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O Jornal Times Brasil - Exclusivo CNBC analisou com José Pimenta, diretor de relações governamentais e comércio internacional da BMJ, os efeitos da redução do tarifaço dos EUA sobre produtos brasileiros. Ele avaliou riscos, chances de novos cortes e o peso político da medida para Donald Trump.

Acompanhe a cobertura em tempo real da guerra tarifária, com exclusividade CNBC: https://timesbrasil.com.br/guerra-comercial/

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Transcrição
00:00Bom, e a gente continua repercutindo esse assunto agora numa conversa ao vivo com o
00:04José Pimenta, ele é diretor de Relações Governamentais e Comércio Internacional
00:08da BMJ.
00:10Tudo bem, José?
00:11Bem-vindo, boa noite para você.
00:13Olá, Natália.
00:15Obrigado pelo convite.
00:17Tudo bem?
00:18Vamos em frente com a notícia quente aí da redução das tarifas.
00:21Exatamente.
00:21Bom, a gente já comentou aqui que o vice-presidente Geraldo Alckmin, José, disse que a redução
00:26das tarifas vai na direção certa, mas que o governo precisa continuar trabalhando e vai
00:31continuar trabalhando para que essa taxação caia ainda mais.
00:34Queria ouvir a sua avaliação sobre isso.
00:36De fato, é necessário, né?
00:39Continuar o diálogo é super necessário, Natália.
00:42A gente está numa fase muito crítica das relações comerciais bilaterais Brasil-Estados
00:46Unidos.
00:47Quando eu falo crítica é porque a gente tinha, obviamente, um fluxo comercial crescente
00:53já nos últimos 15 anos, já que na sua corrente total somava aí os seus quase 80 bilhões
01:00de dólares, um intercâmbio muito consolidado de produtos, tanto do agro quanto de altíssimo
01:06valor agregado, então sempre foi uma cadeia, uma corrente, desculpa, muito complementar em
01:12termos de cadeias produtivas.
01:14Quando você teve o anúncio das tarifas recíprocas, essa que foi, que sofreu redução agora,
01:20mas sobretudo o adicional de 40% em relação a diversos produtos brasileiros, essa corrente
01:27tem caído, sobretudo as exportações brasileiras, do lado das exportações brasileiras, tem
01:32caído substancialmente, mesa a mesa.
01:34Então o diálogo é mais do que necessário para que a gente, além dessa medida agora
01:38que impacta muito pouco o que o Brasil exporta, a gente possa ter um acordo sólido no futuro
01:43e normalizar as relações, Natália.
01:45José Pimenta, quando saiu então essa medida, que veio com um documento ali, um anexo com
01:50quase 100 páginas, uma lista enorme, extensa, com vários itens, sub-itens e de acordo com
01:56a Confederação Nacional da Indústria, essa medida se aplica a 80 itens agrícolas que
02:01são vendidos pelo Brasil aos Estados Unidos.
02:05Porém, somente quatro produtos, três tipos de suco de laranja e castanha do Pará, acabaram
02:09ficando isentos de taxas.
02:12Você acha que tem uma chance dos Estados Unidos reduzirem as tarifas de outros produtos
02:16também?
02:17O que seria mais importante para a gente agora?
02:20Natália, a gente vem falando isso desde o começo do tarifácio, que é o seguinte, muitas
02:25dessas medidas, elas são reavaliadas quase que ordinariamente, diariamente, são analisadas,
02:33revistas, são revistas pontualmente, mas são analisadas por conta da inflação norte-americana.
02:40Vamos lembrar lá atrás que o último governo, o governo Biden, sofreu muito com a inflação
02:44resquisa da pandemia e tudo mais.
02:46Essa inflação foi normalizada aos poucos, porém, obviamente, quando você tem um choque
02:52tarifário nesse sentido, e isso é teoria econômica, que é vista na prática, esse choque
03:00tarifário, esse aumento tarifário, ele reverbera para o bolso do consumidor americano.
03:05Então, isso é fato e tem reverberado.
03:07Embora a inflação média esteja na casa dos 3% a 4%, a inflação de alimentos, vários
03:13deles aqui, a gente não precisa entrar em detalhes, mas vários deles aqui, variaram
03:17no range de 10% a 40%.
03:19Isso é impacto direto no bolso do consumidor norte-americano, como eu disse.
03:23Então, toda essa redução, essa análise, não foi fruto de negociação com qualquer
03:28país.
03:29Foi fruto de uma análise, foi uma tomada de decisão com base numa análise interna
03:35da situação norte-americana.
03:37De novo, o secretário de comércio, toda a tríade ali que assessora o Trump na área
03:43comercial, vai avaliando e falando, olha, tem aumentado muito, é fundamental que a gente
03:49tome alguma medida e a medida foi tomada.
03:51Então, respondendo a sua pergunta, a depender de como os preços vão variar internos, preços
03:57internos para o consumidor norte-americano vão variar nos próximos meses?
