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  • há 4 horas
Um mapeamento da atual cena de discos de vinil no Brasil. Empresários, artistas, lojistas e fãs das músicas gravadas em PVC contam suas histórias e comentam sobre o ressurgimento do formato dentro do mercado musical.

Categoria

😹
Diversão
Transcrição
00:00:18O vinil para mim é as primeiras memórias que eu tenho de lá de casa.
00:00:24Meu pai e minha mãe sempre que possível compravam ou a fita cassete ou o vinil.
00:00:30Então, o que você escutava diferente de música, que não fosse o tema de um seriado ou comercial de televisão
00:00:40ou de rádio ou tema de novela,
00:00:46você tinha esse a mais no vinil que você comprava e você ia na onda do gosto do seu pai
00:00:54e da sua mãe que eram as pessoas que descolavam essa fita cassete ou esse vinil.
00:00:58Para muitos de nós foi a nossa primeira abertura de arte, nossa educação musical de um modo sem ser acadêmico,
00:01:14entender uma respiração, entender o quanto a sua voz pode alcançar de tom, vivendo.
00:01:28E, sobretudo, quem gosta de música e quem coloca o som na rua já tem uma sensação de amor pela
00:01:34arte e um desejo de dividir o seu conhecimento.
00:01:40Ele não guarda só para ele, ele não pega o vinil e fala, eu sou foda, eu tenho esse vinil
00:01:46e ninguém tem.
00:01:48Ele pega o vinil e põe para tocar para todo mundo na rua.
00:01:53O vinil, a magia da extensão do corpo do homem com aquela nova tecnologia.
00:02:02Ele leva-te muito essa fora.
00:02:16Nocâco, que joga aqui na rua.
00:02:17O que é que chante fica?
00:02:19O que é que digo mesmo?
00:02:27Lázor é com a mensagem,
00:02:29A mensagem,
00:02:29Sônia,
00:02:29Sol.
00:02:33Tchau, tchau.
00:03:07Tchau, tchau.
00:03:34Tchau, tchau.
00:04:01Tchau.
00:04:42Tchau.
00:05:12Tchau.
00:05:53Tchau.
00:06:54Tchau.
00:07:17Tchau.
00:07:50Tchau.
00:08:15Tchau.
00:08:55Tchau.
00:09:20Tchau.
00:10:06Tchau.
00:10:18Tchau.
00:10:41Tchau.
00:11:10Tchau.
00:11:23Tchau.
00:11:56Tchau.
00:12:11Tchau.
00:12:28Tchau.
00:12:38Tchau.
00:12:47Tchau.
00:12:57Tchau.
00:12:59Tchau.
00:13:13Tchau.
00:13:17Tchau.
00:13:18Tchau.
00:13:19Tchau.
00:13:24Tchau.
00:13:26Tchau.
00:13:38Tchau.
00:13:50Tchau.
00:13:51Tchau.
00:13:54Tchau.
00:13:55Tchau.
00:13:58Tchau.
00:14:01Tchau.
00:14:06Tchau.
00:14:08Tchau.
00:14:08Tchau.
00:14:09Tchau.
00:14:09Tchau.
00:14:19Tchau.
00:14:19Tchau.
00:14:19Tchau.
00:14:20Tchau.
00:14:27Tchau.
00:14:30Tchau.
00:14:30Tchau.
00:14:31Tchau.
00:14:33Tchau.
00:14:42Jathy advance.
00:14:42começar o selo em 2007, 2008, coincidiu justamente com a época que a Poliçom estava fechada já.
00:14:51Teve aquele momento nos anos 2000, que veio fazendo poucas coisas, cada vez mais reduzindo a produção
00:14:59e o disco aqui no Brasil cada vez reduzindo mais, definhando.
00:15:03E nessa época eu estava em Londres e como lá havia a facilidade de prensar ainda,
00:15:07conheci algumas pessoas do meio que me passaram os primeiros contatos de onde fazer os discos lá na Europa.
00:15:15Aí eu comecei, as duas primeiras peças foram feitas lá na Europa,
00:15:20foi um disco do Dead Lovers, Twisted Heart e do Autorama, os dois compactinhos,
00:15:25que aí eu vendi uma parte lá fora e trouxe um pedaço para o Brasil e assim começou o selo.
00:15:31Um pouco mais de 30 lançamentos já pelo selo,
00:15:35sempre com uma ligação lançando a música brasileira atual do Brasil todo
00:15:39e sempre também ligado com a cena de Belo Horizonte, assim, lançando as bandas de lá,
00:15:45que são as bandas hoje em dia que eu convivo.
00:15:48Hoje em dia as fábricas na gringa e aqui no Brasil também estão lotadas de pedido.
00:15:53A cultura de feiras de vinil e tudo mais está cada vez mais forte também.
00:15:58Toda cidade tem uma feira de vinil onde você pode ir lá e carimpar discos antigos e comprar discos novos.
00:16:05Um selo discográfico é uma entidade que põe na rua música pronta.
00:16:13Nada impede, mas dificilmente um selo lida com o trabalho que uma gravadora tem, né?
00:16:18Que é achar o artista, financiar a produção, financiar o marketing, a divulgação.
00:16:26O selo, ele tem, ele trabalha em, é uma questão mais adaptada para a música no dia de hoje, eu
00:16:33acho assim, né?
00:16:34Então o artista independente, ele, por meios próprios, ele grava a música dele e o selo realiza o formato físico,
00:16:44né?
00:16:44A somatória do barulho é um selo focado 100% no mercado de vinil.
00:16:49E a gente tem essa pesquisa que começa no rap, mas é abrangente para toda música brasileira, na verdade, né?
00:16:59Já não é LP, a candonga é um subselo da somatória do barulho dedicado somente a compactos.
00:17:06Então a pesquisa da candonga vai mais a fundo na música brasileira realmente esquecida que os DJs estão procurando, assim,
00:17:16né?
00:17:16Então tem muita coisa dos anos 60, 70, que às vezes eram a frente do tempo demais para ser vendido
00:17:26comercialmente.
00:17:27Então aí esconde muitas pérolas da música brasileira, né?
00:17:30Porque a primeira tentativa de uma gravadora de divulgar um novo artista era mandar uma cópia promocional para as rádios,
00:17:39né?
00:17:40Marisa Rossi, uma cantora que teve dois compactos só lançados no mercado.
00:17:47Daniel Salinas, outro compacto do grupo Arembep também, esse grupo da Bahia,
00:17:52que foram os únicos dois lançamentos que eles tiveram na carreira, nunca mais tiveram nenhum...
00:17:57E aí a gente teve a ideia de resgatar esse material e começar a relançar nesse formato
00:18:07e um pouco mais obscuro, mais underground, assim, e focar o LP em coisas mais...
