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NotíciasTranscrição
00:00Então, nessa ação penal 505-49-32-38, continuidade de depoimento do Sr. Antônio Palaccio Filho.
00:09Falávamos sobre o seu relacionamento com o grupo Odebrecht.
00:12A partir dessa fase de 2003, quando o Sr. era ministro da Fazenda, ou mesmo mais adiante,
00:17quando o Sr. era deputado federal e depois ministro chefe da Casa Civil,
00:20o Sr. mantinha contatos frequentes, por exemplo, com o Sr. Marcelo Odebrecht?
00:24Depende da época, por exemplo, no período em que eu era deputado, sim,
00:29porque, se você deve imaginar, os deputados ficam expostos,
00:34as empresas estão presentes o dia inteiro nos salões do Congresso.
00:39Então, tinham reuniões marcadas e centenas de reuniões que se fazem na correria do dia a dia.
00:46As empresas têm presença constante no Congresso Nacional.
00:51Então, nesse período de deputado, tem que ter grande disponibilidade,
00:56ele está preso, está numa atividade direta de relacionamento com o público, com pessoas,
01:02com lideranças empresariais, com lideranças sindicais.
01:04Isso é uma coisa diária e permanente.
01:08No período de ministro, muito pouco.
01:12Por exemplo, quando eu fui ministro da Fazenda, eu não me lembro de ter tido nenhuma reunião com o Marcelo Odebrecht.
01:18Não me lembro, não estou negando, posso até ter tido, mas não me lembro de ter tido nenhuma.
01:24A primeira reunião que eu tive com a Odebrecht, como ministro da Fazenda,
01:30foi com o José Carlos Kubrzinski, que era presidente da Braskem.
01:34Naquele período, o Brasil estava numa crise econômica muito grande,
01:38e a Braskem, numa crise econômica muito grande também,
01:41ela precisava lançar bônus denominados em euros e dólar no exterior.
01:49E naquele momento, o risco do país estava enorme, os juros estavam enormes,
01:53e o custo de captação externa das empresas estava proibitivo.
01:57Então, ele me visitou para dizer, olha, me conte uma história
02:00de que o Brasil vai se recuperar para eu contar no exterior,
02:04porque se eu não contar uma história crível, eu não consigo vender um papel da empresa.
02:09Então, ele foi duas vezes lá, com uma preocupação estritamente técnica.
02:14No período que o senhor foi ministro, chefe da Casa Civil, em 2011,
02:19o senhor teve encontros com o Marcelo Odebrecht?
02:21Provavelmente, no período, provavelmente.
02:23Não frequente, porque a minha atividade não permitia,
02:26era uma atividade muito intensa, mas provavelmente sim.
02:30No período que o senhor foi deputado, o senhor mencionou que o senhor teve encontros.
02:33Aí foi mais frequente, porque...
02:35O seu interlocutor no grupo Odebrecht era o senhor Marcelo Odebrecht?
02:38Era mais o seu Emílio Odebrecht.
02:40Mais o Emílio.
02:41E o Marcelo?
02:43O Marcelo também.
02:43O Marcelo me procurava, mas, como eu disse,
02:46o Marcelo, ele trabalhava intensamente sua pauta, tudo.
02:51Ele teve comigo uma, se eu quiser, uma descrição objetiva,
02:55para ele sair da teoria, ou para eu não cansá-lo.
03:01Ele teve comigo intensamente na discussão da MP460.
03:08Era um assunto espinhoso, delicado, complicado,
03:14que diz respeito a uma coisa chamada crédito de IPI de exportação.
03:18Isso foi dado no passado para os empresários.
03:22Era um crédito alto, era 10% de IPI da exportação,
03:26era dado como crédito para as empresas.
03:29Isso eram valores bilionários.
03:31Depois de um momento, quando o Brasil arrumou a sua economia,
03:34isso foi extinto, em 1990, me parece.
