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Os Estados Unidos apreenderam um petroleiro de bandeira russa ligado à Venezuela no Atlântico Norte. Felipe Machado analisou o cenário e o jurista Williander Salomão explicou os impactos no direito internacional, na Otan e na geopolítica do petróleo.

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Transcrição
00:00A gente vai continuar falando sobre essa apreensão feita pelos Estados Unidos de um petroleiro de bandeira russa ligado à Venezuela.
00:08E o nosso analista Felipe Machado já está aqui com a gente, porque a gente vai conversar um pouquinho mais.
00:12Nós temos um entrevistado já já. Tudo bem, Felipe? Boa tarde, como é que você está?
00:15Tudo bem, boa tarde.
00:16Bom tê-lo aqui sempre, nesse espaço aqui no Fast Bunny.
00:19Boa tarde a todos.
00:20Ô Felipe, de acordo com as autoridades norte-americanas, a embarcação, essa que os Estados Unidos acabou apreendendo,
00:28estaria violando sanções internacionais.
00:31Então a gente vai saber um pouquinho mais, a gente acompanha aqui na tela imagens da ação dos Estados Unidos
00:36em relação a esse petroleiro, que era o chamado Bela 1, porque ele até mudou de nome,
00:41com os helicópteros pousando no petroleiro, com os militares descendo de rapel.
00:46A gente vai falar um pouquinho mais sobre essa ação com o mestre e doutor em Direito Internacional, o Viliander Salomão.
00:54Viliander, que está aqui conosco.
00:55Oi, professor, muito boa tarde, bom tê-lo aqui no Fast Money.
00:59Tudo bem contigo?
01:01Tudo bem, Érico. É um prazer estar de volta.
01:04O nosso analista Felipe Machado também vai participar deste bate-papo.
01:09Professor doutor Viliander, eu gostaria que o senhor trouxesse um olhar para a gente,
01:14porque essa ação agora no Atlântico Norte dos Estados Unidos pode causar uma animosidade,
01:19uma turbulência diplomática, inclusive aí trazendo os russos, ou os russos talvez se aproximando até um pouquinho mais da Europa,
01:27a Europa que se sente ameaçada também agora por Trump em relação à Groenlândia.
01:32Como é que o senhor faz essa leitura?
01:33Parece que o Trump está enlouquecendo o mundo, né, professor?
01:36Olha, Érico, é como você tinha dito antes, né, está tendo uma reviravolta nas relações internacionais,
01:43aí motivadas pelas ações do Trump diretamente na Venezuela.
01:48Com a apreensão desse navio, é bom a gente dizer que pela Convenção de Montego Bay,
01:53a Convenção Internacional sobre o Direito do Mar,
01:55qualquer embarcação estrangeira em águas internacionais,
02:00ela está sob a jurisdição da bandeira do país dela,
02:04e é impossível ter algum tipo de ataque, uso da força ou apreensão.
02:10Isso violaria as regras internacionais.
02:12No caso da apreensão do navio pelos Estados Unidos,
02:15era um navio de bandeira russa escoltado por um submarino russo,
02:20mas por causa das sanções dos Estados Unidos contra a indústria do petróleo da Venezuela,
02:25que revogou licenças de empresas estrangeiras de utilizar e exportar o petróleo venezuelano
02:32para fora do país, então há um problema duplo,
02:36porque a Rússia já reclamou que isso é uma violação do direito internacional.
02:43O nível de tensão causado pela captura do Maduro,
02:48isso tudo envolve uma incerteza mundial,
02:52porque os países agora não sabem o que vai acontecer.
02:55Com certeza, professor. Boa tarde mais uma vez.
03:00Professor, são tantos episódios que é até difícil a gente escolher um específico para falar,
03:06mas eu queria perguntar para você sobre um específico em relação à Groenlândia.
03:10A Groenlândia, que embora tenha um governo semi-independente,
03:14pertence à Dinamarca, administrado pela Dinamarca,
03:17é que é um país da OTAN, que é um país membro da OTAN,
03:20Organização do Tratado do Autântico Norte,
03:22cujo líder, vamos dizer assim, é o próprio Estados Unidos.
03:26O que acontece se um país da OTAN ataca outro país da OTAN?
03:29Eu acho que isso não estava previsto pelo artigo 5º,
03:31que prevê que quando se tem um ataque externo a algum país da OTAN,
03:35toda a OTAN reage de forma conjunta.
03:38Eu acho que quem redigiu as regras da OTAN não estava imaginando um mundo tão maluco como esse,
03:42não é, professor?
03:43Não, não, você disse certo mesmo,
03:45porque a Groenlândia, ela pertence à Dinamarca, um país da OTAN,
03:49e quando a OTAN foi criada, esse artigo 5º, que é uma cláusula compromissória,
03:53onde algum país membro da OTAN, se for atacado por um país estrangeiro,
03:58todos têm um direito de ação coletiva.
04:00Mas nunca se pensou que um próprio membro da OTAN atacasse outro.
