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O programa Jornal Jovem Pan deste sábado (27) conversou com o professor de relações internacionais Igor Lucena para debater as expectativas em relação à primeira conversa entre os presidentes Lula e Donald Trump. O comentarista Diego Tavares também participou do assunto.

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Transcrição
00:00A grande expectativa para a semana que vai começar, uma primeira conversa possível entre Lula e Donald Trump,
00:07antes, sim, de uma reunião presidencial.
00:10O nosso entrevistado agora é o professor de Relações Internacionais, Igor Lucena, mais uma vez, gentilmente nos atendendo.
00:16Bem-vindo, professor. Boa noite.
00:19Boa noite, Thiago. É um prazer estar aqui com vocês.
00:21Prazer é sempre nosso.
00:22Bom, professor, claro que é muita especulação.
00:24A gente sabe que o Itamaraty ainda vem apresentando muita cautela com essa possível reunião entre os dois.
00:31Mas, ao que tudo indica, é possível uma reunião ainda virtual nessa semana agora,
00:38pra depois termos a reunião efetivamente presencial.
00:42Se fala em Mara Lago, se fala em um campo neutro, né, professor?
00:46Pro governo brasileiro é melhor que seja assim?
00:48Olha, Thiago, pro governo brasileiro, acho que a posição seria de que ganha alguma coisa concreta.
00:58Esse é o meu ponto.
00:59Quando a gente fala de locais, a gente tem um evento da FAO, que o presidente Trump pode estar presente,
01:06o presidente Lula, em Roma.
01:08Nós temos o encontro dos países asiáticos, a Asia, que o presidente Trump estará, sim, presente.
01:13O presidente Lula quer participar dos países do sudeste asiático.
01:17Nós temos a possibilidade que, depois desses eventos, haja um encontro,
01:22tanto em Mara Lago, na Flórida, quanto também na Casa Branca.
01:26O grande ponto, e aí é uma situação que não é simples,
01:30é o governo brasileiro e o Itamaraty querem abrir um canal de negociações
01:35que possam falar de investimentos, possam falar de redução de tarifas,
01:39mas sem ter aquele...
01:42Eu não diria que era uma humilhação, mas passaram uma espécie de teste de ferro do presidente Trump,
01:47aonde o presidente da África do Sul passou, o presidente Macron passou,
01:53e basicamente todos os líderes que foram visitar o presidente Trump,
01:56ele fala abertamente do que ele não gosta de ver no país, independente de ser aliado ou não.
02:03E, obviamente, o Brasil vai passar por isso.
02:05A gente viu várias críticas sobre isso.
02:08O grande ponto, Tiago, que, independente de qual seja o local,
02:13se for uma reunião virtual, eu não vejo possibilidade de nenhum ganho,
02:17apenas algum tipo protocolar que não resolveria os problemas.
02:21Se for uma reunião presencial, o Brasil precisa trazer para a mesa de discussão
02:27o que os Estados Unidos querem ouvir, ou seja, diminuição de barreiras comerciais
02:32para produtos americanos no Brasil e, principalmente, terras raras.
02:38O Brasil é um dos grandes players de terras raras que nós, a nossa indústria,
02:43não tem capacidade para explorar.
02:45Ou seja, parcerias com empresas americanas são de fundamental importância,
02:50porque esses elementos de terras raras são a base para a produção de armamentos
02:57de alta tecnologia e, principalmente, chips de grande capacidade tecnológica e militar.
03:04Então, acho que esses são os pontos principais.
03:06O grande questionamento é se o governo brasileiro está disposto a abrir essas concessões
03:12e falar, na verdade, sobre isso, como fez o Japão,
03:15que disse que ia investir mais de 500 bilhões de dólares nos Estados Unidos,
03:19e a Ucrânia, que fez um acordo para exploração conjunta de terras raras no seu território.
03:24Acho que esses são os pontos principais.
03:26E também, acho que, Tiago, é importante dizer que o empresariado brasileiro tem pressa.
03:32O empresariado brasileiro não vê o tempo da política, vê o tempo dos seus negócios.
03:38Isso porque, quanto mais passa o tempo, mais mercado é perdido
03:44e, se os importadores americanos começarem a encontrar outros fornecedores,
03:48isso significa que vai ser muito difícil, mesmo com acordos de dimissão de tarifas,
03:54as nossas exportações voltarem a patamares do passado.
03:58Professor Igor Lucena, vai chamar o nosso comentarista, o Diego Tavares,
04:02que está aqui conosco nesse sábado.
04:03A sua pergunta, Diego.
04:06Professor Igor, boa noite.
04:07Um prazer conversar com o senhor aqui no JJP.
