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NotíciasTranscrição
00:00Então, nessa ação penal 545-49-5208, continuado o depoimento do Sr. Antônio Falocci Filho,
00:07ainda continuado as perguntas do juízo, ele disse aqui, salvo uma interpretação minha,
00:13que ele teria levado ao senhor uma solicitação de pedido de pagamento de vantagem devida
00:22que teria sido levada a ele pelo Sr. João Vacari, relativamente a essas ondas.
00:30Isso aconteceu mesmo?
00:31Não acredito que não.
00:34Me lembro de outra situação parecida, onde ele me procurou, porque havia pedido,
00:43eu não me lembro de quem, sobre submarinos.
00:47Ele me procurou e perguntou se isso era interesse do governo, do partido, eu falei de maneira alguma.
00:54Ele não queria também mexer dessa forma, porque em todo o meu relacionamento com o Aldebrecht,
01:02nesses anos todos, eles jamais me pediram uma contrapartida e jamais eu dei margem
01:08a que eles pensassem que era possível uma contrapartida vinculada a recursos de campanha.
01:13Jamais.
01:15O Marcelo dizia que para ele também não interessava.
01:18Quem que era o beneficiário dessa solicitação?
01:22Dessa solicitação do submarino?
01:23É.
01:24Ele me deu a entender que era o partido, eu não me lembro a pessoa, mas ele me deu a entender
01:28que era o partido.
01:29E ele me pediu para ajudar a tirar esse assunto da mesa.
01:34Eu falei, com maior satisfação eu faço isso, porque eu sou absolutamente contra qualquer contribuição
01:41vinculada a projetos.
01:42E como que o senhor fez?
01:43Principalmente esse era um projeto internacional, com efeitos complicadíssimos.
01:48Inclusive saiu uma matéria recentemente na televisão, toda recortada sobre isso, em que
01:54ele fala que ele pediu meu apoio para não fazer pagamento e ali está parecendo que ele
01:58fez o pagamento.
01:59E o que o senhor fez daí?
02:01Eu lembro que eu dei algum recado no partido para que, olha, dei algum recado para quem?
02:07Eu não me lembro os detalhes, doutor.
02:08Eu posso me esforçar para fazê-lo, trazer essa história para o senhor, eu trarei por
02:13escrito, pessoalmente.
02:16Se o senhor não lembra nem para quem que era a propina e nem para quem que o senhor
02:20falou.
02:20Não, para quem era, era partido.
02:22Ah, mas quem que era o portador da mensagem?
02:25Acredito, eu posso não estar sendo a verdade.
02:28Normalmente nessa época quem pedia recursos para o partido era o Vacari.
02:32Não tinha outra pessoa pedindo nessa época.
02:38E ele e o Marcelo me procuraram e falaram, olha, tem um pedido aqui vinculado ao projeto
02:44do Silvio Marino.
02:46Sim.
02:46E eu não gostaria de trabalhar assim.
02:49Eu falei, não, você não gostaria e eu não aceito, em nome de governo, de PT, de
02:55quem quer que seja, que isso aconteça.
02:57Se acontecer, eu me coloque absolutamente fora dessa questão, porque você sabe, você
03:03sabe que é assim.
03:04Ele concordou e talvez eu tenha falado com alguém na época, com o próprio Vacari ou com
03:10alguém do partido e falei, olha, não é assim que eu acho que deve proceder.
03:15Isso não foi a única vez que aconteceu.
03:17Algumas vezes aparecia coisa assim, ah, vinculado a projetos.
03:20Eu sempre disse, o Marcelo algumas vezes falei com ele de maneira muito insistente, de que,
03:27porque ele não gostava, mas me dizia a eles que em situações, às vezes, que em situações
03:32que eram difíceis, eu falei, olha, faça o difícil, mas faça direito.
03:37Porque uma coisa, uma grande empresa, com naturalidade, contribuiu com uma campanha.
03:42E quem que era normalmente o portador dessas solicitações de pagamentos ao senhor?
03:46Ao grupo do Ebrecht?
03:50Normalmente, quando eram vinculados a projetos, nunca vieram a mim, foram a ele.
03:57Sim, mas quem que levava isso a ele?
03:58Normalmente tesoureiros do partido da época.
04:02Vacari, mais alguém?
04:04Não lembro de outro caso.
