- há 2 dias
Categoria
🗞
NotíciasTranscrição
00:01Na Cozinha com Cecília Chaves. Oferecimento Senac. Você pronto para o mercado do presente e do futuro.
00:24Bom dia, gente! Estamos começando mais um Na Cozinha com Cecília Chaves.
00:31E hoje, véspera do Dia das Mães, eu convido você a surpreendê-la com uma receita especial e cheia de
00:39significado.
00:40Eu recebo aqui na minha cozinha a chefe Simone Farinha para a gente bater um papo incrível sobre gastronomia portuguesa,
00:49maternidade, tradição.
00:50Simone que comanda a cozinha mais premiada do Recife.
00:54É isso aí, gente! Então chama a família, se acomoda aí no sofá e pega o caderninho para anotar cada
01:01detalhe desse programa massa.
01:03Mas antes, se liga na dica que eu tenho para você.
01:07Tem sabor que vira memória e tem memória que vira tradição.
01:12O bolo de noiva Cecília Chaves carrega o sabor das nossas festas, das casas cheias e das histórias que passam
01:19de geração em geração.
01:22É receita com afeto, feita no tempo certo, com o cuidado de quem acredita que cozinhar é cuidar.
01:30A nova embalagem chega com elementos da bandeira de Pernambuco, porque esse bolo tem identidade, tem orgulho e tem a
01:38cara do nosso estado.
01:39É o presente que emociona antes mesmo da primeira mordida.
01:44É Pernambuco em forma de bolo.
01:46Bolo de noiva Cecília Chaves, o sabor que é tradição, afeto e celebração.
01:53Disponível nos principais cafés, padarias e delicatesses.
01:58Adquira já o seu!
01:59Gente, já estou aqui com a chefe Simone Farinha.
02:02Um prazer enorme lhe receber aqui na cozinha.
02:05Prazer é todo meu estar aqui com vocês.
02:06Aqui no meu programa, amanhã, gente, que é dia das mães, que é dia do cozinheiro.
02:14Nada melhor do que a gente comemorar nessa cozinha, trazendo tantas histórias bacanas que a gente tem pra contar, né?
02:21Sobre maternidade, sobre receitas, tradição, raízes, muita coisa massa que a gente vai falar por aqui.
02:29E uma receita que eu verdadeiramente amo, mas que ela vai contar pra vocês o que a gente vai ensinar
02:36hoje aqui.
02:37Hoje a gente vai fazer um prato bem tradicional português.
02:40O bacalhau abraz.
02:42Ele é uma delícia, vocês vão ver.
02:45Exatamente.
02:46E aí, como vocês podem ver, nenhum ingrediente misterioso, né?
02:51Tudo muito fácil.
02:51Tudo muito fácil.
02:53Fácil acesso.
02:54Exatamente.
02:55Nada, nenhum segredo.
02:56Eu queria que você primeiro começasse contando pra gente como foi que Simone se descobriu cozinheira, chefe de cozinha.
03:06Veja, minha família toda é de cozinheiro.
03:10Minha avó tinha lanchonetes, minha mãe, minha tia, teve um restaurante famoso.
03:17Minha avó chegou em 1951 pra cá com os filhos pequenos, portuguesa, né?
03:22E aí fez a vida dela com lanchonetes e caldo de cana.
03:26Tem um caldo de cana super famoso na Rua das Flores.
03:29E assim, eu me lembro, pequenininha na casa dela, assim, mole, hein?
03:32Que era braba, portuguesa braba, aquelas pequenininhas, né?
03:35Botava um banquinho, vem cá, aprenda a fazer o arroz.
03:38Eu lá, pequenininha, e minhas primas, assim, na pontinha dos dedos, assim, olhando como é que se cozinhava o arroz.
03:44De tintim por tintim.
03:45Você primeiro doura a cebola, passa isso, passa aquilo.
03:48E assim foi.
03:49E aí, eu não tenho, assim, uma data.
03:51É assim, onde foi cozinheira, né?
03:52Então, ela nasceu no meio das panelas.
03:56Exatamente.
03:57E muito massa, porque é exatamente no meio dessa vivência, né?
04:01Você não precisou sair para aprender.
04:03Você literalmente aprendeu dentro de casa, dentro da família.
04:07Eu vou lhe confessar, até hoje, eu ligo pra minha mãe, eu falo,
04:11Mãe, vem cá, semana passada, eu disse, eu queria fazer um cabrito, assim, assado.
04:15A senhora tá usando vinho pinto ou vinho branco?
04:17Ela, ô, Mônia, eu agora, eu acho que eu tô mais do vinho branco.
04:20Aí, e assim vai.
04:22Até hoje, eu ligo pra minha mãe.
