Reforma administrativa, supersalários e “penduricalhos”: o relator Pedro Paulo explica por que o teto estoura e por que a reforma não anda.
O deputado Pedro Paulo (PSD-RJ), relator da reforma administrativa na Câmara, concede uma entrevista longa ao programa Os Três Poderes, apresentado por Ricardo Ferraz, com perguntas de Marcela Rahal, Robson Bonin e José Benedito.
A conversa parte do projeto apelidado de “fura-teto”, aprovado de forma simbólica, que amplia benefícios para servidores do Congresso. O teto constitucional citado no programa é de R$ 46.366,19, mas, segundo o deputado, mecanismos como licença compensatória (na escala 3 por 1) e gratificações podem empurrar remunerações para a faixa de R$ 61.800 — e, no contracheque bruto, ainda acima disso.
Pedro Paulo afirma que o ponto mais escandaloso não é a recomposição salarial, que ele diz considerar legítima sob regras fiscais, mas sim a expansão de verbas indenizatórias sem vínculo com metas, o que ele chama de “tamanho do absurdo”. Ele explica que o cálculo de gratificações pode ocorrer sobre o salário bruto que excede o teto, mesmo com “abate-teto”, o que ele descreve como uma distorção que gera valores muito maiores — e cita que isso pode ocorrer sem desconto de Imposto de Renda, conforme a caracterização indenizatória.
“A reforma administrativa acaba com esse tipo de punição [aposentadoria compulsória]. Passa a ser demissão”, diz Pedro Paulo, ao relacionar o tema ao debate sobre responsabilização no serviço público.
Na entrevista, o deputado também comenta a decisão do ministro Flávio Dino, citada como um marco contra o “império dos penduricalhos”, com prazo de 60 dias para mudança do cenário. Ele avalia ainda o debate político sobre vetos presidenciais e aponta que, se houver sanção, certas verbas podem ficar “convalidadas” por lei.
Robson Bonin questiona a leitura política de anúncios paralelos, como a ampliação da verba de gabinete (citada no programa como passando de R$ 133 mil para perto de R$ 165 mil). Pedro Paulo afirma que é “um equívoco na hora errada” e diz esperar veto presidencial ao texto, argumentando que a discussão no Congresso muda com a repercussão pública.
José Benedito amplia o tema e pergunta por que a reforma administrativa, popular na opinião pública, tem baixa “tração” política. O deputado responde que há apoio popular, mas que lobbies organizados e grupos de interesse travam o avanço, sobretudo em ano eleitoral. Ele menciona pesquisa do Instituto Atlas citada no programa: mais de 50% com avaliação ruim da administração pública e propostas da reforma com aprovação acima de 70%, segundo ele.
“Uma coisa é ter apoio popular; outra é ter tração, apoio político”, afirma Pedro Paulo.
📌 Assista até o fim para entender os bastidores do “fura-teto”, o debate sobre vetos, a decisão de Dino e por que a reforma administrativa enfrenta resistência.
#veja #revistaveja #reformaadministrativa #supersalários #serviçopúblico #política #congresso
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O deputado Pedro Paulo (PSD-RJ), relator da reforma administrativa na Câmara, concede uma entrevista longa ao programa Os Três Poderes, apresentado por Ricardo Ferraz, com perguntas de Marcela Rahal, Robson Bonin e José Benedito.
A conversa parte do projeto apelidado de “fura-teto”, aprovado de forma simbólica, que amplia benefícios para servidores do Congresso. O teto constitucional citado no programa é de R$ 46.366,19, mas, segundo o deputado, mecanismos como licença compensatória (na escala 3 por 1) e gratificações podem empurrar remunerações para a faixa de R$ 61.800 — e, no contracheque bruto, ainda acima disso.
Pedro Paulo afirma que o ponto mais escandaloso não é a recomposição salarial, que ele diz considerar legítima sob regras fiscais, mas sim a expansão de verbas indenizatórias sem vínculo com metas, o que ele chama de “tamanho do absurdo”. Ele explica que o cálculo de gratificações pode ocorrer sobre o salário bruto que excede o teto, mesmo com “abate-teto”, o que ele descreve como uma distorção que gera valores muito maiores — e cita que isso pode ocorrer sem desconto de Imposto de Renda, conforme a caracterização indenizatória.
