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00:00Música
00:00Documento Jovem Pan
00:16Da Roma Antiga às ruas de Paris no século XVIII, das praças do Oriente Médio ao coração das metrópoles brasileiras.
00:25Uma mesma busca atravessa os séculos, a necessidade de se organizar, de reivindicar, de transformar.
00:34Hoje os movimentos sociais assumem novas formas, ampliam sua voz pelas redes digitais e desafiam governos com uma velocidade nunca antes vista.
00:44Mas, até que ponto esses movimentos repetem o passado e em que medida inauguram algo totalmente novo?
00:52Acompanhe tudo isso no Documento Jovem Pan.
00:55Mais de 2.500 anos atrás, a PLEB, ou seja, os cidadãos comuns que faziam parte da República de Roma,
01:06se organizaram para buscar igualdade de direitos com a aristocracia.
01:10Até então, somente os mais ricos tinham direitos políticos.
01:14Obviamente, aquela sociedade romana era muito diferente em várias questões.
01:22Uma delas, por exemplo, falamos aqui do ponto de vista da comunicação e tal.
01:28Não tínhamos nem meios de comunicação de massa, mas as pessoas se organizavam, porque isso é parte constitutiva do homem.
01:39Mais de dois séculos de conflitos que resultaram na equiparação de direitos entre patrícios e plebeus e, em definições, moldam a política até hoje,
01:49como a Lei das Doze Tábuas, o equivalente romano à Constituição e a criação de plebiscitos que aumentaram a participação popular.
01:58Eu diria que há uma certa impossibilidade material de a gente traçar um histórico dos movimentos sociais,
02:06porque eles estão correlatos à história da humanidade, à história do trabalho, principalmente.
02:13Mas eu diria que movimentos sociais não são cíclicos, porque movimentos que surgem e têm suas pautas não tendem a regredir.
02:21Eles podem sumir à base de qualquer sociedade, em qualquer período histórico, em qualquer tempo histórico.
02:29É a forma como ela produz e distribui riqueza.
02:32Eu sou da área da economia política, que é a área que estuda o processo de distribuição da riqueza.
02:36Os movimentos sociais, a gente pode olhar eles como uma chuva, dentro dos períodos históricos.
02:42Pode alagar, pode também, por exemplo, dar ótima colheita, ser propício para a colheita.
02:51Pode apenas molhar, digamos, a varanda.
02:54Mas, querendo ou não, os movimentos têm esse pendão deles serem um termômetro,
02:59uma percepção visual histórica de que as estruturas estão balançando, digamos assim,
03:07ou que as estruturas estão sob risco.
03:09Então, me parece que essa questão da organização, e principalmente da organização por parte daqueles
03:18que têm reivindicações concretas para a melhoria das suas condições de vida,
03:27para a melhoria dessa sociedade, elas vão ter uma presença ao longo da história.
03:35E, certamente, todos nós somos, nós contemporâneos, movimentos contemporâneos, somos tributários deles.
03:45Porque, de alguma forma, ensinamentos, acertos, erros, equívocos, problemas,
03:54nós fomos ao longo da história, incorporando, refletindo e pensando como, espero, que no futuro,
04:05daqui mil anos, alguém venha fazer um programa e falar, então, as jornadas de junho do Brasil e tal,
04:14e terão muitas coisas importantes a falar dessa importante mobilização por nós debatidas até hoje,
04:24muitas coisas ainda incompreendidas, muitas coisas ainda processadas, e é assim que ocorre, é um processo importante, seja dessa forma.
04:35Então, onde tiver cidade, não só cidade, mas, onde tiver aglomerado populacional, onde tiver trabalho organizado coletivo,
04:45e onde tiver economia, você, naturalmente, vai ter, sim, a possibilidade de ter a presença de rebeliões, revoltas e movimentos sociais.
04:54Estamentos e sempre você tem ali grupos marginalizados, oprimidos, enfim, né?
05:00Então, assim, quando a gente pensa em termos de paralelo, eu acho que cada movimento, ele é único, mas tem uma história, e você tem as razões.
05:11Jamais ser a rebeldia, a nossa fronteira, jamais ser a rebeldia.
05:18Na era moderna, um outro movimento popular mudou os rumos da humanidade para o que vivemos hoje.
05:24A Revolução Francesa, liderada por populares, resultou na Declaração do Homem do Cidadão.
05:31O movimento dos Santos-Culotes, na Revolução Francesa, que foi realmente um movimento que surgiu das massas, né?
05:38Um movimento de massas, que negou o status quo daquela ocasião.
05:45Esse, sim, esse do Santos-Culotes, que foi bastante violento, teria algum pertencimento com o que foi, que aconteceu depois, na esfera política da humanidade.
06:00A Revolução Francesa, a partir dos funcionamentos derivados de várias organizações sociais,
06:06acaba que essas organizações aceleram o processo que já estava se rebuscando em toda a Europa,
06:13e essa própria Revolução Francesa irá também impulsionar revoluções liberais pelo continente americano,
06:25parte da América Central, parte também da América Latina.
06:29Então a gente vê que, na verdade, há um encadeamento de relações, encadeamento de influências,
06:36e que os movimentos sociais, portanto, têm um papel decisivo.
06:38Então você tem uma pressão, é uma pressão que vem da base, né?
06:42Uma pressão que vem da base da sociedade, e essas mudanças acabam ocorrendo no âmbito político, né?
06:49Então são mudanças legais, né?
06:52Então você tem alteração no código eleitoral, em códigos penais, por exemplo, né?
06:57Eu acho que, assim, a primeira coisa importante para nós pensarmos é que tanto os movimentos sociais,
07:05eles são reflexos das transformações em várias dimensões que ocorrem na sociedade social, política, econômica, cultural,
07:16mas eles também são promotores dessas transformações, eles são atores dessas transformações,
07:23à medida que parte do seu processo de atuação está relacionado justamente a impulsionar mudanças em coisas que,
07:33é, ou em situações que merecem e que precisam ser atualizadas.
07:42Dezembro de 2010.
07:45Em um dia aparentemente comum na Tunísia, Egito,
07:48um vendedor de frutas chamado Mohamed Bouazizi teve seu carrinho derrubado por um policial local.
07:56O motivo?
07:57A falta de licença para vender no local, problemas com os produtos e pedidos de propina.
08:02O vendedor em questão estava há anos afetado pelo desemprego em um país governado pelo presidente Zinial Abidine Ben Ali há 23 anos.
08:13Menos de um mês depois, uma cena que parou as redes sociais.
08:18Sem conseguir recuperar seus pertences na sede do governo local,
08:22Bouazizi adquiriu um galão de combustível,
08:25jogou o líquido sobre o corpo e, diante do prédio do governo, ateou fogo a si mesmo.
08:32Era o estopim da primavera árabe.
08:38Quem explica é Rosimel Insegurado, professora de ciências sociais da PUC de São Paulo.
08:44Então, aquilo foi um estopim de que tipo de sociedade é a nossa,
08:52a nossa que eu digo, a sociedade humana,
08:57que aceita, que permite que uma pessoa ponha fim à própria vida por um desespero,
09:05por uma falta de condições financeiras para poder garantir a sua existência aos demais.
09:11O nome faz referência ao desabrochar por demandas políticas, sociais e econômicas,
09:17como combate à corrupção, autoritarismo e pobreza.
09:21Assim como na República de Roma, o povo foi às ruas para gritar as suas demandas.
09:26Mas esse não era mais o único lugar em que eles estavam.
09:30Wellington Duarte, professor de História da Universidade Federal do Rio Grande do Norte,
09:35elucida o cenário.
09:37A Árabe foi na Tunísia, foi na Líbia, foi no Egito, foi na Síria,
09:43chegou a ser também no Catar,
09:47passou por um sopro na Arábia Saudita e por aí vai.
09:51Então, esses movimentos que começaram de fato nas redes sociais,
09:55imediatamente, quando foi deflagrado,
09:58eles adquiriram um novo tom, um tom da luta política.
10:01Então, você teve a emergência a partir das redes sociais
10:03e rapidamente foi incorporada nas pretensões políticas das forças de oposição.
