- há 9 meses
Em entrevista ao NeoFeed, Alessandro Horta, CEO da Vinci Compass, fala que a gestora, que tem mais de US$ 50 bilhões sbo gestão, ainda olha para M&As na América Latina e diz o racional dessas novas aquisições
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NotíciasTranscrição
00:00Olá, bem-vindos e bem-vindas ao Café com Investidor, o programa do Nelfeed que entrevista
00:19os principais gestores do Brasil.
00:22Eu sou Ralf Manzoni Jr. e falo direto do estúdio do Nelfeed.
00:26O meu convidado de hoje é Alessandro Horta.
00:29Ele é CEO da Vinte Compass, uma gestora com mais de 50 bilhões de dólares sob gestão.
00:36Alessandro, tudo bem?
00:38Tudo bem, Ralf.
00:39Obrigado pela oportunidade de estar aqui hoje com você.
00:42Vamos começar, Alessandro, pelo começo.
00:44Me conta, então, como surgiu a Vinte Compass.
00:47Bom, a Vinte Compass é...
00:49Como Vinte Compass já é uma história de quase 16 anos, mas ela vem ainda anteriormente
00:55a Vinte Compass, né?
00:57Os fundadores da Vinte, principalmente o meu sócio e eu, Gilberto Saião, nós começamos
01:05investindo em alternativos, em private equity, em real estate, ainda no início dos anos
01:112000, final dos anos 90, no banco Pactual.
01:16E começamos essa atividade dentro do banco e ela se desenvolveu até o ponto que o banco
01:21foi vendido para o UBS e, posteriormente, virou o que hoje é a BTG Pactual e, nesse
01:26momento, nós fundamos a Vinte em 2009, quando começamos a criar uma gestora pura focada
01:35em alternativos.
01:36O primeiro produto dessa gestora foi o private equity, então?
01:42Foi.
01:43Começamos com o private equity ainda na época de Pactual e a ideia era diversificar o capital
01:47dos sócios na época e, logo, rapidamente, a gente começou a levantar dinheiro de terceiros
01:51e criar uma gestora internamente ainda, a história de Pactual e UBS na época e, posteriormente,
01:58na Vinte, quando aí realmente começou com o private equity, nós resolvemos diversificar
02:04em outras classes de ativos alternativos.
02:06Hoje vocês têm muitas classes de ativos.
02:10Me fala um pouquinho sobre essas classes de ativos, porque, após o private equity, a
02:15Real Estate e passando por Special Seats.
02:18É, até seguindo uma tendência que não é uma exclusividade nossa, uma tendência
02:23lá de fora, os principais gestores globais hoje, o grande desenvolvimento da última
02:27década, principalmente, foi em gestores de alternativos diversificados, tem vários exemplos
02:33como Blackstone, Ares, KKR, Carlyle e por aí vai, Apolo, nós desde o início, desde
02:42a fundação da Vinte, a ideia foi ser uma gestora multi-estratégia, com foco em alternativos,
02:48não era a ideia de ser uma gestora tradicional, foco em alternativos, mas multi-estratégia.
02:52Hoje, realmente, a gente pode dizer que nós temos uma gestora bastante completa, em que
02:59nós temos diversas classes de ativos, como você falou, private equity, uma franquia
03:03muito importante histórica nossa, Real Estate, nós temos infraestrutura, nós temos crédito
03:12tanto privado quanto público, nós temos agro, nós temos floresta, nós temos equities
03:21e nós temos uma grande guarda-chuva, que nós chamamos de soluções de investimento,
03:27que é o mandato de alocação e diversificação, tanto local quanto global, em nome dos nossos
03:33clientes, inclusive usando produtos terceiros, não necessariamente somente fundos da Vinte.
03:39Em 2021, a Vinte abriu o Capital, por que vocês se tornaram uma empresa aberta?
03:45Eu acho que foram vários motivos que nos levaram à abertura de Capital em 2021.
03:50Um primeiro motivo, o principal deles, é que a Vinte e os sócios da Vinte, nós sempre
03:56fomos investidores importantes dos nossos fundos, nas mesmas condições, nos mesmos
04:00veículos que os nossos clientes, naturalmente com o crescimento dos ativos sobre gestão,
04:06cada vez ficava mais complexo, na própria capacidade dos sócios, a gente seguir fazendo
04:12o seeding, o investimento inicial nos produtos, porque começaram a ter muitos produtos e
04:17o nosso Capital não reciclava na mesma velocidade, então a primeira razão foi ter Capital no
04:22balanço da gestora para que ela pudesse continuar sendo um investidor relevante em todos os
04:27nossos fundos, então essa é a razão número um.
04:29A segunda razão foi ter um Capital também para consolidar o mercado de gestão de recursos
04:37alternativos na região, porque com o Capital a gente poderia ir, a empresa aberta também,
04:44com a ação, a gente poderia ter moeda, tanto financeira quanto a própria ação, quanto
04:49dinheiro quanto a ação, para continuar fazendo M&A's como a gente fez alguns, que a gente
04:53pode falar depois.
04:54A gente vai falar sobre eles.
04:55Perfeito.
04:56E terceiro, a gente tinha uma visão estratégica de expansão para a América Latina, em que
05:02era importante ter um reforço de Capital para a gente poder fazer essa expansão também
05:09para fora do Brasil e o nosso foco estratégico era a América Latina.
05:13Leicester, a gente vai falar então daqui a pouquinho sobre todas essas estratégias,
05:17mas antes a gente vai dar uma rápida paradinha para que você possa ouvir uma mensagem do
05:22nosso patrocinador.
05:23Olá, sou o Franco Fazoli, sócio-diretor do segmento Empresas do Santander.
05:29Estamos inaugurando um momento especial.
05:31Acabamos de relançar a nossa marca, como Santander Empresas.
05:34Essa é uma revitalização da marca que acompanha o nosso negócio.
05:38Desde o começo de 2024, lançamos um modelo de atendimento humanizado, único no mercado,
05:43não focado apenas nas nossas lojas, mas vai até os nossos clientes.
