00:00Eu nasci, me criei no Marajó, mas eu sempre, desde que eu morei no Marajó,
00:04eu sempre, desde menino, sempre frequentei estoque, porque a gente valia viajar de lá pra cá, né?
00:09Tempo da Canoa da Vera, me mudei pra cá na década de 70,
00:14assentei por aqui, mas isso aqui foi uma vida de trabalho aqui nesse trapicho, né?
00:18Tem muita gente que usa estoque, né?
00:20Então estoque foi um trânsito meu desde menino, sabe?
00:23Aqui eu tenho embarcação, a gente vinha no verão todo com açaí aqui, saltando.
00:28Estava entregando mercadoria ali, ela estava comigo conversando com o papai do barco lá,
00:34e foi entregando mercadoria, quando eu vi só desabou, desabou, desabou, saqueia tudinho.
00:40Pra alguém arrumar essa balsa aí, cara, ela tem enfrentamento aí, ela seca, ela enche,
00:46ela seca todinha aí, enche água, tem enfrentamento nela aí.
00:50Então ela baixa todinha aí, tem que botar uma bomba lá pra perto ali, uma bomba ali,
00:53tira aquela tampinha lá, põe uma bomba aí, o motorbo-bomba tira ela, essa água,
00:58pra poder subir de novo aí.
01:00Veio o barulho dessa ponte aí, né, cara?
01:02Prá, prá, prá, salando aí, mas jamais imaginava que é desabar isso aí, né, cara?
01:07Esporém também já tem muitos anos aí, né?
01:09Muitos anos aí, faltava um trato nela aí, alguém olhava, porque tava aí,
01:14se não tivesse uma tragédia, a gente já teve,
01:16a base todinha ela aí, é capaz de morrer nós três,
01:20então eu sei, né, o que pode ter que salvar,
01:22mas as mulheres se afundar em cima da gente,
01:25se afundar em cima da gente.
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