00:00dos governadores se movimentando e muitos governadores de que o pleito desse ano vai ser acirrado
00:05e marcado inclusive por enfrentamento nas redes sociais, como os últimos já tem sido cada vez mais, né?
00:11Sobre isso a gente vai conversar agora com o Cristiano Noronha, que é cientista político e vice-presidente da Arco Advice.
00:19Cristiano, boa noite, muito obrigada por nos atender aqui no Jornal Jovem Pan.
00:24Já queria emendar uma pergunta para o senhor, puxando esse gancho das redes sociais.
00:31Ontem mesmo a gente teve o governador aqui de São Paulo, Tarcísio de Freitas, inaugurando o ano com um vídeo no Instagram de Fora PT,
00:39dizendo que Feliz Ano Novo, queria dizer Fora PT.
00:42Então a gente vai ter uma presença muito forte mesmo, politizada nas redes sociais e Tarcísio já deu um recado logo no primeiro dia do ano?
00:50É, a gente vai ver esse movimento, em primeiro lugar, boa noite, Beatriz, é um prazer estar aqui com vocês novamente.
00:59A gente vai ver sim esse acirramento dessa disputa, tem especialmente a partir do prazo da desincompatibilização,
01:11que é dia 4 de abril, vai ficar mais claro, inclusive, até o destino mesmo do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas,
01:21se de fato ele vai tentar a reeleição, se não vai, se está descartada totalmente ou não a possibilidade dele vir a substituir
01:30Flávio Bolsonaro nessa disputa presidencial, mas a gente vai ver uma disputa bastante acirrada,
01:39porque tem vários governadores, existe um número, algo em torno de 18 governadores não podem disputar a reeleição,
01:48então muito provavelmente o caminho mais natural desses governadores é tentar o Senado,
01:55embora a gente tenha nomes também da oposição, como é o caso do Caiado, como é o caso do Zema,
02:01Ratinho Júnior, por exemplo, que são, e do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite,
02:08que podem vir a ser opções de alguns partidos para também concorrer à presidência da República, né?
02:16Então vai ser uma eleição bastante disputada nesse campo, bem como a gente tem também, Beatriz,
02:25alguns governadores, ex-governadores, né? Que estão, que podem tentar voltar, inclusive, ao posto.
02:36O Renan Filho, por exemplo, é um que pode tentar disputar novamente o governo de Alagoas,
02:42Rui Costa, que foi governador da Bahia, pode fazer essa, se candidatar para eleição no Senado também.
02:50Então vai ser uma movimentação muito intensa e, obviamente, que a partir das eleições de governadores e de senadores também,
02:59vai se criando um palanque estadual para algumas dessas candidaturas presidenciais.
03:05Em São Paulo, o Tarcísio é um governador de um estado muito importante
03:11e, estrategicamente, também é um palanque muito importante para a candidatura de Flávio,
03:18se ele realmente vier a ser confirmado nessa disputa presidencial.
03:24Cristiano, eu vou passar a palavra para a Dora Kramer, que também vai participar aqui da nossa entrevista
03:28e vai te fazer uma pergunta. Dora, por favor.
03:31Boa noite, Cristiano. Antes de mais nada, bom ano novo para você.
03:37E estenda esses votos também para o pessoal da Arco de Vaz, Murilo, Lucas, Tiago e toda a equipe, tá?
03:46Eu vou querer fazer duas perguntas, mas não vou fazer de uma vez.
03:50Vou fazer uma e depois a outra.
03:53A primeira é que, já que a gente está tratando de Senado, governador,
03:56e temos essa história de que está todo mundo de olho no Senado, na composição do Senado.
04:04Também há uma atenção especial com a Câmara, né?
04:08Porque quanto mais deputados, mais fundo eleitoral, mais fundo partidário,
04:13você acha que essa situação pode fazer com que essa eleição presidencial
04:19divida as atenções de uma maneira mais acentuada com as eleições para o Congresso, Câmara e Senado?
04:28Ah, sem dúvida, Dora. E também para você, feliz 2026.
04:34Mas acredito que vai dividir, sim, viu, Dora?
04:38Porque não apenas do ponto de vista político, porque isso vai fazer muito, vamos dizer assim,
04:45vai movimentar muito a questão dessas eleições majoritárias, né?
04:52Para governador e também para presidente da República, né?
