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O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma ação civil pública exigindo que a Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein passe a aplicar o sistema de cotas raciais em seus processos seletivos para programas de residência médica.

A demanda é fundamentada nos incentivos e parcerias públicas mantidos pela instituição.

Papo Antagonista é o programa que explica e debate os principais acontecimentos do dia com análises críticas e aprofundadas sobre a política brasileira e seus bastidores.

Apresentado por Madeleine Lacsko, Duda Teixeira e Carlos Graieb o programa traz contexto e opinião sobre os temas mais quentes da atualidade. Com foco em jornalismo, eleições e debate, é um espaço essencial para quem busca informação de qualidade.

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Transcrição
00:00Agora nós vamos falar de um assunto que está chamando a atenção nas redes, que é o seguinte.
00:05O Ministério Público Federal ajuizou uma ação civil pública para que o hospital israelita Albert Einstein
00:13adote cotas em seus programas de residência médica.
00:18E não é qualquer cota.
00:20É 55% de vaga para cotista e 45% por mérito.
00:28Na residência.
00:31Na residência médica.
00:33Médico já formado, que não passa na residência e aí vai dar cota.
00:39Ok?
00:40O argumento é que o hospital possui certificação de entidade beneficente, ele tem uma relação com o SUS
00:48e por isso ele precisa obedecer uma portaria do Ministério da Saúde.
00:57Que portaria é essa?
00:59Estou com a portaria aqui aberta.
01:00Portaria GMMS, número 5801, de 28 de novembro de 2024, institui o Programa de Ações Afirmativas do Ministério da Saúde.
01:11Eu vou ler para você, eu vou ler para você, porque se eu contar ninguém acredita.
01:20Será obrigatória a implementação de reservas de vagas em todos os editais de seleção ou chamadas públicas
01:28voltado a pessoas físicas e publicados pelo Ministério da Saúde, observando o seguinte quantitativo.
01:35No mínimo, 30% das vagas para pessoas autodeclaradas negras, 5% das vagas para pessoas indígenas,
01:465% das vagas para pessoas quilombolas, 10% das vagas para pessoas com deficiência
01:54e 5% das vagas para pessoas trans, para qualquer contratação de médicos, residentes, enfermeiros no Brasil.
02:07Isso não foi discutido no Congresso, isso não foi debatido com a sociedade,
02:14não foram ouvidos os especialistas.
02:16Nísia Trindade assinou isso sozinha, está valendo em todo o Brasil e o Ministério Público entrou para enquadrar o Einstein.
02:27Quando, no meu entendimento, o Ministério Público deveria ter entrado contra a Nísia Trindade
02:33por estabelecer cotas desse jeito e sem nenhuma referência sociodemográfica.
02:40Sociodemográfica é o quê? Por que está dando cada percentual para cada um?
02:44Não tem explicação.
02:44Na época, o CFM se manifestou. Vamos ver.
02:49É com grande preocupação que o Conselho Federal de Medicina se posiciona sobre a recente proposta
02:56de criação de cotas nas provas de residência médica.
03:00Este tema envolve a formação dos profissionais que serão responsáveis
03:06tendo cuidado com a vida de milhões de brasileiros.
03:09O processo de seleção para residência deve ser uma avaliação rigorosa das competências adquiridas
03:18e da capacidade do candidato de aplicar esses conhecimentos no atendimento a pacientes.
03:24É fundamental ressaltar que todos os médicos formados, independentemente da forma de ingresso na graduação,
03:34passarão pelo mesmo processo de formação, coindente das exigências acadêmicas.
03:39O diploma de médio atesta essa equivalência profissional plena.
03:45É que todos os graduados estender o sistema de cotas à residência médica é ruim.
03:51É privilégio injustificado e pode comprometer a qualidade da formação do médico especialista
04:00e, consequentemente, o atendimento à população brasileira.
04:04O CETEM defende a manutenção do sistema de seleção para a residência médica
04:10baseada estritamente no mérito e na competência técnica dos candidatos.
04:17Olha, eu fui conversar com o pessoal que trabalhou na lei de cotas do Brasil,
04:22que foi uma lei muito discutida.
04:23Eu não sei se você é a favor ou contra cotas.
04:25Não interessa para essa informação que eu vou trazer.
04:28No Brasil, só existem estudos sociodemográficos e debates sobre cotas para entrada na universidade.
04:40Para o resto, é tudo invenção.
04:42Para o resto, nunca houve nem estudo de impacto, nem estudo sociodemográfico sério
04:48e nem um estudo sobre o que acontece ou não.