04:10Professor, eu não me lembro, na história, de ter visto alguém dizer que não tinha agenda
04:14para atender o presidente dos Estados Unidos da América, principalmente no contexto no qual
04:18o seu país está sendo alvo de tarifas tão pesadas que estão fragilizando setores completos da economia.
04:26Mas acompanhamos isso pela primeira vez durante essa semana na Assembleia da ONU.
04:32A minha pergunta é, a que se deve, na opinião do senhor, essa relutância do presidente Lula
04:38em se encontrar com o Donald Trump?
04:41Olha, eu acho que existem dois fatores, um externo e um interno.
04:45O primeiro fator, que seria o fator interno, é que esse conflito com o presidente Donald Trump,
04:51que nós estamos acompanhando nas pesquisas, e essa evocação de uma espécie de saldo,
04:59eu diria até um ufanismo nacional, uma espécie de ideia de soberania contra os americanos,
05:05isso está sendo positivo para o presidente Lula do ponto de vista eleitoral.
05:08É só a gente olhar um pouco de melhora nos índices eleitorais que ele está tendo.
05:14Então, acho que esse é um primeiro ponto.
05:15O presidente Lula está tentando avançar sobre terreno perdido visando a campanha de 2026.
05:22O segundo ponto é que eu não acredito que o presidente Lula esteja convicto
05:27do que levar para uma reunião com o presidente Trump.
05:30Só falar abertamente aquela política brasileira do blá blá blá,
05:35vamos baixar as tarifas e voltar a ser o que era, isso não resolve.
05:39O presidente Trump, ao colocar as tarifas, quer ganhar com isso.
05:43Ele ganhou isso com menos tarifas para os seus produtos na União Europeia.
05:47Ele ganhou com isso, com mais investimentos de Taiwan, no Japão, nos Estados Unidos.
05:52Então, acho que o presidente Lula também ainda não entendeu ou não digeriu
05:57qual cardápio vai levar para o presidente Trump.
06:01E essa visão, eu acho que é muito errática, que o governo brasileiro tem de negociar
06:06pari-passo, como se o Brasil e os Estados Unidos tivessem o mesmo peso político, geopolítico e econômico.
06:14Acho que está errado.
06:15Acho que a gente tem que entender que o Brasil é uma potência regional,
06:18mas nossa economia é infinitamente menor que a economia americana
06:21e o peso das tarifas vai recair muito mais sobre os nossos produtores,
06:26os nossos empregos, do que os Estados Unidos.
06:29Os últimos dados mostram o aumento do crescimento do gasto americano,
06:33o aumento do crescimento dos investimentos americanos.
06:36Então, essa história de que suco de laranja e café vai impactar radicalmente
06:40a economia americana não está impactando.
06:43Então, acho que o governo brasileiro está fazendo algum tipo de charminho
06:46que não é positivo para o empresariado.
06:51E, obviamente, no segundo semestre desse ano, agora,
06:54os efeitos econômicos vão bater na produção brasileira
06:57e, principalmente, nos empregos que vão ter um impacto aqui.
07:01Então, acho que a gente tem que mudar um pouco essa retórica política
07:04e trabalhar muito mais uma retórica econômica do ponto de vista do governo federal.
07:09E, professor, e por falar em questões econômicas,
07:12agora há pouco eu estava até conversando com o Diego aqui
07:14sobre a inflação nos Estados Unidos,
07:18sobre as consequências do tarifácio também para os Estados Unidos
07:21e a população, claro, que reclama.
07:23O preço sobe também, não só o tarifácio contra o Brasil,
07:27mas também em relação a outros países.
07:29Isso pode pressionar o presidente Donald Trump
07:33a tentar negociar e reconhecer que 50%
07:37um índice imposto aqui para o Brasil
07:41deveria ser amenizado pelo bem do próprio cidadão americano?
07:45Será que ele raciocina dessa maneira?
07:49Olha, Tiago, eu acho que ele raciocina se isso bate na sua popularidade.
07:53Lembrando que o presidente Donald Trump não tem reeleição.
07:56Ele já foi a segunda vez no seu mandato, então ele não está pensando nisso.
08:01Eu estive vendo agora muito recentemente alguns contatos nos Estados Unidos
08:05e o que mais se fala lá é sobre a questão da imigração.
08:09A inflação de fato existe, o aumento de inflação é sentido,
08:13mas ele não é o ponto principal que está motivando a população americana.
08:18A população americana está muito mais preocupada com a política migratória,
08:22com a questão dos conflitos internacionais e como os Estados Unidos estão se posicionando.
08:27E apesar de um aumento inflacionário,
08:29a economia americana está crescendo e está crescendo forte.
08:33A gente está vendo isso na Bolsa de Valores e na economia real.
08:36Então, a gente viu uma queda na taxa de juros do Federal Reserve
08:40e vamos ver provavelmente mais duas quedas.
