00:00Vamos continuar a nossa cobertura aqui e voltamos a falar sobre o interesse dos Estados Unidos
00:05nos territórios da Venezuela, Irã e da Groenlândia.
00:10Em entrevista à CNBC, o consultor em geoestratégia e CEO da Missang,
00:17que é uma consultoria de investimentos, afirma que as regiões apresentam um ponto em comum.
00:24A Groenlândia, o Irã, a Venezuela, recursos energéticos.
00:29Vamos ver a opinião, então, do analista a partir deste conteúdo exclusivo da CNBC.
00:36Para nosso convidado, as ações dos Estados Unidos na Venezuela e no Irã estão conectadas com as ameaças à Groenlândia.
00:42Vamos falar com Guy Chione, CEO da Missang e especialista em minerais críticos de Cambridge.
00:49Obrigada por conversar com a gente.
00:51Então, vamos começar com essa mudança na postura dos Estados Unidos,
00:55que agora não apenas compram minerais, mas visam garantir controle sobre quando e onde eles são produzidos.
01:03E como a Groenlândia é central nessa mudança.
01:06Sim, precisamos compreender que a Groenlândia, sob a perspectiva geológica,
01:10abriga 1 milhão e 500 mil toneladas de minerais raros, que são necessários para a defesa e para baterias.
01:16Então, o desafio é que, atualmente, a capacidade de processamento e refino está majoritariamente na China.
01:22Assim, não há como os Estados Unidos competirem, a menos que assegurem esses recursos.
01:28Vamos falar sobre a Groenlândia.
01:31E você aponta em seus estudos que existem várias razões para a região se tornar um dos locais mais estratégicos do mundo.
01:39Você pode falar sobre isso?
01:40A principal questão é que, primeiro, a indústria de defesa tem uma alta necessidade de minerais críticos.
01:48Mas, em segundo lugar, com a mudança climática ou o aquecimento do Ártico,
01:53isso significa que o acesso a esses minerais agora é cada vez mais viável.
01:58E esse acesso mais fácil atrai a Rússia, a China e outras potências.
02:03Em segundo lugar, você tem a energia.
02:06E você pode observar isso na invasão da Venezuela, que acabamos de presenciar.
02:13Um dos motivos para isso é que o processamento minerais críticos e terras raras requer muita energia.
02:20E, ao obter o petróleo da Venezuela, você está cortando a energia do recurso da China,
02:26que controla as capacidades de processamento.
02:30O que você espera dessas próximas conversas entre Marco Rubio e a Dinamarca?
02:35Que tipo de acordos poderiam ser discutidos, ou isso poderá ser mais uma espécie de invasão?
02:41E como as opções militares se tornam parte desse tipo de cenário estratégico?
02:48Acredito que a discussão com o secretário de Estado, Marco Rubio, esta semana,
02:53vai avançar para a criação de um quadro de minerais críticos,
02:57semelhante ao que a gente já viu anteriormente.
03:00E acredito também que a opção militar permanece sobre a mesa.
03:05Devemos encarar isso com seriedade.
03:10Na introdução, discutimos a relação entre o interesse na Groenlândia, na Venezuela e no Irã.
03:18Quero focar agora na Venezuela.
03:20E você aponta que a pressão sobre estados produtores de petróleo, como a Venezuela e o Irã,
03:27é na verdade mais uma ação estratégica contra a China e sua cadeia de suprimentos de energia ou de terras raras.
03:34Como disse antes, a geologia é o principal fator aqui.
03:39A China controla 60% das reservas de terras raras.
03:44Contudo, eles têm 90% da capacidade de processamento, o que traz uma vantagem não aproveitada.
03:50Sem energia, essa vantagem diminui.
03:53E é por isso que você vê os Estados Unidos atrás desse acesso a essa energia.
03:57E ao assegurar terras para a rede nos Estados Unidos, eles obtêm acesso a energia hidrelétrica,
04:02energia limpa, para competir com a China.
04:05Então, é por isso que você vê os países ricos em minerais ou os países ricos em petróleo sob controle dos Estados Unidos.
04:11Os Estados Unidos estão efetivamente controlando os recursos da Venezuela.
04:15Então, como as outras nações ricas em minerais, especialmente na África, devem interpretar isso?
04:23É muito desafiador.
04:24E o paralelo entre a Groenlândia e os países africanos é um pouco diferente.
04:29A África ainda está longe.
04:31Na realidade, os chineses já estão por toda a África.
04:35Então, os Estados Unidos estão tentando alcançar esse potencial.
04:38No entanto, a Groenlândia é completamente diferente.
04:41Eles estão geograficamente próximos dos Estados Unidos.
04:44E é por isso que é crucial não só se associar, mas também ter um controle do território.
04:51E quanto ao paralelo com o Irã?
04:53Porque se a estratégia na Venezuela era restringir as entradas de energia da China,
04:58isso torna o Irã o próximo alvo lógico para os Estados Unidos,
05:02com intervenção em recursos focada na segurança?
05:06Sim, com certeza.
05:07Porque o Irã é um dos maiores produtores de petróleo,
05:10e a maior parte do petróleo vai para a China e a Rússia.
05:13Então, chega a fazer sentido restringir essas exportações de petróleo.
05:17Certo.
05:18Muito obrigado, Guy Kioni, o CEO da Missang, por esclarecer isso para nós.
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