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NotíciasTranscrição
00:00:00A fé é um sentimento invisível, mas capaz de mover multidões.
00:00:23Está presente nos templos, nas ruas e na vida de milhões de brasileiros.
00:00:28Neste episódio, o documento Jovem Pan investiga como a fé imaterial atravessa o tempo
00:00:34e se manifesta de forma quase palpável no cotidiano,
00:00:39na devoção, nas promessas e nas histórias de quem acredita que o impossível pode acontecer.
00:00:45Desde de barriga, a minha mãe fala que eu sou católica, que eu gosto muito da Nossa Senhora da Aparecida,
00:00:58tenho muita fé nela, já pedi muita coisa para ela e consegui.
00:01:02Apesar que eu tenho até um filho, o Roger, que ele tem o nome dela, Nossa Senhora da Aparecida.
00:01:08Eu botei Roger Vinícius Aparecida, mas se fosse uma menina eu ia para o Aparecida,
00:01:14mas como se fosse uma menina, aí eu tenho muita fé nela, muita.
00:01:18Por isso que hoje eu estou aqui em pé.
00:01:20Nossa Senhora da Aparecida, todo ano eu vou, uma vez, dois anos eu vou lá e tenho muita fé.
00:01:29Tudo que eu peço, tudo que eu pedi, peço a ela, eu vejo.
00:01:33Até em sonho eu peço, Nossa Senhora da Aparecida, eu vou fazer isso.
00:01:36Me mostra um sinal que é para dar certo e eu vejo que dá certo.
00:01:41Ele te ama demais.
00:01:42E Nossa Mãe Maria Aparecida é que mais nos dá amor.
00:01:51Está sempre nos apoiando, dando um carinho.
00:01:53Quando você se achar que está sozinho, lembre-se de que ela está ali do seu lado.
00:01:58Sempre te...
00:02:00Apoiando, sempre te levantando, sempre te aconchegando.
00:02:05Quando o mundo te dá as costas, ela está lá de frente contigo.
00:02:08Eu nasci muito pequeno e a minha mãe tinha medo de eu morrer de novo.
00:02:12O meu pai também.
00:02:13E minha mãe, muito devota à Nossa Senhora, ela me consagrou à Nossa Senhora.
00:02:18Então foi esse o começo da fé e do amor à Nossa Senhora.
00:02:24Primeiro para eu voto de me consagrar.
00:02:26Eu podia estar morto, eu não podia ter vivido, mas Nossa Senhora, ela me entregou a ela.
00:02:33Nossa Senhora cuidou de mim.
00:02:35E eu fui seguindo minha vida, mesmo que eu estava distante dela, ela nunca estava distante de mim.
00:02:39Passei por tudo isso que eu passei.
00:02:43Graças a Deus tem minhas filhas.
00:02:45E quando eu voltei a andar, a falar, a minha mãe me desculpa.
00:02:58Desculpa.
00:02:59Desculpa.
00:03:00Desculpa.
00:03:01O que eu desejo?
00:03:02Desculpa.
00:03:03Desculpa.
00:03:04Desculpa.
00:03:05O que eu desejo?
00:03:06Eu vou todos os anos porque, por memória, a minha mãe, porque ela que me trouxe tudo isso na minha vida.
00:03:16E pela fé nessa Senhora, porque é a coisa mais linda do mundo.
00:03:20É muito bom a gente pensar em Nosso Senhor, em Jesus Cristo, por tudo que Ele fez e morreu na cruz pela gente.
00:03:28Mas seria muito ruim do meu coração, da minha alma, não pensar a minha mãe que trouxe nesse mundo.
00:03:34Então, Nossa Senhora é tudo pra mim, né?
00:03:38É tudo com Deus, não dá sem Maria, né?
00:03:40A minha fé, a Nossa Senhora chegou até aqui.
00:03:44E Deus é tão perfeito que eu tive um AVC, a minha mãe cuidou de mim, tudo que ela podia fazer pra mim, ela me fez.
00:03:51A fé e boa parte da história do Brasil são representadas em uma figura com 36 centímetros,
00:03:59feita em terracota e carrega um manto azul e dourado e uma coroa.
00:04:04A imagem de Nossa Senhora Aparecida está nos templos, mas também está nos carros, em chaveiros, em quadros e nas telas.
00:04:13Eu sou a professora Lidia Sineira.
00:04:15Eu sou doutora em Antropologia e pós-doutora em Antropologia e História.
00:04:19O maior símbolo do catolicismo brasileiro é a figura de Nossa Senhora da Conceição Aparecida.
00:04:26E por que ela é tão importante?
00:04:28Por que essa devoção cresceu tanto nesse Brasil colonial, já que ela começa no século XVIII?
00:04:36Pra começar, eu tenho aqui pelo próprio nome, Nossa Senhora.
00:04:40Nossa é um vocativo, pronome que traz pra próximo de nós, a nossa proximidade, é nossa, não é dos outros.
00:04:51Ela é nossa, nossa devoção do brasileiro.
00:04:54Senhora, a senhora também desse período colonial representava aquela imagem da maternidade, do cuidado, da proteção.
00:05:04Não só dos filhos, como também dos colonos e dos escravos, que também viam nessa senhora uma proteção perante os maus-tratos do Senhor.
00:05:16E assim, toda essa devoção foi criando uma proximidade muito grande com a figura de Nossa Senhora.
00:05:24Eu sou doutora em Teologia, a pessoa não vai na igreja, não vai na missa, não vai na igreja, mas ela tem lá a imagem de Nossa Senhora no carro dela, você tá entendendo?
00:05:36Ou então, a pessoa nem é religiosa, ou ela não tem nenhum tipo de vínculo pastoral, mas ela aprendeu na família, na tradição, que a Virgem Maria a protegeria em situações de perigo, entendeu?
00:05:55E é por isso que ela aparece nos adereços, até mesmo de pessoas que são católicas não praticantes, ou até nem católicos.
00:06:02Muitas vezes vão aparecer em camisetas, a figura de Nossa Senhora, em joias, em tatuagens, em adesivos do carro.
00:06:11Isso tudo mostra como essa nossa religiosidade brasileira, esse catolicismo brasileiro, é um catolicismo muito particular, muito diferenciado.
00:06:21Porque assume realmente a sua identidade muito ligada a essa figura de Nossa Senhora Aparecida.
00:06:29Quando nós falamos de Nossa Senhora no Brasil, a gente tem uma experiência de uma Virgem Maria que foi encontrada dentro de uma...
00:06:41Foi encontrada numa espécie de um riacho, de um rio, né? Por três pescadores, assim.
00:06:49Então, esse encontro dessa imagem dela, até com esses traços mais escurecidos, que existem pessoas que dizerem que, na verdade, eram características mestiças,
00:07:01ou que existe algum tipo de lodo sobre ela, né?
00:07:06Fez com que a população se percebesse nela, entende?
00:07:10Então, assim, na verdade, como se fosse um sinal de Deus para aquelas pessoas naquele momento, né?
00:07:16Que é Nazaré, em Belém, e que é Aparecida, em São Paulo.
00:07:21A imagem de Nossa Senhora de Nazaré é uma imagem mais europeia.
00:07:25É uma imagem branquinha, tipo Nossa Senhora vinda de Portugal.
00:07:29A imagem de Aparecida é Nossa Senhora da Conceição, mas renegrecida pelas águas do rio.
00:07:35Então, veja, como é que isso também conectou toda essa história da presença africana aqui no Brasil.
00:07:44Identificado mais em Belém com a questão indígena, mais aqui no centro, no sudeste, com a questão afro-brasileira.
00:07:52É uma conexão, uma conexão cultural também, que Nossa Senhora nos proporciona, nos ajuda, né?
00:08:00Então, eu diria que essas várias conexões fazem com que a gente possa viver melhor.
00:08:05Ao contrário de algumas devoções europeias, que estão ligadas, por exemplo, a catedrais ou ordens religiosas,
00:08:12Maria, no Brasil, aparece na vida simples, no povo humilde, em um rio, entende?
00:08:19No meio do trabalho diário, né?
00:08:21E essa imagem, esse caráter amnistiço, é porque a imagem foi feita de terra corta, escurecida.
00:08:28E que foi escurecida, na verdade, pela água e pelo tempo.
00:08:31E outros diziam que poderia ser uma espécie de lodo, né?
00:08:34A pessoa, a imagem de Nossa Senhora Aparecida, essa mãe, recolhida nas redes no Rio Paraíba do Sul, em São Paulo,
00:08:42nos ajuda a reconhecer hoje o valor imenso das culturas na nossa realidade brasileira.
00:08:50Nós não podemos desprezar ninguém.
00:08:52Nós não podemos colocar ninguém fora.
00:08:55Nós queremos acolher, valorizar a vida.
00:08:58E a mãe Aparecida, com seu manto azul anil, a padroeira no nosso país,
00:09:04nos quer como filhos e filhas, que cada vez mais vão descobrindo o valor da vida e o valor de servir a vida.
00:09:11Há quem diga que milagres não existem.
00:09:15Há quem diga que todo dia é um milagre.
00:09:18Para Albert Einstein, só há duas maneiras de viver a vida.
00:09:22A primeira é vivê-la como se os milagres não existissem.
00:09:26A segunda é vivê-la como se tudo fosse milagre.
00:09:31A percepção de um ícone da ciência sobre como a fé se manifesta não vem de um sentimento,
00:09:37mas admiração profunda pela ordem e harmonia do universo, manifestadas em leis da física.
00:09:44Meu nome é Silvânia Maria da Silva, sou dona do lar.
00:09:55Em 2013, fiquei doente, descobri que estava com problema no rins.
00:10:03E comecei a fazer o tratamento.
00:10:05Com nove anos depois do tratamento que eu estava fazendo, em Modialis,
00:10:08aí eu fiquei acamada, fiquei seis meses acamada, sem conseguir andar, sem conseguir fazer nada.
00:10:15No começo eu só ficava sentada.
00:10:17Aí já não conseguia mais comer, porque a dor era tão intensa que eu não conseguia comer.
00:10:22Não conseguia beber água, não conseguia fazer mais nada.
00:10:25Aí eu só vivia sentada.
00:10:26Aí daqui a pouco, de sentada, eu só queria ficar deitada.
00:10:30Aí pronto.
00:10:30Era 24 horas deitada direto.
00:10:33Só me levantava para ir fazer Modialis.
00:10:35Levantava, fazia Modialis.
00:10:36Tinha três pessoas para me levar.
00:10:39Para me tomar banho, eu tomava banho um dia sim, um dia não, porque eu não conseguia.
00:10:43Eu gritava muito, muito de dor.
00:10:45Os vizinhos todos escutavam.
00:10:48Aí eu fiquei um ano sofrendo desse jeito.
00:10:52Estava só esperando que Deus me levasse mesmo.
00:10:54Aí um dia eu estava sofrendo muito, estava com muita dor, porque eu sentia muita dor.
00:11:01Aí eu estava na cara da minha mãe sozinha, porque eu tinha sempre que ter alguém para cuidar de mim nesse tempo,
00:11:06porque eu fiquei muito ruim.