“A reforma administrativa acaba com esse tipo de punição [aposentadoria compulsória]. Passa a ser demissão”, diz Pedro Paulo, ao relacionar o tema ao debate sobre responsabilização no serviço público.
Na entrevista, o deputado também comenta a decisão do ministro Flávio Dino, citada como um marco contra o “império dos penduricalhos”, com prazo de 60 dias para mudança do cenário. Ele avalia ainda o debate político sobre vetos presidenciais e aponta que, se houver sanção, certas verbas podem ficar “convalidadas” por lei.
Robson Bonin questiona a leitura política de anúncios paralelos, como a ampliação da verba de gabinete (citada no programa como passando de R$ 133 mil para perto de R$ 165 mil). Pedro Paulo afirma que é “um equívoco na hora errada” e diz esperar veto presidencial ao texto, argumentando que a discussão no Congresso muda com a repercussão pública.
José Benedito amplia o tema e pergunta por que a reforma administrativa, popular na opinião pública, tem baixa “tração” política. O deputado responde que há apoio popular, mas que lobbies organizados e grupos de interesse travam o avanço, sobretudo em ano eleitoral. Ele menciona pesquisa do Instituto Atlas citada no programa: mais de 50% com avaliação ruim da administração pública e propostas da reforma com aprovação acima de 70%, segundo ele.
“Uma coisa é ter apoio popular; outra é ter tração, apoio político”, afirma Pedro Paulo.
📌 Assista até o fim para entender os bastidores do “fura-teto”, o debate sobre vetos, a decisão de Dino e por que a reforma administrativa enfrenta resistência.
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NotíciasTranscrição
00:00Vamos dar um pouquinho o rumo da nossa prosa aqui, Marcela.
00:03Marcela, quantas vezes por semana você trabalha?
00:06Cinco, às vezes seis.
00:08Eu acho que todo mundo aqui está mais ou menos nesse esquema.
00:11Agora, se você é servidor da Câmara ou do Senado, você pode até ter três folgas na semana, não é
00:16bacana?
00:17Vamos dar uma olhadinha no projeto de lei que foi aprovado, o primeiro projeto de lei do ano de 2026,
00:24é um projeto que está sendo apelidado de fura-teto.
00:27Eu já vou explicar aqui por quê. Olha só, o teto constitucional, ele é de 46.366,19 centavos.
00:35Salarinho bom, né? Vamos combinar que é o salário do ministro do Supremo Tribunal Federal.
00:41E a rigor, todo mundo que é servidor público não pode passar deste valor aqui.
00:46Só que a gente sabe que tem aquele bando de penduricalho que acaba escapando da regra e o teto estoura.
00:52E plana o salário, né?
00:54E o salário de todo mundo. Isso valia muito para as questões do judiciário, mas agora também,
00:59se você é servidor da Câmara ou do Senado, com essa mudança, o seu salário pode chegar a R$61
01:04.800.
01:07Aumentinho razoável aí, né? Dá para comer uma pizza.
01:10Agora, por que isso está acontecendo? Qual foi o artimanha que eles resolveram?
01:14A cada três dias que você trabalha, você pode tirar uma folga.
01:16Ah, é bom. É bom.
01:17A pessoa está cansada, tira folga, né?
01:20Está cansada, tira folga, exatamente.
01:21Aí ela vai e ela pode transformar esse dinheiro.
01:25Fala, não, vou trabalhar cinco vezes por essa semana.
01:27Só que eu vou receber a mais por isso.
01:29E ela vai ter também uma gratificação por desempenho.
01:33Tudo isso neste ente que é muito eficaz, que é o Serviço Público Brasileiro.
01:38Para falar a respeito desse assunto, a gente está com o deputado Pedro Paulo,
01:42que é do PSD do Rio de Janeiro e que é o relator da reforma administrativa,
01:48que tenta, há muitos anos, a gente se fala de reforma administrativa no Brasil,
01:53tenta colocar um pouco de ordem nesse tipo de situação que a gente está colocando aqui.