04:24É, eu também, aqui em casa também rola isso.
04:27De vez em quando, eu vou fazer uma receita.
04:28Aí, eu, mãe, o ponto disso.
04:30Um dia desse, eu fui fazer, inventar de fazer doce antigo, que não leva a leite condensado, né?
04:34É.
04:35Aí, eu disse, mãe, eu quero fazer, tal.
04:37Eu disse, mãe, isso aqui não tá legal, não.
04:39Não tá unindo, não.
04:40Como é que vocês faziam esse milagre, hein?
04:42Ela, não sei, eu sei que fazia.
04:44Aí, ela, minha filha, eu não sei, não.
04:45Mas dava certo, eu disse, tá unindo.
04:48Mas eu acredito que os ingredientes mudaram muito também.
04:51Muito, muito.
04:52Tem certas, é certa, por exemplo, lá no restaurante, a maioria das sobremesas foi de criação de minha mãe.
04:58Inclusive, ela passou anos fazendo as sobremesas.
05:01E hoje, quem faz sou eu.
05:02Então, tem certos processos com esses ingredientes novos, que eu não consigo chegar no ponto que ela chegava antes.
05:09Tudo mudou, mudou, né?
05:10As composições.
05:12Demais, demais.
05:12O chocolate, o creme de leite, o leite condensado.
05:15Assim, várias coisas realmente mudaram.
05:17Manteiga.
05:18Eu acho que até a manteiga, que é uma coisa tão...
05:20Exatamente.
05:21Básica, mas tá diferente.
05:22Tá diferente.
05:23É isso aí.
05:24Enquanto a gente cozinha, então, a gente vai conversando aí um pouquinho.
05:28Vamos pro primeiro passo.
05:30Esquentar a panela.
05:31Esquentar a panela.
05:31Então, já vamos ligar aqui pra panela já ir aquecendo.
05:35Gente, falando em maternidade, em dia das mães, a gente compartilha aí, né?
05:40Da mesma situação, vamos dizer.
05:43A gente tem filhos morando fora.
05:45Eu tenho o Benjamin, como muita gente sabe, acompanha.
05:48Acompanhou aí a trajetória dele.
05:51Tá morando, vai fazer três anos no Canadá.
05:54Estudo engenharia mecânica lá.
05:55E você também.
05:56Tem os dois filhos, né?
05:58Um casal.
05:58Um casal.
05:59A minha mais velha foi em 2016.
06:01Esse ano agora, no meio do ano, vai fazer dez anos.
06:04Fez faculdade, fez mestrado, tá empregada, casou, já tem bebê.
06:09Eu sou vó.
06:10E aí vai.
06:11E o meu mais velho tá fazendo mestrado também lá nos Estados Unidos.
06:14Então, João Roberto.
06:16A gente passa aí o dia das mães sem a filharada completa.
06:19Pois é, é só emoções, né?
06:21É, só emoção.
06:23Exatamente.
06:23Mas, ao mesmo tempo, é bom demais, né?
06:25A gente sentir a realização deles.
06:28Minha filha, quando me perguntam, como é que você conseguiu, não sei o quê?
06:32Eu disse, eu tinha um mantra desde 2016, 2015, quando eu já sabia que ela ia embora.
06:37É o melhor pra ela, é o melhor pra ela.
06:39E ficava assim.
06:40Era o meu mantra na cabeça e assim foi.
06:42Eu também.
06:43Eu penso nisso.
06:44Que é uma realização tão grande pra ele ter conseguido o que ele conseguia, ter conseguido
06:50bolsa, enfim, estar onde ele desejava tanto estar, que a gente fica feliz pela felicidade
06:56dos filhos.
06:57Posso começar?
06:58Vamos embora.
06:59Vamos lá.
06:59Primeiro, o azeite, né?
07:01Como toda portuguesa.
07:03Bastante azeite.
07:04Bastante azeite.
07:05Vocês?
07:05O segredo do sucesso.
07:07Exato.
07:07Aí, como o povo diz, 10 reais de azeite.
07:09É.
07:11Aí, cebola.
07:12Toda boa receita.
07:14Leva bastante cebola.
07:16Tá.
07:17A gente falando aí um pouco da sua família.
07:19Vocês têm um restaurante que é o restaurante Itasca.
07:22Muita gente conhece, né?
07:25Tradicionalíssimo.
07:25Quantos anos já de mercado?
07:2747.
07:28Olha isso, gente.
07:29Ele é de 1979.
07:31Pra ser mais exata, 16 de janeiro de 1979.
07:36Eu e meu irmão acompanhou toda a construção, da reforma da casa e tal, até hoje.
07:44E aí, pronto.
