A repórter Fernanda Sette mostrou os impactos tarifários de Trump sobre setores brasileiros. Café, carne, frutas, calçados e pescados enfrentam perdas e pedem apoio. O governo prepara plano emergencial, enquanto empresas buscam novos mercados.
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00:00E agora sim, olha, os setores brasileiros impactados pelas novas tarifas de 50% dos Estados Unidos
00:11já calculam perdas e pedem apoio ao governo federal.
00:16Então a gente tem incluído neste pacote de Donald Trump cerca de 700 exceções para áreas estratégicas
00:22como aviação, energia e parte do agronegócio.
00:25Setores como máquinas, carnes, cafés, frutas, móveis, textos e calçados seguem afetados
00:33e aí esses setores estão buscando redirecionar vendas para outros mercados ou para o consumo interno.
00:40Mas isso exige tempo e possível queda nos preços.
00:43Então para falar sobre este impacto eu vou à Brasília agora com a outra Fernanda, a Fernanda Sete, que nos traz todos os detalhes.
00:51Fernanda, o governo federal já disse que pretende dar um auxílio para esses setores que podem ser mais impactados neste primeiro momento, não é isso?
01:00Exatamente, Eric Klein, os setores mais afetados pelo tarifácio já calculam ali os seus prejuízos,
01:09mas por outro lado já se movimentam para minimizar esse impacto fazendo pedidos ao governo federal.
01:16O decreto assinado na semana passada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump,
01:21que elevou alíquota de 50% sobre todos os produtos brasileiros, trouxe também uma lista com quase 700 itens isentos da sobretaxa
01:30e que beneficiaram de fato alguns segmentos estratégicos brasileiros, como por exemplo da aeronave,
01:38é o setor energético e parte do agronegócio brasileiro.
01:42Mas, né, Klein, setores aí como o do café, das carnes, frutas, pescados, móveis, calçados, dentre outros, continuaram sobretaxados.
01:52Claro, alguns deles vão conseguir redirecionar a sua produção para outros países e até para o mercado interno,
02:00mas isso demanda tempo e também vai gerar redução nos preços cobrados.
02:06Segundo a Câmara Americana de Comércio para o Brasil, a Anchan, Brasil, cerca de 10 mil empresas brasileiras
02:13que exportam para os Estados Unidos poderão ser impactadas com o tarifácio.
02:18Enquanto o governo federal ainda corre contra o tempo, tenta uma negociação com as autoridades norte-americanas,
02:25alguns setores ali, principalmente esses que foram sobretaxados, já calculam os prejuízos causados pelo tarifácio.
02:33Olha, de acordo com o setor da carne, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne, a ABEC,
02:40o Brasil pode perder até um bilhão de dólares nas vendas de carne para os Estados Unidos.
02:46O setor de café também é um setor aí que deve ser impactado com essa sobretaxa.
02:52Cerca de 34% dos cafés brasileiros estão presentes ali nos Estados Unidos, né?
03:00Um índice bastante alto. Lembrando que esse setor cafeíro, né?
03:06Foi aí, teve autorização da China, 183 novas empresas brasileiras de café estão autorizadas a exportarem para o mercado chinês,
03:16uma medida que vai dar um certo alívio aí para o setor cafeíro.
03:21As frutas também, né? De acordo com a Abrafrutas, também o impacto com essa sobretaxa será muito grande,
03:28principalmente se tratando da uva, da manga e também daquelas frutas processadas, como o açaí.
03:35Esses três itens, Clay, representam aí 90% de todo o total que é exportado para os Estados Unidos.
03:42Já o setor de imóveis e calçados também, de acordo ali com os setores responsáveis,
03:46haverá ali milhares de perdas de postos de trabalho em todo o país.
03:53Além disso, o setor de pescados também, de acordo com a ABPESCA,
03:56Associação Brasileira das Indústrias de Pescado, o impacto do tarifaço será muito grande nesse setor.
04:04Estima aí o impacto rápido e severo, de acordo com a ABPESCA.
