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00:07Olá, bem-vindas e bem-vindos a mais um ponto de vista. Hoje nós vamos falar sobre a prevenção
00:14de acidentes do trabalho, um tema que preocupa a todos. A segunda-feira, 27 de julho, é o dia
00:22nacional de prevenção aos acidentes de trabalho. De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego,
00:29dois mil e vinte e cinco, registrou uma alta nos números desse tipo de acidentes e mortes.
00:35Nosso convidado para debater o assunto é o engenheiro Rildo Duarte, que é também o presidente
00:42da AESP, a Associação dos Engenheiros de Segurança do Trabalho do Estado de Pernambuco.
00:49Rildo Duarte, seja muito bem-vindo e obrigado por atender o nosso convite.
00:53Eu que agradeço, Fernando, até para a gente debater um tema que é tão importante, não
00:57só para os trabalhadores, mas principalmente para a sociedade em geral.
01:00Pois é, vamos começar então. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, dois mil e vinte e cinco
01:05foi um ano muito ruim. Registrou o maior número de acidentes e mortes da série histórica
01:11iniciada em dois mil e dezesseis. No ano passado, foram oitocentos e seis mil e onze acidentes
01:19em todo o país, com três mil e seiscentas e quarenta e quatro mortes. Em Pernambuco,
01:25os números também são altos. Foram dezesseis mil e trezentos e oitenta e sete acidentes
01:32e cento e quatro mortes. Como é que o senhor avalia esses números?
01:37Cada vez mais, Fernando, é a falta da conscientização. Esses números que você passou são os dados
01:43reais que são registrados pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Fora outros acidentes
01:48que acontecem e não são registrados.
01:50Quer dizer, esse número pode ser até muito maior?
01:52É muito maior. É muito maior. Porque existem os acidentes que não são registrados por negligência
01:57da empresa e outros trabalhadores que estão na informalidade. Então, assim, é um número
02:02que cresce cada vez mais, que há uma necessidade de conscientização de todas as partes, não
02:07só dos trabalhadores, mas principalmente das empresas, para poder fazer uma gestão mais,
02:12cada vez mais assertiva. E esse número não cresça ainda mais.
02:16Esses números só reforçam a necessidade de a gente ter mais cuidado, mais atenção
02:23com a prevenção.
02:24Isso. É o que eu falo da gestão. Uma gestão completa. Não é só entregar um equipamento
02:28de proteção individual para um trabalhador, mas é explicar para ele a importância do uso.
02:32Por que ele está usando? A gente tem que fazer a partir de uma cultura de prevenção,
02:36uma educação. A gente tem que educar o trabalhador para que aquilo é importante para ele.
02:41E do lado da empresa, ela entender a importância disso, até para o negócio dela, porque uma
02:45empresa cada vez mais saudável, que tem um ambiente cada vez mais confortável para o
02:49trabalhador, é mais produtiva. Então, ela tem que entender também essa parte.
02:53Quais são as áreas que registram o maior número de acidentes de trabalho?
02:58Hoje, pelos históricos do Ministério do Trabalho e Emprego, a gente tem a indústria da transformação,
03:02que é um dos itens muito grandes, das áreas que tem um elevado número.
03:05A construção civil, por incrível que pareça, está entre os cinco, ainda não é o top
03:09um. A gente tem a área da saúde também, tem hospitais, clínicas, supermercados, o
03:15comércio, o varejista também é uma área que cresce muito. A gente, às vezes, não
03:18imagina que tem muito acidente lá dentro, mas a gente também tem uma quantidade grande
03:22de acidentes, até pelo parque de máquinas, muito máquina e equipamento.
03:26Diante desses números, qual é o principal trabalho da ESP? O que é que vocês fazem no dia
03:31a dia para tentar reduzir essa realidade?
03:34A ESP hoje é referência nacional na impulsionar esse debate. Hoje, a gente tem profissionais
03:41capacitados, reconhecidos nacionalmente, que eles vêm buscando essa troca de informação,
03:46essa capacitação, não só para o trabalhador, mas para a empresa. Então, a gente hoje busca
03:50cada vez mais a conscientização, a gente busca capacitações que a gente faz, a gente faz
03:56rodadas de conversas com trabalhadores, com as empresas, com sindicatos também, que é
04:01importante, com alguns órgãos governamentais. A gente faz parte de alguns fóruns de debate.
04:07Então, a ESP hoje, ela é referência, como eu falei, nacional, por causa dos nossos profissionais.
04:12A gente tem cada vez mais profissional capacitado para discutir esse tema.
04:15Inclusive, tem muita gente que não sabe que existe um setor da engenharia voltado para
04:20a segurança do trabalho, né? Engenheiro da segurança do trabalho.
04:23Isso.
04:24O que é que faz exatamente o engenheiro de segurança do trabalho?
04:27Hoje, o engenheiro de segurança do trabalho, ele é um gestor de risco. Ele, antigamente,
04:31era muito aplicador de normas, de leis específicas. Hoje, não. Ele faz a gestão completa desse
04:36risco. Então, é um profissional capacitado, que ele pode atuar em diversas áreas, desde o
04:42comércio, a construção civil, ele entra em todas as áreas. Porque, tendo um trabalhador,
04:46tem que ter gestão de risco. E quem faz essa gestão de risco é um profissional capacitado.
