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  • há 13 horas
Em entrevista exclusiva ao Grupo Liberal, o ministro Guilherme Boulos comenta temas centrais do cenário político e econômico brasileiro, como o fim da escala 6x1, taxação dos super-ricos, soberania nacional, relação entre Brasil e Estados Unidos, eleições de 2026, Congresso Nacional e os desafios do governo Lula.

Durante a conversa, o ministro da secretaria-geral da república também fala sobre sua atuação no governo federal, programas sociais, justiça tributária e rebate críticas da oposição.

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Transcrição
00:00Olá seguidores e internautas geoliberal, meu nome é Gabi Gutierrez, sou repórter do grupo e hoje a gente está aqui
00:05para conversar com o ministro Guilherme Boulos.
00:09Seja muito bem-vindo ministro, agradeço pela sua disponibilidade por nos atender.
00:15Eu já começo lhe perguntando sobre um debate que está super em alta, que é o fim da escala 6x1.
00:20Tem ganhado força nesses últimos meses e recentemente o senhor disse que o presidente Lula quer incorporar esse sistema de
00:29maneira imediata.
00:30E como é que vocês enxergam que deve ser feita essa transição de modo que valorize o trabalhador, mas também
00:39não prejudique o sistema produtivo e empresarial, digamos assim?
00:44Bom Gabi, primeiro muito bom falar com você, com todo mundo que nos acompanha aqui no Liberal.
00:48Vê só, quando se aprovou medidas ao longo do tempo para beneficiar grandes empresários, ninguém falou em transição.
01:00Quando se aprova bilhões e bilhões de reais de isenção fiscal, de isenção tributária, de garantias que vão favorecer aqueles
01:13que já têm privilégios, nunca se falou em transição no Brasil.
01:18Quando se aumenta salário de parlamentar no Brasil, não se fala em transição.
01:24Agora, na hora de garantir um direito para o trabalhador, querer estabelecer uma transição de 4, 5, eu vi gente
01:32falando em 10 anos de transição.
01:34Isso é inadmissível, isso é uma tentativa de postergar um debate que a própria sociedade brasileira já colocou como urgente.
01:43Saiu pesquisa essa semana, 74% dos brasileiros são a favor do fim imediato da escala 6x1 com redução da
01:51jornada de trabalho.
01:52Agora, os impactos em relação ao setor produtivo e empresarial estão sendo artificialmente superestimados.
02:02A gente vê um terrorismo econômico de grandes entidades empresariais falando que vai tirar empregos, vai falir, não vai dar
02:10conta.
02:11Veja, nós temos um estudo do IPEA, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, dizendo, a partir de uma análise setor
02:20a setor,
02:21de todos os setores que têm 6x1, varejo, comércio, construção civil, o próprio agro,
02:28pegando setor a setor que o impacto econômico no faturamento das empresas é semelhante a quando se tem aumento real
02:36de salário mínimo.
02:36Nós tivemos, nos últimos três anos, e em todos os governos do Lula, aumento real de salário mínimo.
02:43E nenhuma empresa faliu por isso. As empresas precificaram e se adaptaram.
02:49O fim da escala 6x1 é um debate que não começou agora, não caiu de paraquedas.
02:54A PEC é de 2024, já existiam outras PECs no Congresso anteriores para redução da jornada de trabalho.
03:01Então, veja, é possível plenamente ter uma reorganização de escalas do conjunto setor empresarial.
03:08Os estudos mostram, não apenas que o impacto no faturamento está sendo sobreestimado por representantes de grandes empresas,
03:19mas também a comparação internacional mostra que aqueles países que reduziram jornada de trabalho,
03:25adotaram a 5x2, esses países tiveram aumento de produtividade,
03:31porque um trabalhador mais descansado é um trabalhador que rende melhor, mais produtivo,
03:37que erra menos, que tem menos afastamento por problemas de saúde mental,
03:41que tem menos acidentes de trabalho.
03:43Então, por todas essas razões, nós não vemos sentido num debate de transição de 2, 4, 6,
03:52ou o que quer que seja a quantidade de anos que a gente tem visto algumas figuras defenderem no Congresso.