10:09Isso é muito claro.
10:10A guerra civil na Síria é a coisa mais explícita mesmo.
10:15Grandes manifestações contra o regime Bashar al-Assad,
10:18ditador e tal, essa coisa toda.
10:20E, de repente, o povo em armas, com armamento moderno.
10:23Então, quando nós falamos das várias transformações existentes na sociedade,
10:34a presença de formas de comunicação,
10:38de formas de conexão, como as redes sociais digitais,
10:46as plataformas que nós temos na internet,
10:49elas são fruto dessas transformações
10:53e elas também provocam uma quantidade de transformações.
10:58A transmissão do ato de Boazizi na internet
11:01ganhou milhões de visualizações
11:03e a indignação online rapidamente transformou-se
11:07em protestos contra o desemprego e a corrupção na Tunísia.
11:11As redes sociais passaram a ser protagonistas
11:14na organização dos protestos,
11:16não apenas no Oriente Médio, como em todo o mundo.
11:19A partir dessas redes, nós pudemos ver uma conexão,
11:28uma espécie de uma viralização dessas redes,
11:33convocando manifestações, convocando esses protestos
11:38realizados em grandes praças públicas e tal.
11:42Tanto é um papel importante dessas redes,
11:46que cabe destacar que naqueles países
11:49que você não tem uma dinâmica democrática,
11:54a internet, o sinal de internet,
11:57em muitos momentos,
12:00pelos ditadores, pelos governantes autocratas,
12:05era bloqueado para que as pessoas
12:07não tivessem acesso àquelas informações.
12:10Esse uso dessas redes, a partir desse momento,
12:18elas já eram utilizadas anteriormente,
12:22mas a partir desse momento,
12:25elas vão se tornar centrais,
12:28não só no processo de comunicação,
12:32de convocação de uma dada mobilização,
12:36de um dado debate,
12:38mas também o próprio processo de atitulação.
12:41Até 2010,
12:43se falava muito que as pessoas entraram nas redes sociais,
12:47já nem lembro exatamente quais a gente tinha naquele momento,
12:49mas eram manifestantes de sofá, né?
12:54Luiz Antônio, professor de História da PUC de São Paulo,
12:58elucida a relação entre as redes sociais
13:00e os movimentos sociais da época.
13:03O que a gente tem de 2010 em diante,
13:06e aqui no Brasil você tem as jornadas de junho,
13:08mas você tem toda a Primavera Árabe ocorrendo,
13:11são manifestações que ocorrem
13:13a partir dessas novas tecnologias das redes sociais.
13:17Ao mesmo tempo que somos emissores,
13:20também somos consumidores desses conteúdos,
13:26usuários dessas redes.
13:29A Primavera Árabe,
13:30que começou com protestos protagonizados
13:33por organizações estudantis,
13:35evoluiu para conflitos armados
13:37em alguns países como Líbia e Síria,
13:40e resultou na deposição de governos
13:42que estavam as gerações no poder.
13:47Você tem basicamente grupos lutando
13:53por direitos, né?
13:56Por direitos democráticos,
13:58por um processo de democratização
14:00em sociedades que têm uma característica
14:02muito distinta da nossa, enfim.
14:04Mas se luta por algo que a gente tem aqui, né?
14:08Então, quando você pensa 2010, 2011,
14:10não há por que a juventude sair nas ruas
14:12brigando por espaço,
14:14pelo direito de falar,
14:15pelo direito de usar a roupa que quiser,
14:18ou coisa do tipo.
14:212013.
14:23No Brasil, o Facebook era a rede mais popular
14:25do país até então.
14:2776 milhões de brasileiros
14:29tinham seu perfil ativo na plataforma,
14:32e 47 milhões o acessavam diariamente.
14:36Em junho do mesmo ano,
14:37um assunto tomou conta
14:39de boa parte das publicações.
14:40O aumento de 20 centavos
14:43na tarifa do transporte público
14:44das capitais paulista e fluminense.
14:47Elas são instrumentos
14:49que são utilizados por pessoas,
14:51inclusive,
14:52boa parte dessas pessoas,
14:55que em outros tempos estavam isoladas,
14:57não participavam de nada.
14:58Eram pessoas que ficavam fora
15:00desse conjunto de relações.
15:03Essas pessoas,
15:04a internet permitiu que essas pessoas
15:06saíssem do isolamento,
15:08e olha,
15:08contraditoriamente,
15:10saiu do isolamento
15:11e ao mesmo tempo se atomizou.
15:13Por quê?
15:13Porque a relação dele
15:16passa a ser com as teclas
15:17de um computador.
15:19Eles não aceitam mais intermediários.
15:22Os intermediários são aqueles,
15:23as lideranças políticas,
15:25as lideranças sociais,
15:26grandes cientistas políticos,
15:27que as pessoas ouviam.
15:29Agora,
15:29elas não precisam mais disso.
15:30A tecla do computador
15:31dá uma interação direta
15:33entre ela e o mundo.
15:35E isso atingiu
15:37todas as formas
15:38de organizações sociais.
15:39De repente,
15:40os números inflados
15:41nas telas se materializaram.
15:44Primeiro,
15:44nas periferias.
15:45Depois,
15:46em regiões centrais.
15:48Os manifestantes
15:48eram mobilizados,
15:50até então,
15:50pelo movimento
15:51Passe Livre.
15:52Então,
15:53ali tinha alguma coisa,
15:54mas, assim,
15:55acompanhando o movimento
15:56do Passe Livre,
15:58e manifestações
15:58que fizeram,
16:00que haviam realizado
16:01em Santa Catarina,
16:03por exemplo,
16:03em Florianópolis,
16:04um pouco antes,
16:06não botava mil pessoas
16:07na rua, né?
16:08Então, sei lá,
16:09em 2013,
16:10teve uma conjunção
16:11ali de fatores
16:12que levou
16:12a essa manifestação.
16:14O jornalista
16:15Marcelo Matos
16:16relembra o início
16:17das manifestações
16:18na capital paulista.
16:20Isso tudo começou
16:21com um movimento
16:22chamado Cataraca Livre
16:23que queria
16:24tarifazena em São Paulo,
16:25um subsídio total
16:26da prefeitura
16:27para que ninguém
16:28pagasse tarifa.
16:30E daí,
16:31isso,
16:31quando houve
16:31o aumento
16:32de 20 centavos,
16:33a gente contextualizar
16:34o seguinte,
16:35o governo municipal
16:36era Fernando Haddad,
16:36PT,
16:37governo estadual
16:38Geraldo Alckmin,
16:39PSDB,
16:40e o governo
16:40em âmbito federal
16:42era Dilma Rousseff,
16:43PT.
16:44Em 2013,
16:45em 2014,
16:45ia ter eleição,
16:46Copa no Brasil.
16:47E é só ver
16:48onde estão
16:50as jovens lideranças
16:51daquela época
16:52para a gente entender
16:53mais ou menos
16:54que aquele movimento
16:55surgiu de maneira natural,
16:56de maneira espontânea
16:58por causa
16:58de uma situação
16:59realmente que afetava
17:00as pessoas mais pobres,
17:02depois das passagens
17:02do coletivo,
17:04acabou se diluindo
17:05no processo
17:06de luta política.
17:07No dia 11 de junho
17:09de 2013,
17:10a Avenida Paulista
17:11em São Paulo
17:12foi o trajeto
17:13de 10 mil protestantes
17:14em uma noite
17:15que acabou
17:16com mais de 100 feridos,
17:18além de estações
17:19de metrô depredadas,
17:21muros pichados
17:22e vitrines quebradas.
17:23Os manifestantes
17:25não queriam
17:25que a imprensa
17:26se aproximasse,
17:28aí se a gente
17:29ficasse do lado
17:29da polícia
17:30a gente acabava
17:31ficando nesse fogo
17:31cruzado aí
17:32e de fato
17:34gás lacrimogênio,
17:35bombas de efeito moral,
17:37spray de pimenta,
17:39a participação
17:40no choque,
17:41isso tudo aconteceu.
