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Transcrição
00:00Então, prosseguindo aqui na ação 504-65-12-94,
00:08a quantidade de depoimentos do senhor Agenor Frank de Magalhães Peteiros.
00:11E houve destinação para outros partidos políticos?
00:13Bem, então eu estou falando dos 36 milhões que ficou a nosso cargo.
00:16Então, 13 milhões e meio foi determinado pelo líder do consórcio,
00:22depois de uma conversa com o Janeme, que seria para o PP.
00:246 milhões e meio seria para o PSB,
00:28campanha de Eduardo Campos, 2010, ao governo de Pernambuco.
00:34Márcio me apresentou ao Aldo Guedes, na sede da Odebrecht,
00:39que fica nessa torta, anexa ao Shopping Eldorado.
00:43E naquela oportunidade ficou acertado que nós pagaríamos,
00:47a OAS pagaria, 6 milhões e meio, através de fornecedores
00:52para a campanha de 2010, do Eduardo Campos, do PSB.
00:58Em conversa com o Léo, ele me disse,
01:00olha, eu vou estar com o Fernando Bezerra e vou ratificar isso aí,
01:06vou ver como é que é.
01:07A informação que eu tive depois de Léo é que ele falou,
01:10olha, é para proceder dessa forma realmente.
01:13Então, procede a orientação dada por Márcio Faria.
01:16E para a diretoria de serviços, o senhor tem conhecimento sobre o pagamento?
01:21Aí é onde está.
01:2213 milhões e meio, mas 6 milhões e meio, totalizam 20.
01:26Para os 36, sobraram 16 milhões para o PT.
01:31E assim foi feito.
01:32Léo esteve em contato com João Vacari e ficou decidido que 16 milhões de reais,
01:39por conta da nossa parte, na René, seriam para o PT.
01:43O senhor nunca tratou esse assunto, por exemplo, com o senhor Renato Duque?
01:47Nunca tratei com o senhor Renato Duque.
01:49Com o Pedro Barusco?
01:50Nesses dois contratos, nunca tratei.
01:52Nos outros contratos da QOS, teve com a Petrobras, teve também pagamento de propina?
01:57Teve.
01:58A gente não precisa entrar tanto em detalhes, porque não são bem objeto desse processo.
02:03Teve, tanto para agentes da Petrobras, quanto para agentes políticos.
02:08Perfeito.
02:08Aí, a minha indagação, nesses contratos o senhor disse que não teve contato direto com o senhor Renato Duque?
02:14Nesses dois não, para tratar desse assunto não.
02:16Era atribuição do líder.
02:17Nos outros contratos, o senhor chegou a ter contato direto com algum deles?
02:22Eu tive.
02:22Pedro Barusco.
02:23Pedro Barusco.
02:24Pedro Barusco.
02:25E com o senhor Renato Duque?
02:26E depois ratificado para o senhor Renato Duque.
02:29Sobre a vantagem indevida?
02:31Sobre a vantagem indevida.
02:31Eu tive com o Pedro Barusco e depois, numa conversa com o Renato Duque, ele falou, não, é para proceder dessa forma.
02:39O senhor chegou a ter contato também direto com o senhor João Vacari?
02:42Tive.
02:42Tive vários contatos com o senhor João Vacari.
02:44Para tratar desses assuntos e outros.
02:47Que eu posso contar, faz parte do processo, mas tive.
02:51Do João Vacari, o senhor teve contatos com ele envolvendo repasses de vantagem indevida?
02:58Também, porque no caso da Reneste, o senhor João Vacari, como foi estabelecido?
03:09Um valor fixo, né?
03:11E eles queriam ser percentuais em cima do valor do contrato.
03:15Uma loucura isso, porque houve um contrato de 6 bi, aproximadamente.
03:19Só assim, o senhor teve contato direto com ele, então?
03:22Tive.
03:24Tive.
