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No Visão Crítica, o professor de economia Gustavo Macedo aprofunda a crítica de que o apoio a Donald Trump transcende a política tradicional, configurando-se como um movimento de seguidores fiéis. A análise foca em como o presidente utiliza a controversa política de tarifas (o tarifaço) não apenas como ferramenta econômica, mas como elemento de polarização e de fidelização de sua base.

Confira o programa na íntegra em: https://youtube.com/live/phDcXZOj20s

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Transcrição
00:00Professor Gustavo Masser, na sua opinião, então, como é que é possível, quer dizer, com base que falaram os nossos colegas,
00:10aí eu já estou, também com o professor, me colocando como colega, mas não vou opinar sobre a questão,
00:15mas tanto o professor Roberto Dumas, o professor José Souza apresentaram as suas leituras.
00:21No momento que, desses acontecimentos, especialmente depois da ONU e o Telefonema,
00:26foi surpreendente, dois meses atrás, quando o quadro apareceu, há três meses, então nem se fala, o quadro apareceu bem diferente.
00:34Então, na sua opinião, o que significa? Pode ser uma tendência, pode não ser, significa uma conversa séria e não de bravatas,
00:43já que nós estamos falando de um comércio importante e de um parceiro para os Estados Unidos, que é o Brasil,
00:48na América do Sul, muito importante, porque eu acho que ele não percebeu, alguns conselheiros, creio eu, do presidente norte-americano,
00:55que a Argentina tem um falastrão com o presidente, e hoje tem somente de reserva 700 milhões de dólares.
01:02A situação da Argentina, eles estão ali, no pescoço tal, e escândalo estourando de tudo que é lado,
01:09ligação com o narcotráfico que estava na lista do partido dele, a irmã Karina Gate, tem lá um escândalo,
01:15aparece outro escândalo ali, tem a questão também da criptomoeda, não para tal.
01:20E a popularidade do presidente não para de cair.
01:25Então, eu pergunto a você, quer dizer, como é que você faz a análise desse momento agora, que nós estamos vivendo?
01:31Foi surpreso ou não?
01:33Olha, Vila, bom, primeiro, boa noite, é bom estar com vocês, vê-los novamente.
01:38Obrigado, é um prazer estar de volta ao programa, ver que o programa continua crescendo,
01:43e participando de um debate que, quando eu vim da primeira vez, não havia começado ainda, que é essa questão do tarifaço.
01:51Exato.
01:51Eu coloco da seguinte forma, viu, Vila, eu tenho uma tese de que o tarifaço,
01:57o Trump começou essa política do tarifaço atirando para vários países,
02:01por trás de cada tarifaço tem uma motivação diferente.
02:07No caso brasileiro, ninguém me convence do contrário, a principal motivação é a guerra das Big Techs.
02:16Quando você pega a carta que o Trump mandou para o Lula, se não me engano foi no dia 9 de julho,
02:23o que a gente teve antes, dois dias antes, a gente teve a declaração dos BRICS,
02:28e a declaração dos BRICS para a inteligência artificial.
02:30É quando você lê a carta do Trump, ele começa, primeiro o parágrafo é aquele lero-lero sobre Bolsonaro, não sei o que e tal,
02:38e aí depois ele começa a falar sobre déficit comercial, não sei o que, mas o mais importante é o último parágrafo.
02:44O último parágrafo é a hora que ele pega e fala sobre regulação de tecnologia e plataformas sociais,
02:50que é o que para mim está em jogo aqui.
02:53Ficou muito claro que, na verdade, ali foi uma bravata,
02:56o presidente norte-americano está acostumado a jogar pôquer,
03:00ele vai para cima, ele testa, ele quer ver se você tem carta para você continuar na rodada,
03:06ele tem, como se fosse na metáfora do pôquer, ele tem muitas fichas para poder apostar,
03:12então ele vai subindo a aposta e ele tenta fazer com que você desista daquela rodada, daquela partida,
03:18que ele percebe que você tem mais a perder do que ele,
03:21e foi mais ou menos o que ele fez desde então.