04:51Então, o engenheiro de segurança, hoje, ele tem esse perfil muito de gestão, de trabalhar
04:55na gestão de risco, no controle dos acidentes, nas investigações. Então, esse profissional
05:01vem se capacitando cada vez mais.
05:02Quando a gente pensa em acidente de trabalho, o que vem logo à mente do cidadão comum é
05:07a construção civil. Talvez, pelo fato das construções estarem ali a céu aberto, a gente
05:12passa na rua e vê um andaime, vê aquelas telas de proteção. Mas o setor, apesar da
05:21alta incidência, ainda não é o campeão. Como você falou, existe a área da indústria.
05:25Que tipo de acidente acontece mais na área industrial e por que a gente vê tão pouco?
05:31Hoje, a gente tem muito acidente na indústria de queda, por diferença de nível, trabalho
05:34em altura. Muitas vezes, por falta de proteção, uma proteção individual, uma proteção
05:39coletiva. Não se divulga muito porque é um ambiente fechado. Na construção civil,
05:46você tem um ambiente a céu aberto, que o trabalhador cai, tem uma repercussão, inclusive,
05:50social muito grande.
05:51Geralmente, a imprensa vai cobrir, né?
05:53Na indústria, no máximo, ocorre uma notificação ao Ministério.
05:58Que é obrigatório ser feito, mas aí não é uma divulgação em massa, na mídia.
06:01Então, a construção civil ainda tem. A construção civil, para você ter uma ideia,
06:04hoje é o sexto setor com o maior número de acidentes.
06:08Antes delas, aquilo que eu já falei, vem o comércio, o varejista, vem os hospitais,
06:13as clínicas, vem outros setores e não só a construção civil.
06:17Os acidentes na estrada também são muito frequentes, né?
06:21Associados sempre aos motoristas, muitas vezes, não sempre, mas na maioria das vezes
06:25associado aos motoristas de caminhão.
06:27Por que tão frequentes esses acidentes nessa área do transporte de cargas?
06:32Hoje, o trabalhador do transporte é um dos trabalhadores que tem mais sobrecarga de trabalho.
06:36Sobrecarga, inclusive, mental.
06:38Então, há uma fadiga natural do trabalhador.
06:41Então, são trabalhadores que têm carga horária excessiva.
06:43Essa carga horária produz essa fadiga também.
06:46E com isso, vem a queda de atenção.
06:49E aí, acontece o que acontece...
06:49Existe a pressão do prazo também de entrega, né?
06:51Metas excessivas que eles têm para entrega.
06:54Você tem horários para entrega.
06:56Então, isso causa um adoecimento, inclusive, mental desse trabalhador.
06:59E aí, com essa fadiga, com esse cansaço, com essa falta de atenção, acontece os acidentes
07:04na rodovia.
07:06A gente ouve falar muito do motorista de caminhão que, para cumprir essa jornada, muitas
07:12vezes, toma remédio também para não dormir, né?
07:15Para se manter acordado.
07:17Isso também acaba provocando acidentes?
07:19Muito, muito.
07:20Até o uso de remédio descontrolado, que eles usam muito.
07:23E aí, também, por eles trabalharem por produtividade, quanto mais eles produzirem, para eles é
07:27melhor financeiramente.
07:29Então, para eles, se eles vão andar 10, 12, 14, 16 horas na estrada, para ele é melhor
07:34porque ele vai ter uma rentabilidade.
07:36Para se manter ativo com o nível de atenção alto e a fadiga menor, ele precisa utilizar
07:41alguns medicamentos que não são legais.
07:43Isso termina afetando o cognitivo do trabalhador.
07:45É uma área muito difícil de se fiscalizar?
07:48Muito, até porque você não tem um local específico.
07:51Então, o trabalhador, ele trabalha na área, ele trabalha andando, ele trabalha nas estradas.
07:56Então, é necessário também que tenha outros órgãos fiscalizando.
07:59Uma Polícia Rodoviária Federal, não só o Ministério do Trabalho.
08:02Então, é algo que o governo tem que olhar um pouquinho melhor.
08:05Numa escala de acidentes de trabalho, quais são os acidentes mais frequentes?
08:10Hoje, como eu falei, acidente de queda de altura é muito grande.
08:14O que ocorre mais na indústria?
08:16Na indústria, na construção civil.
08:19Onde tem trabalho em altura, é um risco elevado.
08:21É tanto que foi criada uma norma regulamentadora específica para ela, a NR nº 35,
08:26que é para tratar a digestão de trabalho em altura.
08:28Então, é o dos campeões.
08:30Mas tem um corte também.
08:31Por exemplo, as mãos é a parte do corpo mais atingida em acidentes.
08:35Então, você tem cortes, mutilações nas mãos, porque utilização de faca, de máquinas e equipamentos.
08:41Então, produz muito acidente.
08:44Um setor que chama a atenção na área de acidentes de trabalho, quando eu estava pesquisando para essa entrevista,
08:50é a dos serviços hospitalares.
