00:00Quarta-feira, você já sabe, é dia do quadro Capital Sustentável aqui no Jornal Times Brasil.
00:11Hoje, de forma remota, eu converso agora com o nosso notável especialista em sustentabilidade,
00:17Carlo Pereira.
00:18O assunto dessa super quarta, com definição de taxas de juros e conclave no Vaticano,
00:23é o acordo entre Estados Unidos e Ucrânia, que dá aos americanos acesso preferencial
00:28a reservas ucranianas de minerais estratégicos, como lítio, grafite e titânio, entre outros.
00:35Carlo, boa noite. Obrigada mais uma vez por estar aqui com a gente.
00:39Queria começar entendendo qual é o impacto global desse acordo para a disputa internacional
00:44por minerais estratégicos, que são essenciais para a transição energética
00:48e para a indústria de alta tecnologia, como a gente sabe.
00:53Oi, Cris. Boa noite. Uma pena não estar aí com você hoje, mas estou a caminho de Nova Iorque
00:58até para a cobertura da semana, que você estará cobrindo com a gente também.
01:03Estaremos juntos lá.
01:04Esse acordo é muito...
01:05Esse acordo é muito importante.
01:09É claro que a gente precisa de muitas definições.
01:14Então, os ucranianos, claro, que são os mais afetados, estão com muitas dúvidas.
01:19Então, por exemplo, não se sabe de fato qual que é a influência que os americanos vão ter.
01:26Primeiro, quando a gente fala em minerais críticos, falamos não só, na verdade, nos minerais críticos.
01:32Na verdade, a gente fala de minerais em geral.
01:35A gente fala, inclusive, de reservas de petróleo, que lá a Ucrânia não tem grandes reservas,
01:40mas a gente está incluindo isso também.
01:42Agora, o foco, sem dúvida nenhuma, é de minerais críticos.
01:46Inclusive, o presidente Trump, ao falar sobre esse acordo, ele fala das terras raras,
01:51fala dos minerais críticos.
01:53É bem curioso ver isso.
01:55Para a Ucrânia, foi muito importante no sentido de que o primeiro acordo,
01:59o primeiro rascunho, como a gente lembra, ele falava, por exemplo,
02:03que os Estados Unidos teriam, então, nesse fundo, já o valor que eles teriam aportado até agora,
02:11que fala em 130 bilhões.
02:14E, claro, a gente vê o presidente Trump, como sempre daquela exagerada,
02:18fala em 350, mas o número está aí por volta de 130 bilhões.
02:24Mas, de qualquer maneira, isso vai dar uma mexida no mercado.
02:28E uma mexida no mercado em qual sentido?
02:31Como sabemos também, a China é responsável pelo processamento de 70% de terras raras,
02:39por exemplo, que estão disponíveis no mundo.
02:42Quando falamos dos Estados Unidos, 90% das terras raras que vão para os Estados Unidos vêm da China.
02:49Então, esse acordo tem uma importância muito grande, simbólica, emblemática,
02:59porque coloca, então, tira a dependência dos Estados Unidos e da China.
03:03Só que não tão rapidamente, porque para a gente começar a processar, minerar e processar esses minérios,
03:11a gente leva alguns anos.
03:13Então, por isso, não vai ser de um dia para o outro.
03:16Outra coisa importante e curiosa também, Cris, que aconteceu nesse acordo,
03:20é com relação a essa coisa da dívida que o presidente americano falava que ia colocar nisso.
03:26Essa dívida foi retirada.
03:27Quando pensamos, por exemplo, no Reino Unido, o Reino Unido fez uma dívida, outro formato,
03:33mas fez uma dívida com os norte-americanos da Primeira Guerra.
03:38E, Cris, essa dívida foi paga em 2006, então, até 2006, 90 anos pagando essa dívida.
03:46Então, para os ucranianos, nesse sentido, valeu muito a pena.
03:49Mas, sem dúvida nenhuma, isso vai dar uma bela mexida no mercado.
03:53Outro ponto também a se saber, e curioso aí, é que boa parte dessas reservas estão em territórios
04:02que hoje estão ocupados pela Rússia.