04:58Acredito ali que a gente vai ter muitos candidatos participando, apoiando.
05:06Veja que o presidente Lula, por exemplo, está preocupado porque ele não tem um palanque eleitoral forte,
05:15por exemplo, em Minas Gerais, né?
05:17A opção dele ali, ele várias vezes, por exemplo, estimulou a candidatura de Rodrigo Pacheco,
05:25por exemplo, ex-presidente do Senado, para concorrer ao governo de Minas, né?
05:30E esses palanques estaduais são importantes não apenas para a eleição presidencial,
05:37mas também para essa candidatura ao Senado.
05:40Veja que há uma pressão, por exemplo, uma entrevista que Lidberg Farias deu, por exemplo,
05:46de que, por exemplo, o Haddad vai deixar o Ministério porque ele tem uma missão,
05:52ele precisa concorrer, por exemplo, ao governo de São Paulo, o Geraldo Alckmin também,
06:00uma pressão muito grande porque o pessoal de olho no vice dele.
06:04Os partidos estão tentando lançar seus melhores quadros, daqueles nomes mais fortes,
06:10ao Senado.
06:10Rui Costa, ministro, vai tentar o governo, vai tentar alguma vaga ao Senado, né?
06:17Na Bahia.
06:19Então, essa eleição, ela é muito importante estrategicamente e acredito, sim,
06:25que ela vai tomar uma importância muito grande, vai dividir as atenções, sim,
06:31com essa eleição presidencial, Aurora.
06:36Bom, né?
06:36Para também que as pessoas reclamam que o Congresso é ruim,
06:40então o eleitorado também preste atenção e trate de melhorar a qualidade do Congresso.
06:46mas eu vou na segunda pergunta para você.
06:49Tem uma discussão no mundo político sobre se essa eleição será a última da polarização,
06:57dada a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro e também a idade do presidente Lula, enfim.
07:04Seria o caso desses caciques, digamos assim.
07:09Agora isso divide, né, as discussões.
07:12Tem gente que concorda e tem gente que discorda.
07:15Eu queria saber a sua leitura, de que lado você está.
07:18Você acha que realmente essa é a última eleição da polarização?
07:25Eu acredito que não ainda, Dora, mas ela pode ficar um pouco mais enfraquecida, né?
07:33E por que isso, né?
07:36Porque o presidente Lula não vai poder participar da próxima eleição.
07:43Se a gente tiver muito provavelmente o caminho natural das coisas também,
07:49o ex-presidente Jair Bolsonaro também não deve participar por questões da inelegibilidade dele.
07:55Agora, o Lula vai ter espaço para fazer eventualmente um sucessor, né?
08:01Se eventualmente ele ganhar a eleição e ele lidera hoje o cenário,
08:07ele vai poder apoiar alguém e esse alguém, obviamente, que vai dar sequência e vai tentar,
08:15o Lula vai tentar manter o PT forte, manter o PT um ator relevante aí no campo da esquerda.
08:24Assim como ele fez com a ex-presidente Dilma Rousseff, né?
08:29O Flávio, ele se candidatando, ele pode ganhar a eleição também,
08:34ele vai estar na disputa, é um nome forte.
08:38E se ele ganhar, ele muito provavelmente vai disputar contra alguém
08:45que o Lula eventualmente também indicar, né?
08:49Então, ele vai ser um nome forte.
08:51Se ele perder a eleição, acredito que essa eleição de 2026 o torne um cabo eleitoral forte.
08:58Ele pode, eventualmente, concorrer novamente em 2030, né?
09:03E por que eu falo que é um pouco, que essa polarização pode se quebrar um pouco?
09:08Porque talvez em 2030 a gente tenha mais opções, né?
09:13Veja, tem João Campos, o próprio Tarcísio, que pode ser candidato.
09:18Outros nomes podem surgir.
09:21E aí acabar tornando essa polarização um pouco mais fraca.
09:25Mas acredito ainda que ela vai ter ainda algum rescaldo em 2030.
09:31E alguns caciques, como por exemplo Gilberto Kassab, né?
09:37Presidente do PSD, que tem uma figura importante na política.
09:40Já sinalizou, então a gente já tinha até adiantado aqui na programação da Jovem Pan,
09:44que vai deixar o governo Tarcísio de Freitas.