00:18:13as coisas do lançamento da somatória do barulho, coisas mais urbanas, mais...
00:18:18que as pessoas tenham um conhecimento mais fácil, assim, né?
00:18:22Esse é o nosso último lançamento, né?
00:18:24Que é essa edição especial da Sabotage.
00:18:27Acho que isso aqui tá com a capa mesmo, né?
00:18:32Mas é uma edição que traz todo o conteúdo que tinha no CD na época,
00:18:37que o vinil não foi lançado com essas coisas.
00:18:40A gente conseguiu resgatar o pessoal que fez a arte gráfica mesmo,
00:18:45tanto o designer quanto o artista.
00:18:48Então a gente conseguiu incluir muitos dados que estavam obscuros
00:18:54ou dados que estavam errados, assim, né?
00:18:58Fotografia...
00:18:58A gente fez uma edição especial.
00:19:02Esse é o coleção nacional do Instituto,
00:19:05originalmente lançado em 2002 pela YB, né?
00:19:10É, gravadora da época.
00:19:13E aí, nunca lançado em vinil.
00:19:14Aqui tem participação de muita gente legal.
00:19:17Eu acho que o que a gente contribui é...
00:19:20É pra, realmente, pra que tenha uma atividade atual no formato, né?
00:19:25Não só redescobertas de discos antigos, empoeirados, né?
00:19:30É no sentido de trazer coisa nova também.
00:19:34Porque o mercado do vinil, se ele não for trabalhado agora,
00:19:38se o disco não está sendo produzido agora,
00:19:41ele vai estar sempre num...
00:19:42Acho que num fator...
00:19:45Num lugar meio nostálgico, assim, sabe?
00:19:48De descoberta, de posse, de...
00:19:51De...
00:19:52De certa forma, segregação, assim, sabe?
00:19:55Do formato, assim.
00:19:57Hoje...
00:19:57Tá nascendo uma segunda fábrica de vinil aqui na América do Sul.
00:20:03E, provavelmente, os selos...
00:20:07Provavelmente esses selos são responsáveis pela necessidade dessa fábrica existir também, sabe?
00:20:29A ideia da fábrica...
00:20:39A ideia da fábrica...
00:20:42Ela foi um processo, né?
00:20:43De vida e de existência...
00:20:47Que tem a ver com o processo de realizar esse álbum aqui, né?
00:20:50Que é o meu primeiro disco autoral.
00:20:53Eu já tinha uma certa consciência, mas eu senti na pele a dificuldade que as pessoas tinham
00:20:59de ter uma condição decente de fazer um bom disco no Brasil.
00:21:04E...
00:21:06Durante o tempo que eu esperei pro meu disco chegar nas minhas mãos...
00:21:10Ele foi mandado pra ser feito fora.
00:21:12Ia demorar quatro meses.
00:21:14E...
00:21:15Ele acabou demorando nove pra chegar na minha mão.
00:21:18E durante esse tempo...
00:21:20Eu...
00:21:21Eu fui conversar com pessoas da cena e da música pra ver...
00:21:25Que atitudes a gente poderia tomar prática pra...
00:21:30Pra...
00:21:31Poder ter uma condição de produzir os nossos discos, né?
00:21:34E aí cada pessoa que eu fui conversar na época...
00:21:38Me deu uma razão e um motivo e muitas delas plausíveis...
00:21:43Pra não se conseguir...
00:21:46Produzir um disco no Brasil ou montar uma fábrica...
00:21:50A questão do equipamento, do know-how, do preço das coisas...
00:21:54E...
00:21:55Enfim...
00:21:56Durante o tempo que eu fiquei esperando o Solar Sol chegar...
00:22:00É...
00:22:01Alguma coisa dentro de mim me dizia que isso tudo estava errado...
00:22:05E que alguma coisa deveria acontecer para mudar.
00:22:08Quando eu comecei a receber meus discos...
00:22:11O importador dos meus discos encontrou essas prensas que hoje estão aqui...
00:22:16Num ferro velho...
00:22:18A gente pegou essas máquinas...
00:22:19A primeira coisa que a gente fez foi...
00:22:21Levar elas pra uma garagem...
00:22:23Onde a gente começou o processo de...
00:22:26De limpeza...
00:22:28E o início do processo de reforma delas, né?
00:22:31Parabéns...
00:22:38Para quem não sabe como um disco é feito...
00:22:41Basicamente a gente tem...
00:22:43Algumas poucas etapas que são...
00:22:45O corte do acetato...
00:22:47Que é uma matriz...
00:22:49Que é um disco de alumínio com uma...
00:22:50Uma laca polida de acetato...
00:22:53Onde você esculpe...
00:22:54A matriz...
00:22:56Do que o disco vai ser...
00:22:58Todas as qualidades que tem nesse disco aqui...
00:23:01Que é um disco de alumínio com uma...
00:23:01Que é um disco de PVC...
00:23:03Todas as propriedades já vão estar no disco de acetato...
00:23:06Esse disco de acetato é...
00:23:08Levado para uma sala de banho de metal...
00:23:11Que é a sala de galvanoplastia...
00:23:13Onde por um processo eletroquímico...
00:23:15A partir do disco de acetato...
00:23:17Você vai criar uma placa de metal...
00:23:19Que é um negativo...
00:23:21Físico desse disco...
00:23:22O que no disco original era suco...
00:23:24E era um vale...
00:23:26Que é nesse formato...
00:23:27Que é por onde a agulha corre...
00:23:29No stamper...
00:23:30Que é essa peça que está...
00:23:32Aqui dentro...
00:23:33É o contrário...
00:23:34O que era suco...
00:23:35Vira ápice...
00:23:37Então você tem um negativo...
00:23:38De metal...
00:23:40Que é a cópia negativa...
00:23:41Espelhada perfeita...
00:23:42Do disco que foi cortado...
00:23:44Vai ser colocado aqui...
00:23:48Depois disso...
00:23:49A gente joga o material lá dentro dessa máquina aqui...
00:23:51Que é uma extrusora...
00:23:53O material ele vai sair...
00:23:56Esse é o material que a gente estava usando aqui...
00:23:58Para fazer...
00:24:00Alguns testes...
00:24:02Inclusive...
00:24:02Está quente ainda...
00:24:03Está mole...
00:24:06Essa máquina...
00:24:06Ela deixa o material mole...
00:24:08Para que a gente possa colocar aqui...
00:24:09E prensar o disco...
00:24:10E aí o disco se fecha...
00:24:12No formato dele aqui...
00:24:14Atinge...
00:24:14A forma que ele precisa...
00:24:17Mas ele sai...
00:24:18Mais ou menos com essa rebarba aqui...
00:24:21Que é o que você coloca nessa máquina...
00:24:23Ela sobe...