05:47Com isso, reforçamos o nosso compromisso de proximidade, nos colocando sempre disponíveis
05:52e integrados ao seu negócio.
05:54Inovamos também no portfólio e lançamos uma oferta focada no relacionamento, na qual
05:59quanto mais você usa, mais benefícios você pode ganhar.
06:02Desde isenção de tarifas a transações grátis na conta e também na maquininha.
06:07Isso sem deixar de lado todo o ecossistema Santander, que está à disposição de todos
06:11os tipos e tamanhos de negócios, com soluções financeiras e não financeiras, incluído
06:15o Programa Avançar, que tem foco na capacitação e crescimento das empresas, e até mesmo soluções
06:21de internacionalização para o seu negócio.
06:23O Santander Empresas começa todos os dias com você.
06:26Para saber mais sobre o Santander Empresas, acesse nosso site e siga Santander Empresas
06:31Brasil nas redes sociais.
06:33Até logo.
06:36Estamos de volta com o Café com o Investidor e eu converso com Alessandro Iorta, LSO da
06:40VINTE Compass.
06:41Alessandro, um M&A transformacional, no caso da VINTE, foi a fusão com a Compass.
06:50Elas triplicaram, pelo menos na época, os ativos sob gestão.
06:55Ela foi concluída no ano passado.
06:57Então me conta, em que situação está essa fusão e quais são os próximos passos da
07:02união dessas duas empresas?
07:05Realmente, a combinação com a Compass foi um movimento transformacional e a criação
07:13da VINTE Compass, a fusão da VINTE com a Compass, foi um resultado de um trabalho
07:22bastante grande nosso de investigação estratégica e mesmo com a Compass nós ficamos quase dois
07:30anos conversando antes de concluirmos e chegarmos à conclusão que seria o melhor caminho nessa
07:36combinação.
07:37A Compass nos dá a complementação estratégica que nós queríamos de expansão para a América
07:43Latina, tem um crescimento de ativos muito grande e um aprofundamento do nosso modelo
07:52muito grande.
07:53Hoje, de forma um pouco mais, uma visão estratégica, abstrata, eu diria que nós temos três dimensões
08:07importantes dentro da VINTE Compass, como prestadores e serviços de gestão de recursos.
08:13Local para local, ou seja, a gente levanta dinheiro local para investimento local, quer
08:19dizer que a gente levanta dinheiro nos países agora com a VINTE Compass para investimento
08:23nos próprios países, a gente tem uma dimensão global para local e regional que a gente levanta
08:29dinheiro de investidores globais para investimento na região, na América Latina ou em cada
08:33país específico, Brasil, Chile, etc.
08:36E finalmente, uma outra dimensão que a VINTE é muito complementada pela Compass, nessa
08:43combinação de VINTE Compass, que é a dimensão local para global, que é levar capital local
08:50para o investimento global.
08:52Isso acontece porque a Compass tinha uma trajetória muito longa, mais de quase 30 anos de alocação
09:00de capital de investidores, principalmente institucionais, mas também family office,
09:04high net worth, intermediários no mercado global para investidores latinos.
09:09Então com essa combinação, não só a cobertura geográfica ficou muito completa em termos
09:15de América Latina, mas também todas essas dimensões, porque passa a ter um histórico
09:20não só de produtos próprios, de investimento nos países e na região, mas também em escolher
09:28os melhores parceiros e a melhor alocação de recursos para os investidores locais de
09:33cada país no mercado global.
09:36E obviamente o Brasil é um pouco mais paroquial, ainda tem muito dinheiro investido localmente,
09:40mas países como o Chile, por exemplo, os fundos pensões chilenas têm um pouco menos
09:44de 50% dos seus recursos sobre gestão investidos globalmente.
09:49Então tem uma trajetória, o México também tem bastante investimento fora, a Colômbia,
09:54então existe uma convergência de equilíbrio de um portfólio global, obviamente localmente
09:59ele sempre é muito importante para os investidores locais, obviamente por questões de moeda
10:03e tal, pagamento de pensionistas, etc, são investidores institucionais, mas também no
10:08investimento global de você ter acesso às melhores oportunidades globais e ter uma estratégia
10:13bem clara de alocação de recursos.
10:16Essa expansão para a América Latina, vocês passarão a atuar em quantos países mais?
10:22Nós atuamos, obviamente, eu brinco que é do Cabo Horne ao Rio Grande, nós temos escritórios
10:31hoje na Argentina, no Chile, no Uruguai, no Brasil, obviamente, na Colômbia, no Peru,
10:38no México e nos Estados Unidos, dois escritórios que a gente já tinha, o da Vinci em Nova York
10:43e a Vinci Compass junto com o escritório da Compass em Nova York, mas o escritório
10:47em Miami também.
10:48Então a visão bem completa de América Latina, em todos os países relevantes, com um sabor
10:56local muito importante, um entendimento local, tanto do cliente, quanto do mercado, quanto
11:02dos ativos.
11:03Isso é muito importante.
11:04Com a fusão, vocês também passaram a ter uma distribuição muito maior de produtos,
11:10em vez de originar ou captar os próprios produtos, vocês estão distribuindo produtos de muitas
11:16gestoras espalhadas aqui pela América Latina, pelo mundo, eu imagino.
11:19Perfeito.
11:20Eu diria o seguinte, a Vinci Compass, enquanto gestora de recursos própria, ela está sempre
11:29focada na região.
11:30Então os nossos produtos, eles são produtos, majoritariamente, com pouquíssimas exceções,
11:36produtos voltados para a região, ou seja, para produtos de países individuais ou regionais.
11:43Do México ao Chile, como eu falei, Brasil, obviamente, muito importante, mas produtos
11:49de diversas estratégias dentro dos países.
11:51Quando nós vamos para fora, nós fazemos duas coisas, basicamente.
11:55A gente faz a introdução dos melhores provedores desse tipo de serviço de gestão de recursos,
12:02dependendo da estratégia que nós acreditamos.
