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Empresas americanas levaram ao governo de Donald Trump críticas ao Pix, à moderação de conteúdo, à IA e aos data centers no Brasil. Em entrevista ao Real Time, Diogo Cortiz, professor da PUC-SP, explica os impactos e os riscos para as big techs diante das novas regras e alternativas como o Brics Pay.

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Transcrição
00:00Além das críticas ao PIX, as empresas norte-americanas também levaram ao governo de Donald Trump
00:06no âmbito da investigação sobre práticas comerciais brasileiras,
00:09suas preocupações relacionadas às políticas de moderação de conteúdo nas plataformas digitais,
00:15inteligência artificial e data centers,
00:17bem como pelas ameaças recentes do governo brasileiro de taxar as big techs.
00:22Sobre as queixas das empresas dos Estados Unidos,
00:24a gente conversa agora com o Diogo Cortis, que é professor da PUC São Paulo
00:28e especialista em tecnologia.
00:31Bom dia, professor. Seja muito bem-vindo aqui ao Real Time.
00:35Bom dia. É um prazer estar conversando com vocês aqui.
00:38É interessante a divulgação desse documento, né, professor?
00:41Porque talvez pela primeira vez aí a gente está vendo uma discussão que foge um pouco da politização
00:46e mostra a preocupação de algumas empresas americanas em perder mercado aqui no Brasil.
00:52Ou seja, além da prisão ou da condenação possível aí do ex-presidente Jair Bolsonaro,
00:58parece que tem de fato aí uma grande preocupação das big techs, principalmente,
01:04com a dominação do mercado brasileiro, não?
01:06Sim.
01:07Acho que fica bem claro agora e evidente, algo que a gente já começou a ver desde o início do governo Donald Trump.
01:13Então, desde a posse, quando todos os principais CEOs estavam ali presentes na posse, né,
01:20dando essa mensagem para o mundo, ou até mesmo aquele vídeo do Zuckerberg, um pouquinho antes da posse,
01:26dizendo, ó, a gente está aliado ao governo Donald Trump e a gente quer usar essa força do poder do Estado,
01:34dos Estados Unidos, para levar a nossa intenção para outros lugares.
01:38Então, no mundo inteiro, né, começa a se discutir sobre regulação de plataformas
01:44ou sobre taxação das big techs.
01:47Então, é muito claro essa simbiose entre as empresas de tecnologia e o governo para fazer valer ali as suas intenções.
01:56Então, o que acontece é que, no Brasil, as empresas de tecnologia, elas tinham um ambiente bastante favorável
02:03para a sua atuação, mas a coisa começou a mudar um pouco de figura do ano passado para cá.
02:09Então, além de uma ideia muito mais de uma proposta regulatória para as empresas,
02:16tivemos ações práticas, né, como, por exemplo, a decisão recente do STF,
02:21que mudou o entendimento sobre o marco civil e colocou, isso foi uma coisa que doeu bastante nas plataformas,
02:28que coloca agora essas grandes plataformas como possíveis responsáveis por conteúdos, né,
02:36maliciosos ou criminosos que estejam vinculados dentro das plataformas.
02:41Isso só acontecia anteriormente caso houvesse alguma ação judicial.
02:46Então, esse é só um exemplo de como as plataformas, elas começam a ter um desafio maior
02:52de um ambiente econômico, regulatório e político mais desafiador,
02:57não só no Brasil, como no resto do mundo.
02:59E o Brasil, por ser esse grande mercado, acaba despertando atenção.
03:03A gente está vendo uma grande comoção social aí, um grande clamor, né,
03:08para proteger mais as crianças nas redes sociais.
03:11Teve esse caso recente aí envolvendo uma denúncia de um influenciador
03:16de que as crianças estão sendo usadas até para atrair redes de pedófilos
03:20que compartilham essas mensagens, que, enfim, através de comentários conseguem direcionar
03:26uma espécie de conversa ali sobre pedofilia nas redes sociais.
03:30O Congresso agora vai se debruçar sobre isso, né, porque teve um apoio aí suprapartidário,
03:36enfim, tem alguma resistência ali por parte de algumas pessoas do PL,
03:41mas, de maneira geral, parece que o Congresso quer se debruçar sobre isso.
03:45E daí leva a gente a uma questão envolvendo as big techs, que é a seguinte, né,
03:48você aumentar a mediação de conteúdo custa dinheiro, porque você vai ter que pagar mais pessoas,
03:54talvez você tenha que desenvolver aí softwares ou inteligência artificial um pouco mais robusta
04:00para lidar com essas situações.