00:24:23Tira a rebarba...
00:24:25E o disco está pronto...
00:24:27E hoje está sendo legal dar entrevista para você...
00:24:29Porque a gente está num dia que...
00:24:30A gente conseguiu estabilizar o processo...
00:24:32A gente está fazendo...
00:24:35Disco decente...
00:24:36Bem feito...
00:24:37Sem nenhum problema de formação...
00:24:39Com uma qualidade de áudio...
00:24:40Agora é...
00:24:41Manter essa estabilidade de processo...
00:24:44Entregar as encomendas que a gente tem para entregar...
00:24:47E abrir pedidos para os clientes...
00:24:49Numa alimentação??
00:24:54Col Beckhamения Reabouts
00:25:00Conexão
00:25:01Sentir o sistema de ferro...
00:25:02Tentei...
00:25:02Lembrar...
00:25:02Hále...
00:25:06Enチャ Boris mal à amor
00:25:06Er Derek...
00:25:07Me diz
00:25:12Lético...
00:25:14A arrumação,
00:25:21A Recomaster hoje no Brasil, no começo de 2017, é o único estúdio de masterização que tem um torno de
00:25:30corte dentro dele.
00:25:32Então isso é uma coisa que acontece muito na Europa e nos Estados Unidos, acho que nesses dois continentes principalmente,
00:25:39que é você poder masterizar o seu disco já pensando no vinil, ouvi-lo assim que você masterizou e dar
00:25:47o ok para essa matriz ir para a fábrica.
00:25:51Até então no Brasil, o que você fazia? Você mandava um áudio digital para a fábrica, lá a fábrica faria
00:25:58esse corte e você só poderia ouvi-lo depois de prensado.
00:26:02Então as fábricas não têm autonomia para mexer nesse áudio. Num estúdio de master como o meu, você tem autonomia
00:26:09para moldar como vai ser o seu disco.
00:26:16Esse torno aqui atrás, ele tem uma história que daria um documentário só dele.
00:26:22Ele era um torno que alguém utilizou na década de 60, veio para o Brasil por aí.
00:26:29Ele é de 1956 e ele foi achado pelo DJ Xerxes e tentaram fazer uma restauração dele na época.
00:26:39E aí passou um tempo, o Xerxes não conseguiu tocar adiante esse projeto, o DJ Niggas achou do Xerxes, que
00:26:50estava lá meio que abandonado, e comprou dele.
00:26:53Passaram-se alguns anos de tentativas, o Niggas me procurou para ver se eu poderia ajudá-lo, já que eu
00:27:00trabalhava com masterização e também soldava sintetizadores.
00:27:04E eu decidi que essa mesmo era a minha opção de vida e fui para um caminho mais profundo ainda
00:27:11de restaurar e deixá-lo tão moderno quanto o torno mais moderno que existe hoje em dia.
00:27:17Então hoje esse torno Neumann faz parte dos poucos que continuaram a produzir matrizes de vinil.
00:27:37Sempre o meu sonho foi lançar um vinil.
00:27:40E aí acontece, eu acabei perdendo o filho e eu tive que vender todos os meus equipamentos todos.
00:27:47Vendi meus toca-discos, meus mixers, minhas agulhas, minhas ortofonzinhas, aquela coisa toda.
00:27:51Mas o disco ficou, eu falei, não vou largar dos discos, eu falei, não vou largar minha coleção de vinil,
00:27:56não vou largar.
00:27:57Para mim aquilo é sagrado.
00:27:59E eu acabei conhecendo o Max no Vai Vai, e estava eu e a minha esposa, e acabei dando um
00:28:06salve no Max e tal,
00:28:07aí acabei conversando, a minha esposa estava junto e ele falou que tinha um filho chamado Zion.
00:28:12Eu falei, caralho, Zion, meu filho chamava Zion também e tudo mais, e começou a ficar assim.
00:28:16Depois de umas 3, 4 semanas, eu encontrei com o Max no Vila do Samba, e ele, numa balada em
00:28:21São Paulo de samba,
00:28:22e ele começou a cantar os sambas para mim, falei, pô, vamos fazer isso aí.
00:28:25Pô, por que não lançar um disco de vinil em vez de tudo que lançam por aí?
00:28:30Falei, pô, vamos fazer um vinil do projeto do Partido B.O., né?
00:28:35Pô, por que não fazer?
00:28:36Aí foi, cara, então assim, a gente é o primeiro grupo de samba, cara, de samba de Partido Alto,
00:28:40e samba de Breck, a lançar realmente um trampo de vinil de samba de Breck e Partido Alto num vinil
00:28:48lo-fi.
00:28:49A gente gosta muito dessa história do vinil, e a gente achava que o trabalho do Partido B.O.,
00:28:55que é um trabalho que a gente tem se dedicado tanto a ele, merecia ter um compactozinho, assim,
00:29:01tipo, com uma foto legal, apresentando a galera, falando o nome dos nossos parceiros.
00:29:07Então, muita gente deixou de produzir música em disco, e para o Partido B.O. era importante, tipo,
00:29:14ter o nosso vinilzinho, o nosso compacto, independente de ter grupo de samba com vinil ou não,
00:29:23a gente queria muito fazer o nosso.
00:29:24Aqui, ó.
00:29:47E a gente sempre fez o corre de comprar o material, de produzir, pagar a própria gravação, né, cara?
00:29:54E acabou surgindo essa ideia de fazer um CD ou um vinil de cara, mas acabou se tornando um vinil.
00:30:00Fazer um long play, né, o orçamento ia ser muito alto, né, 12 polegados,
00:30:04acho que a gente nem tinha música para isso, nem grana para gravar mais música para encher o vinil, né.
00:30:10E aí veio a ideia de enxugar e botar nos 7 polegados.
00:30:14E no final eu fiquei por conta de estampar, de desenvolver o encarte e tal, e a minha esposa costurou
00:30:21as capinhas.
00:30:23A gente fez um total, né, somando, deu 511 cópias.
00:30:27A bolacha mesmo, né, vem com plástico e tal envolvendo ela, o resto a gente fez tudo aqui,
00:30:31comprando papel, silkando, costurando.
00:30:37Então a ideia foi ser um pouco barato e acabou também que tem a textura, né,
00:30:41a gente vê, dá para ver que foi feito à mão, assim, não é uma impressão.
00:30:45E a gente quis aproveitar isso para ter um apelo mesmo,
00:30:48que a gente não só compõe, grava, né,
00:30:52mas que a gente também tem essa produção artística, assim,
00:30:54de desenhar, de botar a mão na massa para estampar,
00:30:58seja colar ou costurar, enfim, né.
00:31:00E eu acho que quando a pessoa pega o vinil e tem essa noção,
00:31:04com o tato, ou até com o olhar, né,
00:31:06eu acho que acaba vendendo melhor.