03:24Não só com ele, como o Paulo Ferreira também.
03:27Foi o tesoureiro do PT, que foi anterior a essa fase aí.
03:32Perfeito.
03:33E esses contratos em que havia pagamento de vantagem devida, isso acontecia uma vez, ocasionalmente, ou foram várias vezes?
03:47Por favor, se eu poderia repetir.
03:48Esses contratos no âmbito da Petrobras, no qual haviam esses acertos de pagamento de propina, agentes políticos ou agentes públicos, isso aconteceu uma, duas, três vezes, ou era algo que acontecia de maneira constante nesses contratos?
04:04Era constante, embora cada contrato tivesse a sua particularidade.
04:09Em alguns contratos teve percentual em cima do valor do contrato.
04:14Em geral, era esse percentual ou dois por cento?
04:17Olha, em geral, era.
04:19Em geral, era.
04:20Dois por cento ou um por cento?
04:22Olha, em geral, no caso, por exemplo, desse outro, em torno de dois por cento.
04:26Teve casos outros que superou.
04:28Esse processo, eu falo aqui sobre esse apartamento no Guarujá, o Triplex, nesses assuntos o senhor se envolveu de alguma forma?
04:39Jamais.
04:41Não tive conhecimento que se tratava de outra empresa, né?
04:44Sim, sim.
04:44Não parece empreendimentos.
04:46Eu atuava, só para ver onde eu me situo na empresa, a empresa tem um braço de engenharia e o braço de investimentos.
04:57A OAS Empreendimentos e outras empresas ficaram na OAS Investimentos.
05:03O braço que eu atuava era o braço da engenharia.
05:07Esse braço da engenharia tinha inúmeras empresas.
05:11Tinha a Constituição da OAS, tinha a Coesa, tinha a OAS Energia, tinha a OAS Comércio Exterior e Logística, tinha a OAS Defesa e tinha a Constituição da OAS.
05:21Eu atuava na Constituição da OAS como uma das oito diretorias superintendências que existiam.
05:29Então, a minha linha de atuação, a minha competência de atuação era limitada à diretoria que eu ocupava.
05:37O senhor Léo Pinheiro também tratava desses assuntos envolvendo vantagem devida com algumas dessas pessoas envolvidas?
05:45Olha, eu diria que no momento que ele conversou, por exemplo, com o João Vacari sobre esses 16 milhões da Renest, também, eu não sei, desconheço que Léo tenha tratado com agentes da Petrobras.
06:03Isso aí eu desconheço.
06:05Quem tratou com agentes da Petrobras em outros contratos fui eu.
06:08Perfeito. O senhor conhece pessoalmente o ex-presidente Luiz Inácio?
06:15Nunca tive relacionamento com o ex-presidente. Eu conheço de eventos públicos, inauguração de obras só.
06:21Não conheço ninguém da família, nunca estive, tem mais de 20 anos que eu não vou ao Guarujá.
06:27Não sei onde fica o Instituto Lula, não conheço o Paulo Acamoto.
06:31Eu desconheço totalmente qualquer atividade envolvendo...
06:36Embora já seja implícito na sua resposta, mas eu vou perguntar mesmo assim, o senhor nunca tratou desses assuntos de vantagem devida ou propina com o ex-presidente?
06:46Jamais. Não tinha relação para ele. Nunca tive relacionamento com ele.
06:50E o senhor tinha conhecimento se o senhor Léo Pinheiro tratava desses assuntos com o senhor, com o ex-presidente, com o senhor Luiz Inácio?
06:59Olha, excelência.
07:03Se o senhor não sabe, o senhor deve não saber.
07:06Não, eu não sei.
07:08Eu não sei.
07:09Eu não sei, mas poderia dar alguns exemplos que não são uma resposta direta à pergunta que o senhor está me fazendo.
07:17Exemplos como exemplos de fatos concretos que o senhor tem?