17:42Tiago Uberreich
17:43acompanhou
17:44todo o período
17:45de manifestações
17:46e a adaptação
17:47da própria profissão
17:48em torno
17:49de um momento histórico
17:50que ainda
17:51não era compreendido.
17:53Os jornalistas
17:54iam para as ruas
17:56sem a canopla,
17:57sem a identificação
17:58das emissoras
17:59para evitar
18:00qualquer tipo
18:01de ataque,
18:02a imprensa também
18:03era muitas vezes
18:03visada naquela época
18:05e claro que
18:08algo que estarrece
18:09quando você tem
18:10um profissional
18:10que perde a vida
18:11ainda mais trabalhando
18:13numa manifestação.
18:14Então sempre existe
18:15essa preocupação
18:16e a gente tinha
18:17orientação,
18:18fiquem um pouco
18:19mais longe
18:20da manifestação,
18:21tudo aquilo
18:21que estava ligado
18:22na área de finanças,
18:23investimentos,
18:25bancos,
18:25parece que eles eram
18:26os alvos principais.
18:28E aí houve de fato
18:28nesse momento
18:29uma ação muito enérgica
18:31da polícia mesmo,
18:32gás acrimogênio
18:34e a gente ficava
18:35no meio do furacão
18:35para a reportagem
18:37de trabalho ao vivo
18:38e até muito tarde,
18:40onze e meia,
18:40meia noite
18:41era normal
18:41e isso começava
18:42no final da tarde,
18:44início da noite
18:45e não parava.
18:48As demandas cresceram,
18:50o número de pessoas
18:51engajadas
18:52a elas também.
18:53A forma de protestar
18:54também mudou,
18:56das ruas para as redes
18:57e das redes para as ruas
18:58em diferentes cidades
19:00do país.
19:01É como documenta
19:02o jornalista
19:03Daniel Lian.
19:04Se você escolhe
19:05essa profissão
19:06de jornalista,
19:07você tem que estar
19:08preparado para tudo.
19:09Hoje em dia
19:10as redes sociais
19:10pulverizam a informação
19:12em segundos,
19:13é bem diferente
19:13até do que
19:14naquela época.
19:15Já tínhamos ali
19:16um avanço
19:17das redes sociais
19:18em 2013 e 2014,
19:20mas não como
19:21hoje em dia.
19:22Atualmente,
19:23em segundos,
19:24questão de segundos,
19:25você já consegue
19:26pulverizar a informação.
19:28O historiador
19:29Pedro Tchê
19:30compara um novo momento
19:32regido pela atuação
19:33nas redes
19:34com movimentos sociais
19:35em uma época analógica.
19:38Antigamente,
19:38um pouco,
19:39para você fazer
19:39a regimentação,
19:40você tinha que ligar
19:41para as pessoas,
19:41tinha que ir,
19:43se deslocar fisicamente.
19:45Hoje você consegue
19:46fazer a regimentar
19:47centenas, talvez,
19:49de milhares de pessoas
19:50a partir apenas
19:52de disparos,
19:52sem ter que fazer
19:53uma movimentação mecânica,
19:55sem ter que andar,
19:56sair de casa.
19:57Que legal!
19:59Brasil parou!
20:00Que legal!
20:02Brasília,
20:0315 de junho
20:04de 2013.
20:05Na data marcada
20:06para a abertura
20:07da Copa das Confederações,
20:09enquanto o evento
20:10ocorria dentro
20:11do estádio
20:12Mané Garrincha,
20:13do lado de fora,
20:14manifestantes
20:15protestavam,
20:16principalmente,
20:17contra os gastos
20:18para as obras
20:19da Copa do Mundo
20:20de 2014.
20:22Pois é,
20:22foram dois movimentos
20:23que acabaram
20:25tomando uma proporção
20:26inimaginável.
20:27O Não Vai Ter Copa
20:29e também o Passe Livre
20:30começou com uma
20:32reivindicação de estudantes
20:34em relação
20:34à tarifa de ônibus
20:36e tomou uma proporção
20:38que ganhou mais adeptos,
20:40fora os estudantes,
20:41outros adeptos da população
20:42e que foram as ruas.
20:45E eu acho assim,
20:46você pega algo
20:48que é um direito
20:49da população,
20:51da terra,
20:51na Constituição,
20:52a questão do transporte,
20:54e aí vai havendo
20:55uma derivação
20:56muito grande,
20:57vai abrindo
20:58esse guarda-chuva
21:00e a população
21:02começa a meio que
21:03não se sentir representada
21:05e aí as críticas
21:06vão parar
21:07na área da saúde,
21:08na violência policial,
21:10a ausência
21:10da polícia
21:11nas ruas,
21:12outras questões
21:13de mobilidade,
21:15aí virou de fato
21:16um arco muito grande
21:18de hospitais,
21:20a gente já tem
21:21Copa do Mundo,
21:22então a gente quer ter
21:23a FIFA pôs
21:24as suas condições
21:25aqui no Brasil,
21:26ah, o hospital nosso
21:26também a gente quer
21:27padrão FIFA,
21:28não vai ter Copa do Mundo,
21:29eles falavam em 2013,
21:31em 2014 também.
21:32Uma das coisas importantes
21:33é que eles fazem parte
21:35de o que a gente
21:37poderia chamar
21:39de novos
21:40protestos globais
21:41que começaram
21:43nos anos
21:452010, 2011
21:47com a chamada
21:48Primavera Árabe,
21:51os indignados
21:52na Espanha,
21:53o Pai Wall Street
21:55e nos Estados Unidos
21:56e aqui no Brasil
21:58a jornada de junho
21:59e tantos outros
22:00países
22:01também tiveram
22:03questionamentos
22:04à dinâmica política,
22:06à condução
22:07dos processos
22:08políticos,
22:09muitas vezes
22:10a falta de democracia
22:12quando vimos
22:13os países
22:14do Oriente Médio
22:15em torno
22:17da Primavera Árabe,
22:19mas mesmo
22:19em países
22:20como o Brasil,
22:21uma sociedade
22:22democrática,
22:23a ampliação
22:25dessa democracia,
22:26a democracia
22:27sempre tem
22:27uma construção
22:28contínua,
22:29não existe
22:30a chegamos
22:32à democracia,
22:33nós estamos
22:34sempre construindo
22:35ela e os movimentos
22:36são atores
22:38importantes
22:38dentro
22:39dessa construção.
22:41Dois dias
22:42depois,
22:42um protesto
22:43com 65 mil
22:45pessoas em São Paulo
22:46que culminou
22:47com um portão
22:48do Palácio
22:48dos Bandeirantes
22:49derrubado.
22:51Em Brasília,
22:52militantes
22:52tomaram o teto
22:53do Congresso Nacional
22:54e agrediram
22:55o então
22:56diretor-geral
22:57da Câmara,
22:58Sérgio Sampaio.
22:59No Rio,
23:00um grupo
23:00atacou
23:01a Assembleia Legislativa.
23:03Na própria
23:04abertura
23:04da Copa do Mundo,
23:05eu me lembro
23:05que eu estava
23:06lá em Itaquera
23:07e as manifestações
23:10ali ao lado,
23:11na Avenida
23:11Radial Leste,
23:12muito próxima
23:13do estádio,
23:14o movimento
23:14não vai ter Copa
23:16e a polícia,
23:17enfim,
23:18a gente tendo
23:18que levar
23:19também aquelas
23:20informações
23:20e foi
23:22outro momento
23:22marcante.
23:23Em 2013,
23:25eu ainda era
23:26repórter aqui
23:27da Jovem Pan,
23:28mas eu também
23:29apresentava
23:30um jornal
23:31de fim de tarde
23:31que ia para o ar
23:32das seis
23:34às sete
23:34da noite,
23:36porque das sete
23:37às oito
23:37a gente tinha
23:37a Voz do Brasil,
23:39só que como
23:40as manifestações
23:41em 2013
23:41foram ganhando corpo,
23:43depois que terminava
23:44a Voz do Brasil,
23:45a gente continuava
23:46na cobertura
23:47e mesmo durante
23:48a Voz do Brasil,
23:49das sete às oito,
23:50a gente continuava
23:50transmitindo em áudio
23:52só para a internet.