00:31:10Não sei se a palavra é vender, mas, não sei, acho que agrada mais os olhos, assim.
00:31:31Desde o começo, a gente quis que a Patoa Discos fosse mais que um lugar
00:31:39onde simplesmente se vende discos, né.
00:31:43A gente tem uma vocação muito maior
00:31:47para ouvir música, gostar de música, conversar sobre música,
00:31:50do que para o comércio, né.
00:31:52A gente gostaria que o lugar fosse um espaço possível
00:31:56para troca de ideia, lançamento de discos,
00:32:02lançamentos de livros sobre música
00:32:04e vários lançamentos de vinil, né.
00:32:06O interessante para a gente é conversar sobre música.
00:32:10E a loja de disco é incrível nesse sentido, né, cara,
00:32:12porque a gente aprende muito com os discos
00:32:16que a gente eventualmente encontra aqui na loja.
00:32:20Ninguém conhece tudo, né.
00:32:22Então, assim, muitas vezes a gente descobre coisas aqui na loja
00:32:25que a gente não conhecia antes.
00:32:27O cliente, muitas vezes, traz uma informação que a gente não tinha.
00:32:31E a gente gosta de passar para frente essa mesma informação.
00:32:35Eu acho que o nosso público se divide mais ou menos dessa forma, assim.
00:32:40Os gringos que vêm atrás de música brasileira,
00:32:42os DJs de sistemas de som aqui de São Paulo
00:32:45que vêm atrás do reggae.
00:32:47e um público que é esse público mais da Vila Madalena
00:32:52que pode ser alguém interessado numa pesquisa mais profunda
00:32:57ou nas coisas mais da discoteca básica mesmo
00:33:00que envolve Beatles, Rolling Stones, etc.
00:33:13Hoje em dia é tudo muito digital
00:33:16e é óbvio que isso tem mil vantagens
00:33:19mas eu acho que
00:33:22muitas relações ficam superficiais, né,
00:33:25com a coisa da vida digital.
00:33:27E se você quer ter uma relação um pouco mais profunda com a música
00:33:30eu acho que o melhor jeito de você se relacionar com ela é através do vinil.
00:33:45O goma vem da goma-laca, que é o material dos 78 rotações.
00:33:53Então faz referência ao disco, ao vinil.
00:33:56O gringo é, bom, é discos importados, né, então é discos gringos,
00:34:00a gente, somos francês, somos gringos, então a gente tomei uma brincadeira
00:34:06e daí saiu a goma-gringa.
00:34:08Música com sotaque.
00:34:10Música com sotaque, isso.
00:34:13O rock.
00:34:29Eu encontrei o Fred comprando o disco no site dele.
00:34:34E negociando que eu não queria pagar o frete.
00:34:38Aí eu falei pra ele, ah, vamos se encontrar, que eu não quero pagar esse frete, não.
00:34:42Você tá em São Paulo?
00:34:43Tá bom, então, vamos se encontrar.
00:34:45Isso.
00:34:46Aí foi buscar os discos em casa, a gente se empatizou,
00:34:49ele me contou, conheceu os músicos e tudo.
00:34:52Que eu tinha chegado antes do Fred em São Paulo.
00:34:55Cheguei em 2001.
00:34:57Já é brasileiro total.
00:34:59Paulistano.
00:34:59Paulistano.
00:35:00A ideia primeira da goma-gringa era, em vez de importar esses discos todos,
00:35:06a ideia era virar meio que subselo, assim,
00:35:10sublicenciar deles para fazer edições brasileiras.
00:35:14Não deu como cair fora, assim.
00:35:18Voltou natural, assim, o...
00:35:20Ah, já que vamos fazer a disco, vamos...
00:35:22Ah, vamos fazer os nossos mesmo.
00:35:23Aí a gente começou...
00:35:26Na verdade foi através do Neuagrafo que a gente conseguiu o contato do produtor do Feracuti,
00:35:30e aí lançou o primeiro LP.
00:35:32Uma das partes importantes também nas nossas discussões sobre o fato de fazer vinil aqui,
00:35:39a gente parou de pensar em importação.
00:35:44E pensamos, ó, tem que pensar aqui.
00:35:47A gente queria muito que o produto seja brasileiro.
00:35:50Então o Fred tinha uma vontade de...
00:35:53Era uma ideia dele mesmo, de...
00:35:55Ah, vamos ter um selo, mas esse selo vai ser diferente que as capas vão estar com o produto em
00:36:03si.
00:36:03Assim, a gente conseguiu...
00:36:06É...
00:36:07Não sei, propôr um produto um pouco mais original, mais diferenciado, sei lá.
00:36:13Então, por exemplo, uma das loucuras do Fred foi de fazer essa capa do Brave,
00:36:21que virou um pôster.
00:36:22Esse é o primeiro que a gente fez, rei de som, serigrafia, que é o Felacuti.
00:36:29Serigrafia.
00:36:29É.
00:36:30E o engraçado é que é um Felacuti que não é qualquer um, que é um, ele tem um gesso.
00:36:36Tinha o apaiante da polícia, tudo, era um momento de reivindicação,
00:36:40e eram as manifestações na Paulista para o Passo Livre.
00:36:45Exemplo perfeito do que a gente, da ideia, assim, que até hoje é, né,
00:36:49mas realmente do ponto de partida do selo.
00:36:52Tem um cara aqui ainda, em São Paulo, que está lá no Braz,
00:36:56você vai e te cobra a Paulinha, tipo,
00:36:58ah, traz a linha, você vai conseguir o texto, escolhe sua fonte, tamanho,
00:37:02e tipo, pronto, cara, e te entrega o textinho aí no chumbo.
00:37:08Para simplificar, a gente tinha 500 unidades,
00:37:11a gente se imprimiu na cartolina, que existem cinco cores,
00:37:15então a gente fez 100 de cada cor.
00:37:17Só para simplificar um pouco, depois, terceiro, foi o metabetal, né?
00:37:21O metabetal, que foi o terceiro, o pré-do.
00:37:23E aí uma serigrafia também, vamos mostrar, porque esse eu gosto muito do resultado.
00:37:27Ah, tem, esse é dupla, ah, eu te deixo, é dupla capa.
00:37:33É esse, que é a segunda versão.
00:37:36Isso, isso.
00:37:37A gente apresentava ele assim, serigrafado, né,
00:37:41um papel colorido, e ele abre,
00:37:44tem outro desenho e as letras,
00:37:47que na verdade pode também ser usado assim e virar uma outra capa.
00:37:50E a capinha da mesma cola, do mesmo papel.
00:37:53Ah, é.
00:37:54Detalhe.