03:37E todas as grandes empresas estabeleceram uma tese jurídica
03:43de que isso não estava extinto, por alguma razão que o Céus explicava.
03:47E o que o Marcelo pedia ao senhor?
03:51Ele me pedia, ele sabia que eu liderava um movimento contra o retorno desse imposto.
03:59Eles queriam validar o imposto, anular a anulação desse imposto ocorrido nos anos 90.
04:04Significava não só retomar o imposto para o presente e o futuro,
04:08como reconhecer um passivo extraordinário das empresas,
04:13porque as empresas não pararam de se acreditar desse imposto.
04:16Eu já entendi disso.
04:16Você entendeu?
04:17Elas, apesar de ser extinto, as empresas colocavam no seu balanço como ativo.
04:23Sim, eu estou familiar com o assunto.
04:24Então, eu disse a ele, categoricamente, que eu não poderia jamais apoiar essa medida
04:33por dois motivos.
04:34Primeiro, porque eu era totalmente contra ela.
04:36Segundo, que a minha posição ali era muito decisiva para o processo,
04:45porque na bancada do meu partido, do PT, eu tinha os temas econômicos,
04:51eu era muito consultado, vamos dizer, até decisivo.
04:54E se eu adotasse uma posição favorável a esse projeto, o PT era o único partido,
05:02com alguns aliados mais afetos à questão do erário público, vamos dizer assim,
05:09com alguns aliados mais rígidos nessa questão, o PT era um dos poucos partidos que estava resistindo a essa medida.
05:16Essa medida, para você ter uma ideia, envolvia valores de mais de 100 bilhões de reais.
05:19Então, eu disse ao Marcelo, repetidas vezes, que eu não podia apoiá-lo.
05:25Eu recebi com educação, evidentemente, mas eu disse diversas vezes a ele que eu não podia apoiá-lo
05:31e disse a ele que se fosse aprovada a medida, eu trabalharia para que ela fosse vetada.
05:39A pressão no Congresso foi de tal ordem que um dia um assessor de uma grande federação
05:45veio à minha frente, pediu meu apoio à medida, eu disse, não vou apoiar, não posso apoiar.
05:50Ele telefonou para o presidente dessa federação, falou, estou aqui com o ministro Palocci,
05:56ele garantiu o apoio a essa medida para nós, desligou o telefone.
06:00Eu falei, escuta, eu acabei de dizer que não vou votar.
06:05Não, deixa assim que depois a gente resolve.
06:07Então, era assim que as coisas...
06:09Depois eu tive que ligar para essa pessoa, para esse líder, falar, olha...
06:12Ele, depressando depoimento aqui, salvo engano de interpretação minha,
06:16mencionou que teria tratado com o senhor, conversado sobre o refis da crise...
06:22Não, o que aconteceu?
06:23Essa medida, portanto, foi votada, foi aprovada amplamente no Congresso
06:29e eu, particularmente, sei que também o ministro Guido Mantega
06:34trabalhamos junto ao presidente da República para vetar essa medida.
06:36Semanas depois, o Supremo Tribunal Federal chamou o processo
06:43e decidiu que esses valores deviam ser devolvidos,
06:46os valores retidos pelas empresas deviam ser devolvidos
06:49e que esse crédito de IPI de exportação não existia mais.
06:55E aí, no refis da crise, se propôs o parcelamento do pagamento dessas obrigações.
07:04Então, saímos de uma situação onde as empresas não queriam pagar imposto
07:08e fomos para uma situação onde o governo...
07:10Aí eu não participei disso, não tinha minha participação, não tinha muita relevância nisso,
07:15era uma questão de governo organizar como seria o pagamento,
07:19em quantas parcelas seria o pagamento dessa obrigação.
07:21E o senhor não tratou com o senhor Marcelo Debreche sobre esse assunto?