08:43Então, do meu ponto de vista,
08:45o aumento inflacionário nos Estados Unidos é importante,
08:48é um sentimento que o americano médio está sentindo,
08:51mas ele não é preponderante,
08:53ele não vai ser um fator que vai pressionar o presidente Donald Trump por um acordo.
08:59Muito provavelmente isso chega na Casa Branca,
09:02isso é impactado,
09:04mas o presidente Donald Trump não cede a essas visões
09:09de que essa inflação está impactando sua base.
09:13O sentimento muito maior é a taxa de juros alta
09:16que impacta a construção civil
09:18e principalmente o preço de casas nos Estados Unidos.
09:21E isso, sim, tem um impacto muito maior
09:22que não tem nada a ver com a nossa visão,
09:26a política monetária americana é bem diferente,
09:28mas esse problema da política monetária
09:31já está sendo adereçado e vai diminuir.
09:33Então, o meu ponto é,
09:34a inflação, sim, é um problema nos Estados Unidos,
09:37mas ele não vai ser preponderante
09:39e o Brasil não vai poder contar com isso
09:41como um elemento de negociação daqui para frente.
09:44O presidente Trump vai fincar os pontos
09:47no que ele pode ter de vantagem
09:50para empresas brasileiras no Brasil.
09:53E o que ele pode ter de vantagem
09:54vai depender fundamentalmente
09:56do que o Brasil vai apresentar
09:58nessa primeira ou numa segunda reunião.
10:00Se não apresentarmos nada de vantajoso,
10:03o presidente Donald Trump não vai ter interesse
10:06em diminuir as tarifas com a gente.
10:08E ele vai dizer,
10:09o Brasil continua sem ser um parceiro do Brasil,
10:13dos Estados Unidos.
10:14E é isso que ele fala.
10:15Ele quer ver essa parceria
10:16em uma espécie de benevolência econômica
10:19dos outros países para com os Estados Unidos.
10:21Professor, rapidamente para a gente fechar,
10:23agora há pouco nós demos aqui a informação
10:25de que o governo americano
10:27mandaria tropas para o Oregon,
10:30porque existem protestos
10:31contra o governo dos Estados Unidos.
10:34E nós já vimos recentemente
10:36as decisões, as determinações
10:39do governo Donald Trump
10:40em relação a Washington, por exemplo,
10:41que são locais democratas.
10:44A senhora acha que esses protestos
10:46nos Estados Unidos
10:46podem ganhar corpo
10:48ou o governo americano
10:49vai conseguir contornar isso?
10:53Olha, Tiago,
10:53eu não vejo esses protestos
10:55ganhando corpo
10:56porque eles são muito localizados
10:58em territórios democratas.
11:00Nos Estados Unidos,
11:01quando você olha o mapa,
11:02os territórios democratas
11:04são aqueles em cidades
11:05majoritariamente adensadas,
11:08são cidades que tem
11:10uma grande população,
11:11mas o grande centro-oeste americano,
11:14ele é republicano,
11:18ele é rural,
11:18ele aprova as políticas
11:19de Donald Trump.
11:21E dois dos principais estados
11:22mais ricos,
11:23a gente tem os grandes estados ricos
11:25dos Estados Unidos,
11:26que basicamente dominam o PIB,
11:29a gente tem dois que são
11:30majoritariamente republicanos,
11:32que é o Texas e a Flórida,
11:34que a gente não vê
11:36esse tipo de manifestação,
11:37muito pelo contrário.
11:39Califórnia, Nova York,
11:41agora essa situação no Oregon,
11:43tudo bem,
11:43mas eu acredito que
11:44isso não tem uma capacidade
11:46de se alastrar
11:47por outros estados
11:49que estão extremamente divididos
11:51e muitos apoiam
11:52o presidente Donald Trump.
11:54Então, enquanto a sociedade americana
11:55estiver, sim,
11:56efetivamente dividida
11:57e os estados são
11:59majoritariamente democratas
12:01ou republicanos,
12:02eu acredito que
12:03essas manifestações
12:04vão ficar
12:05presas, entre aspas,
12:07a territórios democratas
12:08e não aos territórios
12:10republicanos.
12:12Então, acho muito difícil
12:13isso se tornar algo
12:14totalmente mainstream
12:15no governo americano,
12:17salvo que haja
12:18uma mudança
12:18muito radical
12:20no governo Donald Trump,
12:21que eu não acredito
12:22que ocorra.
12:23Igor Lucena,
12:23economista,
12:24professor de Relações Internacionais,
12:26obrigado sempre
12:26pela gentileza,
12:28professor,
12:28volte sempre aqui
12:29na Jovem Pan.
12:30Um abraço.
12:31Obrigado, Thiago,
12:32Diogo,
12:32uma boa noite.
12:33Muito obrigado.
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