03:59Bom, a gente sabe que a sua ida para a Secretaria-Geral gerou ali alguns debates de que o senhor
04:05teria ido para estreitar os laços dos movimentos sociais com o governo.
04:10O senhor que sempre foi muito atuante, como é que o senhor avalia a sua contribuição hoje à esquerda brasileira,
04:16as pautas que o senhor sempre defendeu, ocupando um cargo institucional,
04:20e como é que o senhor avalia a sua contribuição como figura política de fora do governo,
04:27que o senhor ocupou e atuou durante toda a sua carreira?
04:32Eu vim aqui para ser ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência como uma missão do presidente Lula.
04:39O presidente me chamou e me convidou com uma missão de ajudar a colocar o governo na rua.
04:48Estamos viajando o Brasil, vamos chegar no Pará agora no mês de junho,
04:54vamos passar pelos 27 estados do Brasil até julho, já fomos para a maioria deles,
05:01hoje mesmo estou indo viajar para o Paraná,
05:03levando as políticas do governo, dialogando com todos os setores sociais,
05:08fazendo a escuta nas periferias, chegando em lugares onde muitas vezes os governos não chegam.
05:16Foi isso que o Lula pediu.
05:18E ao mesmo tempo, abrindo as portas aqui do Palácio do Planalto para os setores populares.
05:26Historicamente, banqueiro, grande empresário, gente privilegiada,
05:30nunca precisa marcar a hora e entra e sai dos palácios a hora que quer.
05:35O que o Lula me pediu é, vamos garantir que os trabalhadores, que os movimentos sociais,
05:42que as organizações da sociedade brasileira tenham esse mesmo tratamento.
05:47Então nós recebemos já centenas de grupos, ouvimos suas pautas,
05:51demos encaminhamento para suas pautas, tivemos avanços importantes,
05:55estamos tocando programas, estamos tocando um diálogo com os trabalhadores plataformizados,
06:00motorista de Uber, entregador de delivery,
06:05aqui para buscar garantir gestos do governo Lula
06:09e também a luta por dignidade e reconhecimento desses trabalhadores.
06:14Estamos também contribuindo nesse debate pelo fim da escala 6x1,
06:20também verbalizando a posição de governo.
06:22É um conjunto de tarefas e de missões.
06:28Eu não vou ser candidato esse ano por essa missão.
06:34Então eu fui o deputado federal mais votado do Estado de São Paulo,
06:38o deputado federal mais votado da esquerda do Brasil,
06:42mas o presidente Lula pediu para ajudá-lo no governo nesse momento
06:47e também contribuir com a sua campanha à reeleição.
06:52E por isso fico no governo.
06:55E acho que, enfim, nosso governo vai chegar bem nesse quarto ano.
07:03O presidente Lula encampa as principais pautas do povo brasileiro.
07:08O fim da 6x1 já foi feito no ano passado.
07:13Deserado o imposto de renda para quem ganha até 5 mil, 90% dos brasileiros
07:17e começar a taxar super rico no Brasil,
07:20que é um debate que sempre foi interditado.
07:23E o Lula começou a fazer, fazendo com que quem ganha mais de um milhão por ano
07:27começasse a pagar 10%, é um começo, mas 10% sobre lucros e dividendos.
07:34O tema da soberania, nesse momento que eu dou entrevista para vocês,
07:37o Lula está lá nos Estados Unidos debatendo temas centrais
07:41e sendo recebido de cabeça erguida.
07:43Olha como é a coisa, né?
07:45Teve gente que botou o bonezinho do Maga,
07:48teve gente que ficou se arrastando, rastejando para o Trump.
07:52Bolsonaro dizendo, eu sou amigo do Trump.
07:54O Trump dando entrevista no dia seguinte, não é meu amigo não, nem conheço ele direito.
08:00Ou seja, gente que foi lá trabalhar contra o Brasil,
08:03o Lula enfrentou, o Lula não se curvou,
08:08defendeu a soberania brasileira e hoje está sendo recebido com honras na Casa Branca.