07:42Não, era conhecido internamente da empresa que o Brahma era uma referência ao presidente Lula.
07:50Isso todos conhecem dentro da empresa.
07:53E que o senhor me perguntou sobre o triplex, né?
08:00Sim.
08:00Eu me lembro que numa viagem internacional a trabalho que eu tive com o Léo, meados de 2014, eu já era da área internacional.
08:15E numa dessas viagens, ele me relatou que tinha tido um acerto com o João Vacari no sentido de compensar prejuízos que a empresa estava tendo, a LAES estava tendo, com alguns eventos, quatro eventos.
08:43Ele me relacionou na época, que foram eventos, os prejuízos tidos com as obras do Bancop, que a OAS Empreendimentos, não me falou que prejuízos não eram esses.
08:55Me falou de a reserva de um apartamento triplex no Guarujá para o ex-presidente Lula.
09:02Me falou de reformas que estava executando nesse apartamento triplex.
09:08Me falou também de reformas que estava fazendo no sítio de Atibaia, também que seria do presidente Lula.
09:15E que isso tinha causado prejuízos milionários.
09:19E como ele, Léo, ele administrava uma conta do PT como um todo, não só obras de Petrobras, mas como outras obras, que aí não me vem o caso.
09:28Ele tinha feito uma compensação com relação a esses prejuízos causados nesses quatro eventos.
09:36Como eu já estava fora, em 14 de fevereiro eu assumi a área internacional.
09:43Isso já tinha mais de seis meses.
09:45Então, eu ouvi aquilo e não entrei no mérito, até porque fugiam.
09:49Mas quem ele deu essa informação foi o Sr. Léo Pinheiro?
09:54Não, isso foi nas viagens que nós fizemos internacionais.
09:57Ele me reportou isso aí, tinha feito essa compensação.
09:59O Léo Pinheiro disse isso?
10:00Tanto eram milionários que houve o acerto.
10:03Se fossem valores menores, não teriam feito.
10:06E tinha alguém, mais alguém, quando teve essa conversa com ele?
10:11Não, nós estávamos viajando, uma viagem, a gente viajava muito para a área internacional, África, Caribe.
10:22Já está em príncipe nas suas respostas anteriores, mas é uma negação que eu vou lhe fazer.
10:26Então, esses mecanismos de transferência do Bancop, do empreendimento para OS Empreendimentos, os detalhes da reforma, essas coisas, esse apartamento, isso o Sr. não tem conhecimento desses fatos?
10:40Excelência, eu sou, eu não conheço nada da área imobiliária, não sei como é que se faz uma incorporação, desconheço totalmente esse assunto.
10:48Perfeito. E também aqui, parte da denúncia diz respeito ao armazenamento de bens do ex-presidente por custeio da OS, sobre isso também o Sr. não tem conhecimento?
10:59Eu nunca ouvi falar que a OS fazia, tinha arquivos com a Graneiro, contratos de arquivos, nunca soube, nada disso.
11:09Perfeito. Em relação, embora o Sr. tenha dito que havia essa intenção de colaborar e me parece que o Sr. tem informações relevantes sobre os casos...
11:19Assim, com relação ao remestre, eu tenho uma observação a fazer.
11:22Embora me parece que o Sr. tem informações relevantes sobre outros casos, sobre o que diz respeito a essa ação penal, eu creio que já concluí as minhas perguntas.
11:32Mas, diga, o Sr. soube o que emitir com relação ao remestre.
11:35Eu falei dos 72 milhões que foram reservados para pagamentos de plantagens em bebida.
11:41Em dezembro, em janeiro de 2012, foi feito um aditivo ao instrumento de constituição de consórcio,
11:50onde foi feito um pagamento de 37 milhões para o Odebrecht, a título de FII de liderança,
12:00também para atender a pagamento de vantagens indevidas.
12:06Então, aqueles 72 milhões somados a esses 32, isso dá um total de 109 milhões.