04:10Já a Confederação Nacional da Indústria, a CNI, fez uma série de pedidos ao governo federal
04:16para tentar aí minimizar esse impacto nesses setores que citamos agora,
04:22para tentar, de fato, diminuir esse impacto grandioso que essa sobretaxa de 50% pode gerar aí
04:29nesses setores em que citamos.
04:31E um desses pedidos da CNI, feito ao governo federal, é a criação de uma linha de financiamento
04:38voltado aí especificamente para empresas brasileiras exportadoras.
04:43Então, seria uma linha de financiamento de crédito com juros mais baixos
04:48e voltados aí exclusivamente para essas empresas exportadoras, claro, mais impactadas com a tarifa.
04:55E é uma semana decisiva, né, Clay?
04:57Como falamos aqui, a tarifa de 50% está prevista para entrar em vigor nesta quarta-feira, agora,
05:03dia 6 de agosto.
05:05O governo federal tem dois dias para tentar uma negociação com as autoridades,
05:09com o governo norte-americano, mas a expectativa do Palácio do Planalto,
05:14aqui do governo brasileiro, é de apresentar esse plano de contingência na quarta-feira.
05:20Esse plano, a gente já sabe, né, contém diversas medidas e cenários diferenciados aí,
05:26é um plano que vai tentar ajudar, de fato, essas empresas exportadoras
05:31a enfrentarem o tarifácio, né, sem grandes danos.
05:36Então, a expectativa do governo federal é que esse plano de contingência
05:39voltado aí para ajudar as empresas exportadoras, as empresas brasileiras exportadoras,
05:45seja, de fato, apresentado no mesmo dia em que a tarifa entra em vigor.
05:50No dia 6 de agosto, esta quarta-feira, agora.
05:53E como falamos aqui, a semana já começa bastante movimentada aqui em Brasília, né,
05:58tanto por parte do presidente Lula, que terá reuniões e sanções aqui no Palácio do Planalto,
06:03e também do vice-presidente Geraldo Alckmin, que se reúne aí com o setor produtivo
06:07e também com integrantes da equipe econômica do governo.
06:11Uma semana realmente decisiva.
06:12Cláudio, volto com você.
06:15Obrigado, Fernanda Sete, pelas suas informações.
06:17Já, já a gente conversa mais aqui no Agora.
06:20Mariana Almeida, a gente está vendo aí alguns setores, né,
06:23que podem ser prejudicados por esse tarifácio, que não estão naquela lista de exceções.
06:28Por exemplo, a Fernanda Sete trouxe que a indústria pesqueira, né, de pesca, do pescado,
06:34pediu aí cerca de 900 milhões de reais em crédito emergencial para o governo.
06:39Do outro lado, a gente tem a indústria da carne, né, a carne bovina, que também seria afetada,
06:45mas a gente trouxe aqui a notícia que aumentou a exportação para o México.
06:49Então, assim, a gente não tem dados ainda para ver se equilibrou, né, se substituiu,
06:55mas a gente está vendo que outros mercados acabam absorvendo pelo menos uma parte, né, dessas exportações.
07:00Exatamente, Eric.
07:01E essa, talvez, seja o principal, a forma como você trouxe, inclusive,
07:05dá a ponta para a complexidade de você fazer realmente um plano de contingência
07:09que consiga reagir a dois fatores.
07:11De um lado, existem algumas indústrias que precisam de um, considerando até o impacto
07:17que foi muito repentino e foi exógeno, não tem a ver com a atividade econômica,
07:21ou seja, não foi um erro de cálculo dos empresários, de quem estava ali,
07:25veio do nada, parece, e pode impactar e que tem uma crise muito forte em termos de produção e emprego.
07:31Então, tem que se apoiar para não esmagar, né, digamos assim, não empurrar para uma queda muito forte.
07:36De outro, o que faz uma economia forte é exatamente o dinamismo do setor privado
07:42de identificar alternativas de capacidade de diversificação,
07:45de encontrar realmente soluções para os problemas que estão postos até na estrutura produtiva.
07:51Então, como que o governo entra?