07:44Aí a Tia Vina tocou esses anos todos.
07:46Com a crise da pandemia, né?
07:48Ela também já vinha adoentada.
07:50Ela chamou e meu irmão fez...
07:52Eu não tenho filhos.
07:53Ela morava conosco, né?
07:55Depois é que ela foi morar sozinha.
07:58Mas assim, ela...
08:00Eu não tenho filhos.
08:02Vocês é que são meus herdeiros.
08:04Vocês é que são herdeiros de nome de tudo.
08:06Vocês precisam continuar e ter que tocar isso aqui.
08:09É um legado e tento, né?
08:10Exatamente.
08:11E a gente não pode deixar, né?
08:13Aí pronto.
08:13Aí tá eu e meu irmão e meu esposo também aí na vivência do restaurante.
08:18Que massa.
08:19Passei muito tempo.
08:19Eu sou arquiteta, né?
08:20De formação.
08:21Passei um bom tempo na parte de moda.
08:25Porque meu pai era comerciante de roupas, né?
08:27De moda.
08:28E aí passei um bom tempo trabalhando com isso.
08:31Mas a cozinha, minha filha...
08:32Chamou.
08:33Não tem jeito.
08:33Quando ela fisga, né?
08:35Você sabe que ontem foi meu dia de folga, né?
08:37Sabe qual é que eu fiz?
08:39Teste.
08:39Ai, tá vendo?
08:40É bem isso.
08:41Teste de comida portuguesa.
08:43É igual a mim.
08:44A pessoa...
08:45Eu digo, minha gente, eu quero ir cheio da minha filha, né?
08:47Esse final de semana que passou.
08:49E aí eu fico pensando, poxa...
08:52Vou fazer algum docinho, né?
08:53Aí vou inventar coisa que eu nunca fiz.
08:55Sei lá.
08:56Aí vou pegar, vou fazer...
08:57Ah, vou fazer um camafel de nozes.
08:59Aí depois...
09:00Mãinha, faz um beijinho.
09:01Vem pra cá.
09:02Vamos fazer junto.
09:03Vamos.
09:03Mas tá super na moda esses doces tradicionais.
09:05E é muito massa isso.
09:06Porque a gente que gosta de comer bem, que gosta desse momento.
09:11Porque eu digo, o evento, ele começa no preparo, né?
09:15Hoje em dia, isso se perdeu muito nas famílias.
09:18Porque as pessoas ou não sabem fazer, ou não tem interesse, ou não tem tempo.
09:22Não tem tempo, né?
09:22E muita gente acaba encomendando, encomendando.
09:25Mas eu adoro esse antes, o durante e o depois, né?
09:29O depois também.
09:30O elogio é muito bom, né?
09:31Ai, tá uma delícia, né?
09:33Meu Deus, vocês fizeram isso aí.
09:35Pois é, a gente fez.
09:37Eu me lembro, no primeiro aniversário de Mariana, eu fiz tudo.
09:41Tudo docinho.
09:42A minha mãe era dessa também.
09:44Bolo.
09:44Eu fiz tudo, tudo, tudo, tudo.
09:47Aí no segundo, a gente já começa a comer daqui um pouquinho, um pouquinho.
09:50Porque senão é uma semana de preparo.
09:53Uma semana de preparo.
09:55Pronto.
09:55Aí o processo é o seguinte.
09:56A gente vai deixar a cebola dar aquela murchada, certo?
10:00E aí, assim, o corte dela.
10:03Eu corto, como ela era grande, eu abri no meio e cortei ela meia lua.
10:07Mas pode ser rodelas também, se ela for menorzinha.
10:10Entendeu?
10:10Aí rodela e corta fininha, né?
10:12Pra ela poder ter o...
10:13Porque o que eu gosto, Cecília, é quando a gente mastiga,
10:17ter todas as texturas do mesmo tamanho na boca.
10:20Então não sei se...
10:21Isso também, né?
10:22E aí, por exemplo, aí a cebola vai estar assim,
10:25a batata também do mesmo jeito, o bacalhau da mesma forma, entendeu?
10:28Aham.
10:29Pronto.
10:29Aí agora eu vou...
10:30Ela deu uma pequena murchada, eu vou entrar com o alho.
10:33Certo.
10:34Aqui tem mais ou menos...
10:35Eu botei dois dentes de alho,
10:38mas pode ser só um dente de alho grande.
10:40Tá.
10:41E português, minha gente, tem que ter alho.
10:44Desculpa.
10:44Meu marido diz, é o lugar pra se comer bem, é o lugar que eu como melhor em Portugal.
10:49Eu nunca pedi pra parar de comer, mas em Portugal tudo é muito e muito bom.