23:54Não havia mais dúvida,
23:56estávamos diante
23:57da maior onda
23:58de protestos políticos
23:59desde os caras
24:00pintadas em 1992
24:03e exigiam
24:04o impeachment
24:05de Fernando Collor.
24:12Então,
24:13se você voltar
24:14e olhar,
24:14por exemplo,
24:15a cobertura da mídia,
24:17se percebe nitidamente
24:18que há uma pressão
24:19das ruas,
24:20isso faz com que
24:21os meios de comunicação
24:23passem a acompanhar
24:24o movimento
24:25e dando um destaque.
24:26E a segunda parte,
24:29quando você fala
24:30dos partidos,
24:33da aproximação,
24:34o que a gente tem
24:36é movimentos mais amplos,
24:37por exemplo,
24:38a campanha pelas diretas
24:40e mesmo o processo
24:41dos caras pintadas,
24:45você já tem
24:45a presença de partidos.
24:47A tese que eu sustento
24:49no meu doutorado
24:50é que todos
24:52estiveram a reboque
24:53do movimento,
24:54tanto a mídia,
24:55quanto os partidos,
24:57sindicatos e assim por diante.
24:59Por quê?
24:59Porque é algo incomum.
25:01O Collor tinha
25:02talvez dois pontos
25:04fundamentais
25:05na sua campanha,
25:06acabar com a inflação
25:07e acabar com a corrupção.
25:09Pois bem,
25:10o Collor foi eleito,
25:11teve o confisco
25:12da poupança
25:12e o ano
25:14que teve
25:14o afastamento
25:15do Collor,
25:15que foi em 92,
25:17a inflação
25:18naquele ano
25:18passou de 2 mil por cento
25:20no ano.
25:21Então é uma sensação
25:22de revolta,
25:23de traição.
25:24Agora,
25:24pior do que isso,
25:25é o sujeito
25:25que se elege
25:26dizendo que vai acabar
25:27com a corrupção
25:27e foi pego
25:29numa infinidade
25:30de esquemas
25:31de corrupção.
25:32Então,
25:33assim,
25:34como as diretas
25:36ou como
25:36as jornadas de junho
25:38ou
25:38o movimento
25:40dos caras pintadas.
25:42Mas você tem
25:42alguma coisa
25:43que une
25:43todo mundo ali.
25:45Então,
25:45o que unia,
25:46o que uniu em 92,
25:47me parece que é muito
25:48essa questão
25:49da indignação.
25:53Uma vez eu cheguei
25:54em casa mais tarde,
25:55liguei a televisão
25:56e o jornal da época
25:58estava mostrando,
25:59assim,
26:00praticamente em todo
26:01o Brasil
26:01tinha imagem,
26:02olha,
26:02foi São Paulo,
26:03Rio de Janeiro,
26:04Minas Gerais,
26:05Belo Horizonte,
26:06Curitiba.
26:07Foi a escalada inteira
26:08do jornal,
26:08uma manifestação
26:09atrás da outra.
26:10Se expandiu
26:10de forma mesmo
26:12em todo o Brasil,
26:13né,
26:13começou aquela coisa,
26:15foram uns 20 centavos
26:16mais caros
26:17politicamente falando,
26:19né.
26:19Não pode
26:20Europa!
26:22Não pode
26:23Europa!
26:24Eu cheguei a pegar
26:25uma câmera
26:26e filmar
26:27os movimentos
26:28que ocorreram
26:29com o pessoal do Natal,
26:29o que ocorreram aqui em Natal
26:30foi uma das maiores
26:31manifestações já vistas aqui,
26:34cerca de 25 mil pessoas,
26:35muita gente.
26:37E,
26:38depois dessa manifestação,
26:40eu conversando com
26:41o pessoal mais jovem,
26:42eu senti essa
26:43força.
26:45Depois de 13 dias
26:47de protestos,
26:48o primeiro objetivo
26:49foi alcançado.
26:50Nas cidades de São Paulo
26:52e Rio de Janeiro,
26:53o valor da tarifa
26:54no transporte público
26:55foi reduzido.
26:57Mas os protestos
26:58nas ruas
26:58não acabaram,
26:59pelo contrário,
27:00as manifestações
27:01ganharam volume
27:02e aprovação.
27:04Antes de junho
27:05de 2013 terminar,
27:06uma pesquisa
27:07do Instituto
27:08Datafolha
27:09atestou que
27:0977%
27:11dos paulistanos
27:12eram favoráveis
27:13aos protestos
27:14e que 51%
27:16acreditavam
27:17que a PM
27:18era mais violenta
27:19do que deveria ser.
27:21Não consigo achar
27:22que só aquela questão
27:23dos 20 centavos
27:25seria suficiente
27:26para aquelas
27:27mobilizações.
27:29Eu acho que
27:29houve ali,
27:31em algum momento,
27:32um sequestro
27:33da pauta
27:33por outros agentes
27:35que acabaram
27:36redirecionando
27:38para criar
27:38uma situação
27:39de instabilidade.
27:41A gente tem
27:41nas revoltas plebeias
27:42do Roma
27:43toda uma série
27:44de críticas
27:44muito centradas
27:45ao Estado.
27:47Isso é um ponto comum,
27:48mas visava,
27:50por exemplo,
27:50a questão
27:50da exclusão
27:51dos cargos públicos
27:52e acesso
27:52a cargo público.
27:53Os cargos públicos
27:54eram privados
27:55a certas castas
27:56sociais.
27:58E você também
27:59tinha a questão
28:00da concentração
28:01de renda
28:01e sim,
28:02uma questão
28:02mais econômica,
28:03a concentração
28:03de renda
28:03e endividamento
28:04das pessoas também.
28:07Então,
28:07as revoltas plebeias
28:08em Roma
28:09têm esse perfil
28:10que em algum ponto
28:14até se comunica
28:15com as jornadas
28:16de junho
28:16de 2013,
28:18concordo.
28:19A gente tem aí
28:20uma crítica
28:20à corrupção
28:21de uma forma
28:22um pouco difusa,
28:23mas havia
28:24uma crítica
28:24à corrupção.
28:26Inclusive,
28:26esses processos,
28:27essas manifestações,
28:29aceleraram
28:29alguns processos
28:30de controle
28:30com relação
28:31à coisa pública.
28:33Contra a corrupção,
28:44contra os gastos
28:45da Copa,
28:46a favor do transporte
28:47público de qualidade,
28:49da reforma política,
28:50melhorias na saúde
28:51e na educação.
28:53As ruas passaram
28:54a gritar demandas
28:55de todos os lados.
28:57Então,
28:57eu senti na pele
28:58os dois momentos
29:01daquela cobertura.
29:02primeiro no estúdio,
29:04que ninguém entendia
29:05nada do que estava
29:06acontecendo,
29:06por mais que fosse
29:07um movimento
29:08que começou
29:09com a pressão
29:11contra o governo
29:12e a prefeitura
29:13para diminuir
29:14a tarifa do ônibus
29:15e do metrô,
29:17esse movimento
29:18não tinha um líder,
29:20não tinha um comando.
29:21Então,
29:22era tudo muito estranho.
29:24E, às vezes,
29:25de fim de semana,
29:26eu ia para a rua também,
29:27ainda como repórter,
29:28e eu me lembro
29:29de uma cobertura
29:30que eu fiz
29:30num sábado,
29:31que foi uma
29:32das manifestações
29:33mais violentas
29:34daquele ano
29:35de 2013.
29:36Foi no centro
29:37de São Paulo
29:38quando atiaram
29:38fogo em veículos.
29:40Então,
29:41a gente não sabia
29:41o que estava acontecendo,
29:43qual era o objetivo.
29:44O objetivo foi
29:45muito além
29:45do que
29:47a simples redução
29:49da tarifa.
29:51Agora,
29:51os jornalistas,
29:52os repórteres,
29:53os cinegrafistas,
29:55os fotógrafos
29:56que diariamente
29:57estavam na rua
29:58durante as manifestações
29:59de 2013,
30:00eles temiam,
30:01claro,
30:01pela vida.