04:06Nesse caso das sondas, também era o Vacari o tesoureiro, mas eu não me lembro do fato.
04:13Eu me lembro do fato do submarino, eu me lembro.
04:17O senhor pode se conhecer, o senhor conhece o José Carlos Ferraz?
04:21Conheço.
04:22Tem alguma... Desculpe, o João Carlos Ferraz.
04:25Qual a sua relação com ele?
04:27Ele, o João Carlos Ferraz, eu conheci...
04:30Eu não sei se eu conheci ele antes de ser presidente da Sete Brasil.
04:34Eu lembro que eu conheci depois, ele me procurou.
04:39E pediu pra falar comigo, eu recebi, eu sabia o que ele fazia, tudo.
04:43E ele, eu entendi, quando ele me procurou, que ele queria ampliar o relacionamento político dele.
04:50Não pediu consultoria, não pediu nada.
04:51Me pediu muitas opiniões.
04:54Me relatou como era a Sete Brasil.
04:56Eu não conhecia, não entendia muito de como eram essas contratações.
05:00Ele me explicou na época como eram.
05:02Já estavam as contratações feitas.
05:05E ele foi me pedir, assim, pra ajudar a ampliar os contatos políticos dele.
05:11Eu entendi que ele queria falar com o presidente Lula, com a presidente Dilma.
05:17Eu falei pra ele, olha, se você tá na Sete, tem relações com a Petrobras,
05:22se você quer ampliar um pouco o seu relacionamento, procure o ministro Guido,
05:27que é presidente do conselho da Petrobras.
05:28Aí você vai ter, ao mesmo tempo, uma pessoa que tem relações com a Petrobras
05:32e é ministro do governo, de uma área importante.
05:35Porque você ficar procurando político, eu não sei se é uma boa...
05:39Uma boa... Eu não daria essa recomendação pra você.
05:42Chegou a tratar com ele dos assuntos, relativos a sondas, contratação?
05:46Não, não.
05:48O princípio seriam as questões do juízo, eu passo ao Ministério Público.
05:51Sem perguntas.
05:53E o assento de acusação tem que ser?
05:56Os demais defensores...
05:58Tem perguntas, gente.
05:59Tem perguntas, assento de acusação?
06:01Sim.
06:01Pode alcançar o microfone, porque...
06:04Durante todo o tempo que o senhor...
06:11É o assento de acusação, na verdade, Petrobras.
06:15Durante todo o tempo que o senhor exerceu os cargos públicos que referiu e de deputado também,
06:23o senhor soube de alguma doação feita pela Odebrecht com a reciprocidade de algum projeto de interesse da empresa?
06:30Da empresa Petrobras?
06:32Não, o interesse é da Odebrecht.
06:34Ah, da Odebrecht?
06:35É, alguma doação...
06:35Você soube de alguma doação?
06:37Sim.
06:38Alguma doação que tivesse como contraprestação...
06:40Uma doação eleitoral...
06:42É...
06:42Que fosse contraprestação a um serviço prestado?
06:45Não...
06:45Ou a um apoio político?
06:47Ou o apoio do governo?
06:48Tá.
06:49Projeto do governo?
06:50Tá.
06:50Não, eu nunca soube.
06:53Nunca soube.
06:54Em relação a Petrobras, menos ainda.
06:57Não, não, não é Petrobras.
06:58Em geral...
06:58O governo, em geral, nunca soube da chamada contrapartida.
07:02Acho que é esse ponto que o senhor quer...
07:04É uma vantagem, né, para a empresa.
07:06É, certo.
07:06Nunca...
07:07Nunca...
07:08Nunca vi discussões nesses termos.
07:10Certo.
07:11Soube agora...
07:12Sim.
07:12Lendo o que está acontecendo.
07:14Os depoimentos, tudo.
07:15Mas nunca tive contato com esse tipo de coisa.
07:19É, segundo...
07:19E nunca me foi solicitado...
07:21É.
07:22Por nenhum...
07:23Nenhum membro da Odebrecht.
07:27Nenhum apoio com promessa de contrapartida.
07:30Nunca ofereci...
07:32Nunca fui solicitado.
07:34Por exemplo, Marcelo...
07:35Assim...
07:36Não preciso dizer o quanto se falava em contrapartidas no Congresso Nacional sobre a MP 460.
07:44Era uma coisa...