00:11:08Aí eu estava me pedindo, pedindo a Nossa Senhora para me ajudar, me dar cura, porque eu queria sair daquela vida, né?
00:11:15Aí eu vi ela entrando.
00:11:17Eu vi ela entrando.
00:11:18Eu falei, meu Deus, eu não estou acreditando que é ela.
00:11:20Aí sem querer, tipo, eu me acordei, porque a dor vinha muito intensa, uma dor muito forte, uma dor.
00:11:26E eu tinha que me acordar, porque a dor era muito forte.
00:11:28Aí eu me acordei.
00:11:29Quando eu me acordei, eu vi uma pessoa entrando pelo quarto, assim, pela porta.
00:11:32Daí eu fiquei olhando, olhando.
00:11:34Ela foi até o final do quarto, deu a volta e foi embora.
00:11:39Só veio mesmo para dizer, eu estou aqui, eu vou te ajudar, sabe?
00:11:42Ela, tipo, veio para me avisar que ia me ajudar.
00:11:45Eu vi ela pequenininha, assim, meia gordinha, só que igualzinha, com manto, com tudo.
00:11:51Do mesmo jeitinho que é ela, eu vi ela.
00:11:55Do mesmo jeito, só que baixinha, meia fortinha.
00:11:58Se arrastando, ela não andava assim, que nem a gente anda perfeito.
00:12:02Ela se arrastava, que nem estava cansada.
00:12:04Aí ela foi até o final do quarto, olhou para mim e saiu e foi embora.
00:12:09Eu me arrepiei inteira.
00:12:10Eu olhei para ela, ela olhou para mim, só que ela entrou e saiu.
00:12:13Não ficou lá no quarto que eu estava.
00:12:17Aí eu falei para a minha mãe, mãe, eu tenho certeza que a Nossa Senhora da Aparecida
00:12:20veio aqui me ver.
00:12:22Só que eu acho que elas não acreditaram em mim, né?
00:12:25Aí um dia eu cheguei falando para o meu médico que ela tinha ido lá.
00:12:28Ele falou, não, é coisa da sua cabeça.
00:12:30Como você estava com muita dor, estava pensando muito, pedindo a cura.
00:12:34Você viu ela?
00:12:35Eu falei, não, eu tenho certeza.
00:12:36Eu vi ela entrando no quarto mesmo.
00:12:39Aí não demorou muito, não demorou muito tempo.
00:12:42O hospital me chamou para fazer a cirurgia.
00:12:44Aí eu fiz a cirurgia.
00:12:46Eu já saí da mesa de cirurgia andando, já andando.
00:12:49Eu falei, meu Deus, eu não acredito.
00:12:51Foi tanto que eu pedi a ela para ela me dar a minha cura.
00:12:53E eu consegui.
00:12:55Quem me conhece me viu em cima de uma cama há seis meses,
00:12:59assim, pôr o pé no chão.
00:13:01E hoje eu estou bem aqui para contar a história.
00:13:03Estou em pé.
00:13:04Estou falando que eu nem conseguia falar.
00:13:06Nem conseguia comer.
00:13:07E eu não conseguia fazer nada.
00:13:14O meu nome é Maria das Graças Silva Costa.
00:13:18Tenho 59 anos.
00:13:20Meu trabalho de cozinheira.
00:13:22Eu sou católica desde o momento que eu nasci, né?
00:13:27Que minha família toda é católica.
00:13:29Sempre tive fé em Nossa Senhora Aparecida.
00:13:32Sempre, sempre.
00:13:33Eu tenho um milagre muito grande para agradecer a ela pelo meu filho,
00:13:40que teve um acidente de moto.
00:13:42Ele teve um trauma descraniano.
00:13:44Ficou 25 dias em coma.
00:13:48Mais 16 dias a mais na sala de espera.
00:13:55Passou por três cirurgias.
00:13:56O médico falou que era muito grave, que tinha que ser um milagre muito grande,
00:14:02porque era gravíssimo o acidente dele.
00:14:05Ele tem mais de 35 pinos na cabeça.
00:14:10Já fez três cirurgias.
00:14:12E no momento que ele sofreu o acidente, eu já sabia que era grave.
00:14:19No momento que ele descobriu que ele sofreu o acidente,
00:14:21eu pedi e não fez para fazer uma corrente de oração,
00:14:24para pedir oração por ele.
00:14:27Eu lembro de que eu sempre fui um rapaz muito para frente, sabe?
00:14:32Daí eu falo, tipo, eu sei o que eu faço, eu sei o que eu quero.
00:14:34Tipo, sem saber de nada.
00:14:37Não, deixa que eu sei.
00:14:39Eu tinha acabado de aprender a dar de moto.
00:14:42Não sabia totalmente muito bem,
00:14:44mas para mim, na minha cabeça, eu estava bem.
00:14:47Eu estava alcoolizado ainda, né?
00:14:48Porque eu bebia.
00:14:50E, tipo, aí desde então,
00:14:52eu fui pegar a moto,
00:14:54fui comprar essa tal marmita para a minha ex-namorada da época que eu namorava,
00:14:58porque ela estava com fome,
00:14:59e não chegando lá, não tinha mais alimento,
00:15:01porque já tinha acabado.
00:15:03O local já tinha até fechado.
00:15:05Peguei a moto, sem capacete ainda,
00:15:07peguei e viajei com ela para outra cidade,
00:15:10que é mais longe ainda.
00:15:12Aí nessa viagem,
00:15:14fui lá, que eu chegando na cidade da qual eu conheço,
00:15:16nessa rotatória que eu ia para chegar lentamente,
00:15:20fazer a curva lentamente,
00:15:21eu fiz em alta velocidade.
00:15:23Nessa que eu fui fazer a curva,
00:15:24a moto foi e eu fiquei.
00:15:26Aí nessa calçada da rotatória,
00:15:28que é bem alta,
00:15:29minha cabeça ficou e abriu no meio.
00:15:31E meu primo, que estava comigo,
00:15:32que é o dono da moto,
00:15:33desmaiou na hora.
00:15:34Só que o menos que sofreu o acidente.
00:15:37Tipo, eu sofri o acidente,
00:15:38só que não tão grave quanto eu,
00:15:39que sofri a pancada aí.
00:15:40Eu fui bem dizer o capacete dele.
00:15:43Eu fui o trauma.
00:15:44Foi tudo em mim.
00:15:45Aí desde então foi que...
00:15:48Apaguei.
00:15:51Aí me acordei em outra cidade,
00:15:53que eu nem sabia onde que era,
00:15:54que para mim estava em São Paulo já,
00:15:55que nem era em São Paulo que eu estava.
00:15:57Não me reconhecia nem quem eram meus pais mais.
00:16:01Minha mãe, principalmente,
00:16:02é a que mais sofreu por mim,
00:16:03que mais ficou acordada,
00:16:04chorando dias e noites,
00:16:06dando banho, carinho direto,
00:16:08dando o que comer, o que vestir.
00:16:09Eu não me reconhecia a ela.
00:16:11Quando foi uma hora da manhã,
00:16:12o meu sobrinho ligou para mim.
00:16:15Aí falou,
00:16:16Tia,
00:16:17claro que sofreu um acidente,
00:16:19a gente estava dormindo.
00:16:20Aí eu perguntei,
00:16:21foi grave?
00:16:22Ele não quis falar.
00:16:24Ele falou assim,
00:16:25vem aqui,
00:16:26que é melhor vocês virem aqui.
00:16:28Aí a gente foi.
00:16:29Quando chegamos lá,
00:16:31eu vi que era muito grave.
00:16:33Só que assim,
00:16:34eu sabia que era grave,
00:16:36mas no meu coração,
00:16:38coração de mãe,
00:16:39eu sentia que Nossa Senhora Aparecida
00:16:41estava protegendo ele,
00:16:43com a mãe,
00:16:44e ia curar ele.
00:16:45Todo mundo falava que era grave,
00:16:47mas eu tinha no meu coração
00:16:50que ele sobreviveu.
00:16:51Quando eu fui para o hospital,
00:16:53que eu cheguei lá,
00:16:53que o médico eu viajante,
00:16:54que eu pedi para ver ele.
00:16:56Quando eu vi lá,
00:16:57aí eu vi a gravidade.
00:16:58Quando eu vi a gravidade,
00:17:02eu já pedi a ela
00:17:03que ela me ajudasse
00:17:05e ajudasse ele.
00:17:07Porque eu falei,
00:17:08Nossa Senhora Aparecida,
00:17:09eu sei que a senhora é mãe,
00:17:11eu sou mãe,
00:17:12ela levanta meu filho daí,
00:17:14faça com que ele sobrevive.
00:17:15No grupo que nós fizemos
00:17:17entre famílias e amigos,
00:17:19uma amiga falou para mim assim,
00:17:21para me fazer,
00:17:23desapegar algo que eu gostasse mais
00:17:26e pedisse com fé, né?
00:17:27Aí no momento eu falei assim,
00:17:30eu gosto muito de comida, né?
00:17:32Aí eu peguei,
00:17:34eu falei,
00:17:36no momento de aflição,
00:17:38eu falei,
00:17:38Deus,
00:17:39Nossa Senhora Aparecida,
00:17:40me ajude,
00:17:41Nossa Senhora Aparecida,
00:17:42que meu filho sabe dessa daí,
00:17:46sã e salvo,
00:17:48que eu só vou comer uma vez por dia,
00:17:53vou fazer um voto com a senhora,
00:17:54só vou comer uma vez por dia.
00:17:56Aí eu só almoçava,
00:18:01durante o dia eu não tomava café,
00:18:03tomava só água,
00:18:04almoçava uma hora,
00:18:05só ia comer alguma coisa no outro dia.
00:18:08Então eu fiquei isso,
00:18:09isso tudo,
00:18:10fiquei 45 dias.
00:18:12Só voltei a comer o normal,
00:18:14quando almoçar,
00:18:15jantar,
00:18:16tomar café da manhã,
00:18:17quando ele saiu do hospital.
00:18:19Aí o meu marido,
00:18:20a minha filha falava assim,
00:18:22Mãe,
00:18:22a senhora vai passar mal,
00:18:24o meu filho não tem como,
00:18:25eu digo não,
00:18:25eu fiz a promessa,
00:18:26eu vou seguir.
00:18:27Aí eu fiz isso daí,
00:18:28e fiz para dar,
00:18:30sempre quando eu pudesse,
00:18:33dar comida para os moradores da rua,
00:18:34e seguir.
00:18:35Mas eu segui com tanta fé,
00:18:38e tomei gosto de fazer o bem ao próximo,
00:18:42que é bom fazer,
00:18:43que sempre quando dá eu faço,
00:18:45eu levo,
00:18:46vai eu e ele,
00:18:46entregar comida.
00:18:49A gente vê adulto,
00:18:50aí tarde da noite,
00:18:51tudo a gente faz.
00:18:53E tudo que eu peço a ela eu vejo,
00:18:54tudo que eu pedi até agora,
00:18:56não teve um dia que eu não vi,
00:18:57sempre eu peço.
