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Donato Silva, especialista em robótica, explica como o sistema elétrico brasileiro funciona e o que pode ser feito para modernizar a rede e prevenir futuros desequilíbrios. Descubra como a tecnologia e a inteligência artificial podem ajudar a monitorar e otimizar o sistema elétrico.

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Transcrição
00:00E um apagão atingiu várias regiões do país nessa madrugada e deixou bilhões de brasileiros sem energia por quase uma hora.
00:08O Ministério de Minas e Energia informou que o problema começou após um incêndio em uma subestação no Paraná,
00:15afetando o sistema de transmissão que liga o sul ao sudeste do país.
00:20Para entender o risco de novos apagões e os desafios da infraestrutura da rede elétrica no país,
00:25eu vou conversar agora com o Donato Silva, ele que é diretor-geral da Volt Robotics.
00:31Oi Donato, muito boa noite para você, seja bem-vindo aqui ao Radar, tudo bem contigo?
00:36Boa noite Eric, é um prazer a gente estar aqui, tudo jóia assim, está tudo bem.
00:41Prazer é todo nosso de recebê-lo aqui conosco.
00:44Ô Donato, o que o país precisa fazer, ou se é que existe algo para fazer,
00:50para não ter esse tipo de apagão, se precaver, por exemplo, pelo que consta,
00:55foi um problema aí que fugiu às mãos do controlador do sistema elétrico, foi um incêndio.
01:02Tem como se precaver disso?
01:05Sim, Eric, hoje o setor elétrico, o sistema elétrico do brasileiro é todo interligado.
01:11Se a gente pudesse entrar numa tomada, a gente poderia decidir para qualquer lugar,
01:17ir para qualquer lugar, ah, quero ir para Porto Alegre, você consegue chegar lá,
01:20eu quero ir para Manaus, você consegue chegar lá.
01:21Ah não, eu quero ir para Recife, você consegue chegar para qualquer lugar do Brasil,
01:27o sistema é todo interligado.
01:29A gente tem as usinas que geram a energia, essa energia, ela entra numa rede de,
01:35que a gente quando está viajando vê aquelas torres de transmissão,
01:37aquelas torres altas na estrada, a energia flui por essas torres, chega perto das cidades,
01:43ela é transformada até chegar naqueles fios que passam na rua e chegam até a nossa casa.
01:48Então tudo isso tem que funcionar em equilíbrio, né?
01:51E o que aconteceu nessa noite, por volta da minha noite e meia,
01:55foi que quando aquela subestação ali no Paraná, né,
01:59era uma instalação que estava passando uma energia por ali,
02:02estava vindo energia do sul para o sudeste.
02:05A hora que ela teve ali um acidente, né, que essa questão do incêndio em um dos equipamentos,
02:10e ela se desligou, o que aconteceu?
02:13O Paraná estava mandando, né, o sul estava mandando energia para o sudeste.
02:17Então ele tinha lá uma carga e a geração no sul era maior do que aquela carga,
02:21porque um pedaço estava vindo para o sudeste.
02:23Aí o setor se desarranjou ali por conta de uma sobra instantânea de energia.
02:28No sudeste ele tinha uma carga, mas a geração do sudeste era menor,
02:32porque ela estava recebendo do sul.
02:34Opa, faltou geração no sudeste de repente,
02:36na hora que o sistema foi desligado por causa do incêndio, gerou um desequilíbrio.
02:41Nessas horas, o sistema já contém uma série de equipamentos, né,
02:46que eles vão atuando e restabelecendo esse equilíbrio.
02:49Se não tiver em equilíbrio, tem um apagão, né.
02:51E aí ele foi desligando alguns consumidores.
02:55Logo que ele fez isso, no sul ele desligou algumas usinas, né,
03:00aquele excesso de geração sumiu, voltou ao equilíbrio.
03:03No sudeste ele foi desligando alguns consumidores,
03:05a falta de geração sumiu, foi ligando outras usinas e teve equilíbrio.
03:09Então foi algo assim muito rápido.
03:12E em alguns milissegundos, alguns consumidores, depois de desligados,
03:16eles foram religados entre sete e oito minutos.
03:20Alguns que demoraram mais, chegaram a demorar duas horas e meia, né,
03:24mas foram os que mais demoraram.
03:26Então o sistema se reequilibrou.
03:28E toda essa tecnologia que existe para restabelecer o equilíbrio,
03:31ela funcionou, mas teve consumidor que ficou no escuro durante um período aí de no máximo duas horas e trinta.
03:39É como se a gente estivesse andando de carro, né, e a gente sofresse um acidente.
03:43O airbag funcionou, ninguém se machucou, né.
03:46Mas é óbvio, a gente não queria que o airbag funcionasse,
03:48a gente nem queria ter o acidente, né.
03:49Mas ele ocorreu e aí os mecanismos de controle, eles de fato atuaram, tá certo?
03:55É como se fosse também, poderíamos fazer um paralelo,
03:57como se fosse o disjuntor de casa, ele caiu para evitar problemas maiores
04:02e depois quando você religa, demora um pouquinho para restabelecer toda a energia da casa,
04:07mais ou menos isso também, ou não?
04:08É mais ou menos isso.
04:09Só que esse disjuntor que tem lá, são alguns disjuntores automáticos.
04:13Eles percebem, vão se desligando e depois tentam religar e já vai se restabelecendo.
04:17Como se fosse isso.
04:18O que a gente precisa só entender é que, olha, o sistema em si, ele é cheio de redundâncias.
04:25Para a energia fluir de um lugar para outro, existem vários caminhos.