10:56A gente lá no restaurante, a gente tem a tradição da muita comida, da mesa farta, do slow cook, né?
11:03De você ter aquele preparo.
11:06A gente faz todos os processos lá, da batata palha, da batata frita.
11:11Então, assim, a gente tem aquele preparo bem antecipado,
11:15porque a gente quer essa tradição da comida portuguesa, entendeu?
11:21Em si.
11:22E aí, pronto.
11:23Aí a gente vai dar uma murchada.
11:27Espera ela dar uma fritadinha aqui.
11:30O cheirinho já invadiu aqui o estúdio.
11:34Hum, delícia.
11:36Mas é uma gastronomia muito boa e nos doces.
11:40É, é.
11:41É bom demais.
11:42Eu fico...
11:43Meu cardápio já tá imenso, né, de doce.
11:46Aí o povo faz um simone, aquele doce, não sei o que.
11:49Então, vou preparar.
11:51Aí minha mãe vai por trás, aí prepara um docinho.
11:54Aí leva no domingo.
11:56Aí eu disse, mas mãe, eu não quero botar isso no cardápio, isso dá muito trabalho.
12:00Mas é, porque os portugueses têm uns doces que são bem complexos, né?
12:05Eu preparo.
12:06E não complexo...
12:07Exatamente.
12:08São poucos ingredientes, mas é aquela coisa muito...
12:11Muito cheia de processo.
12:13Técnica.
12:13É, pudimolatofe, aquelas coisas muito...
12:17É muito...
12:17É muito...
12:18É muita técnica mesmo.
12:19Deixa eu explicar um pouquinho do bacalhau.
12:21Certo.
12:22Esse bacalhau da gente, a gente compra um salgado mesmo, um gado de morroa salgado da Noruega.
12:26Aí ele vem, aquelas caixas de madeira grande, a gente separa, faz todo o processo de melhoramento dele,
12:33beneficiamento, né?
12:34Corta ele e vai pra de salga.
12:37A de salga, a gente separa das lascas mais pequenas, da posta mais fininha, daquela parte da barriga, não sei
12:43o que, né?
12:44Porque ele é um triângulo assim, né?
12:45Isso.
12:45Então aquela parte, aqui, ela vai pra uma panela, porque ela é mais fina, e aquela parte do lombo, maior,
12:51ela vai pra outra panela, porque ela vai demorar mais.
12:53Panela, entre aspas, o recipiente que vai trocar as águas.
12:57Isso dura em torno de três a cinco dias, dependendo do tamanho do lombo.
13:03E aí depois a gente cozinha ele, mas vai cortar em lombo, e ele aqui tá cozido, certo?
13:09E depois a gente cortou ele em lascas, né?
13:12Certo.
13:13Então você recebeu, fez o beneficiamento, desalgou, trocando a água, como a gente aprendeu lá atrás.
13:21E aí hoje tem algumas técnicas, né? Bota pra cozinhar com o leite, bota pra...
13:26Mas antigamente a gente fazia sempre colocando pra dessalgar, trocando a água a cada 24 horas.
13:34Exato.
13:35E aí faz exatamente esse processo. Depois você levou pra cozinhar.
13:38E a água sempre gelada e sempre em geladeira.
13:43Nunca fora.
13:45E aí eu levei ele pra cozinhar. São cinco minutos de água fervente.
13:48Certo.
13:49E desliga. Deixa ele... Ferveu cinco minutos, desliga e deixa ele ali dentro um pouquinho e depois tira.
13:54Certo.
13:54Seca direitinho. O que vai pra posta, a gente deixa lá pra posta.
13:58O que for pra lasca, a gente vai e faz as lascas e beneficia ele e coloca lá nos saquinhos.
14:04O que é que a dona de casa pode fazer pra não ter esse trabalho todo?
14:08Cumpra o congelado.
14:10Ele, antigamente, ele realmente tinha...
14:12Quem conhecia de bacalhau sentia a diferença, a textura tá...
14:15Hoje em dia não. Hoje em dia a gente consegue...
14:17É, de excelente qualidade.
14:18De excelente qualidade e fazer ele do congelado também.
14:22Apesar de que eu sou chata e gostei do sal.
14:24É, e também porque isso aqui tem toda uma história, toda uma tradição por trás que você quer manter aí,
14:32que é muito bacana isso também, né?
14:34Exato.
14:34Ó, a cebola tá quase no ponto que eu quero.
14:38Que eu quero que ela realmente fique um pouquinho mais amareladinha, entendeu?
14:42Que é o gostinho que ela vai dar mais doce ainda no prato.
14:45E aí também, na sua gastronomia, acaba que você vai inserindo ingredientes nossos.