07:24Ele mandou e-mails para mim, querendo discutir detalhes,
07:27eu falei para ele, olha, esse assunto aí já é um detalhe técnico
07:31que tem que procurar o ministro da Fazenda.
07:34Ele se espantou muito comigo quando eu votei contra a medida 460.
07:38Ele falou que não tinha entendido porque eu tinha votado contra.
07:42Eu tinha falado pelo menos umas 17 vezes para ele que eu era contra a medida.
07:47E sobre esse parcelamento posterior, a sua posição era favorável?
07:51Eu acho que precisaria, eu estou sem acesso à internet, precisaria ver a minha posição,
07:56mas ali eu acho que não teve nenhum voto contra, acho que foi até votação simbólica,
08:00porque na verdade houve a crise econômica de 2008, metade das empresas brasileiras
08:05já eram perto de quebrar por causa do outro problema, que foi os derivativos cambiais,
08:13então se fez aquilo para salvar um grupo enorme de empresas.
08:16Então essa votação, se não me engano, pode ter sido inclusive simbólica,
08:21porque era uma coisa assim, vamos organizar, parcelar o pagamento.
08:25Ali não estava se fazendo bondades nenhuma, estava se fazendo, viabilizando uma forma
08:30das empresas poderem pagar, senão ninguém ia pagar.
08:32No fundo ninguém ia pagar e ia ter uma perda de ativos e empregos extraordinária.
08:36Salvo engano também de interpretação minha, ele disse que teria discutido com o senhor
08:40sobre uma ampliação de crédito, uma linha do BNDES em Angola.
08:45Provavelmente ele tocou nesse assunto comigo, mas eu sempre disse isso não só para ele,
08:50como para todas as empresas, que eu jamais iria discutir com o BNDES qualquer crédito.
08:56Não era meu papel, nem como deputado, nem como ministro, discutir créditos do BNDES.
09:03A única situação que eu discuti com o BNDES créditos foi em situações de empresas
09:08que iam entrar em falência, que eram empresas de grande porte no Brasil,
09:14e cuja falência poderia significar uma fila de falências de muita repercussão.
09:21Por exemplo, quando nós assumimos o governo em 2002, isso aconteceu com a Varig, por exemplo.
09:25Confesso ao senhor que fiz reuniões para tentar salvar a Varig, inclusive na sala da presidência do Supremo Tribunal Federal.
09:32Mas não precisa entrar em detalhamento.
09:34Ou seja, aí conversamos com o BNDES, com todas essas situações, eu sim, eu falava ativamente com o BNDES,
09:44esse foi o caso da, principalmente da Varig e de outras empresas,
09:50empresas da área de comunicação tiveram problemas sérios nesse período,
09:56inclusive algumas empresas declarando default nos seus compromissos externos.
10:01Quando o senhor se encontrava com o senhor Marcelo Odebrecht, onde que davam esses encontros pessoais?
10:08Depende da situação, quando eu era ministro, no ministério.
10:11Mas isso acho que foi muito poucas vezes.
10:13Quando eu era deputado.
10:15Quando eu era deputado, me lembro que fui na empresa uma ou outra vez, que ele ia no Congresso.
10:22Nós raramente íamos jantar, ou tínhamos encontros sociais.
10:26Normalmente eram encontros de trabalho rápidos.
10:28Na sua empresa também ele ia?
10:30Na minha empresa ele ia também.
10:31Onde que ficava você?
10:32Minha empresa primeiro ficou na Alameda Lorena, depois na Alameda Ministro Rocha Azevedo.
10:41Então quer o endereço detalhado ou não?
10:44Não, não, não.
10:44No processo aqui tem, por exemplo, uma referência nas folhas 49, não, desculpe, 122, 48, 49 do processo,
11:00de um encontro que o senhor teria tido com ele numa sexta-feira em 18 de 6 de 2010.
11:07Tem uma referência nessa, na agenda dele, a localização é o Dourado.
11:15O Dourado era onde era a sede da empresa.
11:19A empresa?