09:48E assim como outras figuras do Centrão, como Baleia Ross, presidente do MDB,
09:52não tem ainda um posicionamento claro, partido muito dividido
09:55em relação às eleições presidenciais.
09:59Eles podem mudar os rumos, será, dessa polarização?
10:03Ou os rumos eleitorais?
10:04Ou a tendência é que realmente cada um acabe escolhendo um lado ali no fim das contas?
10:10Olha, nesse momento, o PSD do Kassab, ele já havia sinalizado
10:17que se o candidato não fosse o Tarcísio, ele teria um candidato próprio
10:23que seria o Ratinho Júnior.
10:27Lembrando que ele ainda teria uma outra opção também,
10:31que é o próprio Eduardo Leite, que mudou para o PSD também.
10:36Então, pode ser que a gente, no primeiro turno, a gente veja um certo distanciamento.
10:44Agora, esse distanciamento não significa um rompimento, um distanciamento definitivo.
10:50Então, se eventualmente o PSD resolve disputar, mesmo a eleição de São Paulo,
10:59eleição presidencial, se o Tarcísio ganhar,
11:03muito provavelmente a gente vai ter uma reaproximação do Tarcísio com o PSD,
11:08se o PSD resolver concorrer com o candidato próprio na eleição.
11:14Ou, se conseguir, se tiver um candidato na eleição presidencial,
11:19eventualmente nós tivermos um segundo turno,
11:22fazer uma composição com algum candidato também no campo da direita.
11:27Então, esses distanciamentos, eles são absolutamente naturais.
11:35O Brasil é muito grande, então o que acontece algumas vezes é que partidos,
11:40mesmo adotando uma postura nacional numa direção,
11:44existem determinados estados que acabam seguindo em outra,
11:48apoiando outras candidaturas.
11:50O PSD, por exemplo, de Otto Alencar,
11:53é muito próximo do PT, por exemplo, na Bahia.
11:57O União Brasil, a gente está vendo que o partido é muito dividido,
12:02e por isso mesmo o Caiado está tendo a dificuldade de se firmar como candidato próprio.
12:11Então, esses distanciamentos, eles são naturais,
12:15mas pode haver, a partir do segundo turno,
12:18ou mesmo para construir condições de governabilidade,
12:20um realinhamento depois do processo eleitoral.
12:25Nós estamos conversando com Cristiano Noronha,
12:27cientista político e vice-presidente da Arco Advice.
12:31Cristiano, vou fazer uma última pergunta para o senhor,
12:34ainda em relação à nota recente emitida pelo Progressistas do Ciro Nogueira,
12:40fazendo uma pressão aqui em São Paulo,
12:42dizendo que pode lançar um candidato próprio ao Palácio dos Bandeirantes,
12:46caso o Tarcísio não entre mais de cabeça na eleição do Flávio.
12:50No começo da entrevista, o senhor citava essa possibilidade
12:54de Flávio ter um grande palanque aqui com o Tarcísio,
12:57mas as pessoas acreditam que não tem esse apoio tão forte.
13:00O senhor já vê esse descolamento do PP, de Ciro,
13:03que até então apoiava bastante o governador de São Paulo?
13:08Olha, o Tarcísio vai apoiar a candidatura do Flávio de qualquer forma.
13:12É muito difícil que o Tarcísio se distancie da candidatura do Flávio Bolsonaro,
13:22ainda que ele tenha sido preterido dessa escolha.
13:27Eu não acredito que vá haver esse distanciamento.
13:32O PP do Ciro Nogueira é muito próximo ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
13:38Acredito também que há espaço para uma composição.
13:45E o que o PP está fazendo é também firmar a posição,
13:50tanto no âmbito federal quanto estadual.
13:53Acredito eu que pode haver, sim, uma composição,
13:57porque o Tarcísio vai fazer gesto na candidatura do Flávio.
14:03E o Flávio também, como precisa desse palanque forte
14:05e precisa do apoio do Tarcísio, eventualmente pode, sim,
14:09convencer ao PP a fazer uma composição com ele no estado de São Paulo.
14:14Então, a gente vai ver, ao longo desse processo todo, Beatriz,
14:19algumas certas tensões, recados que são mandados de parte a parte,
14:26mas no final das contas eu acredito que deve haver uma composição boa
14:30boa entre o PP e o Tarcísio no estado de São Paulo e também no âmbito federal.
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