12:04Então tem uma trajetória longa de vários parceiros.
12:07A Vinci Compass, ela representa o Blackstone, representa o Ares, representa o Wellington,
12:16o Pinco, entre outros tantos, a 9to1.
12:20Então a gente escolhe os melhores gestores globais para determinada estratégia.
12:24E também o que a gente faz, também como uma parte de gestão de recursos e alocação,
12:29é se o cliente requer uma alocação de portfólio, usando terceiros ou usando ativos diretamente.
12:37Então, realmente, nós expandimos muito, não só com os produtos próprios, seja ele
12:42os fundos, efetivamente, ou carteiras administradas, mas também carteiras de alocação global,
12:47mas também a apresentação das melhores oportunidades com gestores específicos, dependendo
12:54da geografia e da estratégia, sempre nos mercados internacionais.
12:57Estêndaro, vamos falar um pouquinho de Private Equity.
13:01Se eu estiver errado, me corrija.
13:03É a origem da Vinci, começou com Private Equity e vocês captaram, acabaram de captar
13:10o quarto fundo, um fundo de 3 bilhões e 200 milhões de reais, que se eu não me engano
13:15é o maior fundo da história da Vinci.
13:19Então eu queria entender um pouquinho a estratégia, mas também entender o seguinte, como que
13:23vocês conseguiram captar num momento tão desafiador para essa indústria de alternativos
13:29e que com juros altos, não só no Brasil, mas ao redor do mundo, estava muito difícil
13:34conseguir alocar capital.
13:35Eu diria que esse ciclo de fundrais, de captação, foi um dos ciclos mais difíceis que eu já
13:41presencei.
13:42Realmente, foi o maior fundo em reais, naturalmente em dólares já teve fundos maiores, depende
13:48da flutuação do câmbio, mas foi o maior fundo em reais, dado que é um fundo focado
13:51em Brasil, esse fundo, é um fundo que é o quarta safra do nosso fundo flagship, que
14:00é o Vinci Capital Partners, que é um fundo que já tem uma trajetória bastante longa
14:06e foi muito, muito, muito difícil a captação.
14:09Demorou muito tempo?
14:10Demorou bastante, mais tempo que o normal, a gente teve muito sucesso do nosso ponto
14:14de vista, porque a gente contou muito com a confiança dos nossos investidores, eu acho
14:20que a safra anterior, o fundo 3, é uma safra que tem já mostrado resultados interessantes,
14:26mas a gente teve que olhar bolsos variados, não só o bolso global, mas também o bolso
14:32local, de investidores locais e um pouco o convencimento que nesse momento de juros altos
14:39e com uma equalização, vamos dizer assim, de preço de entrada dos investimentos, acho
14:43que a gente acha que está num momento bastante interessante de investimento, os investidores
14:47fizeram uma alocação que acabou se traduzindo nesse sucesso de captação do nosso ponto
14:53de vista.
14:54Agora, foi um esforço muito grande, não foi fácil, foi bem difícil, eu acho que existe
15:00não só um momento complicado na região, acho que um ceticismo com a classe de pré-vereco,
15:05por várias razões, questão de liquidez, juros altos, etc., mas também globalmente,
15:09então a gente pegou, vamos dizer assim, foi a tempestade perfeita em termos de captação,
15:13porque não só a região tem algumas questões, mas globalmente não era um momento mais simples
15:18também para fazer essa captação.
15:19E qual que é a estratégia do fundo, em vez de em que tipos ativos ela tem uma tese?
15:24É, na verdade o VCP é agnóstico, infelizmente a gente gosta de falar que no Brasil não
15:30dá para você ser tão focado para um fundo desse tipo de tamanho, porque você tem que
15:35ter também respeito aos ciclos, ele é um fundo em geral que ele faz controle, algumas
15:42exceções ele não faz, mas faz controle, ou com controle, mas em geral controle, ele
15:48é um setor focado em growth, porque o Brasil, a característica do pré-vereco do Brasil,
15:54um pouco diferente do pré-vereco global, até pelo juros muito alto de uma forma mais constante,
15:59você não tem tanta alavancada, não é um leverage buyout, não é uma compra alavancada
16:04de ativos, em que você aposta em corte de custo e ganho de múltiplo, você tem que
16:10ter crescimento.
16:11E o Brasil é um país que apresenta realmente oportunidades para isso, então é um fundo
16:14que tem growth, mas nada a ver com venture capital, é um fundo de growth com crescimento
16:19de modelos comprovados, em que em geral a gente acredita que consegue colocar setores
16:24que existem na metade competitivas ou ventos a favor, circulares no país ou na região,
16:31e que a gente consegue se aproveitar disso, obviamente com preço de entrada que seja
16:35razoável e em uma estrutura de capital que seja razoável também.
16:40Você pode me exemplificar com algumas empresas desse posto?
16:43Posso dar algum exemplo já, coisas que foram anunciadas, de transações já do fundo 4,
16:49dá um exemplo.
16:50Nós temos a compra do Outback no Brasil, é uma transação de controle, em que a Blooming
16:56Brand segue como minoritário, que era o controlador, e que tem um modelo de negócio, acho que todos
17:03os ouvintes vão saber que é totalmente comprovado, é um modelo de sucesso, em que existe uma
17:07potencial enorme de crescimento, porque é um crescimento que é meio, claro que existem
17:13outras marcas agregadas em volta do próprio Outback, mas o próprio Outback tem capacidade
17:17de crescimento muito grande, ele é uma marca que ainda tem muita demanda.
17:21Então, é um modelo comprovado, existem eficiências operacionais, questões de produto, óbvio,
17:27mas é um modelo claro de crescimento, em que tem uma condição muito evidente de geração
17:33de valor.