12:13Isso representa, nesse contrato, contrato de aproximadamente 5 bilhões e 700, em torno de 1,8%.
12:25Então, estava dentro desse parâmetro, mas o total foi de 109 milhões, destinados a esse fim.
12:31Uma última indagação que me ocorreu aqui.
12:33Por que a OES aceitou participar desse esquema criminoso?
12:39Por que ela aceitou, especificamente, pagar vantagem devida a agentes da Petrobras ou agentes políticos,
12:46por conta do contrato na Petrobras?
12:49Excelência, as empresas procuram sempre aumentar suas receitas.
12:59A Petrobras tinha um robusto plano de investimento.
13:03Uns 50 bilhões de dólares foram investidos na ampliação do parque de refino.
13:08Então, ficar fora desse programa, seria ficar a mais...
13:15As empresas precisam ter o poder.
13:20Para que as empresas tenham o poder, é necessário que elas tenham as receitas compatíveis.
13:27Tem uma máxima que diz o seguinte, estagnar é falir.
13:30Então, as empresas estão sempre buscando mais.
13:34Então, é por isso que toda empresa brasileira de construção civil tinha como objetivo trabalhar para a Petrobras.
13:43Sim.
13:45Mas o senhor tinha presente, por exemplo, se não pagasse esses valores, a empresa não ia ser convidada para esse sertanejo?
13:51Foi lhe dito isso, alguma oportunidade?
13:55Olha, seriam criadas dificuldades.
13:59As dificuldades seriam muito grandes.
14:01E digo mais, a ajuda que as empresas tiveram desses agentes da Petrobras
14:09não foram compatíveis com esses custos, tanto financeiros quanto o desgaste que as empresas estão passando hoje,
14:20não foram compatíveis, não.
14:22Essa compensação de lá para cá, eu posso exemplificar de alguns contratos que nós participamos,
14:31que era uma exigência de mercado, era um modus operandi e as empresas assim atuavam.
14:39Ou então ficariam de fora.
14:42Mas o senhor nunca recebeu uma ameaça explícita nesse sentido?
14:45De ficar de fora?
14:47É, ou recebeu.
14:48Explícita não, mas era implícito.
14:51Implícito que se a empresa não contribuísse, tanto é que nós tivemos dificuldade para o primeiro contrato,
14:58porque estava havendo aquelas empresas que estavam dentro desse modus operandi e dominavam.
15:06A partir daí é que nós passamos a ser aceito nesse clube, que era de novo e passou a ser de 16.
15:14Sei.
15:15Mas pelo que eu entendi que o senhor disse para mim, salvo engano,
15:18é que a OES foi convidada para a obra da Repar antes de surgir a solicitação de reserva de valores para pagamento.
15:28Não foi, porque essas outras empresas já tinham definido com esses agentes o que seria feito.
15:36Nós não participamos.
15:38Como foi o primeiro empreendimento nosso, nós entramos para ver como é que funcionava o sistema.
15:44E a partir daí vimos como realmente funcionava o sistema.
15:48Tá certo.
15:49Então, em princípio, são as questões.
15:50Juízo, eu passo ao ministério.
15:52Obrigado, excelente.
15:53Boa tarde, senhor Genoa.
15:55Boa tarde.
15:56Gostaria aqui só de fazer algumas complementações, perguntas complementares.
16:02O senhor mencionou ter participado de algumas reuniões com possíveis concorrentes, mas não no caso,
16:15em que se dividiam lotes de obras da Petrobras.
16:19O senhor poderia expor como funcionavam essas reuniões, como era a metodologia?
16:24Olha, nós nos reuníamos em locais, muitas vezes não na sede das empresas, justamente para não chamar muita atenção.
16:36Algumas vezes foram.
16:38Então, essas 16 empresas tinham um quadro que expunham o planejamento estratégico da Petrobras e aqueles empreendimentos que viriam a seguir.