04:29Existe uma coisa que é, essa redundância ela é por projeto, né,
04:33ele é feito assim, ele é desenhado assim.
04:35Para quê?
04:36Para quando algum pedaço dessa rede toda falhar, e os equipamentos falham, né,
04:41a gente não sinta.
04:42Então tem uma meta, é uma meta muito clara que, olha,
04:45se um equipamento da rede tiver algum problema e ele se desligar,
04:50a meta é não podemos cortar carga.
04:53E a gente cortou.
04:54Então é óbvio que agora vai começar um trabalho de estudar exatamente o que aconteceu
04:58para ver que, olha, o que deveria ter a mais, o que deveria ter além
05:02para não ter esses desequilíbrios.
05:04Com certeza tem investimentos que a gente pode fazer,
05:08tem equipamento que pode ser colocado.
05:09Então a nossa rede, não essa subestação específica, mas em vários pontos,
05:14ela é uma rede que é antiga, ela precisa ser modernizada.
05:18Então tem muita tecnologia nova hoje em dia que instala muito, muito equipamento
05:23nos equipamentos elétricos, para ficar monitorando vibração,
05:28monitorando temperatura e várias outras coisas.
05:30E vários algoritmos, inteligência artificial inclusive,
05:34que monitoram esses dados e começam a pensar,
05:36opa, aquele equipamento ali está com a temperatura mais alta do que deveria.
05:40Olha, aquele equipamento ali está tendo tal e tal vibração.
05:43Então eles já dão os alertas para a gente atuar preventivamente.
05:46Nesse caso, a gente não conseguiu atuar preventivamente,
05:49teve um incidente ali, o equipamento que pegou fogo,
05:52e na hora de desligar deu desequilíbrio.
05:54Por que deu desequilíbrio?
05:56Por que a gente não conseguiu restabelecer sem cortar nenhuma carga?
05:59E aí vão ter várias considerações.
06:01Toda vez que ocorre um apagão desse, esse desequilíbrio,
06:05as coisas são analisadas assim de...
06:08A gente pega um segundo e divide em mil pedaços, está certo?
06:12E começa a analisar o que aconteceu, equipamentos, equipamento e tudo,
06:15até seguir essa lógica.
06:16Mas isso é feito aqui no Brasil e é feito no mundo inteiro.
06:20E entre os operadores de sistemas elétricos, existe uma troca de experiências.
06:24Então a gente com certeza consegue aprender com outros apagões que tiveram em outros países
06:30e também vai conseguir aprender com o nosso.
06:32Tem sempre o que melhorar.
06:34Dona Tom, a gente sabe que o Brasil está vivendo aí uma época mais de estiagem.
06:39A gente tem mais termoelétricas ligadas, inclusive estamos com bandeira vermelha.
06:43Isso aumenta um pouquinho o valor da conta de energia do consumidor.
06:48Você falou que em algumas partes do país, algumas regiões, há equipamentos ultrapassados.
06:54Isso pode ter alguma influência?
06:56A gente sabe que as termoelétricas têm um potencial maior para gerar energia.
07:00Isso pode ter alguma influência ou não?
07:03Olha, a gente diz que as máquinas do setor,
07:07quando a gente olha para uma usina hídrica, olha para uma usina térmica,
07:10a gente vê aquele gerador lá girando, então ele tem uma massa, está certo?
07:14Quando ocorrem as perturbações no sistema, esses geradores têm o que a gente chama de inércia.
07:20Ele atua contra a oscilação e ele ajuda o sistema a estabilizar.
07:26Então, o fato de ter termoelétricas operando, ele até melhora a questão da estabilidade do sistema.
07:33O que a gente precisa ver é se a gente está pensando estrategicamente em onde colocar esses ativos
07:38para que mesmo termoelétricas talvez menores, mas atuando em várias áreas do país,
07:43elas possam tornar o sistema todo mais estável, mais robusto,
07:49para quando aconteça esses choques, o sistema consiga se reequilibrar rapidamente.
07:53Isso serve tanto para as hidrelétricas quanto para as termoelétricas,
07:56essas máquinas que têm inércia.
07:58E hoje em dia, mesmo as máquinas das usinas eólicas, das usinas solares e tudo,
08:03elas têm tecnologia para simular também essa inércia.
08:06Então, se teve esse desequilíbrio ali nessa interface da região sul com a região sudeste,
08:11a gente vai ter que analisar exatamente por que ela se propagou.
08:15Porque, a princípio, o sistema foi projetado para conseguir amortecer as variações.
08:20Foi uma variação pequena, do ponto de vista do porte de carga se estabeleceu logo,
08:25e foi durante a noite, então a gente não teve tanto impacto econômico.
08:29Então, assim, dos problemas, acho que foi o menor.
08:31O que deve ficar realmente o alerta é se a gente está conseguindo criar um sistema robusto
08:36em termos de ser estratégico, colocar essas máquinas no lugar certo
08:41e conseguir manter esse equilíbrio.
08:43A gente tem que ter essa meta, né?
08:45Qualquer perda de um equipamento não pode provocar corte de carga.
08:49E, dessa vez, provocou.
08:50Então, a gente não cumpriu a meta.
08:51Vamos entender o porquê, né?
08:53Donato Silva, obrigado pela sua participação aqui no Radar.
08:56Uma ótima noite.
08:57Um grande abraço para você.
08:59Agradeço.
08:59Uma ótima noite.
09:00Muito obrigado, Eric.
09:01Obrigado.
09:01Obrigado.
09:02Obrigado.
09:03Obrigado.
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