11:20Da Alameda.
11:21Eu acho que chamava Shopping Eldorado e tinha uma torre comercial lá.
11:27O senhor teria, foi algumas vezes, alguns encontros que o senhor foi nesse local?
11:32Nesse endereço, isso.
11:36Isso foi numa sexta-feira esse encontro.
11:39Não sei se o senhor vai se lembrar de memória.
11:53Lembra dessa data em particular, desse encontro em particular?
11:56Encontro em particular não, mas dos assuntos em geral eu lembro.
12:00Dos assuntos, mas de data, de momentos não.
12:03Ele faz uma referência aqui, aparentemente, a essa linha de crédito de Angola.
12:10De BNDES?
12:11É.
12:11Não, eu realmente, assim, o senhor pode ter como declaração definitiva minha
12:17que eu jamais fui ao BNDES buscar linha de crédito para qualquer empresa.
12:21Não digo só a Odebrecht, com exceção exclusiva de situações de empresas
12:29que estavam em situação de falência, de default,
12:32que aí sim discutimos com as empresas e com o BNDES possibilidades de salvamento.
12:38Fora isso, que isso nunca foi situação da Odebrecht.
12:41Então, com ela, poderia até ter sido a situação da Braskem em 2002, 2003,
12:46mas a Braskem nunca nos solicitou crédito do BNDES.
12:49Ela até tratava lá, mas nunca me solicitou nenhum apoio para isso.
12:53E não lembro do Marcelo ter me pedido...
12:59Ele sabia que eu não atuava no BNDES, eu já tinha falado várias vezes com ele.
13:02Agora, às vezes, ele insistia em pontos que ele já tinha tratado.
13:06Como foi o caso da OMP 460, ele insistiu várias vezes.
13:11E isso é uma característica, como eu disse, característica da pessoa.
13:14Insistir várias vezes no mesmo ponto.
13:16O senhor fala que não pode fazer determinada coisa.
13:21Dois dias depois, ele está falando a mesma coisa, insistindo na mesma coisa.
13:24Quem sabe, com expectativa de mudança de opinião.
13:27É uma característica.
13:29Um outro suposto encontro que o senhor teria tido com ele,
13:32teria sido uma reunião na presidência da República, em 12 de maio de 2011.
13:39Tem uma referência a esse encontro nas folhas 70 e 71 da denúncia.
13:43que teriam sido discutidos nesse encontro, segundo o senhor Marcelo Odebrecht,
13:51sobre TAV, Aeros, Arena e depois sobre o pré-sal.
13:56TAV, trem de alta velocidade.
13:59O senhor se recorda de um encontro com o senhor Marcelo Odebrecht e com a ex-presidente Dilma Rousseff?
14:05Eu vi isso na imprensa, doutor.
14:07Eu confesso que eu me preocupei em olhar quando eu vi referências a isso.
14:11Eu me preocupei em olhar, procurei a minha agenda, procurei a agenda da presidente,
14:15porque existe acesso a isso.
14:18E não encontrei a minha presença nessa reunião e eu não me lembro dela.
14:24Pode ter havido reuniões com o Marcelo.
14:26Eu não me lembro de reuniões com o Marcelo e com a presidente juntos.
14:30Não me lembro.
14:31Me lembro de várias reuniões com a presidente e de reuniões com o senhor Marcelo.
14:34Na agenda oficial da presidente consta uma reunião com o senhor no dia 12 de maio de 2011.
14:41no mesmo dia.
14:42No gabinete da presidência.
14:44Então, mas não nesta reunião, né?
14:47É?
14:47Não nesta reunião com o seu Marcelo.
14:52Consta a referência na agenda que nessa data o senhor teria se reunido com a presidente em outro horário.
14:58Eu chequei isso.
14:59Eu procurei ver até para lembrar.
15:01Não seria estranha a minha presença na reunião, mas eu realmente não me lembro.
