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Carla Argenta, economista-chefe da CM Capital Marketings, explicou no Agora como a operação Casadão do Banco Central visa manter a fluidez do mercado de câmbio, sem interferir artificialmente na taxa do dólar. A estratégia busca garantir liquidez e estabilidade no sistema financeiro. 

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Transcrição
00:00O Banco Central volta a atuar no mercado de câmbio com uma operação conhecida como Casadão.
00:05A autoridade monetária vai leiloar até 1 bilhão de dólares no mercado à vista,
00:11junto com os swaps cambiais reversos.
00:13A aposta é reduzir a pressão cambial e, com isso, ajudar no controle da inflação.
00:19E para entender esta estratégia, eu recebo agora aqui a Carla Argenta,
00:24economista-chefe da CM Capital Marketings.
00:27Bom dia, Carla. Tudo bem? Seja bem-vinda aqui ao Agora.
00:32Bom dia, Eric. Um prazer imenso para mim. Vamos lá.
00:35Prazer é todo nosso. Mariana Almeida também vai participar aqui da nossa conversa.
00:39Carla, a gente está vendo esse movimento do Banco Central, o Casadão.
00:45Você coloca 1 bilhão de dólares e depois você faz o swap reverso
00:50para controlar também quedas bruscas na contação da moeda americana,
00:54que poderia prejudicar setores como a exportação.
00:58A gente sabe que o nosso câmbio é flutuante, mas é preciso ter um controle,
01:03mesmo que seja de forma artificial, né, Carla?
01:06É. Na verdade, não é exatamente esse o foco do Banco Central nesse momento.
01:10Isso não entra exatamente na caixinha do controle da inflação.
01:14Isso entra na caixinha da boa governança e manutenção do sistema financeiro.
01:20Então, é outra caixinha do Banco Central. Vale lembrar que ele não tem só a inflação para controlar.
01:25E é uma operação que é uma operação técnica, mas ela garante essa liquidez que é necessária
01:31dentro do mercado financeiro para que os capitais venham, voltem,
01:35e para que as empresas tenham a liquidez necessária quando elas necessitarem de dólar e etc.,
01:40para fazerem as suas operações.
01:42Então, não é exatamente um controle artificial do câmbio,
01:45até porque o impacto deles sobre a variação tende a ser muito irrisório, né?
01:49Mas é mais para manter a fluidez, para fazer a manutenção da fluidez
01:54e garantir essa solidez do sistema financeiro.
01:57Carla, mas você não acha que já está bastante fluindo o mercado,
02:02tendo em vista que a gente está vendo aí, observando uma entrada,
02:06um fluxo de capital muito importante aqui no Brasil.
02:09A gente está vendo o valuation das empresas brasileiras baratas,
02:11o que tem atraído o investidor estrangeiro.
02:14A gente está vendo aí uma queda até do dólar, dólar na casa de R$5,50,
02:18o que alguns analistas dizem que é um patamar até ideal,
02:22tanto para a exportação quanto para o mercado interno, dessa questão de inflação.
02:26Então, o Banco Central age neste momento para a fluidez, mas o mercado já não está bastante fluido?
02:31Sim, é uma questão de garantir os recursos necessários quando essas empresas, instituições buscam esse dólar,
02:41mas tem a ver também com a mudança justamente da taxa, né?
02:45Que as instituições e o Banco Central pagam nesse tipo de operação.
02:50Então, o swap, vale lembrar, que é uma troca de taxas, né?
02:53A troca da taxa do câmbio pela taxa do CDI ou da Selic, em linhas gerais.
02:58Então, tem mais a ver com uma questão técnica, mais uma vez,
03:02não com uma manipulação do câmbio ou algo nesse sentido.
03:05É única e exclusivamente para manter a liquidez e a quantidade de recursos necessária.
03:11Vale lembrar que esse movimento, ele vem acompanhado de impactos quase que irrisórios
03:17sobre a variação cambial propriamente dita.
03:19Então, esse não é o objetivo do Banco Central,
03:22levar essa paridade cambial ou essa moeda para um patamar mais elevado ou para um patamar mais baixo.
03:28Mas é única e exclusivamente manter a boa fluidez do sistema financeiro.