08:13Então o tema da soberania, o tema da defesa do povo,
08:16o tema do enfrentamento aos privilégios,
08:19são temas fortes com que o nosso governo,
08:22com que o presidente Lula chega para a reeleição agora em 2026.
08:28Aproveitando esse gancho que o senhor fala dessa visita do presidente Lula aos Estados Unidos,
08:32a gente vê que essa tem sido uma...
08:35Os Estados Unidos, ele tem de alguma forma inserido no cenário político brasileiro, né?
08:41Assim, de uma maneira bastante curiosa.
08:44Como é que o senhor acha que toda essa movimentação e essa relação
08:48que uma parte da polarização da política brasileira tem inserido,
08:53conferido importância aos Estados Unidos,
08:56pode impactar nas eleições de 2026?
08:58O senhor acredita que pode existir algum tipo de impacto,
09:04de, sei lá, de alguma influência dos Estados Unidos
09:07nas eleições desse ano?
09:10Olha, nós estamos vivendo uma reorganização geopolítica.
09:17Isso não é segredo para ninguém.
09:20Os Estados Unidos estão desenvolvendo uma política externa mais agressiva.
09:27O que se fez na Venezuela, o que está se fazendo agora no Irã,
09:31e para buscar recursos minerais, petróleo, para eles?
09:39Nós temos uma guerra fria dos Estados Unidos com a China,
09:43na disputa de mercados e de territórios no mundo,
09:46que é um pano de fundo de tudo isso,
09:48e uma tentativa do governo norte-americano
09:51de levar países a um modelo quase neocolonial,
09:56de rendição, que tem que servir ao interesse deles.
10:01E o Lula foi mundialmente, talvez, o maior líder que enfrentou isso
10:11e que não aceitou botar soberania em negociação.
10:16Lula falou, eu negocio, negocio questão comercial,
10:20negocio o modelo de exploração mineral
10:25que preserve a soberania brasileira,
10:29negocio temas de crime organizado,
10:33negociação na política entre países, na política externa, ok,
10:36mas soberania nacional, não.
10:39Tanto é que o Lula virou ano passado capa do New York Times
10:42como o único estadista que enfrentou Trump.
10:47Parte dos chefes de Estado da Europa,
10:50que são países, às vezes, mais ricos
10:51e com mais poderio de fogo que o Brasil,
10:55se ajoelharam para o Trump.
10:57E o Lula fez o enfrentamento.
10:59O Lula se colocou como um estadista.
11:02Então, é evidente que esse tema
11:04tem impacto na política nacional.
11:07Porque nós temos gente
11:09que ficou usando a bandeira nacional
11:11durante anos para fazer politicagem,
11:15se dizendo patriota,
11:16e na primeira oportunidade que teve,
11:19traiu a pátria.
11:20Na primeira oportunidade que teve,
11:22conspirou contra o Brasil lá nos Estados Unidos,
11:24contra os empregos e os trabalhadores brasileiros.
11:27Contra os empresários brasileiros, inclusive.
11:29Porque o tarifácio era isso.
11:30Querer levar emprego daqui lá para os Estados Unidos.
11:34Essa gente bateu continência com a bandeira dos Estados Unidos.
11:38Tem uma coisa que eu acho que...
11:39E isso vai ficar para a história brasileira.
11:43Num dos capítulos mais vergonhosos.
11:45Num 7 de setembro,
11:48os bolsonaristas,
11:50num símbolo que é a Avenida Paulista,
11:52botarem uma bandeira gigante dos Estados Unidos.
11:557 de setembro é o dia da independência brasileira.
11:59E eles botam a bandeira
12:00de um país que está com uma estratégia de colonização.
12:05É de uma vergonha.
12:07Essa gente, se tivesse vergonha na cara,
12:09não saía mais na rua.
12:11Quanto menos se candidatava à presidência da República.
12:13Então, é evidente que esse tema vai aparecer.
12:17Tanto é que o seu Flávio Bolsonaro foi lá no Texas
12:20há dois meses querer entregar terras raras para eles.
12:25Tanto é que querem ter um apoio internacional através das grandes plataformas, das big techs,
12:34para montar a máquina de mentiras deles novamente esse ano.