04:01Sim, é factível, como já foi tomado no passado, foi tomado ontem, possivelmente vai ser tomado
04:06no futuro qualquer ação que vá, de alguma forma, trazer um pouco mais de credibilidade,
04:13seria que é possível dizer isso, mas que vai aliviar um pouco a pressão para o Trump em
04:17termos econômicos.
04:18Então, José, do seu ponto de vista, a gente só vai ter avanços se a coisa apertar lá
04:25internamente, se for um impacto para o consumidor, se vier essa pressão lá interna, é muito
04:30mais essa percepção, é isso que move a decisão de Donald Trump, de dar o braço
04:36a torcer em alguns pontos, do que possíveis acordos, é isso?
04:40Não, é um movimento duplo, aí você tem razão.
04:42Você tem um movimento específico, que é esse movimento de redução tarifária para
04:47alimento, que ocorreu ontem, que já ocorreu no passado em outros produtos, com listas
04:51de exceções, mas obviamente que os Estados Unidos estão trazendo para si um poder de
04:57barganha muito forte e assinando vários acordos comerciais.
05:00Aí entra, sim, a possibilidade do Brasil ter uma ampliação no diálogo, aumentar as
05:06suas negociações, o ritmo dessas negociações, da troca de ofertas, para consolidar,
05:12esse acesso ao mercado norte-americano em produtos da cadeia bilateral, daquele fluxo
05:18bilateral.
05:18Então é um movimento duplo, que nesse caso específico, Trump está muito, e a administração
05:24do presidente, a administração do Trump está muito ligada no que está acontecendo e reverberando
05:29internamente na economia.
05:30Porém, isso não quer dizer que ele não busque alternativas como terras raras, a própria
05:36questão de acesso à tecnologia, compras de defesa, vários outros que a gente pode citar
05:41aqui, já falou amplamente, com outros países.
05:44Entre outros países, inclui-se o Brasil, com a sua ampla gama de potencial, vamos dizer
05:51assim, itens que podem caber num acordo com os Estados Unidos, Natália.
05:55Certo.
05:56Felipe Machado, nosso analista, está aqui com a gente nessa noite e vai trazer também
06:00uma questão para você.
06:01Felipe.
06:02Tudo bem, José Pimenta?
06:04Boa noite para você.
06:05Eu queria te saber o seguinte, a gente vê que essa pressão que fez o governo americano
06:10acabar reduzindo tarifas para 200 alimentos, é uma admissão de culpa do presidente Trump
06:15de que as tarifas têm caráter inflacionário?
06:18E se for isso, se você concordar com esse conceito, qual é o peso político dessa decisão?
06:23Você acha que os eleitores, por exemplo, do Donald Trump vão ver, vão considerar isso
06:26um erro dele, uma admissão de culpa dele?
06:30Olá, Felipe.
06:31Felipe, um prazer falar contigo, meu caro.
06:33Sim, de maneira indireta, ele obviamente que ele não vai pintar dessa forma, porque
06:41o Trump não olha dessa forma, como derrota, enfim, mas é como uma possibilidade ou então
06:49uma decisão que de alguma forma vai corrigir uma questão específica que é a inflação.
06:54Ele nunca vai dizer que é uma derrota, ele não vai admitir isso, embora a gente saiba,
06:58né, e reverbera já e fala há muito tempo, né, isso não só aqui no Brasil, mas no
07:03mundo todo, que protecionismo gera inflação, né, evidentemente, e tá gerando inflação
07:08sobretudo de alimentos nos Estados Unidos, porque eles não produzem esse tipo, esses tipos
07:12de alimentos, como vai gerar também em outras cadeias produtivas, como a gente já sabe.
07:16Não vai pintar dessa forma, mas aí a se analisar o que vai vir, né, das próximas
07:22pesquisas, né, de popularidade do governo Trump.
07:27Quando a gente vai olhar o caso do shutdown, por exemplo, né, algumas pesquisas indicaram
07:31mais culpa, né, a população indicando que a culpa do shutdown, em ampla maioria, e outras
07:36pesquisas em menor, mas também em maioria dos republicanos que dos democratas, né,
07:40então isso é pra ser analisado também.
07:42Nesse caso específico, ele fez uma correção de rota importante, com foco nisso também,
07:47na sua, na medição dessa popularidade.
07:51Então, respondendo, nunca que ele vai admitir que é um erro, né, mas a gente sabe que
07:55em economia não tem muita mágica nesse sentido.
07:58Você, quando coloca uma tarifa de importação, e a gente tá acostumado também a lidar com
08:04isso, nível Mercosul, em outros países e outros blocos também, coloca uma tarifa
08:10de importação, pra aquele item específico, você vai ter, de alguma forma, algum tipo de
08:15inflação residual, né, no caso dos Estados Unidos, aconteceu por uma gama de produtos,
08:19vamos ver como isso vai reverberar na popularidade do presidente daqui pra frente, Felipe.
08:24José Alês Pimenta, diretor de Relações Governamentais e Comércio Internacional da
08:28BMJ, muito obrigada pela participação com a gente, boa noite, bom fim de semana.
08:33Eu que agradeço, uma boa noite, um bom final de semana.
08:35Então, vamos lá, vamos lá.
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