07:46Quando eu lhe digo que um assessor liga para o seu chefe e diz
07:50Estou aqui com o deputado Palocci, ele vai votar.
07:53Quando eu acabei de falar que não, você imagina o interesse que está em torno disso.
07:58Então, isso aconteceu intensamente no Congresso Nacional.
08:03Agora, jamais eu recebi da Odebrecht qualquer pedido ou ofereci para a Odebrecht qualquer contrapartida em situação vinculada a Pedro Brás
08:12ou não vinculada a Pedro Brás.
08:14E nesse projeto específico, 460, eu votei contra, mesmo sabendo da importância que ele tinha financeiro.
08:23Aqui era a questão de defender o erário público, o Tesouro Nacional e não o interesse privado.
08:28Agora, considerando a sua experiência parlamentar e política, qual é a razão em si das doações?
08:38Eleitorais?
08:39É.
08:39Por que? Por que as empresas foram a doação eleitoral?
08:49Seria preferível perguntar a cada uma delas, mas assim...
08:53Não, mas o senhor tem experiência política.
08:55O senhor tem experiência política, né?
08:57Eles me perguntam muitas vezes, empresários, me perguntam muitas vezes, como eu faço para doar?
09:01Devo doar? Não devo doar?
09:03Não, não. Por que doar?
09:04Por que doar? Por quê?
09:06Participar do processo democrático. Essa é a questão.
09:08Então, normalmente, empresas como Aldebrecht, por exemplo, aqui está se discutindo muito a relação do Aldebrecht com o PT.
09:14Mas se for olhar ao longo da história, Aldebrecht fez doações idênticas ao PT, do PT e ao PSDB, e muitas vezes superiores.
09:24E agora ficamos sabendo recentemente que ela fez doações para candidatos nanicos atacarem o PT.
09:31Então, assim, eu soube pela televisão, nunca, sabe...
09:34E assim, tiveram a disfarçatez de dizer que pagaram, no caso, o pastor Everardo, pelo cálculo que fizeram que ele seria presidente da República.
09:44Isso foi aceito nos autos de uma colaboração premiada.
09:48Então, quer dizer, nada contra o pastor Everardo, a pessoa que eu respeito muito, mas meu neto sabia que ele não seria presidente da República.
09:58Acho que os nossos netos todos aqui sabiam.
10:01Mas isso passou como uma informação substancial de uma colaboração premiada.
10:08Então, quer dizer, cada um tem suas razões.
10:10Esse doou porque calculou, no centro de cálculo político da Aldebrecht, que o pastor Everardo seria eleito presidente da República.
10:19Eu fiquei estarecido quando eu vi isso, mas passou na televisão, passou ele falando, ninguém contou para mim, passou falando.
10:26Então, eu fiquei muito chocado com a capacidade analítica do centro político da Aldebrecht.
10:34Certo, mas é uma questão.
10:35Não.
10:36Os outros defensores têm questões?
10:38Por defesa do próprio atusado?
10:40Sim.
10:45Doutor Antônio Palocci, o senhor se referiu aí, no seu interrogatório, à cerimônia de diplomação da presidente Dilma Rousseff,
10:59na sede do Tribunal Superior Eleitoral.
11:04E o senhor disse que, enfim, o Marcelo registrou no e-mail que o italiano não estava presente.
11:13Dá-se que, depois desta cerimônia solene, desta cerimônia formal, houve um coquetel.
11:21O senhor compareceu a esse coquetel?
11:28Sim.
11:30Quantas pessoas eram um evento...
11:32Um pouco maior que esse evento.
11:34Mas as pessoas...
11:35O senhor, menos chato, as pessoas vão mais...
11:38É um lugar de visibilidade.
11:42As pessoas, todos os presentes, se veriam.
11:44Era uma área do Itamaraty, absolutamente aberta.
11:48Se não me engano, foi no Itamaraty, numa área bem aberta.
11:51O senhor teve qualquer interferência num suposto pagamento realizado em favor do senhor João Santana
12:02e da senhora Mônica Moura como remuneração por serviços prestados, serviços de marketing
12:08prestados em favor da campanha?
12:12O senhor interferiu nesse pagamento?
12:14Eu nunca interferi em pagamentos, na verdade, porque aí seria uma ação indevida minha
12:22dentro de uma equipe de pessoas, companheiras.
12:26O que eu fiz foi ajudar quando foi solicitado.