00:18:58Quando chegou lá,
00:18:59o médico falou,
00:19:00aí eu estava em casa,
00:19:02aí o médico,
00:19:03aí eu no dia seguinte,
00:19:05que eu ia todo dia de manhã,
00:19:06aí quando eu cheguei lá,
00:19:07o médico falou assim,
00:19:08mãe,
00:19:09a gente não vai mais fazer a cirurgia da traque,
00:19:11da traqueira nuclear aqui.
00:19:13Aí eu falei,
00:19:14como assim,
00:19:15não vai fazer?
00:19:15Ele falou assim,
00:19:16não,
00:19:16eu fiz um teste com ele aqui,
00:19:18ele está respirando só com o ventilador,
00:19:20não vai mais precisar.
00:19:21Então eu acho que,
00:19:22eu estou falando aqui,
00:19:23estou me arrepiando todinha.
00:19:25Eu senti que naquele momento,
00:19:27Nossa Senhora Aparecida tinha feito outro milagre,
00:19:29sem precisar dele,
00:19:31colocar a traqueira no pescoço dele.
00:19:34E deu tudo certo.
00:19:34Ficou com alguma sequela,
00:19:36porque foi gravíssimo,
00:19:38que você tem mais de 35 pines na sua cabeça,
00:19:41assim,
00:19:42esquecimento,
00:19:43o problema que ele ficou mais é esquecimento.
00:19:46Mas só em Deus,
00:19:47e Nossa Senhora Aparecida,
00:19:48ter colocado o meu filho em pé,
00:19:51está bom demais,
00:19:52está com saúde,
00:19:53trabalha comigo,
00:19:55nasceu de novo,
00:19:57ele vai comigo fazer as entregas,
00:19:59que eu faço marmiteca,
00:20:00para os eventos,
00:20:01ele viaja comigo,
00:20:03para vários lugares,
00:20:03a gente vai e volta.
00:20:14Sou formado em marketing e publicidade,
00:20:17no momento não trabalho agora,
00:20:19trabalho mais com marketing esportivo,
00:20:21mas não profissionalmente.
00:20:22Morava em São Bernardo,
00:20:23com a minha mãe,
00:20:24e a minha empresa teve algumas mudanças,
00:20:28nós estávamos aqui quase no centro de São Paulo,
00:20:31e a parte logística da empresa foi para Barueri,
00:20:35então eu estava indo de São Bernardo para Barueri todos os dias,
00:20:38praticamente de volta a 100 quilômetros.
00:20:40está bem,
00:20:42na época divorciado,
00:20:46bem estressado,
00:20:47com a relação do casamento,
00:20:50estar terminando o casamento,
00:20:53o trabalho bem carregado,
00:20:54muita responsabilidade,
00:20:56e enfrentando esse trânsito caótico de São Paulo todos os dias.
00:21:00Um certo dia,
00:21:02eu estava indo trabalhar,
00:21:05e pegando a Castelo Branco,
00:21:08eu estava dirigindo,
00:21:09e a minha vista virou o contrário,
00:21:12literalmente,
00:21:12virou o contrário.
00:21:13Só tive um reflexo rápido,
00:21:16coloquei o carro no acostamento,
00:21:18consegui parar o carro no estacionamento,
00:21:19fui tentar sair do carro,
00:21:21não consegui,
00:21:22coração acelerado,
00:21:23mas fui me arrastando,
00:21:25parei para a parte de trás do carro,
00:21:28sentei no chão,
00:21:29passando mal,
00:21:31e nisso,
00:21:32me aparece um motoqueiro,
00:21:34porque veio a moto parada por mim,
00:21:36não consegui nem chegar direito.
00:21:38Esse motoqueiro perguntou se eu estava bem,
00:21:39só acinei com a cabeça que não.
00:21:41Ele pegou o celular e começou a falar,
00:21:43isso é mais ou menos umas 6 horas da manhã,
00:21:45e eu estava a um quilômetro de distância da...
00:21:49do pedágio.
00:21:52Está bem,
00:21:53essa questão de horários,
00:21:56as pessoas que me acabavam me falando,
00:21:58eu não tinha muita noção,
00:21:59porque eu estava bem mal.
00:22:02Só sei que só 10 horas da manhã
00:22:03que me retiraram,
00:22:05o resgate veio na contramão,
00:22:08me colocaram dentro de uma ambulância,
00:22:09eu só ouvia os porristas falarem,
00:22:11não, é labirintite,
00:22:11é labirintite,
00:22:13me levaram para um hospital público,
00:22:16em Barueri,
00:22:18e me colocaram sentado no banco,
00:22:21para aguardar ser atendido.
00:22:24Fiquei um bom tempo lá,
00:22:25mal, mal, mal,
00:22:26eu ouvi a voz feminina,
00:22:28uma mulher falando para mim,
00:22:29olha, moço, você não está bem,
00:22:31eu vou tirar você daqui,
00:22:32eu vou colocar você numa maca.
00:22:33Ela me levou a um corredor glocutado,
00:22:35cheio de macas,
00:22:36e me deitou.
00:22:38Eu fiquei deitado lá um tempo,
00:22:39ainda não tinha sido atendido,
00:22:43e depois de um tempinho,
00:22:47essa distância num tempo,
00:22:49não tenho ideia,
00:22:49depois de um tempo,
00:22:50apareceu uma colega de trabalho.
00:22:53Ah, não sim,
00:22:53você está aqui,
00:22:54tudo bem,
00:22:55como é que você está?
00:22:56Vou avisar a sua família.
00:22:57Eu peguei e só assinava,
00:23:00eu não conseguia falar,
00:23:03e depois de um tempo,
00:23:04apareceu a minha mãe.
00:23:05Minha mãe veio,
00:23:07veio falar comigo,
00:23:08tudo,
00:23:08eu ainda deitado na maca lá,
00:23:10não tinha sido atendido,
00:23:11depois de um bom tempo.
00:23:13Minha mãe chegou,
00:23:14sei que alguma coisa,
00:23:15eu falei,
00:23:15eu quero ir até o banheiro,
00:23:16só que eu não consigo andar.
00:23:18Ela pediu um rapaz do lado,
00:23:19ele me levou até o banheiro,
00:23:20e me trouxe.
00:23:21Depois que eu cheguei,
00:23:23senti na maca,
00:23:25eu vi minha mãe dando de comer,
00:23:28na maca do lado,
00:23:28com um senhorzinho,
00:23:30e eu deitei e apaguei.
00:23:32Na verdade,
00:23:33eu já tinha,
00:23:33naquele exato momento,
00:23:34entrado em coma.
00:23:36Então,
00:23:37eu fiquei no Hospital Barueri,
00:23:40em coma,
00:23:41em 78 horas,
00:23:42sem que você fazer nada,
00:23:44os meus chefes,
00:23:45mas com a minha família toda,
00:23:46minha irmã,
00:23:46mas ela é madre,
00:23:48pegaram e conseguiram
00:23:50uma vaga para mim
00:23:51no Hospital Oswaldo Cruz,
00:23:53e me tiraram a força de lá.
00:23:54O Barueri não tinha feito nada,
00:23:56só tinha,
00:23:58não tinha nem feito tomografia.
00:24:00Eles fizeram uma tomografia rápida comigo,
00:24:02jogaram em cima da maca,
00:24:03e minha família me levou
00:24:05para o Oswaldo Cruz.
00:24:07Cheguei no Oswaldo Cruz,
00:24:08a minha médica,
00:24:10que foi me atender,
00:24:12ela viu que o meu estado era grave,
00:24:16e me levou direto para a cirurgia.
00:24:18Segundo ela me disse,
00:24:20também na palestra que ela deu,
00:24:22explicou tudo,
00:24:23eu cheguei na,
00:24:26só uma questão de consciência,
00:24:27glásulo 8,
00:24:29eu estava muito mal,
00:24:30eu tive um AVC isquêmico,
00:24:33que depois de muito tempo parado
00:24:35dentro da UTI,
00:24:36ele se tornou hemorrágico,
00:24:38e ela precisava,
00:24:41urgentemente, cuidar de mim.
00:24:43Foram 17 horas de cirurgia,
00:24:45dessas 17 horas de cirurgia,
00:24:47mais 72 horas
00:24:49para não dar morte encefálica,
00:24:52fiquei 10 dias de coma,
00:24:56e 16, 16 dias na UTI.
00:24:59Depois da UTI,
00:25:01seis meses internado,
00:25:04e voltei a fazer tudo de novo,
00:25:07tive que voltar a andar,
00:25:09a falar,
00:25:09dois anos e meio de reabilitação,
00:25:11de reabilitação,
00:25:12para estar aqui,
00:25:14hoje,
00:25:14você conversando comigo de pé,
00:25:16conversando normalmente com vocês.
00:25:18Deus faz as coisas todas muito certas,
00:25:20Ele coloca as pessoas certas,
00:25:22nos momentos certos.
00:25:24A minha mãe,
00:25:26que me veio desde pequeno,
00:25:28com toda a fé dela,
00:25:31e a parte católica dela muito forte,
00:25:35mesmo não praticando,
00:25:38mas ela sempre se manteve lá comigo,
00:25:41a gente estava do lado,
00:25:42eu sempre vi minha mãe
00:25:43rezando o texto,
00:25:44minha mãe voltando da igreja,
00:25:46minha mãe participando de reuniões,
00:25:50e ela era um exemplo,
00:25:52por mais que ela não falasse,
00:25:53ela era um exemplo,
00:25:55para mim e para as minhas irmãs.
00:25:57A minha mãe é mais velha,
00:25:58se tornou madre,
00:25:59por exemplo dela,
00:26:01e também ela,
00:26:02muito junto comigo,
00:26:04era o irmão mais novo,
00:26:05era a mais velha,
00:26:06então ela era muito próxima a mim.
00:26:08Então,
00:26:08esses eram dois grandes exemplos
00:26:10para mim na minha vida.
00:26:12Quando eu tive o AVC,
00:26:15quem cuidou de mim,
00:26:16foram elas,
00:26:17minha mãe e minhas irmãs.
00:26:19Elas estavam junto comigo.
00:26:20O corpo inteligente,
00:26:21ele abriu novas ramificações,
00:26:23para subir o sangue,
00:26:24quando subiu o sangue,
00:26:25ele deu hemorrágico.
00:26:27Com isso,
00:26:27eu perdi metade do meu cerebelo,
00:26:31que curta do equilíbrio.
00:26:32eu ganhei essa válvula na cabeça,
00:26:36que é o ADVP,
00:26:38que cuida do líquido craniano.
00:26:41Então,
00:26:41foi essas duas sequelas que eu tive.
00:26:44Então,
00:26:4550% do cerebelo,
00:26:47tinha dificuldade de andar,
00:26:48de me locomover.
00:26:49Aqui atrás,
00:26:50pode virar para o troço?
00:26:52Aqui atrás,
00:26:53eu perdi,
00:26:55foi cortado aqui,
00:26:56um dos músculos,
00:26:57que é o que faz o movimento lateral,
00:27:00que é a junção dos trapézios.
00:27:03Então,
00:27:03eu não conseguia movimentar o meu pescoço
00:27:05do lado para o outro.
00:27:07Então,
00:27:07era bem complicado.