17:35A gente tem outra empresa que é o primeiro investimento do fundo, que é a Arklok, que
17:37a gente brinca, que é o Hardware as a Service, é uma empresa de tecnologia, em que, curiosamente,
17:43a gente observando o setor de tecnologia e a nossa experiência na Unidas, que hoje está
17:47incorporada no localizizo, que foi do fundo 2, nós já saímos, a gente viu que existe
17:52uma arbitragem de custo de capital, uma arbitragem de prestação de serviço, quando você serve
17:58uma empresa com alguma coisa que não seja a Corp, e no caso da Arklok, ela provê toda
18:04a parte de hardware, serviços agregados, helpdesk da empresa, em que você não precisa
18:12o CFO, não precisa se preocupar com o custo de fazer esse investimento, que nós vamos
18:16lá e entregamos o serviço para ele.
18:18Então, são exemplos claros e, obviamente, tem um crescimento grande no Brasil para isso,
18:23diferença de custo de capital no Brasil é uma coisa óbvia, então são exemplos aí
18:28do que a gente faz na classe VCP e, nesse caso, são dois investimentos do VCP4.
18:34É bem agnóstico, velho, tecnologia e alimentação.
18:37Exatamente, exatamente.
18:39Vocês têm outro fundo de Private Equity, que é o VIR, que se não me engano é 20,
18:43Impacto e Retorno, que tem uma tese um pouquinho diferente, que vocês estão captando também.
18:47Exatamente, vamos começar a captar, não estamos captando ainda, mas deve ser esse
18:50ano.
18:51O VIR seria o 5, o VIR ele tem, como você falou, Impacto e Retorno, ele tem características
18:56de impacto, obviamente, e a gente quis colocar o nome Impacto e Retorno porque ele junta
19:01as duas características, ele tem impacto sem abrir mão do retorno, esse fundo já é um
19:05pouco diferente, ele é um fundo em que nós somos minoritários, na maior parte das vezes,
19:10acho que 100% dos casos até agora, mas não tem essa régua explícita, mas sim, e é um
19:17caso em que são empresas menores, em que a gente apoia empreendedor de novo, não é
19:23Disruptos são tecnológicas, são modelos comprovados de empresas médias, por o tamanho
19:27do Brasil, em que a gente coloca cheques menores, a gente é minoritário, em geral a saída
19:32é ou por estratégico ou uma consolidação, mas que tem um impacto claramente identificável,
19:40e quando eu digo identificável, a gente tem lá um mapa, um painel de controle em que
19:45várias características de impacto têm que ser respeitadas e têm que ser objetivadas
19:50mesmo dentro do retorno.
19:51Sendo muito sincero, no Brasil isso não é muito difícil, porque você causa impacto
19:55com várias medidas que você toma com o seu investimento, então a gente consegue fazer
20:01isso em setores que são muito claramente correlacionados com as estratégias de impacto,
20:06como saúde e etc., inclusão financeira etc., etc.
20:11Me dá uma ideia da diferença do cheque do VCP para o VIR, porque são estratégias
20:17diferentes e empresas de tamanhos diferentes.
20:20Os IRs em geral são de R$ 50 a R$ 100 milhões e cheques do VCP são acima de R$ 300 milhões,
20:25de R$ 300 a R$ 500 milhões.
20:27Aqui é o que vocês estavam fazendo.
20:29Exatamente.
20:30Você tem uma meta de quanto você pretende captar para esse fundo novo aí?
20:32O fundo anterior foi R$ 1 bilhão e pouco, a gente quer manter mais ou menos o mesmo
20:37tamanho.
20:38Nessa fase, vai começar a captar esse ano.
20:39Exatamente.
20:40O cenário não mudou muito.
20:41Não, é difícil, o cenário é difícil, mas nós estamos no negócio de, eu brinco
20:48que o negócio de gestão de recursos alternativos são três pilares, capital, talento e ideias.
20:56Juntando o amálgama desses três tijolos, vamos colocar assim, ele é cultura e processo.
21:05Então a gente está sempre buscando as três coisas, ideias, que são oportunidades, talentos,
21:11que são pessoas e capital.
21:12Então estamos sempre captando também para poder, e esse amálgama de aprimoramento de
21:16cultura e processo, para poder fazer cada vez melhor.
21:18Alessandro, outra área da VINTE é a questão de crédito, crédito privado e crédito público,
21:24como você já comentou, e eu vi algumas declarações suas recentes falando de que isso, não sei
21:30se foi essa palavra, não deve ter sido com certeza, a bola da vez de que era uma área
21:33que estava crescendo muito, mas houve um boom, principalmente no ano passado, de crédito
21:39privado.
21:40Isso.
21:41O que se captou no ano passado em crédito privado, acho que foram as maiores cifras
21:45da história.
21:46Essa onda passou, como que está a questão do crédito privado?
21:50Eu acho que a oportunidade de crédito privado na América Latina é a maior que existe.
21:55E é, primeiro, que ainda é muito pouco penetrado, ainda é uma classe de ativos que ainda é
22:02muito aquém do tamanho das economias, existe uma concentração bancária, não só no
22:06Brasil, mas em todos os países da América Latina, então isso facilita também o crescimento,
22:11porque a base é muito baixa.
22:12E eu acho que tem uma característica muito interessante do crédito privado na indústria
22:18de asset management, que é bem simples.
22:22Como é que o crédito privado existe majoritariamente hoje na América Latina?
22:27Dentro dos bancos, dentro do sistema financeiro.
22:30E aí sempre existe uma questão de descasamento de ativo partidivo, principalmente no crédito
22:36corporativo, no crédito feito para empresas.
22:38Por quê?
22:39Porque você capta dinheiro de um lado, CDBs e diversos instrumentos, LCIs e tal, e dá
22:47o dinheiro para a companhia e tal, não estou falando de crédito para a pessoa física
22:50nem nada disso, que também é outra classe de ativos.
22:53Quando você coloca isso no fundo, você tem a capacidade de desintermediar esse mercado
22:58e fazer uma captação mais, vamos dizer, casada de ativos e passivos em termos de prazo,
23:07em termos de característica.
23:08Você traz o investidor final para o ativo final e você consegue ser tão diversificado
23:13quanto você quiser, ter o nível de risco que você quiser na parte de crédito.
