.
01:45Porque o Supremo eram pessoas que você pouco enxergava, né?
01:51Deveriam se manifestar pelos autos, né?
01:53Que nem nos Estados Unidos.
01:54Nos Estados Unidos não tem nada.
01:56Nada, a decisão não são transmitidas.
01:59Você fica sabendo...
02:00Eu acho que tem um relatório, né, professor?
02:02É.
02:02Final da votação.
02:04Isso, o despacho e acabou.
02:05O despacho e nem quem votou o que ou no que, né?
02:08O despacho e o resultado, né?
02:09Partido, autocontidos.
02:11E é isso, você tem razão.
02:11A partir do momento que você transmite, que as pessoas se colocam como personagens da República,
02:20os personagens que a gente, volta a dizer, a gente não tinha acesso, acabava nem conhecendo,
02:25a visão acaba mudando.
02:28Acaba mudando porque se aproxima do mau humor da política,
02:33se aproxima do mau humor da Câmara dos Deputados e do Senado,
02:37ele dizia que o Supremo entra no bojo do mau humor da população junto à política nacional.
02:46E isso foi ruim para o Supremo.
02:48E acho que, em alguns movimentos agora, eles têm tentado criar uma narrativa de recuperação de imagem.
02:56Recuperação de imagem não se resolve do dia para a noite.
02:59Mas já estão dando o primeiro passo e enxergaram que, no momento que está...
03:05E tem uma coisa também que eu não sei se está no radar deles.
03:10Nós temos eleição em 2026.
03:12O mapa político, se se concretizar o que a gente está enxergando agora,
03:17porque política é só no dia da eleição, o resultado da urna,
03:22a direita deve ocupar um espaço maior no Senado.
03:28Se continuar o mau humor que existe hoje,
03:32parte desses senadores que vão ocupar o espaço...
03:34Porque eu digo parte, porque quando senta na cadeira...
03:38Muda muito.
03:39Ah, muda, muda, muda, né?
03:41Vão tentar a história de caçar os ministros do Supremo, um ou outro.
03:46Você apostaria isso só em uma nova legislatura?
03:49Porque muitos que aí estão defendem esse tipo de emprego.
03:52Não, é que defendem a...
03:54Tentam agora, mas não tem número.
03:56Na próxima legislatura...
03:58Ou a presidência também não colocaria em votação.
04:00Não, é isso.
04:00Você tem a presidência, mas não tem número também para apeitar o presidente.
04:05Em 2026, a partir de 2027, possivelmente esse número vai existir.
04:10E o Supremo também deve estar enxergando um pouco isso
04:14e tentando, de alguma forma, diminuir o calor dessa questão
04:19de tentar, de alguma forma, caçar o ministro do Supremo.
04:23Pois é.
04:24A gente vai tentar conectar, inclusive, essa pauta
04:27da insatisfação de parte do Legislativo
04:31na figura do Senado Federal
04:32no próximo giro de discussão,
04:35olhando já para o processo eleitoral.
04:37Deixa eu só chamar o professor Niemeyer,
04:39porque a gente fez um exercício aqui
04:42para verificar a situação atual do Judiciário,
04:46mas, claro, o Supremo Tribunal Federal,
04:49em meio às acusações de ativismo judicial,
04:53desrespeito às prerrogativas dos poderes,
04:56há, inclusive, essa ideia de que o Supremo
05:00ou o Judiciário conseguiria dar um cavalo de pau,
05:03um freio de arrumação até o final do ano
05:07ou, pelo menos, nos próximos meses.
05:09Como observa esse processo, professor?
05:13Daniel, eu sinto que falta recato, né?
05:16Uma postura mais recatada por parte dos ministros do Supremo.
05:20E aí um recato bem abrangente,
05:23porque eles não querem também discutir, por exemplo,
05:27e isso poderia ser discutido no parlamento,
05:32anos específicos do mandato de ministro.
05:35Você ter um limite e não uma coisa ligada à aposentadoria,
05:39fica muito ampla essa possibilidade da manutenção dos mesmos ministros.
05:46Existem muitos projetos que querem discutir uma reforma no Supremo,
05:50mas o principal é o Código de Ética.
05:53Pode ser interno, à medida que o presidente do Supremo,
05:56o Fachin, está tomando, tentando fazer,
05:59que é trazer mais transparência
06:02e fazer com que os ministros, no limite, tenham mais recato.
06:06A TV Justiça, os professores, estão certíssimos.
06:10Foi um instrumento de exposição exagerada dos ministros.
06:13Tudo bem que fazia parte de um processo pós-redemocratização,
06:17de dar mais voz e visibilidade
06:22às estruturas do Estado brasileiro e republicano,
06:25às estruturas da República,
06:26mas foi muito exagerado,
06:29se transmitiu o tempo todo, com muitos detalhes.
06:33A imprensa começou também a ter mais acesso
06:36com relação à vida de cada um deles.
06:39E aí eu falo do recato.
06:41Eu, sinceramente, me lembro de alguns ministros do passado,
06:45Vitor Nunes Leal, um grande intelectual,
06:48um grande ministro do Supremo, por exemplo,
06:50morava num apartamento simples, era um advogado.
06:53Agora, eu não quero aqui dar nomes, né, Daniel,
06:55mas a gente sabe que ministros do Supremo,
06:58eles têm empresas, né,
07:01eles atuam como empresários também.
07:04Eu me recordo, outro dia,
07:06conversando com os alunos do IBMEC,
07:07mencionando a carreira do diplomata,
07:09os diplomatas, pelo menos na minha época,
07:12os diplomatas não podiam.