15:06Ele menciona aqui que um e-mail que para todas as arenas, a Eros, Tave, estariam nessa reunião.
15:16Segundo aqui a acusação, diz que estariam Luciano Coutinho e Itália, que seria uma referência ao senhor, segundo a acusação.
15:24Então, tem um outro e-mail que o Marcelo pergunta para o Alexandrino.
15:31Desculpa entrar nesse assunto que até me chateia.
15:34Eu normalmente acho que chateia o senhor também.
15:36Mas tem um outro e-mail que ele fala, Alexandrino, você falou com o Palocci?
15:45Aí o Alexandrino responde.
15:47O senhor tem aí, está no processo.
15:48O Alexandrino responde, sim, falei com o Palocci e ele disse que GM, que eu acho que é Guido Mantegra, e Itália estiveram ontem com o presidente.
15:58Está escrito isso no e-mail do Alexandrino.
16:01Eu achei que Itália, então, eu não sei quem é.
16:05Italiano lá naquele congresso, como no Brasil inteiro, tem milhares.
16:09Então, eu não sei de quem se trata aqui.
16:12Não me lembro dessa reunião, não recordo da reunião.
16:15Recordo de reuniões com o Marcelo, recordo de centenas de reuniões com a presidente, mas não me recordo dessa reunião.
16:21Tave, era um assunto que eu raramente tratava, até porque eu tinha uma posição contrária a esse projeto no governo.
16:28Fui muito atacado internamente por causa disso.
16:32Achava o projeto inviável.
16:32Não sei se eu entendi, o senhor não se recorda de nenhuma reunião com a presidente?
16:36E o Marcelo junto.
16:37E o Marcelo e o senhor juntos?
16:38Não me lembro de nenhuma reunião.
16:40Não estou negando.
16:44Se eu conseguir nas agendas, eu até tomo a iniciativa de ele trazer.
16:48E não seria estranho que tivesse uma reunião assim, mas eu não me lembro.
16:52E Itália tem essa questão que eu não sei se é a mesma coisa que o tal italiano, se não é.
16:58Eu sei que duas vezes que aparece Itália, para mim é estranho.
17:01Em particular, essa vez, do Alexandrino, quando ele diz
17:05Palocci me disse que GM e Itália estiveram com o presidente Lula.
17:11Então fica muito estranho esse negócio.
17:13Não sei se isso...
17:14Aqui ele voltou naquele encontro, lá em 18 de 6 de 2010.
17:18Isso está na folha 8 e 49 do processo.
17:21A defesa tem aí para mostrar, ou eu posso mostrar para ele também?
17:32Tá.
17:34Na folha 49, há uma referência aqui do Marcelo, marcando um encontro com o chefe do Brano Islava
17:45Pontica, na sexta-feira.
17:49Esses e-mails são do dia 16.
17:50Do 6 de 2010.
17:58É a referência aqui ao encontro no dia 18.
18:04De 16 de 2010.
18:07Isso são e-mails trocados com o Sr. Brano Islava, né?
18:11Aí na folha 49, há uma referência a esse mesmo encontro.
18:20Se eu pode olhar o e-mail...
18:24O último e-mail da página...
18:27Amanhã vou estar às 11 horas com o Italiano, tá.
18:32E seria o caso de dizer a ele que com os 700 que estão sinalizando, dificilmente terão
18:36algo.
18:37que se nos autorizassem...
18:39E.B. poderia tentar conseguir 50 de rebate.
18:43Deixa eu ver ver aí.
18:44Amanhã vou estar às 11 horas com o Italiano.
18:46Seria o caso de dizer a ele que com os 700 que estão sinalizando, dificilmente terão
18:50algo.
18:51Aqui se nos autorizassem E.B.
18:53O que é E.B.?
18:54Você sabe mesmo?
18:56E.B.?
18:56É.
18:57Não.
18:58Poderia...
18:59E.B.