03:34Carla, acho que o Eric aqui estava puxando exatamente com a preocupação que muitas vezes as pessoas têm
03:40de qual que é o limite, na verdade, como é que a população em geral consegue entender
03:43quando que acaba controle, né?
03:45Quando que se interfere e quando que entra,
03:48o que é essa parte técnica de gestão mais ampla, que acaba sendo mais complexa mesmo.
03:52E que inclui, inclusive, não só o sistema financeiro privado,
03:55mas o próprio Banco Central tem algum tipo de equilíbrio para fazer
03:57porque ele é um detentor com reservas significativas também em dólar.
04:02Tem agora uma taxa de juros altos que ele é responsável por pagar.
04:04Então, tem um papel financeiro para o próprio Banco Central,
04:07que eu queria que você comentasse e não repetir, mas assim, falar um pouquinho.
04:11Como é que a gente enxerga esse limite, né?
04:13Será que dá para ver quando que está controlando?
04:15Tem a ver com o que você estava mencionando sobre mexer ou não mexer na operação,
04:19mexer ou não mexer imediatamente no nível da taxa?
04:23Comenta um pouquinho mais sobre esse limite e o papel dessas operações para o próprio Banco Central.
04:28Claro.
04:29Bom, acho que sempre existe esse receio sobre o impacto do Banco Central
04:34e dessas operações sobre o câmbio, né?
04:36Essa questão, ela acaba voltando sempre quando o câmbio tem variações mais expressivas.
04:42Mas o regime no Brasil, pessoal, é um regime de câmbio flutuante.
04:46O Banco Central, ele entra evitando que haja movimentos muito bruscos para cima
04:53ou muito bruscos para baixo, porque isso pode distorcer a relação das empresas
04:59com a esfera produtiva, pode trazer impactos muito deletérios para níveis inflacionários
05:04quando esses movimentos são muito abruptos, mas não é o caso do que está acontecendo agora.
05:08E aí sim, isso entraria no universo do controle inflacionário também.
05:14Mas esse, mais uma vez, não é o caso de agora, né?
05:17E não foi o caso do Brasil ao longo dos últimos anos.
05:21A gente nunca voltou a ter um regime onde existia uma influência significativa
05:25do Banco Central sobre o câmbio.
05:27As instituições monetárias, os bancos centrais, eles optam ou por ter uma taxa de juros fixa
05:32ou por ter um câmbio fixo.
05:34A outra parte, a contrapartida, ela precisa oscilar.
05:37E o nosso regime, ele mantém a taxa de juros fixa.
05:40Por isso que o Banco Central define a Selic, né?
05:43E o câmbio, ele é a variável de ajuste.
05:45Então, ele vai flutuando.
05:47Mais uma vez, esse movimento é única e exclusivamente por questões técnicas,
05:51para garantir a boa fluidez do sistema financeiro de modo geral,
05:54para garantir que as instituições tenham recursos disponíveis
05:57e que elas possam operacionalizar e levar a cabo a sua função primária
06:03com as melhores condições possíveis.
06:05É isso que o Banco Central está fazendo.
06:07Não existe, mais uma vez, nesse momento, qualquer receio sobre intervenções no mercado de câmbio.
06:13Esse não é o objetivo do Banco Central.
06:14Esse não é o papel do Banco Central.
06:16E o Banco Central tem sido muito claro na forma como ele vai conduzir a sua política monetária
06:20para tentar contornar essa inflação,
06:22que é monitorando justamente a taxa de juros, que é o seu mandato principal,
06:27que é o que compõe o tripé macroeconômico e que é o regime de metas da inflação.
06:32Manipular essa taxa de juros, no bom sentido,
06:34para levar a inflação para dentro dos limites superiores e inferiores do RMI.
06:39Neste momento, Carla, não é a intenção,
06:41até porque a taxa do câmbio está até controlada.
06:45A gente tem um patamar de 5,50, um pouquinho para cima, um pouquinho para baixo.
06:49Mas essa coisa da intervenção, de tentar controlar um pouco artificialmente,
06:55a gente acompanhou no começo do ano, onde o dólar, o final do ano,
06:59para o começo do ano, onde o dólar disparou, passou da casa dos R$6,00.