00:27:09Eu praticamente vivia anos aí,
00:27:10sempre com alguém do meu lado,
00:27:12segurando,
00:27:13para atravessar a rua,
00:27:14a minha mãe,
00:27:15para me deitar,
00:27:16para me levantar da cama,
00:27:17para tomar banho,
00:27:18tudo que você possa imaginar.
00:27:19e eu tinha que ter alguém do lado
00:27:21me ajudando.
00:27:22Encontrei com um amigo,
00:27:23o Edson Dantas,
00:27:24que a gente já conhece há muito tempo.
00:27:26Ele é um para-atleta,
00:27:27ele tem a perna direita,
00:27:32amputada,
00:27:33então usa a perna mecânica.
00:27:36E ele tinha acabado de entrar para o triatlon.
00:27:39E a gente já corria os dois juntos,
00:27:40tudo.
00:27:41Ele falou,
00:27:42vem comigo,
00:27:43que eu vou te trazer para um esporte,
00:27:44que eu acho que vai te ajudar
00:27:45nesse momento da sua vida.
00:27:47E eu comecei a fazer o triatlon.
00:27:48Mas aos pouquinhos eu fui indo,
00:27:51fui fazendo fisioterapia,
00:27:53fui seguindo a vida
00:27:54até conseguir ter a reabilitação total.
00:27:58Quando eu me reabilitei,
00:27:59quando eu voltei
00:28:01até conseguir
00:28:02entrar em uma piscina,
00:28:04naquela triatlon,
00:28:05para poder nadar,
00:28:06a natação,
00:28:08para poder andar em uma bicicleta,
00:28:09mesmo com essa deficiência
00:28:12do meu cerebelo,
00:28:13e correr,
00:28:14eu comecei a me organizar
00:28:17e realmente a treinar
00:28:18com um profissional específico.
00:28:22E com isso,
00:28:23eu segui minha vida
00:28:25com o esporte.
00:28:27No caso do triatlon,
00:28:28o triatlon é formado
00:28:30em quatro modalidades,
00:28:32desde um triatlon curto
00:28:34até o mais longo,
00:28:36que a gente é conhecido
00:28:37por muitos como Ironman.
00:28:38Então eu fui seguindo,
00:28:42subindo as escadinhas,
00:28:43fazendo todas as provas
00:28:45e, aos poucos,
00:28:47até chegar onde eu queria.
00:28:49Eu queria fazer o Ironman.
00:28:51Então foram seis anos
00:28:52para conseguir fazer hoje,
00:28:53que é considerado
00:28:54as mais provas
00:28:55mais difíceis do planeta.
00:28:56O que é o Ironman?
00:29:26Tudo com Deus,
00:29:29nada sem Maria.
00:29:30A expressão,
00:29:31frequentemente associada
00:29:33a Luiz Maria Grignon de Montfort,
00:29:35sacerdote francês,
00:29:37que é também um santo católico,
00:29:39exalta a importância
00:29:40que a figura da Mãe de Deus
00:29:42tem na tradição do catolicismo.
00:29:46Na história, então,
00:29:48a Igreja,
00:29:49o catolicismo,
00:29:50valoriza muito.
00:29:51Por quê?
00:29:52Porque Maria
00:29:53não só foi a Mãe de Jesus,
00:29:55mas foi aquela
00:29:56que também acompanhou
00:29:57Jesus na missão.
00:29:59No Evangelho de São João,
00:30:01quando se narra
00:30:03o primeiro milagre de Jesus,
00:30:04das bodas de Caná,
00:30:06Nossa Senhora
00:30:07dá a dica para nós,
00:30:08façam tudo
00:30:09que Ele vos disser.
00:30:11Então é nesse sentido
00:30:12que a Igreja valoriza
00:30:13a Mãe de Jesus.
00:30:15Maria, Mãe de Jesus,
00:30:15ela é uma das figuras
00:30:16mais representadas
00:30:18na história da arte.
00:30:19e as suas imagens,
00:30:21elas refletem
00:30:22tanto essa evolução estética,
00:30:25quanto essa profundidade teológica
00:30:28ao longo dos séculos.
00:30:30Por exemplo,
00:30:32nos períodos antigos,
00:30:33entre, por exemplo,
00:30:34os séculos 2 e 4,
00:30:38quando o cristianismo
00:30:39ainda era uma...
00:30:41a gente pode falar assim,
00:30:42uma religião,
00:30:43ainda perseguida,
00:30:45Maria,
00:30:46ela aparecia
00:30:47de forma mais simbólica,
00:30:50por exemplo,
00:30:50em mosaicos,
00:30:52em ícones,
00:30:53sobretudo,
00:30:55sempre ligado
00:30:57à questão
00:30:57da maternidade de Cristo.
00:31:00Então,
00:31:00quando a gente fala
00:31:01desses primeiros registros,
00:31:03ela sempre foi entendida
00:31:04como a intercessora,
00:31:07alguém que mediava
00:31:09essa relação
00:31:10entre Deus
00:31:12e os fiéis,
00:31:13sempre transmitindo
00:31:15essa proteção
00:31:17e esse cuidado.
00:31:19Quando a gente fala,
00:31:20a gente sai desse momento
00:31:21da igreja perseguida
00:31:24nos primeiros anos,
00:31:26nos primeiros séculos
00:31:26do cristianismo,
00:31:27e vamos para o período
00:31:29da Idade Média,
00:31:31a gente pode falar
00:31:32especificamente
00:31:34entre os séculos 5 e 15,
00:31:37a arte bizantina,
00:31:39ela representava Maria
00:31:40já de uma forma
00:31:41um pouco diferente,
00:31:42de forma frontal
00:31:44e erática,
00:31:45ou seja,
00:31:46ereta,
00:31:49cheia de glória,
00:31:50muitas vezes
00:31:51com o título
00:31:51de rainha do céu.
00:31:53Até hoje,
00:31:54a gente ouve muito
00:31:55esse título, né?
00:31:56Passando esse período
00:31:58da Idade Média,
00:31:59quando a gente entra
00:32:00no Renascimento,
00:32:01entre o século 15
00:32:02e o século 16,
00:32:04Maria, então,
00:32:05incorpora mais
00:32:06esses ideais
00:32:07próprios da época,
00:32:09mais do humanismo,
00:32:10do naturalismo, né?
00:32:12Nesse período
00:32:13do Renascimento,
00:32:17ela não foi apenas
00:32:19um objeto de devoção,
00:32:20mas ela também
00:32:21era aquele modelo
00:32:22da mulher
00:32:24perfeita, certo?
00:32:26Então,
00:32:26era um modelo
00:32:27que todas as mulheres
00:32:28deveriam seguir,
00:32:29um modelo de virtude,
00:32:31de ética
00:32:33e de beleza humana.
00:32:34No período barroco,
00:32:36entre os séculos
00:32:37séculos 17,
00:32:40séculos 18, né?
00:32:42Aí a representação
00:32:43de Maria ganha mais
00:32:45o que a gente pode falar
00:32:46dramaticidade,
00:32:48movimento,
00:32:49emoção.
00:32:51Então,
00:32:51as pinturas,
00:32:52elas enfatizavam,
00:32:53por exemplo,
00:32:53o êxtase,
00:32:55o poder celestial
00:32:56de Maria,
00:32:57e isso fazia
00:33:00com que inspirasse
00:33:01uma intensa devoção
00:33:04nas pessoas
00:33:05que estavam
00:33:05nos fiéis,
00:33:07nos cristãos
00:33:08de uma forma geral.
00:33:09Vai para o século 20, né?
00:33:12Maria continua
00:33:13inspirando artistas
00:33:14em diferentes estilos.
00:33:16Então,
00:33:17por exemplo,
00:33:17no período do romantismo,
00:33:19ela é destacada
00:33:22como símbolo
00:33:23de pureza,
00:33:24de amor maternal
00:33:25e no modernismo
00:33:27já surgem modelos
00:33:29mais,
00:33:30interpretações
00:33:30mais estilizadas,
00:33:32simbólicas,
00:33:34digamos assim,
00:33:34refletindo questões
00:33:36sociais,
00:33:37espirituais,
00:33:39às vezes alguma crítica
00:33:40à sociedade.
00:33:42Quando a gente traz
00:33:43Maria para os tempos
00:33:44atuais,
00:33:45para a contemporaneidade,
00:33:46né?
00:33:47Maria permanece
00:33:48presente.
00:33:49Então, assim,
00:33:50dentro do âmbito
00:33:51cristão católico,
00:33:53existe uma devoção
00:33:54enorme dos católicos
00:33:55em relação
00:33:56à Virgem Maria.
00:33:57E ela tem várias
00:33:58nomenclaturas,
00:33:59Maria,
00:34:00Nossa Senhora,
00:34:01Virgem Maria,
00:34:03Nossa Senhora Aparecida,
00:34:04enfim,
00:34:05vários nomes
00:34:06que são utilizados
00:34:07para se referir
00:34:08a ela.
00:34:11A nossa mãe
00:34:12é uma só.
00:34:14Quando a nossa mãe
00:34:15se veste
00:34:15para um casamento,
00:34:17ela se veste
00:34:18diferente do que
00:34:19quando ela,
00:34:19por exemplo,
00:34:20vai à piscina
00:34:20ou vai à praia
00:34:22ou quando ela
00:34:23está em casa,
00:34:25no descanso
00:34:25da casa dela
00:34:26ou se ela
00:34:27trabalha fora,
00:34:28é diferente
00:34:28do traje do trabalho
00:34:30para o traje
00:34:31quando ela vai
00:34:32na igreja
00:34:32e isso era muito
00:34:33marcado antigamente,
00:34:34né?
00:34:35Então,
00:34:36são trajes
00:34:36diferentes.
00:34:37Nós podemos fazer
00:34:38essa comparação
00:34:39para entender.
00:34:40A pessoa de Maria,
00:34:42na tradição católica,
00:34:44ela foi recebendo
00:34:44durante a história
00:34:45várias trajes,
00:34:47várias roupagens
00:34:48e várias linguagens
00:34:49e várias experiências.
00:34:51Por isso também
00:34:52os nomes.
00:34:53Então,
00:34:53vocês citavam,
00:34:54por exemplo,
00:34:54Fátima.
00:34:55Fátima porque
00:34:56apareceu num lugarzinho
00:34:57chamado Fátima
00:34:58em Portugal.
00:35:00Aparecida
00:35:01é Nossa Senhora
00:35:02que apareceu
00:35:03nessa região
00:35:04do Rio
00:35:05aqui
00:35:06no estado
00:35:07de São Paulo.
00:35:09Então,
00:35:09inclusive,
00:35:09a cidade
00:35:10chama Aparecida
00:35:11em Sergipe,
00:35:12tem uma
00:35:13Aparecida
00:35:14de Sergipe,
00:35:15Aparecida
00:35:16de Goiânia,
00:35:17a própria,
00:35:18o nome de Nossa Senhora
00:35:19deu lugar
00:35:20a várias cidades
00:35:21no Brasil.
