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A Câmara aprovou a urgência de um projeto defendido por Hugo Motta que altera o regimento interno e permite a suspensão cautelar de até seis meses para deputados que impedirem votações ou participarem de motins no plenário.

A medida é vista como resposta às ações da oposição em agosto e promete acirrar os ânimos entre governo e bolsonaristas.

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Com apresentação de José Inácio Pilar e Wilson Lima, o programa aborda os temas mais quentes do cenário político e econômico do Brasil.

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Transcrição
00:00O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Mota, defendeu a análise do projeto de resolução da mesa diretora da Câmara que prevê pedido de suspensão cautelar por seis meses para quem agredir fisicamente ou impedir por ação física o funcionamento das atividades legislativas.
00:19A urgência da proposta foi aprovada nesta terça-feira no plenário. Segundo Mota, a proposta é uma demonstração clara de que a presidência da Câmara não concordará com movimentos como o da oposição na primeira semana de agosto, quando impediu as votações em plenário. Vamos ouvir o que diz o presidente da Câmara.
00:40Orlando, essa matéria, diante do grave ocorrido que essa casa viveu na retomada dos trabalhos, todos aqui que fizeram e participaram daqueles momentos sabem que momentos como aquele não podem e não irão se repetir aqui nesta casa sob a nossa presidência.
00:55Essa é uma demonstração clara de que esta presidência não aquecerá para movimentos como aqueles que aconteceram aqui naqueles dias.
01:05Essa é uma demonstração de que nós precisamos ser enérgicos com esse tipo de atitude.
01:10Eu quero apenas solicitar a vossa excelência que estamos aqui votando a urgência.
01:15Nós vamos designar um relator que poderá negociar o texto.
01:18Essa é uma ideia inicial.
01:20Não há desta presidência o interesse de hipertrofiar os seus poderes.
01:25O que há desta presidência e da mesa da casa ao apresentar esse projeto é o desejo de proteger o bom funcionamento da Câmara.
01:33E, infelizmente, nós estamos vivendo tempos estranhos que chegamos a ter aqui acontecimentos como aquele que devem ser esquecidos da nossa história,
01:43porque, além de nos envergonhar, nos obriga a sermos enérgicos para evitar que episódios como aquele voltem a acontecer.
01:52Então, por isso que essa presidência capitaneou junto à mesa a apresentação dessa urgência.
01:59Eu defendo que o relatório possa ser negociado.
02:02Não há necessidade de se votar isso hoje ou amanhã.
02:05Pode-se conversar com os partidos.
02:07Mas algo precisa ser feito, porque, como nós estamos tendo movimentos completamente desequilibrados,
02:15nós só vamos conseguir controlar isso se tivermos sob a mesa, não sob essa presidência,
02:21mas sob a mesa a condição de, se acontecer novamente episódios como aqueles que aconteceram,
02:28nós temos a condição de punir, de sermos pedagógicos com quem não cumprir o regimento interno da Câmara dos Deputados do Brasil.
02:37Alguns deputados criticaram o texto, como o deputado federal Kim Kataguiri. Vamos ver.
02:44Ou seja, 300 mil pessoas votam para eu estar aqui,
02:48e um único homem, um deputado, presidente da Câmara dos Deputados,
02:51tem o poder de, numa canetada, me afastar do meu mandato?
02:55Eu vejo muita gente discursar, inclusive eu, contra abusos do Supremo Tribunal Federal.
03:01Mas se a gente aprovar isso aqui nessa casa, não precisa mais nem do Supremo para cometer abusos,
03:05porque a gente comete contra a gente mesmo.
03:07Se a maior parte dos parlamentares dessa casa acharem razoável que o presidente da Câmara,
03:12com uma caneta, suspenda mandato, sem passar por Conselho de Ética,
03:16sem passar pelo Plenário da Câmara dos Deputados,
03:18aí pode fechar e acabou.
03:19Ou então deixa só o presidente legislando sozinho que a gente não serve mais para nada.
03:23Obrigado, presidente.
03:25Wilson Lima, esse texto pedagógico deve ser mesmo aprovado?
03:29Olha, essa é uma boa pergunta, Inácio.
03:35Porque é o seguinte, o que aconteceu ontem?
03:37Vários deputados reclamaram dessa punição, enfim, desse projeto de resolução da mesa diretora.
03:44Só que é o seguinte, o Hugo Mota, ele precisa ter o controle de novo do Plenário.