07:14Os diplomatas não podiam ser donos de empresa,
07:17ter outro emprego, além da diplomacia.
07:20O máximo era ser professor.
07:21Eu espero que isso continue na chancelaria brasileira,
07:24e o mesmo deveria acontecer
07:27com relação aos ministros do Supremo.
07:30Falta recato.
07:32É isso que eu posso resumir até agora,
07:34depois da fala dos professores.
07:35Pois é, e aí eu quero conectar essa discussão
07:38à situação levantada pelo Wilson.
07:41Wilson, o quanto desse cenário deve ditar os debates eleitorais
07:46e podem, inclusive, motivar a decisão do eleitor.
07:52Ah, eu vou votar nesse,
07:53porque esse candidato defende esse tipo de pauta.
07:57E aí o Wilson deu o exemplo do Senado Federal.
08:00Há um grande contingente de pré-candidatos ao Senado
08:03que defende, inclusive, impedimento de ministro do Supremo.
08:07Eu vou recuperar a ideia e o conceito
08:11trazido aqui pelo Wilson,
08:13vou tomar a liberdade, já que ele disse que poderia...
08:15A senhora é o professor, a senhora pode chamar de Wilson.
08:17A Wilson, enfim, que é a narrativa.
08:21A depender da construção da narrativa,
08:24ela pode, sim, ter uma conexão muito forte
08:27com essa ideia que é...
08:30É dizer, uma parte do bolsonarismo radicalizado
08:34tem o desejo número um,
08:36que é a impeachment de ministro do Supremo.
08:38Professor, inclusive, parte desses eleitores
08:41vão votar no senador?
08:42Por isso.
08:43Por isso?
08:43Então, e outra coisa que o Sim aqui trouxe
08:48e o professor Niemar reforçou, corroborou,
08:52a questão de aparecer deste ministro
08:55que deveria ser recatado.
08:57O professor Niemar lembrou do Vitor Nunes Leal,
09:00coronelismo inchado de voto,
09:02um clássico da ciência política brasileira,
09:05da reflexão política brasileira, né?
09:08E tem um livro que fala sobre o Supremo Tribunal Federal
09:12chamado Os Onze.
09:13É um livro interessantíssimo,
09:15que mostra que você tinha onze ilhas
09:19que brigavam entre...
09:21Vocês lembram daquelas discussões do...
09:24E essa coisa da televisão tem um ponto aí interessante, né,
09:29Caniato, também pra gente ressaltar.
09:31O julgamento transmitido do Mensalão
09:35deu essa notoriedade a ponto da gente conhecer
09:38os onze ministros e hoje eu não sei declinar o nome
09:42dos onze jogadores da seleção brasileira,
09:44mas a gente sabe os onze ministros.
09:46Então, esta narrativa, esta verbalização
09:52e essa forma de dizer o seguinte,
09:53se você está descontente com os ministros,
09:57e aí tem a discussão de que o ministro
10:01ou o poder judiciário invade a Seara
10:04e quer governar.
10:06Mas essa é só uma parte da verdade,
10:08porque a outra é que também os próprios atores políticos,
10:13quando derrotados no debate e na votação,
10:16judicializam as decisões
10:17e levam pro Supremo Tribunal Federal.
10:20Então, você aí passa a ter uma situação quase
10:23de nitroglicerina pura,
10:26que é falta de recato,
10:30exibicionismo exacerbado por conta das redes sociais,
10:33porque, convenhamos, não é?
10:35Qualquer ministro, qualquer político
10:37já não consegue mais jantar ou comer,
10:39porque tem alguém com celular filmando
10:41no banheiro, no restaurante,
10:43na frente de casa, caminhando na rua
10:46e muitas vezes provocando.
10:47Então, a gente tem aí uma conjugação de fatores
10:51que tornou essa hiperexposição,
10:54no meu entendimento, ruim.
10:57Eu concordo com a tese de um mandato
11:00para ministros do Supremo.
11:03Eu concordo com, inclusive,
11:06uma tese que limitaria mandatos
11:08até mesmo para deputados
11:10que estão há 10 legislatos,
11:1240 anos cuidando na Câmara dos Deputados.
11:18Não, vamos renovar.
11:19Aí é um problema também das instituições
11:22e dos atores que eles são indignados seletivamente.
11:25O problema é só lá e não aqui.
11:28Então, a gente tem que pensar,
11:29e eu acho que a ideia,
11:31a palavra radical,
11:32ela não é ligada ao extremismo.
11:35Radical é quem vai à raiz do problema.
11:37Então, se a gente for pensar,
11:39e aqui chama-se visão crítica,
11:42porque a crítica tem que ser radical,
11:44para a raiz a gente tem que pegar vários aspectos,
11:47não apenas o Supremo Tribunal Federal.
11:50Mas, em síntese, sim, Daniel.
11:52Esta narrativa pode fazer diferença
11:55nas eleições e o grande medo.
11:57Por isso que o presidente Lula
11:59está querendo se desfazer de Alckmin como vice,
12:03para colocar Alckmin para concorrer ao Senado,
12:05Simone Tebet, Marina Silva.
12:08Então, são nomes, por quê?
12:09Que é o medo.
12:10E agora a gente renova, né?
12:13Dois são eleitos, um permanece.
12:15Dois terços.
12:16Dois terços.
12:17Então, isso seria a ideia do que o Sinho falou aqui,
12:21de um Senado muito mais à direita.
12:24E lembrando, um Senado mais à direita
12:26e outros ministros se aposentam.
12:29Então, um presidente de direita
12:30indicaria, em tese,
12:33como tem nos Estados Unidos,
12:34e republicanos e democratas,
12:36ministros também mais conservadores.
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