30:01Teve fotógrafo
30:02que perdeu o olho,
30:03cinegrafista
30:04que foi atingido.
30:05Por quê?
30:06Porque você tinha
30:07um confronto
30:08com a polícia,
30:09a gente não entendia
30:10muito o que estava
30:11acontecendo.
30:12O protesto
30:13que era
30:13para a redução
30:14das tarifas
30:15do ônibus
30:16e do metrô
30:17acabou crescendo
30:18e refletiu
30:20a insatisfação
30:21popular.
30:22Quando a gente olha
30:23o século XX,
30:25especialmente,
30:26os processos
30:28revolucionários
30:28estavam ligados
30:29à questão
30:29do trabalho
30:30e da economia.
30:31Ponto.
30:33E aí,
30:33a partir dos movimentos
30:34civis americanos,
30:36etc.,
30:37se incorporam
30:37pautas mais específicas
30:39que,
30:41nesse momento,
30:41não se distanciam
30:43da pauta econômica
30:45e da pauta do trabalho,
30:46mas que reforçam
30:47perspectivas singulares.
30:50Eu acho que aí
30:50deu um pouco
30:51de start
30:53na programação
30:54que a gente tem hoje,
30:55que é uma programação
30:56com uma presença
30:58muito forte
30:58dos comentaristas aqui.
31:00Acabou fazendo
31:01com que a programação
31:02da Jovem Pan
31:02também se moldasse,
31:04mostrando o compromisso
31:05que a Jovem Pan tem
31:06de tentar traduzir
31:07para o público
31:08o que estava acontecendo
31:10naquela época.
31:10Aquele foi um ponto
31:11de virada.
31:12Aquele ano de 2013,
31:132014,
31:15aquilo foi
31:16uma mudança
31:17ali da chave
31:18para que
31:19os próprios políticos
31:21tivessem aí
31:23uma percepção
31:24do que a população
31:26queria,
31:27reivindicava.
31:28Então,
31:29aquilo foi
31:30uma mudança de chave.
31:31A partir de agora
31:32vai começar a crescer,
31:33porque está vindo
31:33a Copa do Mundo aí.
31:34E ninguém quer
31:35a Copa do Mundo
31:35aqui no Brasil.
31:36Eu sou contra
31:37a destituição
31:38de direitos
31:39que estão sendo feitos
31:41em nome desse evento.
31:43Os brasileiros
31:43estão morrendo
31:43dentro dos hospitais.
31:45Todo mundo que está aqui
31:46é revoltado
31:47com a Copa do Mundo
31:48e com esse poder político
31:49que está acontecendo
31:50no país hoje.
31:53O descontentamento
31:54geral dos manifestantes
31:56começou a ganhar rostos.
31:58A popularidade
31:59da então
32:00presidente Dilma Rousseff
32:01desabou.
32:02Caiu quase 30 pontos
32:04em três semanas.
32:05Alckmin e Haddad
32:06também foram afetados.
32:08Então,
32:08em 2013,
32:09parece que começa
32:09já minando
32:10o governo Dilma Rousseff.
32:14E em 2000,
32:14a partir do momento
32:15da eleição dela,
32:1614, 15,
32:17aí a força
32:17é muito maior
32:18e em 2016
32:19ela sucumbe.
32:20Então,
32:20tem todo um cenário
32:21também político
32:22que nasce,
32:23na verdade,
32:24de uma maneira
32:25até, entre aspas,
32:26espontânea
32:27dos jovens.
32:28Em 2014,
32:30contra a Copa do Mundo
32:31aqui no Brasil,
32:33em 2014,
32:34a gente tem a reeleição
32:34de Dilma Rousseff,
32:36que o Brasil
32:36mergulha
32:37numa grave crise econômica.
32:39As crises econômicas
32:40também têm muito a ver
32:41com protestos,
32:42com insatisfações.
32:43mas aí,
32:45andando um pouco
32:46para frente,
32:46tem o impeachment
32:47da Dilma,
32:49o escândalo
32:49da Operação Lava Jato,
32:51a eleição de Jair Bolsonaro
32:52em 2018,
32:53que amplia
32:54a polarização
32:55que o Brasil vive.
32:56Então,
32:562013 é mais ou menos
32:57o início
32:58de todo esse processo
32:59que a gente vive hoje.
33:01A tarifa normalmente
33:02aumentava a 20 centavos,
33:0430,
33:04isso era normal.
33:06Mas, nesse momento,
33:07e também outro dia
33:08a gente estava conversando,
33:09eu acho que foi
33:10uma insatisfação mesmo
33:12com a classe política
33:13à época,
33:14que vai,
33:15isso que eu falo,
33:15essa insatisfação vai,
33:17ali,
33:18em 2014,
33:19tem a reeleição,
33:20de novo,
33:21a polarização,
33:22a S.U. Neves,
33:22PSDB,
33:23Dilma Rousseff,
33:24tentativa de reeleição,
33:25PT.
33:26A direita,
33:27por outro lado,
33:27começou a ser beneficiada,
33:29e rostos representantes
33:31desse lado
33:31começaram a se fortalecer.
33:33Era o início
33:34de uma polarização
33:35generalizada
33:36que levou ao impeachment
33:38da então presidente.
33:40Miguel Reale Júnior
33:41já tinha uma longa carreira
33:42no direito
33:43quando ganhou
33:44ainda mais notoriedade
33:45ao protocolar
33:46na Câmara dos Deputados
33:48um pedido de abertura
33:49de processo de impeachment
33:51contra a presidente
33:52Dilma Rousseff
33:53em 2015.
33:55A instituição política
33:56estava em descenso
33:58e essa circunstância
34:01ajudou muito
34:02a que o discurso
34:03populista
34:04de direita
34:05representado
34:06por Bolsonaro
34:08da necessidade
34:10de desconsiderar
34:13as entidades políticas,
34:15desconsiderar
34:16a Câmara,
34:16desconsiderar
34:17os partidos,
34:18desconsiderar
34:18o Supremo Tribunal Federal.
34:20Ali já começa
34:21toda uma campanha
34:22de desmoralização
34:23do Supremo Tribunal Federal.
34:25Ou seja,
34:26isso ganhou corpo,
34:27infelizmente
34:28no país.
34:30Fernando Holliday
34:31foi um dos nomes
34:32que emergiram das ruas
34:33e ganharam notoriedade
34:35nas redes sociais.
34:36Sua ascensão política
34:38aconteceu praticamente
34:39ao mesmo tempo
34:40de sua formação cidadã.
34:42Eu tinha acabado
34:43de participar
34:43da minha primeira eleição,
34:44tinha 17 anos.
34:46Então acho que 2013
34:48foi fundamental para isso,
34:49para entender
34:49que enquanto cidadão
34:51eu sou um participante
34:52ativo
34:53da política.
34:54e isso vai se aprofundar
34:56mais ainda
34:56em 2015,
34:572016,
34:59que aí é quando
35:00eu realmente
35:00participo efetivamente
35:03das manifestações
35:04e ajudo a organizar
35:05ali já
35:06com um objetivo
35:07mais específico
35:08pelo impeachment
35:09da então
35:09presidente Dilma.
35:10Eu diria que
35:11o primeiro sentimento
35:12foi de uma certa
35:15desilusão,
35:16porque a experiência
35:17com o 2013
35:18ela foi um tanto
35:19quanto caótica.
35:20e a adaptação
35:21sugere acomodamento,
35:23o que não é o caso.
35:24Mesmo a jornada
35:25de 2013
35:26ele não
35:27ele não
35:28se adaptou,
35:29ele foi se transformando
35:31e foi se
35:32reacomodando
35:34numa esfera
35:35diferente
35:36que era
35:37a política
35:38partidária.
35:39A Dilma ganha
35:39por muito pouco
35:40ali
35:40e a partir
35:42desse momento
35:42eu acho que
35:43a polarização
35:44brasileira
35:44começa
35:45a piorar
35:47muito aí.
35:48Havia polarização
35:49PT, PSDB
35:50várias eleições
35:51com vários nomes
35:52tucanos
35:53e nomes petistas.