03:49Ficou muito feio para ele, ficou muito ruim para ele, para o presidente da Câmara,
03:57aquela cena em que ele sequer conseguia sentar na cadeira da segunda vice-presidência,
04:01que naquele momento era ocupada pelo Marcelo Van Hatten.
04:04Então ele precisa ter o controle do Plenário.
04:06E esse projeto de resolução, ele é um projeto um tanto quanto radical.
04:10Por quê?
04:11Porque ele parte da seguinte premissa,
04:13olha, se o deputado for pego em flagrante, obstruindo o trabalho da casa,
04:18ele pode sumariamente ter o seu mandato suspenso durante seis meses.
04:21Então, dá um poder, aumenta o poder da caneta do Hugo Mota nesse caso.
04:29E é uma alternativa que ele tem até para coibir eventuais abusos futuros.
04:35A bancada do PL deve votar contra esse projeto de resolução.
04:40Ou seja, temos aí pelo menos 80 votos a menos.
04:43Vários deputados do Centrão também não gostam dessa ideia,
04:47porque a pior coisa que você pode fazer é, em nome de uma ordem,
04:51dar superpoderes para alguém.
04:54Isso nunca é bom em Congresso, nunca é bom no Parlamento,
04:57porque sempre há um sentimento, Inácio, ali dentro da Câmara,
05:01de que, ah, hoje pode ser o Hugo Mota, amanhã pode ser outra pessoa.
05:05Hoje pode ser a bancada do PL, amanhã pode ser eu ali nessa situação.
05:09Então, qualquer elemento, qualquer mudança no regimento interno
05:14que determine alguma posição a mais para o parlamentar
05:16é um movimento visto com muita reserva pelos congressistas aqui em Brasília.
05:20Ricardo Kertzmann.
05:24Olha que interessante, né?
05:25Concordo totalmente.
05:26Porque você dá esse nível de poder a uma pessoa,
05:30esse poder pode sempre ser utilizado de forma indevida,
05:34pode ser desvirtuado esse mandato que é dado.
05:40A gente está vendo isso acontecer nos Estados Unidos com o Donald Trump.
05:43Existe uma lei, essa lei Magnitsky, que foi estabelecida por um critério
05:47e o mandatário de turno, o presidente de turno,
05:49está utilizando-a conforme o seu próprio interesse.
05:53Então, toda vez que você dá tanto poder assim a alguém,
05:56é de fato perigoso.
05:57Agora, alguma coisa, e eu não sei qual, não sou parlamentar,
06:00eles que se virem, alguma coisa tem que existir
06:03de forma a coibir e punir de forma muito rápida e severa
06:07aquele tipo de conduta que a gente viu ocorrer.
06:10Porque se for, quando acontecer isso novamente,
06:14se for tramitar da mesma maneira que acontece até hoje,
06:17é oferecida uma denúncia, vai para o Conselho de Ética,
06:20forma a comissão, fica lá discutindo,
06:23estabelece 90 dias para no final não acontecer nada.
06:25Eu também acho que isso também não serve ao propósito, né?
06:28De coibir esse tipo de atuação.
06:31Rodolfo Bosch.
06:32Ô Ricardo, deixa eu só complementar rapidamente teu raciocínio.
06:34Não, coisa rápida, porque você tocou num ponto
06:37que eu me lembrei aqui rapidamente, aqui na minha cabeça,
06:41aqui no meu HD.
06:42Isso também denota, ô Ricardo,
06:44uma fraqueza do Hugo Mota em relação ao próprio Conselho de Ética.
06:47Por quê? Porque o Giovanda Federal,
06:49ele foi punido com suspensão.
06:50E como é que foi o trâmite?
06:52Saiu o pedido da mesa diretora,
06:54foi para o Conselho de Ética,
06:55o Conselho de Ética conseguiu resolver isso rapidamente,
06:57determinar a suspensão cautelar dele durante três meses.
07:00Ou seja, para você mudar o regimento interno
07:02e colocar um poder a mais para o Hugo Mota,
07:04também é um sinal de fraqueza do presidente da Câmara.
07:07Desculpa, ô Ricardo, só queria fazer essa dedo,
07:10porque o caso do Giovanda Federal,
07:11ele é sintomático aqui nessa situação.
07:14Rodolfo Bosch.