01:58Deputado, muito obrigado pela sua participação aqui nos três poderes.
02:01Eu gostaria de começar perguntando ao senhor se o senhor,
02:03como que o senhor recebeu esse projeto, tendo em vista que a árdua tarefa que o senhor tem
02:09é justamente colocar um pouco de ordem nesse quadro
02:13e fazer com que os funcionários públicos brasileiros, que são necessários,
02:18tenham o mesmo tipo de regime que todo mundo.
02:21Afinal de contas, não se trata apenas de funcionários que são privilegiados
02:27pelo simples fato de ter passado no concurso.
02:29Mais uma vez, um bom dia ao senhor.
02:31Bom dia, Marcela, Ricardo, prazer, um privilégio.
02:37Esse é um privilégio estar aqui falando para a Veja, para quem está nos assistindo.
02:42Ricardo e Marcela, você me permite só uma observação?
02:46Antes que eu estava aqui assistindo atentamente esse episódio lamentável
02:50que aconteceu no STJ, duas coisas.
02:54Primeiro que eu sou pai de uma adolescente, então todos nós ficamos estarecidos com isso.
03:00Em segundo lugar, vocês falaram sobre a punição de um juiz,
03:07que na nossa legislação, na nossa Constituição, a pena máxima é aposentadoria compulsória
03:14com direito a vencimentos proporcionais.
03:18E a reforma administrativa, um dos pontos, ela acaba com esse tipo de punição.
03:24A punição passa a ser igual a de qualquer outro servidor público, que é a demissão.
03:30Então, olha a importância e a quantidade de temas que envolve a reforma administrativa.
03:35E também uma outra observação que eu queria fazer, Marcela e Ricardo,
03:39vocês fizeram ali, com bastante detalhes, a explicação dessa licença compensatória,
03:46esse penduricalho que foi aprovado, nessa absurda escala de 3 por 1.
03:50Imagina um trabalhador que sequer tem uma carteira assinada,
03:54que sequer tem uma proteção social,
03:59assistir um servidor que vai ter 3 dias trabalhado,
04:03desses 3 dias, um ele folga, ele não vai folgar,
04:06ele vai fazer, compensar financeiramente, vai vender financeiramente.
04:12Mas tem um outro detalhe,
04:14mais dois detalhes que nos assustam, que assustou muito,
04:17e que causa indignação.
04:18Primeiro, não é sobre R$ 46 mil,
04:23não são sobre R$ 46 mil o cálculo dessa gratificação que vai fazer.
04:28Todos esses servidores que terão direito a essa licença,
04:32os salários brutos são maiores do que R$ 46 mil.
04:38Salários que vão até R$ 65 mil, R$ 70 mil.
04:42E aí, o cálculo dessa gratificação de um dia a mais,
04:46que ele vai poder vender, não é sobre o salário bruto de R$ 46 mil.
04:51É sobre o salário, não é sobre o teto de R$ 46 mil.
04:56É sobre o salário bruto que extrapola o teto.
04:59Ainda que ele não receba,
05:00porque existe o que a gente chama de abate-teto,
05:03ele recebe o salário dele real,
05:06é R$ 46 mil,
05:08mas o salário dele no contra-cheque é R$ 62 mil.
05:11Mas quando se faz o cálculo dessa gratificação,
05:15é feito em cima de R$ 62 mil e não de R$ 46 mil.
05:19Isso dá uma diferença gigante.
05:21Por exemplo, se o cálculo dessa gratificação de um dia trabalhado,
05:25que é um terço, fosse em cima de R$ 46 mil,
05:27ele ganharia R$ 15 mil e ganharia a mais dos R$ 46 mil.
05:32Mas como é feita, por exemplo, uma determinada função
05:34em cima dos R$ 62 mil, ele vai chegar a R$ 25 mil a mais.
05:40E olha, sem pagar imposto de renda.
05:43Líquido sem pagar imposto de renda.