00:35:23Pensar,
00:35:23por exemplo,
00:35:24Nossa Senhora
00:35:25de Nazaré
00:35:26em Belém,
00:35:29a maior festa
00:35:30mariana
00:35:31que a gente tem
00:35:31no Brasil,
00:35:32Guadalupe,
00:35:33no México,
00:35:34que aparece,
00:35:34então,
00:35:35na região de Guadalupe
00:35:36ao indígena.
00:35:38E assim,
00:35:39os títulos,
00:35:41então,
00:35:42eles são
00:35:43de acordo
00:35:44com a experiência
00:35:45que uma
00:35:45ou duas
00:35:46pessoas
00:35:46fizeram
00:35:47com a Nossa Senhora.
00:35:48Bela longe
00:35:48de todos
00:35:49esses períodos,
00:35:49nós podemos
00:35:50perceber
00:35:50que a representação
00:35:51de Maria,
00:35:52ela acompanha
00:35:54não somente
00:35:54a questão
00:35:55da evolução
00:35:55da arte,
00:35:56mas também
00:35:56a forma
00:35:57como se via
00:35:58a espiritualidade
00:35:59no período,
00:36:00como a sociedade
00:36:00compreendia
00:36:02e como compreende
00:36:03o que é
00:36:04maternidade,
00:36:05papel feminino,
00:36:07sagrado,
00:36:08ou alguém escreveu
00:36:09a partir
00:36:09de relatos
00:36:10dela ainda,
00:36:11isso é discutível.
00:36:14Mas,
00:36:14o fato é que lá
00:36:16no Magnífico,
00:36:17a Maria
00:36:17mostra-se
00:36:18muito forte.
00:36:20Ela denuncia
00:36:21os poderosos,
00:36:22ela fala
00:36:24das consequências
00:36:25do que acontece
00:36:25com os que perseguem
00:36:27os pobres
00:36:27e os oprimidos.
00:36:28é a roupagem,
00:36:30é a linguagem,
00:36:30né?
00:36:31Podemos dizer
00:36:32no modo
00:36:34mais de linguística.
00:36:36O conteúdo
00:36:37é o mesmo,
00:36:37é a mesma mãe de Jesus,
00:36:39a mesma Maria,
00:36:39a mesma mulher.
00:36:41Mas,
00:36:42a forma
00:36:43de acolher
00:36:45e de apresentar
00:36:46essa mulher
00:36:47nas diversas culturas
00:36:48é muito diferente.
00:36:49Se vamos na África,
00:36:51tem, por exemplo,
00:36:52em Angola,
00:36:53se chama
00:36:53Muximba.
00:36:55Muximba
00:36:56é o nome
00:36:56de Nossa Senhora
00:36:57e é uma imagem
00:36:57de Nossa Senhora
00:36:58Negra
00:36:58naquela região,
00:37:00daquele povo também.
00:37:01De norte
00:37:02a sul do país,
00:37:03a figura de Maria
00:37:04segue sendo
00:37:05símbolo
00:37:05de proteção,
00:37:06consolo
00:37:07e esperança.
00:37:09Mas,
00:37:09enquanto o sentimento
00:37:10de fé
00:37:10permanece vivo,
00:37:12os números
00:37:12mostram que
00:37:13o cenário religioso
00:37:14no Brasil
00:37:15está em transformação.
00:37:18Dados do censo
00:37:19de 2022
00:37:19indicam
00:37:20que o catolicismo
00:37:22representa
00:37:2256,7%
00:37:25da população
00:37:26brasileira,
00:37:27com 100,
00:37:272 milhões
00:37:28de fiéis,
00:37:30marcando
00:37:30o menor
00:37:30percentual histórico.
00:37:32Em comparação
00:37:33com o levantamento
00:37:34do censo anterior
00:37:35de 2010,
00:37:37quando 65,1%
00:37:39da população
00:37:40se declarava
00:37:41católica,
00:37:42houve uma redução
00:37:43de 8,4 pontos
00:37:45percentuais.
00:37:46Em contrapartida,
00:37:47o número
00:37:48de evangélicos
00:37:49cresceu
00:37:495,2 pontos
00:37:51percentuais,
00:37:52saindo de
00:37:5321,6%
00:37:55para 26,9%
00:37:57da população.
00:37:58O grupo
00:37:59de pessoas
00:38:00que se declararam
00:38:01sem religião
00:38:02também apresentou
00:38:03crescimento
00:38:04e chegou
00:38:04a 9,3%
00:38:06do total.
00:38:07O que parece
00:38:08claro no campo
00:38:10exato dos números,
00:38:11por outro lado,
00:38:12não pode ser
00:38:13entendido
00:38:13no campo
00:38:14subjetivo
00:38:15da fé.
00:38:16A devoção
00:38:16católica
00:38:17está tão
00:38:18entrelaçada
00:38:19na história
00:38:19brasileira
00:38:20que não
00:38:21ocupa
00:38:21apenas
00:38:22o espaço
00:38:22das igrejas,
00:38:23como também
00:38:24ditados
00:38:25populares,
00:38:26em preces
00:38:26no dia a dia
00:38:27ou rituais
00:38:28que não
00:38:29dependem
00:38:29de um contexto
00:38:30religioso
00:38:31para ganharem
00:38:32significado.
00:38:34Não necessariamente
00:38:35a pessoa
00:38:35tem que ter
00:38:36uma vida
00:38:37religiosa
00:38:39constante
00:38:40na igreja.
00:38:40A devoção
00:38:41brasileira
00:38:42ultrapassa
00:38:43os templos
00:38:44religiosos,
00:38:45entende?
00:38:45Porque está
00:38:46muito conectada
00:38:47a tradição
00:38:48católica,
00:38:49a tradição
00:38:50cristã.
00:38:51Mas aqui
00:38:51a gente está
00:38:52falando
00:38:52de um espaço
00:38:52essencialmente
00:38:54católico.
00:38:54Quem tem
00:38:55muitas devoções
00:38:55são os católicos.
00:38:58Ser católico
00:38:59no Brasil
00:38:59é ser brasileiro,
00:39:02podemos chamar
00:39:02desse jeito.
00:39:03Existe uma alma
00:39:03católica
00:39:04em todo brasileiro,
00:39:05até mesmo
00:39:06nos evangélicos.
00:39:08Isso nem sempre
00:39:09um evangélico
00:39:10vai querer
00:39:10assumir,
00:39:12mas é verdade.
00:39:13Porque por termos
00:39:14sido colonizados
00:39:15por católicos,
00:39:17o brasileiro
00:39:19criou uma moral
00:39:20que traz
00:39:22valores
00:39:23que são
00:39:24profundamente
00:39:25católicos,
00:39:26arraizarregados
00:39:28dentro dessa
00:39:28cultura católica,
00:39:30que é uma cultura
00:39:31católica
00:39:32colonial.
00:39:33Claro que por isso
00:39:34também,
00:39:34já conversamos
00:39:35há pouquinho,
00:39:36é um pouco mais
00:39:36aberta
00:39:37a todas as questões
00:39:38de sincretismos
00:39:39e tudo mais.
00:39:41Mas mesmo
00:39:41os nossos
00:39:42pais
00:39:43que sejam
00:39:44ditos
00:39:45ateus,
00:39:46eles mesmo
00:39:47assim
00:39:47passam
00:39:48para os filhos
00:39:49valores morais
00:39:50que são
00:39:50valores morais
00:39:51cristãos
00:39:51de uma base
00:39:53que foi trazida
00:39:54por essa
00:39:54cultura católica.
00:39:56Então o evangélico
00:39:57que nasce
00:39:58num berço evangélico,
00:40:00por mais
00:40:00que ele negue,
00:40:01ele também
00:40:02traz um pouquinho
00:40:03ali dessa
00:40:04cultura católica
00:40:05enraizada
00:40:06nessa alma
00:40:06católica brasileira.
00:40:08Eu rezo
00:40:08todo dia,
00:40:09todo dia
00:40:09eu me acordo
00:40:10de manhã,
00:40:10eu agradeço
00:40:11a ele,
00:40:12a Nossa Senhora
00:40:12da Aparecida,
00:40:13todos os dias
00:40:14quando eu me levanto
00:40:15da cama,
00:40:15só de eu abrir
00:40:16meu olho
00:40:16eu já sou feliz,
00:40:17já sou grata a ela,
00:40:18de eu estar
00:40:19abrindo meus olhos
00:40:20e poder pôr o pé
00:40:21no chão
00:40:21e andar
00:40:21sem a ajuda
00:40:22de ninguém.
00:40:23Aí eu frequento
00:40:24o terço lá,
00:40:25que o pessoal
00:40:26daqui vai pra lá
00:40:27toda quinta-feira,
00:40:29mudei tudo
00:40:29e eu me pego
00:40:32mais com Deus,
00:40:32Nossa Senhora,
00:40:33rezo muito
00:40:34e agradeço
00:40:36por tudo
00:40:36que ela fez
00:40:37por mim.
00:40:38Meu marido,
00:40:39ele pegou
00:40:41na hemodiades,
00:40:41eu estava muito ruim,
00:40:42eu estava começando
00:40:43a ficar muito ruim,
00:40:44muito ruim.
00:40:45Aí ele me pegou,
00:40:46deixou na casa
00:40:47da minha mãe,
00:40:48falou,
00:40:48você vai ficar aí
00:40:48e eu já volto.
00:40:49Eu falei,
00:40:49tá bom.
00:40:50Aí eu falei,
00:40:50você vai pra onde?
00:40:51Ele falou,
00:40:51vou ali,
00:40:51eu já volto.
00:40:52Mas não quis falar
00:40:53pra mim pra onde ia.
00:40:55Quando der fé,
00:40:56duas,
00:40:56três horas depois
00:40:57ele me liga,
00:40:58eu falei,
00:40:58você tá onde?
00:40:59Ele falou assim,
00:40:59tô indo pra Aparecida
00:41:00de pé.
00:41:01Ficou cinco dias
00:41:02andando de pé agora,
00:41:04no dia dela,
00:41:05chega no dia dela lá,
00:41:06né?
00:41:07Ficou cinco dias
00:41:08com a minha roupa,
00:41:09foi lá fazer um sacrifício
00:41:11pra que eu pudesse levantar.
00:41:14E agora ele criou
00:41:15todo ano
00:41:16ir de pé
00:41:16pra Aparecida do Norte.
00:41:18Ele foi transferido
00:41:19pra Juazeiro do Norte,
00:41:21pro Hospital do Trauma lá
00:41:22e fez a cirurgia lá.
00:41:24Eu sou devota
00:41:25do meu Padre Cícero.
00:41:26Eu fui lá,
00:41:27quando ele tava
00:41:28nosso pai ainda,
00:41:28deixei o nome dele lá
00:41:29na imagem do meu Padre Cícero,
00:41:31deixei uma fitinha amarrada
00:41:32e quando ele saiu,
00:41:34eu falei pra Deus
00:41:35e pra meu Padre Cícero,
00:41:37Nossa Senhora Aparecida,
00:41:38assisti a missa lá
00:41:39e falei que eu ia subir
00:41:40com ele lá,
00:41:41com meu marido.
00:41:43O meu marido
00:41:43deixou eu e ele em cima,
00:41:45né?