16:53Colocava-se a lista de empresas com a lista de empreendimentos.
16:57Ali estabelecia-se preferências de cada uma, que poderiam ou não ser realizadas.
17:07Estabelecia-se os estabelecimentos de consórcios, quem ia se associar com quem.
17:14Isso era mais em função de afinidade de empresas.
17:17Isso era em função também de área geográfica de atuação.
17:24Quem nunca trabalhou no Rio Grande do Sul não queria ir para o Rio Grande do Sul.
17:28E a partir daí, definia-se realmente quais seriam aquelas empresas que iriam naqueles pacotes
17:35e quais seriam aquelas empresas que fariam as propostas de cobertura.
17:40E assim se procedia.
17:43Cada um tinha seus compromissos e assim funcionou.
17:47Esse clube de empresas funcionou muito bem até 2011.
17:53A partir daí, ele se enfraqueceu e praticamente desapareceu.
17:56Foram várias tentativas e nenhum sucesso.
18:00Nesse período em que funcionou bem, a definição de quem sairia vencedor nas licitações da Petrobras
18:07era feita no interior dessa reunião?
18:09Um colegiado que tinha das 16 empresas.
18:13Às vezes haviam conflitos.
18:15E as propostas de cobertura, como funcionavam?
18:19As propostas de cobertura, no momento que as empresas que eram cabeça de chave
18:26tinham seus valores definidos, passavam os valores para as outras empresas
18:32dentro de uma margem pequena de diferença para que elas assim procedessem.
18:39No caso nosso, nós não gostávamos de simplesmente receber propostas de outras empresas para poder preencher a nossa.
18:49Nós trabalhávamos um pouco, investíamos um pouco na proposta.
18:53Até para não caracterizar que...
18:56E se ganhássemos uma proposta dessa, o que fazer?
18:59Você não estudou.
19:00Não correr risco.
19:00Com alguma razão.
19:01Não correr risco, exatamente.
19:03O senhor saberia dizer se, por exemplo, os contratos objeto dessa denúncia,
19:08a OH, DT, o GH e o DA da Renest, houve essas propostas?
19:14Houve.
19:15Isso já ainda, Guilherme.
19:16É, isso houve.
19:19O senhor mencionou que houve, nesse caso da Renest, uma definição de R$ 72 milhões de vantagem.
19:32Uma partida.
19:32De vantagem de índice.
19:33Depois teve os R$ 37.
19:34O senhor mencionou que ficou encarregada a Oeste da metade do valor e a Odebrecht da outra metade.
19:44A minha questão é, o senhor sabia, foi discutido no seio do consórcio essa destinação da Odebrecht também?
19:52O senhor tinha conhecimento?
19:53A Odebrecht, o que ficou estabelecido é que tinha casa 1, casa 2.
19:59Seriam os agentes da área de serviço, agentes da área de abastecimento.
20:02E tinha uma parte também para agentes políticos.
20:06Eu me lembro bem disso.
20:08Ok.
20:09Então a OAS, nesse caso das obras da Renest, ficou mais encarregada com componente político?
20:14Agente político.
20:15Certo.
20:15Nós não pagamos um centavo para a gente da Petrobras nesse contrato.
20:19Assim diretamente, indiretamente sim, né?
20:21Assim como no primeiro da repasse.
20:24Nós tínhamos 24% de um consórcio que destilou R$ 54 milhões.
20:3024% de R$ 54 milhões dá R$ 13 milhões.
20:33Então, indiretamente...
20:34O senhor tinha conhecimento?
20:36Não para quem nem quanto ia, mas arcamos com o nosso percentual na nossa proposta.
20:43Com relação a essa interface entre as diretorias da Petrobras de abastecimento de serviços e grupos políticos,
20:50o senhor sabia como funcionava essa questão?
20:54Foi falado já no curso da instrução sobre apadrinhamentos políticos?