12:39Então, não tem como esse tema não ser.
12:41O tema da soberania nacional,
12:42que opõe de um lado os verdadeiros patriotas,
12:45dos traidores da pátria,
12:47não tem como isso não estar no debate político desse ano.
12:52Exatamente.
12:53E, ministro, agora, voltando àquela pauta que a gente estava falando sobre...
12:58O senhor falou que o senhor está numa missão,
13:01ocupando um ministério,
13:03exercendo um cargo de ministro,
13:05e apoiando também essa candidatura do presidente Lula.
13:11E a gente vem acompanhando que o governo federal tem lançado e renovado
13:15vários programas sociais, econômicos, várias iniciativas,
13:19como, por exemplo, o senhor mencionou a isenção do imposto de renda,
13:24a taxação dos super ricos, também projetos como o Desenrola.
13:28E a gente também tem acompanhado, por outro lado,
13:31que algumas pesquisas apontam que isso não tem elevado significativamente
13:36a popularidade ou aprovação do governo.
13:40Qual o senhor enxerga que é o maior desafio hoje do governo
13:44e também dessa campanha do presidente Lula
13:47para melhorar a percepção e a, vamos dizer assim,
13:52capilaridade do eleitorado?
13:55Gabi, eleição e percepção política das pessoas
14:00parte da comparação.
14:03Essa é a grande questão.
14:06E a campanha vai permitir que a gente compare.
14:09Uma coisa é dizer, tá, o Lula contratou
14:12não sei quantos mil médicos, mais médicos.
14:16Outra coisa é dizer, o governo anterior,
14:20do papai, do adversário do Lula agora,
14:26não contratou nada e tentou acabar com mais médicos
14:30e o Lula retomou.
14:32O governo anterior não fez uma casa popular no Brasil
14:36porque acabou com a minha casa, minha vida
14:38e o Lula agora já passou de dois milhões de casas em três anos.
14:45O governo anterior
14:48debochou das pessoas durante a pandemia
14:52de quem tinha falta de ar,
14:54de quem estava morrendo por Covid,
14:56dizendo para buscar vacina na casa da mãe dos outros.
14:59Todo mundo lembra disso?
15:03xingava as pessoas, xingava jornalista,
15:06debochava da dor do povo, zero empatia.
15:10E hoje nós temos um presidente humano
15:13que sente a dor das pessoas e desenvolve a política pública
15:17aqui no Palácio do Planalto a partir das necessidades do povo.
15:22O governo anterior queria botar a granada no bolso dos trabalhadores
15:28e congelar a aposentadoria, congelar BPC,
15:33tudo isso.
15:34Isso, aliás, o senhor Flávio Bolsonaro
15:35disse que é parte do programa de governo dele.
15:38Sorte do povo brasileiro que ele não vai ser eleito
15:40e, portanto, isso não vai acontecer.
15:43Esse é o governo que faz aumento real de salário mínimo,
15:48compra a briga e manda a PL com urgência
15:50para acabar com a escala 6x1
15:52e manda taxar super rico.
15:55Veja, a comparação sendo feita
15:58no processo da campanha eleitoral,
16:00ela vai ser decisiva
16:02para o povo brasileiro tomar o seu posicionamento.
16:07E, por isso, eu estou muito tranquilo.
16:10E o nosso time aqui está muito tranquilo.
16:12Porque, na hora que comparar,
16:15é 7x1 em todos os quesitos,
16:18em qualquer área.
16:19Quer falar de rodovia?
16:20Quer falar de porto?
16:22Quer falar de moradia?
16:23Quer falar de combate à fome?
16:25Quer falar de saúde?
16:26Quer falar de educação?
16:27Em qualquer área, em qualquer estado.
16:31Pegue o que o Bolsonaro fez pelo Pará,
16:34o que o Lula está fazendo pelo Pará.
16:37Gente, não tem comparação.
16:38É só 7x1.
16:39E não só nas realizações, Gabi.
16:42Também na trajetória.
16:44O Lula tem biografia.
16:45As pessoas podem gostar ou não gostar do Lula.