07:53Apoiando sem também sufocar esse dinamismo, sem acomodar a parte do empresariado
07:59para que a gente possa ter soluções de médio e longo prazo.
08:02Porque a novidade que se coloca no mercado internacional é, sim, um constrangimento
08:07protecionista maior em geral.
08:10É isso que os Estados Unidos trouxe.
08:11E não é um governo que vai negociar e vai resolver esse problema.
08:14O conjunto de quem está na atividade econômica, tomada de decisão dos agentes, vai ser fundamental.
08:19Então, no Brasil, muitas vezes a gente acaba acomodando com soluções que não resolvem totalmente,
08:26mas amenizam e isso tira um pouquinho do incentivo a inovar, transformar mais.
08:30A gente não pode fazer isso agora porque o Brasil vai precisar entender a nova dinâmica
08:35e isso não vem diretamente de cima para baixo do governo para os empresários.
08:39Os empresários também vão precisar demonstrar a sua capacidade de reagir.
08:43Claro, com apoio na grande dificuldade agora.
08:45Então, a medida de como vai ser esse pacote, a capacidade de identificar onde vai ser mais necessário,
08:52sem exagerar a dose, vai ser um capítulo bem importante para a gente entender
08:55essa relação público-privada tão conflituosa na história econômica brasileira.
09:00E, Mário Almeida, é claro que eu não quis comparar o setor da carne bovina,
09:04que é um setor gigantesco, não só no Brasil, no mundo, da carne bovina brasileira,
09:09com o setor de pescado.
09:11Mas eu estava conversando com alguns analistas e nós trouxemos também entrevistas com empresários
09:17de que existe essa situação adversa, por exemplo, que acontece neste momento,
09:22esse cenário de tarifácio que o empresário não estava acostumado,
09:25mas que pode tirar o industrial, o empresário, da zona de conforto e buscar novos planos,
09:31novas estratégias e novos mercados.
09:33E alguns dizem que até pode ser bom, que é uma...
09:36Claro, ninguém quer um tarifácio, que pode prejudicar, mas com novas estratégias,
09:40pode ser que modifique a indústria e modifique também de forma positiva.
09:44É isso, Cláudia. Aqui é o dinamismo que eu estava dizendo.
09:48A gente precisa... A economia não fica parada.
09:51Não existe a situação onde você está confortável e estabilizado para sempre,
09:55em um determinado patamar, em uma determinada produção.
09:58O empresário que se sustenta, as economias que vão para frente,
10:02são aquelas capazes de fazer leituras, não só do presente, mas do futuro.
10:06E, no fim das contas, é isso.
10:07O tarifácio está dando um sinal de uma possibilidade que está acontecendo.
10:11É, talvez, a ponta do iceberg de uma mudança profunda nas economias,
10:15que vem, sim, de uma alteração mais ampla em relação à tecnologia,
10:19acesso à tecnologia, à inteligência artificial, tudo isso está acontecendo.
10:22Mas, frente a uma mudança tão forte, o sinal aqui é o seguinte.
10:25Os países podem reagir nesse cenário adverso para se proteger, para se fechar.
10:31E aí, como vai ser neste caso?
10:33Como é que as economias, no caso da brasileira,
10:35que vinham caminhando para poder se aproveitar também do mercado internacional,
10:39vão reagir frente a isso?
10:41Qual que é o cenário?
10:42É também se proteger?
10:43É criar outras relações de diversificação?
10:46É construir outros cenários?
10:47Acho que a diversificação, certamente, é uma coisa que está posta,
10:51mas diversificar não é nada simples.
10:53Abrir mercado internacional não é assim,
10:54ah, agora eu vou para o México e pronto.
10:56Exige, sim, muita cooperação público-privada,
10:59exige consistência e exige plano.
11:01Plano com informações, com evidências, com dados.
11:04E é isso que talvez a gente esteja sendo provocado a fazer.
11:08Agora, olhando para esse momento, talvez procurando um pedacinho de um copo,
11:11não sei nem se meio cheio, mas pegando um restinho de água que nos sobra por ali
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