20:59O que era conhecido desde 2006, 2007, é que Renato Duque era indicado pelo PT.
21:09Pedro Barusco também, Renato Duque, Paulo Roberto pelo PP.
21:16E falava-se também que na área internacional era o PMDB.
21:20Isso é o que se ouvia na época e foi fato, né?
21:24Ao longo do tempo, se constatou que realmente funcionava assim.
21:34Especificamente no contrato do COMPAR, o senhor disse que não teve contato direto com os funcionários da Petrobras.
21:42Não.
21:42Essa interface com os funcionários da Petrobras era feita por quem?
21:48Pelo líder do consórcio, o Aldebrecht.
21:51E certamente Ricardo Pessoa, porque ele tinha uma influência grande, embora tivesse 25% do consórcio,
21:59Ricardo foi presidente da ABM.
22:02Então ele tinha uma interação, eu não posso afirmar, mas certamente porque se ele teve um filho de liderança,
22:08se a UTC teve um filho de liderança, se a UTC tinha um filho de liderança com 25%,
22:13e nós tínhamos 24%, não tivemos nenhum filho de liderança,
22:18alguma está claro que também tinha, agora não posso afirmar.
22:24Agora, o líder do consórcio, eu não tenho dúvida.
22:28Não teve dúvida de quê?
22:30Não tenho dúvida que a ligação com os agentes da Petrobras era do líder do consórcio.
22:37Que era Aldebrecht e representado por quem?
22:40No caso, os representantes lá eram Márcio Faria e Rogério Araújo, os representantes Aldebrecht nessa área.
22:48Perfeito.
22:49Está ótimo, senhor Agenor.
22:50Uma outra questão aqui, senhor Agenor, já encerrando os questionamentos do Ministério Público.
22:55O senhor mencionou dessa viagem em que foi comentado ao senhor, pelo Léo Pinheiro,
23:03uma compensação de propinas oferecidas em decorrência de contratos da Petrobras
23:09com pacotes que interessavam ao Partido dos Trabalhadores.
23:14O senhor, saberia dizer se isso partiu de uma obra específica da Petrobras
23:22ou se isso era de um conjunto de obras da Petrobras?
23:25Olha, esse caixa único da Petrobras era administrado por Léo.
23:33Por quê?
23:34Porque tinha obras da Petrobras e tinha obras outras, de outras diretorias.
23:40Então, ele administrava.
23:42Agora, ele me disse que quando fez esse acordo, tinha também obras da Petrobras
23:47e essas outras obras, que eu não sei quais são.
23:51Em 2014, nós estávamos ainda executando a Reneste.
23:56Então, certamente alguma coisa da Reneste tinha,
23:59embora eu já estivesse há seis meses fora da área de petróleo e gás.
24:03Porque eu saí no dia 14 de fevereiro de 2014 para a área internacional.
24:08É só um último questionamento.
24:11Esse percentual, referência de vantagens indevidas,
24:16ele se dava sob o contrato principal e também aditivos?
24:21Olha, o que eu sei é que no caso da Repar,
24:28inicialmente o valor somado não era 54 milhões,
24:32era um valor menor.
24:33O que Márcio me faria sempre me dizia é o seguinte,
24:37eu acertei um valor absoluto.
24:38Mas a experiência mostra, nesses dois contratos,
24:42que houve aditivos nesses fios de liderança
24:46que foram para atender esses aditivos.
24:49Não tenho dúvida disso.
24:51Inclusive, o senhor João Vacari muitas vezes me procurava
24:56querendo tratar de aditivos da Reneste.
25:01O que eu dizia sempre para ele é o seguinte,
25:02ele falou, olha, o que me foi passado é que os valores foram estabelecidos
25:06e qualquer valor, além disso aí, tem que ser tratado como líder.
25:10Não sou eu que decido.