14:51Faz aí essa mescla, né?
14:53Exato.
14:53Essa fusão aí dessas duas gastronomias.
14:56É, até porque tem certos ingredientes que a gente não consegue aqui, né?
14:59E precisa adaptar na...
15:01Isso, tem que substituir.
15:02Mesmo que eu, por exemplo, essa azeitona, ela é realmente portuguesa, porque a gente importa, não sei o quê.
15:07Mas assim, a gente tem que adaptar algumas coisas assim.
15:12E, por exemplo, toda a minha parte de verdura, a gente tenta comprar numa granja, que seja o produtor que
15:18vende, entendeu?
15:20Daquela... o rapaz separa pra gente, sabe como é que a gente gosta.
15:24A salsa, a alface, aquela coisa bem... tentando ligar o campo, sem ter o intermédio, né?
15:32Do campo direto pro restaurante.
15:34Tem isso que a gente faz. Os ovos de galinhas felizes.
15:38Tem que ser ovos de galinhas felizes, porque eu acho que impacta.
15:43Faz diferença no produto final.
15:45E é muito impressionante.
15:46Ovo, hoje em dia, assim, eu digo, porque eu também trabalho usando muito ovo.
15:52E eu fico impressionada.
15:54Às vezes até em casa, assim, a gente compra no corre-corre, no supermercado, pega ali o que a gente
15:58vê.
15:59Quando chega, que vai fazer.
16:00Meu Deus, o que é isso?
16:03A gema é clara aqui só, né? A gente não vê mais...
16:07A gente consegue aqui em Recife ainda comprar bons ovos de capoeira.
16:11Consegue, consegue.
16:12Em Portugal, a gente... como é na casa, ela... minha vó dracha, né?
16:18Porque minha vó faleceu faz muito tempo.
16:20E é a madracha do meu pai, que tem 93 anos, que toma conta da casa até hoje.
16:24Já pensou.
16:25E ela cria as galinhas dela e tal.
16:28E ela traz os ovos.
16:29Minha filha, os ovos são...
16:31A gema não é laranja, não. Chega a ser vermelha.
16:34É isso.
16:34O pão de ló fica aquela coisa...
16:37É linda.
16:37Parece que a gente colocou a nilina dentro.
16:39Aquela coisa linda, né?
16:40Não é.
16:41É muito diferente, assim.
16:42Esse cuidado, né?
16:44Com os insumos que você tá utilizando.
16:46Faz toda a diferença.
16:47E é essa coisa, assim, de você ter uma colheta onde você sabe a procedência.
16:52Até isso, o sabor é diferente.
16:55Não, dá muito.
16:57No final, o resultado é outro.
16:59Completamente.
17:00Completamente.
17:02Aí, vamos.
17:03Tá quase, quase.
17:04E aí, agora, a gente vai pra parte dos ovos.
17:07Dos ovos, exatamente.
17:09Certo.
17:09Vamos botar aqui.
17:10Deixa eu botar isso pra cá.
17:12Quebrar os ovos um por um, né?
17:14Por quê?
17:15Por quê, por quê, né?
17:16É.
17:17Eu sempre comento aqui da importância de se fazer isso, né?
17:20Porque, às vezes, a gente encontra um ovo que a qualidade já não está muito boa.
17:25Somos pegos de surpresa e, às vezes, a gente já tem botado ali a grande quantidade
17:30e acaba perdendo o que a gente já quebrou.
17:36Ó.
17:37Vamos ver.
17:38E aí, na sua infância, conta pra gente, assim,
17:41Quais eram os pratos que sempre tinham por lá?
17:46Eita, bacalhau.
17:47Bacalhau, sim, sempre.
17:49Sempre.
17:50Como meus pais moram em aldeia, então sempre teve muito cabrito, galinha de granja, assim,
17:58galinha cabidela, arroz de cabidela.
18:00Mas os pratos eram, até hoje, né?
18:03Bem, bem, bem português.
18:05E os doces, é.
18:06Fúdulo molotov, barba de camelo, pavê.
18:10Minha mãe faz um pavê que, inclusive, está num restaurante até hoje.
18:14Que eu botei o nome dela.
18:15Pavê de Dona Piedade.
18:18Que é aquele pavê que a gente comia nos natais de casa, sabe?
18:24Com biscoito de champanhe.
18:26Uma delícia.
18:27Vamos marcar pra trazer ela aqui, pra ela ensinar isso pra ver prazer.
18:30Bora sim, bora.
18:30Com certeza.
18:31Pronto.
18:31Muito engraçado.
18:32Um dia a gente estava justamente falando sobre o biscoito de champanhe, porque a caixa
18:35que a gente comprava daqueles biscoitos sortidos vinha bem pouquinho, né?