08:52Isso me chamou a atenção porque a gente ouve muito falar dos acidentes de trabalho em hospitais ou clínicas de
08:59saúde.
09:00Que tipo de acidentes são esses?
09:02Quais são os mais frequentes?
09:04Os mais frequentes é a utilização com pérforo cortante, acidente com pérforo, seringas, agulhas, bisturis,
09:09que é na manipulação do trabalhador.
09:12E muitas vezes não é divulgado porque para ele aquilo é natural.
09:15Ele se furou, ele se cortou, para ele é algo natural que não tem.
09:19Muitas vezes não é nem notificado.
09:20Nem é notificado.
09:21Porque para ele, já faz parte do dia a dia dele, muitas vezes não faz essa notificação.
09:25Além disso, com os fluidos também.
09:27Você pode ter um acidente com fluidos.
09:30Está fazendo lá uma punção com sangue, é um sangue bater no olho, bater na boca do trabalhador.
09:35Também é um risco, porque você pode ter um acidente biológico.
09:38E aí tem que se tomar muito cuidado porque quando acontece isso,
09:42a gente precisa fazer os exames necessários para o trabalhador
09:44e fazer esse acompanhamento por até 180 dias desse trabalhador
09:48para ver se há alguma contaminação por causa desse risco biológico.
09:52A manipulação também de substâncias químicas pode trazer algum tipo de problema?
09:55Também tem, porque há muita utilização de químicos, né?
09:59E aí, partindo, por exemplo, serviços gerais,
10:01um auxiliar de serviços gerais que trabalha muito com químico também,
10:04ele também tem esse risco.
10:05É tanto que tem muitas empresas que fazem a manipulação fora
10:07para que o trabalhador não faça essa manipulação, porque é um risco também.
10:11Então, isso é uma forma de prevenção também.
10:12Você já fazer esses trabalhos preventivamente
10:16e não deixar que o trabalhador faça essa manipulação.
10:19E quais podem ser apontados como as principais causas dos acidentes de trabalho?
10:23Hoje a gente tem muito as condições inseguras,
10:26que aí é a parte da empresa, né?
10:27Você tem um ambiente lá que possa provocar um acidente,
10:31um piso aberto, um piso molhado, ruído elevado.
10:35São condições ambientais que podem causar o acidente.
10:39E tem as condições de trabalhadores,
10:40o que a gente chama de atitude ou condições inseguras do trabalhador.
10:44Por exemplo, o não uso do equipamento,
10:46negligenciar alguns procedimentos de segurança,
10:49e muitas vezes até por autoconfiança do trabalhador.
10:52Um trabalhador com 10, 20 anos fazendo aquela atividade,
10:54para ele aquilo é normal e o risco para ele faz parte do dia a dia.
10:58Então, ele negligencia alguns processos.
11:00Ele sabe que tem o equipamento que deve ser usado,
11:03mas às vezes prefere não usar.
11:04Prefere não usar, porque para ele ele pode perder 2, 3 minutos na operação,
11:08para ele é incômodo.
11:09O equipamento de proteção, realmente, ele não é muito confortável,
11:12mas ele é necessário.
11:13Então, por essa autoconfiança, ele termina negligenciando,
11:17não utilizando alguns equipamentos,
11:18e aí provoca esses acidentes.
11:20Essa falta de equipamento de proteção,
11:22ela acontece muito pelo não fornecimento por parte da empresa,
11:26ou é mais porque o operário ou o trabalhador não quer usar?
11:30São ambas as condições.
11:31Tanto a empresa...
11:32Está equilibrada a coisa?
11:33Isso, está equilibrada.
11:34Tanto a empresa não fornece, na quantidade suficiente,
11:37porque, por exemplo, se um equipamento ele desgasta ou rasga alguma coisa,
11:40ele tem que ser substituído imediatamente.
11:42Então, muitas empresas não têm nem estoque para isso, não fazem isso.
11:45E, às vezes, a empresa fornece, mas o trabalhador não utiliza.
11:48Aquilo que eu falei, dá autoconfiança,
11:49mas, muitas vezes, até pela falta de conhecimento.
11:53Chega lá e dá um equipamento para o trabalhador
11:55e não explica para que aquele uso,
11:57por que ele está utilizando aquilo.
11:59Como usar.
11:59Como usar, para que usar, qual a finalidade.
12:02Por que é importante.
12:03Por que é importante.
12:03Aquilo que eu falo da conscientização.
12:05É a mesma coisa a gente ter uma criança em casa.
12:07Ele vai fazer alguma coisa, você vai só repreender.
12:11E você não explica o porquê.
12:13É isso com o trabalhador.
12:13Eu tenho que explicar o porquê ele está usando aquele equipamento,
12:16qual a finalidade daquilo.
12:17E, quando eu não faço isso, ele usa se ele quiser.
12:20Agora, como diminuir isso, Rildo?
12:22Existe uma fiscalização?
12:24A quem cabe fiscalizar isso?
12:26Hoje, cabe ao Ministério do Trabalho e Emprego.
12:28Hoje, tem as superintendências regionais.