23:17Então você é um instrumento extremamente poderoso para os investidores, porque você
23:24consegue um spread, dependendo do nível de risco, como eu falei, e do prazo, sobre os
23:29títulos públicos, ou CDs e CDBs de banco, com um casamento, do ponto de vista de risco
23:36sistêmico muito grande.
23:38Então é um crescimento que é muito bom até para o regulador, porque é um crescimento
23:42que você acontece naturalmente bem executado, com todo o compliance que tem que ser feito,
23:47um crescimento que tem muita saudabilidade para o sistema.
23:51Então por isso que lá fora, esse é o classe de ativo que mais cresceu, e aqui na América
23:55Latina a gente tem uma aposta muito grande nisso, e claramente que vai crescendo independente
24:01da minha visão do momento macro.
24:03Eu acho que isso, como eu falei, é um movimento secular de crescimento, que é a migração
24:08do crédito de forma geral, e o crédito privado em particular, para a indústria de gestão
24:12de recursos.
24:13Hoje o crédito privado representa quanto, mais ou menos?
24:16Hoje nós temos, mais ou menos, diretamente, produtos da Vinte, nós temos acima de 30
24:21bilhões de reais de crédito, de forma geral.
24:24Essa é uma área, pelo que você está falando, que mais vai crescer, ou o que tem dos crescimentos?
24:29Em termos de volume, sim.
24:30Realmente o private equity tem questões de capacidade, que a gente fala de capacidade,
24:34porque tem que ter oportunidade, que tem que caber dentro do fundo, tem questões de levantadia,
24:38tem questões de liquidez.
24:39O crédito, ele tem uma questão que para a América Latina, então, é um atrativo muito
24:43grande, isso em todas as classes de crédito, dentro de todas as estratégias dentro de
24:49crédito, que é a autoliquidação.
24:52Supondo-se que o devedor pague, você tem uma liquidação contratada que você não
24:57tem que fazer IPO, você não tem que vender para...
25:00Então você consegue ter um volume sobre gestão muito maior, e o mercado é muito
25:03grande.
25:04Você comentou também, Alessandro, sobre o IPO, que uma das razões que o IPO possibilitou
25:10foi uma estratégia de M&A agressiva para crescer em diversas áreas.
25:13Vocês fizeram vários M&As, vocês entraram nos ativos florestais, vocês entraram em
25:18special cities e outros, cardiagro, por exemplo.
25:24O que vocês estão olhando?
25:26Vocês ainda estão ativos em M&A, vocês estão vendo coisas, que áreas que vocês
25:30estão interessadas ou que podem ser complementar o que vocês pretendem entrar?
25:35Perfeito.
25:36Antes de entrar no M&A, explicando a lógica do M&A, a gente tem um modelo da Vinte Compas,
25:41e esse modelo não é nem melhor nem pior do que os outros modelos de outras gestoras,
25:46de outras empresas de serviços financeiros, porque a gestão de recursos não deixa um
25:52serviço financeiro importante.
25:54Essa frase nem é minha, ela é do Schwartzman, da Blackson, que ele costuma usar, e que eu
25:58acho que cabe bem como a gente pensa o nosso negócio, que eles até cresceram tanto hoje
26:02em dia que eu nem se qualificaria assim, mas é uma frase em inglês que é muito boa
26:08do modelo como a gente pensa, é big enough to matter e small enough to care.
26:14Então a gente é grande o suficiente para ser importante nas economias, principalmente
26:18na América Latina, então a gente tem tamanho de ativo sobre gestão, a gente tem a importância
26:24nas verticais que nós atuamos, para que tenha um deal flow, tenha um entendimento,
26:28tenha um respeito, tenha um relacionamento, tenha parceria com diversos stakeholders.
26:33Então isso é muito importante no big enough to matter, e o small enough to care é ter
26:37um tamanho em que nós estamos muito próximos do cliente, do parceiro, do investimento.
26:45Então é uma empresa que é grande em termos de recursos e ela é muito próxima.
26:49Esse é o nosso modelo, não quer dizer que os outros modelos são piores ou melhores,
26:52mas esse é o nosso modelo.
26:53E para isso a gente viu a oportunidade, depois do IPO, de crescer inorganicamente também,
26:59além do orgânico que é o dia a dia, é o feijão com arroz.
27:03Então o inorgânico, primeiro a gente conversou o seguinte, quais são as nossas visões estratégicas?
27:07Onde nós não estamos, o que nós queremos fazer?
27:10Número um, questão de América Latina que a gente já tratou com a Compass, então entrar
27:15em outros países da América Latina na mesmo tipo de estratégia.
27:19Mas dentro das verticais que nós estamos atuando, Private Equity, Crédito, Real Estate,
27:26Infraestrutura, Equity e por aí vai, aonde nós podemos complementar com times, AOM,
27:34Track Record, o que a gente tem ou o que a gente ainda não tem ali pontualmente?
27:39Então nós fizemos algumas aquisições, SPS, na parte de Crédito Oportunista, de
27:44Opportunistic Credit Solutions, que é Special Situations, como é chamado, a parte florestal
27:52com a Lacan, a parte de agro com a Mave, então a gente conseguiu complementar para crescer
28:00em cima de plataformas que eram plataformas de sucesso e tinham questões de crescimento,
28:05eram focadas em um nicho só e que a gente acreditava que no ecossistema de uma gestora
28:11de alternativas diversificadas elas poderiam se beneficiar.
28:14E a gente continua olhando isso em duas dimensões, dentro dos mercados, aonde a gente consegue
28:21aprofundar a nossa estratégia ou aonde a gente consegue acelerar o nosso crescimento.
28:26Isso acontece muito na América Latina, por exemplo, que a gente está olhando muito.
28:31Por quê?
28:32Porque é muito difícil algumas vezes você começar organicamente algumas atividades
28:37como esse private record, por exemplo, você precisa de anos de track record, então a
28:41gente já tem isso.