04:53A única cota que já se estudou no Brasil é de entrada na universidade.
04:58E aí vem o seguinte.
05:00A cota de entrada na universidade é um estudante.
05:04Então, o cara vira médico e continua sendo um oprimide?
05:08Um país em que um terço da população é analfabeta funcional.
05:13O médico está sendo tratado como a minoria oprimida que precisa de cota?
05:17Um médico?
05:19Então, assim, se se forma médico e ele ainda não consegue competir com os outros,
05:24então não tem por que dar cota para ele entrar na universidade,
05:26porque se forma continua a mesma coisa.
05:29Não faz nenhum sentido.
05:31E depois é o seguinte.
05:33O que tem na cabeça de alguém que o critério da residência médica,
05:36o critério da saída, não seja um mérito?
05:40Porque se o pobre morrer na mão do cara que é da cota na residência,
05:43pelo menos morreu vendo a universidade?
05:46O governo Lula tem muito a explicar sobre isso.
05:49Fui atrás do que acontece nas cotas.
05:51Porque é o seguinte.
05:52Não tem 5% de trans na sociedade.
05:54Não tem 5% de quilombolas.
05:57Como é que estão acontecendo essas cotas?
05:59E depois outras críticas.
06:02Se está colocando as cotas, está colocando com base em quem?
06:04Em exclusão?
06:05Se é em exclusão, quem é excluído nas faculdades que acaba perdendo coisa
06:10é mãe solteira e órfão que sustenta a família.
06:13Por que não está na cota?
06:16Eles estão fazendo essa cota com base em quê?
06:18Sabe o que acontece, na real, com a cota?
06:21Lançam os concursos, nunca preenchem a cota.
06:23Não preenche cotas.
06:23Porque não tem.
06:24E aí precisa lançar de novo, entrar na justiça e o caramba,
06:28ter o maior trabalho para que essas cotas sejam destinadas a alguém.
06:32E o Ministério Público Federal, sabe o que eu acho?
06:34Devia demitir todo mundo e contratar por cota.
06:37Amanhã, todos eles.
06:40Ou substituir por IA.
06:42Porque, assim, o que na cabeça do Ministério Público Federal eles não veem?
06:47Que, devido à questão do interesse da população,
06:50do interesse da saúde da população,
06:52eles deviam ter entrado contra o Ministério da Saúde
06:54por ter decidido isso de uma forma não democrática,
06:58não republicana,
07:00sem estudos de impacto,
07:01sem estudos sociodemográficos,
07:03sem justificar o porquê das cotas.
07:06Por que não entraram contra eles e querem que cumpra isso?
07:11Assim, e a grande coisa é a seguinte,
07:13mexeram com Albert Einstein,
07:14que é o hospital onde todo mundo,
07:17se puder, um dia,
07:18se tiver que ser tratado, quer ir para lá.
07:20Mexeram em um hospital de elite.
07:22E aí ficou todo mundo assim.
07:23Só que agora as pessoas estão descobrindo
07:25que todos os médicos no Brasil,
07:28o governo Lula decidiu que médico no Brasil,
07:31residência médica,
07:33não é mais por mérito, é por cota.
07:36É absurdo isso.
07:38E a questão da residência médica,
07:41são médicos já formados
07:43e que botam muito a mão na massa.
07:47Esse é o médico que, geralmente,
07:48a gente encontra no pronto-socorro,
07:50que atende as pessoas,
07:53muitas vezes em situação crítica,
07:55e estão ali decidindo entre a vida e a morte
07:59dos pacientes.
08:01Então, qualquer paciente no Brasil,
08:05se puder escolher,
08:07vai falar assim,
08:07olha, eu quero que o melhor médico me atenda.
08:13isso vale para o pobre
08:15e vale para o rico também,
08:17que consegue pagar o Albert Einstein.
08:20Se você está ali com um infarto,
08:23entra no pronto-socorro,
08:25você não vai fazer questão
08:26de ser atendido por um trans,
08:27por um quilombola,
08:28você quer o melhor médico.
08:30É óbvio isso.
08:33E aí, acho que também,
08:34estava lendo até uma matéria da Agência Brasil,
08:37e o Ministério Público está totalmente esquerdizado,
08:42ideologizado,
08:44faz ali tudo,
08:45parece que é tudo uma questão meio política mesmo,
08:47de colocar algumas bandeiras,
08:49estão um pouco ligando para as leis,
08:52para os direitos individuais das pessoas.