35:54Mas aí a Dilma
35:55vence
35:56de uma maneira
35:56muito apertada
35:57o PSDB
35:57ele pede
35:58a recontagem
35:59dos votos
35:59e aí a gente
36:00inicia um momento
36:01de uma dificuldade
36:03muito grande
36:03do governo
36:04e que vai cair
36:06em 2016
36:06e o Michel Temer
36:08vai assumir.
36:17Nós vamos ter
36:18movimentos de direita
36:20ocupando as ruas
36:21não era uma coisa
36:22tradicional
36:23no nosso país
36:24desde o período
36:26da redemocratização
36:27de 85 para cá
36:29e muito menos
36:31movimentos
36:32de extrema direita
36:34ocupando as ruas.
36:36Quando isso
36:37começa a acontecer
36:39a gente
36:41identifica
36:42um uso
36:43muito diferenciado
36:44da rede
36:45e vemos
36:46que parte
36:47desses grupos
36:49que vão estar
36:50gravitando
36:51em torno
36:52dessa chamada
36:53extrema direita
36:54eles vão usar
36:56as redes
36:56de uma forma
36:57muito mais
36:58personalista
36:59ou seja
37:01menos o movimento
37:03e mais o fulano
37:05ou a fulana
37:07do movimento.
37:08E que essas
37:09vem tendo
37:09inclusive
37:10muito êxito
37:11dentro do seu trabalho
37:12a gente pode
37:13citar
37:13o MPL
37:15Nicolas
37:16várias outras
37:18enquanto os movimentos
37:19de esquerda
37:20realmente você
37:20vai ter
37:21repestações
37:22muitas vezes
37:22saídas
37:23não a partir
37:23de um perfil
37:24uno
37:25mas sim
37:25a partir
37:26de uma
37:26representatividade
37:26específica.
37:27Então é muito
37:28difícil
37:29você não
37:30ter
37:30a questão
37:31política
37:31porque os
37:32movimentos
37:32ainda que eles
37:34possam ter
37:35outras razões
37:36os movimentos
37:36em última instância
37:37são sempre
37:38políticos
37:38são sempre
37:39movimentos
37:40que acabam
37:40tendo
37:41esse caráter
37:42e aí
37:43há uma aproximação
37:44dos partidos
37:44talvez a grande
37:45preocupação
37:46dos movimentos
37:47das lideranças
37:48desses movimentos
37:48seja de não
37:49se deixar
37:50cooptar
37:51por um determinado
37:51partido político
37:52Das ruas
37:54surgiram
37:55novos rostos
37:56e novas
37:56lideranças
37:57alguns se apresentavam
37:58como porta-vozes
38:00de uma geração
38:00inconformada
38:01outros
38:02transformaram
38:03a visibilidade
38:04conquistada
38:05nos protestos
38:06em capital
38:07político
38:07Aquelas pessoas
38:09que digamos
38:10antigamente
38:10talvez
38:11a lógica
38:12fosse mais
38:13de uma empatia
38:14de uma proximidade
38:15de uma camaradagem
38:16hoje é mais
38:17de uma capacidade
38:17comunicacional
38:18você ter
38:19uma eloquência
38:20mais efetiva
38:21você saber
38:23se posicionar
38:24frente às câmeras
38:24saber
38:25como atrair
38:27as pessoas
38:27a partir
38:28do que você fala
38:29mesmo que você
38:30não esteja falando
38:30diretamente
38:31propriamente
38:32a elas
38:32então isso
38:33muda muito
38:34a capacidade
38:34de liderança
38:35Tanto é assim
38:36que quando
38:37as manifestações
38:38se fortaleceram
38:402013, 2014
38:412015, 2016
38:42quando chegava
38:44alguém com
38:44cargo político
38:45para eventualmente
38:47subir num caminhão
38:48pegar um microfone
38:50essa pessoa
38:51ela era
38:51não é hostilizada
38:53mas ela era
38:55convidada
38:55a não falar
38:56A atual
38:58vereadora
38:58de São Paulo
38:59Janaína
39:00Pascual
39:00foi outro nome
39:01que marcou
39:02a mobilização
39:03para o impeachment
39:04mas ela já
39:05acompanhava
39:06a movimentação
39:07nas ruas
39:07anos antes
39:08porque havia
39:10um temor
39:11daquelas manifestações
39:14serem de alguma
39:14maneira
39:15cooptadas
39:18instrumentalizadas
39:19para causas
39:20políticas
39:21partidárias
39:22ou até
39:23de personalização
39:24política
39:25e não era
39:26o desejo
39:26que informava
39:28aquelas manifestações
39:29hoje
39:30hoje nós temos
39:30pessoas eleitas
39:32que só falam
39:33por segmentos
39:34não raras vezes
39:36só falam
39:37por categorias
39:38
39:39então fica
39:40muito corporativista
39:41sabe
39:42é
39:43lutas salariais
39:45lutas por
39:46direitos
39:47por prerrogativas
39:48e se perde um pouco
39:50essa noção
39:50de povo
39:51e outra coisa
39:53algumas caricaturas
39:55
39:55sobem
39:56o movimento
39:57Brasil Livre
39:58MBL
39:59foi um dos primeiros
40:00grupos a se consolidar
40:02e apoiar partidos
40:03e candidatos
40:04em meio a efusão
40:05das demandas
40:06Renan Santos
40:07foi um dos fundadores
40:08ali em 14
40:1015 16
40:11foi quando o MBL
40:12ele toma
40:12a dianteira
40:13do processo
40:13aí sim foi
40:15vamos direcionar
40:16agora a nossa ação
40:17então foi aquele processo
40:18direcionado
40:19na Lava Jato
40:20na queda da Dilma
40:21na prisão do Lula
40:22e a terceira fase
40:23que eu coloco aí
40:24que é o esgotamento
40:25é quando
40:26há não mais
40:27uma luta
40:28por uma causa
40:28específica
40:29como foi conosco
40:30mas pelo culto
40:31a personalidade
40:32de um líder
40:32que é o Bolsonaro
40:33então o Bolsonaro
40:34toma essas manifestações
40:35para si
40:36e as eram manifestações
40:37de apoio
40:38a ele
40:39com o tempo
40:40a distância
40:40entre movimentos sociais
40:42e a política institucional
40:44começou a encurtar
40:45grupos que nasceram
40:46independentes
40:47passaram a dialogar
40:49diretamente
40:49com partidos
40:50e parlamentares
40:51a rua deixou
40:53de ser apenas
40:53espaço de protesto
40:55para se tornar
40:56também
40:56trampolim eleitoral
40:58e desde o início
40:59a gente buscou
41:00a relação com a política
41:01porque a gente entende
41:01que a rua
41:02não é um fim em si mesmo
41:03a rua
41:04ela tem que gerar
41:04consequências
41:06para dentro do parlamento
41:07para dentro
41:07dos demais meios
41:08e instâncias de poder
41:10então
41:10se você entender
41:12que a rua
41:12é uma câmara de eco
41:13que ela
41:14cria uma voz
41:16essa voz tem que ser ouvida
41:16a gente tem que ir
41:17no lugar justamente
41:17em que a gente quer
41:18que as pessoas
41:19ouçam a mensagem
41:19os movimentos
41:21eles foram
41:22na verdade
41:23se partidarizando
41:24quase que naturalmente
41:26
41:26por exemplo
41:28a direita
41:28você tem hoje
41:29daqueles movimentos
41:32
41:32que organizaram
41:33o impeachment contra a Dilma
41:34só sobrou o MBL
41:36que é um movimento
41:37do qual eu fiz parte
41:38até 2021
41:40eu acho que isso
41:41acabou fortalecendo
41:42as pautas
41:43pelo seguinte
41:43as pessoas
41:45que se elegeram
41:46e que hoje
41:47estão nesses partidos
41:48e que hoje
41:49estão com cargos públicos
41:50surgiram justamente
41:52dessas manifestações
41:53
41:53pra falar da direita
41:56por exemplo
41:56você tem
41:57o Nicolas Ferreira
41:58que surge justamente
41:59dos protestos
42:01contra a Dilma Rousseff
42:02Lucas Pavanato
42:04que foi o vereador
42:04mais votado aqui em São Paulo