28:42Então como é que a gente acelera e faz algumas, alguns acréscimos, alguns hedons para essa
28:48nossa estratégia?
28:49Em países da América Latina a gente não tem uma track record longa, então você traz
28:54times ou gestoras, então a gente está olhando, Ralf, assim, absolutamente tudo por dever
28:59de ofício, mas obviamente com um crivo muito alto, então a gente já tem o que a gente
29:05tem para crescer organicamente, mas oportunisticamente, aonde a gente acha que estrategicamente faz
29:10sentido, que hoje é muito olhando para a América Latina, a gente fazer alguns acréscimos
29:14aonde a gente acredita que isso pode ajudar.
29:16Então seria menos Brasil, mais América Latina?
29:19Eu diria que no Brasil a gente está bastante completo, mas também observamos a oportunidade
29:23do Brasil, não é que a gente não olhe, só acho que no Brasil talvez a gente tenha
29:27um portfólio de oportunidades hoje já muito mais completo.
29:32Nesses outros países eu acho que a gente pode ganhar muita sinergia trazendo grupos
29:37para dentro da VINTE Compas.
29:39Não tem mais nenhum país onde vocês queriam atuar?
29:41Não, acho que hoje o foco é na América Latina, então os países da América Latina
29:47já estão lá.
29:49Uma área em que um dos concorrentes da VINTE cresceu bastante foi o Real Estate, vocês
29:53estão olhando o Real Estate, vocês pretendem fazer transações na área do Real Estate?
29:56A gente é um dos maiores players de Real Estate hoje já no Brasil, a gente tem algumas
30:02atividades fora do Brasil, a gente está olhando bastante.
30:04A questão do Real Estate hoje no crescimento é a oportunidade está na condição correta
30:09em termos de preço e em termos de condições de governança e também vis-à-vis o momento
30:16de mercado, porque não tem nada mais complexo para um cenário de Real Estate do que um
30:21juro muito alto.
30:22Um juro nesse patamar.
30:23Então a gente olha, estamos olhando, já olhamos a oportunidade, tem vários outros
30:28players muito interessantes, muito competentes no mercado, mas tem essa questão de time
30:33para a gente e as condições corretas, mas tem muita gente que a gente admira no mercado
30:37sim.
30:38Vocês têm fundos listados?
30:39Temos, temos.
30:40São um dos maiores de fundos listados no mercado.
30:42Quanto que é o tamanho do Real Estate hoje da VINTE?
30:44Real Estate hoje da VINTE, somando os diversos países, a gente deve ter por volta, eu te
30:48confesso que esse número não está na minha cabeça, mas dá uns 7 bilhões de reais ou
30:518 bilhões.
30:52O Alessandro, vocês compraram a Compass, triplicaram os ativos sob gestão, tem mais
30:59de 50 bilhões de dólares sob gestão, você estava me comentando, é mais de 320 bilhões
31:05de reais.
31:06Você tem uma meta, onde vocês querem chegar?
31:10Qual que é o patamar?
31:11Vocês querem chegar a 100, a 60, a 70, vocês deram esse guidance aos investidores?
31:17A gente que não dá o guidance, eu acho que tem muito para crescer, como eu falei, só
31:23o mercado de crédito privado a gente é incipiente ainda, ele pode crescer muito, só você vê
31:28exemplos de crédito, os tamanhos são muito grandes, mas acho que o importante para essa
31:35sua pergunta é que realmente a gente vai crescer na medida que a gente consiga entregar
31:42os mandatos que a gente se propõe a fazer.
31:45E tem que se levar em consideração que a gente fez a abertura de capital em 2021,
31:50temos tido um sucesso no crescimento, mas num cenário extremamente adverso.
31:55Então existe também uma ciclicalidade da migração de recursos, principalmente aqui
32:02na América Latina, com um cenário de juros mais benigno, a gente já viu isso acontecer.
32:07A gente tem crescido de forma consistente, com um cenário muito adverso, mas a gente
32:13acredita em condição de crescer muito mais rápido, com um cenário mais favorável.
32:17Então a gente acredita que pode ter um crescimento bastante importante, não só nosso, mas da
32:22indústria e atualmente a gente está bem posicionado na indústria, pelas coisas que
32:26nós já conversamos aqui, o tamanho que nós temos, mas não existe um tamanho, mas existe
32:31muita oportunidade, a penetração de alternativos nos investidores locais, por exemplo, no Brasil
32:37é baixíssima ainda, você tem uma penetração de crédito privado muito baixa, então existe
32:44um potencial de crescimento muito grande, naturalmente esse crescimento acontece, dada
32:49a ciclicalidade dos mercados, quando você tem um cenário mais benigno.
32:53Você falou de oportunidades, já comentou sobre o crédito privado, que outras áreas
32:57você vê que tem essa grande oportunidade?
32:59Eu acho que a parte de real estate, como você falou, tem uma potência muito grande, porque
33:03é um mercado, vamos dizer, quase que infinito, se você for olhar todas as classes dentro
33:09de real estate, como logística, com toda essa parte de e-commerce, etc, a parte mesmo
33:16de malls, de shoppings no Brasil, é totalmente subpenetrada, principalmente urbano, totalmente
33:22diferente do mercado lá fora, toda a parte residencial, então assim, existe muita coisa
33:27na parte de real estate.
33:29E outra área que a gente acha que é uma oportunidade a nível global, isso para a
33:34América Latina inteira, em termos de tamanho, que eu digo no nível global, é que consegue
33:37atrair capital em boletas globais, em tamanhos globais, é a parte de infraestrutura, não
33:43precisa explicar para ninguém que infraestrutura na América Latina é subinvestida, e para
33:48crescimento do ponto de vista econômico e financeiro, melhoria social, tudo isso embute
33:56um investimento em infraestrutura, então desde infraestruturas mais básicas, como
34:00estradas, aeroportos, até infraestrutura social, existe uma gama de possibilidade de
34:08investimento aí na América Latina inteira, o Brasil obviamente liderando sempre a América
34:12Latina como o maior país da região, mas a América Latina inteira é uma oportunidade
34:15gigantesca infra.