03:24Bom, eu fico muito feliz de ver o que está acontecendo agora com esse momento de aproximação,
03:30porque primeiro que, nesses últimos dois meses e meio,
03:35a gente teve que assistir um monte de pseudo-analista falando que o Brasil tinha que ir para frente,
03:41ou então tinha que baixar a cabeça para os norte-americanos,
03:45que tinha que aceitar os termos, que vão os anéis e ficam os dedos,
03:49e tal, um monte de besteira nesse sentido.
03:51Porque, como você bem colocou, a gente tem 200 anos de tradição.
03:55Tem 200 anos de tradição, uma excelente relação, de modo geral,
04:00uma excelente relação com os norte-americanos,
04:02reconhecer a nossa independência, participar dos momentos mais importantes da história da vida política brasileira,
04:09por mais observações que a gente possa ter, tem algumas vírgulas nessa relação,
04:14mas a gente tem uma boa relação com eles, nesses 200 anos.
04:17Então, o que a gente percebeu?
04:19A gente vê uma política externa, liderada por uma diplomacia, que está acostumada a lidar com os norte-americanos,
04:26e que ela fez exatamente o que tinha que ter feito.
04:28Ela ficou na dela.
04:30Esperou, não abaixou a cabeça, esperou, aguardou, veio,
04:33o Brasil perdeu um pouco essa, deixou de ser um pouco a bola da vez, como vocês colocaram,
04:40que era uma questão de tempo, ia abaixar a bola, depois passou a ser a Índia,
04:44a gente viu o ataque à Índia agora no último mês.
04:47O presidente Donald Trump, ele não tem eleitores, ele tem seguidores.
04:51Ele, como o Zé Maria colocou agora há pouco, ele vive muito das bravatas, da viralização,
04:58ele vive muito dessa audiência.
05:01Ele precisa ficar alimentando novas polêmicas nesse sentido.
05:05Então, eu acho que agora o que a gente teve?
05:07A gente teve, de fato, uma preparação por parte da diplomacia profissional.
05:12A gente soube também que teve uma importância muito grande.
05:15A gente teve pelo menos três lideranças empresariais brasileiras que estavam participando também,
05:22que organizaram, ajudaram a costurar, o Joésio Batista, o Lehmann e outros participaram.
05:29Então, eu acho que agora é o momento de calma, de trabalhar com calma,
05:33abaixar a bola, tentar negociar a tarifa dos 10% e diminuir um pouco, fazer contenção de danos.
05:43E esperar o que vem agora, porque a gente não pode esquecer que a gente só tem oito meses de governo Trump.
05:48Tem ainda um pouco, tem mais de três anos.
05:50Então, é uma questão de administração de danos e tentar manter uma boa política,
05:56mas a gente aprendeu muito com esse episódio.
05:58Porque o empresariado brasileiro, por exemplo, foi para a China, abriu, fechou acordo com a União Europeia.
06:05Então, assim, foi uma oportunidade.
06:07Nesse sentido, também foi uma oportunidade.
06:09Então, eu acho que o Brasil sai fortalecido desse episódio.
06:13Porque o Brasil, ele expandiu o seu leque de parcerias comerciais.
06:17Houve um posicionamento orquestrado por parte dos nossos poderes federais,
06:26uma declaração por parte do Congresso na época, o STF apoiando, o Executivo administrando.
06:32Então, eu acho que o Brasil sai fortalecido para essa negociação.
06:35Só depois recuperar essa questão que o Dumas trouxe sobre o Rubio.
06:39Isso me preocupa bastante, porque ele é provavelmente o próximo candidato à presidência.
06:44Diferente do Trump, que não tem mais nada a perder, porque não vai ser eleito,
06:48ele provavelmente é o próximo candidato do Partido Republicano.
06:51E ele pode querer radicalizar.
06:54Só lembrar quem nos acompanha, porque a gente sempre faz alguns parênteses que são importantes no campo histórico,
07:01é lembrar que o ano que vem os Estados Unidos completam 200 anos de independência.
07:05250 anos, perdão.
07:07250 anos de independência.
07:08E justamente eu fico sempre brincando se Washington, Jefferson, Hamilton, Franklin,
07:14se conhecesse o Trump e o choque que certamente teriam.