42:06também surge
42:06desses movimentos
42:07contra a Dilma
42:08já nas manifestações
42:10de 2015
42:11que eu diria que são
42:11uma espécie de capítulo 2
42:13disso que a gente vê
42:14em 2013
42:15eu percebi
42:18uma desconexão
42:19muito grande
42:20entre aquilo
42:21que o Congresso Nacional
42:22representava
42:23e aquilo que as pessoas
42:24queriam nas ruas
42:24você tinha um eleitorado
42:26de direita
42:27crescendo
42:28e se manifestando
42:29nas ruas
42:29pela primeira vez
42:30mas os deputados
42:33principalmente
42:33que estavam lá
42:34muitos deles
42:36grande parte
42:36tinham medo
42:37de se colocar
42:37como de direita
42:38e tinham medo
42:39de assumir
42:40as bandeiras
42:41que aqueles movimentos
42:41estavam colocando
42:42principalmente
42:43do impeachment
42:44da então
42:44presidente Dilma
42:45e demorou
42:46praticamente um ano
42:47para que aquilo
42:48tomasse um corpo
42:49no Congresso
42:50para que em 2016
42:51ela fosse
42:52efetivamente afastada
42:54então tanto
42:55tanto movimentos
42:56na esquerda
42:57históricos
42:57como movimentos
42:58à direita
42:58hoje
42:59eles têm
43:00em algum patamar
43:02eles têm
43:03uma crítica
43:03ao sistema
43:04o maior aprendizado
43:06nesse processo
43:07todo
43:07foi a consciência
43:08do voto
43:09em relação
43:10ao legislativo
43:11no Brasil
43:12nós sempre discutimos
43:13muito
43:14dos cargos
43:15executivos
43:16acho que a eleição
43:17para presidente
43:18governador
43:19prefeito
43:20fazia parte
43:21do cotidiano
43:22das pessoas
43:22no almoço
43:23no jantar
43:24em família
43:24mas o voto
43:26para deputado
43:27o voto
43:27para vereador
43:28era sempre
43:28uma coisa
43:29meio escanteada
43:29o papel
43:30que eu achar
43:31na rua
43:31eu voto
43:32e tal
43:32eu acho
43:33que a polarização
43:34foi algo bom
43:35para o Brasil
43:36não a radicalização
43:37o ódio
43:38entre as pessoas
43:39mas o fato
43:40das pessoas
43:40se sentirem
43:42quase que na obrigação
43:43de escolher um lado
43:44porque isso
43:45necessariamente
43:46faz com que
43:48elas se aprofundem
43:49na discussão política
43:50faz com que
43:50elas pesquisem
43:51mais sobre política
43:52se você escolheu
43:53o lado x ou y
43:54por que você escolheu
43:55esse lado
43:56por que você acha
43:56que realmente
43:57a esquerda
43:59ou a direita
44:00tem propostas
44:00melhores para o Brasil
44:01se os movimentos
44:03sociais nasceram
44:04da insatisfação
44:05popular
44:06e ganharam força
44:07com as ruas
44:08e as redes
44:08hoje eles enfrentam
44:10novos dilemas
44:11como se posicionar
44:13diante de um sistema
44:14cada vez mais
44:14forte e intangível
44:16que papel
44:17a identidade
44:18desempenha
44:19na mobilização
44:19das pessoas
44:20e como escapar
44:22da instrumentalização
44:24partidária
44:24os movimentos
44:25vão ter
44:26um grande dilema
44:28como ser crítico
44:30ao sistema
44:30com um sistema
44:32cada vez
44:33mais forte
44:34e intangível
44:35as identidades
44:37elas são
44:38constitutivas
44:40para pensarmos
44:41os movimentos
44:42sociais
44:43porque é em torno
44:44dessas questões
44:46que as pessoas
44:46que as pessoas
44:46se aproximam
44:48na sua vontade
44:50de se engajar
44:51de entrar
44:52em alguma luta
44:53em algum movimento
44:55por isso que a questão
44:56da identidade
44:58é muito importante
45:00no cenário
45:01o cenário de hoje
45:01a manifestação
45:02não faz sentido
45:03porque elas
45:04foram instrumentalizadas
45:06de tal forma
45:07pelos grupos políticos
45:07vigentes
45:08que ninguém
45:09leva a sério
45:09então se o PT
45:11organizar uma manifestação
45:12de apoio ao Lula
45:13ninguém liga
45:13porque não sabe
45:14que a galera do PT
45:15indo defender
45:16o PT
45:16mesma coisa
45:17uma manifestação
45:18bolsonarista
45:19são bolsonaristas
45:20defendendo o Bolsonaro
45:20não existe mais
45:21um caráter amplo
45:22em que a sociedade
45:24saiu às ruas
45:25para dar o seu recado
45:26a trajetória recente
45:30também dialoga
45:31com experiências históricas
45:33assim como as marchas
45:35pelos direitos civis
45:36nos Estados Unidos
45:37lideradas por
45:38Martin Luther King
45:39e Malcolm X
45:41ou a luta das mulheres
45:42por igualdade
45:43os movimentos de hoje
45:45refletem a tensão
45:46entre diferentes formas
45:47de mobilização
45:48pacífica ou radical
45:50institucional
45:52ou de ruptura
45:53um mais liberal
45:55Martin Luther King
45:56e o outro
45:57o Malcolm X
45:58mais a esquerda
45:59duas grandes lideranças
46:02que tiveram seu tempo
46:04tiveram seu posicionamento
46:06mas eles emergiram
46:06de um processo
46:07de luta social
46:08contra inclusive
46:09o racismo
46:09nos Estados Unidos
46:10na década de 60
46:11e eles tinham
46:12duas saídas
46:13diferentes
46:13mas do ponto de vista
46:15da luta
46:15eles estão
46:16em campos
46:19distintos
46:20não pelo que lutam
46:22lutam basicamente
46:23pela mesma coisa
46:24mas a forma
46:24então se a gente pegar
46:26um movimento
46:27relativamente recente
46:29que é aquele
46:30Vidas Negras Importam
46:32é um movimento
46:33que surge a partir
46:34de um caso específico
46:36mas que não é
46:37uma exceção
46:38muito pelo contrário
46:39a violência policial
46:40contra negros
46:41é algo que ocorre
46:45desde sempre
46:47na história dos Estados Unidos
46:48e na história do Brasil
46:49acho que assim
46:50é bem interessante
46:51nós falarmos
46:52porque a gente tem
46:53dentro de um mesmo movimento
46:56nós temos uma heterogeneidade
46:59de posicionamentos políticos
47:01de visões de mundo
47:03que faz com que muitas vezes
47:06lideranças de um mesmo movimento
47:09você
47:09e nós temos aí
47:11citado duas lideranças importantes
47:14da história americana
47:16Martin Luther King
47:18Malcom X
47:19pessoas que foram fundamentais
47:22para a questão
47:23para o debate
47:24da questão racial
47:26naquele país
47:27e que tinham posições
47:29políticas diferentes
47:31lutavam por uma igualdade racial
47:34lutavam
47:35para o fim do preconceito
47:38as pessoas negras
47:40daquele país
47:41as injustiças
47:43que essa é uma questão
47:45muito importante
47:46às vezes a gente olha
47:48e fala
47:48nossa
47:49mas eles são
47:49de um movimento
47:51de jovens
47:52de um movimento
47:52de trabalhadores
47:54e estão falando
47:56coisas tão diferentes
47:57é por essa heterogeneidade
47:59que é a diversidade
48:01que é parte da sociedade
48:02é claro que
48:05uma coisa que é muito importante
48:07é que haja
48:08principalmente
48:10um respeito
48:12muito a essas diferenças
48:14eu acredito que o movimento
48:16sem desmerecer nenhum outro
48:18mas historicamente
48:20mais significativo
48:21no nosso país
48:22foi o movimento
48:23abolicionista
48:24porque ele surge
48:25entre os escravos
48:28ele surge