00:41:46Enquanto começava a missa
00:41:47lá no horto
00:41:49do meu Padre Cícero
00:41:50e o Cleo,
00:41:56e meu marido
00:41:56desceu
00:41:57e veio subindo,
00:41:58porque ele tinha feito
00:41:59essa promessa também
00:42:00pra subir
00:42:00e deixar o nome dele lá também.
00:42:03Desde então,
00:42:04eu passei a crer
00:42:06mais
00:42:06em Deus,
00:42:09porque eu acreditava
00:42:10da boca da pra fora.
00:42:11Tipo,
00:42:12eu via a igreja,
00:42:13só via a igreja,
00:42:15mas eu não era da igreja.
00:42:16Eu não levava a Deus
00:42:17pro público.
00:42:19Se alguém falasse
00:42:20mal de Deus perto de mim,
00:42:21tantos faz.
00:42:22Hoje não.
00:42:24Hoje eu pergunto
00:42:25por que você está falando isso?
00:42:26Por qual motivo
00:42:27você está falando isso
00:42:27no que você é filho dele?
00:42:29Ele está te criando.
00:42:30e hoje
00:42:34eu falo para aquele que
00:42:36ainda tem dúvida
00:42:37se Deus existe?
00:42:38Acredite.
00:42:39Nossa Senhora Aparecida
00:42:40realmente existe.
00:42:42Jesus Cristo
00:42:42realmente é o caminho.
00:42:45Hoje
00:42:45eu sou
00:42:47um dos que bate
00:42:48de frente
00:42:49pra provar
00:42:50que Ele existe.
00:42:51Que
00:42:52não só eu
00:42:53como você
00:42:54e todos os outros
00:42:54que estão no mundo
00:42:55somos a prova
00:42:56de que Ele existe.
00:42:59Uns falam
00:42:59que o homem veio
00:43:00do macaco,
00:43:00tá ok, beleza.
00:43:02Onde tem missa,
00:43:03essas coisas assim,
00:43:04Ele vai.
00:43:05Onde tiver processão,
00:43:06qualquer coisa tiver,
00:43:07Ele vai.
00:43:08depois que eu voltei
00:43:12andar e falar
00:43:13e passei por tudo
00:43:14que existe
00:43:15do VC
00:43:15um grande amigo
00:43:17meu
00:43:18foi me ver
00:43:21no Ironman
00:43:21em 2018
00:43:22José Augusto
00:43:23ele falou
00:43:24obrigado por ter me
00:43:26trazer aqui
00:43:27pra me conhecer
00:43:28porque esse esporte
00:43:28eu só vou te trazer
00:43:30pra você conhecer
00:43:30outra coisa.
00:43:32Ele me levou
00:43:32pro Caminho da Fé
00:43:33então
00:43:35nós somos
00:43:35o Caminho da Fé
00:43:36que lá em Águas da Prata
00:43:37começa e vai
00:43:39até Aparecida
00:43:40e ele
00:43:41nós fizemos
00:43:43dez dias
00:43:44andando
00:43:44até a Basílica
00:43:45da Nossa Senhora
00:43:46e daquele
00:43:47em diante
00:43:48eu vou
00:43:49todos os anos
00:43:50então
00:43:51sempre
00:43:52o que Nossa Senhora
00:43:53me traz
00:43:54no caminho
00:43:54até Aparecida
00:43:56é compreensão
00:43:58é amizade
00:44:00é afeto
00:44:01é empatia
00:44:02e isso
00:44:02graças a Deus
00:44:03eu tenho bastante
00:44:04às vezes
00:44:06não é a palavra
00:44:07mas sim
00:44:08a atitude
00:44:11entendeu
00:44:12o exemplo
00:44:13então
00:44:14eu não sou
00:44:15exemplo pra ninguém
00:44:16tá
00:44:17mas
00:44:18as pessoas
00:44:19principalmente hoje
00:44:20com redes sociais
00:44:20as pessoas
00:44:21vão entrar em mim
00:44:22conversam comigo
00:44:22poxa
00:44:23você teve
00:44:23o tema que teve
00:44:24como é que é
00:44:25como é que deixou de ser
00:44:27então
00:44:28às vezes a gente
00:44:29acaba
00:44:29podendo falar
00:44:31uma palavra
00:44:31de ajuda
00:44:32alguma coisa
00:44:33pra que essa pessoa
00:44:35tenha essa esperança
00:44:36também
00:44:37então é a minha atitude
00:44:38de tudo que eu passei
00:44:40do que eu sou hoje
00:44:41é mostrar isso
00:44:42pras pessoas
00:44:43e isso me trouxe
00:44:45a fazer palestras
00:44:47Deus é tão justo
00:44:48tão correto
00:44:50tão perfeito
00:44:51que ele me
00:44:52me trouxe
00:44:54uma coisa tão difícil
00:44:54na minha vida
00:44:55que hoje
00:44:55pra mim
00:44:56eu considero
00:44:57que foi a melhor coisa
00:44:57que aconteceu
00:44:58pra que me desse
00:45:00espaço
00:45:01me desse
00:45:02condições
00:45:04de estar
00:45:04no momento
00:45:05que a minha mãe
00:45:06precisava
00:45:06tanto de mim
00:45:07estar presente
00:45:08o que eu mais
00:45:11tenho que falar
00:45:11pra Nossa Senhora
00:45:12eu tenho mais
00:45:12que agradecer a ela
00:45:13as pessoas falam
00:45:14olha
00:45:14não
00:45:15pelo amor de Deus
00:45:16que eu quero
00:45:17eu vou fazer uma promessa
00:45:18disso
00:45:18daquilo
00:45:18eu não preciso
00:45:19de promessa
00:45:20eu preciso agradecer
00:45:21eu preciso estar
00:45:23todo momento
00:45:23todo meu dia
00:45:24eu levanto
00:45:25eu não tenho certeza
00:45:27se eu vou levantar amanhã
00:45:28mas quando eu levanto
00:45:29eu agradeço
00:45:30eu agradeço a Deus
00:45:30a Nossa Senhora
00:45:31porque eu estou vivo
00:45:32e uma das coisas
00:45:34que mais me toca
00:45:35dentro é
00:45:36nossa
00:45:36como é bom viver
00:45:38como é bom
00:45:39estar vivo
00:45:40e por isso mesmo
00:45:42eu peço
00:45:44a ela
00:45:44todo dia
00:45:45que cuide
00:45:46das minhas filhas
00:45:47que cuide
00:45:48das minhas irmãs
00:45:49que cuide
00:45:49dos meus amigos
00:45:50e que
00:45:51passa na frente
00:45:52e cuida da minha vida
00:45:53é por isso
00:45:55que eu amo
00:45:55Nossa Senhora
00:45:56o catolicismo
00:45:59que temos hoje
00:46:00ele é herança
00:46:02ou herdeiro
00:46:03do cristianismo primitivo
00:46:05muitas vezes
00:46:06temos essa noção
00:46:07de catolicismo
00:46:08e cristianismo
00:46:09são sinônimos
00:46:11não, não são
00:46:12a igreja
00:46:13que começa
00:46:13no século I
00:46:14vai se tornar
00:46:16igreja católica
00:46:17a partir do século II
00:46:19e igreja católica romana
00:46:21a partir do século IV
00:46:23e a partir de então
00:46:24nós temos
00:46:25o desenvolvimento
00:46:27dessa igreja católica romana
00:46:29e em paralelo
00:46:30posteriormente
00:46:31surgirão também
00:46:32outras igrejas
00:46:33como igreja católica ortodoxa
00:46:35outras igrejas católicas
00:46:36como igreja católica brasileira
00:46:38o catolicismo brasileiro
00:46:39ele realmente
00:46:40tem características próprias
00:46:42principalmente
00:46:43pelo fato
00:46:44de que
00:46:45quando o catolicismo
00:46:46chega ao Brasil
00:46:47durante a nossa colonização
00:46:49não haviam ainda
00:46:52padres suficientes
00:46:53para conseguir
00:46:54atender
00:46:55a todo esse
00:46:56grande território brasileiro
00:46:57o que faz
00:46:58com que surja
00:46:59no território brasileiro
00:47:00o chamado
00:47:01catolicismo popular
00:47:02o catolicismo rusco
00:47:03onde
00:47:04todas as
00:47:06cerimônias
00:47:07todos os rituais
00:47:08eram na verdade
00:47:09dirigidos
00:47:10por leigos
00:47:11leigos
00:47:12que eram então
00:47:13devotos
00:47:14de algum santo
00:47:15ou mesmo
00:47:15devotos
00:47:16de própria
00:47:16Nossa Senhora
00:47:17que criavam
00:47:18suas capelas
00:47:19nas suas próprias casas
00:47:21nas suas fazendas
00:47:22nos seus sítios
00:47:23e passavam ali então
00:47:24a congregar
00:47:25várias pessoas
00:47:26sob então
00:47:27a liderança
00:47:28desse leigo
00:47:29ou leiga
00:47:30inclusive também
00:47:31que é outra característica
00:47:32brasileira
00:47:33também de termos mulheres
00:47:34desde o início
00:47:35também liderando
00:47:36esses movimentos
00:47:37de catolicismo popular
00:47:38é claro que havia
00:47:39padres no Brasil
00:47:41nesse início da colonização
00:47:42só por serem poucos
00:47:44eles precisavam
00:47:45ser itinerantes
00:47:46e percorrer
00:47:47todas essas capelas
00:47:48e sendo assim
00:47:49havia capelas
00:47:50que eu recebi
00:47:51uma visita do padre
00:47:52digamos de
00:47:535 em 5 anos
00:47:5510 em 10 anos
00:47:56e era nesse período
00:47:57onde o padre
00:47:58estava presente
00:47:59que aconteciam
00:47:59tantas cerimônias
00:48:01mais importantes
00:48:02como casamentos
00:48:03batizados
00:48:04tudo só guardava
00:48:05a vinda do padre
00:48:06mas a devoção diária
00:48:09a devoção dominical
00:48:10isso o leigo
00:48:11é que o dirigia
00:48:13então isso já faz
00:48:14uma grande diferença
00:48:15do nosso catolicismo
00:48:16além disso
00:48:17o nosso catolicismo brasileiro
00:48:18também já recebe
00:48:20desde esse momento
00:48:21por ser liderado
00:48:22por leigos
00:48:22também
00:48:23uma grande
00:48:24liberdade
00:48:26nas suas práticas
00:48:28entendo assim
00:48:28mistura-se muito
00:48:30dos conhecimentos
00:48:31desse catolicismo leigo
00:48:32com o conhecimento
00:48:33indígena
00:48:34e posteriormente
00:48:35também
00:48:35com o conhecimento
00:48:37dos negros
00:48:38dos africanos
00:48:39a força do catolicismo
00:48:42a presença do catolicismo
00:48:43hoje no Brasil
00:48:44ela está ligada
00:48:46muito com a história
00:48:47que nós temos
00:48:48nós somos um país
00:48:49evangelizado
00:48:50muito tardiamente
00:48:51se a gente pensa
00:48:53que o cristianismo
00:48:54tem dois mil e vinte e cinco anos
00:48:55nós temos praticamente
00:48:57quinhentos e vinte
00:48:58quinhentos e vinte e cinco anos