16:47Normal numa democracia.
16:49As pessoas podem votar nele ou não votar nele.
16:51Normal numa democracia.
16:53Mas qualquer pessoa, de bom senso,
16:56reconhece a trajetória política do Lula
16:59como um cara com compromisso com o povo.
17:02Como um cara que tirou milhões de brasileiros da miséria.
17:05que mudou a região Nordeste e a região Norte do Brasil.
17:09Radicalmente.
17:10Como um cara, um estadista.
17:12Que orgulha o Brasil no mundo.
17:15Agora, qual é a biografia do Flávio Bolsonaro?
17:19Ele não tem biografia.
17:21Ele tem ficha corrida.
17:23Ele tem BO.
17:25É isso que ele tem.
17:27Ele era o cara do esquema.
17:29Do negócio familiar dos Bolsonaro.
17:32Nem era o plano A do pai.
17:34O plano A do pai era o Eduardo.
17:37Que fez tanta besteira.
17:41Foi tão longe na traição à pátria nos Estados Unidos
17:43que perdeu a condição de ser candidato.
17:45Mas era ele o candidato do Bolsonaro.
17:48Perdeu a condição.
17:49O Flávio era o plano B.
17:50Por que o Flávio era o plano B?
17:52Na campanha, nós vamos ter oportunidade de falar sobre isso.
17:55Ele era o plano B porque ele só tem telhado de vidro.
18:00Eu acho que nem tem telhado.
18:02Nem de vidro é.
18:04O cidadão é esquema com milícia do Rio.
18:08É escritório do crime.
18:09É lavagem de dinheiro em loja de chocolate.
18:12É rachadinha no gabinete de lá com Queiroz.
18:16Ou seja, é daí pra baixo.
18:19Uma compra de mansão com dinheiro lá do BRB,
18:23com juro camarada do cara que está preso agora pelo Master.
18:2651 imóveis em dinheiro em dinheiro vivo.
18:29Vamos comparar em pé.
18:30Quando o povo comparar trajetória, biografia e realização de governos,
18:36eu não tenho a menor dúvida que as pesquisas vão refletir outra coisa.
18:42Ministro, o senhor tocou agora sobre o caso do Câmico Master, bem breve.
18:47Mas eu queria lhe perguntar se o senhor está acompanhando a operação que hoje a Polícia Federal chegou até o
18:53Ciro Nogueira.
18:54E como é que o senhor acha que isso acaba impactando no governo?
18:58Eu estou acompanhando pela imprensa, como vocês, a operação da Polícia Federal,
19:04e que eu acho que reforça uma coisa.
19:07É muito engraçado, né?
19:09Os bolsonaristas enchiam a boca pra falar do Master.
19:14Gente, quem agora teve busca e apreensão porque recebia, segundo a PF, mesada de 300 mil?
19:22Que mesada é essa, hein?
19:23300 mil do Vorcaro era o senhor Ciro Nogueira.
19:27Quem é o senhor Ciro Nogueira?
19:28Foi o ministro da Casa Civil do Bolsonaro.
19:33Operador do Bolsonaro no Congresso.
19:36Quem é o dono Jatinho do Vorcaro?
19:39O senhor Nicolas Ferreira.
19:42Ou seja, os governadores bolsonaristas,
19:46lá o Cláudio Castro botou um bilhão da Previdência dos velhinhos do Rio de Janeiro pro Master.
19:53O governador bolsonarista aqui do Distrito Federal, o seu Ibanez,
19:58que tentou salvar o Master, jogar pra baixo do tapete usando banco público.
20:04Dinheiro público.
20:07Então, veja, o Master é o bolso Master.
20:10E acho que essa operação, mais de uma vez, mostra quem é que está comprometido.
20:16E tem outra, né?
20:17Semana passada nós tivemos aquele episódio vergonhoso do Senado Federal,
20:23rejeitando a indicação do Jorge Messias.
20:26E todo mundo noticiou o que estava no acordão entre os bolsonaristas e o Davi Alcolumbre
20:31pra rejeitar a indicação do Messias.
20:35Era enterrar a CPI do Master.
20:42Então, gente...