19:02Poderia tentar conseguir 50 de rebate com o par de lá.
19:06Desde a par...
19:07É, porque eu entendi isso...
19:10Eu confesso que não tenho a menor ideia dessa.
19:14Marcelo Debrecht tenha dito, seria sobre a linha de crédito.
19:17Linha de crédito do BNDES.
19:18Linha de crédito do BNDES, eu nem marcaria a reunião, porque ele sabia que eu não tratava
19:27desse tipo de coisa.
19:29Me pediu algumas vezes para tratar, eu fui categórico com ele que não trataria, que
19:34não mexia com isso, não era minha atividade, não tinha sentido, não tinha condições.
19:38Não me parece com esses dois, com seus dois inferiços, que eles tratavam o senhor como
19:42do BNDES, dentro da imprensa?
19:44Olha, doutor, eu, de novo, vou lhe falar exatamente como aconteceu.
19:48Quando isso apareceu na imprensa, seis meses atrás, sete meses atrás, eu fiquei em dúvida.
19:53Italiano pode ser eu como 40 milhões de brasileiros.
19:57E procurei na imprensa, na internet, para saber se seria a minha pessoa que ele se referia.
20:06Porque ele nunca me chamou de italiano.
20:07Ninguém na Aldebrecht nunca me chamou de italiano.
20:10E aí encontrei duas situações que para mim comprovam que não se trata de mim.
20:15Uma delas é essa relativa à diplomação da presidente Dilma.
20:24O senhor vê, na foto da diplomação, não tinha mais de 40 pessoas.
20:28E ele, eu estava, tinha fotos minhas na diplomação.
20:32E, evidentemente, ele teria me visto.
20:35Ele faz um e-mail para seus diretores dizendo que eu não estava na...
20:38Italiano não estava na diplomação.
20:40Então, assim, me parece...
20:43É impossível não ver as pessoas que estavam.
20:45Pela foto dá para saber as pessoas.
20:47Entendi.
20:49Uma foto melhorzinha dá para falar o nome e sobrenome de todo mundo.
20:53Na folha 32 do processo ali...
20:55Só se o senhor me permite.
20:56E a segunda foi...
20:58Isso é sobre italiano.
21:00A segunda foi essa de Itália.
21:01Ele, desde que está aí no processo, ele pergunta...
21:04Falou com o Palocci?
21:06O Alexandrinho responde...
21:08Falei com o Palocci e ele me disse...
21:09Eu falei...
21:10O Palocci me disse que Itália e EGM estiveram com o presidente.
21:15Quer dizer, eu não falo em terceira pessoa.
21:17Não tenho esse nível de prepotência.
21:21Então, se eu falei que Itália se reuniu com o presidente...
21:24Itália não pode ser eu.
21:25Eu nunca falei sobre mim me referindo a...
21:30O Palocci falou isso.
21:32Minha mãe me ensinou a não proceder assim.
21:35Entendi.
21:36A folha 32 dessa denúncia tem a defesa aí?
21:3932.
21:41O e-mail...
21:42O último e-mail ali...
21:44Marcelo Daíldebrecht, que o senhor...
21:46Alguma coisa.
21:47Na segunda.
21:47O que o senhor está vendo ali?
21:51Ele diz lá...
21:51Você marcou alguma coisa com o italiano na segunda?
21:53Nossa, você marcou alguma coisa com o italiano na segunda?
21:55Se não, eu vou ligar para o Brânio e eu vou tentar marcar.
21:59Esse e-mail é sobre o IPI, né?
22:02Sobre o quê?
22:03Assunto está ali, IPI.
22:04IPI.
22:05Deve ser o IPI de exportação.
22:082 de maio de 2009.
22:10IPI de exportação, ele certamente conversava com o líder do governo,
22:14com dezenas de deputados, com o relator, com o presidente da comissão.
22:20E o Brânio não é o Brânio Slávio ali nesse e-mail?