08:55E ali, na argumentação do Ministério Público Federal,
08:59eu estava dizendo ali que,
09:00olha só, na população,
09:02a gente tem mais da metade de negros.
09:04E a gente olha a residência médica do Einstein,
09:06e a gente não vê essa mesma proporção.
09:08Mas espera aí,
09:09está errado esse dado.
09:11Os caras ainda estão achando
09:14que a maioria da população do Brasil é negra.
09:16Se a gente for traduzir isso para cotas na residência,
09:20a gente vai ter que trazer negro de Salvador,
09:23ou da África para preencher cota.
09:25Não faz o menor sentido.
09:27Você só consegue ter
09:28esse mais de 50% de negros no Brasil
09:31se você incluir os pardos.
09:33Então, não faz muito sentido.
09:35E essas cotas também de 5% para a transa,
09:37também é loucura isso daí,
09:41torcer para que essa história do Ministério Público
09:44acabe nisso.
09:45O Duda, tem um detalhe aqui,
09:47aquilo que eu sempre falo
09:48nos nossos programas, Madan.
09:51O Brasil, via de regra,
09:53nós temos um defeito,
09:55que é resolver um problema com puxadinho.
09:59Vale de cota, vale...
10:00Assim, aí vou trazer a tal da PEC
10:03que acaba com o regime de trabalho 6x1.
10:07Ao invés de você discutir a vida para além do trabalho
10:12por meio de políticas públicas
10:14que façam com que você, meu amigo,
10:16você, minha amiga,
10:18perca menos tempo no transporte,
10:20tenha uma maior qualidade de vida,
10:23ser melhor remunerado,
10:24que são situações que passam por políticas públicas,
10:27passam por uma economia mais pujante,
10:30passam por um transporte mais efetivo.
10:33Não.
10:34Vamos fazer um puxadinho,
10:35vamos estabelecer em PEC
10:37que você vai trabalhar um dia a menos,
10:38mas você continua com esses mesmos gargalos.
10:42Ou seja, o camarada vai passar um dia a mais em casa,
10:46mas aí, como ele não tem qualidade de vida,
10:48o que ele vai fazer?
10:49Ele vai procurar outro emprego.
10:50No caso das cotas,
10:53você tenta resolver um problema demográfico,
10:56estabelecer, engessando o atendimento médico.
10:59Por que que, ao invés de você trabalhar,
11:01como você apontou no início, Madá,
11:03por que que, ao invés de se trabalhar,
11:05de se buscar uma cota para médico,
11:08por que que não se...
11:10Vamos regreir de três praços?
11:13Vamos melhorar o ensino fundamental?
11:15Vamos melhorar o ensino médio
11:16para que o negro, para que o trans,
11:19para que esses espectros da sociedade
11:23que a esquerda imagina que estão marginalizados,
11:26para que eles tenham acesso a uma boa faculdade
11:28e consigam disputar em pé de igualdade
11:30com outros espectros da sociedade
11:35que são considerados privilegiados
11:37por essa turma do PT, entendeu?
11:38Porque essa turma do PT, Duda,
11:40eles têm parte da seguinte premissa.
11:43O cara é branco,
11:44o cara é classe média,
11:45o cara é filho de rico.
11:46Não.
11:47Outro eu até estava vendo nas redes sociais
11:49o camarada.
11:50Não, porque o camarada que comprou um apartamento
11:52e está colocando no Airbnb
11:54é privilegiado, é um parasita.
11:58Não, meu amigo.
11:59O camarada, às vezes,
12:00comprou um apartamento financiado
12:01em 420 meses
12:02e quer simplesmente pagar
12:03a prestação do apartamento
12:05com o Airbnb.
12:07Então, essa turma tem um problema sério
12:10de concepção
12:11e isso é que mais me incomoda, Madá,
12:13porque essa turma passou
12:14quatro anos do governo Jair Bolsonaro
12:16criticando a anticiência
12:18do governo Bolsonaro.
12:19Mas os caras são tão anticientíficos
12:21quanto o governo Bolsonaro.
12:23Exatamente.
12:24Essa distribuição da cota
12:25que eles fazem aqui
12:26é anticiência
12:28e, repito,
12:29não há nenhum estudo sério
12:32e nenhuma discussão
12:34sobre cota
12:35que não seja de entrada
12:36na universidade.
12:37Cota para saída
12:39não tem estudo.
12:40E ninguém faz estudo
12:41sobre isso por quê?
12:42Porque ninguém faz estudo
12:43sobre premiar a mediocridade
12:45de gente privilegiada.
12:47Faz sobre inclusão social,
12:48que é na entrada,
12:49quando o cara está entrando.