18:39Então, as irmãs brigavam.
18:41Lá em casa era...
18:42Ué, meu!
18:44É uma delícia, pavê de biscoito de champanhe.
18:47Desculpa.
18:48Essa vez que eu estava lá em Miami, aí meu filho falou,
18:51Mãe, eu quero pavê de vovó.
18:53Aí lá vai eu, eu disse, meu filho, eu tenho que comprar biscoito de champanhe, porque
18:57é com biscoito de champanhe.
18:59Aí ele ia agora, como será o nome de biscoito de champanhe aqui nos Estados Unidos?
19:04Aí foi uma busca, aí encontramos, é Finger Ladies.
19:07Ai.
19:08É dedo de dama, né?
19:09Finger Ladies.
19:10Aí, quem quiser comprar nos Estados Unidos já sabe.
19:13E o dela, ela faz com castanha, com...
19:16Não, é o creme amarelo, normal, o biscoito de champanhe molhado...
19:22Embebido, isso.
19:23Embebido no chocolate, no leite com chocolate.
19:26E o branquinho, apenas isso.
19:29Bem típico de antigamente, né?
19:31Exatamente.
19:32Antigamente tinha muito, assim, a gente fazia muito pavê, né?
19:35Era, era.
19:35E aí, teve uma época que era uma moda.
19:38E ainda tinha o tiozão, é pavê ou é pra comer, né?
19:42Aí tinha o de biscoito de champanhe, tinha aquele também delícia de abacaxi.
19:47Delícia de abacaxi.
19:48Pavê de sonho de valsa, né?
19:50Aí o povo inventava.
19:51Pavê de doce de leite com castanha.
19:53Era bom demais.
19:55Nozes, né?
19:55As nozes já tinham...
19:56Era muito frequente nas sobremesas, né?
19:58Pronto.
20:00O ponto da cebola é esse aqui.
20:02Certo.
20:03Uma das coisas que eu esqueci de explicar, que eu gosto também, é que a gente faça numa
20:07frigideira até...
20:08É antiaderente, né?
20:10Porque o bacalhau, ele tende a...
20:12A frigideira tende a ficar com ele um pouquinho, entendeu?
20:15Compar um pouquinho.
20:16Só pra ele.
20:17Exato.
20:18Aí eu gosto sempre de uma frigideira antiaderente.
20:21Certo.
20:21Aí a gente vai entrar aqui com o bacalhau.
20:23Isso.
20:23Pra ele ficar mais saboroso do que já é.
20:26Assimilar aí esse sabor do azeite, da manteiga, do alho.
20:31Deixar ele aqui caprichar aqui nas lásticas, viu?
20:35Ah, é pra Cecília.
20:38Aí ele aqui vai apurar um pouquinho, né?
20:41No gosto do...
20:43Da cebola, né?
20:44Da cebolada.
20:46E aí a gente vai...
20:48Cheirosíssimo.
20:49Aí esse próximo...
20:49De aqui em diante é super rápido.
20:52Vai botar um pouquinho de azeitona, certo?
20:54Certo.
20:54Umas oito azeitonas, mais ou menos.
20:57Depois eu vou deixar umas pra gente colocar aí em cima pra enfeitar.
21:02A salsa eu vou colocar um pouquinho aqui no ovo, porque ela já vai misturadinha, né?
21:14E aqui a gente vem, entra com o ovo.
21:18E a gente que cheira o bolo.
21:20E uma parte da batata.
21:22A batata ela vai durante o processo e depois ela vai...
21:26Aí essa batata...
21:28Ela está cortadinha e fritinha.
21:30É, essa batata a gente faz lá no restaurante também.
21:34É aquela batata sujinha, a Asterix, né?
21:38Que vende aí.
21:39E aí a gente rala, lava por bastante água, seca bem secadinha e depois frita.
21:52Pode-se comprar daquelas de saquinho.
21:54Agora ter cuidado na hora do sal, porque aquelas de saquinho, elas geralmente vêm bem salgadas, né?
21:59E ela não consegue.
22:01A que você compra no saquinho, ela jamais fica nessa textura.
22:04Não fica.
22:06Tem duas maneiras de fazer essa batata, né?
22:08Que é aquela que você corta no mandolim, as chips, né?
22:12E depois corta na faca.
22:14Eu particularmente gosto mais dessa, porque eu acho que ela fica mais bonitinha.
22:17Agora a outra ela fica maiorzinha, você sente mais a batata, mas...
22:20Mais assim.
22:21É isso, Cecília.
22:22O prato é isso.
22:25Não...
22:25É muito simples.
22:27Muito simples.
22:28Não tem segredo nenhum.
