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Novo tratamento amplia as opções de combate ao diabetes e recebe autorização do órgão regulador para o público infantil.
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Notícias
Transcrição
00:00Olha, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária autorizou o uso do medicamento
00:04Monjaro para crianças e adolescentes com diabetes tipo 2, ampliando uma opção de
00:11tratamento que até então era restrita para os adultos. A decisão representa um
00:16avanço importante no combate à doença que tem crescido entre os mais jovens no
00:21Brasil. Mas como é que funciona esse medicamento? Quais são os cuidados
00:26necessários no uso de pacientes pediátricos? Aqui com a gente, doutor Pietro Lima,
00:31mais uma vez, muito obrigado, doutor, pela presença.
00:34Nada, é um prazer, Jorge, para ele que está assistindo a gente aqui. Muito importante,
00:37Jorge. Então, desde quarta-feira para cá, a Anvisa, então, começa a liberar a
00:41medicação para a partir dos 10 anos de idade. Então, dos 10 às 17, a gente tinha um
00:45limbo, né, de pacientes que não podiam ser tratados ali. Mas um ponto importante
00:50que a gente precisa ressaltar aqui, não tem como tratar o paciente sem tratar os
00:54pais, tá, Jorge? Então, assim, é necessário um cuidado muito amplo em
01:00relação ao ambiente, em relação a hábitos, em relação a dispensa de casa, em
01:03relação ao comportamento alimentar, compulsão alimentar. A medicação é
01:07maravilhosa, há a expectativa que a gente não precise levantar doses, assim como
01:11acontece no adulto, né? Então, assim, pacientes com obesidade, com síndrome
01:14metabólica, já tem já alguns casos importantes de gordura visceral, gordura no
01:19fígado em crianças já. Então, a gente tem que lembrar que 90% dos casos de
01:24obesidade são adquiridos, Jorge. Então, é muito importante que os pais tenham essa
01:28atenção. Um pai obeso e sedentário é a grande chance de ter um filho obeso e
01:33sedentário. Então, é muito necessário que a gente trate o ambiente também. A
01:37medicação é maravilhosa. Então, há a expectativa que o alavancar de doses seja um
01:41pouco mais leve, porque a gente tem agora aqui o que está chegando no mercado em
01:45breve, que vai facilitar a titulação da medicação. Vai ser incrível. Então, o
01:49paciente que hoje consegue na farmácia comprar dose de 2,5, o alavancar de doses
01:54para o paciente pediátrico é menor. Então, a chance de efeitos colaterais é
01:58maior. Então, é muito importante que a gente consiga ter esse cuidado de longo
02:02prazo. Essa medicação titulável, a Q-Pen, que vai chegar brevemente no mercado, vai
02:07ser muito, vai ser perfeita para esses pacientes. Mas também é muito importante
02:10que a medicação, ela é incrível, Jorge, mas existe uma viabilidade de tratamento.
02:15Por quê? Essa medicação vai ficar a vida inteira? Será que esse paciente, ele tem
02:19oportunidade de aprender novos hábitos? Uma alimentação melhor? Um exercício físico
02:24diferente?
02:25Agora, doutor, para a gente entender, como é que funciona o mecanismo de ação, por
02:30exemplo, do monjaro, né, dessas canetas, para as crianças? É o mesmo mecanismo que
02:35funciona para os adultos?
02:36Exato. Então, assim, a gente tem dois hormônios liberados pelo intestino, que é o GLP-1
02:41e o GIP. O que acontece é que esses hormônios, Jorge, eles ficam muito pouco tempo no organismo,
02:463, 4 segundos. O que é um análogo de GLP? Um análogo de GIP? É uma medicação que
02:51ela, basicamente, ela simula esse hormônio, só que ele não é quebrado por peptidases.
02:57É uma medicação que faz com que esse hormônio fique mais tempo no organismo fazendo isso.
03:01E um dos efeitos da medicação, além de regular o centro da fome, que é o hipotálamo,
03:06também é reduzir a fome, dar um teto calórico para o paciente. Agora, sem dúvida alguma,
03:11quem coloca a alimentação dentro de casa são os pais. Então, é um tratamento da família,
03:17Jorge.