20:44Eu acho que a operação de hoje, Gabi, ela é mais de uma demonstração
20:49de que esse escândalo tem DNA.
20:54E o DNA desse escândalo é o bolsonarismo.
20:58Certo.
20:59E o senhor, voltando aqui pra essa...
21:03O senhor falou muito sobre prejudicar os empresários,
21:06quando o senhor estava mencionando o Flávio Bolsonaro
21:08e o que ele veio fazendo que estava, segundo o senhor,
21:13de contra o povo brasileiro.
21:15A gente vê que o governo federal tem tentando fortalecer
21:19esse discurso da justiça tributária,
21:21seja com a taxação dos super ricos e as outras mudanças
21:25na cobrança do imposto de renda.
21:27O senhor acredita que essa narrativa consegue atingir
21:30o eleitorado brasileiro hoje pra além da base tradicional
21:35da esquerda de apoio ao governo Lula?
21:39Eu acredito que sim, Gabi, porque as pessoas têm senso de justiça.
21:44Veja, você zerar o imposto de renda de quem ganha até 5 mil reais
21:48e fazer quem ganha mais de um milhão por ano
21:54pagar 10% sobre lucro e dividendo, porque não pagava nada?
22:00Eu tô pra encontrar alguém pra me dizer que isso é injusto,
22:03que isso é absurdo.
22:05E não, não, a pessoa não precisa ser de esquerda.
22:07É ter um senso de justiça.
22:09Ah, isso é coisa de comunista.
22:11Vai ver qual é o sistema tributário nos Estados Unidos?
22:15Tributação sobre altas rendas e patrimônios.
22:18Um dos problemas do sistema tributário que a gente tem
22:21é que a tributação no Brasil, historicamente,
22:25ela pega especialmente sobre o consumo,
22:28o que incide na inflação, torna os produtos mais caros,
22:31esse copo, esse telefone, tá tudo ali tributado com ICMS, com IPI,
22:38com um monte de imposto.
22:39Agora vai simplificar a tributação depois da reforma tributária,
22:43no período de transição que vai iniciar agora?
22:46Agora, veja, enquanto nós temos uma tributação bem abaixo,
22:51mas muito abaixo da média internacional,
22:53sobre altas rendas e patrimônios,
22:55o Lula começou a corrigir essa injustiça.
23:00Botou a mão nesse vespeiro, que é difícil,
23:03porque essa gente é privilegiada,
23:05essa gente quer manter...
23:06Quem vai abrir mão dos seus privilégios de maneira tranquila?
23:10Não existe.
23:12Então, comprou uma briga com gente poderosa.
23:17E as pessoas veem isso e se sentem representadas.
23:21Então, veja, nós não estamos em campanha,
23:24nós estamos em governo, governando, né?
23:27E fazendo ações de governo.
23:29O Lula anunciou agora o novo desenrola.
23:32É uma ação de governo.
23:33Nós vamos ter outros anúncios de governo nos próximos dias
23:37e nas próximas semanas.
23:39O Lula está com a cabeça em governar o povo brasileiro.
23:43O Flávio Bolsonaro está com a cabeça na dancinha do TikTok.
23:47Cada um com as suas escolhas e com as suas prioridades.
23:51Agora, quando chega a hora da campanha para valer,
23:57aí isso entra no jogo e o povo vai saber escolher.
24:01O povo brasileiro é sábio e vai saber escolher, não tenho dúvida nenhuma.
24:05Excelente.
24:06E hoje a gente fala de uma política brasileira bastante polarizada, né?
24:12Mas a gente tem acompanhado que o Congresso atual
24:16tem seguido uma linha bastante conservadora, né?
24:19E que puxa mais ali para os princípios de direita.
24:24Como é que o governo tem criado estratégias ou relações com o Congresso
24:31a fim de criar uma relação melhor, uma comunicação melhor,
24:36sem abrir pauta, sem abrir mão das pautas históricas
24:40que são defendidas pela esquerda, né?
24:44Tanto pelo senhor quanto pelo presidente Lula
24:47e todos os movimentos sociais que vocês representam?