04:02e a pergunta que eu quero te fazer é a seguinte, o nível de remuneração que as big techs têm no Brasil
04:07não permite a elas fazer esse gasto extra, que, na verdade, não é um gasto, é um investimento
04:12para deixar as redes sociais com um ambiente mais saudável?
04:17Sim, com certeza, e eu acho que essa questão, essa motivação econômica e financeira
04:22nem é a causa raiz, né?
04:24Então, eles têm dinheiro para fazer isso, têm recurso tecnológico,
04:28só que, claro, né, todo o processo de moderação não é tão simples, então, acho que é um ponto importante,
04:34não é, por exemplo, criando um sistema de inteligência artificial,
04:37a gente tem diferentes desafios, então, pode funcionar, como pode gerar, em alguns momentos,
04:44algumas falhas e começar a punir discursos relacionados a um grupo específico, né?
04:49Então, tem um desafio, mas acho que o principal problema para as big techs é que isso acaba criando
04:56mais responsabilidades para elas, então, e isso elas não querem, porque quanto mais um ambiente, né,
05:03de informação desregulado, onde a informação pode fluir de uma forma livre,
05:09é melhor do ponto de vista de negócio, porque o principal modelo financeiro das big techs
05:16acaba sendo baseado na atenção, então, quanto mais informação esteja circulando ali,
05:21tem um engajamento mais alto, mais forte, isso vai atraindo mais pessoas,
05:26eles vendem mais anúncios e, financeiramente, esse modelo acaba se sustentando.
05:31Então, toda vez que a gente pensar em criar algum tipo de pedágio para que a informação, né,
05:37e aí eu não estou falando da qualidade da informação, então, pode ter informações boas ou informações ruins,
05:42e eles não querem necessariamente controlar a informação ruim, porque isso vai trazer um desafio
05:49tanto tecnológico, mas também de negócio para eles, então, quanto mais a informação fluir livre,
05:54o modelo de negócio deles é bom.
05:56Então, qualquer ação de moderação vai trazer mais responsabilidade e, ao mesmo tempo,
06:01acaba prejudicando a essência do que é o seu modelo de negócio.
06:06Vamos falar de um outro aspecto aí, que é o PIX, né?
06:08Obviamente, a gente imagina que essas críticas ao PIX vieram aí de grandes operadoras internacionais
06:13de cartão de crédito.
06:15Agora, aqui no Brasil, a gente já viu indicações aí de que essas operadoras em conversas com o governo
06:19estariam satisfeitas, pelo menos aqui no Brasil, haveriam demonstrado aí uma satisfação
06:24com a maneira como está sendo tratado.
06:26Até porque, desde que o PIX começou, tem relatos aí de que aumentou o uso até de cartões de crédito,
06:31porque você tem uma população mais bancarizada,
06:34isso favorece com que elas possam, as pessoas possam ter mais cartões de crédito.
06:39E também a gente ouviu aqui inúmeros representantes já no nosso programa de empresas de pagamento
06:43elogiando o PIX, no sentido de que o PIX se tornou, vai, um trilho,
06:48onde podem se desenvolver novos negócios aí,
06:50onde fica fácil você ter até uma inovação em cima disso, né?
06:55O PIX virou uma plataforma para a inovação.
06:57Você acha que esse entendimento aí não pode ser levado também para os Estados Unidos,
07:03para que eles não enxerguem o PIX como uma ameaça e sim como um parceiro?
07:07Com certeza.
07:08O PIX, ele acaba se somando a diferentes formas de pagamento,
07:12então ele não é necessariamente um substituto.
07:15E, de fato, ele foi responsável por uma inclusão financeira e bancária
07:18de milhares de pessoas no Brasil.
07:21O que depois, uma vez que ela está bancarizada,
07:24ela pode optar por diferentes formas de pagamento,
07:27inclusive utilizando cartões de crédito.
07:30No caso do PIX, então, além dessa disputa,
07:34ou a possível disputa com as bandeiras de cartões de crédito,
07:38houve também, então, isso também foi bastante relatado,
07:42uma disputa com as Big Techs.
07:44Então, aí a disputa mais específica com a Meta,
07:47porque a Meta queria lançar o WhatsApp Pay no Brasil,
07:51e aí o Banco Central segurou um pouco,
07:53porque ele estava prestes a lançar o PIX.