22:22Sim, mas o Brânio era assessor meu lá.
22:23Ele pode ter marcado reuniões com outra pessoa, para o Marcelo.
22:27Isso é possível.
22:28Porque o Marcelo, isso ele pedia às vezes para o Brânio, o Brânio me pediu a autorização de...
22:36Pô, fale com o Arlene Chinália, fale com o que era líder do governo, fale com o presidente da Câmara, que era o Marco Maia, fale com...
22:43É peça para me receber.
22:44Isso aconteceu.
22:45Eu falei, ó, pode pedir, não vejo problema.
22:47O senhor chegou a tratar de contribuições eleitorais com o Grupo Debreche?
22:54Cheguei.
22:55Para as campanhas presidenciais?
22:57Sim.
22:58Para outras campanhas também?
23:00Outras campanhas, não.
23:02Só campanha presidencial.
23:05O senhor pode me descrever a essas circunstâncias?
23:07Eu acho que, acredito, eu tentei me lembrar de vir aqui para saber que o senhor ia me perguntar, obviamente, é natural a pergunta.
23:19Eu acredito que a única, a última vez que eu tratei esse assunto com o senhor Marcelo, ou com o grupo, foi na passagem de 2009 para 2010.
23:33É onde estava começando os preparativos da campanha da presidente Dilma.
23:39Eu estive com ele por outro motivo e ele foi ativo, assim, na questão.
23:46Falei, olha, pode dizer, presidente, que nós vamos ter uma participação importante na campanha dela.
23:54Me deu uma dimensão, eu tenho medo de errar aqui, mas ele me deu uma dimensão, querendo ter uma participação importante.
24:01Diga isso a ela.
24:03Eles tinham uma preocupação junto com a presidente Dilma, porque a presidente Dilma tinha tido algumas brigas um pouco ácidas com a Aldebrecht em períodos anteriores.
24:11Então, ele fez questão assim, por favor, diga que nós vamos ter uma participação.
24:16Eu falei, digo, na época certa era virada de 9 para 10, não tinha nem como tratar o assunto.
24:23O assunto passa a ser tratado em junho, né?
24:27Junho, julho, onde oficialmente se constituiu os cometidos.
24:31O senhor tratou de pagamentos, contribuições paralelas, não contabilizadas?
24:36Não, eu nunca tratei, doutor.
24:40Eu nunca operei contribuições, até porque não era a minha função.
24:43Se fosse, eu teria feito.
24:44Mas eu nunca operei contribuições.
24:48Eu sempre dizia para o empresário, olha, atenda o tesoureiro da campanha, atenda, vê se você pode ajudá-lo.
24:55Porque eles me pediam, eu não podia deixar de fazer isso.
24:59Agora, evidentemente, eu pedia recursos para as empresas acreditando que elas iam tratar isso da melhor maneira possível.
25:06Eu falava, inclusive, olha, eu vou falar para o tesoureiro levar os recibos aí, os bônus, para você contribuir.
25:15Eu sempre falei desses termos.
25:17Para o senhor ter uma ideia, na campanha de 2006, que eu resolvi ser candidato 20 dias antes da eleição,
25:23eu fiz a arrecadação financeira por telefone.
25:27Teve duas ou três pessoas que, assim, talvez por não me conhecer, perguntaram se era com o recibo.
25:32Eu falei, por mais que óbvio que eu estou pedindo uma coisa com o recibo.
25:38O senhor chegou a negociar valores específicos de doações com o Grupo Tebreche, para as campanhas presenciais?
25:44Não, valores específicos não.
25:46O senhor chegou a conversar sobre assuntos financeiros da campanha com o senhor João Santana ou com a senhora Mônica Moura?
25:53Sim.
25:54Sim.
25:55O senhor pode me explicar?
25:56Na verdade, o João Santana, eu era responsável por conteúdos de campanha, então a presidente Dilma me pediu na parte de televisão
26:06para que eu visse todos os programas antes de ir ao ar.