34:16O Alessandro, vocês captam, eu imagino que boa parte do investimento de vocês é investimento
34:22institucional e de investimento estrangeiro, que estão colocando dinheiro nos fundos de
34:27vocês, como os estrangeiros estão olhando o Brasil hoje?
34:30É, acho que esse ponto que você tocou é muito importante, a Vint Compass é uma empresa
34:36institucional, eu diria mais de 60, se o número estiver na minha cabeça correta, 65% quase,
34:4362, 65% do nosso recurso e também da nossa receita vem de investidores institucionais,
34:49o que faz com que você tenha uma visão muito diferente, muito de longo prazo, que
34:53são investidores com uma visão muito de longo prazo, então isso ajuda um pouco essa
34:58nossa visão estratégica, o nosso cliente, a gente reflete um pouco o que esse cliente
35:02tem, que é uma visão estratégica de longo prazo, que leva a gente a ter análises muito
35:06profundas antes de a gente entrar em qualquer investimento ou decisão.
35:10E o estrangeiro agora, eu diria o seguinte, eu diria que teve um excepcionalismo americano
35:18importante em termos de atração de investimento, que ainda existe concentrado lá, em que a
35:23região da América Latina, ela virou uma região menos importante, com uma alocação
35:30muito baixa.
35:31Uma vantagem que nós temos agora é que a alocação da América Latina é baixíssima,
35:35seja para os investidores da própria América Latina em termos de investimentos de risco,
35:39seja para os investidores externos, os investidores externos têm alocação na região, mas ainda
35:43é muito pequena.
35:44E qualquer aumento dessa alocação muda totalmente a cara do cenário.
35:54Naturalmente, hoje, a nossa visão é de que essa alocação deve aumentar pelas condições
36:01globais e também, obviamente, tem que ser feito um trabalho a nível dos países, quer
36:06dizer, de atração desse investimento, mas hoje o Brasil e a América Latina, México
36:12e etc., têm uma condição um pouco diferente, cada país é um próprio universo em si só,
36:17mas a América Latina como um todo, ela hoje não é relevante nos portfórios globais,
36:24mas ela vem atraindo mais atenção até por essas questões de aonde que eu vou investir
36:29o meu dinheiro, como é que isso vai ficar para frente, essa incerteza e essa volatilidade
36:33do mercado global está ajudando a atrair um pouco de atenção para a região, então
36:37a gente acredita que com a melhoria macroeconômica e com essa atração, a atenção aumentando
36:43para a região, a gente pode ver uma alocação maior dos investidores que até então tem
36:46sido bastante tímido, vamos colocar assim.
36:49Tem-se falado muito sobre o fim do excepcionalismo americano, ou seja, de que os Estados Unidos
36:55conseguirem atrair todo o capital, isso pode beneficiar, então, a região?
36:59Eu acho que pode beneficiar, se são geopolíticas de Ásia, com América, com Europa, eu acho
37:05que a região aqui está em uma condição nesse sentido muito positiva, porque a alocação
37:10é mínima, então, como eu brinco, o crescimento pode ser muito grande porque a base é muito
37:14baixa, e aí essa questão da discussão, acho que ainda é cedo para dizer, mas sem
37:19dúvida, no mínimo, os investidores começam a ponderar mais essa alocação geográfica.
37:26Alessandro, estamos chegando ao final, no final faça um bate-bola, perguntas e respostas
37:32rápidas, vamos lá?
37:34Por favor.
37:35Então, me diz um investimento que você se arrepende.
37:39Olha, como uma pessoa que já tem uma experiência longa de investimento, tem muitos que eu me
37:46arrependo, mas eu diria, para juntar vários que eu me arrependo em uma coisa só, eu digo
37:52que eu, particularmente, eu me arrependo muito de investimentos onde a gente entrou, tanto
37:58da parte principalmente de private equity, infra, pode ser real estate, aonde a governança
38:03acabou sendo muito dividida em termos de controle com grupos, principalmente empresariais, menos
38:10financeiros, menos expostos, como a gente fala, com uma visão diferente da nossa, que
38:15isso acontece muito, porque você tem características, principalmente quando são famílias ou são
38:20empreendedores, com visões quase que emocionais diferentes da nossa proposta para a companhia.
38:29Então, sempre que a gente entra, ou não tenha entrado mais, porque a gente aprende,
38:33mas que a gente entrou nisso com uma governança que não foi ideal, a gente aprendeu muito
38:38com isso.
38:39E esses investimentos que a gente se arrepende, eles são bons, porque criam casca.
38:44Lições, né?
38:45Lições importantes.
38:46Então, eu diria que juntando eles todos, e tem vários tipos em que a gente não tinha
38:51uma governança que não era ideal.
38:53No Brasil é muito complicado, porque as questões de contrato são complexas, as questões mesmo
38:59de arbitragem são complexas, então você escreve tudo bonitinho num contrato, que pode
39:04ir para arbitragem ou para justiça comum, tanto faz, mas na hora de executar aquilo
39:07é bem mais complicado, as pessoas têm entendimentos diferentes, então a gente tenta hoje evitar
39:11muitos tipos de coisas.
39:13E o contrário, Alessandro, investimento que você se orgulha?
39:17Aí também tem vários, mas eu vou dar um exemplo de um que a gente tem um orgulho muito
39:21grande, que inclusive já saímos, só para dar um exemplo do que a gente saiu, que é
39:25Equatorial Energia, que a gente começou isso nos anos 2000, uma empresa que começou com
39:31investimento na Semar, que era um caso de retomada de concessão, a primeira na história
39:36do Brasil, no Maranhão, de um estratégico estrangeiro que entregou de volta com ações,
39:44que começou por aí, teve um retorno espetacular, como investimento para a EverEquity, espetacular
39:51infraestrutura para a EverEquity, e hoje é uma empresa que está aí, que a gente já
39:57saiu e ela é uma empresa líder setorial, que vale mais de 40 bilhões de reais na Bolsa,
40:03que começou do zero.