12:30Aqui em Pernambuco, a gente tem uma que é muito atuante,
12:33porém, faltam profissionais.
12:34Foi feito concurso agora há pouco,
12:35mas ainda há uma escassez de profissional.
12:38Hoje, melhorou muito,
12:39porque existe uma plataforma chamada E-Social,
12:41que é digital.
12:41Então, hoje, a fiscalização pode ser feita até digitalmente.
12:45A empresa lança os dados lá, lança as informações,
12:47e eletronicamente pode ter essa fiscalização.
12:50Mas, hoje, cabe muito ao Ministério do Trabalho,
12:53que faltam pessoas para poder fiscalizar também.
12:56E uma coisa que muita gente se pergunta é,
12:58que punições sofrem as empresas que deixam de cumprir
13:02alguma norma de segurança para o trabalhador?
13:06Isso. As empresas podem ser multadas, podem ser autuadas,
13:10além das autuações, que é relativamente alta para a empresa,
13:14mas ela pode ter problemas sérios.
13:15Por exemplo, se tiver uma situação em risco iminente,
13:18risco iminente é aquele que pode acontecer um acidente grave ou fatal
13:20a qualquer momento.
13:21A empresa pode ter paralisação do seu serviço.
13:24A obra pode ser embargada ou o serviço pode ser interditado.
13:27Isso causa um prejuízo para a empresa também.
13:29Então, é uma punição.
13:30E aí, para o trabalhador, também pode ter punições,
13:34porque não é só da empresa.
13:35Então, a empresa fornece o equipamento de proteção
13:37e o trabalhador não usa.
13:38Qual seria a penalização?
13:39Ele pode ser demitido até em uma justa causa.
13:41Eu posso dar uma advertência, posso dar uma suspensão,
13:44pode, quiçá, chegar em uma justa causa.
13:46Mas seria um caso extremo.
13:47Aquilo que eu falo da conscientização.
13:48Na hora que ele tem essa conscientização,
13:50até na primeira advertência, ele já sabe o que está acontecendo
13:53e não chega a essas vias de fato.
13:55Mas penalizações a gente tem tanto para as empresas
13:57quanto para os trabalhadores.
13:59E são frequentes essas punições, essas penalizações,
14:02as multas, por exemplo?
14:03As multas são, mas em caso de fiscalização.
14:06Aquilo que eu falei, infelizmente, a gente não tem um corpo
14:08tão grande, técnico, para fazer essa fiscalização.
14:11Então, as fiscalizações reduzem.
14:13Mas quando tem uma fiscalização, aquilo que eu falei,
14:15hoje a gente tem um grupo muito capacitado de fiscais,
14:18regionalmente.
14:19E aí tem essas punições.
14:21E aí, muitas vezes, a empresa só aprende na dor.
14:23Só aprende quando começa a prejudicar ela.
14:26E ela começa a fazer gestão, muitas vezes,
14:28por uma penalização que ela tem.
14:30Esse número reduzido que você fala de fiscais,
14:33no Ministério do Trabalho e Emprego?
14:34No Ministério do Trabalho e Emprego.
14:35Quer dizer, apesar de ter uma equipe até grande,
14:38ainda é insuficiente.
14:39Ainda é insuficiente até pelo ramo,
14:41pela abrangência que a gente tem.
14:43Volume, né?
14:43Pelo volume.
14:44Porque se você tem um trabalhador regido pela CLT,
14:47você tem que cumprir as normas de segurança.
14:49Então, a quantidade de empresas que a gente tem,
14:51a quantidade de indústrias, de fábricas,
14:54de comércio que a gente tem,
14:56não daria, é humanamente.
14:58Mas, assim, precisaria ter um corpo maior.
15:00Mesmo ele sendo muito capacitado,
15:02a gente precisaria ter uma fiscalização um pouco melhor.
15:04Muito bem, Hildo.
15:05A gente vai fazer um rápido intervalo.
15:07Você que está acompanhando a gente,
15:09não saia daí.
15:10A gente volta já, já.
15:22Estamos de volta hoje,
15:24debatendo a segurança e a prevenção
15:27dos acidentes de trabalho.
15:29Eu estou recebendo Hildo Duarte,
15:32que é o presidente da AESP,
15:34a Associação dos Engenheiros de Segurança do Trabalho,
15:37aqui no estado de Pernambuco.
15:39Hildo, eu queria voltar
15:40sobre as áreas onde acontecem
15:43muitos acidentes de trabalho.
15:45Uma que muita gente nem imagina
15:47é a dos hipermercados e supermercados.
15:50Por que acontecem acidentes nos supermercados
15:54e que tipo de acidentes são esses?
15:56Em supermercados,
15:57além da movimentação de carga que você tem,
16:00hoje em dia, por exemplo,
16:00com o advento do atacado,
16:02o tipo de supermercado que você tem o depósito
16:04no próprio salão de loja,
16:06você tem um risco muito grande
16:07de movimentação de paletes.
16:09Os atacadões da vida.
16:10Os atacadões da vida.
16:11Então você tem esse risco de movimentação,
16:13tanto para o trabalhador
16:15quanto para o próprio cliente.