07:03E aí o Banco Central entrou vendendo muitos dólares,
07:06abastecendo o mercado de dólares justamente para trazer um pouco a cotação para baixo.
07:11Então, apesar do nosso câmbio flutuante,
07:13o Banco Central deixa o mercado se movimentar,
07:16mas em situações específicas ele entra sim para não deixar a taxa de câmbio sair um pouco,
07:22ou perder a taxa de câmbio das mãos.
07:24E aí trazer um pouco o dólar para patamares mais atrativos,
07:30tanto para exportadores quanto até para a inflação.
07:34E aí você coloca mais dólares no mercado, aumenta essa liquidez, não é mesmo, Carla?
07:38Isso, é um mecanismo que o Banco Central tem, de fato,
07:43é uma ferramenta que o Banco Central tem.
07:46E aí entra justamente naquela esfera de você não perder as referências.
07:52Você não pode ter movimentos tão abruptos assim,
07:55em termos de moeda, em termos de variação da taxa de juros,
07:59e outras métricas da economia, outras variáveis macroeconômicas,
08:03porque você perde as referências.
08:04Quando você perde as referências, você traz vetores negativos
08:07para o sistema financeiro e para o andamento da economia global de forma geral.
08:11Então, essa é uma função do Banco Central, mais uma vez,
08:14essa é uma função do Banco Central.
08:15E esse movimento de suavizar quando há essas oscilações tão abruptas,
08:22tão claras, ele acontece justamente quando nós temos
08:26esse tipo de movimentação, que não é o que está acontecendo agora.
08:29Então, se a gente voltar um pouquinho lá atrás,
08:31na pandemia, quando o câmbio saiu de 4 e se aproximou dos 6,
08:35nós tivemos vários movimentos desses advindos do Banco Central.
08:38Por quê?
08:39Para evitar que nós tivéssemos distorções muito grandes
08:41sobre a esfera produtiva e aí sobre todos os desdobramentos,
08:45incluindo a inflação e outros desdobramentos também.
08:48Mas esses movimentos, eles são parte do mandato do Banco Central.
08:53Acho que é isso que é importante mencionar.
08:54E existe esse recurso que pode ser feito.
08:59Não à toa, o Banco Central tem todas essas reservas
09:02sob a sua égita e faz a gestão delas.
09:04Então, é um recurso, sim, utilizado pelo Banco Central.
09:07Mas, mais uma vez, eu acho que a minha preocupação fundamental aqui
09:10é deixar tranquilo o investidor quanto a eventuais intervenções no câmbio
09:15para sustentar de uma forma artificial um nível que não é o...
09:22que é mantido pelo mercado, que seria justo pelo mercado.
09:25Mas é simplesmente para dar fluidez e segurança para esse mercado.
09:29Então, acho que o meu ponto aqui é trocar a âncora, né?
09:31E afastar essa ideia de que existe uma intervenção deletéria
09:35e mostrar que esses mecanismos e esses recursos, eles existem
09:41e eles estão sendo bem utilizados pelo Banco Central
09:43como foram ao longo dos últimos anos.
09:46É, acho que até trazendo aqui um pouquinho, né?
09:48Houve momentos quando você fez a escolha pelo câmbio fixo
09:51e aí, sim, é o câmbio fixo sendo uma âncora.
09:53Você, na verdade, não tem oferta e demanda necessariamente
09:57de dólares na economia que garantam que esse câmbio seja permanente.
10:00Aí, quando entram, você tem que artificialmente manter
10:03aquela valorização que não é o padrão que se vê agora, né?
10:07Mas, assim, deixando um pouco de lado esse risco,
10:09considerando aí a sua fala,
10:11queria te perguntar sobre tendências,
10:12porque o dólar internacionalmente,
10:14ele tem sido, está demarcando aí desde o governo Trump
10:18uma certa insegurança,
10:21não sendo mais uma moeda, inclusive, na crise agora mais recente,
10:24não é a moeda para onde se foge tão rapidamente,
10:27como era antigamente.
10:27Você tinha uma valorização do dólar em momentos como foi agora
10:30o confronto entre Israel e Irã?
10:32Isso não aconteceu.