07:18Porque são pessoas, é uma tremenda geração brilhante daquele momento da independência,
07:24depois toda a discussão dos federalistas.
07:26É um grande momento no campo da política.
07:28E lembrar que no centenário da independência dos Estados Unidos, 1876,
07:34o único chefe de Estado estrangeiro convidado foi o Imperador do Brasil, Dom Pedro II.
07:39Então, lá para lá foi, foi a segunda viagem ao exterior do Imperador,
07:44a primeira foi em 1871, a segunda em 1876,
07:47depois ele vai à Europa, até Terra Santa, depois volta ao Brasil,
07:51e a última viagem já é próxima ao final do Império, já em 1887, 88.
07:55Mas no caso norte-americano, é importante porque ele percorre e recebeu com honras
07:59em várias cidades norte-americanas e lá que conhece o famoso episódio do Grambel e do Telefone.
08:06Então, é só para mostrar que essas relações, elas são antigas
08:09e têm as relações culturais, especialmente do século XX,
08:13e mais ainda a partir da política da boa vizinhança,
08:16com a ida de intelectuais e artistas brasileiros aos Estados Unidos,
08:19e o inverso também ocorreu, Orson Welles é o caso mais conhecido,
08:23e a relação que nós temos, Brasil, com a cultura e com a contracultura americana,
08:28também produzida no final dos anos 50, literatura beat e por aí vai.
08:33Estou só dizendo isso para mostrar a complexidade,
08:35porque tem gente, como o Gustavo bem lembrou,
08:38que fala que a maior autoridade sobre assuntos que não têm o mínimo domínio,
08:42mas, de certa, a gente fala assim,
08:45puxa, deve ter feito tantas leituras, tantos estudos,
08:48mapas gráficos para chegar a essa conclusão.
08:50Não, nada, ele chutou, como dizia, minha avó, ele fala porque tem boca,
08:54então é um problema.
08:56Pergunta, o professor Roberto Dumas, antes de a gente entrar,
09:00eu acho importante essa questão do Marco Rubio, que você muito bem destacou,
09:03mas a questão dos novos parceiros,
09:06nessa discussão que o Gustavo mesmo lembrou também.
09:09É um momento, é uma oportunidade que nós temos
09:12para finalmente fechar o acordo Mercosul-União Europeia,
09:16que esse acordo também é interminável, essa discussão, ou não,
09:20ou é, nós temos de rever toda essa questão do acordo,
09:24isso não tem nada a ver com a discussão da nossa relação com os Estados Unidos,
09:27qual é a sua opinião?
09:28Não, tem, tem, veja, o timing é perfeito.
09:30Nós estamos discutindo o acordo Mercosul-União Europeia já há 22, 23 anos,
09:38e temos problemas do nosso lado,
09:41e temos problemas do lado, principalmente da Irlanda e da França,
09:45que sempre tem o aspecto do agronegócio.
09:48Agora, se a gente falar também do nosso lado,
09:51a gente fala muito da coisa da reindustrialização.
09:53Olha, o problema do Brasil é que falta a industrialização,
09:57mas o problema está durando há 22 anos.
10:01Então, por exemplo, se a gente for falar alguma coisa aqui de industrialização,
10:06vamos falar sobre a educação.
10:07O Brasil é um dos países que mais investe em educação no mundo,
10:10só que ele investe em percentual do PIB,
10:13e a gente investe muito mais no setor universitário
10:17do que no setor fundamental.
10:19Nós investimos mais ou menos, se eu não me engano,
10:25um 7 ou 8% do PIB,
10:27é um dos maiores do mundo que a gente investe.
10:29Mas investe muito mais na universidade,
10:31e os países que deram mais certo no mundo
10:33investiram muito mais no fundamental.
10:35Então, todo esse tempo que nós tivemos, de 22 anos,
10:38por que nós não mudamos a nossa agenda
10:40e transformamos num bom profissional,
10:43num profissional produtivo?
10:44Outro problema, por exemplo, que a gente tem aqui,
10:47que a gente demora, por exemplo, o Macedo colocou muito bem,
10:50nós estamos fazendo mais os acordos comerciais,
10:52mas nós estamos fazendo acordo comercial justamente no momento
10:55onde a faca está no meu pescoço.