16:17Porque, por exemplo,
16:17quando ele vai fazer uma movimentação,
16:19quem já esteve no supermercado viu,
16:21se isola aquela área
16:22e ele faz aquela movimentação.
16:24E muitas vezes você vê o próprio cliente
16:26passando por cima do...
16:27Às vezes o cliente,
16:28não, eu vou ali rapidinho,
16:29eu vou pegar só um produto, né?
16:30É rapidinho e o acidente não tem tempo.
16:32Pode ser que naquela hora caia alguma coisa.
16:34Então, esse é um acidente grave
16:35que a gente tem nos supermercados.
16:37Fora isso,
16:38a gente tem muita máquina dentro de supermercados.
16:41A gente, por exemplo, tem açougue.
16:43A açougue, você tem uma máquina
16:44que ela é muito...
16:45tem um risco muito elevado,
16:46que chama serrafita.
16:48Máquinas cortantes, né?
16:49Cortantes.
16:49Você corta carne, peixe.
16:51Então, quando você corta,
16:52a mão do trabalhador está muito próxima ali.
16:55Então, assim,
16:55qualquer descuido dele,
16:57ele vai botar o dedo ali dentro.
16:59Então, dentro do açougue,
17:00a gente tem muito esse risco.
17:01Fora isso,
17:01a gente tem padarias com máquinas também.
17:04E aí, aquilo que a gente falou
17:05do trabalhador também negligenciar.
17:06É padaria, às vezes,
17:08o funcionário sai com aquela coisa do pão
17:11que acabou de sair,
17:12a fornada quente.
17:13Ele pode até,
17:14dependendo da situação,
17:16se ele não tomar o cuidado necessário,
17:18ele pode até se queimar.
17:18Pode se queimar.
17:19também.
17:20E é aquilo que eu falei
17:20da negligência do trabalhador.
17:22Porque, por exemplo,
17:23essas máquinas têm,
17:24obrigatoriamente,
17:24têm que ter proteção.
17:25Existe uma norma chamada
17:26NR nº 12,
17:27que ela exige proteções.
17:29E aí, quando você chega
17:30num local desse,
17:30o trabalhador burla a máquina.
17:33Tem uma máquina, por exemplo,
17:33que é o cilindro de massa,
17:34que você vai cilindrar
17:35a massa de pão.
17:37O trabalhador vai lá
17:37e bota uma massinha,
17:39bota um palito
17:40e ele burla a proteção
17:42para ele poder passar mais.
17:43Mas, quando ele passa mais,
17:44ele está mais exposto.
17:46Então, é um risco muito grande.
17:47E aí, você falando, por exemplo,
17:48de calor, de temperatura,
17:51é importante você dar
17:52o equipamento de proteção
17:53adequado ao risco.
17:54Isso.
17:55Porque, se você der um equipamento
17:56que não é suficiente
17:57para aquele risco,
17:58o trabalhador, ele tem um senso
17:59de proteção
18:00e ele vai para aquele risco.
18:01Então, por exemplo,
18:02uma fornada daquela
18:03sai a mais de 200 graus.
18:04E aí, você fornece
18:06uma luva de 120 graus,
18:08150 graus.
18:09Ele vai calçar aquelas luvas
18:10e vai para o risco,
18:11porque ele acha
18:12que está protegido
18:12e não está.
18:13Então, o lado da empresa
18:15de fornecer o equipamento
18:15apropriado para cada risco
18:17é importante também.
18:19O custo de não implantar
18:21esses cuidados
18:22pode ser maior
18:23do que implantar.
18:24Muito maior.
18:25Você tem um acidente.
18:27Se a gente pensar friamente
18:28do ponto de vista financeiro,
18:30um acidente para a empresa,
18:31você pode quebrar a empresa
18:32financeiramente.
18:33Porque, além das indenizações
18:35que vão ter,
18:36você tem paralisação.
18:37Assim como eu falei,
18:38você interdita o local,
18:39então, você não pode
18:40produzir nada
18:41até que seja investigado
18:43e liberado.
18:44Então, financeiramente
18:45para a empresa
18:46é um prejuízo muito grande.
18:47Isso sem a gente falar
18:48da parte social
18:49ou do trabalhador.
18:50Então, a empresa
18:51tem que pensar isso
18:52como parte do negócio mesmo.
18:54Em toda empresa,
18:55a gente ouve falar
18:56da CIPA,
18:57a Comissão Interna
18:59de Prevenção de Acidentes
19:01e Assédios.
19:02Isso.
19:02A partir de quantos funcionários
19:04as empresas têm que ter
19:05a CIPA, por exemplo?
19:07Vai depender do risco
19:08da empresa,
19:09mas, em média,
19:10de 20 a 30 funcionários
19:12acima, dependendo do risco,
19:14você tem a CIPA.
19:15Como eu falei,
19:16a CIPA é a Comissão Interna
19:18de Prevenção de Acidentes
19:18e Assédio.
19:19Há pouco tempo
19:20entrou os assédios também,
19:21então, ela faz também
19:23esse cuidado.