22:30A gente só acerta um pouquinho o sal.
22:32Certo.
22:32Porque como a gente colocou o ovo, o bacalhau, ele...
22:35Eu nunca tiro o sal completo dele, porque bacalhau completamente salgado, ele perde...
22:40Perde o sabor, né?
22:42Perde a essência.
22:43É a essência dele.
22:44Exatamente.
22:45E aí o ovo, a gente não deixa cozinhar muito.
22:47Ele é molinho assim mesmo.
22:49E pronto.
22:50Estamos prontas.
22:52Ela é tão primorosa que ainda trouxe aqui um prato de apresentação com a cara tipicamente
22:57portuguesa, né?
22:58Tem que ser, né?
22:59Tem que ser.
23:00Enquanto você vai colocando aqui, eu queria que a gente falasse um pouco dessa relação
23:04da gastronomia portuguesa e da gastronomia pernambucana.
23:09Sobre as influências, porque a gente tem tradicionalmente uma influência muito forte.
23:15Bastante.
23:15Muita gente pensa que não existe influência.
23:18Pode ser até que se perdeu no meio do caminho da colonização para cá.
23:22As pessoas pensam que é pernambucana, né?
23:26Por exemplo, a galinha cabidela.
23:28A galinha cabidela é um prato português.
23:30E lá no norte de Portugal, na terra do meu avô, se chama galinha, como é?
23:36Arroz de pica no chão.
23:38Aí o povo lá não acha, mas Simone, que nome é esse?
23:40Eu disse, mas a galinha lá não cisca e não pica no chão?
23:43E é isso aí.
23:44É galinha, é arroz de pica no chão, que é o arroz de cabidela.
23:48A diferença que a gente tem do pernambucano para o português é que o português cozinha
23:53o arroz dentro da galinha com sangue, entendeu?
23:56Então fica aquele grande arroz com a galinha misturada e o sangue misturado.
24:02E também tem, por exemplo, a dobradinha, que é tripas à moda do porco, é um prato português.
24:10O cozido, né?
24:11É isso que eu ia dizer, o próprio cozido pernambucano, ele aqui sofreu algumas alterações, né?
24:16Sofreu, sofreu.
24:17Mas ele...
24:18Mas é.
24:18E particularmente, eu acho essa influência que o pernambucano fez no cozido, ó...
24:23Top de linha.
24:24Top de linha.
24:25O pirãozinho, aquele molhinho, coisa que no português não tem, né?
24:29O português, ele é cozido.
24:30São várias carnes, assim, vai frango, vai coisas diferentes, né?
24:35Os enchidos.
24:36E é cozido na água e sal.
24:37Já o pernambucano, não.
24:40O pernambucano leva um gostinho, leva um refogadinho, uma coisinha e tal.
24:44E o pirãozinho no final é uma delícia.
24:46É tudo de bom.
24:48Vou servir aqui, aqui pra gente.
24:49Vamos empratar, né?
24:51E aí, gente, ela não comentou aqui no programa ainda que durante as andanças dela, porque
24:59você já morou várias vezes pelo mundo, aproveitou aí esse momento pra fazer algumas
25:06especializações, né?
25:07Conta pra gente aí um pouco dessa tua experiência lá fora.
25:11Eu fiz alguns cursos de chefe internacional, porque, vamos voltar pra maternidade, né?
25:19Quando eu deixava meus filhos na escola, o marido ia trabalhar, eu morando no exterior,
25:24o que é que...
25:25Chegava em casa, obviamente, ia fazer as coisas da casa e tal, mas ia ir no final, né?
25:30Então, assim, a gente é mãe e tal, mas a gente também precisa se cuidar, né?
25:34A gente se cuida, cuida a nossa cabeça, principalmente.
25:36Exatamente.
25:37Então, o tempo é ocioso, nem pensar.
25:39E, assim, eu sou um pouquinho enérgica, né?
25:42Gosto, sou bem...
25:43Eu também, eu digo, ai, meu Deus, acho que eu preciso me aposentar.
25:47E meu marido, aham, tá certo.
25:49E aí, eu fui atrás de cursos.
25:51Fui atrás de cursos, fiz dois cursos lá fora.
25:55Fiz algumas especializações cordomblé aqui também, pra especializar e fazer, aprender
26:01as técnicas da cozinha internacional.
26:03Porque muita gente fazia, mas Simone, tu cozinha tão bem, porque tu vai...
26:07Mas é super importante, né?
26:09Exato, mas e as técnicas, né?
26:10É, com certeza.
26:11Conhecer as técnicas e é massa também, porque aí você conhece pessoas, você vivencia
26:17aí outra experiência do morar fora, né?