24:52Veja, o governo do presidente Lula é um governo de coalizão.
24:57Então, é um governo que se elegeu numa frente ampla
25:01para derrotar o desastre que foi o Jair Bolsonaro governando o Brasil.
25:10em defesa da democracia, em defesa dos interesses populares.
25:15Esse foi o grande tema da eleição de 22.
25:20E o Lula não tem maioria no Congresso.
25:22A esquerda não tem maioria no Congresso.
25:25A esquerda tem 130 deputados de 513.
25:29A esquerda não tem 20 senadores de 81.
25:34Essa é a realidade.
25:37Então, para poder governar e aprovar as medidas,
25:40aprovar, zerar imposto de renda e começar a taxar super rico,
25:44aprovar o fim da escala 6 por 1,
25:46aprovar as medidas populares de governo,
25:49o presidente Lula tem que fazer composição.
25:53Esse é o sistema político brasileiro,
25:56que, aliás, precisa mudar.
25:57Muito francamente.
25:58Eu sou um defensor, Gabi,
26:01de uma reforma do sistema político e do sistema judicial no Brasil.
26:06Não tem como.
26:07As pessoas...
26:09O cidadão comum brasileiro,
26:10ele olha para o sistema político hoje
26:13e ele não acredita,
26:16ele não vê credibilidade naquilo.
26:18Nós temos um sistema político
26:21afastado da maioria do povo,
26:23com um abismo entre o poder e as pessoas,
26:26entre a política e a sociedade.
26:28Nós temos um sistema político
26:29com poucos mecanismos de participação da sociedade.
26:34Nós temos um sistema político que está,
26:36inclusive, em pane.
26:39Porque o Congresso quer tomar a função do presidente da República.
26:43Como é que você já se viu, gente?
26:4460 bilhões de reais em emenda parlamentar.
26:48Isso é uma esculhambação.
26:5060 bilhões de reais em emenda parlamentar.
26:53Muitas vezes sem transparência.
26:55Muitas vezes essas emendas...
26:58E aí não sou eu que estou dizendo.
26:59É o Ministério Público, é a Polícia Federal.
27:01Várias operações que foram feitas
27:03de esquema de corrupção em emenda.
27:06Ou seja,
27:08muitas decisões tomadas de costas para a sociedade.
27:13O próprio judiciário, você tem um apelo.
27:15Os penduricalhos, essa coisa toda.
27:18Quer dizer, o cara...
27:19É isso, aquilo, já recebe o teto de serviço público.
27:23Quer mais, mais, mais, mais, mais.
27:27Isso a sociedade está vendo, está atenta.
27:30E tem que estar cada vez mais atenta.
27:34Então, eu acho que nós temos um problema.
27:37Por exemplo, para o Congresso Nacional,
27:39eu sou um defensor de voto em lista.
27:43Porque sabe como é que funciona hoje?
27:45A pessoa vai lá, não é?
27:48É o voto, muitas vezes, clientelista.
27:52Vai lá, vou levar o asfalto para a tua rua.
27:55Leva o asfalto para a rua.
27:57Depois, com emenda parlamentar,
27:59isso se tornou ainda um mecanismo ainda mais vicioso.
28:03Aí vai lá, a pessoa vota por gratidão do asfalto,
28:05ou porque botou na fila lá do posto de saúde,
28:09ou por qualquer outra coisa.
28:10E nem sabe como é que esse representante
28:13que ela ajudou a eleger está votando no Congresso Nacional.
28:16O que é o voto em lista que vários países do mundo têm?
28:19Boa parte da Europa, é isso?
28:21Diz o seguinte, você vai votar na...
28:22Vai votar na lista dos deputados do Lula,
28:25na lista dos deputados do Bolsonaro,
28:27na lista do deputado...
28:28É isso.
28:29E as pessoas...
28:30Porque aí você permite condições melhores de governabilidade.
28:34que não é possível que para ter governabilidade
28:37tenha que ser todo dia uma negociação
28:42que passe por cada vez mais exigência,
28:45faca no pescoço, emenda,
28:47as emendas impositivas.