00:37:55Nas loucuras aí vem a ideia de uma capa em vinil, plástico,
00:38:02com impressão, com impressão de novo de serigrafia.
00:38:07E esse foi também um...
00:38:09Foi um pesadelo.
00:38:11É um pesadelo de produção.
00:38:13Esse modelo, se você olha, ele tem essas abas, elas são coladas para fora.
00:38:18Ela tem as sabinhas coladas para cima e tem uma laminação brilho, né, na frente,
00:38:24e ela para aqui do lado.
00:38:27Sempre.
00:38:29É.
00:38:29É uma coisa, realmente, eu sou realmente sensível a esse tipo de capa.
00:38:34Eu acho que é um detalhe, muito bonito.
00:38:36A gente adicionou, não sei se dá para ver no vídeo,
00:38:39mas a gente fez uma lombada também, meio spaceship, assim,
00:38:43eu...
00:38:43Começa fina, larga, tem o nome e volta a ser fininho.
00:38:49E o Rodrigo Campos?
00:38:51É aí que vem isso.
00:38:55Tudo aí, tudo serigrafado.
00:38:57E a gente batia uma faca especial também aqui para...
00:39:00Essa foi a ideia do Rodrigo, não?
00:39:02Os buraquinhos, não?
00:39:04Você?
00:39:05Eu, como comprador,
00:39:07mesmo se isso for, sei lá, 5, 10 reais mais caro, vai...
00:39:10Eu, como comprador, vou ficar muito, mas muito mais feliz
00:39:14de comprar um disco desse,
00:39:16uma coisa, assim, com serigrafia,
00:39:18você fala, puta, o que elas pensaram mesmo?
00:39:20Tá foda, você toma cuidado ao olhar, tudo, né?
00:39:23E muito valor agregado.
00:39:46A guardana, o fio das rechenças,
00:39:51que no elenco eu confesso que o temporal
00:39:54tem ali na favela.
00:39:57A-A-A-A-A!
00:40:01Lá e o ui, ó!
00:40:03É aí que dá uma vez cor那.
00:40:06Não, não, não, não, não, não.
00:40:36Não, não, não, não, não, não, não.
00:41:16Não, não, não, não, não, não.
00:41:31A gente começou, a princípio a gente pensou em fazer virando à noite, né?
00:41:37Foi, aí na reunião a gente achou melhor que não, né?
00:41:40É verdade.
00:41:40Não tinha festa de semana.
00:41:43Não tinha happy hour.
00:41:44A gente falou, mano, aqui no centro o happy hour vai funcionar.
00:41:47Aqui dá de pessoas de 18 a 60 anos cola aqui.
00:41:53É um público bem eclético mesmo.
00:41:56A gente não se limita nos especiais também.
00:41:58Então a gente já fez, por exemplo, um especial do Rage Against The Machine.
00:42:02Foi.
00:42:03E na semana seguinte fizemos o especial pagode nos 90, na semana seguinte.
00:42:09É um time que não se limita.
00:42:10É tudo legal.
00:42:11E foi legal as duas festas.
00:42:13As duas festas foram foda.
00:42:14Foi louco.
00:42:15E aí, enfim, qualquer tipo de especial acaba enchendo.
00:42:18Chega uma galera e tal.
00:42:19A galera que curte, a galera que não curte também, mas passa a curtir.
00:42:23Porque passa a conhecer esse artista, entende?
00:42:26Então a ideia é mais ou menos essa, né?
00:42:28Da discopédia.
00:42:29Além de ser, é muito mais que uma festa.
00:42:32É um ato de cidadania, né?
00:42:35Que é muito mais.
00:42:35Porque a gente agrega pessoas que estão aí na luta.
00:42:42As meninas que são feministas.
00:42:44A galera que é gay e tudo mais.
00:42:46Então a gente agrega todo mundo.
00:42:47Porque é um espaço para todos, né?
00:43:02Discopédia é somente vinil.
00:43:04No computer, no CD, no virtual de ninguém.
00:43:07E aí, só que é um espaço para todos.
00:43:37do encontro nosso. Uma quinta-feira a gente estava lá entre amigos fazendo um live com o Cabeça,
00:43:45que é um beatmaker MC lá de Curitiba. Estava eu e o DJ Marco, a gente recebeu ele em casa,
00:43:51e ele, por sinal, ia apresentar na MPC 1000 dele, que é um sampler, um groove box, que a gente
00:43:58chama,
00:43:59que ele produz naquela caixinha, na MPC 1000. E ele falou, porra, será que o Cabeça pode soltar
00:44:05o beat dele aqui pela MPC? Eu falei, lógico, mano, lógico, é bom que a gente troca umas ideias.
00:44:10Tinha umas 20, 30 pessoas na casa, a gente começou a fazer a apresentação e foi do caralho, assim.
00:44:16A galera que viu, curtiu muito. E aí, daquele encontro, foi muito massa, velho.
00:44:21A gente juntou as máquinas, assim, na hora eu tirei umas dúvidas com ele, ele me perguntou umas coisas.
00:44:26A gente falou, caramba, velho, cada um tem uma linha de produção diferente, né?
00:44:30Pô, que louco, o jeito que você usa, o Marco usa diferente, eu uso outra.
00:44:33Aí eu peguei e liguei pro Formiga, liguei pro Franja, e a gente fez o primeiro encontro chamado Beat Brasilis,
00:44:39com quatro caras e quatro máquinas.
00:44:41Cada uma tem uma idade, cada uma tem um timbre, cada uma tem um som, uma sonoridade diferente, né?
00:44:47E esse encontro é pra isso, pra gente trocar ideia e um ensinar o outro, um aprender com o outro.
00:45:03De lá pra cá, a gente tem mais de 1.600 beats no ar, tem, meu, mais de 100 caras
00:45:12participaram, gringos.
00:45:14A gente tá replicando o Beat Brasilis no Canadá com o nome Loop Sessions.
00:45:18Sensacional, cara. A gente só aprende, só ensina e aprende, não dá pra explicar.
00:45:27Cara, então, toda semana a gente tem um disco pra sampliar, normalmente é um disco que ninguém ouviu,
00:45:33ou a gente espera que seja um que ninguém ouviu pra ninguém ter vantagem,
00:45:37e aí a gente tem 10 minutos, às vezes 10, às vezes 7, depende de quanto a gente tem,
00:45:40pra sampliar, pra eu ficar ouvindo aqui e gravando, ou no computador, ou na MPC, na máquina que você usa,
00:45:46você vai ouvindo e gravando os pedaços que você quer usar depois pra fazer algum beat, fazer uma música em
00:45:51cima.
00:45:51Então aí eu dou play aqui, eu vou ouvindo, e aí eu tenho meu computador aqui pra gravar os pedaços
00:45:56que eu quero.