26:19Até pra você melhorar a sua língua, a língua nova, é muito importante, exatamente.
26:25Muito importante.
26:26Minha gente, que coisa linda.
26:29Cheirosíssimo, olha isso.
26:31Aí eu vou colocar a batata palha assim em volta, pra ter mais um...
26:35Deixa eu puxar isso pra cá, pra ela dar uma finalizada.
26:39Pra gente...
26:40Enquanto ela vai organizar aqui, finalizar, deixar ainda mais bonito esse prato, a gente
26:45vai pra um breve intervalo e volto já pra experimentar.
26:48Agora eu vou falar com quem quer ser um profissional da área de gastronomia.
26:54O SENAC é o lugar certo pra você, com qualidade reconhecida e a melhor preparação para o mercado
27:01de trabalho.
27:02São diversos cursos, como cozinheiro, confeiteiro, padeiro e muito mais.
27:08Além de graduação e pós-graduação em gastronomia na Faculdade SENAC.
27:13Faça o mercado olhar pra você e construa uma carreira de sucesso.
27:18Faça a gastronomia no SENAC.
27:20Acesse pe.senac.br ou ligue 81341366666 pra saber mais.
27:33Gastronomia não foi a minha primeira escolha.
27:37Eu tava no último ano de publicidade, quando eu resolvi fazer o vestibular da Faculdade
27:41SENAC pra gastronomia.
27:43Foi a minha melhor decisão.
27:44Hoje só tenho a agradecer a minha alcalda de 17 anos atrás.
27:49Ensino inovador voltado para o mercado.
27:51Cursos com nota máxima no MEC.
27:53Nas áreas de gestão, tecnologia, gastronomia, moda e saúde.
27:56Professores, mestres e doutores.
27:57Tudo para levar você aonde você quer chegar.
28:00Faculdade SENAC.
28:01Sua realização.
28:02Nosso propósito.
28:07Gente, estamos de volta aqui com esse prato lindo, cheirosíssimo.
28:13E agora chegou a melhor hora desse programa.
28:16Exato.
28:17Porque eu digo, olha, conhecer a história é bom demais.
28:20Aprender é incrível.
28:21Mas comer é só felicidade, né?
28:23Só felicidade.
28:25Vou servir aqui.
28:26Posso?
28:29E essa batatinha palha para dar a textura, o crunch, né?
28:34É muito bom, né?
28:35Essa mescla aí.
28:37Exato.
28:37Adoro quando tem um crocantezinho.
28:39Tem que ter.
28:39Numa sobremesa, num prato salgado.
28:41Eu adoro.
28:42Numa salada.
28:43Eu acho que tem que ter.
28:44Também acho.
28:44Também acho.
28:45Faz toda a diferença.
28:47Obrigada.
28:47De nada.
28:48Eu vou provar também, tá?
28:50Por favor.
28:54Que delícia.
28:58Maravilhoso.
29:00Delicioso.
29:01É muito bom, né?
29:02Maravilhoso.
29:03E é um bacalhau simples de ser feito, né?
29:04Não tem segredo.
29:06É.
29:06Muito bom.
29:07Muito fácil, né?
29:08De fazer, assim.
29:09Eu não achei complicado o processo.
29:12Delicioso.
29:12Muito bom.
29:13Obrigadíssimo.
29:14Obrigada.
29:14A sua participação.
29:15Obrigada também.
29:16Adorei.
29:16Feliz dia das mães.
29:17Muito obrigada.
29:18Pra vocês que nos assistem.
29:20Se vocês perderam alguma parte desse programa, já bota a câmera do celular apontando pro
29:25QR Code que tá aparecendo aqui na tela.
29:28Que aí vocês vão ter o programa na íntegra.
29:30Essa receita incrível.
29:32E é isso, gente.
29:33Feliz dia do cozinheiro.
29:35Feliz dia das mães.
29:37E um sábado, um domingo delicioso.
29:39Pra você também.
29:40Beijo.
29:43Na Cozinha com Cecília Chaves.
29:46Oferecimento Senac.
29:49Você pronto para o mercado do presente e do futuro.
29:51E um sábado, um sábado, um sábado, um sábado, um sábado, um sábado, um sábado, um sábado, um sábado, um
30:07sábado, um sábado, um sábado, um sábado, um sábado, um sábado, um sábado, um sábado, um sábado, um sábado, um
30:07sábado, um sábado, um sábado, um sábado, um sábado, um sábado, um sábado, um sábado, um sábado, um sábado, um
30:07sábado, um sábado, um sábado, um sábado, um sábado, um sábado, um sábado, um sábado, um sábado, um sábado, um
30:07sábado, um sábado, um sábado, um sábado, um sábado,