03:17Então, nesse sentido, a gente leva a questão para a alimentação também. Por exemplo,
03:22a gente vê aí, a gente falou a semana passada sobre o rosto derretido, do uso da caneta
03:27de forma a perder peso muito rápido, né? A pessoa realmente fica sem fome, não come adequadamente
03:33num programa e acaba tendo uma certa flacidez ou enfim. Isso para a criança, a atenção
03:39que tem que ser dada para a criança em relação a esse tipo de alimento que ela vai ingerir
03:43usando a caneta é maior?
03:45É muito maior, Jorge. Por quê? Porque quando eu falo em relação a um adulto, a expectativa
03:51é que eu tenha uma autoconsciência maior, que eu tenha uma pessoa que consegue entender
03:55de fazer a própria rotina. A criança não. Ela depende de uma rotina estabelecida pelos
04:01pais. Então, se eu consigo orientar essa criança de forma correta e fazer com que essa rotina
04:06seja saudável e construindo saúde a longo prazo, essa criança tem uma expectativa muito
04:11grande de ter sucesso no tratamento. Agora, se eu tenho uma criança que vai só usar a
04:15medicação e que realmente eu não mexa em relação às medicações, às alimentações,
04:20por exemplo, ricas em açúcar, sal e gordura, isso faz com que realmente o paciente tenha
04:25muito efeito colateral, então não tolere a medicação e faz com que ele tenha um emagrecimento
04:29às custas de perda de peso na balança, que muitas das vezes tem perda de massa muscular
04:33associada. E perder o massa muscular, o paciente não consegue manter o peso perdido depois.
04:37A aplicação na criança é mesmo, igual o adulto, uma vez por semana?
04:41Uma vez por semana, Jorge. A expectativa é que a gente consiga, realmente é impressionante
04:45como as crianças toleram muito bem a medicação e as respondem muito bem em doses iniciais.
04:51Então, a expectativa é que comece uma aplicação e se avalie. A gente, uma vez por semana,
04:55a gente tem, aí depende muito em relação até o grau de fome, a gente acompanha muita
04:59fome do paciente. Porque se for aquela pessoa que, por exemplo, fica sem fome, fica 3, 4
05:03dias sem comer, é péssimo. Porque então eu tenho uma desnutrição associada a isso.
05:07Então, esse acompanhamento, ele é crucial. Então, eu comecei a fazer medicação, a resposta
05:11de fome foi adequada e o paciente conseguiu comer, mas tem um teto calórico adequado, tudo
05:16bem. Agora, eu posso também alargar isso. Por exemplo, o paciente ficou 7 dias, mas reduziu muito
05:21o teto alimentar. Então, a gente faz cada 10 dias, cada 14 dias, a gente pode entender
05:26cada caso como é que funciona.
05:27Quais são os critérios para definir que uma criança é obesa e precisa desse tipo
05:30de tratamento?
05:31Isso, é muito importante. Os critérios são muito parecidos com adulto em relação ao IMC.
05:35Então, eu tenho o IMC de sobrepeso na criança, associado, então, a alguma comprometimento,
05:42seja de gordura visceral. Então, a gente precisa muito de olho em relação a esse IMC.
05:46A criança vai ser o nosso chefe aí.
05:49Agora, essa questão, doutor, do emagrecimento, da velocidade desse emagrecimento. A gente
05:55sabe que criança é diferente de adulto. Por exemplo, o adulto, muitas vezes, faz o
06:00uso da caneta, não faz atividade física. Criança não tem uma atividade física, mas
06:05corre, brinca, gasta além daquilo. A criança que está obesa, ela, mesmo praticando algumas
06:12atividades, ela não consegue, por exemplo, perder o peso. Como que o pai pode fazer essa
06:19associação, por exemplo, de uma criança obesa que brinca, que corre, que faz tudo,
06:23continua no sobrepeso, mas que precisa fazer o uso da caneta? Qual é essa relação, assim,
06:29do gasto calórico?
