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TDAH adulto: o encerramento do primeiro ciclo — e o que oito semanas de conversa sobre neurodivergência podem mudar na história que tu contas sobre ti mesmo.
Paralisia. Camuflagem. Memória de trabalho. Luto do diagnóstico tardio. Foco total. Ausência involuntária. Reserva cognitiva. Sete palavras que a maioria de nós não tinha quando precisava. Neste episódio de encerramento do primeiro ciclo do À Deriva, a gente faz o balanço do que foi percorrido — e por que a linguagem, mais do que qualquer hack, é o primeiro movimento de mudança para quem viveu décadas numa narrativa que fechava portas.
Este episódio não tem tema novo. Tem reconhecimento. Tem honestidade sobre o que um podcast pode e não pode fazer. E tem um convite para o segundo ciclo — que traz vozes de especialistas e de pessoas comuns que vivem o TDAH adulto no cotidiano brasileiro.
Se tu chegaste até aqui de qualquer jeito — ouvindo em ordem, pulando episódios, voltando, recomeçando — isso já diz algo sobre ti. O TDAH não lê em ordem. E chegar até aqui, do jeito que chegaste, é suficiente.
🎙️ À Deriva é um podcast semanal sobre TDAH adulto apresentado por @seuneyzinho e distribuído pelo canal O Liberal.
⚠️ Este podcast não é terapia e não serve para diagnosticar ninguém. Procura sempre um médico especialista.
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Transcrição
00:00Oito semanas atrás eu disse uma coisa simples, isso tem nome.
00:04E a partir daí a gente foi nomeando.
00:08Paralisia, camuflagem, memória de trabalho, luto do diagnóstico tardio,
00:13foco total ou hiperfoco, ausência involuntária, reserva cognitiva,
00:17sete palavras que a maioria de nós não tínhamos e nem sabíamos quando precisávamos e quando precisamos.
00:24Hoje não tem tema novo, hoje tem balanço.
00:28E tem uma conversa sobre o que vem a seguir.
00:40Eu sou o seu Neizinho, bem-vindo, bem-vinda à Deriva, um podcast sobre TDAH para cérebros sem manual.
00:48Em todo episódio, como sempre, eu prefiro sempre alertar.
00:53Não sou psicólogo, nem psiquiatra, sou apenas um neurodivergente com TDAH,
00:58que resolveu compartilhar sua jornada para tentar ajudar outras pessoas neurodivergentes como eu.
01:05Então, esse conteúdo aqui não tem a pretensão de servir como terapia,
01:09e muito menos servir como ferramenta de diagnóstico para ninguém.
01:23Hoje eu quero fazer algo diferente.
01:26Não vou começar falando de mim.
01:28Vou começar falando de ti.
01:31Se tu estás ouvindo esse episódio, episódio número 8, uma das três coisas é verdade.
01:39Tu ouviste os oito episódios, do começo ao fim, e isso para um cérebro com TDAH não é pouca coisa.
01:45É, na verdade, uma conquista real que provavelmente tu não vai celebrar porque já estás pensando no que vem a
01:53seguir.
01:54Ou, tu pulaste alguns episódios, voltaste episódios, perdeste o fio, recomeçaste e chegaste aqui de qualquer jeito.
02:03O que é exatamente como o nosso cérebro funciona, né gente?
02:09E exatamente como deveria ser.
02:11Ou, a terceira coisa, tu abriste direto no episódio 8, nesse episódio, porque o título te chamou a atenção.
02:18Isso também está certo.
02:19Porque o TDAH não lê em ordem.
02:21Em qualquer um dos três casos, tu chegaste aqui.
02:26E isso importa mais do que parece.
02:28Deixa eu te contar o que eu aprendi nessas oito semanas.
02:32Não sobre TDAH.
02:34Sobre isso eu já sabia alguma coisa antes de começar.
02:37Sobre o que acontece quando tu falas sobre TDAH em voz alta, sem filtro, sem o verniz,
02:43sem esse verniz clínico que transforma a experiência em diagnóstico e diagnóstico em distância.
02:50O que eu aprendi, gente, é que a linguagem muda tudo.
02:54Não é metáfora.
02:55É literalmente verdade.
02:57Quando tu substituis, eu sou preguiçoso, por minha bancada não segurou,
03:03o cérebro não processa a mesma informação.
03:06A primeira frase é uma sentença sobre quem tu és.
03:09A segunda é uma descrição de como um sistema funciona.
03:14Uma fecha a porta.
03:16A outra abre a porta.
03:18E a abertura, para quem viveu décadas numa narrativa que fechava,
03:22é o primeiro movimento de tudo.
03:25Olha para o que a gente percorreu junto.
03:28No primeiro episódio, a gente falou sobre paralisia.
03:32E sobre como a vergonha piora o bloqueio,
03:35porque vergonha não é dopamina.