07:56E a gente sabe que esses tipos de tecnologia
07:58têm um fator fundamental que a gente chama de efeito rede,
08:01ou seja, quando uma tecnologia assim é lançada,
08:05os primeiros conseguem atrair muitos usuários,
08:08e eles acabam formando uma rede que ganha muito poder,
08:12e aí os primeiros são os grandes vencedores.
08:14Então, o que o Banco Central queria era justamente fazer
08:17essa solução aberta brasileira que vingasse primeiro.
08:22Então, as empresas de tecnologia,
08:25e no caso mais específico a Meta,
08:27e junto com o governo americano,
08:28eles entendem que isso foi uma penalização
08:31para essa ação específica de um produto
08:35de uma empresa norte-americana.
08:38Mas que, como a gente vê,
08:40se justificou pelo efeito que isso trouxe
08:43para o desenvolvimento econômico do Brasil,
08:45para a inclusão das pessoas, e claro,
08:47para fortalecer o ecossistema financeiro,
08:49e agora, inclusive, as empresas de tecnologias Big Techs
08:53podem usufruir, podem participar desse ecossistema,
08:56assim como as diferentes bandeiras de cartões de crédito também.
09:01E o que você acha que...
09:03Como é que você explica para a gente
09:04a presença da inteligência artificial nesse documento aí?
09:07Que tipo de problema você acha que tem
09:10no ambiente brasileiro para a inteligência artificial?
09:12Olha, hoje, a inteligência artificial acaba sendo
09:15a tecnologia do momento,
09:17então todo mundo está de olho nisso,
09:19e virou uma coisa bastante estratégica, né,
09:21para diferentes países,
09:22e virou, assim, o alvo de disputa geopolítica,
09:25principalmente quando a gente fala de Estados Unidos e China.
09:29Então, a grande promessa é que quem dominar bem
09:32essa tecnologia e chegar em algo,
09:35que também ninguém sabe muito bem o que é,
09:36mas a gente chama da inteligência artificial geral,
09:38que é essa inteligência que consegue, basicamente,
09:42desenvolver quase todas as capacidades cognitivas humanas,
09:45vai dominar todo o processo econômico, financeiro e produtivo.
09:51Então, tem uma disputa geopolítica em relação a isso,
09:54e é importante a gente lembrar um fato bastante temporal,
09:59mas é bem significativo,
10:02que dias antes do Donald Trump soltar,
10:07publicar aquela carta,
10:08falando da taxação do Brasil,
10:11falando das big tags, enfim,
10:13dias antes, nós tivemos a reunião dos BRICS,
10:17no Brasil, no Rio de Janeiro,
10:19e uma das cartas publicadas pelos BRICS,
10:23falava justamente de uma colaboração
10:26para o desenvolvimento e o fortalecimento
10:28de uma inteligência artificial aberta,
10:31então isso é importante,
10:32são modelos abertos,
10:33que fortaleceria não somente os países
10:37que fazem parte do grupo,
10:39mas como, por exemplo, todo o sul global,
10:41os países do sul global.
10:43E isso é uma ameaça direto
10:44para as empresas de tecnologia dos Estados Unidos,
10:47que querem dominar o mercado,
10:49querem conquistar ali como se fosse
10:50um oligopólio de poder
10:52a partir da inteligência artificial,
10:54mas que agora vê alternativas,
10:55alternativas impulsionadas principalmente pela China,
10:59então essa é uma visão de política econômica,
11:02mas quando a gente olha para o Brasil,
11:04também tem o fato de estar sendo discutido
11:08a regulação da inteligência artificial,
11:10um marco regulatório,
11:11que vai colocar muitos deveres
11:13para essas empresas de tecnologia,
11:15o que elas também enxergam como pedágios.
11:18Então existe já um projeto de lei
11:19que foi aprovado no Senado,
11:21e agora, nesse momento,
11:22está sendo discutido na Câmara
11:24com audiências públicas,
11:25então também seria mais um entrave
11:28do ponto de vista das empresas
11:30para os seus negócios,
11:31mas do ponto de vista soberania do país,
11:34de criar um ambiente mais regulatório,
11:37é importante que a gente faça, assim,
11:38essas discussões.
11:39Deveriam tratar com um pouco mais de carinho
11:41essa noiva chamada Brasil,
11:43porque tem um outro cavaleiro ali,
11:45o chinês, né,
11:46que está sendo bem mais lisonjeiro com a gente,
11:48não?