19:24Ela não é responsável
19:25pela área de segurança,
19:26mas são trabalhadores
19:27que vão exercer
19:28sua função normal.
19:29É um pedreiro,
19:29é um eletricista,
19:31mas ele tem capacitação
19:32de estar olhando o risco,
19:34de estar notificando,
19:35de estar fazendo um relatório
19:36informando a empresa.
19:37Quer dizer, ele não fiscaliza,
19:38mas ele observa
19:39e orienta.
19:40E orienta a empresa.
19:42E aí, é bom
19:43porque são os olhos
19:43da segurança na empresa.
19:45Então, por exemplo,
19:45o Serviço Especializado
19:46de Segurança e Medicina,
19:48que são os engenheiros,
19:49médicos,
19:49nem toda empresa
19:50precisa ter,
19:51pelo grau de risco
19:52e pela quantidade
19:53de funcionário,
19:53mas a CIPA,
19:54boa parte, tem.
19:55Então, se eu tenho
19:56uma CIPA bem atuante,
19:58uma CIPA bem capacitada,
19:59ela vai ser os olhos
20:00da segurança ali
20:01dentro daquela empresa
20:02e pode evitar riscos.
20:03Agora, muitas vezes,
20:04as empresas veem a CIPA
20:06quase como uma coisa,
20:07porque como é obrigatório
20:09ter a CIPA
20:09e depois o funcionário
20:11que está dentro da CIPA,
20:12ele tem uma estabilidade,
20:14garantida.
20:15A empresa não valoriza
20:17muito a CIPA,
20:18deveria valorizar?
20:19Sim, deveria valorizar
20:21e o próprio trabalhador também.
20:22Porque assim,
20:23ele tem uma garantia de emprego,
20:24ele tem uma instabilidade,
20:25porém, ele tem obrigações.
20:26E a empresa tem que exigir
20:27que ele faça essas atividades.
20:29Então, a empresa precisa valorizar
20:31até para você ter mais gente
20:32olhando pela segurança.
20:34O ideal é que todo mundo,
20:35aquilo que a gente fala
20:35da consciência,
20:36da educação,
20:37da prevenção,
20:37se todo mundo tivesse isso,
20:38era mais fácil.
20:39E a CIPA,
20:40ela vai ter esse olhar.
20:42Dentro dessa preocupação
20:43de reduzir os riscos
20:45de acidentes
20:47no ambiente lá de trabalho,
20:49o que é responsabilidade
20:50da empresa
20:51e o que é responsabilidade
20:53do trabalhador?
20:54Bom, da empresa
20:54é fornecer os equipamentos
20:55adequados,
20:56ela montar uma condição
20:58segura para o trabalhador,
20:59um ambiente que seja saudável
21:01e seguro para o trabalhador,
21:02além de conscientização também.
21:04A empresa tem que buscar também
21:06essa conscientização
21:07para o seu trabalhador.
21:08Então, toda a gestão
21:09é responsabilidade da empresa.
21:11E para o trabalhador
21:12é cumprir as normas obrigatórias,
21:15a utilização dos equipamentos,
21:16os procedimentos.
21:18Então, o trabalhador
21:19que sentir que a empresa
21:20não está fornecendo
21:21determinado equipamento
21:22de proteção,
21:23ele tem razão em reclamar
21:25e deve reclamar.
21:26Ele deve reclamar,
21:27ele deve cobrar,
21:28inclusive na legislação
21:30tem um termo chamado
21:31direito de recusa.
21:33Se o trabalhador
21:34está em uma situação
21:34de risco,
21:35ele tem por direito
21:36recusar aquela atividade.
21:39Mas precisa de uma conscientização,
21:40ele sabe o que é risco.
21:41Mas se ele está vendo
21:42que ali é um risco iminente,
21:43inclusive para a vida dele,
21:45ele tem por lei
21:46o direito
21:47de recusar a atividade.
21:48Dizer,
21:48chefe,
21:49eu não vou por aqui
21:50porque aqui eu posso
21:50sofrer um acidente.
21:51E isso acontece muito?
21:54Quais as áreas
21:55onde acontece mais?
21:57Hoje a gente tem
21:58muitas áreas
21:58que têm um nível
21:59de consciência.
21:59Por exemplo,
21:59a indústria
22:00é uma área
22:01que você tem
22:01um nível
22:02de conscientização
22:02muito grande.
22:03Empresas de elétrica,
22:05por exemplo,
22:05de instalações elétricas,
22:06têm um nível
22:07de consciência.
22:08Então,
22:08esses trabalhadores...
22:09Construção civil também, né?
22:10A gente tem...
22:11Então,
22:11esses trabalhadores,
22:12eles têm uma noção maior.
22:14Você pega,
22:14principalmente na informalidade,
22:16trabalhadores que não têm
22:17essa capacitação,
22:18às vezes ele não sabe
22:19nem se está no risco, não.
22:20Então,
22:20ele não tem essa escolha
22:22de recusar ou não
22:23porque ele não sabe
22:24se aquela atividade
22:24tem risco para ele.
22:26E aí,
22:26entra a importância também
22:27do sindicato, né?