00:48:59de evangelização
00:49:00cristã
00:49:01e também católica
00:49:03nesse sentido
00:49:04então
00:49:05isso é um primeiro dado
00:49:06importante
00:49:07nós estamos
00:49:08digamos
00:49:08a mil e quinhentos anos
00:49:09atrás da Europa
00:49:10por exemplo
00:49:10na questão da evangelização
00:49:12o cristianismo
00:49:14ele passa
00:49:15sempre passou
00:49:16por crises
00:49:17na Europa
00:49:18muitas crises
00:49:20até divisões
00:49:21mesmos
00:49:22e nós podemos dizer
00:49:23que a nossa realidade
00:49:24do Brasil
00:49:24ela nos difere muito
00:49:26dessa realidade
00:49:27aí já olhando
00:49:28um pouquinho
00:49:28para o futuro
00:49:29nós temos hoje
00:49:30se a gente fala
00:49:31em percentual
00:49:33católico
00:49:34um percentual
00:49:35que vai diminuir
00:49:35na cada ano
00:49:36de pessoas
00:49:37que pertencem
00:49:38ao catolicismo
00:49:39pertencem
00:49:39a igreja católica
00:49:40e de outro lado
00:49:41vai aumentando
00:49:42por incrível
00:49:44que pareça
00:49:44o número
00:49:45de muitas pessoas
00:49:46que se identificam
00:49:47com as igrejas evangélicas
00:49:49mas também
00:49:50muitas pessoas
00:49:51que vão se identificando
00:49:52com religiões
00:49:54de tradição indígena
00:49:56de tradição
00:49:56de matriz africana
00:49:58e uma massa
00:49:59hoje
00:49:59sobretudo
00:50:00jovens
00:50:01que não se identificam
00:50:02mais com nada
00:50:03a igreja católica
00:50:05também
00:50:06claro
00:50:06vai passando
00:50:07por suas dificuldades
00:50:08tantas que nós temos
00:50:10e também vai
00:50:11aportando
00:50:13vai trazendo
00:50:14para essa realidade
00:50:15do mundo
00:50:15várias contribuições
00:50:17também
00:50:17muito importantes
00:50:18seja na área
00:50:19da saúde
00:50:19seja na área
00:50:21missionária
00:50:21seja na área
00:50:22da educação
00:50:23hoje
00:50:23a igreja
00:50:24está bastante presente
00:50:25também
00:50:26nesses espaços
00:50:27não se pode olhar
00:50:34não se pode tocar
00:50:36mas se pode sentir
00:50:37a fé pode ser comparada
00:50:39ao vento
00:50:40algo que está além
00:50:41do entendimento terreno
00:50:43e que atravessa gerações
00:50:44mais do que qualquer
00:50:46produção material
00:50:47já executada
00:50:48na história
00:50:49como diria
00:50:50William Shakespeare
00:50:51na peça
00:50:51Hamlet
00:50:52há mais coisas
00:50:53entre o céu
00:50:54e a terra
00:50:55do que pode imaginar
00:50:56nossa van filosofia
00:50:58a vontade
00:50:59de entender
00:51:00um sentimento
00:51:00tão complexo
00:51:01já passou
00:51:02pela mente
00:51:03de diferentes
00:51:04estudiosos
00:51:05mas a verdade
00:51:06é que esse talvez
00:51:07seja o único sentimento
00:51:09com uma definição
00:51:10tão individual
00:51:11quanto indispensável
00:51:13a todos
00:51:13a necessidade
00:51:15da fé
00:51:15para a humanidade
00:51:16fica claro
00:51:17quando Nietzsche
00:51:18disse que se um homem
00:51:19tiver realmente
00:51:20muita fé
00:51:21pode dar-se
00:51:23ao luxo
00:51:23de ser cético
00:51:25Olá
00:51:27sou o Patrick Santos
00:51:29jornalista
00:51:30escritor
00:51:31documentarista
00:51:32também
00:51:32cada uma parte
00:51:35que eu costumo dizer
00:51:37o meu segundo tempo
00:51:38de vida
00:51:38né
00:51:39eu durante muitos anos
00:51:41da minha vida
00:51:41já desde muito jovem
00:51:43depois entrando
00:51:44na adolescência
00:51:45no início da vida adulta
00:51:46eu sempre tive
00:51:47uma forma
00:51:48de olhar
00:51:49para as coisas
00:51:49de uma forma
00:51:50muito prática
00:51:51muito racional
00:51:52as coisas
00:51:54dentro de uma loja
00:51:55de uma lógica
00:51:56mais cientificista
00:51:57né
00:51:58até que
00:51:59ali perto dos 30 anos
00:52:01depois do meu
00:52:02primeiro casamento
00:52:03eu me deparei
00:52:04com uma
00:52:05uma questão
00:52:06muito profunda
00:52:07uma doença
00:52:08com a minha
00:52:09primeira esposa
00:52:11e ali
00:52:12com quatro meses
00:52:14de casamento
00:52:14eu tive que lidar
00:52:15com a morte
00:52:16com o conceito
00:52:17da morte
00:52:17porque no final
00:52:18das contas
00:52:18acabou dando
00:52:19tudo certo
00:52:19depois
00:52:20mas eu fui
00:52:22alçado ali
00:52:23a olhar a vida
00:52:24por outras perspectivas
00:52:25né
00:52:26eu queria entender
00:52:26o que estava acontecendo
00:52:28comigo né
00:52:28porque
00:52:29como é que algo
00:52:30alguma pessoa
00:52:31tão jovem
00:52:31né
00:52:32tão cheia de vida
00:52:33se depara
00:52:34com uma doença
00:52:34assim
00:52:35repentinamente
00:52:36e ali naquele momento
00:52:38da minha
00:52:38da minha jornada
00:52:39de vida
00:52:40eu sinto que eu fui
00:52:41colocado à prova
00:52:42mesmo
00:52:43e ali começa
00:52:44o meu conceito
00:52:44de busca
00:52:45por uma fé
00:52:47não essa fé
00:52:49que está fora
00:52:51né
00:52:51que a gente
00:52:52tenta achar fora
00:52:53mas uma fé
00:52:53que está dentro
00:52:54da gente
00:52:55né
00:52:56aquilo que a gente
00:52:56não enxerga
00:52:57racionalmente
00:52:58né
00:52:59que fica muito mais
00:53:00no campo do sutil
00:53:02eu lidei com
00:53:03tive que lidar
00:53:03com muitos médicos
00:53:04e a partir dali
00:53:08ali com
00:53:09como eu disse
00:53:10depois dos 30 anos
00:53:11de idade
00:53:12essa temática
00:53:13começou a povoar
00:53:14muito a minha vida
00:53:14né
00:53:16saber e entender
00:53:17que tem algo
00:53:18que não se explica
00:53:20racionalmente
00:53:21mas que existe
00:53:22eu trato hoje
00:53:23um pouco desse campo
00:53:24mais sutil
00:53:25e aí que pra mim
00:53:26está o conceito
00:53:27da fé
00:53:27a fé não
00:53:28como algo fora
00:53:30mas algo que está
00:53:31dentro
00:53:31como uma luz
00:53:33foi muita fé
00:53:34que eu tive
00:53:34em Nossa Senhora
00:53:35da Aparecida
00:53:35em Deus
00:53:36em todos os santos
00:53:37que eu me pego
00:53:37muito com eles
00:53:38eu pensava
00:53:41na minha cabeça
00:53:41eu sabia
00:53:42que eu não ia morrer
00:53:43a minha mente
00:53:43falava que eu não ia morrer
00:53:44e assim
00:53:45eu tenho certeza
00:53:46que era
00:53:47Deus
00:53:48Nossa Senhora da Aparecida
00:53:49que falava pra mim
00:53:50que eu não ia morrer
00:53:50mas eu olhava
00:53:51pro meu corpo
00:53:52assim
00:53:52eu achava
00:53:53que eu ia morrer
00:53:54quando eu olhava
00:53:55mas a minha mente
00:53:56falava uma coisa
00:53:57falava pra mim
00:53:57não
00:53:57você não vai morrer
00:53:58você vai ficar viva
00:53:59pra você contar a história
00:54:00eu quero mais saúde
00:54:02sabe
00:54:02eu quero ter mais saúde
00:54:04quero viver bem
00:54:05importante
00:54:06é isso
00:54:07saúde
00:54:08mudou muito
00:54:09sabe
00:54:10quando vieram entrando
00:54:11aí eu falei assim
00:54:11meu Deus
00:54:12falei pra nós
00:54:13falei também
00:54:13né
00:54:14se senhora me levantar
00:54:15dessa cama
00:54:16que eu queria sair
00:54:16dali
00:54:17eu não tava aguentando mais
00:54:18que quando eu visse
00:54:19uma pessoa precisando
00:54:20eu ia ajudar
00:54:21o máximo
00:54:21ia fazer de tudo
00:54:22pra ajudar aquela pessoa
00:54:23principalmente uma velhinha
00:54:25uma pessoa que estiver
00:54:26precisando
00:54:26e é isso que eu faço
00:54:27lá no hospital
00:54:28onde eu faço
00:54:29tem muita senhorinha
00:54:30que precisa de ajuda
00:54:31que às vezes tá ali sozinha
00:54:32precisa que tire do carro
00:54:34que ajude sair da cama
00:54:36pra subir
00:54:37pra pegar o carro lá em cima
00:54:39eu sempre que eu posso
00:54:40fazer por elas
00:54:41eu ajudo
00:54:41foi isso que eu pedi pra ela
00:54:44que se ela me levantasse
00:54:45eu ia ajudar muitas pessoas
00:54:46e ela me levantou
00:54:48me tirou da cama
00:54:49ficava perturbada
00:54:51chorava
00:54:51desesperada
00:54:53aflita e tudo
00:54:54mas eu
00:54:55com a fé
00:54:56que eu tenho muito
00:54:56muito
00:54:57Nossa Senhora Aparecida
00:54:58que eu sabia
00:55:00que ele ia sair dessa
00:55:01lá no fundo
00:55:02do meu coração
00:55:02eu esperava
00:55:03que ele ia sair
00:55:04no momento
00:55:04eu senti um vazio
00:55:05da qual eu não sabia
00:55:06nem quem era eu
00:55:07por conta do acidente
00:55:08que eu tive
00:55:08por ter sido na cabeça
00:55:09minha fé
00:55:12ela mudou totalmente
00:55:13para o melhor
00:55:15agora sim
00:55:17eu estou crendo
00:55:17que realmente
00:55:18Deus existe
00:55:19só que teve que
00:55:22trocar a faculdade
00:55:23pelo fato de eu estar
00:55:23muito tempo no hospital
00:55:25e ter esquecido
00:55:26de certas
00:55:27matérias
00:55:29da qual
00:55:29eu estudava
00:55:30aí desde então
00:55:33eu comecei a enxergar
00:55:34a vida muito melhor
00:55:35do que eu via antes
00:55:37hoje eu agradeço
00:55:38cada segundo de vida
00:55:39que eu tenho
00:55:39hoje eu acordo
00:55:41obrigado Deus
00:55:42mais um dia de vida