05:44Então assim, esse é o tamanho do absurdo que foi aprovado
05:47e não à toa, e muito bem-vindo, a decisão do ministro Dino,
05:51que resolveu, não foi por bem,
05:55não quiseram por bem discutir isso na Câmara,
05:57dentro da reforma administrativa,
05:59veio por mal, na verdade por mal sentido figurado,
06:04mas veio por uma decisão bruta até mais rigorosa
06:08do que está na reforma administrativa do ministro Dino,
06:12dando 60 dias para acabar aquilo que palavras do ministro,
06:16não são minhas, chama Império dos Penduricalhos.
06:20Então assim, é muito emblemático isso,
06:24porque há, de alguma forma, a gente vê a indignação da sociedade,
06:29o papel da imprensa que vocês têm tido de chamar atenção
06:32para esses absurdos, né?
06:34E de outro lado, para muitas elites,
06:37algumas elites, grupos dos servidores públicos,
06:40é um trabalho permanente de empurrar essa discussão com a barriga,
06:45achando que ninguém está vendo, que ninguém está percebendo,
06:48e vão se multiplicando essas decisões.
06:52Infelizmente, a última agora foi uma decisão da casa que eu pertenço,
06:57que é da Câmara dos Deputados, ou do Congresso Nacional,
06:59porque Câmara e Senado, justamente a casa que deveria dar o exemplo.
07:04Marcela, sua pergunta.
07:06Deputado, bom dia, seja bem-vindo, sempre vamos falar com o senhor.
07:09Bom, o presidente Hugo Mota, ele foi, inclusive, um dos apoiadores,
07:14ele comemorou a aprovação desse projeto,
07:17que aí prevê vários benefícios aos servidores.
07:19E, ao mesmo tempo, ele é um grande defensor da reforma administrativa, né?
07:23Enfim, eu lembro que vocês conversavam bastante sobre isso,
07:26ele te colocou como relator da reforma administrativa.
07:28Não é algo contraditório?
07:32Marcela, vamos só separar as coisas.
07:34Tem uma parte do projeto que é a recomposição salarial dos servidores.
07:41Nesse aspecto, eu também sou a favor.
07:44Eu acredito que é justo que o servidor tenha uma recomposição salarial
07:48e, na medida que haja recursos e cumprimento da lei de responsabilidade fiscal,
07:53não há qualquer problema em se fazer alguma reestruturação da carreira,
07:59se dar um aumento, às vezes, para todos, linear, um pouco a mais da inflação.
08:04Isso é... não há problema algum e eu defendo.
08:08Talvez tenha sido essa a maior comemoração do presidente Hugo Motta
08:13e, nesse aspecto, eu acho que ele está correto, né?
08:16Agora, o que eu acredito que foi o equívoco, que foi o erro,
08:20de todos, de toda a casa, né?
08:22Foram poucos os parlamentares que se manifestaram contra,
08:26eu fui um deles, inclusive registrei, porque foi uma votação simbólica, né?
08:30Eu fiz questão de registrar formalmente o meu voto contrário e as minhas justificativas,
08:35mas o problema desse projeto, que causou mais indignação,
08:41foi essa questão das verbas de caráter indenizatório,
08:44indenizatório, reproduzindo o pior penduricalho, né?
08:50Que é esse penduricalho absurdo de trabalhar três dias e folgar um,
08:56sem qualquer vínculo, essa gratificação a alguma meta atingida,
09:02algum bom cumprimento do trabalho, é simplesmente para você trabalhar, entendeu?
09:06Então, assim, eu acredito que esse foi o erro, esse foi o equívoco.
09:10Tem outros problemas também, algumas gratificações que foram revistas e criadas
09:16estão na contramão da reforma, isso é bem verdade,
09:20são gratificações sem vínculo com resultados, com metas,
09:24são gratificações que incorporam aos vencimentos o que a reforma fala o contrário, né?
09:31Que essas gratificações por resultados, elas têm que ser gratificações pagas como um bônus,
09:35não isso significar incorporação a vencimentos.
09:38Então, assim, tem outros problemas também, algumas gratificações,
09:42mas não são tão graves quanto essa questão da verba que extrapola o teto,
09:48justamente no momento que nós estamos discutindo disciplinar isso,
09:53organizar isso, criar um parâmetro para que a gente possa não fazer disso,
09:59o principal elemento das remunerações da elite do servidor público.
10:07E a decisão do ministro Dino fala isso.