06:31Excelente. Jorge, o que é interessante a gente ver é que os pacientes, realmente, essas
06:35crianças que são obesos, eles têm uma tendência de ficar mais na tela do telefone,
06:41têm menos movimento associado. Então, a tela da TV e o telefone vieram para
06:46realmente agravar esse cenário, porque realmente as crianças têm movimento, mas
06:53muitas das vezes não é uma prática que os pais têm ou que não colocam na rotina
06:57da própria criança. Então, esse desafio, sem dúvida alguma, começa na criança até
07:03um pouco menor, porque ele gosta de se movimentar, só que ele precisa do estímulo
07:06necessário. Então, a gente começa a entrar com o movimento para a criança e
07:10responde muito bem também por conta disso, porque eles gostam muito do movimento.
07:13Tem uma, né, tanto os esportes, eles têm tempo para fazer esportes, então os esportes
07:17são fundamentais, não só para a gente melhorar muito esse emagrecimento, como
07:20também colocar, né, um contexto competitivo, um contexto de disciplina, que
07:25faça com que ele tenha mais autocuidado, desde o início. E também cabe o cenário
07:29importante que é entender que se os pais também não colocarem em si,
07:35construírem, entre eles, ambientes saudáveis, tanto para eles em si, como
07:39movimento e alimentação, é muito difícil eles passarem isso, porque a gente sabe
07:43que as crianças são os pões nossos, né, Jorge? Eles não aprendem só com o que
07:47a gente passa para eles, mas o que eles enxergam. Então, que sejam esses exemplos
07:51de casa, porque o ambiente saudável é diferente do que usar a medicação e voltar
07:56para o mesmo ambiente.
07:57Pois é, muitos adultos acabam usando isso, assim, de forma, não com uma ajuda, né,
08:02não com acompanhamento médico e acaba realmente voltando a aguardar muito rápido.
08:06Nas crianças, quais são os critérios pré-uso da caneta?
08:11Bom, Jorge, é o seguinte, a primeira coisa, a gente tem que saber o seguinte, o MC acima
08:15de 27 é sobrepeso. Para a criança, a gente vai ficar de olho no MC acima de 29, que é
08:19obesidade mesmo, o MC é 130, então, obesidade. A criança obesa já tem um cenário que é,
08:26tem uma chance enorme de ter gordura visceral. Então, assim, esse cenário chama atenção
08:31à resistência à insulina. A gente tem um paciente que tem, então, um pré-diabetes,
08:35já tem já uma insulina de jejum aumentada, já tem uma redução da massa muscular por
08:41sedentarismo. Então, a gente já começa, com essa leitura em mãos, a gente já começa
08:45a ter um cenário de indicação melhor da medicação.
08:49Esse acompanhamento, então, tem que ser mais rigoroso nas crianças em relação ao
08:52adulto ou não?
08:54Depende, Jorge, porque, assim, o agravar, por exemplo, tem o grau de obesidade. Se eu
09:01tenho uma obesidade mais avançada, mais mórbida, grau 3, grau 4, tem, então, um cenário
09:05de maior dificuldade de início e trajetória do paciente. Então, depende muito de cada
09:11caso. A gravidade da doença em cada paciente vai me dizer em relação a quão intensa tem
09:17que ser esse acompanhamento ou se pode ser alguma coisa mais de ajustes, mais periódicos.
09:22Para a classe médica, é um avanço essa liberação em crianças, você?
09:25Sem dúvida. Até porque eu sinto em própria sociedade. Então, assim, a gente começa a
09:29entender que se eu tenho uma medicação que começa a já fazer efeito, a importância
09:33da medicação é muito grande. Então, se a gente começar a entender que a obesidade
09:36é uma doença que aumenta a chance de infarto AVC e reduz a longevidade, se eu já consigo
09:42adequar, começar a medicação que seja tão importante desde o início da primeira
09:47infância, que isso já consiga já adirecionar esse paciente que com 40, 50 anos só tem
09:51um problema de saúde pública, né? Que eu tenho redução do infarto AVC e isso a
09:55longo prazo eu tenho até redução desses sintomas.
09:58Perfeito. Doutor Pietro Lima, muito obrigado pelos esclarecimentos, né?
10:02É importante aí, sempre ajudando a gente a entender essas novidades aí da ciência.
10:07Obrigado, uma excelente tarde.
10:08Obrigado, três coisas.
10:08Tchau, tchau.
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