00:45:57Aí, o jeito que funciona pra maioria das pessoas, a gente ir pro começo de cada faixa,
00:46:03e pegar umas introduções e tal, que você consegue pegar uns instrumentos isolados e tal,
00:46:07mas você tem que ir nesse tempo limitado, ouvindo o CD, conhecendo o que ele tem,
00:46:12gravando o que você acha que você vai usar, e aí depois tem que sentar e organizar os pensamentos, assim.
00:46:17Eu, por exemplo, quando eu vou sampliar, eu escolho mais de uma faixa pra ter opção na minha máquina.
00:46:23Depois, salvei meus samples, fui pro meu cantinho e vou começar meu processo de criação.
00:46:28Escolho tudo, escuto tudo que eu sampliei, de novo, e acabo escolhendo um pra trabalhar,
00:46:34pra seguir como um sample principal.
00:46:37Depois que eu escolhi o sample, vou trabalhar o timbre, vou trabalhar o tune, o volume, a ideia em si,
00:46:44e depois eu vou juntar um beat em cima desse sample.
00:46:48O beat é o quê?
00:46:49É um monte de kit de bateria que todo mundo tem nas maquininhas,
00:46:54e você vai escolher o timbre que melhor se encaixa com aquele sample que você escolheu.
00:46:59Mas isso tudo é muito rápido,
00:47:01mas hoje eu tô meio sofrendo, pra falar a verdade, a Afrobeat tá meio complexo.
00:47:05É muito elemento junto, não tô conseguindo filtrar direito, vamos ver o que sai.
00:47:11Tá checando bem aí?
00:47:13Tá, tá show aqui.
00:47:14Pode ir? Tá valendo? Por favor.
00:47:17Antes que você derrube mais alguma coisa,
00:47:19deve que eu enfeiteira, né?
00:47:21Vai? Valendo? Vai!
00:47:36Vai! Valendo? Vai!
00:47:38É, tá feio com o barco, né mano?
00:47:39Tá com o barco, né mano?
00:47:43Vai, vai.
00:47:44Vai, vai.
00:47:55Hoje foram 20 beatmakers, cada um fazendo um beat sobre o disco.
00:47:59Pô, muito inspirador, muito massa, muito maneiro mesmo.
00:48:03São outras linguagens, outras formas de ver células e pedaços.
00:48:09Às vezes um pedaço de uma música combinado com outra.
00:48:11Você vê conexões da forma de tocar, da forma de virar, da forma das coisas se conectarem.
00:48:18Que conecta com essa música que tá rolando hoje em dia, com essa música urbana.
00:48:23A gente fala de ancestralidade, mas a gente fala também de uma coisa bem atual.
00:48:29Dá vontade de ver logo esse novo disco aí pra também abrir as tracks pra galera,
00:48:34pra galera pirar em cima e também trazer essas influências aí pro que a gente tá fazendo.
00:48:59Começou com 14, eu lembro dele chegando lá na Casa Brasile, com o pai dele lá na porta já.
00:49:06E aí, aquela máquina tá ainda aí?
00:49:08Aquela máquina é essa máquina aqui, essa MPC-1000.
00:49:11Eu lembro que ele tinha ido lá querendo aprender, né, que ele via, acompanhava os nossos vídeos,
00:49:15querendo aprender a produzir, a ser beatmaker.
00:49:17E eu expliquei que poderia ser com máquina e poderia ser com software, não foi, Otávio?
00:49:21Foi, foi bem isso.
00:49:22Aí eu comecei no FL.
00:49:24No FL Studio.
00:49:25Um dia eu vim tomar com o meu pai, colei lá na casa e consegui comprar a máquina com o
00:49:30meu pai e o pai me interrompou.
00:49:32Tem quase três anos isso, tá ligado?
00:49:34E aí começou a colar com o nós, velho.
00:49:36Hoje em dia ele nem é o cara mais novo.
00:49:37A gente tem um moleque de 12 anos que colou com o nós e um de quarenta e tantos que
00:49:42cola também e é isso.
00:49:44Não tem influência.
00:49:44Muito louco o pessoal tá aí.
00:49:46Aí, ó.
00:49:47Malandragem.
00:49:48Tem diferença na idade, mas o hip hop é universal, né?
00:49:50Universal, não tem essa.
00:49:53Foi, foi, foi, foi!
00:49:54Foi, foi, foi!
00:49:55É isso aí!
00:49:56É isso aí!
00:49:57Vamos, vamos, vamos, vamos!
00:50:10É isso aí?
00:50:43então eu comecei tipo em 2008 a comprar discos assim porque eu comecei a consumir mais desse
00:50:52universo assim quando eu comecei a me inteirar mais esse universo da música negra já e aí a gente
00:50:59começou a comprar discos tal a gente tinha saído de um período que era de quando a gente produzia
00:51:05show de raio de coi assim e aí a gente já não produzia mais que a gente já estava bem
00:51:12nessas
00:51:13buscas e aí tipo a gente ficou com muita vontade de fazer uma festa que tivesse a cara dessa nossa
00:51:21pesquisa para dar também uma uma cara nova para as festas aqui da cidade era um momento até que tava
00:51:28era um dos momentos estava bem sem festas aí durante esse tempo os moleques já tinham feito uma festa que
00:51:42era tipo de skate assim que era com influência de trilha sonora dos vídeos de skate que a parada que
00:51:50era uma escola muito grande para mim mas aí como era um projeto de muita gente né e aí tipo
00:51:55foi criou
00:51:56a bang assim que tem dois anos e meio quase meu pai trabalha com som a vida inteira do ano
00:52:04de
00:52:04sonorização a vida inteira faz caixa projeta caixa e eu cresci nesse meio né então os meios gráficos assim
00:52:14para mim foram muito fortes desde cedo assim e aí quando eu comecei a pintar já ia me ligar muito
00:52:20com
00:52:20com esse universo musical eu passei a pesquisar além dos sons eu passei a pesquisar toda essa parte gráfica
00:52:29toda essa parte de processo gráfico que envolve a música que envolvem os discos assim então no meu trabalho
00:52:37é uma forma de direta de homenagear esses artistas assim que são são muita minha escola são minha maior uma
