00:00Leandro, eu me lembro uma vez eu ouvi do senhor, o senhor disse que se considera uma pessoa de centro, né?
00:07E a gente vive ainda essa questão dos polos, isso não é só do Brasil, mas também isso dificulta talvez a busca por talvez algum nome que fuja um pouco desses polos, né?
00:22E já falando em 2026, o senhor disse que não estará como um candidato em 2026, mas qual o seu olhar para a política para o ano que vem?
00:30O cenário, o ex-presidente Jair Bolsonaro, o Supremo inclusive nessa sexta marcou a data do julgamento, enfim.
00:37O presidente Lula, que se estiver bem de saúde já dá todas as posições que vai tentar mais um mandato.
00:45João Dória como um ex-político, qual a leitura que faz do Brasil para o ano que vem, daqui a um ano e pouquinho?
00:52Tiago, primeiro eu fiz a opção mais difícil, que é a opção do centro, a opção do equilíbrio, da ponderação, da tolerância, da compreensão.
01:01O centro não é o centrão, né?
01:02Não, não, é o centro, é o centro do diálogo, é o centro do bom senso, é o centro da honestidade, é o centro da justiça.
01:08Mas uma pessoa de centro, ela dialoga com quem é de direita e dialoga também com quem é de esquerda, até porque não há democracia sem a sua capacidade e tolerância de compreender visões à esquerda e à direita, mas distante dos extremismos.
01:23A extrema esquerda se iguala à extrema direita, com os mesmos equívocos, só muda a cor da camisa.
01:31Os erros são iguais, populismo, excesso de autoritarismo, rupturas democráticas, falta de bom senso, assalto ao dinheiro público, você vai olhar, estão sempre colocados nas extremidades.
01:44Quando poderíamos ter, nesse eixo mais central e respeitador da democracia, um caminho que pudesse colocar o país para avançar efetivamente, e não para regredir.
01:56Nós regredimos nos últimos anos.
01:57Tivemos dois anos do presidente Michel Temer evoluindo positivamente, ao meu ver.
02:02Tivemos oito anos do presidente Fernando Henrique evoluindo positivamente.
02:05Tivemos o governo do presidente Juscelino Kubitschek evoluindo positivamente.
02:09E só os demais, eu não quero classificar nem nominar, mas não avançaram, infelizmente.
02:16Às vezes até as circunstâncias impediram, mas é isso que eu espero do Brasil.
02:21Eu vejo que em 2026 não há uma definição clara ainda.
02:25Não há.
02:26O Brasil segue muito polarizado.
02:28Você tem discutido isso aqui no programa com seus entrevistados, e é um fato.
02:33O Brasil segue dividido, como se estivesse, no momento da eleição de 2022, ainda um país completamente dividido.
02:43Meio a meio, metade bolsonarista, metade lulista, e ali 20% de pessoas com dúvidas ou com opiniões ainda não formadas.
02:52Nada contra os que são lulistas aqui à esquerda e os que são bolsonaristas aqui à direita.
02:57Mas será que não há nenhum outro caminho para o Brasil?
02:59Será que somente dois líderes vão concentrar as opções de milhões de brasileiros, mais de 200 milhões de brasileiros e mais de 150 milhões em condições de votarem?
03:11Eu não acredito nisso.
03:13Acho que é possível termos opções de centro, centro-direita, centro-esquerda, que possam representar um grau de esperança real para o Brasil do futuro.
03:23Sem brigas, sem conflitos.
03:24Um país pacificado e um país ordenado e focando também em políticas sociais verdadeiras, autênticas e não falsificadas ou modificadas para atender o interesse populista, partidário ou ideológico.
03:42O Brasil é um grande país, Tiago.
03:43Eu rodei muito o Brasil, até porque eu fiz as prévias do PSDB para ser escolhido candidato do PSDB à presidência da República, pois, por circunstâncias, o partido não honrou um compromisso democrático, que foi aquele da eleição feita por membros do partido em todo o Brasil.
03:59Mas esse é um outro ponto, página virada.
04:03Mas eu tive a oportunidade de conhecer melhor o Brasil.
04:05É um país maravilhoso.
04:07O povo brasileiro é um povo bom na sua essência.
04:09Tem falhas? Tem. Todos têm.
04:12Aqui no Brasil, na América, na Europa, na Ásia, todos têm.
04:16Mas o Brasil tem grandeza e tem uma alma boa.
04:20Então, se tivermos bons líderes e, sobretudo, uma grande liderança a partir das próximas eleições em 2026, o Brasil mudará e mudará para melhor.
04:29E se aplicar um pouco o vetor de velocidade, pode recuperar o tempo perdido dos últimos governos.
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