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No Só Vale a Verdade, Marco Antonio Villa conversa com Maílson da Nóbrega sobre como a polarização política dificulta as reformas econômicas necessárias para o desenvolvimento econômico do Brasil. O ex-ministro relembra momentos cruciais em que ajustes fiscais foram decisivos e faz um paralelo com os desafios atuais. Ele alerta que as rivalidades políticas terão que ficar de lado em meio ao risco de uma crise iminente.

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Transcrição
00:00É gravíssimo, né, que nós estamos passando. Inclusive agora com a questão do IOF, o ministro da Fazenda
00:05apresentou a situação falando, olha, nós precisamos desses 20 bilhões de reais, de qualquer jeito,
00:11caso contrário, apresentou um cenário catastrófico. A questão que se coloca é o seguinte,
00:17evidentemente o teatro onde essa questão tem de ser discutida e resolvida é o Legislativo,
00:22é o Congresso Nacional, que não parece, salvo engano, ministro, não sei se eu estou enganado,
00:27é muito adequado a enfrentar essa discussão. De um lado, porque a qualificação dos parlamentares
00:35não é das melhores, nós temos uma das legislaturas, acho que pior da história republicana.
00:41Por outro lado, o clima de polarização impede uma discussão técnica e política, né,
00:47e não é através do fanatismo de um lado ou de outro que vai se enfrentar,
00:51enfrentar a questão técnica e política. E tem o ano eleitoral em 26, já tem o deputado
00:56pensando em ser governador ou senador, o senador querendo ser governador,
01:00querendo eleger a mulher, o filho, o tio, e assim vai.
01:04E o senhor que, vivendo lá em Brasília, é muito melhor do que eu, sabe essa questão.
01:07Então, como é que nós vamos fazer? Se o governo fecha os olhos para essa questão,
01:12também por razão de, em 26, porque o presidente Lula pretende ser candidato à reeleição,
01:17já externou isso publicamente.
01:18O Congresso Nacional não está muito afeito a essa discussão.
01:23Ah, nós, e aí o Raimundo Faoro, lá nos doutros do poder, tem muita razão.
01:27Nós temos o Estado patrimonialista, interesses quase que petrificados,
01:31como o senhor lembrou, que não desejam mudança.
01:33Como é que nós vamos, vai chegar um momento que nós vamos ter um encontro com a verdade,
01:38uma espécie de só vale a verdade. E aí?
01:40Olha, se você olhar a história recente do país, pelo menos de 64 para cá,
01:47todos os grandes processos de reformas estruturais que mudaram instituições,
01:53que criaram condições para o Brasil crescer mais,
01:56eles ocorreram em momentos de crise muito grave.
01:59Por exemplo, a crise de 64, que foi a crise do João Goulart e o golpe militar daquele ano.
02:05Tudo isso gerou o ambiente de um governo autoritário,
02:11mas com o apoio do Congresso para aprovar uma série de reformas institucionais.
02:16Nesse período, em três anos, aprovou-se a reforma tributária,
02:21a criação do Banco Central, a reestruturação do sistema financeiro,
02:26a lei de mercado de capitais, a lei do crédito rural,
02:29enfim, um conjunto de medidas que geraram ganhos de produtividade expressivos,
02:36que foram a base do chamado milagre econômico.
02:39Embora Delfim nunca tenha aceito essa expressão,
02:42porque ele dizia com razão que milagre é efeito sem causa.
02:45Aí você vê, para o segundo momento, é o do plano real,
02:49que é a crise inflacionária que o antecedeu,
02:52depois de várias tentativas fracassadas de solucionar o problema grave
02:56do processo impar inflacionário.
02:59E as reformas apareceram como necessidade de preservar o plano real.
03:05Havia sempre aquele receio.
03:06Será que ele vai dar errado também?
03:08Era um mote.
03:10Para o plano real não dar errado, nós temos que fazer reformas.
03:13E tínhamos um presidente com grande capacidade de articulação,
03:16experiência, mobilização da sociedade e do Congresso.
03:21E uma sociedade muito favorável a essas medidas.
03:24E o Congresso, dirigido por grandes líderes,
03:27o filho do Antônio Isaias Magalhães, o Eduardo Magalhães,
03:34o Sarney no Senado, enfim,
03:39aprovou-se a lei de responsabilidade fiscal,
03:42negociou-se a dívida de estados e municípios,
03:46que deu lugar a privatizações no âmbito dos estados,
03:49de saneamento, sobretudo de energia elétrica.
03:52Quase todos os bancos estatais, estaduais,
03:57que eram um câncer no sistema financeiro brasileiro,
04:00só sobraram três.
04:01O resto foram todos extintos ou privatizados.