22:28Antes da entrevista,
22:29a gente estava conversando
22:30sobre a construção civil
22:32e o sindicato da construção civil
22:34é um sindicato
22:35que está muito atento
22:36às condições de trabalho
22:38dos trabalhadores
22:39da construção civil.
22:40Isso.
22:40Sempre foi muito atento.
22:42Muito tempo atrás,
22:43ele já pensava em proteções
22:44para o trabalhador,
22:45em condições seguras
22:46para o trabalhador.
22:47E esse é um dos papéis
22:48do sindicato,
22:49ele brigar pelas condições
22:50do trabalhador.
22:52E é por isso que eu falo
22:53que essa conversa
22:54tem que ser uma conversa
22:55com todos,
22:56com a sociedade.
22:57Não é só conversar
22:58com o trabalhador,
22:59não é só conversar
22:59com a empresa.
23:00É que você tenha
23:00sindicatos,
23:02federações,
23:03órgãos governamentais
23:04que atuem também
23:05ajudando.
23:06Muitas vezes,
23:07por causa dos acidentes
23:08de trabalho,
23:09o funcionário tem que
23:10se afastar do trabalho
23:11e vai para o INSS.
23:13Qual seria o ranking
23:15dos afastamentos
23:17pelo INSS?
23:17hoje os primeiros
23:19são as doenças
23:20osteomusculares,
23:20problema de coluna,
23:22hérnia de disco,
23:23hoje estão os dois primeiros
23:24há um bom tempo.
23:25Mas vem outros tipos
23:26de afastamento
23:27que vem crescido muito
23:28que são os adoecimentos
23:30psicossociais.
23:30Hoje, por exemplo,
23:31os transtornos de ansiedade
23:33já são a terceira
23:35causa de afastamento.
23:36Os episódios depressivos
23:38já estão em quinto.
23:39Então, assim,
23:40o ano passado,
23:41por exemplo,
23:42mais de 400 mil
23:43trabalhadores se afastaram
23:44para o adoecimento
23:44psicossocial.
23:46Então,
23:46há um número
23:47muito grande.
23:48Muitos trabalhadores
23:49não sabem nem que estão doentes.
23:50Então,
23:50esse número
23:51certamente é maior.
23:52O que é considerado
23:53o adoecimento
23:54psicossocial?
23:55É um adoecimento
23:56provocado pela atividade,
23:58que pode tirar o trabalhador
23:59da sua normalidade.
24:00O burnout,
24:01por exemplo,
24:01é muito falado.
24:02O burnout é um adoecimento
24:03ocupacional.
24:04A pessoa está tendo
24:05crises de ansiedade,
24:07episódios depressivos,
24:08tudo isso provocado
24:09por um ambiente de trabalho.
24:10Muitas vezes por causa
24:12de uma gestão,
24:13e aí muitas vezes
24:14o gestor é o causador
24:15desse adoecimento.
24:17Então, muitas vezes
24:18ele não sabe nem
24:18que está provocando
24:19um assédio.
24:20Ele está assediando
24:21um trabalhador,
24:22mas ele não sabe
24:22que aquilo é um assédio.
24:23Então, a forma de cobrar,
24:25a forma de você estar
24:27colocando metas abusivas,
24:29excessivas no trabalhador,
24:30isso pode provocar
24:31esse adoecimento.
24:32Tem crescido muito também
24:33o número de afastamentos
24:35por problemas de saúde mental.
24:36As pessoas estão
24:38se afastando mais do trabalho
24:40por ansiedade,
24:41como o senhor falou,
24:43ou por depressão,
24:44sei lá,
24:45alguém que se sente
24:46perseguido no trabalho também.
24:48Isso tem aumentado?
24:49Tem aumentado muito.
24:50Hoje a gente,
24:51aquilo que eu falei,
24:51hoje é o top 5,
24:52de top 5,
24:53dois são adoecimentos mentais,
24:55psicossociais.
24:56E muitas vezes,
24:57aquilo que eu falei,
24:57não há um diagnóstico ainda.
24:59O trabalhador,
25:00às vezes,
25:00está tendo ansiedade,
25:01ansiedade pode ser comum,
25:02mas não necessariamente
25:03do trabalho.
25:04E aí parte muito
25:05do papel de um médico
25:06do trabalho competente.
25:08porque eu preciso ter
25:09o que a gente chama
25:10de nexo causal,
25:11que é isso.
25:11Eu pego as características
25:12da doença,
25:13as características
25:14do ambiente de trabalho,
25:15as condições de trabalho,
25:17procedimentos,
25:17gestão,
25:18e cruza essas informações.
25:20Se realmente ele está
25:21sendo adoecido
25:21por aquele ambiente
25:23de trabalho,
25:24a gente tem que caracterizar.
25:25Então,
25:25hoje tem se adoecido muito,
25:27ainda tem muita gente
25:28sem diagnóstico
25:29que está passando por isso,
25:31às vezes,
25:31ah, não estou com dor no peito,
25:32às vezes,
25:33aquilo é uma crise de ansiedade
25:34e ele não tem
25:35um diagnóstico
25:36bem formado.
25:37O que é que um trabalhador
25:38que sofre um acidente
25:39de trabalho
25:40deve fazer imediatamente?