00:52:48das
00:52:48as minhas maiores influências assim
00:52:50e na verdade comecei a discotecar com cd acho que o primeiro ano de discotecagem foi com cd
00:53:18mas logo que eu comecei eu já fui entrando nesse nesse universo do vinil muito pelo tipo de música que
00:53:28eu gostava e que eu queria tocar comecei a ver que as coisas que eu comecei a pesquisar não tinha
00:53:34em cd
00:53:34isso me levou a começar a procurar as coisas no vinil a ir atrás desse acervo dessa música que já
00:53:41tava
00:53:42esquecida ali né nos anos 2000 e aí o meu o meu erro ou minha salvação foi o primeiro toca
00:53:49disco que eu comprei
00:53:50que eu fui não vou tocar com
00:53:52dois cds e um vinil só pra por algumas coisas pra ter o charme do vinil tal e aí no
00:53:57momento que eu toquei com toca disco
00:54:00fudeu eu olhava pro cd e falava putz isso aqui não tem graça nenhuma e aí eu entrei eu mergulhei
00:54:07nesse universo do vinil eu parei
00:54:09de discotecar com cd até foram anos difíceis porque eu tinha poucos discos então eu tinha que literalmente tirar leite
00:54:14de pedra dos discos que eu tinha
00:54:17mas aí depois de um tempo eu comecei para outro lugar que eu acho que agora o lugar que eu
00:54:21tô agora que é de falar não agora eu quero
00:54:24tocar umas coisas que ninguém sabe o que que é eu quero coisas diferentes coisas estranhas sabe quando você quer
00:54:29uma
00:54:29coisa uma sonoridade diferente no seu set ali que é quando a pesquisa o garimpo começa a virar uma uma
00:54:35doença que você fala não eu quero achar um negócio um
00:54:39som diferente uma textura diferente é que aí eu comecei muito dos discos orquestrados dos dos caras
00:54:47meio malditos né então mesmo no brasileiro comecei a pesquisar os jorge maltner jades macalé achados e
00:54:56perdidos é de estar todos esses caras aí que ficaram pra baixo do da coisa mais pop e isso me
00:55:05levou inclusive acho que
00:55:06aí agora sim a uma coisa mais atual da minha da minha no meu percurso profissional que foi que eu
00:55:13comecei a
00:55:14produzir coisas minhas né no caso a gente fala beats que são produções voltadas para o rap e tal e
00:55:23nessas
00:55:23produções eu uso muito samples né aliás elas são as produções são feitas em cima de samples e foi aí
00:55:30que eu
00:55:30unir duas coisas que eu sempre tiveram comigo que eu não tinha percebido que era a pesquisa musical com
00:55:37som para a pista e aí voltou a compra de disco eu falei puto eu quero produzir em cima de
00:55:42umas coisas que ninguém
00:55:42produziu quero vou produzir em cima do james brown do funk drummer que todo mundo já se ampliou quero achar
00:55:48um
00:55:48negócio que ninguém se ampliou e aí eu voltei a escavar e aí eu voltei numa onda de um garimpo
00:55:54mais sujo ainda de
00:55:56curtir em um lugar bem sujão disco empilhado para achar aqueles discos mesmo desconhecido para tirar
00:56:03sample para tirar coisa de produção eu acho que isso é interessante do diggin você nunca sabe o que
00:56:08você vai achar aliás sempre que você vai mentalizando um disco você não acha ele pelo menos pra mim assim
00:56:15e isso é legal de você conhecendo coisa e por isso que eu gosto muito de fazer o diggin barato
00:56:21mesmo assim
00:56:22claro todo mundo gosta porque quer pagar pouco nos discos mas mas o que isso eu gosto de poder
00:56:26experimentar poder comprar discos sem conhecer eu vi a capa vi o selo parece interessante vou levar para ver o
00:56:32que que é
00:56:44é bagunçada né as paradas das antigüidades que eu falei os os ferro velhos as madeira velha tudo
00:56:53vira tempo depois né tudo a gente consegue passar aqui não fica mansa sem mais
00:57:05é muito atual esse som né cara da muito muito moderna parece que eu fiz né
00:57:18esse martinho é foda irmão esse é um portunhol latino-americano esse martinho ele mesmo não tem esse lp assim
00:57:31foi massa esse momento sabe de pegar esse esse rabisco dele agora
00:57:35nesse lp é porra é lindo é lindo essa versão de desritimia cara
00:57:41a canoa vai de proa e de proa e de proa e demais
00:57:51caralho isso daqui é foda irmão
00:57:54caralho
00:58:21não sabe
00:58:23E também, há pouco tempo, assim, é muito foda, velho, até uma voz, assim, linda, linda, linda.
00:58:33Tu vai pra uma outra cidade, né, aí tu vai perguntar onde tem o Sebo, cara.
00:58:39É foda, acho que é bem por aí, sabe, é tipo, porque aí tu vai pra Recife, cara, tu vai
00:58:44pegar uma parada bem dali, sabe,
00:58:47o cara fez tudo ali, daquela região, sabe, eu acho que o vinil pra mim é isso, assim, é descobrir
00:58:54mesmo,
00:58:55às vezes, aquele cantinho que tá ali, um tiozinho, sabe, com meia dúzia de vinil ali, que tu vai achar
00:59:00uma pérola ali, sabe, no meio,
00:59:02ou ir pra uma grande loja também foda, que vai chegar, já vai tá tudo limpinho, com plástico foda, sabe,
00:59:08um preço maneiro, sabe,
00:59:11E é isso, o mercado é isso, cara, tu tá disputando com o japonês, sabe, tu tá disputando com o
00:59:17americano,
00:59:18tu tá disputando com o DJ colecionador, tu tá disputando com o cara que vai comprar o disco do Bob
00:59:23Marley
00:59:24pra colocar lá na parede da casa dele, sabe, porque ele acha maneiro aquela capa, é vinil, né, cara, é
00:59:30foda,
00:59:30é um mercado absurdo e cada vez mais caro, né, cara, é foda.