04:04Foi um grande ganho na gestão financeira orçamentária do país
04:08e da política monetária.
04:09E o terceiro momento foi o do presidente Temer.
04:13O presidente Temer fez em dois anos de mandato,
04:17pouco mais do que isso,
04:18um conjunto amplo de reformas.
04:19Inclusive, a principal delas foi a reforma trabalhista,
04:23que foi muito importante e até hoje tem efeito na economia.
04:29Então, eu acho que pode ser esse momento.
04:32E uma característica desses três momentos
04:35é que havia o diagnóstico, propostas de ação, projetos.
04:43Por exemplo, no primeiro caso,
04:45que foi do início do regime militar,
04:48um grupo de empresários de São Paulo
04:50se associou a patentes militares
04:52e eles criaram o Instituto de Pesquisa Econômica e Social,
04:57que se chamava IPES.
04:59O IPES tinha deliberadamente o objetivo de derrubar João Goulart.
05:03No fundo, era isso que eles queriam.
05:06E alguém deve ter perguntado,
05:08se a gente tirar o João Goulart, o que a gente faz?
05:12A gente tem que saber o que fazer.
05:14Então, eles contrataram economistas, advogados, engenheiros.
05:18E desses estudos surgiram as propostas
05:23que basearam o programa econômico,
05:27o programa de ação econômica do governo, o PAEG.
05:30E o PAEG foi feito rapidamente
05:33pelo Roberto Campo, pelo governo de Bulões,
05:36mas sobretudo pelo Roberto Campo,
05:37porque as ideias já estavam lá.
05:40De lá para cá,
05:41esse volume de ideias,
05:43de propostas,
05:44só fez aumentar.
05:46Surgiram os vários cursos de mestrado,
05:48doutorado no Brasil.
05:49Quantidade de teses
05:51que tem de mestrado e doutorado,
05:53tratando da questão fiscal,
05:55do que fazer no campo administrativo,
05:58do que fazer na educação.
05:59Enfim, dentro do governo tem os seus think tanks,
06:04os seus centros de estudo,
06:06o Banco Central, o IPEA.
06:09E no setor privado,
06:11você tem federações com grandes estudos,
06:14consultorias que fazem estudos.
06:16Então, é uma questão de reunir
06:19pessoas que acompanham tudo isso,
06:22que conhecem,
06:22e fazer um programa.
06:24E, como eu te disse no início,
06:26é uma lista.
06:26Então, nesse ponto,
06:28eu sou otimista, sabe?
06:30Sim.
06:30Porque nós temos
06:31o objetivo
06:33e a proposta
06:35de atingi-lo,
06:36para atingi-lo.
06:37E o que é que falta?
06:40É o senso de urgência,
06:42como os cientistas políticos chamam.
06:43O senso de urgência.
06:45Aquele momento
06:45em que a sociedade se dá conta
06:48que agora não tem mais jeito.
06:51Eu me lembro de uma...
06:54Eu vi outro dia
06:55uma metáfora
06:56de um seito fumante viciado
06:59e que todo mundo vai dizendo para ele,
07:01olha, cuidado,
07:02você está fumando demais, né?
07:04Olha, daqui a pouco vai dar errado.
07:05O homem dele tem um colapso, né?
07:08Os pulmões dele param de funcionar.
07:10E aí,
07:11a família
07:12vai obrigar ele a ir para o hospital.
07:14E ele aceita ir para o hospital.
07:16coisa que ele recusava
07:17antes de ter o colapso.
07:20É mais ou menos
07:20o que eu acho que pode acontecer.
07:22Eu tive a ilusão
07:24nesse rolo agora de IOF, né?
07:27Que nós estávamos chegando
07:28nesse momento.
07:29Porque aquela reunião
07:30depois do almoço
07:31com o presidente Lula,
07:34que saiu todo mundo
07:34falando em reformas estruturais,
07:36reformas estruturais,
07:37eu digo, olha,
07:38a reforma estrutural
07:39entrou no discurso político.
07:42Reforma estrutural
07:44era coisa de jornalista,
07:45economista,
07:47advogado, né?
07:48E eu achei que
07:49tinha havido um acordo
07:50nesse sentido, né?
07:51Até escrevi
07:52minha coluna da Veja
07:53no sentido positivo.
07:56Agora vai, né?
07:57E foi uma ducha
07:58da água fria, né?
07:59Porque o Haddad chegou lá
08:01e só levou a mente
08:02e receita, né?
08:03Então,
08:03uma decepção
08:04e provavelmente
08:05ele vai ser derrotado.
08:06O Congresso pode
08:08revogar,
08:10rejeitar
08:10toda a estrutura
08:14do programa
08:16de ajuste
08:16que ele apresentou.
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