04:05Então, quantos russos vão permitir também que empresas passem, então, a explorar esse espaço?
04:11O outro ponto que tem, para finalizar essa primeira pergunta, é com relação também ao uso.
04:17Os ucranianos, eles querem ser exportadores de minério bruto, isso também não está na acordo, não está definido.
04:24Então, muita coisa ainda vai acontecer nessa geopolítica dos minérios.
04:30Se a gente falar do Brasil, Carlos, quais são os possíveis impactos desse acordo para os investimentos
04:35e para o nosso setor de mineração?
04:38Olha, a gente tem muita oportunidade, acabamos de escutar, por exemplo, com relação ao acordo Europa e Mercosul.
04:50E um dos pontos mais importantes, sem dúvida nenhuma, é com relação à mineração, com relação a minérios críticos.
04:57Cris, por exemplo, essa COP, tem muita gente dizendo que vai ser a COP da mineração.
05:02Já se escuta isso, dada a importância que os minerais passaram a ter.
05:09Então, por isso, a gente tem uma vantagem estratégica muito importante para o mundo.
05:15E todo mundo vai querer se aproximar do Brasil pensando nisso.
05:19Por quê? Porque nós temos reservas.
05:21Quando falo em terras raras, quando a gente fala em outros minerais críticos, nós temos grandes reservas.
05:26As maiores reservas do mundo, na maior parte desses minerais críticos, a gente está sempre ali entre os cinco maiores.
05:33E o que a gente precisa fazer, claro, sem dúvida nenhuma, o governo está lançando mão de várias iniciativas,
05:40a iniciativa privada também, para que a gente processe adequadamente e que a gente passe a ser,
05:47não só ter uma grande reserva, mas para que passemos a ser também grandes exportadores desses minerais.
05:54Ou, ainda melhor, que para além desse processamento, a gente passe a produzir equipamentos, de fato,
06:01que façam uso desses minerais e aí, então, a gente deixa de virar só um país de commodities.
06:08E aproveitando, claro, o gancho que você está indo para Nova York,
06:13queria saber se com o retorno de Donald Trump à presidência americana,
06:17essa semana que tem vários eventos, inclusive Person of the Year, da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, em Nova York,
06:23ela acaba ganhando mais peso? E qual é a expectativa do empresariado brasileiro
06:28diante desse novo cenário político nos Estados Unidos?
06:32Como é que esses encontros podem ajudar o Brasil, de fato, a se reposicionar estrategicamente no contexto global?
06:40Cris, esse tópico que a gente acabou de falar está muito ligado à semana.
06:44Toda semana, você generosamente me traz aqui para eu trazer explicações e muitas vezes eu deixo mais dúvidas do que explicações.
06:53Não é mesmo? Porque a gente vê que tudo muda muito rapidamente e as coisas não são tão claras como deveriam ser.
07:02Então, sem dúvida nenhuma, essa semana que já é tradicional, tem algumas décadas e ganha cada vez mais forte,
07:09ela tem um sabor especial, que é esse sabor de vamos entender em loco o que está acontecendo,
07:15vamos entender como se dará a relação Brasil-Estados Unidos.
07:20Então, quando olhamos, são dezenas de eventos, Cris, ao longo dessa semana.
07:27Então, quando a gente olha a programação dos eventos, que claro, os eventos sempre tiveram uma palha pitada
07:32de relação Brasil-Estados Unidos. Afinal, são milhares, não centenas, mas milhares de executivos brasileiros
07:41que estão em Nova York nessa semana.
07:42Então, é claro que sempre vai ter esse viés de se discutir, então, a relação Brasil-Estados Unidos.
07:51Mas, uma vez que o Trump veio e vem com medidas bastante enérgicas, eu diria, e coloca o mundo a enxergue,
08:01traz uma mudança da geopolítica muito considerável e definitiva, a mudança é definitiva, né?
08:07Então, ficam muitas dúvidas e, claro, os eventos, as discussões, as roundtables,
08:13eles vão ajudar a trazer um pouco mais de luz a essa discussão.
08:18Carlo, muito obrigada, prazer, nos vemos em Nova York, então, olha que chique.
08:24Até Nova York.
08:25Boa viagem para você.
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