12:50Se o cara faz a faculdade
12:51de medicina inteira
12:52e está precisando de cota,
12:54não dá o diploma dele.
12:56É simples.
12:57É uma coisa...
12:59É uma coisa...
13:00E eu fico imaginando,
13:01sabe o que, Graeb?
13:03Quantas dessas cotas tem?
13:05Estava conversando hoje
13:06com professores universitários,
13:08eu estou tentando achar isso.
13:09Parece que foi aprovado
13:10em um curso específico
13:11que 100% vai ser cota.
13:19O Brasil parece que
13:20se desacostumou de pensar
13:23que tem fases nas coisas.
13:25Você primeiro estabelece o direito.
13:27Está bom, estabeleceu o direito à cota.
13:29Daí você tem que implementar
13:31essa política.
13:32Implementar a política
13:33depende disso,
13:35de levantar dados,
13:37de fazer estudo.
13:39É um trabalho técnico
13:41não para no plano dos valores,
13:45do sim ou não.
13:47Então, essa segunda parte
13:50falta em inúmeras circunstâncias
13:53que a gente vê acontecendo no Brasil.
13:55O Brasil implementa
13:57ou cria um monte de direitos,
14:02mas, na hora de implementá-los,
14:05falha, às vezes,
14:06de maneira miserável.
14:07Coisas que todo mundo acha
14:08que seriam justas,
14:09não acontecem,
14:10porque não tem uma implementação
14:12técnica correta
14:14e, às vezes, falha
14:16de maneira injusta,
14:18impondo uma cota
14:21num lugar que deveria
14:22ter outra lógica,
14:24que é a lógica
14:24da meritocracia.
14:29Da meritocracia, exatamente.
14:30E não faz muito sentido.
14:32Por que uma cota para trans?
14:34O trans é uma pessoa
14:35que tem algum problema?
14:39A lógica é que...
14:40Cuidado com a Erika Hilton.
14:43A lógica é que o preconceito...
14:46Com a Erika Hilton, amigo.
14:47O preconceito está em todas as fases
14:49da vida da pessoa.
14:50Essa é a lógica.
14:52Então, o cara está bom,
14:53conseguiu vencer a barreira
14:55da universidade,
14:56mas ele vai encontrar
14:57uma outra barreira
14:57na hora de ser selecionado.
15:00Ele fica de fora
15:01não é porque ele não aprendeu
15:03tanto quanto os outros,
15:04é porque ele é trans,
15:05é porque ele é negro.
15:06A lógica é essa.
15:07O raciocínio é esse.
15:10Mas daí você vê
15:10uma imposição...
15:11Tá bom, talvez seja verdade,
15:14mas 50%?
15:1655%?
15:17Por que tudo isso?
15:19Faz sentido?
15:20Formam-se tantos?
15:22Você precisaria ir ajustando
15:24a política pública
15:26de acordo com aquilo
15:27que a realidade pede.
15:28e não criar parâmetros
15:30que são universais
15:32e valem para sempre
15:33com base no quê?
15:34No eu acho.
15:35No eu acho, Danísia.
15:37Eu fui conversar,
15:38você falou isso da população trans,
15:39eu conversei com um amigo meu
15:41que é sociólogo,
15:42que fez muita...
15:42Estudou muito essa questão
15:44das cotas,
15:45quando foi a discussão
15:46da cota que foi para o Congresso,
15:48que é da entrada na faculdade.
15:50E aí estava falando com ele,
15:51a população trans,
15:52por que tem essa coisa?
15:54Aí ele falou assim,
15:54olha,
15:55você dar cota em faculdade
15:58para a população trans
15:59é você dar cota
16:01para quem é de elite
16:02e tirar a vaga
16:03de alguém que não é.
16:04Por quê?
16:05A população trans tem um problema
16:07que trans e travestis
16:09que realmente são pobres,
16:11eles são colocados
16:12para fora de casa,
16:13geralmente,
16:14muito cedo.
16:15Então,
16:16a demanda principal,
16:18se for fazer um estudo
16:20sociodemográfico,
16:21é terminar o ensino médio.
16:23Quem precisaria de alguma ajuda
16:25não terminou o ensino médio.
16:27Eles estão dando ajuda
16:28para quem?
16:29Para as trans ricas.
16:30Trans ricas.
16:31E a cota para negro
16:33nas universidades públicas
16:35vai muito para isso aí também,
16:36porque você tem negros
16:39de famílias ricas
16:41que estudam em ótimas escolas
16:42e entram na universidade
16:44por cota, né?