10:09E eu não sou contra essa discussão de ter um vencimento adequado,
10:12o problema é que se criou essa miríade de gratificações e penduricais
10:16para aumentar, sem parar, os vencimentos de uma elite do serviço público.
10:21Rábio Saboninho, sua pergunta.
10:24Deputado, a gente acompanhou muitas vezes em Brasília,
10:28movimentos como esse em que se anuncia um apocalipse,
10:31e na carona desse apocalipse, coloca algo que realmente é o interesse dos parlamentares,
10:36para recuar em relação àquilo que escandaliza a sociedade
10:39e ficar com aquilo que era o interesse.
10:42Por que eu estou dizendo isso?
10:43Porque essa discussão desse anúncio, desses penduricalhos na Câmara,
10:47ela vem acompanhada de outro anúncio do presidente Hugo Mota
10:49de ampliar a verba de gabinete de 133 mil reais,
10:53que é essa verba que todo deputado tem mensalmente para custear suas atividades,
10:57ampliar para quase 165 mil reais.
11:02E ela vem casada, um anúncio próximo ao outro.
11:06Não parece que é essa jogada?
11:07O presidente Lula vai vetar, vai ficar bem na foto com todo mundo,
11:11vai dizer que Pedro Ricardo é inadmissível, a Câmara vai concordar,
11:14e com isso, o que interessa, do ponto de vista de alguns parlamentares,
11:19não estou dizendo que é o caso do senhor,
11:20mas esse aumento na verba de gabinete,
11:23num ano eleitoral, ele vai permanecer.
11:26Como é que o senhor avalia essa questão?
11:30Em três dimensões.
11:32A primeira delas é, eu acredito que isso também é um equívoco na hora errada,
11:37é dobrar a aposta em algo que está claramente desconectado com o que a sociedade espera.
11:45Então, assim, nós estamos discutindo aqui os exageros que foram cometidos
11:48com a criação dessas gratificações, esses aumentos abusivos, furateto,
11:54e a gente amplia a verba dos gabinetes.
11:58Esse é o primeiro ponto.
11:59Então, eu acredito que estamos equivocados, estamos na contramão.
12:02Segundo ponto, em relação ao governo,
12:04se o presidente Lula vai vetar,
12:06eu quero crer que sim.
12:08Quero crer que sim.
12:11Importante registrar.
12:12Eu vi algumas declarações de ministros,
12:15dizendo que não tinham conhecimento.
12:17Não é verdade.
12:19Porque teve contrabando também no governo na proposta,
12:22que foi aprovada.
12:23A quantidade de cargos que foram criados,
12:26por exemplo, no Ministério da Gestão e Inovação,
12:28no Ministério da Fazenda,
12:29revisão de gratificações.
12:31Então, o governo negocia um texto,
12:34coloca um monte de propostas do seu interesse,
12:39aproveita que isso foi aprovado de forma simbólica
12:42e cria mais de 5 mil, mais de 24 mil cargos.
12:46Mais de 24 mil.
12:48A ordem de grandeza é essa,
12:50eu não tenho exatamente o número aqui,
12:51mas foi mais de 24, 25 mil cargos.
12:54Faz revisão, por exemplo, de gratificação
12:56dos funcionários da Receita Federal.
12:59Enfim, e diz que não sabia do propósito.
13:02O líder do governo não se manifestou contra a proposta.
13:05O líder do PT não se manifestou contra a proposta.
13:08O líder da maioria idem.
13:10Então, assim,
13:11não vai dizer que não sabia o que tinha no texto.
13:14O próprio presidente Hugo Mota disse
13:16que a decisão foi tomada no Colégio de Líderes,
13:18onde estavam todos esses líderes da base do governo.
13:23Agora, quero crer que com essa repercussão,
13:26o presidente Lula vede,
13:28total ou parcial,
13:30acredito que ele deveria vetar total
13:32para que a gente pudesse fazer uma revisão adequada disso.
13:35E até porque tem um detalhe que é o seguinte,
13:38na decisão do ministro Dino,
13:40ele diz que só estarão permitidos
13:42essas gratificações que excedem o teto,
13:45essas verbas de caráter indenizatório,
13:47aquelas que são aprovadas em lei.