28:49Do meu ponto de vista, são inconstitucionais,
28:52tem ação no Supremo,
28:56e esperamos que evolua mais.
28:59O ministro Flávio Dino, que é o relator,
29:00já tomou várias decisões tentando tornar as emendas mais transparentes.
29:04Eu acho que nós precisamos de uma reforma do sistema político.
29:08Agora, hoje nós temos um sistema político que é este.
29:10E este sistema exige um governo de coalizão.
29:14E neste governo de coalizão,
29:16nem sempre o governo vai...
29:19O presidente da República vai poder tomar
29:21todas as decisões que ele gostaria de tomar
29:26e do projeto que foi eleito nas urnas.
29:28Eu acho que isso tem que passar também
29:29para a pressão da sociedade.
29:30Uma pressão da sociedade por um movimento,
29:34por uma reforma do sistema político no país.
29:37O senhor diria que, então,
29:38essa pressão da sociedade,
29:42esse pedido da sociedade,
29:44seria o primeiro passo para essa mudança?
29:49Existem vários projetos de reforma política
29:53engavetados no Congresso.
29:58porque a tendência natural de quem está lá
30:00é deixar como está.
30:03O governo hoje não tem força para chegar e falar
30:07eu vou botar aqui uma reforma política
30:09e o Congresso vai aprovar.
30:11Esqueça, vai ser mais um que vai ficar engavetado.
30:16Então, ter um movimento
30:18do conjunto da sociedade brasileira,
30:21de quem também acredita
30:22que é preciso ter um sistema político mais transparente,
30:25com mais participação popular,
30:27um sistema político
30:28com menos privilégios,
30:31quem acredita nisso,
30:34eu acho que existe um papel
30:35de criar um caldo.
30:37Isso vai vir de fora para dentro.
30:39Isso vem da sociedade.
30:40como foram todas as grandes,
30:43quando eu pego o fim da escala 6x1,
30:45tinha projeto para reduzir jornada de trabalho
30:47há 20 anos, parado lá.
30:50Teve que vir um movimento da sociedade,
30:52inclusive pelas redes sociais,
30:54o movimento VAT,
30:56o Rick Azevedo,
30:58que era um balconista de farmácia no Rio de Janeiro,
31:00fez um desabafo num vídeo de TikTok,
31:03e isso foi criando uma onda.
31:05E hoje nós temos condições reais
31:08de nos próximos meses ter uma medida histórica
31:10de redução da jornada de trabalho
31:12e acabar com a CESP.
31:14Eu acredito que é dessa forma também,
31:17é com o movimento do conjunto da sociedade,
31:19arejado,
31:20dos movimentos sociais organizados,
31:23que a gente tenha condições
31:25de mudar o sistema político no Brasil.
31:29Excelente.
31:29Ministro, muito obrigada
31:31pela sua disponibilidade,
31:32por nos atender,
31:33foi excelente conversar com o senhor,
31:35espero que a gente possa conversar mais vezes,
31:38trocar mais ideias mais vezes,
31:40e esperamos o senhor aqui em Belém.
31:43Obrigado, Gabi.
31:44Vou estar logo mais em Belém,
31:46nós vamos ter governo do Brasil na rua em junho,
31:49vamos fazer um amplo anúncio
31:51para levar as políticas,
31:54os programas do governo Lula
31:56para onde o povo está.
31:58São 11 ministérios,
32:00e mais o Caixa Econômica,
32:02Banco do Brasil,
32:03SEBRAE,
32:05SESI,
32:05um conjunto de instituições
32:07para levar essas políticas na ponta,
32:10e vai ser um prazer enorme
32:12estar aí em Terras Cabanas
32:13para poder fazer o governo do Brasil na rua.
32:17Forte abraço para você.
32:18Que bom, um abraço,
32:20e desejo também
32:21um abraço a todos que estão nos acompanhando,
32:23agradeço por nos acompanhar até aqui
32:26para ler essa nossa entrevista na íntegra,
32:29e acompanhar mais informações,
32:31mais detalhes,
32:31é só acompanhar a gente em oliberal.com.
32:33Até mais.
32:36Música
32:40Legenda Adriana Zanotto
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