25:42O que ele deve fazer
25:43primeiro é comunicar
25:44à empresa.
25:45Pela legislação,
25:46a empresa tem até
25:46o primeiro dia útil
25:47para emitir um documento
25:49chamado
25:49comunicação de acidente
25:50de trabalho,
25:51a CATE.
25:52Se for um acidente fatal,
25:53a gente não quer que aconteça,
25:54tem que ser emitida
25:55imediatamente.
25:56Essa comunicação...
25:57Tem que ser emitida?
25:58Imediatamente.
25:58O quê?
25:59Se for um acidente fatal.
26:00Sim.
26:01Um acidente fatal,
26:02ele tem que emitir
26:02imediatamente.
26:03Um acidente típico
26:05de trajeto,
26:06qualquer que seja,
26:07a gente tem até
26:07o primeiro dia útil
26:08para poder emitir.
26:09E essa comunicação
26:10a empresa faz,
26:11e hoje,
26:12como é eletrônico,
26:13isso aí vai para
26:13diversos órgãos.
26:14O Ministério do Trabalho
26:15fica ciente,
26:16a Previdência Social
26:17fica ciente,
26:18então vários órgãos.
26:19E o trabalhador,
26:20ele tem esse direito também.
26:21Então, é importante
26:22que o trabalhador saiba
26:23que caso tenha um acidente,
26:24ele pode cobrar
26:25da empresa a sua emissão.
26:27Ele fazia a comunicação,
26:28lógico,
26:29dentro do prazo,
26:30mas a empresa tem que emitir
26:32e entregar uma cópia,
26:33uma via para o trabalhador.
26:34Muitas vezes não é preciso
26:35nem que ele faça a comunicação,
26:36a empresa está vendo,
26:37a própria empresa
26:40ou percebe
26:41ou é avisada por alguém.
26:42Ou ela faz o socorro,
26:44o gestor imediato
26:44está sabendo do trabalhador,
26:46porque a primeira coisa
26:47que a gente vai fazer
26:47é socorrer o trabalhador.
26:49Então, se foi no ambiente de trabalho,
26:50certamente a empresa sabe.
26:52E aí ela vai investigar,
26:53não para achar culpados,
26:55mas para que aquele acidente
26:56não aconteça novamente,
26:57porque todo acidente
26:58tem causa.
26:59Não existe acaso
27:00no acidente de trabalho,
27:01não existe,
27:02ah, não,
27:02porque tinha que ser
27:03naquele dia.
27:03Não, uma causa.
27:04Pode ter sido pessoas,
27:06pode ter sido máquinas
27:07e equipamentos,
27:08pode ter sido algum processo
27:09que falhou,
27:10mas houve alguma falha.
27:11Então, a empresa precisa
27:11investigar esses acidentes.
27:13Para concluir, Hildo,
27:15quais seriam,
27:15no seu entender,
27:16os maiores desafios
27:18para que a gente consiga
27:19reduzir os acidentes
27:21de trabalho no país?
27:22Eu acho que é investimento
27:23em educação.
27:25É uma educação consciente,
27:26é uma educação prevencionista.
27:27A gente fala muito
27:28em cultura,
27:29eu falo muito em educação,
27:30porque na hora que a gente
27:31educa desde pequeno
27:32que aquilo é um risco,
27:35que aquilo pode causar
27:35um acidente,
27:36o trabalhador fica
27:37muito mais consciente.
27:38E isso aí do ponto
27:39de vista do trabalhador.
27:40Das empresas é investimento.
27:42A empresa precisa investir
27:43e saber que isso faz
27:44parte do negócio.
27:45E do ponto de vista
27:46do governo,
27:47isso tem que fazer parte
27:48de um plano de governo,
27:49porque um acidente
27:51causa prejuízo
27:51para o governo,
27:52causa um prejuízo
27:53para a sociedade.
27:54Então, o governo
27:55tem que ter isso
27:56como uma bola da vez.
27:58tem que cuidar
27:59do trabalhador
28:00para que isso
28:00não cause um prejuízo,
28:01inclusive para a sociedade.
28:03Então, são três pilares
28:04que a gente precisa
28:06cobrar.
28:07Tanto das empresas,
28:08ter uma conscientização,
28:09uma gestão consciente,
28:10do governo,
28:11que o governo faça
28:12essa gestão geral,
28:14e do trabalhador
28:15ele ter essa consciência.
28:16No dia que o trabalhador
28:16tiver essa consciência
28:17de que usar o equipamento
28:19é para proteger ele,
28:20o trabalho do engenheiro
28:22de segurança,
28:22do técnico de segurança,
28:23se torna muito mais fácil,
28:25porque ele que vai cobrar.
28:26Muito bem,
28:27Hildo Duarte,
28:28obrigado pela entrevista,
28:29foi uma conversa
28:29muito esclarecedora.
28:31Eu que agradeço.
28:32Muito bem.
28:33E você que acompanhou
28:34até aqui,
28:34obrigado pela audiência
28:36e companhia.
28:37A gente volta
28:38na semana que vem.
28:40Tchau.

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