25:13Aproveitando essa questão,
25:15o João Vacari tinha conhecimento dos aditivos específicos,
25:18das obras que a OAS participava?
25:20Olha, ele tinha relação nos aditivos.
25:22Como ele obtia, ele tinha relação nos aditivos.
25:26E muitas vezes ele chegava.
25:29E eu informava.
25:30Isso de alguns contratos, não sei se ele tinha de todos.
25:33De alguns outros, de um outro contrato,
25:36quem apresentou, aí ele foi eu.
25:39Eu apresentei, mas não faz parte dessa...
25:42Nesse caso específico, ele apresentou da Reneste?
25:44Nesse caso específico, ele...
25:46Nesse caso, ele, algumas vezes,
25:47em alguns encontros que teve comigo
25:49na própria sede da OAS,
25:51na Praia do Botafogo, Rio de Janeiro, 440.
25:56Ele, muitas vezes, esteve lá e abordava esse assunto.
25:59Eu falo, olha, não é comigo.
26:01Tem um líder do consórcio que é quem decide.
26:02Não adianta eu tratar desse assunto com você.
26:06Alguma vez, nessas conversas, ele citou o Renato Duque
26:09e falou sobre algo...
26:10Olha, ele andava muito com o Renato Duque
26:14e, em outras situações que não são desse processo,
26:20eu tive encontros com ele e com o Renato Duque.
26:23Os três juntos?
26:24Os três.
26:26Os três, em algumas situações, até mais outras pessoas.
26:31Não é o caso desse...
26:32Nessas reuniões, se discutiu vantagens indevidas
26:34aqui de contratos da Petrobras?
26:36Desses dois contratos, não.
26:38Mas eram contratos da Petrobras ou outros?
26:41Eram contratos...
26:43Silêncio, pela ordem.
26:44Para não perdermos a objetividade,
26:46já que ele mesmo disse que não faz parte do processo...
26:48A relação entre Renato Duque e João Górdão
26:51de definir isso aí.
26:55Mas acho que eu já tinha feito essa pergunta.
26:56Perfeito.
26:58A senha de acusação tem perguntas?
27:00Sim, perguntas.
27:01Os defensores dos demais acusados têm perguntas?
27:04Sim, perguntas.
27:05Tenho algumas perguntas.
27:08Boa tarde, senhor Agenoa.
27:10Boa tarde, senhor Cristiano.
27:11Eu estou com o Cristiano.
27:13O senhor ouviu as considerações que eu fiz inicialmente
27:16sobre essa questão da negociação e de delação premiada.
27:22Gostaria de saber se o senhor...
27:23O senhor já disse aqui que foi preso
27:26no âmbito da Operação Lava Jato.
27:29Em que data que ocorreu essa prisão?
27:3014 de novembro de 2014.
27:33Certo.
27:34E o senhor ficou preso até que data?
27:35Olha, eu fiquei preso cinco meses e meio, em regime fechado.
27:41Por uma decisão do Supremo, eu fiquei aqui por uma decisão do juiz Sérgio Moura.
27:48Eu fiquei mais... quase quatro meses.
27:51Tornou zeleira eletrônica em minha residência.
27:55E hoje eu cumpro medidas cautelares determinadas pela justiça.
28:05E o senhor já foi condenado pela justiça
28:09ou ainda responde o processo sem condenação?
28:12Eu respondo alguns processos aqui com o juiz Sérgio Moura.
28:17Eu tenho mais outros processos.
28:19Mas o senhor já foi condenado a alguma pena?
28:22Não, eu fui condenado pelo juiz Sérgio Moura.
28:24E o senhor se recorda a quantidade de pena que foi aplicada?
28:2716 anos e quatro meses.
28:28E houve alguma reforma, um aumento da pena pelo Tribunal Regional?
28:32Isso está em discussão no TRF.