26:11Então, isso foi um trabalho que chegou a ser desumano.
26:16Mas eu tinha que ver todos os programas antes de ir ao ar, todo dia, em determinado horário,
26:20e aí, a partir daí, estabelecer uma briga homérica com o João Santana sobre cada frase dita.
26:26Então, isso foi uma coisa...
26:28Mas a parte financeira aqui...
26:28A parte financeira, ele comentou uma vez ou outra comigo, mas não era um assunto da minha pauta.
26:34Ele reclamava, às vezes.
26:36Reclamava e reclamava bastante.
26:37Não está pagando, eu estou com um fornecedor, preciso resolver.
26:41Aí eu ligava para o Felipe.
26:42Ô Felipe, recebo o João, fale com ele.
26:45Isso aconteceu algumas vezes.
26:46Ele declarou aqui que o senhor teria solicitado, certa feita, uma conta,
26:51perguntado se ele teria uma conta no exterior para recebimento de pagamento.
26:54Não, para pagamento, nunca.
26:56Eu nunca operei pagamentos a ele e a ninguém.
26:59E a ninguém.
27:00Posso perguntar se ele tinha uma conta no exterior, numa conversa informal, meio...
27:05Sei lá.
27:06Nunca tratou com ele de pagamentos por fora, a Caixa 2?
27:09Não, não.
27:09Nem com ele, nem com a Mônica Moura?
27:10Nem com a Mônica.
27:12O senhor conhece os outros acusados aqui, o senhor Huberto Silva, por exemplo?
27:15Nunca vi.
27:17O senhor Fernando Migliascio?
27:18Nunca vi.
27:20Luiz Eduardo da Rocha Soares?
27:22Conheci aqui na custódia, nunca tinha visto antes.
27:27O senhor chegou a tratar com o senhor Marcel Debrecht desse assunto relativo a Sete Brasil
27:32e essas sondas, exploração do pré-sal?
27:35Outra vez ele comentou comigo esse assunto, mas nesse caso, diferente de muitos outros,
27:41ele nunca me pediu nada, comentava comigo, vamos entrar na área, ele estava muito em dúvida,
27:49porque é uma área de capital intensivo, pediu minha opinião, eu não falei nada.
27:56Eu falei, olha, o Brasil está querendo nacionalizar as sondas.
27:59Era uma situação, doutor Moura, a excelência vai entender com facilidade.
28:05O Brasil, por ter descoberto o pré-sal, ia contratar 40 sondas e o mundo possuía 100.
28:13Então aí houve um jogo, era um jogo comercial, de grande magnitude, que inclusive eu acho
28:20que ninguém sabe de toda a história e nem deveria saber.
28:24Porque é um jogo comercial que se eu quero contratar 40 de um produto que existe 100,
28:30e eu não falar que eu vou fazer uns 20, o preço triplica em dias, ou em minutos, às vezes.
28:38Então era todo um jogo que o Brasil precisava fazer para que os preços...
28:43Imagina o preço dessa sonda chegou a 500 mil dólares por dia, o afrentamento dessa sonda.
28:49Então se o Brasil falasse, quero 40 das 100 existentes, o preço ia para 1 bilhão por dia, na hora.
28:56Então houve todo um jogo comercial, com segredo industrial, com uma série de questões que eu nem perguntava,
29:03porque não cabia a políticos se meter nisso, não cabia a ministros se meter nisso,
29:09cabia a um jogo de competência empresarial para mostrar ao mundo,
29:14olha, eu vou fazer 30 sondas e eu preciso alugar uma.
29:18Bom, se vai ter 30, aí o preço não pode se mover tanto.
29:23Mas o Marcelo nunca me pediu para interferir nisso, ele sabia, ele conhece esse...
29:28Sim, entendi.
29:29Eu vou te dar um pego ao tamanho do áudio?
29:31Não sei.
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