13:50Então, se o presidente Lula
13:53sancionar esse projeto que foi aprovado no Congresso,
13:57essa verba, por exemplo, como a licença compensatória,
14:00a escala 3x1, esses absurdos,
14:04estarão convalidados com a sanção do presidente Lula.
14:08Então, acredito que agora está na mão do presidente
14:11vetar isso e aí nós vamos partir para uma outra discussão,
14:14se a Câmara vai derrubar o veto ou não.
14:17Eu acredito que numa segunda etapa,
14:20eu tenho falado com muitos deputados,
14:21muitos deputados que foram pegos de surpresa,
14:23que não tinham a dimensão do que estavam votando,
14:27exatamente do que estavam aprovando.
14:29Eu acredito que a batalha no Congresso,
14:32na volta, na discussão de um veto,
14:35vai ser bem diferente o clima.
14:37E mais, porque nós vamos estar
14:39sobre a égite de uma decisão
14:41do ministro Dino,
14:43que tem 60 dias,
14:44deu 60 dias,
14:46para que a gente pudesse,
14:47para que se tomasse uma decisão,
14:49seja no plenário do STF,
14:51seja no legislativo,
14:52aliás, o ministro Dino diz claramente ali
14:55que ele estava tomando aquela decisão monocrática
14:57porque o legislativo não produziu
15:00uma correção em legislação,
15:02que era o local adequado para fazer isso.
15:04Então, eu acredito que a rodada que vai ter
15:07dessa discussão no parlamento
15:09será totalmente diferente após um veto do presidente.
15:11É, apenas para colocar mais um elemento aí nessa discussão,
15:14a dívida pública brasileira hoje é de 8,6 trilhões de reais
15:21num...
15:22a boca do jacaré vai abrindo, assim,
15:25num esquema ascendente.
15:27Zé Benedito, sua pergunta aí
15:30a respeito desse assunto,
15:31que parece que ninguém quer saber de teto para si, né?
15:37Deputado, bom dia ainda, né?
15:38Bom dia, obrigado por participar do programa.
15:41Das grandes reformas que o país precisava,
15:44a reforma administrativa é a que tem mais dificuldade para avançar, né?
15:47E o país, nos últimos anos,
15:49fez avançar algumas reformas muito difíceis, né?
15:51A reforma da Previdência, a reforma tributária, né?
15:53A reforma trabalhista, assim,
15:55outras reformas que não são igualmente populares.
15:57E eu acho que a reforma administrativa,
15:59ela tem um baita potencial para ser popular.
16:01Porque esse tipo de coisa que nós estamos narrando aqui até agora,
16:04ela causa muita indignação na sociedade.
16:06Toda vez que acontece algo desse tipo, né?
16:08Ela encontra oposição, assim,
16:12ela encontra crítica,
16:12ela encontra um rastilho de indignação nas redes sociais.
16:16É uma proposta que poderia ter bastante apoio popular.
16:20Mas não tem muito apoio político, né?
16:22Eu me lembro que o ex-presidente da Câmara,
16:23Arthur Lira, que podia tudo,
16:25antes de sair, ele disse que a reforma administrativa
16:27era a grande prioridade da reta final do mandato dele,
16:30e não avançou.
16:31Com esse governo, também não há muito apoio político.
16:34O governo tem um monte de vírgulas em relação à reforma administrativa,
16:36e talvez nunca tenha se empenhado suficientemente para isso.
16:39Eu queria que você falasse um pouco dessa dificuldade, né?
16:41Porque a reforma administrativa,
16:43que é uma coisa que a sociedade gosta,
16:45gostaria, né, de resolver esse estado de coisas,
16:47não encontra o apoio político necessário.
16:49Ou não é assim?
16:52José, você tocou no ponto central que quase toda entrevista,
16:57quando sou questionado,
16:59sobre o porquê que a reforma não avança,
17:01eu falo um termo que até mesmo eu utilizo.
17:04Uma coisa é ter apoio popular,
17:06outra coisa é ter tração, a força, apoio político.