00:55:43mais um pão
00:55:44eu vou comer agora
00:55:45tem gente que na vida
00:55:47nem almoçou
00:55:47hoje mesmo
00:55:48tem gente que nem vai jantar
00:55:49elas não são excludentes
00:55:52a gente precisa
00:55:54da ciência
00:55:54a ciência nos trouxe
00:55:55até aqui
00:55:56sem dúvida nenhuma
00:55:57mas ela só
00:55:59quando ela se fecha
00:56:00em si
00:56:01ela não vai
00:56:03alcançar coisas
00:56:04que estão
00:56:04além disso
00:56:06que é palpável
00:56:07do que eu estou vendo
00:56:08dessa imagem
00:56:09dessa televisão
00:56:10desse instrumento
00:56:11desse aparelho celular
00:56:13que eu estou vendo
00:56:13tem algo
00:56:14que não é visível
00:56:16né
00:56:17mas que tem um poder
00:56:19eu acho que o grande
00:56:21problema fica
00:56:22quando você acha
00:56:23que está tudo fora
00:56:24que é só esse campo
00:56:25sutil que vai te salvar
00:56:28ou é só o campo
00:56:29material que vai te salvar
00:56:30a grande beleza
00:56:32está nessa junção
00:56:33da ciência
00:56:34com a espiritualidade
00:56:35tem coisas que
00:56:36um não alcança
00:56:38essa ciência
00:56:39muito materialista
00:56:40ela não alcança
00:56:40esse campo sutil
00:56:41mas ela não precisa
00:56:43descartar
00:56:44e eu senti a verdade
00:56:46porque eu vi
00:56:46eu constatei
00:56:47muitas coisas
00:56:48né
00:56:48então
00:56:49isso ficou muito sólido
00:56:51para mim
00:56:51tem algo aí
00:56:53é um princípio
00:56:56shakesperiano
00:56:57vamos usar um pouco
00:56:58a história
00:57:00a literatura
00:57:00de uma forma geral
00:57:01tem coisas entre o céu
00:57:02e a terra
00:57:03que estão muito além
00:57:05do que a nossa
00:57:06vã filosofia
00:57:08acha como conceito
00:57:10eu gosto de ficar
00:57:12um pouco mais solto
00:57:13eu costumo dizer
00:57:14e acreditar
00:57:15nesse campo sutil
00:57:17que para mim
00:57:17é uma espiritualidade
00:57:18acho que esse é o
00:57:19esse é o caminho
00:57:21eu não gosto
00:57:21de ficar fechado
00:57:22em ideias
00:57:23e conceitos
00:57:24não estou descartando
00:57:25a importância
00:57:26da religião
00:57:27para muita gente
00:57:28é uma forma
00:57:29de você
00:57:29abrir esse caminho
00:57:32para
00:57:32para a possibilidade
00:57:34de acreditar
00:57:35em algo
00:57:35mas eu acho
00:57:36que quando ela
00:57:37se fecha muito
00:57:38em si
00:57:39ela limita
00:57:41né
00:57:41e ao passo
00:57:43que a espiritualidade
00:57:44te dá toda a possibilidade
00:57:46de alcançar
00:57:47isso no sentido
00:57:48mais profundo
00:57:49sem ficar preso
00:57:51em nenhum dogma
00:57:52nenhum conceito
00:57:53fechado
00:57:53se você for perguntar
00:57:55para mim
00:57:55o que eu sou hoje
00:57:56eu sou mil vezes
00:57:59diferente do que eu era
00:58:00antes
00:58:00eu não sou o mesmo
00:58:01cara
00:58:02eu não sou
00:58:03o AVC
00:58:04foi uma fase difícil
00:58:06na minha vida
00:58:07que me transformou
00:58:08me transformou
00:58:09como pessoa
00:58:10cuidar da minha mãe
00:58:13com câncer
00:58:14foi uma outra
00:58:14parte que me transformou
00:58:16ainda vez mais
00:58:17e eu acho que é isso
00:58:19a transformação
00:58:20interna
00:58:21nossa
00:58:22a gente quer mudar
00:58:22o mundo
00:58:23mas a gente
00:58:23não tem coragem
00:58:25de mudar
00:58:25a gente mesmo
00:58:26e eu mudei demais
00:58:28de mim mesmo
00:58:28eu não sou o mesmo
00:58:29cara
00:58:30eu não sou a mesma
00:58:31pessoa
00:58:31e eu fico muito feliz
00:58:33agradeço demais
00:58:34por ter tudo isso
00:58:35na minha vida
00:58:36né
00:58:37essas dificuldades
00:58:38o que a gente
00:58:39a gente passa
00:58:40por dificuldades
00:58:40para a gente entender
00:58:41olhar para o que
00:58:42ele e falar
00:58:43olha
00:58:43peraí
00:58:43por quê
00:58:44eu não tive nem tempo
00:58:46eu não parei
00:58:47para a minha mente
00:58:48a minha mente
00:58:49ela não teve tempo
00:58:50de me trazer
00:58:52para o
00:58:52coitado de mim
00:58:53não
00:58:54eu fui para frente
00:58:54eu fui para cima
00:58:56e
00:58:57tudo
00:58:59tudo em volta
00:59:00se tornou
00:59:01perfeito
00:59:02né
00:59:03eu lembro até hoje
00:59:04que eu estava
00:59:04dentro da UTI
00:59:05e veio um
00:59:06fisioterapeuta
00:59:07né
00:59:08vinha a visita
00:59:09para dizer
00:59:09manhã e na tarde
00:59:10acordar da gente
00:59:11e o fisioterapeuta
00:59:12chegou para mim
00:59:13um dia
00:59:13e falou assim
00:59:13nossa
00:59:14quem é você
00:59:15eu falei
00:59:16por quê
00:59:17eu falei
00:59:18não
00:59:19eu venho aqui
00:59:19essa recepção
00:59:21de eu ter lotado
00:59:22de gente
00:59:22eu queria saber
00:59:23quem é você
00:59:24não sou ninguém
00:59:26sou pessoa comum
00:59:27aí ele falou
00:59:28poxa
00:59:28é impressionante
00:59:31ver tanta gente
00:59:32vindo te ver
00:59:33eu falei
00:59:34poxa
00:59:34me impressiona também
00:59:35porque eu não imaginava
00:59:36nada disso
00:59:37então
00:59:37só tenho que agradecer
00:59:39quando a gente vê
00:59:41aqueles milhares
00:59:42de peregrinos
00:59:43fazendo esse caminhar
00:59:45para a basílica
00:59:47de Nossa Senhora
00:59:48aqui em Aparecida
00:59:50e para tantos outros
00:59:51centros
00:59:51centros de peregrinação
00:59:53no Brasil
00:59:55um país extremamente
00:59:56católico
00:59:56a gente vê
00:59:57aquelas pessoas
00:59:58numa pobreza
01:00:00numa dificuldade
01:00:01mas levando
01:00:03aquela missão
01:00:05a fundo
01:00:07né
01:00:08você vê aquela pessoa
01:00:10sem nada
01:00:11e como que ela está
01:00:12acreditando
01:00:14tão profundamente
01:00:16naquilo
01:00:17numa cura
01:00:18numa possibilidade
01:00:19de transformação
01:00:20numa superação
01:00:21isso que é maravilhoso
01:00:23é isso que
01:00:24é isso que está beleza
01:00:26porque
01:00:26tem uma questão
01:00:28intrínseca na pessoa
01:00:29parece um pouco
01:00:30abstrato
01:00:31que eu estou falando
01:00:32mas
01:00:32mas é
01:00:33é uma fé na vida
01:00:35né
01:00:36no movimento
01:00:36de expansão
01:00:38do mundo
01:00:38de uma forma
01:00:39geral
01:00:40né
01:00:40então tem um pouco
01:00:41esse conceito
01:00:42de fé como coragem
01:00:44de acreditar
01:00:45em algo mais profundo
01:00:47né
01:00:47então
01:00:47a fé no amor
01:00:48a fé na criatividade
01:00:50a fé como motor
01:00:51que nos permite
01:00:52além daquilo
01:00:53que é meio óbvio
01:00:53né
01:00:54que é o medo
01:00:55se a gente olhar
01:00:56em perspectiva
01:00:57se a gente olhar
01:00:58muitos dos acontecimentos
01:01:00das nossas vidas
01:01:01depois de um tempo
01:01:03a gente vai entender
01:01:04a gente vai entender
01:01:04que aquilo
01:01:05aconteceu
01:01:06pra nos levar
01:01:07por uma outra direção
01:01:10por um outro caminho
01:01:11de nos fazer despertar
01:01:12por outras frentes
01:01:14outras possibilidades
01:01:15nada
01:01:16absolutamente nada
01:01:17acontece por acaso
01:01:18pelo menos na forma
01:01:19como eu vejo
01:01:20na forma com que eu venho
01:01:21pesquisando
01:01:23e estudando um pouco
01:01:24esse assunto também
01:01:25eu uso esse termo também
01:01:26né
01:01:27soltar
01:01:27que é confiar
01:01:28permitindo que a vida
01:01:29se revele
01:01:29do jeito que ela é
01:01:30né
01:01:31e a partir dessa maneira
01:01:33que a gente vê
01:01:34a vida como ela é
01:01:35é entender
01:01:36que tem ali
01:01:37nessa vida
01:01:39como ela é
01:01:40um recado
01:01:41e é da história
01:01:42a história
01:01:42de cada uma jornada
01:01:43cada um
01:01:44tem uma relação
01:01:45como a gente quer
01:01:47mas como a vida
01:01:48nos coloca
01:01:49a fé atravessa
01:01:50o tempo
01:01:51e muda de forma
01:01:52mas continua
01:01:53sendo a mesma força
01:01:54que liga o humano
01:01:56ao divino
01:01:571% de chance
01:01:59e 99%
01:02:01de fé
01:02:01uma conta simples
01:02:03que virou ditado
01:02:04e representa
01:02:05um Brasil
01:02:05marcado por dificuldades
01:02:07no qual a fé
01:02:08também representa
01:02:09uma conexão
01:02:10com uma realidade
01:02:12esperada
01:02:12no gesto
01:02:13simples
01:02:14de quem reza
01:02:15na esperança
01:02:16de quem espera
01:02:17e na coragem
01:02:18de quem segue
01:02:19o documento
01:02:24Jovem Pan
01:02:24fica por aqui
01:02:25assista a esse
01:02:26e a outros programas
01:02:27no canal do Youtube
01:02:28da Jovem Pan
01:02:29e no aplicativo
01:02:30Panflix
01:02:31uma ótima noite
01:02:32para você
01:02:33e até mais
01:02:33documento
01:02:37Jovem Pan
01:02:38documento
01:02:39Jovem Pan
01:02:40documento
01:02:53Jovem Pan
01:02:54a opinião
01:02:56dos nossos comentaristas
01:02:57não reflete
01:02:59necessariamente
01:02:59a opinião
01:03:00do grupo
01:03:01Jovem Pan
01:03:01de comunicação
01:03:02realização
01:03:07Jovem Pan
01:03:08Jovem Pan
01:03:09Jovem Pan
01:03:10Jovem Pan
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