28:35Eu tenho aqui uma decisão do TRF-4 numa apelação criminal
28:44que foi proferida no dia 28 de novembro de 2016
28:53na qual o tribunal aplicou ao senhor uma pena de 23 anos e 3 meses de reclusão.
29:00O senhor se recorda dessa pena?
29:01Isso ainda não está concluído, mas está correto.
29:05Perfeito.
29:08Essa já foi, inclusive, reconhecido aqui pelo Ministério Público
29:13que o senhor está num processo de delação premiada, numa negociação.
29:18O senhor pode me dizer em que fase está essa negociação?
29:22Olha, jamais eu estive com qualquer procurador
29:25e os meus advogados aqui estão conversando.
29:29Então, o que eu estou revelando, não é revelando, o meu depoimento aqui hoje,
29:36ele, a princípio, eu não tenho nenhum benefício definido até agora em relação ao que eu estou falando.
29:43Zero de benefícios.
29:45Até agora, desconheço agora.
29:46Os meus advogados estão conversando, conversando.
29:51Isso é uma decisão minha e uma decisão dos meus advogados.
29:56Certo, mas já existe uma proposta, então, de benefício.
29:58Não, não existe proposta nenhuma.
30:00O senhor está negociando delação sem benefício.
30:02Zero de proposta.
30:03Pelo menos até o momento que eu entrei aqui, agora,
30:07os meus advogados, conversando com eles, proposta não existe.
30:12Existem conversas.
30:13Correto.
30:15Desde o último dia 3 deste mês de maio até a presente data,
30:20o senhor sabe se houve alguma nova reunião sobre esse processo de delação premiada?
30:26Desculpa, 3 de maio? Ontem?
30:28Não.
30:293 de maio ou ontem?
30:30Na verdade, desculpa.
30:31De ontem para cá, eu afirmo o senhor que não.
30:34Certo.
30:35Nos últimos 15 dias?
30:38É possível que tenha tido.
30:39É possível.
30:41E isso vai se continuar, conversando.
30:46Certo.
30:48Com relação a esse triplex do Barujá,
30:54o senhor tem algum conhecimento de que tenha sido lavrada alguma escritura
31:00do apartamento em favor do ex-presidente Lula ou de algum dos seus familiares?
31:04Doutor Cristiano, eu sou analfabeto em matéria de lavratura, de escrituras, de área imobiliária.
31:14Eu não sei, se eu adquirisse uma unidade imobiliária hoje, eu teria que ter apoio de advogados,
31:22porque eu desconheço totalmente.
31:23Eu nunca atuei, não sei como funciona.
31:26O senhor sabe se houve a entrega das chaves desse apartamento?
31:32Eu já indaguei ele, se ele tinha conhecimento sobre esses fatos.
31:36Eu conheço totalmente os fatos, relativo ao triplex.
31:38Eu ouvi atentamente o detalhamento.
31:41Eu só estou fazendo uma pergunta absolutamente legítima.
31:44Eu estou prejudicada as perguntas, só um pouquinho.
31:47Não faz sentido ficar perguntando detalhes se ele falou que já não conhece.
31:50Então, eu parto da premissa, enfim, de que está bem entendido, por V. Exª, essa questão.
32:02O senhor se recorda se a OAS emitiu bonds na Áustria?
32:09Foge totalmente ao meu nível de competência ter esse tipo de informação.
32:14O senhor sabe se a OAS passava por processos de auditoria?
32:23Desconheço totalmente, porque a minha área de atuação até o dia 14 de fevereiro
32:28era totalmente diferente desse nível de detalhes.
32:32Sim, mais perguntas.
32:46Outros defensores têm negações?
32:48Sem perguntas.
32:49O defensor do próprio cruzado tem alguma questão, doutor?
32:51Sim, sim.
32:52Doutor, se de repente quiser sentar aqui, fica mais...
32:54Está bem.
32:56Simples para...
32:58É, a gente vai interromper o áudio.
32:59É, a gente vai interromper o áudio.
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