03:37Não é fraqueza reconhecer isso.
03:40É neuroquímica.
03:41No segundo episódio, a gente foi para a camuflagem,
03:46que é aquele esforço invisível de imitar um cérebro que tu não tens,
03:50que chega tarde demais para quem o carregou por décadas
03:54e que é especialmente pesado para mulheres
03:57que cresceram sem ver o próprio diagnóstico refletido em lugar nenhum.
04:03No terceiro episódio, a memória.
04:06Não a memória que falta, a memória que filtra mal.
04:10A bancada instável que faz tu esqueceres o que alguém que tu amas te disse,
04:16não por descaso, mas porque o sistema não segurou.
04:19No quarto episódio, o luto.
04:22Aquele que ninguém nomeia como luto porque não há morte, mas há perda.
04:27A perda de uma versão de ti que nunca teve as condições certas de ser quem tu poderias ter sido.
04:34E a possibilidade, e lenta e não linear, de reescrever a narrativa.
04:40No quinto episódio, o foco total.
04:42O paradoxo central do TDAH.
04:44O mesmo sistema que falha no foco cotidiano, consegue mergulhar 14 horas num único assunto.
04:50Não é contradição.
04:52É o mapa do teu sistema de recompensa, te mostrando onde ele funciona melhor.
04:59Já no sexto episódio, as pessoas que tu amas.
05:02A diferença entre o que o TDAH parece de dentro e o que parece de fora.
05:08E como construir pontes sem transformar o transtorno em desculpa permanente nem em peso carregado em silêncio.
05:15Já no sétimo episódio, o envelhecimento.
05:18A pergunta que ninguém faz na consulta é a resposta que a neurociência da longevidade começa a te oferecer.
05:27Que o cérebro neurodivergente, que chega à maturidade com alto conhecimento,
05:33pode envelhecer com uma riqueza de pensamento que não é apesar do TDAH, mas em parte por causa dele.
05:41Oito semanas, sete palavras novas e um princípio que atravessa tudo.
05:48O problema nunca foi quem tu és.
05:51Foi a ausência de linguagem para descrever como tu funcionas.
05:56Agora eu preciso ser honesto sobre uma coisa.
05:59Este podcast nunca vai resolver o TDAH.
06:02Até porque o TDAH não tem solução, não tem cura.
06:05Nenhum podcast resolve.
06:06Nenhum livro, nenhum episódio, nenhuma lista de ações.
06:09O que este podcast faz, o que eu espero que tenha feito, é reduzir a distância entre o que tu
06:16vives e o nome que tu dás a isso.
06:18Porque quando a distância diminui, a conversa interna muda.
06:22E quando a conversa interna muda, as escolhas mudam juntos.
06:28Não de uma vez, não de forma linear, mas mudam.
06:31O segundo ciclo deste podcast, do A Deriva, começa na semana que vem.
06:35E vai ser diferente, gente.
06:37Nós vamos continuar com o nosso dicionário de palavras da semana
06:42e com as ações que eu vou sugerir sempre para vocês.
06:45As ações que podem te ajudar, porque isso ficou e faz sentido que fique, né?
06:50Mas vamos trazer vozes de fora.
06:53Especialistas que trabalham com TDAH adulto e pessoas comuns.
06:56Talvez pessoas como tu, que vivem o transtorno no cotidiano e têm histórias boas que precisam ser ouvidas.
07:04Porque o TDAH não tem só uma cara.
07:07Tem a cara de quem recebeu o diagnóstico aos 57 anos, como eu, e chorou de raiva.
07:13Tem a cara de quem está nos 30 e ainda não sabe o nome que carrega.
07:18Tem a cara de quem está nos 60 e está reaprendendo a história que conta sobre si mesmo.
07:26Todas essas histórias cabem aqui.
07:29Todas essas histórias são este podcast.
07:32Não tenham um próximo passo pequeno para que você dê essa semana.
07:38Mas tenho uma pergunta.
07:40Das sete palavras que a gente aprendeu juntos,
07:43paralisia, camuflagem, memória de trabalho, luto do diagnóstico tardio,
07:49foco total, ausência involuntária, reserva cognitiva,
07:53qual foi a que mudou mais alguma coisa em ti?
07:57Não precisa responder para mim, responde para ti mesmo.
08:00Essa resposta é o teu mapa do que ainda precisa da tua atenção.
08:04E é o melhor ponto de partida que eu conheço para o que vem a seguir.
08:10E não te esquece, esse podcast não é terapia e nem serve para diagnosticar ninguém.
08:16Procura sempre um médico especialista para te orientar.
08:21Deriva não é perder o rumo.
08:23É confiar que o rio sabe onde vai.
08:26Até o próximo episódio.
08:28A Deriva, um podcast sobre TDAH para cérebros sem manual.
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