04:04Então isso aí é mais um ineditismo da administração do Trump,
04:09causando aí um temor na Europa de uma ocupação de um território
04:14pertencente a um país europeu e da OTAN, por um próprio aliado.
04:19Então isso desafia todas as regras internacionais,
04:22toda a inteligência, todo o cuidado que vem sendo construído aí
04:28desde a criação da ONU, porque isso é algo impensável.
04:32Em relação da Rússia com a Ucrânia, era meio que temeroso
04:37de evocar essa cláusula quinta, caso a Rússia avançasse no território europeu.
04:43Mas e o governo Trump, desde a sua eleição, ele disse
04:47problemas do mundo com o mundo, eu vou me preocupar com a América.
04:51Só que agora em janeiro, com essa situação da Venezuela
04:54e a efetividade de uma ocupação da Groenlândia,
04:57essa política do Trump vem mudando para uma política de anexação de território.
05:04Professor Williander, agora há pouco a secretária Christy Noem,
05:09que é a secretária de Segurança Interna dos Estados Unidos,
05:12ela fez uma publicação aqui no X, dizendo o seguinte,
05:16ela contesta, inclusive essa questão de que a bandeira do Bela 1,
05:20do antigo Bela 1, que foi abordado agora no Atlântico Norte,
05:24seja uma bandeira russa ou tenha bandeira.
05:26Ela chama de frota fantasma.
05:29Inclusive disse que além deste navio no Atlântico Norte,
05:33os Estados Unidos realizaram uma outra operação bem meticulosa,
05:38coordenada a esses dois navios tanque, que ela fala de frota fantasma.
05:43Um esse no Atlântico Norte e outro em águas internacionais perto do Caribe.
05:48Então os Estados Unidos já estão contestando, inclusive, essa bandeira russa.
05:52Por que a gente tinha informação de que, inclusive,
05:55um submarino russo estaria escoltando este navio abordado aí pela Marinha Norte-Americana?
06:01Professor, como é que você também enxerga ou avalia essa situação?
06:05Se a gente for olhar pela perspectiva do ponto de vista das sanções,
06:11nenhuma embarcação estrangeira pode chegar ou sair da Venezuela com petróleo.
06:16Se você coloca a bandeira de um outro país,
06:19você está sobre a égide da Convenção de Montego Bay,
06:23que prevê que navios estrangeiros estão sob a jurisdição da nação detentora dessa bandeira.
06:29E qualquer tipo de ação contra esse navio tem que ser concordado por essa nação.
06:35Então a gente tem as informações da imprensa
06:39de que a bandeira russa pelos Estados Unidos seria uma tática,
06:45uma manobra para a violação,
06:47que seria um petroleiro da PDVSA, que é a estatal venezana de petróleo,
06:52para levar petróleo para a Ásia.
06:54Então aí há uma guerra de narrativas e os Estados Unidos interpretando isso
06:59como uma bandeira falsa autorizaria um ataque.
07:05Só que mesmo assim ele teria que averiguar com o governo russo
07:09a legalidade dessa bandeira para que não aumente as tensões ali,
07:14principalmente por causa do petróleo, já que a gente está falando da Venezuela,
07:18de um país com as maiores reservas comprovadas de petróleo do planeta.
07:22Isso não é pouca coisa.
07:23É, porque rapidamente, viu, Felipe e professor,
07:26porque a Casa Branca, indo muito ao encontro do que o senhor está falando,
07:29professor Williander,
07:30alega que as embarcações venezuelanas que estariam ali sob o bloqueio norte-americano,
07:37as embarcações estariam pintando ali, as pessoas a bordo,
07:41estariam pintando bandeiras russas nos cascos dos navios
07:44para reivindicar a proteção de Moscou.
07:47Então, como o senhor disse, essa guerra de narrativa,
07:50os Estados Unidos dizem, não, não é de bandeira russa,
07:52estão pintando aí, ou frota fantasma,
07:54e aí a Rússia falou, não, isso serve para a gente.
07:57Claro, porque a Rússia quer receber esse petróleo também, né, Felipe?
08:00Com certeza.
08:01Professor, eu vou tocar, são tantos assuntos, vou tocar em mais um.
08:04O presidente Donald Trump tem, né, ameaçado de maneira geral,
08:10tanto a Colômbia, né, o presidente Gustavo Petro, quanto a própria Cuba.
08:13E a gente sabe que Cuba tem uma razão especial ali, né,
08:17além de todo o histórico Cuba e Estados Unidos, que vem desde os anos 60 ali,
08:22mas também tem uma questão que o secretário de Estado, Marco Rubio,
08:25tem ascendência cubana, então provavelmente ali seria uma espécie de joia da coroa ali para ele.
08:30Como é que o senhor está vendo essas ameaças a Colômbia e Cuba?
08:33É possível que Estados Unidos haja também nesses dois países?