16:45É, Duda, assim,
16:46eu, Wilson,
16:48quando se fala de cota,
16:49isso para estudo,
16:50eu, para mim,
16:51se fosse por mim,
16:53Wilson Lima,
16:54presidente da República,
16:56cota para mim
16:57só por uma questão de renda.
16:58E olhe lá.
16:59É.
17:00Ah, Wilson,
17:00você é filho da elite.
17:01Não, amigo,
17:03antes que você
17:03tente me cancelar,
17:05eu sou filho de escola pública,
17:06fiz segundo ensino médio
17:08em escola técnica.
17:09Então, assim,
17:10como diz a esquerda,
17:11eu tenho poder de fala
17:12e ponto.
17:13Não, e a primeira cota
17:15instituída no Brasil,
17:16você lembra,
17:17disse que foi um polêmico
17:18que foi da Unicamp,
17:18lembra?
17:19Sim.
17:19Mas era critério
17:21sócio-econômico.
17:22E por que que era
17:23o critério sócio-econômico?
17:25Porque o que a Unicamp
17:26alegava é que o vestibular
17:29não necessariamente
17:30estava selecionando
17:31os mais inteligentes,
17:33como o concurso público.
17:34O MPF entrar com isso
17:36pedindo para o Einstein
17:37cumprir a cota
17:38mostra que o concurso
17:39não seleciona
17:40os mais inteligentes.
17:41ele estuda
17:42os que se especializam,
17:43ele seleciona
17:44os que se especializaram
17:45na decoreba.
17:46A Unicamp,
17:47eu lembro que depois
17:47de uns 10 anos,
17:50fez a...
17:51Como é que eles
17:52terminavam a carreira?
17:53Os que entraram
17:54por critério sócio-econômico.
17:55E eles ou se equiparavam
17:57ou iam adiante.
17:58Depois que entrava
18:00na faculdade,
18:00enquadrava.
18:01Era por isso.
18:03agora os outros,
18:04agora utilizar esse critério
18:06para a residência médica,
18:08isso aí não tem nem
18:09pé nem cabeça, né, gente?
18:10É.
18:11O país precisava
18:12produzir informação
18:14sobre as suas políticas públicas,
18:16porque daí você saía
18:18da briga de foice,
18:19pode, não pode,
18:20e começava a implementar
18:22coisas que fazem
18:23algum sentido.
18:24Talvez faça sentido
18:25em alguns momentos
18:26você ter cota,
18:27talvez até mesmo
18:28na residência,
18:29em um lugar,
18:29em outro,
18:30mas você não consegue
18:31analisar as políticas públicas, né?
18:33Então você fica sempre
18:36voltando ao princípio.
18:38Tem que ter cota,
18:38não tem que ter cota.
18:39Não sei.
18:42Às vezes tem,
18:43às vezes não tem.
18:44Essa da cota
18:46para a residência
18:47parece ser um disparate mesmo.
18:49E lembrei aqui
18:50que o Kim Kataguiri, né,
18:52tem um projeto
18:53para que as cotas
18:54sejam só
18:56no critério social, né?
18:57Ele tem esse projeto
18:58de 2021 já,
19:00acabar com as cotas
19:01por outros
19:03critérios
19:04e usar só
19:04como questão social.
19:06Aí começa com cota
19:08e acaba livrando
19:09a mãe do Henrique Borel
19:10porque é vítima
19:11de misoginia, né?
19:13É.
19:13É.
19:16Aí tem muita gente,
19:17algumas pessoas
19:17falam para mim,
19:18ai, mas você tem que ver
19:19que isso começa
19:20com boa intenção.
19:21Onde que está cheio
19:22de boa intenção?
19:23Não é no céu.
19:24Não é verdade?
19:25E também tinha um negócio
19:26que as cotas
19:27quando começaram,
19:28a ideia era que fosse
19:29uma coisa temporária, né?
19:30Sim.
19:31É.
19:33Tudo bem,
19:34tem uma reparação histórica
19:35aí, ia ser feita,
19:37fica um tempo,
19:37só que acho que é o Milton Friedman
19:39que fala isso,
19:39não tem política temporária
19:41que não dure para sempre, né?
19:42É tipo aquela história
19:43do cunhado, né?
19:44Que vai te visitar,
19:45pede um puxadinho
19:47no teu sofá
19:47e fica lá de eterno,
19:48não é?
19:49É.
19:49É.
19:49Tchau!
19:51Tchau!
19:52Tchau!
19:53Tchau!
19:54Obrigado.
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