12:30Normalmente, essas ajudas que eu dava é para reforços.
12:33Nunca foi assim.
12:34Então, me detalhe, o que é essa ajuda?
12:36É recomendar aqui?
12:37É recomendar, por exemplo.
12:39E mais, tinha empresário que me perguntava.
12:40Eu tenho registro no meu celular, que foi apreendido pela polícia.
12:46Em 2014, eu estava no exterior.
12:48Então, tem empresário que me perguntava por telefone.
12:50O que eu faço?
12:51Eu falava, não decida.
12:52Você quer doar?
12:53Doe.
12:53Para quem?
12:54Eu falei, para o tesoureiro.
12:56Quem é o tesoureiro?
12:57Eu falei, está no jornal.
12:58Isso está gravado no meu telefone.
13:00E sobre esses pagamentos?
13:01Eles eram, quando o senhor era solicitado a pedir ao partido que fossem adimplidas essas
13:09obrigações, cumpridas essas obrigações, contratadas em pacto de trabalho, de marketing,
13:16o senhor tinha consciência de que esses pagamentos seriam contabilizados ou não contabilizados?
13:25Eu sempre pedi para a empresa fazerem pagamentos com bônus.
13:30Não tinha motivo, para mim, não tinha motivo de pedir ou de entender que uma empresa precisasse
13:35fazer pagamentos não contabilizados.
13:39Mas, eu preciso aqui dizer a verdade.
13:43Doutora, o senhor sabe que nas campanhas eleitorais do Brasil existiam pagamentos contabilizados
13:50de forma generalizada.
13:52Isso é uma coisa que existia.
13:53Eu não vou ser hipócrita e dizer que nunca vi, não sabia.
14:01Soube de algumas ocasiões em que houve pagamento não contabilizado.
14:06O senhor perguntou, desculpa.
14:08Eu digo de todos os partidos, ou pelo menos dos grandes partidos, isso é uma situação
14:13mais do que óbvia.
14:15E por que isso já?
14:16E conhecida por todos.
14:18E por que?
14:19Quem que optava, segundo essas informações que o senhor recebeu, quem é que optava
14:26por essa forma de recebimento?
14:28Era, digamos assim, eram os comitês das campanhas, eram os prestadores de serviços?
14:32Como é que era isso?
14:34Em geral, assim, eu não posso responder pelos tesoureiros.
14:37Talvez um tesoureiro de campanha possa apresentar esse com detalhe e citar 50 casos.
14:42Como eu não tinha essa prática cotidiana, eu não posso afirmar.
14:47Mas em geral, eu pelo menos, as minhas campanhas não tinha nada a esconder.
14:53Como eu disse, fiz por telefone.
14:55Uma campanha, a parte financeira da minha última campanha, que foi em 2006, fiz por telefone.
15:00Eu não tinha tempo de visitar.
15:01Telefonei para 30, 40 empresários.
15:04Todos estão registrados no tribunal.
15:08Não sei se um dia eu precisasse de caixa 2, não sei o que eu faria.
15:11Porque essa era uma prática absolutamente generalizada.
15:14Mas eu sempre pedi e tive uma boa resposta de empresas quando fui candidato.
15:23E quando apoiava campanhas presidenciais, fiz muito pouco.
15:26Na verdade, fazia reforço e sempre tratava em termos...
15:30Às vezes eu telefonava com o empresário.
15:32Falei, você pode receber o tesoureiro da campanha?
15:34Porque ele está com uma dificuldade, ele te levaria aí os bônus para você poder contribuir.
15:41Fiz por telefone, porque eu não via nenhum segredo.
15:45Um dos eixos.
15:46Mas olha, o doutor me permita.
15:48Nunca fiz isso como ministro.
15:52Jamais pedi um centavo para qualquer empresa como ministro.
15:55Em 2002, eu devo ter falado com alguns, não era ministro.
15:59Em 2006, não era ministro.
16:01Ele tinha deixado o ministério.
16:03E alguma vez houve solicitação de contrapartida?
16:07Ou oferta de contrapartida?
16:10Olha, doutor, no Congresso, no Ministério, não.
16:14No seu, em relação à sua conduta, doutor.
16:18Eu pedindo?
16:19Não, eu acho que contrapartida é corrupção.
16:23Tem nome bem definido.
16:26Quer dizer, que o senhor jamais...