48:28entre os escravos
48:30os libertos
48:31que foram escravos
48:33ele surge
48:33ele surge
48:35entre os políticos
48:37das mais diversas
48:38vertentes
48:39ele surge
48:41entre os estudantes
48:42e ele surge
48:43com muita força
48:44na advocacia
48:46o movimento de mulheres
48:48ele tem vários objetivos
48:51e temos movimentos
48:52que atuam
48:53de maneiras
48:54muito diferentes
48:55mas basicamente
48:58eles buscam
48:59uma ampliação
49:01de direitos
49:02da mulher
49:03na nossa sociedade
49:04ou só
49:06para citar um exemplo
49:07no caso do Brasil
49:09no Congresso Nacional
49:1114%
49:12dos deputados
49:14são mulheres
49:15uma representação
49:16muito pequena
49:17principalmente
49:18se nós pensarmos
49:20que nós somos
49:2052%
49:22do eleitorado
49:23e somos
49:24a maioria
49:24do país
49:25também existem
49:26muitos movimentos
49:27feministas
49:28com diferenças
49:30entre si
49:31mas que tem
49:32o papel
49:33de fazer
49:34reconhecer
49:35o espaço
49:36da mulher
49:36é extremamente
49:38desejável
49:39que haja
49:39movimentos
49:40defendendo
49:41mulheres
49:42defendendo
49:42negros
49:43defendendo
49:44pessoas
49:44LGBTQI
49:45a mais
49:46e outras letras
49:47que venham
49:48a ser reconhecidas
49:49defendendo
49:50os animais
49:51defendendo
49:51o meio ambiente
49:53defendendo
49:54os homens
49:56porque não
49:57entendeu
49:58quaisquer
49:58movimentos
49:59que surjam
49:59eles
50:00são legítimos
50:02eles vão jogar luz
50:04a determinadas bandeiras
50:06mas é necessário
50:07a gente ter um olhar
50:08um pouco mais aberto
50:09porque se você
50:10entende
50:11que só você tem razão
50:12que só a sua causa
50:14é importante
50:14só a sua pauta
50:15você acaba se transformando
50:17em um indivíduo
50:18em uma coletividade
50:19que é um indivíduo cruel
50:20hoje o campo decisivo
50:25é também o virtual
50:26redes sociais
50:27aplicativos de mensagem
50:29e plataformas digitais
50:30que funcionam
50:31como arenas políticas
50:33em tempo real
50:34ali candidatos
50:35testam narrativas
50:36influenciadores
50:38mobilizam multidões
50:39e algoritmos
50:41definem
50:41o alcance
50:42de cada voz
50:43eu acho que é mais
50:45esse processo
50:46de adaptação
50:48de construção
50:49porque quando a gente
50:51fala em evolução
50:52é como se tivéssemos
50:53um
50:54polideal
50:55para se chegar
50:56e como é isso
50:57por isso que eu falo
50:58insisto muito
50:59
51:00democracia
51:01como um processo
51:01de construção
51:03as lutas sociais
51:04os movimentos sociais
51:06como parte
51:07da organização
51:07dessas lutas
51:09também
51:09porque primeiro
51:10nós dominamos
51:11esse território
51:12primeiro
51:12com as manifestações
51:13contra a Dilma
51:14e tudo mais
51:15e fomos elegendo
51:16pessoas dessa forma
51:18primeiro
51:18e a esquerda
51:19não conseguiu reagir
51:20atenta
51:20então me parece
51:22que quando nós
51:22olhamos para a direita
51:23as redes sociais
51:24elas são muito bem
51:25utilizadas nesse sentido
51:27tanto é que o governo
51:28federal tem uma séria
51:29preocupação sobre
51:30conteúdos que viralizam
51:33principalmente conteúdos
51:34da oposição
51:35e criaram diversas
51:36estratégias de comunicação
51:38para lidar com isso
51:39na esquerda
51:41você ainda não tem
51:42muitas figuras
51:44eleitas dessa forma
51:45existem algumas
51:46como por exemplo
51:46Erica Hilton
51:48o próprio Guilherme
51:49Borges
51:50acho que utiliza
51:51um pouco disso
51:51mas são as exceções
51:53enquanto que
51:54quando você olha
51:55para a bancada
51:55do PL
51:56a oposição
51:57ao governo PT
51:58quase que majoritariamente
52:00a bancada
52:01é eleita
52:02por meio
52:03das redes sociais
52:04essas formas de organização
52:05ainda estão se desenvolvendo
52:08ainda estão
52:09e os partidos
52:11sindicatos
52:11movimentos mais tradicionais
52:12ainda estão
52:13se recuperando
52:15do que aconteceu
52:16e é claro
52:17que essas formas
52:18novas de organização
52:19via rede social
52:21tornaram as lideranças
52:23mais jovens
52:24muito mais visíveis
52:25porque esse grupo
52:27político
52:28ele está
52:29na contramão
52:32daquilo que eu
52:33defendo daquilo
52:34que o movimento
52:34defende
52:35eu acho que é importante
52:37a gente pensar
52:38numa coerência
52:39política
52:40
52:41é
52:41e isso
52:43eu acho que é
52:44uma das grandes
52:45preocupações
52:46desses movimentos
52:48acho que também
52:50
52:51muitas vezes
52:53a maneira
52:54como a política
52:55tem feito
52:56tem sido
52:57feita
52:58tem muito
52:59muito uso
53:01inadequado
53:02das redes sociais
53:03com cancelamento
53:05com desinformação
53:08e fake news
53:09sobre os movimentos
53:12com cancelamento
53:15de reputação
53:16a mentira
53:18engaja
53:19o ódio
53:20engaja
53:21o ataque
53:22engaja
53:23e tem determinados
53:25grupos
53:26que
53:26se notabilizam
53:28por usar
53:29sua comunicação
53:30em torno
53:31disso
53:31justamente
53:32porque engaja
53:34justamente
53:35porque vão ter
53:36publicações
53:37
53:38é
53:39é
53:40empresas
53:41de comunicação
53:42que financiam
53:44que compartilham
53:46isso
53:46que viralizam
53:48isso
53:48as redes sociais
53:49se transformaram
53:50na nova praça
53:51pública
53:51as redes sociais
53:53são
53:53a substituição
53:56quase
53:56ou uma
53:58irmã
53:58pra dizer assim
53:59das galerias
54:00do congresso
54:01nacional
54:01das galerias
54:02das assembleias
54:03e essa discussão
54:04sobre os limites
54:05da liberdade
54:06de expressão
54:07e como isso
54:08se traduz
54:08em regulamentação
54:09das redes sociais
54:10acho que vai ser
54:11uma
54:12uma discussão
54:13que não vai acabar
54:14é
54:14simplesmente
54:15acho que ela vai
54:16continuar por um
54:17bom tempo
54:18até que a
54:20política
54:21se acostume
54:22a lidar
54:23com isso
54:23que
54:24não basta mais
54:26você simplesmente
54:27dar a lacrada
54:28como costumam dizer
54:29isso é
54:30ter uma frase
54:31de efeito
54:31um argumento
54:32porque isso
54:33várias pessoas
54:34fazem
54:34e a todo canto
54:35eu acho que
54:36nessas eleições
54:37nós vamos ter
54:38candidatos
54:39ainda digitalizados
54:41ainda dentro
54:42das suas bolhas
54:42mas tratando
54:43de propostas
54:44muito mais efetivas
54:45as redes sociais
54:47elas
54:48se
54:49interpenetraram
54:51dentro da sociedade
54:51sociedade por fora
54:53e por dentro
54:53mas geraram
54:54um fenômeno
54:55que ainda
54:55a gente está
54:55longe de ver
54:56o seu final
54:57acompanhe os próximos
55:10passos dessa discussão
55:11nas redes sociais
55:12da Jovem Pan
55:13o documento Jovem Pan
55:15fica por aqui
55:15até a semana que vem
55:17documento Jovem Pan
55:39Jovem Pan
55:39Jovem Pan
55:39Jovem Pan
55:39Jovem Pan
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