10:34Na tua opinião, isso é um processo lento,
10:36mas você acha que ele veio para ficar?
10:37Ou seja, existe uma certa tendência mesmo
10:40de diversificação de moedas,
10:41de uma relação de câmbio que aí até favoreceria
10:44um espaço mais diversificado
10:45de relação comercial para o Brasil?
10:48Olha, eu acho que o dólar,
10:51ele continua sendo a principal moeda global.
10:53É a moeda onde são precificadas todas as transações.
10:57E hoje não existe outra moeda no mundo
11:00capaz de ser o substituto do dólar.
11:03Então, essa variação que nós temos visto ao longo do ano,
11:07que surpreendeu o mercado de modo geral, né?
11:09Todo mundo esperava que o dólar fosse ficar mais pressionado.
11:13Ela tem raízes em uma conjuntura econômica per se.
11:19Quando a gente fala em termos de nível de atividade,
11:21em termos de inflação,
11:23que ela tem se mostrado menos nociva
11:25do que inicialmente imaginado.
11:28Por quê?
11:28Porque quando Trump assumiu a presidência dos Estados Unidos,
11:32o receio muito grande sobre os impactos tarifários
11:35em termos inflacionários, ele existia.
11:39Então, esperava-se que você também tivesse uma necessidade
11:43de uma política monetária muito, muito dura
11:45por parte dos Estados Unidos
11:47para contornar essa inflação.
11:49A política monetária dos Estados Unidos,
11:51ela continua, de certa forma, dura.
11:52Mas os impactos inflacionários,
11:54eles não têm se mostrado tão nocivos
11:57e tão intensos como o mercado esperava.
11:59Então, o dólar acaba sendo a variável de ajuste
12:02desses movimentos, né?
12:04Tem mais a ver com os impactos na esfera inflacionária
12:08dessas medidas esperadas
12:10versus os seus resultados efetivos
12:12do que com, eventualmente,
12:15um esvaziamento do dólar
12:16como uma moeda,
12:18a principal moeda global nesse momento.
12:20Até porque, mais uma vez,
12:21outros mercados e outras moedas
12:22não têm necessariamente a condição
12:24de absorver o que o dólar absorve hoje.
12:26Agora, falando em termos estruturais,
12:28extrapolando isso para o médio e para o longo prazo,
12:30acho que a gente passa, sim, por um momento
12:33em que é de transformações estruturais
12:36que o mundo começa a observar
12:39outros países, outras moedas
12:42e tentar reduzir o seu risco
12:44e a sua participação no dólar
12:46e trazer essas outras moedas
12:48para dentro do jogo, né?
12:49Trazer esses outros mercados
12:51para dentro do jogo
12:51para que se possa ter, efetivamente,
12:54transações e movimentos
12:56com base em outros mercados
12:58e outras moedas
12:58para que não se tenha uma dependência
13:00tão grande do dólar.
13:01Porque depender, mais uma vez,
13:02isso vale para dólar,
13:03isso vale para uma economia,
13:04isso vale para investimento.
13:06Depender sempre
13:07de um tipo de investimento,
13:08de um tipo de moeda,
13:10de um tipo de transação,
13:11isso acaba sendo muito nocivo, né?
13:14Então, essa ampliação,
13:16tirando os Estados Unidos, né?
13:19Ou reduzindo um pouco
13:20o papel dos Estados Unidos
13:22como principal moeda
13:23e como principal
13:23entre do mercado financeiro
13:25e do mercado produtivo global
13:27nesse aspecto,
13:29acaba ganhando muita projeção
13:31nesse momento.
13:33Carla Genta,
13:34muito obrigado
13:35pela sua participação aqui no Agora,
13:37bom tê-la aqui
13:37com as suas análises,
13:39com o seu olhar,
13:40esse debate importante
13:41e interessante
13:42sobre o mercado de câmbio,
13:44também as ferramentas
13:45e estratégias
13:45do Banco Central
13:46para atuar na liquidez
13:48desse mercado.
13:49Obrigado, viu?
13:50Um ótimo dia para você.
13:52Muito obrigado,
13:52o prazer foi meu
13:53e até a próxima.
13:54Tchau, tchau.
13:55É, tchau, tchau.
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