16:27Jamais pediria isso.
16:29E acho, eu defendo um relacionamento, isso eu disse publicamente, converso com empresas
16:34sobre isso, porque as empresas, como eu disse, me perguntam, eu digo, olha, faça um relacionamento
16:39transparente.
16:40Eu acho que se a lei fala que as empresas devem contribuir, hoje não mais, mas fala que
16:46as empresas devem contribuir, faça transparente.
16:47Alguns perguntavam para mim se deveriam dar para outros candidatos que não o meu candidato.
16:52Eu sempre falei que sim, que achava que devia dar.
16:55Assim, participar da democracia é fazer uma doação aberta.
16:59Bem a propósito, a Odebrecht doou também para o principal opositor da então candidata
17:06Dilma Rousseff nesta campanha de 2010?
17:09O senhor tem conhecimento?
17:11Tenho certeza disso.
17:12Tenho certeza disso.
17:13Não, assim, por ler no jornal, porque eu não tenho, mas o próprio adversário não
17:17nega.
17:18E o senhor teve notícia em relação a quem a Odebrecht contribuiu mais, se foi o candidato
17:25do seu partido?
17:26Algumas ocasiões eu vi até essa discussão mostrando que com o adversário do candidato
17:31do PT a contribuição era maior.
17:33Agora, recentemente, soube que também financiava, a empresa financiava adversários para fazer
17:39um trabalho específico, contrário ao PT.
17:41Isso eu não sabia, eu fiquei sabendo pela televisão recentemente.
17:45Um dos eixos da acusação nestes autos é uma planilha que é apócrifa, não é assinada
17:52por ninguém, não é autenticada, mas em cujo corpo estão lançados alguns apontamentos
17:59relativos às cifras.
18:01O senhor chegou alguma vez a ter conhecimento dessa planilha?
18:06Não.
18:07Alguma vez lhe foi exibida esta, ou tentaram exibir esta planilha ao senhor?
18:12Não, tentaram não sei, mas nunca foi exibida.
18:16O senhor nunca tomou conhecimento?
18:18Tomei.
18:20Quando?
18:21Por quê?
18:22Teve um evento, tomei conhecimento, nunca vi a planilha.
18:30Em final de 2010, acho que um pouco antes da eleição,
18:37eu anotei um dado aqui, que eu não quero perder as datas,
18:46a Odebrecht fez chegar ao presidente Lula,
18:52se não me engano era um pouco antes da eleição de 2014,
18:56a Odebrecht fez chegar ao presidente Lula,
18:58que havia, além daquilo que tinha sido comprometido na campanha,
19:02já comprometido como? Explique a natureza.
19:07Comprometido formalmente, contribuição, na campanha,
19:11que havia ainda uma provisão.
19:16Aqui eu posso falhar em termos de valores,
19:18porque faz muito tempo, mas havia ainda uma provisão
19:21em torno de 200 milhões de reais.
19:23Isso chegou ao presidente Lula, não diretamente, mas chegou a ele.
19:29O presidente Lula me procurou, me chamou,
19:31porque essa pessoa falou que eu deveria saber disso.
19:35O presidente Lula me procurou, surpreso,
19:38surpreso, estranhando.
19:43E disse, olha, eu nunca tive conversa desse tipo,
19:46não foi uma conversa direta, ela chegou a mim,
19:49e eu queria entender o que está acontecendo,
19:52o que é isso, do que se trata.
19:54Achei ele um pouco irritado, uma coisa.
19:58E eu também fiquei muito surpreso com provisão.
20:04Aí fui ao Marcelo, procurei o Marcelo,
20:07falei, Marcelo, aconteceu isso.
20:09Eu conheço a empresa há mais de 10 anos,
20:12jamais tratamos a relação do governo com a empresa
20:17a partir de provisões.
20:20O que aconteceu, você sabe, com seu pai,
20:24com Pedro Novis, foi que os tesoureiros de campanha
20:27foram buscar apoio, tiveram apoio.
20:29Isso foi registrado.
20:31Dizem que algumas coisas não foram registradas.
20:34Agora, isso se trata de doação de campanha,
20:37época de campanha.
20:39Nesse momento, o Marcelo
20:41tentou construir comigo um entendimento
20:45de que, não, na verdade, isso acontece.