10:58Eu fiquei dependente da China 30%,
11:00e isso parecia um momento de regozijo.
11:04Gente, 30% de dependência,
11:06não estou falando mal da China,
11:08não estou falando mal dos Estados Unidos, não é isso.
11:10Mas quando eu trabalhava em banco,
11:12a gente falava nada de depender mais do que 10%
11:15em qualquer segmento econômico.
11:17E o outro problema,
11:1950% da população brasileira
11:21não tem acesso ao saneamento básico.
11:2490% da população da região norte
11:27não tem acesso ao saneamento básico.
11:29Outro dia eu falei com um economista,
11:31ele falou, isso aí não é questão da economia.
11:33Como não é questão da economia?
11:34Essas crianças que vivem justamente
11:36sem saneamento básico,
11:38sem tratamento de esgoto,
11:39ela vai ter problema de criança.
11:41Ela vai ter vômito, diarreia.
11:42Eu não vou produzir um bom trabalhador.
11:46Em 20 anos não deu pra cuidar disso daí?
11:48E agora a gente ainda está falando
11:49que nós não vamos industrializar?
11:51Eu poderia ter feito um bom trabalhador.
11:53Mas ele ainda estou construindo
11:55trabalhadores neurobiologicamente prejudicados.
12:01Prejudicados.
12:02Então você tem um tempo de 22 anos,
12:05ou uma geração,
12:07que o Brasil não se preparou.
12:09Que ainda fica naquela discussão.
12:11E ainda temos mais 10 anos,
12:13se não me falha a memória,
12:15pra reduzir 98, 90, 99% as tarifas.
12:20Claro que tem o lado da Europa.
12:22Tem o lado da Europa.
12:23A diversificação é importante.
12:27Em nenhum momento,
12:28eu advogo,
12:29que a gente fique dependendo
12:30de 30% de nenhum país.
12:33Porque esses países,
12:35eles podem sofrer,
12:36de alguma maneira,
12:37uma pandemia,
12:38um civil unrest,
12:40por exemplo,
12:41China está querendo invadir Taiwan.
12:43Ah, mas não vai invadir.
12:44Bom, mas é o que Xi Jinping falou.
12:46Que a história de Taiwan,
12:47que foi lá de 1895,
12:49para os japoneses.
12:51De 1895 a 45,
12:52ficou para os japoneses.
12:5345 para 49,
12:55ficou terra de ninguém.
12:56Chiang Kai-shek,
12:57voa para...
12:58Voa não, né?
12:59Vai para 49,
13:00vai para a República da China.
13:04Xi Jinping,
13:05depois de já ter feito Hong Kong,
13:07falou,
13:07agora nós vamos pegar Taiwan.
13:10E como é que eu fico dependente
13:11de 30% de semicondutores desse país?
13:15Da China, por exemplo,
13:17ou juntamente com Taiwan?
13:18Vamos juntar os dois juntos.
13:20Vamos colocar os dois juntos.
13:21Então, é importante essa diversificação.
13:24Não estou dizendo que eu quero
13:25deixar dinheiro na mesa.
13:27Não é isso.
13:28Por exemplo,
13:28nós quadruplicamos
13:30a exportação de soja
13:32para a China agora.
13:34Porque não sei se há uma demanda maior,
13:37certamente há uma demanda maior,
13:39mas a oferta dos Estados Unidos,
13:42principalmente de milho,
13:44trigo e sorgo,
13:45zerou em julho,
13:47julho e agosto.
13:48Eles compraram muito mais,
13:50ou melhor,
13:50compraram praticamente
13:52do Brasil e da Argentina
13:54do que dos Estados Unidos,
13:55como aconteceu em Trump 1.
13:58Isso foi uma maneira
13:59de retrucar
14:02o tarifácio do Trump 1
14:05com o Trump 2.
14:06Só que Trump não é bobo.
14:07Nessa nova negociação,
14:08ele vai colocar cotas de soja.
14:11O Brasil tem que estar preparado para isso,
14:14porque o Trump,
14:14no final das contas,
14:15ele aprende também.
14:16Ele vai colocar novas cotas
14:18do agronegócio dele.
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