00:59:36Eu venho numa época que eu comprei Jazz King Combo original por cinco reais, assim, porque a galera não conhecia,
00:59:42simplesmente não sacava, me vendeu aquela parada por cinco contos, eu já achei banda tropicalista, o Rogério Duprá, sabe,
00:59:49tipo, achei, literalmente, assim, eu vim aqui nessa casa, meu pai sempre comprou antiguidades, parada,
00:59:55tinha um bolinho de disco, tinha lá o Rogério Duprá, sabe, então a minha relação com o vinil é muito
01:00:00essa,
01:00:00assim, eu sou muito do, do, o que é meu tá guardado, tá ligado, tipo, né, ninguém, ninguém pega, assim,
01:00:06mas eu não tenho muito essa relação até com, com, com essa compra, assim, né, do cartão,
01:00:12às vezes eu entro no rateio com um amigo, né, que tá pedindo, pô, tem amigos que, o Marcelo do,
01:00:19do Vino é Arte mesmo,
01:00:20o MB, o cara é ratão dessa parada, sacou, ele, tipo, chega na casa dele toda semana, bolinhos em bolinhos
01:00:27de disco da ganga, sabe,
01:00:29mas eu, eu, eu, eu não tenho essa relação, o meu é muito mais de sebo, muito mais de, sabe,
01:00:35de, muito bazuca, né,
01:00:36muito som brasileiro mesmo, sabe, muito, eu fico nessa, nessa parada mais insana aqui, assim, vivendo mesmo,
01:00:43assim, eu acho que, tem que ser, com o vinil você tem que ser mente aberta mesmo, tem que ser,
01:00:49não dá pra,
01:00:50pra se prender, é muita coisa boa, cara, é muita parada foda que tem, assim, sabe,
01:00:55A galera fala essa parada de, de vinil, voltou, cara, nunca foi, bro, nunca foi, sabe, tipo,
01:01:01acho pelo contrário, é, a galera que deixou aí, que se fudeu, sabe, porque quem não deixou aí,
01:01:07é o cara que tem mais disco hoje, tá ligado, que é o cara que ganhava dos amigos, sabe,
01:01:11tipo, ah, não quero mais ver eu me moldar pra mim, sabe,
01:01:15Diante dela, a vida é um solo estático, não aquece nem ilumina,
01:01:19As afinidades, os adversários, os incidentes pessoais, não contam, não faça,
01:01:27Cara, um disco é sempre uma, uma viagem, uma história, assim, né, com percalços e com momentos de alegria,
01:01:34e na primeira vez que você ouve a track pronta, né, masterizada, não aquece, sabe,
01:01:37Re-vo-lu-ção, quando você vê uma capa de disco, outro cara tá falando, escolha o seu caminho,
01:01:47No caso da música, por exemplo, hoje em dia a gente tem a comodidade de poder ter muita música
01:01:54armazenada num espaço pequeno, que é o mundo digital, né, então por que alguém compra um disco?
01:01:59Esse álbum de figurinha que a gente não vai completar nunca, sabe, esse mergulho no infinito, assim, né, da música,
01:02:05né, velho?
01:02:05É, é mais uma coisa mesmo, acho que de preencher um espaço pra uma pessoa que coleciona, que gosta,
01:02:12e que corte ter, assim, esse, esse tato aqui, esse toque, sabe, né, velho?
01:02:16A gente não tinha dinheiro pra pagar uma hora de estúdio, tinha que juntar 5, 6 pessoas
01:02:21pra conseguir juntar dinheiro pra uma, duas horas de estúdio, tinha que tirar pra você gravar um vinil,
01:02:26é muito distante, é um sono, quando um conquista, quando um consegue gravar um vinil, parece que todos conseguem.
01:02:35Ainda tem muita essa coisa de achar que o vinil é algo, é raro de ser dono e de colocar
01:02:45o vinil, assim, como um troféu, sabe?
01:02:51Então, a partir do momento que as pessoas desapegarem um pouco disso, né, o coxista principalmente,
01:02:57e ele encarar isso como uma coisa de repasse, ele vai estar fortalecendo a indústria, a fábrica,
01:03:04ele vai estar fortalecendo os selos, ele vai estar fortalecendo o artista independente.
01:03:09O meu vício, velho.
01:03:11Quando eu era mais novo, eu reclamava que eu tinha nascido na época errada,
01:03:15nos anos 70, viveu nos anos 70 e tal, os bailes black dos anos 70,
01:03:19mas aí eu raciocinei melhor e eu nasci na época errada, porque eu estou propagando isso,
01:03:27eu estou propagando o conhecimento do passado e trazendo pra galera agora, entende?
01:03:32Tem uma galera que só reclama, agora está tudo caro, é, está tudo caro,
01:03:35mas por outro lado a gente está achando as coisas, tem lojas melhores,
01:03:40você pode comprar aqui na sua cadeira no computador, você escolhe o que você quer,
01:03:43chega na sua casa e você tem esse mercado novo que está surgindo
01:03:47e que vão me incentivar, tipo, vamos, vamos que, meu,
01:03:51ah, você não quer pagar 2 mil reais, tem um cara que quer pagar 2 mil reais do disco original,
01:03:55tem um cara que não faz questão do disco original, pode ter uma reedição.
01:03:59Eu não sei, talvez, talvez a gente passou por um longo processo aí de coma induzido, né,
01:04:05onde as fábricas fecharam sua produção e agora a gente está aqui lutando pra retomar
01:04:10e pra atender uma demanda que é real.
01:04:13O vinil, eu acho que me reeducou, assim, eu boto o vinil,
01:04:16eu não vou ficar pulando a música, vou ter que ouvir pelo menos o primeiro lado todo, assim,
01:04:21eu acho que, pra mim, assim, reeducou pra poder ouvir um som.
01:04:26Hoje em dia eu ponho até um CD, mas eu não vou querer passar a música,
01:04:29eu deixo ele rolar inteiro, assim.
01:04:32Olha o vinil aí.
01:04:52Esse é um disco meio de cabeceira, assim, velho, esse pra mim, cara, isso é muito visceral, assim,
01:04:58e isso é foda, mano.
01:04:59Vão do vale, saca?
01:05:16Isso aqui...
01:05:19Emílio e Santiago estão em outro lugar.
01:05:36Olha isso, velho, esse cara é, tipo, banca, sabe, tipo,
01:05:40a parada é silcado, é um a um, tá isentas cópias, sabe, 180 gramas.
01:05:50Professor, como é que cê tá, professor?
01:06:00Esse metá-metá é foda, cara, isso é...
01:06:03Pô, nobre é tipo, hein, maçã.
01:06:12Elba, Elba, Elba linda!
01:06:14Elba é rainha!
01:06:16Elba é rainha brasileira!
01:06:18Elba, papá!
01:06:20Tereza Cristina, uma mulher maravilhosa, de uma voz maravilhosa!
01:06:25Mudou minha vida, mudou minha vida, mudou minha vida, mudou minha vida!
01:06:28Vocês aí mudaram!
01:06:38A música, ela eterniza um momento, uma situação, uma pessoa, uma história, um país.
01:06:43Uma geração, um sentimento, um gesto, um querer.
01:06:48É como se você pudesse pegar, tocar, nessa pessoa que cê não vai ver mais.
01:06:54É como se você pudesse tocar, ainda beijar, abraçar, um sentimento de uma geração.
01:07:01É diferente, cara.
01:07:04É diferente.
01:07:06É diferente.
01:07:20É diferente.
01:07:24É diferente.
01:07:26É diferente.
01:07:30É o mais difícil a ideia inicial
01:07:34O mais difícil, o mais trom
01:07:36O mais difícil é a ideia inicial
01:07:49É o mais difícil a ideia inicial
01:07:53O resto depois é a questão meio mecânica
01:07:57Meio de sentar e ver que direção pra música deve tomar
01:08:53A CIDADE NO BRASIL
01:09:15A CIDADE NO BRASIL
01:09:45A CIDADE NO BRASIL
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01:09:59A CIDADE NO BRASIL
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