20:48Na verdade, eu lidei em 2009,
20:51ele lembrou em 2009 que ele tinha me falado
20:53de uma provisão para a campanha.
20:55Eu lhe falei.
20:58E a gente trabalha dessa forma na empresa.
21:01A gente faz provisões para candidatos,
21:04em época eleitoral, etc.
21:06Eu falei, olha, eu gostaria.
21:08Ficou muito ruim para mim, eu falei para ele,
21:10essa situação, porque
21:11primeiro foi falado que tinha uma provisão,
21:15segundo falaram que eu conhecia,
21:17eu nunca conhecia essa provisão,
21:19nunca soube disso,
21:20a não ser aquela da campanha,
21:21que era metade dessa,
21:23menos da metade dessa,
21:25que foi dito.
21:26E eu gostaria que você esclarecesse com seu pai,
21:30ou dissesse quem da Udegreste.
21:38Eu não sei se foi Alexandre,
21:40não sei que pessoa que fez chegar ao presidente,
21:44fez chegar, não falou diretamente com ele,
21:47essa mensagem.
21:50Aí eu disse ao Marcelo
21:52que eu gostaria que se restabelecesse
21:56uma postura diferente em relação a isso.
21:59Fui ao presidente Lula
22:01e disse a ele,
22:03olha, foi um mal entendido,
22:04eu já falei com o Marcelo,
22:06o que está de previsão,
22:08estava com os tesoureiros,
22:09estão cuidando,
22:10não existe nada.
22:13Passados dois meses,
22:16uma pessoa me procurou
22:18com uma conversa muito estranha,
22:21um empresário,
22:23querendo saber de coisas
22:26de contribuição de campanha,
22:28de ambientes eleitorais,
22:30de como a gente lidava com isso.
22:32E ela pensou a minha amiga,
22:33eu achei uma conversa um pouco estranha,
22:36inconveniente,
22:38mas ele também foi muito cuidadoso,
22:40não poderia nem dizer que ele foi
22:41inconveniente,
22:43mas não foi desrespeitoso,
22:45vamos dizer assim.
22:46mas ele percebeu que eu
22:49rechacei esse assunto,
22:51ele parou,
22:52parou o assunto.
22:53Só fui entender o que ele queria um mês depois,
22:56quando um banqueiro me procurou.
22:59Um banqueiro me procurou e disse,
23:03olha, eu estou aqui
23:04mandatado por uma pessoa do governo
23:09e eu quero dizer que eu vou cuidar das coisas relativas
23:15ao financiamento de campanha,
23:18a reserva,
23:20a provisões,
23:23a mesma palavra lá de trás,
23:26a provisões,
23:27então eu queria saber se você pode me ajudar nisso.
23:29A presidente Dilma sabe que você está em um lugar público,
23:35e essa pessoa também era meio conhecida,
23:37eu recebi,
23:38achando que era o assunto completamente...
23:40Desculpe, o que isso tem a ver com o grupo Odebrecht?
23:43Vou chegar lá,
23:44só mais uns 30 segundos.
23:46Ah, desculpe.
23:48E aí,
23:51essa pessoa foi direta,
23:53eu perguntei se a presidente Dilma sabe que você está aqui,
23:56ele falou não,
23:56mas eu estou aqui em nome de uma autoridade
24:00de primeiro escala no governo,
24:02eu pediria ao senhor não declinar o nome nesse momento,
24:05mas se o senhor quiser,
24:06em sigilo,
24:07eu lhe falo a hora que o senhor quiser.
24:10E eu prefiro não dizer porque essa audiência é pública,
24:13nem o nome da pessoa também que me procurou,
24:16porque eu não quero causar mal-estar onde não é necessário,
24:19mas fico à disposição de Vossa Excelência
24:22no momento que o senhor achava adequado,
24:25pode ser inclusive depois dessa audiência,
24:27em sigilo,
24:28eu lhe falo o que o senhor quiser.
24:30Isso aí.
24:31Essa pessoa disse que iria cuidar
24:33de recursos,
24:34desses recursos,
24:35e até aí era muito estranho,
24:40mas eu falei,
24:41você tem que cuidar dos recursos,
24:43se você tem essa autorização,
24:44não sei como funciona isso.
24:47Ele estranhou,
24:48ele achou que eu ia dar a ele um monte de dados,
24:51de situações,
24:52ele estranhou,
24:52eu falei,
24:53não,
24:54não tenho nada para lhe informar.