08:36Olha, a gente não acreditava que um possível ataque à Venezuela poderia acontecer, né,
08:43estava tendo uma coisa mais superficial e a gente não acreditava que isso fosse feito.
08:49Então teve um ataque aí dos Estados Unidos, um país da América Latina.
08:54Agora tudo é possível, porque ele fez isso, né, ele levou o Maduro com sua esposa aos Estados Unidos.
09:01Então agora tudo é possível, porque aí já dá-se para se imaginar os dissidentes, né,
09:07que estão cubanos fugindo ali do regime, querendo voltar a Cuba.
09:14Então agora tudo é possível.
09:16Eu nem procuro muito meio que especular, porque agora tudo é possível.
09:23Pode ser que não aconteça, pode ser que haja algum acordo com o governo cubano para transição,
09:28como o chavismo ainda está no poder em Venezuela.
09:31A gente não sabe quando que vão existir as eleições.
09:34As ameaças à Colômbia também são muito graves, o presidente Petro, né, falando sobre o narcotráfico.
09:40Então a América agora está sobre o olhar mais duro do governo Trump,
09:46que invocou a doutrina moral para justificar essa intervenção.
09:49O professor Viliander, eu queria que o senhor também falasse para a gente o seguinte,
09:55o que me parece, né, fazendo aqui uma leitura, não sou especialista, obviamente, quanto o senhor,
10:00mas o que me parece, né, Felipe Machado, é que Donald Trump está querendo controlar esse fluxo de petróleo, né, para o mundo.
10:08Então a gente vê que ele, dentro dos Estados Unidos, lança aquele tema, o Drew Baby Drew, né, de exploração de petróleo.
10:17Agora toma conta da Venezuela porque tem a maior reserva de petróleo do mundo.
10:21E ele disse o seguinte, olha, se a Venezuela não dá conta de explorar tudo o que tem e só vende também o que tem para a China,
10:28negativo, eu vou entrar aqui, vou explorar e vou pegar para mim também.
10:32Agora não está deixando sair o petróleo nem para a China, nem para a Rússia e nem para o Irã,
10:37que é um adversário aí de primeira hora dos Estados Unidos.
10:40Se tornou, né, até pouco tempo lá com bombardeio a usinas nucleares.
10:44Existe mesmo esse movimento de querer controlar aí o fluxo de petróleo?
10:48Até porque a gente vê também sanções na Rússia, não deixando aí, por exemplo, a Índia,
10:52mandou alerta, ó, Índia, para de comprar petróleo da Rússia porque senão eu vou te tarifar.
10:57Quer dizer, é quase um controle?
11:00Sim, bom, ele expressou isso, né, quando ele justificou essa medida contra a Venezuela,
11:05ele invocou a doutrina moral aí de 1823, dizendo a América para os americanos,
11:11impedindo qualquer interferência da Europa.
11:14E o Donald Trump ampliou essa doutrina moral para impedir que nações
11:18que não tenham bom relacionamento com os Estados Unidos interfiram nos seus interesses
11:24na América do Sul, por assim dizer.
11:27Então a política dele agora está voltada para isso e lembrando que 80% das exportações
11:33do petróleo da Venezuela estavam indo para a China.
11:37Então o Donald Trump está invocando essa doutrina para tomar posse do petróleo venezuelano
11:43que ele disse que antigamente as empresas americanas tinham controle sobre isso.
11:48Então a justificativa dele é proteger os interesses americanos nessa indústria do petróleo
11:54que estaria toda sendo exportada para a China, onde ele tem, não gosta de uma boa relação principalmente comercial.
12:02Então seria uma nova tática, uma nova releitura da doutrina moral pela visão do Trump.
12:08O petróleo da Venezuela para a China, inclusive, era vendido abaixo de preço do mercado.
12:14A China estaria adquirindo por um valor menor.
12:18Claro que isso incomoda porque aí entra a questão econômica.
12:21Você consegue produzir com um valor agregado menor,
12:25as indústrias têm um impacto menor aí na questão energética, enfim, toda uma série, vira uma cadeia.
12:32E lembrando, Eric, que a Venezuela é uma das fundadoras da OPEP.
12:36Exatamente.
12:37A reserva comprovada de barris de petróleo da Venezuela são 303 bilhões.
12:43É uma coisa muito considerável.
12:46Reserva comprovada não quer dizer que ela consegue exportar tudo isso, não é?
12:49Mas isso aí agora está incerto, a indústria petrolífera venezuelana agora com essa nova política do Trump controlando a indústria.
12:58É isso aí.
12:59Professor Viliander Salomão, que prazer tê-lo aqui no Fast Money.
13:03Obrigado pela sua participação.
13:06Um grande abraço e uma ótima quarta-feira para o senhor.
13:08Grande abraço, Eric.
13:10Até a próxima.
13:10Até.
13:11Tchau, tchau.
13:11Felipe Machado, e você volta ainda nessa edição do Fast Money.
13:15A gente conversa mais um pouquinho.
13:16Com certeza.
13:16Até já.
13:17Tchau, gente.
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