07:15É uma deixa boa para o que eu ia dizer, Wilson,
07:17porque é uma tentativa do Hugo Mota de responder com força,
07:21mas de fato, para mim, demonstra fraqueza.
07:23Porque o que precisa ser feito,
07:25o que precisaria ser feito,
07:26para que o presidente da Câmara,
07:27que foi desmoralizado, exposto,
07:31não pôde sentar na sua cadeira,
07:34o que ele precisaria fazer?
07:36As pessoas que impediram que ele sentasse na cadeira,
07:39têm que ser punidas.
07:40Se elas forem punidas,
07:41não precisa dar mais poder para o presidente da Câmara.
07:44O poder já está, ou já vai estar, claro,
07:47na punição dessas pessoas que fizeram o que não poderia ser feito.
07:51O que eu acho esquisito é criar uma regra
07:53para impedir que seja feito aquilo que já não pode ser feito.
07:56Não pode.
07:58Então, o Wilson traduziu bem aí,
08:01quer dizer, se tivesse uma linha de poder clara e atuante
08:06do presidente da Câmara,
08:07como aconteceu com outros presidentes da Câmara,
08:10ele ia, sim, fazer correr os processos
08:13da forma como devem correr, no mínimo.
08:15No tempo mínimo possível
08:16para que esses deputados fossem punidos.
08:19Quando ele faz isso,
08:20ele está tentando se esquivar da punição
08:22para os bolsonaristas,
08:24porque aparentemente ele não tem poder para fazer isso.
08:26ou se fizer, vai ser pior para ele,
08:29o que é também uma demonstração de fraqueza.
08:31E aí está tentando dar um truque ainda
08:33para dar uma resposta
08:35que vai desvirtuar o processo.
08:37E, de fato, como o deputado Kim Kataguiri apontou,
08:41vai ter consequências ruins para outros processos,
08:43que não esse,
08:44porque nesse o efeito já está dado,
08:47o estrago já foi feito.
08:48E aí vai servir para o Hugo Mota
08:50ameaçar os deputados em uma próxima ocasião
08:54para um outro presidente da Câmara fazer isso.
08:56Quer dizer, o que tem que ser feito é
08:57punir aqueles que fizeram aquilo
08:59que não deveria ter sido feito,
09:00neste caso,
09:01e nos próximos casos também.
09:04Wilson,
09:05isso me lembra muito aquela frase
09:06que a exceção nunca é um bom exemplo.
09:10Ele está usando uma exceção
09:11de algo que aconteceu muito pontualmente
09:13para transformar em uma nova regra
09:15para tudo e para todos,
09:16que é o temor que o deputado Kim Kataguiri trouxe.
09:20Internamente,
09:21não só o Kim Kataguiri,
09:22imagino que outros deputados também
09:24estejam se movimentando
09:26para, de repente,
09:27dissuadir o Hugo Mota
09:28de levar isso adiante.
09:30Você acha que existe a possibilidade
09:31dele recuar
09:32ou isso mostraria ainda mais fraqueza?
09:35Porque aí tem duas fraquezas
09:36para ele escolher.
09:37Ou ele recua
09:38ou ele manda para a votação,
09:40pode perder na votação
09:41e fica feio também.
09:45É o risco que ele corre.
09:46É isso que ele corre.
09:48É como a gente fala na internet,
09:50na hashtag sentiu.
09:51E tem um detalhe, Inácio,
09:53quando você tem o controle
09:54da Câmara dos Deputados,
09:55independentemente de você ter cargo ou não,
09:58você consegue articular
09:59contra seus inimigos.
10:01Enquanto o Rodolfo falava,
10:03eu lembrei de um caso muito específico
10:04do deputado federal Glauber Braga.
10:06Deputado federal que é inimigo do Arthur Lira.
10:09Os dois não se dão.
10:12E o Glauber Braga
10:13está em via de ter seu mandato cassado.
10:16O Lira já não tem mais o poder da caneta,
10:18mas mesmo assim,
10:19ele ainda continua
10:20atuando nos bastidores da Câmara
10:22contra o deputado Glauber Braga.
10:24Então assim,
10:24na Câmara,
10:25às vezes você precisa ter poder
10:26e quando você de fato tem poder,
10:28você não necessariamente precisa da caneta.
10:30E o Gumota,
10:31nesse momento,
10:31ele mostra que ele precisa da caneta
10:33para ter algum tipo de poder
10:34e legitimidade lá dentro.
10:35E aí
10:41E aí
10:41E aí
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