24:55Aí ele entrou no assunto
24:57provisões do Odebrecht.
24:59Ele falou,
25:00não,
25:00o que eu sei é que ele tinha uma provisão do Odebrecht,
25:03voltando àquela história.
25:04e que eu acho que se você falasse
25:07com o Odebrecht,
25:08a gente poderia capitalizar
25:10esse recurso,
25:11não sei o que.
25:13Eu falei,
25:14olha,
25:14eu acho que quem te informou,
25:16informou errado.
25:17Eu nunca ouvi falar em provisão do Odebrecht.
25:21O Odebrecht é uma empresa que contribui,
25:22você pode ir no TSE,
25:24etc.
25:25Eu não conheço provisão do Odebrecht.
25:27Mas se você é uma grande personalidade
25:31do meio financeiro,
25:32se você procurar Odebrecht,
25:34eles vão esclarecer isso com facilidade.
25:36Não precisa de mim.
25:37Eu não tenho nada a ver com isso.
25:38Eu não conheço esse assunto.
25:40Bom,
25:40esse assunto
25:42deu muita cria,
25:43inclusive nos assuntos relacionados
25:45a Lava Jato.
25:45Mas,
25:46de novo,
25:46peço licença ao senhor.
25:48O senhor tem o direito constitucional
25:52de omitir o que o senhor quiser.
25:53Não,
25:54só peço o direito ao senhor
25:55de não ficar declinando nomes
25:57numa situação que o senhor decide
25:59se lhe interessa ou não
26:01e eu me prontifico a lhe falar tudo,
26:04todos os nomes,
26:05situações,
26:05tudo,
26:06ou a quem o senhor determinar.
26:08Ou a quem o senhor determinar.
26:09Não quero ocupar a sua agenda
26:11que deve ser bastante ocupada.
26:12e porque isso tem desdobramentos
26:14importantes,
26:15inclusive,
26:15em relação ao Debrecht.
26:16Essa questão,
26:18tem mais questões?
26:19Tem.
26:19Ou vocês terminaram a sua resposta?
26:22As respostas eu terminei.
26:24Ok.
26:25O senhor também mencionou aí
26:26uma grande,
26:28uma das grandes empresas
26:29de comunicação.
26:31O senhor pode explicar isso?
26:32Por que essa referência?
26:34O que tem a ver com a
26:34Odebrecht?
26:37Não,
26:37não tem a ver com a Doebrecht.
26:38Na verdade,
26:39o que eu disse é assim,
26:40olhando o cenário de hoje,
26:44parece que vários governos,
26:46não só o governo que eu participei,
26:48todos os governos,
26:49parece que só trabalham
26:50em função da empresa do Debrecht.
26:52E o que eu procurei demonstrar
26:54é que
26:55o primeiro problema que tive
26:58quando sentei na cadeia
26:59de ministros da fazenda
27:01foi o setor da construção civil,
27:03que estava em queda de 7%
27:05num período de crise.
27:06Então, nós fizemos uma legislação
27:08específica para o setor
27:09de incorporação imobiliária.
27:11O senhor sabe que
27:12o empresário da construção civil,
27:13se o senhor mostrasse
27:14uma nota fiscal para ele,
27:15ele ia perguntar
27:16se era de comer ou de beber,
27:17até recentemente.
27:20O setor de frigorífico
27:21e setor de construção civil...
27:23Mas assim,
27:23acho que tem que ficar
27:24na questão do Odebrecht.
27:25Eu vou chegar lá
27:27só para fazer um comparativo.
27:30Então, nós fizemos um projeto
27:33como fazer para formalizar
27:35a construção civil,
27:36dar apoio a eles
27:37e ao mesmo tempo
27:38ter recursos para o governo.
27:40Eu procurei saber
27:42os custos incorridos
27:43em sonegação fiscal,
27:44porque a sonegação
27:45era brutal nessa época.
27:48E uma consultoria me informou,
27:50estudou e me informou
27:51que o custo da sonegação
27:52nesse setor era de 7%.
27:54Então, nós reduzimos
27:56o tributo das obras
27:58de construção civil
27:59a 7%,
28:00de forma que a partir de 2004
28:03só não paga tributos
28:05na construção civil
28:06quem for sonegador
28:07quanto mais
28:08por doença...
28:10...pensão.
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