17:12Recentemente, a gente teve uma pesquisa bastante ampla
17:15do Instituto Atlas,
17:16que é um instituto que eu respeito muito,
17:19uma pesquisa nacional exclusiva sobre a reforma administrativa,
17:24e ele mostrou que mais de 50% da população
17:30tem uma avaliação muito ruim da administração pública.
17:34Muito ruim da administração pública.
17:35Esse é um primeiro elemento dessa percepção,
17:39desse termômetro popular,
17:40do que significa a indignação das pessoas
17:43com um péssimo funcionamento do Estado brasileiro,
17:45da máquina pública.
17:46Em segundo lugar, essa pesquisa,
17:49quando você faz a pergunta
17:50por propostas da reforma administrativa,
17:54por exemplo, super salários,
17:55aposentadoria compulsória,
17:57todas têm um rol de quase 15 propostas
18:01que foram testadas nessa entrevista,
18:04todas elas tiveram uma aprovação maior do que 70%.
18:07Então, assim, e aí eu não preciso,
18:10a gente não precisa só de pesquisa,
18:11quando eu ando na rua,
18:12eu sou político,
18:13estou permanentemente em contato com as pessoas,
18:15as pessoas falam lá,
18:16cidadão comum é isso mesmo,
18:17o deputado vai em frente,
18:19tem que fazer isso,
18:20o serviço funciona muito mal.
18:22Isso com um cidadão comum.
18:24Zé, quando a gente fala com servidor público,
18:27você imagina, imagina,
18:30uma professora que acorda às 5 da manhã,
18:32que tem que estar às 7 horas
18:34recebendo suas crianças na sua escola,
18:36numa comunidade, por exemplo,
18:37aqui do Rio de Janeiro,
18:38no complexo da Amaré ou do Alemão,
18:40e ela tem o pio salarial do magistério,
18:435 mil reais,
18:45vendo esses servidores,
18:46a elite,
18:47que tem proximidade,
18:49pressão no poder,
18:51tendo salários que chegam a 80 mil reais.
18:53Então, assim,
18:54é indignação também do servidor,
18:56porque aí há uma profunda desigualdade.
18:58Então, um ponto,
18:59sobre esse aspecto do apoio popular,
19:01eu não tenho nenhuma dúvida
19:02que tem apoio popular
19:04às medidas da reforma administrativa.
19:06Agora,
19:06sobre o aspecto político,
19:07como é que funciona o parlamento?
19:09Lobby,
19:10grupos de interesse.
19:11Esses núcleos
19:13de servidores públicos,
19:15eles se articulam.
19:16Eles têm recursos
19:18para comprar passagem,
19:19para entrar na Câmara,
19:21para conversar com as lideranças,
19:22têm relações.
19:23Então,
19:24esse movimento de bloqueio
19:28ou tentativa
19:29desses grupos saírem da reforma
19:30é permanente.
19:31Na verdade,
19:32é isso que muitas vezes
19:34contamina a política.
19:35Os núcleos
19:36de determinados servidores
19:38estão ali
19:38o dia inteiro
19:39buscando as lideranças
19:41e tal
19:41para tentar bloquear.
19:43Então,
19:43isso significa
19:44esse desestímulo
19:46da política,
19:46principalmente no ano eleitoral,
19:48de se avançar com uma reforma.
19:50Ah, não,
19:50não quero criar problema.
19:51Os caras ali
19:51estão me aborrecendo.
19:52Não,
19:53o presidente,
19:53o membro do
19:54conselheiro do Tribunal de Contas
19:55me ligou,
19:56o procurador
19:58que eu conheço
19:59ou o advogado público
20:00me ligou,
20:01não quero problema
20:02esse ano e tal.
20:03E isso funciona
20:04para que você
20:05crie esse bloqueio
20:06para não avançar.
20:09Mas eu acredito
20:09que com a decisão
20:10do ministro Dino,
20:11esse jogo pode mudar
20:12porque agora
20:12nós vamos ter que tratar disso
20:14ou somente
20:15dos super salários
20:17e penduricários
20:17ou aproveitar
20:18esse momento
20:19e rediscutir
20:20um pouco
20:21a questão
20:21da reforma administrativa
20:22mesmo
20:22em ano eleitoral.
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