11:48Exatamente, né,
11:50e é isso,
11:51então o Brasil hoje já tem vários acordos
11:52de cooperação,
11:53de desenvolvimento de tecnologias,
11:56e aí especialmente de inteligência artificial com a China,
11:59então, principalmente os BRICS,
12:00eles podem ser uma grande,
12:03uma grande fonte de inovação
12:05e de alternativas
12:07para criar modelos,
12:09desenvolver aplicações de inteligência artificial
12:11que dependam menos
12:12desses grandes modelos
12:15ou dessas aplicações
12:16que estão centradas em poucas empresas
12:18dos Estados Unidos.
12:19Então, a gente viu
12:20esse efeito deep-seek, né,
12:22que foi
12:22esse modelo aberto chinês
12:24que agora começa
12:25a se conduzir
12:28por todos os outros países, né,
12:29então é interessante,
12:30só citando rapidamente,
12:32que recentemente a própria Open AI,
12:34que é a dona do chat GPT,
12:35ela soltou uma nota pública
12:37falando de uma startup chinesa
12:39que é a Zipo,
12:40que é uma startup também
12:41que é considerada
12:43um dos seis tigres
12:44ali de inteligência artificial da China,
12:47porque ela está avançando muito
12:48e ela está avançando
12:49de uma maneira muito estratégica,
12:51porque ela não está necessariamente
12:52oferecendo um modelo final
12:53para o usuário final,
12:55mas ela está oferecendo
12:56aplicações e serviços
12:58de uma maneira muito eficiente
12:59para os governos ao redor do mundo.
13:01Então, e com isso,
13:02as empresas de tecnologia dos Estados Unidos
13:04vêm perdendo sua relevância.
13:06Ô, Diogo,
13:06o nosso tempo está acabando aqui,
13:08mas o papo está bom,
13:08então eu quero fazer mais uma pergunta.
13:10A gente está vendo relatos
13:11na imprensa aí
13:12de que o tal do BricsPay,
13:13que é uma espécie de Pix do Brics,
13:15pode finalmente começar a funcionar
13:18no fim de setembro já,
13:19uma coisa rápida.
13:21Que potencial que você acha
13:22que isso tem para a disrupção,
13:24para evitar, por exemplo,
13:25o dólar nas negociações,
13:26que é outra coisa aí
13:27que o Trump não está nada feliz?
13:28Exato.
13:29Então, a gente tem essa perspectiva
13:32de novas formas de pagamento,
13:34especialmente entre os países ali
13:36que compõem o grupo,
13:38e isso pode, de certa forma,
13:40fortalecer essa transação,
13:42diminuir essa burocracia
13:45que existe nessas transações internacionais.
13:48Então, seria mais ou menos
13:49como pagamentos instantâneos,
13:51mas usando pagamentos internacionais,
13:54que hoje é uma coisa bastante dolorosa
13:56para algumas empresas,
13:57porque precisa fazer
13:58um processo burocrático,
14:00às vezes demora muito tempo.
14:02Então, isso sim poderia facilitar
14:05e fortalecer o comércio
14:07entre esses países.
14:09E, de fato, isso é um desafio muito grande
14:12para os Estados Unidos,
14:13que começam a ver alternativas
14:15sendo criadas como forma de pagamento.
14:17Então, hoje a gente tem o SWIFT,
14:19que é esse mecanismo de pagamento internacional,
14:23que acaba tendo ali os Estados Unidos
14:25como grande representante.
14:26Então, uma das principais ameaças
14:29ali logo no começo da guerra da Ucrânia
14:30foi tirar a Rússia do sistema SWIFT.
14:33Mas, a partir do momento
14:34que você começa a criar
14:35outras formas alternativas,
14:37esses temas de pagamento,
14:38e isso começa a ganhar
14:40esse efeito rede,
14:41que eu falei,
14:41que é você traindo cada vez mais atores,
14:44participantes,
14:45isso começa a ser uma alternativa mais forte
14:47e que pode, com certeza,
14:49vai gerar um questionamento
14:50e vai chamar a atenção
14:51do governo dos Estados Unidos,
14:52principalmente na administração
14:53do Donald Trump.
14:54Diogo Cortes, professor da PUC,
14:56São Paulo,
14:57especialista em tecnologia,
14:58muito obrigado pela participação
15:00e bom dia para você.
15:01Obrigado e bom dia.
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