40:04Então assim, eu diria que praticamente do zero o investimento foi muito pequeno lá
40:09atrás, comparado com o tamanho da empresa hoje, obviamente não foi do zero, mas comparado
40:13com a empresa hoje dá muito orgulho de ver que você criou uma coisa que tem um impacto
40:18em todos os aspectos, falando de impacto antes, isso é uma empresa de 45 bilhões, é engraçado
40:23que no Brasil você consegue fazer isso com uma empresa de utilidades, de prestação,
40:26uma concessionária pública, mas Equatorial é um exemplo.
40:30E um livro de cabeceira?
40:32Excelente pergunta, eu gosto de ler muito, mas livro de cabeceira é aquele que você
40:37volta, é aquele que está na cabeceira para você voltar a ele, então eu vou colocar
40:41dois aqui, que estão na minha cabeceira, que eu estou me lembrando agora.
40:44Um que eu gosto de ler sempre é o livro do desassossego, do Fernando Pessoa, que é uma
40:50coisa espetacular, eu particularmente acho que o Fernando Pessoa não é só um poeta,
40:54ele é um filósofo, e o livro do desassossego tem a característica clara disso, que é
41:00uma prosa poética filosófica, como eu gosto de falar, e é um livro interessante de você
41:05ler trechos, você não precisa ler ele todo, todas as vezes, eu já li algumas vezes, às
41:10vezes eu vou lá para ver algum trecho e sempre tem uma lição importante, não só para
41:14a minha vida, que não tem nada a ver com o trabalho, mas também para o dia a dia
41:18do trabalho, então assim, eu acho que é sempre inspiracional, e outro livro que eu
41:22gosto de ler também, que não é que eu sou de criação católica, não sou super
41:31religioso, mas sou catórico, estudei em escola catórica, tanto nos primeiros anos quanto
41:36na faculdade, sou uma cria da PUC Rio de Janeiro, é a Bíblia, especificamente a Bíblia da
41:43tradução direta do grego português, que é excepcional, que é do Frederico Lourenço,
41:52que é um português, que traduziu direto do grego, e é muito interessante, e também
41:56trechos, que tem sempre uma lição interessante com essa dominadoria histórica, então acho
42:00que são dois livros de cabeceira, não do ponto de vista só religioso, mas do ponto
42:03de vista de lição, e o livro Desassossego, são dois livros que eu gosto, e diria que
42:07são dois livros de cabeceira, então estou literalmente na minha cabeceira o tempo todo.
42:10E um hobby?
42:13Também tenho vários hobbies, e eu vou falar o mais recente.
42:16Você vai mudando os hobbies, né?
42:18Não, alguns eu mantenho, mas esse é uma coisa que tem me ocupado bastante, eu aprendi
42:23a jogar xadrez com meu avô, bem garoto, eu sempre gostei muito, joguei muito com ele
42:29e tal, com meu irmão, e há uns anos atrás eu li alguma reportagem que era uma coisa
42:37que estimulava a cabeça, era bom, questão do envelhecimento, e aí eu comecei a baixar
42:42esse app mais popular de xadrez, e hoje eu jogo xadrez regularmente, tem sempre um momento
42:47no meu dia, sei lá, estou esperando um avião, estou fazendo alguma coisa, hoje a gente tem
42:51muito tempo, e eu jogo com gente do mundo inteiro no app, e eu adoro, e hoje eu diria
42:59que é um dos principais hobbies, entre outros que eu tenho vários, mas esse eu diria para
43:03citar um, para também não ficar citando vários de cada coisa, esse é um hobby que
43:06hoje em dia eu me divirto muito.
43:08E Alessandro, todo mundo tem uma frase, um mantra que leva para a vida, qual a sua?
43:16Eu não diria que é uma frase, eu sou frasista, então assim, eu tenho várias frases também,
43:21adoro frases, devo ter falado algumas na entrevista e nem percebi, gosto de dar crédito também
43:27para as frases, mas tem uma frase que na verdade não é uma frase, é uma fórmula, e tem
43:35uma frase também que eu gosto, mas eu vou falar da fórmula primeiro, uma fórmula que
43:38é meio que serve para tudo, que toda hora que eu vou tomar uma decisão e eu vou falar
43:43com alguma coisa, com alguma pessoa, vou entrar em uma reunião, eu penso nela, que
43:48felicidade ou satisfação é igual a realidade menos expectativa.
43:54Então a felicidade ou a sua felicidade, a minha felicidade é de qualquer um, ou a satisfação,
43:58ela é sempre uma conjugação desses dois fatores, a realidade menos expectativa, se
44:05a expectativa for muito alta, para baixo, se a realidade for mais alta, para cima, então
44:11essa conjugação das duas coisas, elas são muito importantes.
44:16E uma outra frase que eu gosto, que essa é do Woody Allen, que é 80% of success is just
44:21showing up, então assim, a gente fala de um monte de coisa, a gente tenta prever tudo,
44:26tem muita estratégia, óbvio que você tem que fazer isso, mas você tem que estar lá
44:29para fazer, então você tem que estar presente, você tem que aparecer, você tem que se apresentar
44:34para a vida, e isso seja para o negócio ou seja para qualquer outra coisa.
44:41Então são duas frases que eu uso, entre outras que eu gosto, mas essas duas aí eu
44:46acho bem interessantes.
44:48Alessandro, muito obrigado aqui por participar do Café com o Investidor.
44:52Muito obrigado a você pela oportunidade, Ralf, e ao Nelfid também.
44:57Este foi o Café com o Investidor, eu conversei com o Alessandro Horta, ele é CEO da Vinci
45:02Compass, você pode assistir esse programa nas páginas do Nelfid, nelfid.com.br ou na
45:08nossa página no YouTube.
45:10Agora se você prefere ouvir, escolha aí o seu tocador preferido, segue a gente e até
45:15o próximo episódio.
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